Capítulo 20 – Um Mundo Em Pedaços

"Nunca bastou o que eu dei a você,

Todo o horror que você me fez passar

Agora eu não posso me decidir dessa vez?

É aqui que eu desenharei a linha

Nunca de novo eu estarei contigo

Sem promessas eternas nos carregando

Eu finalmente me decidi dessa vez

Este é o fim, eu desenhei a linha

Nunca basta para devorar sua avareza"

Never Enough - Epica


Confusa, chocada, sem palavras, com o coração acelerado e uma leve dificuldade de respirar, Hermione entrou em outra sala de reuniões acompanhada do magnata. Lá, encontrou Ginny, Draco e mais outros três homens. Os músicos pareciam desconfortáveis em suas cadeiras, enquanto os outros se mantinham impassíveis junto com os documentos que traziam.

- Sente-se, por favor, querida. – Tommy ofereceu com um gesto de mão, e um instinto de Hermione lhe disse para se sentar longe do grupo. – Esses são meu advogado e meu amigo íntimo de longa data, Frederick Larson, e o detetive particular Anthony Garrett e seu ajudante Tim Warlock. – ele apresentou os presentes e sentou-se ao lado deles, em frente à cantora.

- Creio que podemos começar. – disse um dos homens.

- Com toda a certeza, Anthony, mas, primeiro, permita-me dizer algumas palavras antes. – O olhar de Tommy percorria os olhares dos músicos periodicamente. Ele respirou profundamente antes de falar. – Bem, resumindo o que eu havia falado ainda no estúdio, alguns diretores meus armaram secretamente um meio de me tirarem do comando da empresa. Diziam que eu me encontrava ausente em relação aos negócios, que minha gestão estava atrapalhando o lucro, enfim, que eu estava querendo afundar com a empresa.

"A verdade é que eles queriam o poder total para transformar a Roadstar Records em mais uma lavadora cerebral no show business, com artistas que se diziam talentosos, mas que no fundo só eram figurinhas mimadas, sem nenhum conteúdo, marionetes de produtores – e consequentemente da própria gravadora –, cuja imagem seriam tudo o que importaria. É claro que isso traria milhões, quiçá bilhões, para a empresa, tornando-a ainda maior, uma multinacional, mas de um jeito vazio, nojento, dona de uma filosofia em que o dinheiro vinha acima de tudo e que não seriam medidos esforços para obtê-lo. Eles iriam contribuir ainda mais para a destruição a mente da sociedade. E isso tudo acabaria com todos os ideais com que venho dirigindo essa empresa há vinte anos.

"Eu sempre admirei a música. Quando vi que poderia aliá-la ao trabalho, disse a mim mesmo que tinha alcançado meu papel nesse mundo. Eu sempre admirei pessoas que se encantavam por música, que detinham um enorme talento para transmiti-la ao mundo, cuja paixão as fazia se entregar completamente à melodia, à harmonia, as faziam ser capazes de não só fazer música, como também vivê-la, amá-la, respirá-la. Escolhia quem se tornava parte da Roadstar assim.

"Eu vi tudo o que acabei de dizer em vocês. Contudo, havia algo que me fez ficar encantado com suas composições. Talvez fosse o fato de serem tão jovens, extremamente jovens, e repletos de um talento que muitos adultos matariam para ter. Eu adorei todos os músicos com quem lidei, porém, inconscientemente, acabei adotando-os com um carinho diferenciado. Por vezes, eu deslizei e deixei esse carinho ser visto mais que o normal, principalmente quando os via decolando cada vez mais até se tornarem um dos maiores sucessos da gravadora, o que devo confessar que não foi tão surpreendente assim.

"Digo isso porque tem tudo a ver com o golpe que queriam me dar. Meus diretores queriam traçar um plano perspicaz, de modo que os outros integrantes do conselho administrativo vissem que minhas escolhas em relação aos negócios caíssem naturalmente, como se já estivessem fadadas ao fracasso desde o início. Ao mesmo tempo, eles precisavam de algo concreto, capaz de causar um baque que ligasse o alerta de que se mais uma decisão precipitada fosse tomada, tudo desabaria sem volta. Se a empresa em questão é uma gravadora, por que então não usar um dos músicos? Melhor ainda, por que não usar músicos que o dono da empresa admirasse mais que o normal, que todos sabiam disso, só para que o impacto fosse incontestável?

"Foi assim que o Paradise Lust entrou no jogo. Eles escolheram vocês para me derrubar. Vocês seriam os peões da minha decadência. Viram o sadismo deles? Viram as mentes deturpadas, sedentas, doentes por dinheiro? Não mediram esforços de acabar com gente que não tinha nada a ver com a história. Eles queriam destruir o Paradise. Mas como, se o clima entre vocês estava tão harmonioso? Como acabar com vocês de modo que parecesse natural? Não havia como destruí-los em termos de negócio, ou seja, no mundo da música, porque ficaria óbvio demais, ainda mais como os fenômenos que se tornaram. Então veio a ideia: destruí-los internamente, ou melhor, fazer com que vocês se destruíssem, seria o mais natural possível e não levantaria nenhuma suspeita. A questão então se tornou: como?"

Embora suasse frio, o coração e a respiração descompassassem mais a cada segundo, tudo girasse e se agitasse dentro da mente, o raciocínio rápido e perspicaz de Hermione acompanhava cada detalhe. Ao ouvir e compreender as últimas palavras e aliá-las ao que aconteceu na outra sala, ela sentiu um baque tremendo, como se houvessem feito-a colidir com uma parede de metal e, durante a queda, tirassem-lhe o chão.

- Nicholas. – disse trêmula, uma náusea brutal lhe invadindo. Mas ela tinha de se segurar, iria se esforçar até que tudo fosse explicado, dizia a si mesma enquanto segurava o ventre.

Bem ali, naquele instante, começaria a ser montado o quebra cabeça que lhe forneceria todas as respostas para as confusões com a banda.

- Exatamente. – Tommy confirmou antes de voltar à sua narrativa. – Os executivos tinham de interferir no Paradise, mas de modo bem sutil. Enquanto pensavam, o destino lhes presenteou. O primeiro empresário que vocês tiveram teve de sair e quando isso se tornou de conhecimento do conselho, os envolvidos na trama aproveitaram a situação. Precisavam colocar um novo empresário que fosse subordinado a eles. Contudo, não poderia ser alguém qualquer. Precisavam de alguém que tivesse carisma, personalidade marcante, uma boa pinta, digamos assim, de modo que conquistasse vocês, o grupo, e não levantasse suspeitas. Foi então que surgiu a figura de Nicholas McAllister. – o homem se voltou ao detetive. – Anthony, por favor.

Hermione fechou os olhos ao sentir mais uma pontada na barriga. Não saberia até quando aguentaria, porém se esforçaria o máximo até o final. Por mais que fosse doer, o instinto curioso recém-acendido dentro dela lhe impulsionava a descobrir tudo.

O detetive particular levantou-se e tomou as rédeas do discurso.

- Nicholas McAllister era um cara de prestígio e louvor e ao mesmo tempo admirado. – Hermione quis atirar algo em Garrett. – Estudou em instituições conceituadas, vinha de uma família um tanto conhecida e de boa reputação. Nos tempos de escola, ganhou premiações de docentes, cujas congratulações apontavam principalmente para sua personalidade tranquila, seu carisma, o humor ágil, a ambição. Na universidade, também chamou a atenção dos professores e dos colegas, e foi lá que a situação ganhou mais destaque.

"Em Cambridge, seu talento para negócios começou a ser visto. Formou-se em Administração, mas cursou matérias suficientes para se tornar um bom entendedor de Direito e Economia. Isso porque lá ele também abriu novas portas e novos horizontes, o que só contribuiu para aumentar sua ambição. Conheceu filhos de gente importante, principalmente na área da política, o que o fez tombar um pouco para esse mundo. Cogitou a ideia de seguir carreira política e achava que chamaria mais atenção por ser jovem, porém não foi o que fez. Deixou o sonho para depois. Desde que saiu da Universidade de Cambridge, trabalhou em duas empresas."

Hermione tentou ignorar as informações, até por que já as conhecia por meio do próprio Nicholas, mas ouvi-las de outro ponto de vista, quando a verdade agora estava tão clara, era bastante incômodo.

