Título: Astronaut
Autora: Kaline Bogard
Beta: Agnostic
Fandon: Thor
Casal: Thor x Loki
Classificação: +18
Gênero: yaoi, shoujo ai, romance, drama, talvez um pouco de humor por que sacumé...
Direitos Autorais: Thor não me pertence. Dã. Mas o Loki sim, ele é meu escravo sexual e... okay, o Loki também não me pertence. Ainda (risada macabra ao fundo)


Observações:

01- É Universo Alternativo, ou seja, nada de deuses nórdicos, poderes invencíveis, raios a torto e a direito, martelos mortais, etc, etc, etc. Sei que a maior parte do fandom não aprecia, mas não resisti...

02 – Baseia-se em Thor e seus personagens, mas é certeza alguns Avengers darem as caras por aqui. Assim como alguns POs.


Aviso: Contem yaoi. Ou seja: homem catando homem, sacas? e INCEST, pois Thor e Loki são considerados irmãos. Não gosta, não leia. Simple like that.


Nota: Olá, astronautas! Que semana ótima foi essa que passou. Meu Avengers chegou finalmente! Ainda não assisti por que to esperando juntar a galera do mal, tipo as meninas super poderosas, só que tem um menino no meio e ele nem vai gostar de ler isso. Sorte que ele nunca irá ler isso.

Além disso, surgiram leitores novos nessa fanfic, rsrsrsr, parece que perceberam que eu não mordo. Bem... só se pedir, claro!

Sem mais delongas...

Boa leitura!


Astronaut

Kaline Bogard

Capítulo 20

A última coisa que o garoto viu antes de apagar foi um sorriso vitorioso nos lábios de Sif.

Loki abriu os olhos e observou ao redor. Ou tentou pelo menos, já que estava tão escuro que não conseguia visualizar muita coisa.

– Laboratório... – murmurou desanimado. Podia deduzir das silhuetas entrecortadas pela parca luz a transpor as cortinas de tom claro. Tirando isso a penumbra era total.

Tentou sentar-se, já que estava deitado no chão frio. Sua tentativa foi bem sucedida e seguida de um choque: tinha algo frio prendendo seu tornozelo e limitando-lhe os movimentos!

Esticou a mão e tateou. Era uma algema. E a outra ponta estava presa ao armário de aço, chumbado a parede e impossível de se empurrar.

Proibindo-se de entrar em pânico, Loki analisou a situação. Sua última lembrança era o sorriso insuportável de Sif segundos após receber um golpe na cabeça, pensamento que o fez tocar a nuca. O local estava dolorido e coberto com algo que parecia sangue seco. Ou seja, ele já estava preso ali há um tempo significativo.

Pela camada de pó no chão, concluiu que era um dos laboratórios desativados. O corredor da ala possuía dez, entre laboratórios de química, física, biologia e de informática, e os quatro últimos, criados na mesma época do prédio escolar, foram sendo abandonados a medida que novos e mais modernos eram construídos no andar superior. Loki não conhecia a rotina dos funcionários do colégio em que ingressara, mas era fato: não deviam limpar ali com frequência, o que reduzia suas chances de esperar por socorro imediato.

Pela pouca claridade, calculava ser noite.

Respirou fundo e tateou as proximidades. Se sua mochila estivesse por ali poderia usar o celular e... evidentemente não conseguiu encontrar nada ao alcance de suas mãos. Não podia ir muito longe graças à algema em seu tornozelo.

Descobriu apenas uma garrafinha junto com uma outra coisa. Pegou ambos com cuidado e ergueu para tentar desvendar o que era. A pequena garrafa era água. Colocou-a de lado com cuidado. Abriu uma parte do embrulho, uma textura que lembrava papel alumínio, e identificou o cheiro de um sanduíche.

Sentiu vontade de gritar de raiva.

Sif pretendia deixá-lo ali, preso, por todo o final de semana?! Com uma mísera garrafa de água e um sanduíche chocho? Que tipo de vingança era aquela?