- De acordo com as investigações, um dos executivos da Roadstar conhecia o pai de Nicholas. Durante uma festa, que ocorreu na época da saída do primeiro empresário da banda, esse executivo soube por Harold McAllister que Nicholas não estava muito satisfeito com o trabalho e queria algo novo, diferente. Nessa mesma festa, o filho estava presente e bastou um pouco de conversa para que ele fosse o escolhido.

"A partir daí, como as gravações telefônicas que conseguimos mostram, os executivos começaram a entrar em contato com Nicholas. Souberam do desejo de seguir uma carreira política, e Nicholas explicou que queria começá-la aos trinta anos, o que aconteceria em um ano e meio na época, mas que lhe faltava dinheiro. E aí foi feita a oferta tentadora: McAllister ganharia o dinheiro necessário, mais ainda, ganharia o apoio político da empresa, se ele se infiltrasse no Paradise Lust como empresário e bagunçasse as relações dos músicos. Poderia demorar o tempo que quisesse, pois ele tinha de ser cuidadoso. Ele tinha de ser cativante e ao mesmo tempo puxar aqui e ali para que os membros do Paradise aos poucos entrassem em conflito e se separassem. Assim, o próprio trabalho deles seria afetado e os executivos conseguiriam o que queriam: um dos maiores investimentos de Tommy fracassado para 'comprovar' sua ignorância quanto aos negócios feitos."

Um baque estrondoso foi ouvido, interrompendo. Draco se levantou da cadeira e começou a andar de em direção à janela, mexendo nos cabelos com nervosismo. A expressão no rosto de Ginny parecia não acreditar no que ouvia.

Hermione sentiu-se ainda mais sem chão. Os problemas... Os conflitos... A distância gradual... Tudo fazia lógica. E o tempo passado desde que Nicholas se tornara o empresário batia mais ou menos cronologicamente com o começo, o embrião mesmo, do quadro de situação que deu origem ao caos no Paradise.

Só que ela nunca iria imaginar que o tal caos fosse originário de uma pessoa de ambição e egoísmo sem fundo.

Agora Hermione entendia por que vez ou outra Nick lhe falava para esquecer os problemas com os integrantes da banda, deixar de lado o que quer afligisse os amigos pois com o tempo eles lhe diriam, que a atmosfera pesada da última turnê era uma espécie de acidente de percurso.

E ao mesmo tempo agiu de modo gentil com ela só para lhe apunhalar nas costas!

- Então... – sabe-se lá como Hermione arranjou forças para falar. – Tudo o que ele passou conosco... Foi tudo mentira? Inclusive, inclusive... – seu olhar se voltou para o anel de noivado em sua mão, que de repente parecia pesar dez quilos em seu dedo. A dor quase a engolfou ao perceber que seu amor não valeu de nada.

- Infelizmente sim. – o detetive respondeu. – Sei que não é nada fácil aceitar isso, mas sim.

A musicista ergueu a cabeça e olhou para a pasta sobre a mesa, na frente de Tim.

- Está... está tudo aí? Conversas e tudo mais? Podem falar à vontade, mesmo que magoe ainda mais. Agora eu quero saber de tudo, tudo que vieram me privando, nos privando – ela olhou para Draco e Ginny. – durante todos esses meses. – pausou enquanto pensava se deveria fazer a pergunta. – Ele confirmou aí que só se aproximou de mim para... para... – Mas não conseguiu falar. Os olhos arderam e a garanta secou, impedindo-a.

Os detetives se entreolharam.

- É um direito de vocês saberem a verdade, principalmente você, Srta. Granger. – Tim falou num tom solidário. – Tudo o que quiserem saber está aqui e à disposição.

- Eu só quero saber se isso – ela estendeu a mão esquerda com o anel. – fez parte.

- Não sabemos sobre o noivado, Srta. Granger, mas vamos dizer assim. – Warlock começou a explicar. – De acordo com as ligações telefônicas, Nicholas foi encarregado de uma vez ou outra, pelo menos no começo do plano, dar relatórios sobre o que estava acontecendo.

- Sobre o campo a ser explorado e destruído. – Draco comentou ironicamente, reaproximando-se da mesa para prestar atenção.

- É. Enfim, McAllister falou que a parte mais forte do Paradise era o Trio de Ouro, por ser a base, a parcela primordial, pois as relações entre eles eram extremamente fortes. Ele disse que se quisessem acabar com a banda, seria necessário acabar primeiro com o trio. – Hermione ofegou, imaginando Nicholas falando isso. – Então... no momento não lembro se foi o próprio McAllister ou algum dos executivos acusados... sugeriram a ideia de afastar um membro do trio dos outros. Tamanha era a importância do trio que se um se afastasse, começariam os conflitos junto dos outros dois e assim os embates se estenderiam ao resto da equipe.

Com o coração batendo loucamente e o enjoo cada vez pior, Hermione recostou-se na cadeira e apoiou a cabeça na parte de cima do objeto, ficando a olhar o teto. Um filme imaginário se passou ali, mostrando que aconteceu exatamente conforme o plano. Nick a seduziu, a conquistou, a afastou de Harry e Ron, de modo que eles notaram sua ausência e distância, e os conflitos com os membros da banda começaram. Ele só teve uma relação com ela para afastá-la dos amigos, quebrar o Paradise e conseguir o que precisava para a campanha política.

Quatro lágrimas escaparam sem ela ter consciência. E pensar que perdeu seus melhores amigos por causa de tamanho egoísmo!

- Então a ideia era que assim os embates começassem de forma natural para mostrar que todos nós estávamos fadados a afundar o Paradise Lust por não conseguirmos nem nos relacionar direito. – Ginny disse de forma resumida, lá de seu canto. Sua voz tremia um pouco e ela falhou em algumas sílabas.

- Sim. – Garrett afirmou, inclinando-se para mexer os papéis sobre a mesa e pegar um deles. – E aqui eu cito uma fala de um dos executivos: "Fazer com que as mágoas entre eles sejam de verdade. Faça com que eles de fato queiram machucar um ao outro de verdade. Faça com que eles se voltem contra si, achando que estão completamente certos. Manipule-os, destrua-os e será recompensado". – Hermione quis chorar ainda mais com as palavras. Porque era tudo verdade. Durante as discussões com os amigos, ela quis sim machucá-los.

- Quem são os executivos envolvidos? – Draco perguntou do nada.

Tommy se virou para ele.

- Kenneth Thompson, Robert Albridge, Alistair Lancaster, Alexander Stanley e Randolph Burrow, o único que não tinha um cargo de alto escalão no grupo, mas que teria quando eu caísse.

Hermione sentiu o olhar de Draco sobre si e virou-se para fitá-lo, os dois trocando olhares cúmplices.

- Eu sei o que está pensando, Sr. Malfoy. – Tommy falou, mirando-os. – A reunião feita sobre a suspensão do DVD ao vivo. Burrow, Stanley e Alistair estavam presentes e disseram...

- Disseram que a gravadora estava passando por problemas financeiros e por isso seria o DVD seria suspenso. – O impulso de usar a lógica de Hermione veio mais rápido do que pudesse conter.

- Mas você disse que Nick estava bem nervoso nesse dia. – Ginny contrapôs, girando na cadeira para observar a amiga.

- Então adicione mais uma qualidade do McAllister aí: teatro. – Draco comentou maldosamente. – Era tudo fingimento, óbvio. Uma parte do plano para que não levantássemos suspeitas.

- Exato. – Anthony emendou, jogando a folha que segurava sobre a pasta. – E o contato entre McAllister e os executivos foi tão sutil que, a princípio, achamos que McAllister não existia.

- Mas aí McAllister se tornou mais afobado. – Tim tomou a palavra. – Começou a entrar com eles de qualquer forma, dizendo que não queria mais continuar com aquilo, pelo menos em parte.

- Por quê? – Ginny questionou.

O olhar do detetive-assistente caiu sobre Hermione.

- Porque disse que tinha se apaixonado de verdade pela Srta. Granger.

- Que adorável! – Hermione riu debochadamente, embora seu peito ainda doesse.

- E que queria que ela fosse salva quando os outros entrassem no poder da Roadstar. Queria que ela seguisse carreira solo por ser muito talentosa.

- Só nós nunca sabemos o que iria acontecer de verdade com McAllister caso ele desse para trás. – Anthony explicou. – Eles só ficaram na ameaça, dando chances para Nicholas porque, oficialmente, o Paradise Lust não havia terminado e eles precisavam dessa confirmação. Mas nós os pegamos. Eles também se afobaram um pouco ao perceberem pequenas intervenções na empresa que iam contra os planos deles. Isso era o Sr. Mildred, que já vinha desconfiando e investigando. O desespero os levou ao fundo do poço.

- Com toda certeza. – o magnata confirmou. – McAllister se confessou enquanto conversava com a Srta. Granger há pouco. Dava para ver que ele estava descontrolado e desesperado. Mas agora não há volta, todos pagarão pelo que foi feito. Irei processá-los, além de, é claro, expulsá-los da empresa. Confesso que o plano deu certo até então porque, sim, eu me encontrava meio distante dos negócios. Mas agora tudo se resolverá. O Paradise voltará às mãos de vocês e vocês irão decidir o que fazer. Agora, se me derem licença, eu e meus amigos iremos resolver alguns detalhes em relação a isso. Podem ficar aí o tempo que quiserem. – Tommy pausou e voltou-se para Hermione. – Srta. Granger, espero que entenda por que mandei os seguranças lá na outra sala. Qualquer coisa, ele está à sua disposição. – então os três se levantaram e foram embora, deixando que o impacto da revelação ocorresse de verdade.

Foi como se quebrassem o mundo em que Hermione vivia – um mundo de vidro, resistente, separado da realidade, onde bastou apenas um tiro para que tudo se transformasse em cacos.

Ela não sabia dizer com clareza o que sentia, só admitia estar mal, muito mal. Pior, sentia-se derrotada. Tudo o que fizera foi porque era uma marionete num jogo cruel e sádico, absolutamente tudo. Dissera coisas horríveis, fizera acusações, confrontara e dera costas aos amigos – tudo para devotar-se a uma pessoa, uma única pessoa, que a controlou de modo sujo, uma pessoa que a via somente como uma máquina de dinheiro, que ela conhecia havia apenas meses e que ainda sim depositou toda sua confiança, tirando-a de quem merecia, de quem conhecia havia mais de uma década.

Nicholas McAllister a usou, a enganou, a traiu e a humilhou, conseguindo sua ruína de forma fria e engenhosa. Ele nunca a amou.

E o pior de tudo, ela iria se casar com ele! Não, ela estava grávida de um filho dele.

Só esse pensamento a fez ficar ainda mais enjoada. Mais lágrimas chegaram a seus olhos. Ela apoiou um cotovelo na mesa e enterrou o rosto numa das mãos para tentar sustentar tudo o que lhe corroia por dentro enquanto a outra apertava seu ventre.

Por Deus, seu filho! Ela não havia planejado a gravidez, porém o bebê não tinha culpa de nada. Seu filho não merecia um pai monstruoso com aquele. Merecia um pai lhe desse amor, carinho e o fizesse se sentir querido. E ela iria dar tudo isso, não importava se teria de criá-lo sozinha. Antes só com a mãe e cercado de amor do que infeliz ao redor de uma criatura repugnante como seu genitor.

- Hermione, está sentindo alguma coisa? – Uma voz tirou-lhe dos pensamentos. Ela se virou para o lado, a visão turva, e notou a expressão preocupada no rosto de Ginny.

- Eu só estou... um pouco enjoada. – mentiu, tentando imprimir um tom tranquilo na voz e falhando consideravelmente.

- Quer que a gente chame alguém? – Draco também se aproximou.

- Você está com uma aparência horrível. Sei que foi um choque enorme, se para gente foi, imagine para você, ainda mais estando nesse estado. Fale a verdade. Necessita de algo?

Repentinamente as últimas palavras de Tommy ecoaram em sua mente. Uma idéia louca surgiu. Ela precisava saber, precisava ouvir... Precisava confrontá-lo.

Levantou-se de súbito, fazendo com que o mundo girasse por alguns segundos. Draco a segurou pelo pulso para impedir que caísse.

- Me deixem, quero fazer algo. – murmurou, fechando os olhos por conta da náusea.

- Ah não, Hermione, você não vai falar com ele! – Ginny exclamou autoritária. – Não mesmo. Já sofremos um baque tremendo com essas revelações. Você deve estar se sentindo horrível, o que é compreensível. Se for lá, só vai piorar, e esse estresse todo só vai fazer mal a você e principalmente ao bebê.

- Mas, Ginny, eu preciso saber... Eu preciso falar com ele.

- Não está acreditando? Os caras deram todas as provas para gente! McAllister é um filho da puta imbecil e egoísta. Só usou você e todos nós. Não precisa ir até lá para comprovar isso. – Draco contrapôs com raiva.

A cantora olhou de um para o outro.

- Eu sei disso. – afirmou categórica. – E por isso mesmo ele precisa ouvir um pouco do que eu tenho a dizer. Juro que irei voltar. Agora, por favor...

Contrariado, Malfoy soltou-a e afastou-se de novo, resmungando.

- Espero que saiba o que está prestes a fazer. – a ruiva alertou-a.

- Eu sei. – Hermione acenou com a cabeça e saiu.

Enquanto andava em direção a outra sala, o nervosismo voltou a perturbá-la. As pernas tremeram um pouco no caminho, porém se esforçava ao máximo para buscar cada centelha de coragem que havia em seu corpo. O que estava fazendo era pela razão, pelo certo, dizia constantemente.

Ao parar em frente a um dos seguranças designados por Tommy, ela respirou fundo.

- Gostaria de falar com ele. O Sr. Mildred me deu permissão.

- Mas é claro. – ele abriu a porta, dando-lhe passagem.

Hermione entrou, deparando-se com os outros guardas. Sentiu o olhar da figura sentada recaindo sobre si, porém tratou de ignorar.

- É algo particular. – disse, e os homens foram para a saída.

- Qualquer coisa, estaremos aqui fora, senhorita. – e fecharam a porta.

Ela começou a andar de um lado para o outro, o discurso de Tommy e dos investigadores que ouviu havia pouco ecoando em seus ouvidos, como sussurros sérios e incessantes. Nicholas ainda a perseguia com os olhos.

- Hermione. – ele começou com a voz ofegante que demonstrava medo e desespero. – Sei o que fiz, o que infelizmente fiz. Não espero que me perdoe, mas...

O olhar da mulher enfim recaiu sobre Nicholas. E então foi como se um raio caísse sobre ela, oferecendo-lhe energia e força. A ansiedade foi embora, a dor, a mágoa e a náusea aliviaram um pouco, dando espaço a frieza, raiva e indignação.

Sentou-se na mesa exatamente de fronte a ele, cruzando os braços sobre a superfície de vidro. Viu-o estremecer com a intensidade de seu olhar, que refletia o que se passava internamente.

- Mas o quê? – disparou. – Você me usou e me enganou impiedosamente, me afastou de meus amigos, me cegou em relação a eles, fez com eu acreditasse que eles eram culpados de tudo o que estava acontecendo, transformou-os em meus inimigos. Eu amei você de verdade, sacrifiquei o que pude para ficar com você. Só que não foi o suficiente. Você destruiu o maior sonho da minha vida, tudo o que eu vinha lutando durante anos. Você acabou com tudo o que mais me dava alegria. Diga-me, por que eu deveria ter algum tipo de compaixão por você?

As palavras brutas o acertaram em cheio. Nicholas deixou a cabeça cair, e ela pôde ver um brilho de lágrimas antes disso.

- E não me venha com mais teatrinhos, McAllister. Pare de se fingir de coitado, pare de fingir que se arrepende. Não cairei mais nos seus jogos. Desde o princípio, era tudo armação. Agora, que tipo de pessoa distorcida e doentia aceitaria tal trabalho tendo um objetivo como o seu? – continuou a disparar com o tom ríspido.

- Eu sei o que fiz! – ele exclamou com a voz entrecortada. – Eu sei disso! Infelizmente, foi o maior erro da minha vida. Eu juro por Deus, Hermione, juro que me arrependi. – o ex-empresário pausou e respirou profundamente. – Quando eu entrei para a banda e conheci você... Confesso que parte do plano era te conquistar e foi o que comecei a fazer. Mas aí o tempo foi passando e eu pude ver a pessoa maravilhosa que você é. Eu tentei, de todas as formas, batalhar contra isso, mas aí me apaixonei de verdade por você. Eu queria casar com você mais que tudo.