Irritado, chutou o pé do armário usando a perna livre, tentando soltar-se e, consequentemente, se libertar. Foi inútil. Não tinha forças.

Frustrado, sentou-se encolhido contra a parede ao qual o móvel estava pregado.

Maldita Sif.

Tudo isso porque Thor andava mais com eles do que com os "estrelinhas" do colégio? Oras, que culpa tinha se o loiro preferia companhias melhores?

E, no fim das contas, por que Thor preferia os nerds mesmo?

Não fazia sentido.

Aquele loiro era uma verdadeira incógnita. Popular, carismático, bonito (nesse ponto o moreno praguejou – como assim "bonito"?) cercado pelos "famosos" do colégio... por que se envolvia com pessoas como ele e os demais?

No começo julgara Thor tão idiota quanto o resto do time de basquete.

Mas o loiro era diferente. Bem humorado, apesar de meio distraído, impulsivo, não parecia se preocupar muito com o que os outros pensavam ou diziam.

E Thor se aproximara com seu jeito indiscreto e expansivo. Invadira a vida de Loki completamente, requisitando cada vez mais atenção, a ponto do moreninho convidá-lo para ir em casa, dividir uma partida de vídeo-game.

A convivência trouxera alguma confusão também. Loki não compreendia porque ficava sem jeito diante do olhar de profundo azul. Ou porque se irritava quando Thor o provocava e pegava no seu pé.

Perdia a paciência muito facilmente com o grandão.

Em via de regra simplesmente ignorava os outros.

Porém era impossível para Loki ignorar Thor.

Por que...?

Deprimido com o rumo de seus pensamentos e com a situação em que se encontrava, tentou suprimir a raiva.

Gritar dentro da escola vazia não adiantaria nada e faria muito mal para sua dignidade.

Sozinho no escuro Loki não via saída.

T&L

As horas se arrastaram com uma lentidão torturante.

Em certos momentos, Loki chegou a cochilar, despertando assustado e com dor no pescoço pela posição sentada. Torcendo para que tudo não passasse de um pesadelo.

Infelizmente a realidade era menos gentil do que um sonho ruim.

Quando começou a amanhecer teve a certeza de que estava em um dos laboratórios desativados. Só não soube qual deles.

Sentiu fome, no entanto se recusou a comer daquele sanduíche que parecia ter sido feito com pão amanhecido. Não resistiu a tomar um gole pequeno da água, pois estava realmente com sede. A garrafinha lacrada dava uma agradável sensação de segurança: talvez não tivesse nada na água que lhe desse dor de barriga depois, ou algum tipo de veneno...

Com a crescente claridade, Loki descobriu sua mochila encostada no outro lado do laboratório, ou seja, fora do seu alcance. O aparelho celular estava lá dentro (Loki suplicou que estivesse), assim como seu material e... a maçã que Thor lhe dera no dia anterior.

Thor.

Como era irritante aquele loiro sempre voltando aos pensamentos de Loki.

– É culpa sua! Loiro idiota! – esbravejou cansado, irritado, meio desesperado.

Que tipo de criatura era Sif e sua corja para ter a coragem de prendê-lo sozinho naquele laboratório por um final de semana inteiro?!

Perdera o encontro no boliche... teriam sentido sua falta? Thor sentira sua falta?

E por que deveria sentir? Por que importaria?

Suspirou pensando que tinham planejado a revanche no jogo para aquela tarde, e acabaria dando um cano em Thor. Contra sua vontade, lógico, já que não era planejado se deixar prender numa parte desativada do colégio.

Sif aproveitaria para dar o bote em Thor?

Mais frustrado ainda, Loki sentiu vontade de chorar. Só se segurou porque era teimoso e arrogante para se dar por vencido tão fácil. Sif não ia dobrá-lo. Sif não ia vencer.

T&L

Nenhuma das lembranças de Loki, em toda sua jovem vida, eram tão ruins quanto as daquele terrível domingo.