- Mais que tudo?! – Hermione interrompeu num grito. – Queria mesmo? Engraçado, não foi o que ouvi.

- Hermione... – o canto da boca do homem tremeu.

- Poupe seu fôlego com meu nome, por favor.

Ele estremeceu mais uma vez por conta da frieza, porém ela ainda se mantinha impassível ante as reações.

- Eu não posso culpá-la pela raiva- – tentou falar de novo.

- Culpe a si mesmo, afinal, essa é a verdade.

- Sei disso. E... só quero que saiba que eu tentei mudar a situação, mas não consegui. Tentei voltar atrás, porém já tinha ido longe demais. – Nicholas mexia impacientemente as mãos sobre o colo.

- Queria... como foi que disse mesmo... Ah sim, me salvar! Me salvar! E o quê? Depois que você finalmente tivesse conseguido o que queria, achava que eu iria aceitar tudo e viveria como a sua esposa feliz para sempre? Será que, em todo esse tempo, você ao menos prestou atenção em mim?

- Sim, é claro que sim! E vi que você é carinhosa, companheira, inteligente, leal e corajosa. Tem um vício incondicional por café, sabe ser profissional, determinada, mas sem deixar a feminilidade de lado. Além, é claro, de ser talentosa e extremamente linda. É como o Potter falou na nossa festa de noivado, você não esconde que tem suas imperfeições, e isso de torna ainda mais cativante. – ele concluiu olhando-a com atenção.

Bastou ouvir aquele nome que os sentimentos explosivos em Hermione se amansassem um pouco. Enfim entendeu o que o fez atacar Nicholas. Seu coração estava certo o tempo todo. Harry nunca usaria a violência a não ser que algo o irritasse intensamente, e era o fato de os dois terem sido enganados o tempo todo.

De alguma forma, Harry descobriu a verdade e resolveu fazer justiça com as próprias mãos. Agora Hermione compreendeu por que seu ex-melhor amigo agia de modo meio hostil ao redor do loiro, por desconfiar dele.

E Harry fora o primeiro a sair do Paradise, dando início às consequências ao plano de Nicholas.

- Não acredito. – sussurrou fechando os olhos momentaneamente e soltando uma risadinha sem emoção. – Eu me recusava a acreditar que Harry fosse te bater por livre e espontânea vontade... Que bom que me mantive assim. Porque você mereceu cada golpe. – disse, voltando a mirá-lo com frieza.

O homem suspirou e seu semblante se tornou ainda mais triste e abatido.

- Não posso culpá-lo. Eu dei todos os motivos para ele agir daquele jeito.

- Tudo porque você foi consumido por uma avareza sem limites. – ela disparou mais uma vez num tom ácido.

Ele tentou falar mais alguma coisa, mas fechou a boca logo que a abriu.

- Sei que não vai me perdoar. Mas jamais retirarei minhas palavras de que me arrependi e de que te amo.

- Seu arrependimento não alivia todo o horror pelo qual você me fez passar.

- Eu sei. – a cabeça dele tornou a cair.

Ficaram em silêncio nos próximos minutos. Nicholas ainda se sentia meio atormentado pelo olhar gélido dela.

- E só para você saber, eu vou ficar com o bebê. Ele não tem culpa de você ser assim cruel ou de ser filho seu. Por mais que ele tenha sido um acidente para você, por mais que você não tenha o amado ou me amado, eu o amo, e tenho plena certeza de que será o suficiente para a felicidade dele.

Nick voltou a fitá-la, a boca entreaberta, sem saber o que dizer.

- É aqui que nossos caminhos se separam. Adeus, McAllister. Será ótimo queimá-lo para fora de minha vida.

E com essas palavras Hermione se levantou. Com os olhos frios totalmente fixos nos dele, impedindo-o de olhar para longe, levou a mão direita ao anelar esquerdo e retirou o anel de noivado, colocando-o com um forte baque em frente a ele. Depois, girou nos calcanhares e saiu da sala com passos firmes, os saltos batendo sonoramente no chão, mostrando claramente que não olharia para trás e que jamais voltaria.


Ginny abusou o máximo que pôde de seu poder de persuasão, que acabou se mostrando inexistente ao lado da determinação enraivecida de Draco.

Devido à ideia dele, agora as pastas sobre a investigação encontravam-se completamente abertas. Folhas pareciam ter explodido de dentro delas e enchiam a superfície da mesa. No entanto, havia uma em questão que se encontrava nas mãos do loiro, o olhar acinzentado dele analisando o papel de todas as formas possíveis. Ginny estava inclinada por trás, apoiada na cadeira dele, também realizando seu próprio estudo.

- Não podemos dizer isso a Hermione. – ela disse cautelosa.

Draco franziu o cenho e virou a cabeça na direção dela.

- E por que não?

- Por que deveríamos? – a ruiva revirou os olhos, como se a pergunta dele tivesse sido banal. – Só vamos causar mais estresse a ela e, com tudo que já aconteceu hoje, não é necessário. O estado dela é bastante delicado.

- Justamente por isso que deveríamos. – ele contrapôs firmemente. – O maior choque do dia já passou. Duvido que haverá outro que irá causar tamanho impacto. Então, ela já está perturbada o suficiente. Contar sobre isso não vai ser de grande diferença. E também, muito já foi escondido dela por um bom tempo, está mais do que na hora de revelar tudo. Aposto que, mesmo que ela se sinta mal, vai ser melhor do que esconder e ela só descobrir no futuro, pois aí, além da reação esperada, ela também vai ficar irritada com a gente. Pode ser pior.

Ginny inclinou a cabeça e desviou momentaneamente o olhar do papel, ponderando.

- Você tem razão até certo ponto. – disse. – E por causa do que você falou, digo que será melhor contar depois. Deixe o choque inicial de toda a trama passar. Sinto que o que aconteceu hoje não terminou hoje. Aí, quando toda poeira tiver sido removida de debaixo do tapete, contamos. Sim, é claro que ela vai ficar chateada, mas vai ter se acostumado a ideia e não irá senti-la tão brutalmente. – A ruiva pausou por uns segundos. – Não vamos contar a ela.

- Contar o quê?

Os dois se viraram automaticamente na direção da porta. Hermione estava parada no batente e, ao ser notada, andou até eles, os olhos castanhos sem desviar da dupla.

Draco e Ginny se entreolharam.

- Presumo que seja algo relacionado a mim e o que aconteceu. – ela percebeu o papel nas mãos de Draco. – E que está retratado aí.

O loiro baixou o papel e cobriu-o com as mãos de um gesto casual.

- Só estão confirmando minhas suspeitas. – Hermione disse, ainda estranhamente formal e tranquila. Ela cruzou os braços na altura do peito.

- Então, como foi com Nicholas? Está bem melhor do que eu esperava. – Ginny comentou, tentando mudar de assunto.

Hermione ergueu minimamente uma das sobrancelhas. Por mais que o verdadeiro dos rompimentos no Paradise houvesse sido revelado, ainda não conseguira desvendar o mistério que rodeava sua... amizade com a pianista.

Assim como nenhum dos outros dois entendia sua indiferença e até frieza – uma sutil, mas era.

Só que eles não sabiam de uma coisa. O amor e o ódio andavam lado a lado, sim, e a linha entre eles era de fato tênue. E poderia até haver uma facilidade em cruzar do ódio para o amor.

Mas do amor para o ódio era muito mais fácil. Mais fácil, rápido e letal. Algo praticamente irreversível.

E quando as personagens em questão eram peças do mundo de vidro que foram cegadas... Oh, multipliquemos o baixo nível de dificuldade!

- Podem guardar de volta os trajes formais. Sem mais casamento. – ela ergueu a mão esquerda sem o anel de noivado. – Ou qualquer coisa do tipo.

- Menos um crápula em nossas vidas. – Draco comemorou com um soco no ar de vitória.

- Não que eu ache que o rompimento uma má ideia, mas... como você está assim? – Ginny apontou Hermione de baixo para cima. – Tão indiferente?

- Está perguntando como eu estou me sentindo? – Hermione traduziu. – Bem, eu estou sim magoada, triste, irritada, chocada por ter sido enganada, usada como se fosse um brinquedo sem valor e me sentindo traída, mas... Só de vê-lo definhando e assustado é uma boa dose de justiça. Como se estivesse pagando pelos pecados dele. E... eu não sei. Só sei que, assim que eu pus os olhos nele, senti uma carga de adrenalina em mim que me deixou... assim. E também é a determinação com a ideia de tirá-lo de minha vida.

- Exato. E não foi algo só em relação a ela. – Draco emendou, olhando periodicamente para as duas mulheres. – Foi algo que afetou a todos nós. Eu entendo.

- Se de fato entende, Draco, então pode me mostrar o que tem aí. – Hermione disse mais suavemente.

- Nós não queremos te causar mais aflição, Hermione. – Ginny interpôs-se.

Hermione riu amargamente.

- Acredite em mim, não tem mais como essa traição me surpreender em termos de crueldade.

- Sério? Mesmo se for a confirmação de que seu noivado era uma mentira?

As palavras atingiram-na, mesmo que ela não quisesse. A expressão em seu rosto quebrou em alguns poucos traços, deixando escapar parte da pequena dor que atingiu seu coração. Deveria esperar por algo do tipo, mas ainda sim era um baque saber que o buraco de sua manipulação era mais fundo.

- O quê? – deixou escapar, a voz falha.

Ela deu mais dois passos para frente. Draco estendeu o papel e ela tomou-o com um puxão. Era um fragmento de transcrição de uma ligação telefônica.

Burrow – "Potter parece ser o mais radical e temperamental dos três. Se fizer com que ele dê o fora... Weasley é do tipo seguidor. Tem personalidade, mas às vezes é só segue de acordo com a maré. Se Potter sair, ele sai junto e aí..."

McAllister – "Ela vai ficar com toda a responsabilidade da banda."

Burrow – "Exatamente. E você pode usar, e muito, esse detalhe. Granger vai estar fragilizada pela perda dos melhores amigos, e aí você pode deslizar para dentro desse novo papel dela e tomar as rédeas. Colocar a banda nas suas mãos. Pegar o controle de tudo. Assumir tudo, inclusive e especialmente os lucros."

McAllister – "Mas como? Assumir tudo assim não será tão fácil. Ela não permitirá."

Burrow – "Então, meu caro empresário, você terá de fazer um upgrade no seu relacionamentozinho. Peça-a em noivado. Case com ela. Sem pré-nupcial. É a velha história: 'O que é seu é meu, querida'. E aí... Aí você terá pleno acesso à banda e bastará apenas uma simples nota para destruir definitivamente o Paradise Lust."

McAllister – "E depois? O que farei com ela? Não vai dar para ficar alugando Hermione Granger para sempre. Eu não terei condições ou a paciência para fazer isso."

Burrow – "Nicholas, você já está alugando Hermione Granger faz um bom tempo. Não que irá fazer muita diferença. Mas terá que manter seu papel por um tempo. Depois de... sei lá... uns seis meses, um ano de casamento depois, você pede o divórcio. Mas tem que ser antes de iniciar sua campanha política."

McAllister – "Mais fácil eu dar os motivos para ela pedir o divórcio. Só para não levantar suspeitas."

Burrow – "Está vendo? Você tem um poder visionário além do nosso, Nicholas. Por isso merece todo o sucesso."

A descarga-relâmpago, responsável pela indiferença, que atingira Hermione foi embora no mesmo instante. Foi substituída por um tremor em todo seu corpo, em especial nas mãos, que faziam o papel chacoalhar para cima e para baixo como se estivesse num vendaval. Seu coração martelava furiosamente, milhões de sensações explodiam de dentro de um vulcão em seu peito. A náusea no ventre voltou a atingir em sua força total.

Era demais ver a verdade tão clara e brutalmente estampada a sua frente.

Os sorrisos, a emoção na hora do pedido, as juras de amor... Tudo uma mentira.

Ela era apenas um objeto sem valor – "Alugando Hermione Granger" –, um peão em mãos sádicas e malignas.

As lágrimas inundaram mais uma vez seus olhos e, quando Hermione caiu sentada na cadeira ao lado de Draco, quatro delas escorreram por suas bochechas.

Estava simplesmente... sem palavras. Nada seria capaz de descrever o que sentia. Nada seria capaz de exprimir-se. Não era algo contra a qual se pudesse lutar, bastava apenas aceitar.

- Hermione... – Ginny murmurou preocupada. Tanto ela quanto Draco fitavam-lhe.

- Sei que não é fácil. – o loiro dizia num tom de conforto. – Mas era melhor você saber logo de toda a verdade agora do que no futuro. Para você colocar tudo para trás de uma vez, esquecer e dar a volta por cima.

O silêncio que se instalou durou apenas dez segundos.

- O que eles queriam dizer com "inclusive e especialmente os lucros"? – Hermione perguntou, o olhar vermelho e chocado ainda grudado no papel.

Draco e Ginny trocaram olhares mais uma vez.

- Até onde nós vimos, parte do plano também era desviar parte dos lucros do Paradise. Para ajudar na tal campanha política. – era notório o escárnio na voz do baixista, além de um ódio que nenhuma das duas ali jamais viram nele. – Disseram ser a "parte divertida de brincar com o brinquedinho, a obrigação que eles têm em nos dar". Argh! E, também, toda a história de crise financeira na Roadstar que ouvimos naquele dia era só uma máscara para fazer justamente esses desvios. Agora, se eles de fato aconteceu, eu não vi aqui. Mas os investigadores e Tommy devem saber.

Hermione não aguentou mais e deixou a cabeça cair, enterrando-a nos braços sobre a mesa. Respirava com dificuldade e, por isso mesmo – ou talvez quem sabe por outro motivo mais profundo –, não conseguia chorar de verdade, botar tudo para fora.

Ela sentiu uma mão depositando-se cuidadosamente sobre seu antebraço.

- Estamos aqui por você, Mione. – a voz de Draco era um sussurro. – Estamos todos juntos nessa.

Então, ela, não aguentando mais todo o mal-estar, a dor, o enjôo e a traição, tornou a ficar ereta, virou-se para longe de Draco e Ginny e vomitou tudo o que tinha dentro do estômago.


A porta quase saiu das dobradiças quando colidiu contra o batente. Uma demonstração do ódio que continuava a pulsar dentro das veias do homem, invocando uma força nele que jamais imaginava ser capaz de conter. O semblante fechado e o olhar afiadíssimo continuavam os mesmos desde quando saíra da Roadstar.

Harry foi até o meio da sala de seu apartamento e começou a andar para cima e para baixo, sem nenhuma direção, esperando que a descarga raivosa e a energia bruta fossem embora.

Mas não iriam. Não quando passara tanto tempo segurando-se, contendo-se. Agora que tudo enfim fora de fato desencadeado, não iria embora. Era praticamente o efeito de ter liberado um exército carregado com armas nucleares. Um cadeado rompido numa prisão de desejos e vontades que foi o estopim para uma fuga em massa.

Ele precisava extravasar. Tinha que canalizar toda a raiva para algum lugar. Passou as mãos na cabeça, bagunçando o cabelo ainda mais. Não podia ficar sozinho ali, queria falar, queria gritar, queria quebrar coisas.

Só havia um lugar onde pudesse se liberar sem preocupações, repreensões ou o receio de magoar alguém. Um lugar onde tantas vezes fora num passado distante para impedir que atingisse a loucura. Um lugar de escape para onde mandava todo o mar de emoções em seu peito. Um lugar que abandonara quando os tais sentimentos não lhe largavam mesmo que os expusesse nele.

Foi então que soube o que tinha de fazer. Ele parou de andar e olhou ao redor. Em cima da mesa de jantar, no canto do aposento, havia folhas soltas. Correu para lá, pegando um lápis no caminho, sentou-se e começou a escrever.

Escreveu com todo a ira que lhe consumia.

Who the hell are you to tell me (Quem diabos é você para me dizer)

What to do, why to do, why bother (O que fazer, por que fazer, por que incomodar)

Leech in a mask of virtue (Sanguessuga numa mascara de virtudes)

Such waste, to ever think of you again (Tanto desperdício, pensar em você de novo)

Escreveu para mostrar o mundo a verdade.

Hey Judas, your Christess was our love (Hey Judas, sua Cristandade era nosso amor)

Hit and run, your will be done (Bata e corra, que seja feito sua vontade)

Never sorry, never wrong (Nunca se desculpou, nunca errado)

More, more, more, more, more (Mais, mais, mais, mais, mais)

Escreveu da forma mais direta possível.

"Hello. How are you? ("Olá. Como vai você?)

Let me explain one thing (Deixe-me explicar uma coisa)

All for her and more for me (Tudo para ela e mais para mim)

Why is it so hard to see? (Por que isto é tão difícil de ver?)

I see no sense in doing this (Eu não vejo sentido em fazer isso)

Not enough for me (Não é o bastante pra mim)

I fuck up everything but let me explain" (Eu fodo com tudo mas deixe-me explicar")

Escreveu a resposta que estava havia tanto tempo entalada na garganta.

Greed, your master passion (Avareza, seu mestre da paixão)

I feed the mouth that bites me (Eu alimento a boca que me morde)

Mammon, opiate of the masses (Possessão, narcótico das massas)

The reek of your lies draws flies (O mau cheiro de suas mentiras deixam moscas) ¹

Escreveu para acabar com Nicholas McAllister de uma vez por todas.


Choque e indignação também surgiram quando, ao voltar para o estúdio, Hermione, Draco e Ginny contaram a história completa. O nível subiu para algo próximo a raiva quando revelaram o lado de Nicholas. No fim, mesmo com as expressões abatidas, o foco deles foi Hermione e sua preocupação com ela em relação à traição e ao rompimento.

Ela, por outro lado, ainda um tanto afetada psicologicamente pela reunião e pelos próprios hormônios da gravidez, não conseguiu deixar de se sentir bastante emocionada com os companheiros. Agradeceu silenciosamente por eles ainda estarem ao seu lado, mesmo depois de todos os acontecimentos, todos.

- Então... Após tudo o que houve hoje, acho que não é a hora certa de falar sobre isso. – ouviu a voz de Anna. A mulher se aproximou sorrateiramente do canto onde Hermione estava, algum tempo depois do relato.

Hermione virou-se, uma sobrancelha ligeiramente erguida de curiosidade.

- Bem, enquanto vocês estavam lá na Roadstar, recebi uma ligação do estúdio Clive Wormwood... sabe, aquele diretor de cinema famoso... Então, ele queria saber se você estava interessada em fazer parte da trilha sonora do novo filme dele.

- Oh. – foi sua única reação.

Por algum motivo, seu cérebro desdobrou um feixe de uma memória em sua mente, algo relacionado a trilhas sonoras de filmes.

Um sonho dela e de Harry. Mais de Harry do que dela, na verdade.

Ele dizia que, quando sua carreira com Paradise chegasse ao ponto máximo e se consolidasse, iria expandir sua atuação musical, usar seu talento para outros projetos – como, por exemplo, no cenário cinematográfico. E adoraria também que ela estivesse ao lado dele quando o momento chegasse.

E agora a oportunidade estava bem ali a sua frente...

Mas Harry não.

- Nossa! – exclamou depois de alguns segundos. – Isso é ótimo, é lisonjeiro, na verdade. Clive Wormwood? Nossa! Mas acredito que... que ainda devo pensar. – dizia sem, de fato, ter noção do que falava. – Disseram para ter reposta imediata?

Anna percebeu o tom receoso dela e entendeu. Realmente devia ser difícil decidir algo totalmente novo quando muito já estava acontecendo.

- Não. O filme está em pré-produção na verdade. Disseram que estão com tempo de folga.

- Ah, isso é ótimo. Quando eu me decidir, logo contarei a você, tá legal?


Padma Patil não ficou nada feliz quando soube da última confusão que seu cliente armara.

- Você está tentando afundar a sua vida para o fundo do poço?! – praticamente gritou assim que ele cruzou a porta de seu escritório.

Harry parou de imediato, o semblante um pouco confuso.

- Engraçado. Pensei que a placa lá fora indicasse "Padma Patil", não "Delinda Potter". Porque esse é o tipo de coisa que minha irmã falaria. O tom foi igualzinho e tudo mais...

A advogada conteve uma resposta e esperou até que ele sentasse a sua frente para continuar.

- Se você obedece somente a sua irmã a essa altura, então acho que agir como ela poderá me ajudar um pouco.

Os olhos de Harry se arregalaram de leve. Ele parecia muito confortável na cadeira, uma perna cruzada na altura do outro joelho, as mãos apoiadas no colo. Parecia mais o dono daquele aposento do que ela.

- Por Deus, não! Uma Delinda é mais que o suficiente. – disse, ainda com um leve quê de brincadeira na voz.

A morena lançou um olhar um pouco mais severo a ele.

- Por que eu sinto que você não me chamou aqui para um momento de chá e bolinhos? – o homem disse segundos depois.

- Já sei o que você aprontou na Roadstar dois dias atrás. É sério, diga-me quais outros mais problemas você ainda vai arranjar para eu me preparar logo. – ela falou com um tom comportado, mas que se assemelhava mais ao que usou assim que ele pôs os pés para dentro. – O que deu em você para atacar Nicholas McAllister daquele jeito? – A menção do nome fez alguns músculos de Harry se tencionarem e seu maxilar ficar rígido, porém ela não notou. – Algum lugar na sua mente sabe que isso é agressão física? Com testemunhas? Uma espécie de delito? Sorte sua, ou não, é que o que Nicholas está envolvido é forte demais para que você saia como uma vítima da situação.

Padma parou de falar para que as palavras fizessem efeito. Contudo, Harry apenas franziu o cenho. Abriu a boca umas duas vezes, ambas sem que uma única palavra ou algum suspiro saísse. A mulher estranhou e continuou com a história.

- Acontece que McAllister estava envolvido num esquema de corrupção dentro da Roadstar. Ele estava metido com alguns diretores para tirar Tommy da presidência... E por que diabos você está olhando para mim como se eu tivesse te dando o resultado de um experimento científico e você, analisando-o?

Harry, que em algum momento apoiou o cotovelo no braço direito da cadeira para se sustentar, ergueu a cabeça da mão. Ele olhou para alguns pontos do escritório antes de abrir a boca.

- Você sabia alguma coisa sobre isso, não? – Mas Padma foi mais rápida. Parte de sua pose foi embora ao perceber que jamais havia pensando nessa possibilidade.

- Não! – Harry exclamou de imediato, a surpresa atingindo suas feições. – Não, eu não sabia nada de esquema. Eu só... – ele parou e respirou fundo. – Eu... É ridículo, mas... Ah, continue.

- Harry... – a advogada insistiu, a repreensão num nível considerável em sua voz.

- Apenas continue, Padma. – ele disse num tom meio cansado.

Ela não se deu por vencida.

- Isso tem algo a ver com qualquer que tenha sido o motivo que o fez atacar Nicholas?

- Posso ouvir o resto da história?

Ele sabe. O lado jurídico de Padma a fez chegar àquela conclusão mental. Mesmo que fosse um detalhe mínimo e aparentemente irrelevante para a grandiosidade da trama, Harry sabia de algo. E isso era a justificativa de seu comportamento agressivo para com Nicholas.

Porque ela era que nem Hermione. Por conhecer Harry há anos, também acreditava que ele jamais seria capaz de usar a violência de modo impensado ou sem nenhum motivo, por mais impulsivo que o homem fosse.

Ela não decidiu pressioná-lo mais. Ficaria em silêncio, dando a impressão de que o detalhe foi simplesmente esquecido. Uma estratégia para lidar com o caso. Às vezes, era necessário agir desse jeito até mesmo com seus clientes.

Tomando fôlego, a advogada retomou seu relato.

- Então... Os diretores tinham um plano bem estruturado para acabar com Tommy, e isso incluía Nicholas... e o Paradise. – ela ergueu o olhar para Harry. Nenhuma reação intensa, apenas mais um momento de rigidez percorrendo o corpo dele. – Eles usaram o Paradise para derrubar Tommy. Porque queriam uma desculpa, uma "prova" da má administração do magnata. Queriam que o Paradise acabasse para isso. E o que Nicholas fez? Ele foi encarregado de se infiltrar no Paradise e fazer o possível para que vocês entrassem em conflito, para que vocês se destruíssem. Foi ele o culpado por toda a confusão entre os membros da banda, especialmente entre você, Ron e Hermione. Foi ele o culpado pelo fim do Trio de Ouro. Até mesmo o noivado dele com Hermione foi uma mentira.

E aí sim Padma conseguiu a reação que queria. Escolheu cautelosamente as palavras, usou o tom certo, numa medida meticulosamente escolhida. Afinal, ela era uma advogada e, mesmo que estivesse fazendo o correto, no lado correto, um pouco de teatro para um impacto verdadeiro não fazia mal.

- O quê?! – foi o que Harry pronunciou. Ele praticamente deu um leve salto da cadeira, fazendo-a ir para trás, e inclinou-se na direção dela, apoiando ambas as mãos sobre a mesa. – Repita!

- Não irei. É exatamente o que você ouviu. Não é uma mentira. – Padma manteve quase a mesma expressão, quase a mesma impenetrabilidade. A única diferença era a frustração em sua voz, que verdadeira, afinal, o crime todo afetou pessoas que conhecia desde a pré-adolescência.

- Eu não... Eu não acredito!

Harry se afastou tão rápido como se aproximara e começou a andar pelo escritório sem direção. Balançava os braços ao lado do corpo e bagunçava os cabelos enquanto absorvia as palavras.

Ele realmente não sabia o que pensar, o que dizer. Como Nicholas poderia ser o culpado de todo o inferno que acontecera em sua vida? Tudo bem, ele jamais gostara do homem – a princípio, única e exclusivamente por causa de Hermione – e, dois dias atrás, vira uma espécie de prova que mostrava que o desgosto era recíproco. Só não conseguia acreditar que o buraco era mais fundo e complexo.

E isso só aumentava seu ódio pelo loiro.

Perdera seus amigos. Perdera a mulher de sua vida. Tudo por causa de um crápula egoísta e corrupto que agira a mando de um bando de colarinhos brancos igualmente egoístas e corruptos.

- Eu devia ter matado aquele filho da puta! Eu devia! – exclamava pela sala, mexendo-se freneticamente. – Eu tinha ele nas minhas mãos! – rangeu enquanto balançava as mãos num gesto de que estrangulava alguém. – Devia tê-lo feito implorado para continuar com a vidinha ridícula dele. Eu devia! Eu devia ter impedido até mesmo a entrada dele na minha vida!

- E tem mais. – Padma anunciou, fazendo-o voltar rapidamente para a cadeira e para a frente dela.

- Agora você vai me contar absolutamente tudo.

- Eu diria para você ler isso aqui – ela pegou dois grossos envelopes que estavam no canto esquerdo da mesa e depositou-os no centro. – mas, como eu te conheço, sei que não fará isso. E o que são essas coisas? O advogado de Tommy me mandou um resumo do processo e boa parte da investigação a mando dele. Foi através dele que eu soube de toda a história e, por isso, o motivo de eu ter chamado você aqui hoje. Já li tudo e é claro, mais do que óbvio, que falarei sobre tudo.

E foi exatamente o que ela fez nos próximos longos minutos. Contou praticamente a mesma história que os membros remanescentes do Paradise ouviram na Roadstar, adicionando alguns detalhes.

- E você, meu amigo, era para estar ainda mais rico. Os tais diretores envolvidos alegaram que a empresa estava passando por uma situação financeira difícil, desculpa que caiu bem nesses atuais tempos de crise, quando, na verdade, o que faziam eram desvios. Tanto da empresa quanto do Paradise.

No fim da narração, quando Harry já estava convencido, enraivecido e caído em aceitação, Padma ainda adicionou.

- Ah, sim. E nós teremos uma audiência na Roadstar que será o acerto de contas final. Sim, nós porque, como você ainda estava no Paradise quando tudo começou, você também foi afetado.

- Ótimo. Maravilha. – ele resmungou, desviando o olhar dela.

E então Padma percebeu o quanto ele estava afetado pelas revelações. A maré de fortes emoções confusas que achava envolvê-lo tornava-se mais intensa. Compaixão por ele lhe atingiu e as próximas palavras vieram sem nenhuma estratégica de advocacia, apenas em respeito aos anos que se conheciam:

- Você achava que estava a um passo de se livrar do Paradise Lust. Mas cada vez que você pensa, acontece algo que mostra que, na verdade, você não está nem no começo...


NA:
¹ - Trechos de Master Passion Greed - Nightwish. Eu tava ouvindo exatamente isso quando tava escrevendo o capítulo e aí não resisti à tentação XD Eu sou apaixonada por essa música e por toda a história atrás dela (que influenciou boa parte dessa fic). E também tinha um pessoal que queria ver as letras... Acho que isso ajudou um pouco hahaha

E Nick finalmente saiu da jogada \o/ Podem fazer festa!
Mesmo ainda achando essa tentativa de clima de trama fail, eu gostei do momento historinha. Desde o começo da fic, eu já tinha essa ideia de Nick ser o bandido, mas durante um boooom tempo eu fiquei sem saber o por que ou como. Rabisquei várias coisas, tentei unir várias ideias, mas, no final, eu fui abençoada por uma descarga maluca e inspirada que criou isso xD Faz um tempo já, de modo que as duas primeiras cenas (a da história e a do rompimento) estavam salvas há algum tempo. Espero que tenham gostado, mesmo que um pouquinho!
Foi ótimo saber que gostaram a cena Harry/Snape! =) Sinto que escolhi certo depois de verem a maioria comentando sobre isso! Acho que pus isso porque, nos livros, tinha toda a ideia de que os dois eram antagonistas, mas, no fundo, eu sempre achei semelhanças entre eles. De um modo que justificava toda a reviravolta do Harry em relação ao sentimentos do Snape depois da história dele, no livro 7. Eu sei lá... Foi algo do nada, que surgiu ainda quando eu escrevia o capítulo 5 dessa fic e o motivo de eu ter colocado aquela cena meio hostil entre os dois no fim do cap. Acho que queria dar uma dica quanto a essa comparação ^^
Sim, eu sei, ainda falta coisa, mas já deixei claro que ainda não houve a conclusão final dessa trama. Vocês só vão descobrir o que o fez o Harry agir daquele jeito. Cap 21 fará tudo! Aguardem :)

Pessoas, já falei. Eu recebo muuuitos comentários quando posto algum capítulo chocante, e isso só me dá vonta de trazer mais drama e tragédia xD Olhem só, olhem só... Depois vocês reclamam...

Resposta aos comentários:

Amanda A. - Aaaaah poxa, fala assim não =/ Eu sei que parece difícil de acreditar a essa altura do campeonato, mas vai chegar a hora em que a tensão vai dar uma diminuida legal! =)
Gláuce Volpi Gauccy - Que bom que gostou do Harry batendo no Nick. Todo mundo tava esperando por isso... Até eu! Ninguém mais aguentava o Nick. Quanto ao que ele fez ter algo a ver com a separação da Hermione e do Harry e Ron, você viu nesse cap que estava certíssima! Mas ela mesma se encontra num estágio de confusão, acho que nem ela mesma entende o por que de ter reagido a Harry daquela maneira - embora eu concorde que tenha sido ciúmes. Bom saber que você gostou da comparação Harry-Snape. Estou convencida de que essa foi uma boa ideia pra botar. Quanto ao que o Harry viu nos papeis, eu disse no início da NA que vai vir no 21 porque as coisas ainda não tiveram seu fechamento de verdade. Vamos ver se o Harry realmente vai manter as palavras de retomar tudo. Porque ele só disse essas coisas no calor do momento.
Bom ver que está gostando da fic! =) Obrigada pelo comentário!
livi rodrigues - Adoro momentos de tensão! E eu ri demais das suas suas palavras. Se essa inclinação da Mione a acreditar no Harry e não no Nick propriamente dito... Bem, isso tem a ver um pouquinho da relação dela com o Harry né. Agora... Nooooooooossa. Esse final do teu comentário, hein? Super profético hahaha Tem TUDO a ver com a fic. Você viu que o que o Nick fazia com o trio de ouro era parte de um plano. Mas você ainda não viu que isso acontecia especialmente com o Harry e a Hermione. Eu nem vou me explicar tanto porque no 21 tem um pouco mais disso. Mas você já viu qual foi a falcatrua aqui! Espero que tenha gostado da historinha =D E as coisas definitivamente estão quentes por aqui... E eu adoro!
João Ricardo - Se você realmente não parou de pensar no que viria a acontecer no 20, então desculpa pelo atraso e pela aflição! hahaha Mas espero que tenha gostado :)
Isis Brito - Que bom que soltou o verbo! Pode fazer isso o quanto quiser! Acho que já falei que queria tirar print dos seus comentários e emoldurá-los, não? xD Porque eu quero! Eles foram divinos *-* Sério, você não tem ideia de como eu fiquei boba depois que li e não conseguia fazer mais nada! E foram hilários também, eu não sei porque, mas acontece que eu sempre me divirto com a aflição dos leitores (sim, eu gosto das maldades numa fic, exatamente como você disse kkkkkk). Eu simplesmente AMEI a historinha que você contou quando tava vindo pra cá (Meia noite... Canção da meia noite... Amei! =D). Merece resposta grande \o/
Eu realmente não quis dizer nada tão significativo assim com o título do 19. Eu só pus o que pus porque não conseguia bolar mais nada melhor e que se encaixasse com o cap. Acho que toda a descarga criativa e inovadora veio com a introduçãozinha. Eu adorei! Não se de onde a ideia veio, foi mais um surto, acho que provocado pela música que eu tava ouvindo no momento, tanto é que eu tive que colocar um trecho dela. Bem, eu nunca li Nora Roberts de verdade, só algumas adaptações pela F&B, mas sempre que vou em livrarias, acho um livro dela e as sinopses sempre me atraem um pouco. Mas to com tanta coisa pra ler que nem dá pra pensar em algo novo por enquanto hahaha Me senti muito lisonjeada com o "Já sei de onde a Nora Roberts tira inspiração pra escrever!" Encher o ego de uma pobre autora, isso não se faz! hahaha
E é claro que vinham bombas! Eu anunciei desde o começo que viriam hahaha O Harry só ficou daquele jeito com a irmã porque ela é a única que ele acha e vê que tá do lado dele, então foi algo super protetor. Mas fofo de qualquer jeito xD Do mesmo jeito que Ginny e Lewis. Quanto mais caps escrevo, mais eu me apego a eles! E o encontro HHr... Não pus eles brigando porque não tava no modo de bolar uma discussão hahaha Aí veio a ideia de ela analisar os olhos dele, algo que ela há tanto não fazia, e achei que seria legal nesse momento em que a Hermione se encontra tão confusa - mesmo que ela não admita. Depois que você falou do beijo, eu só fiquei pensando nisso! hahah Outra leitora também sugeriu algo parecido com essa mesma cena, ai eu juntei uma ideia a outra e já era xD Mas eu tenho que resistir à tentação, agora tanto de seguir com os planos da fic quanto falar spoiler aqui e agora xDD
Eu tenho que destacar uma das suas frases: "Que o destino (;D) não permita que Harry termine como Snape" Você botou a carinha! hahahaha Eu amei, amei isso! Lembrou do que eu disse sobre o destino!
Acho que ninguém esperava que eu fosse em frente com a gravidez da Hermione xD Estou contente comigo mesma por conseguir a proeza de você ficar extremamente zangada pela primeira vez com uma Hermione grávida! \o/ Mas acho que aliviei um pouco ao mostrar o Nick como ele realmente é. Aliás, muuuuito obrigada pela parte que você disse que o Nick só pensava em casar com a Mione pra tomar o controle de tudo. Foi uma ideia que me deu uma boa inspiração e gerou a cena do telefonema. Acho que o cap 20 só conta mais pontos pelo Harry ter dado uma surra no loiro azedo né? E, nãão, não chame a tia Bella, deixe que eu pego uns dois dementadores do meu esquadrão que está com a Changalinha pra ir pra cima dele! Ah... Ideia! Que tal juntar Nick e Cho? Aí quem sabe eles vão fazer maldades juntos e largar os nossos lindos \o/
Nem se atreva em fugir! O Harry é meu! Ò.Ó Se alguém vai fugir com ele se a Mione não ver o que tá na frente dela, serei eu! Eu o amo, amo, embora seja difícil de acreditar com tudo que to jogando pra cima dele.
As letras vão aparecer. (Aaaai spoilers! Eu to descontrolada por causa deles!) Já tenho o momento EXATO em que elas vão aparecer. (Aliás, é sério que chorou por causa da cena do Harry queimando as letras?) E isso pode ser bom ou ruim... Muhahahaha *risada maligna* Vamos ver o que achou desse cap! Beijos! =)
L. Midnight - Seu comentário vai entrar para a minha lista dos mais divertidos ever! xD Não se preocupa, não me senti nenhum pouco ofendida, eu adorei o uso exarcebado de caps lock, aliás, pode fazer isso à vontade. É sempre bom ver que consegui a reação que queria! Joga o pc pela janela não, você tem que ler a fic até o final! Mas pelo menos reparou nos momentos, ao invés de focar só na gravidez. Sério que você chorou? hahahaha
Ah você falando dessa cena HHr na festa da escola... Dá asas à minha imaginação! Eu já fiz isso, baseado no que li de outra leitora hahaha Não pode, não pode! xD Mas nunca se sabe quando eu posso usar isso, né? Quem sabe numa hora mais apropriada... ou não... "momento WTF ESSA AUTORA TÁ PENSANDO?" Eu to rindo nesse exato momento, depois de ter rido demais quando li pela primeira vez! Eu também adorei o wild CSI moment e aqui você viu toda a história. Tipo, você acertou boa parte dos chutes! Tá vendo, eu seria uma tragédia escrevendo romances policiais xD E tá, quase toda a trama foi revelada aqui, falta um detalhezinho ou outro aqui e ali que ainda virá... Mas pensa pelo lado bom, agora você tem motivos de sobra pra odiar o Nick! Todo mundo tem. Agora só falta saber o que virá daqui pra frente. O terceiro lado do triângulo já se foi, vamos ver como os outros dois irão agir daqui em diante...
E a vontade de falar mais coisas e com spoiler tá me incomodando muito hoje. Vou deixar ainda você um pouco às cegas e fazendo comentários revoltados/divertidos! (Harry forever love hahahaha) Beijos!
Dark Sky 93 - Além pelo comentário propriamente dito, obrigada pelos elogios =) Que bom saber que gostou do capítulo. Como disse, foi o meu preferido até então. Harry com certeza tomou um pouco de choque de realidade do Lupin e, por enquanto, ele ainda está um tanto descrente com a ideia, mesmo que tenha aceitado que é tudo verdade. E se não bastasse isso, eu ainda acabei ainda mais com ele com a gravidez! Não enlouqueci, é o drama da situação e meu vício - com o decorrer, acabei descobrindo que é isso, não um simples capricho pra criar o drama - de fazer Harry sofrer. Mas chega de dramalhão, acho que já foi o suficiente por enquanto. Se eu continuar com toda essa agonia dele vai ficar chato.
E nesse capítulo foi revelado toda a trama. Não sei se te surpreendi ou não, mas, de qualquer forma, espero que tenha gostado. Sim, a justiça vai ser feita, e isso vai servir principalmente para aliviar um pouco o Harry. Agora só resta esperar para ver o que ele vai fazer com isso e com o fato de que o obstáculo entre ele e a Hermione foi derrotado finalmente.
nathi_castro - Eletrizante! É uma boa pra descrever o anterior. E esse, como você classificaria? (Claro que não foi melhor que o outro, não tem como ser...) E tudo foi choque no 19! Choques, bombas... eu pus tudo que é combustível pra surpreender os leitores. Eu confesso que assim que escrevi a cena da Hermione revelando a gravidez eu pensei no mesmo! "E agora Harry?" hahaha E a gente pode perguntar de novo já que o Nick enfim saiu de cena. Aaaah e obrigada pelo elogio, mas não, eu sou apenas uma pseudo-autora, não uma profissa xD hahaha Eu sempre tento por os trechos de músicas que combinem com o cap, mas às vezes isso não sai 100%. Mas é agradável do mesmo jeito. Obrigada pelo comentário!

Bem, acho que não tenho mais o que dizer. Até o próximo post! =)