Conforme o segundo dia em cativeiro avançava e a fome aumentava, o garoto não viu alternativa a não ser dar pelo menos uma mordida no sanduíche.

"É uma questão de sobrevivência. É uma questão de sobrevivência", pensava para se convencer a ter coragem. Descobriu em seguida que não precisaria de incentivo: ao dar a primeira mordida, sua mente ignorou o gosto de velho e a aparência suspeita. O apetite transformou aquilo em um verdadeiro manjar dos deuses e Loki acabou comendo em grandes mordidas.

Sentira fome, e a fome passara. Depois a sensação voltara e seu estomago doía. Nunca estivera em tal degradação antes. Também precisava controlar a água. A garrafinha já passava da metade.

Loki contava que o soltassem na segunda-feira, mas como ter certeza com alguém que foi capaz de tamanho sadismo...?

Precisava entreter-se com alguma coisa, mudar o foco dos pensamentos ou as horas passariam ainda mais lentas do que nunca.

Sem que pudesse controlar sua mente, preencheu-se com imagens de Thor. Thor sorrindo, o som agradável da risada trovejante, os movimentos fluidos durante as partidas de basquete. A expressão ao chamá-lo de "irmãozinho".

É. Apesar de tudo, Thor era uma opção bem agradável para se distrair da situação em que estava.

T&L

Loki aguentou bravamente o máximo que seu psicológico era capaz. E isso era bastante. Dada as condições, qualquer um menos obstinado teria surtado antes.

Ele só se rendeu na segunda-feira pela manhã, quando intuiu o movimento na escola, já que não podia ver.

Estava exausto de ficar na mesma posição por tanto tempo. A algema curta não permitia variação de movimentos.

A certo ponto, tentou arrancar o pé do armário. Foi inútil: tudo o que conseguiu foi ferir-se no processo, machucando a fina pele do calcanhar. Acabara-se a água e o sanduíche. Seu estomago doía o bastante para comer mais uns dois daquele.

Chegara ao cumulo do absurdo de tentar alcançar a mochila de alguma forma. Não conseguindo, evidentemente. Nem por as mãos em nada que fosse útil para ajudá-lo.

Tentou se lembrar se alguma série teria aulas de laboratório no período da manhã, assim bastava gritar por socorro, mandando qualquer preocupação com a dignidade as favas, desde que fosse salvo.

Até quando Sif o manteria ali?

Sua última esperança eram Bruce e Stark. Os dois viviam enfiados no laboratório. Era impossível que não viessem justamente quando ele mais precisava dos dois viciados em ciências.

Ou um funcionário! Um mísero e maldito funcionário para fazer a limpeza do corredor.

O silêncio absoluto denunciava de que era o único na ala dos laboratórios.

Pelos seus cálculos, o almoço estava acabando e, por todos os deuses conhecidos e desconhecidos, como queria comer um pouco da gororoba do colégio. Até isso servia desde que não sentisse mais fome.

Então a desesperança o levou a acreditar que ficaria ali pelo resto da vida, que Sif e seus capangas permitiriam que morresse sozinho para se vingar e que nunca seria encontrado, a não ser quando não passasse de um esqueleto como do laboratório de biologia.

Loki estava tão cansado, tão esgotado e sem forças que desistiu de manter a pose. Em sua cabeça, pensamentos se conflitavam, seu corpo clamava por banho, havia a vontade de ir ao banheiro que fazia a sua bexiga doer. Os músculos doloridos por ficarem tanto tempo na mesma posição, pela tensão da espera e de não saber o desfecho da situação.

A primeira lágrima veio sem que percebesse e trouxe muitas outras gêmeas consigo.

O garoto chorou de fome e de sede. Chorou porque sentia dor no tornozelo ferido que sangrava. Chorou por raiva e desespero. E porque, lá no fundo, acreditava que alguém o encontraria, algum dos novos amigos ou...

– Thor... – o nome escapou baixinho entre os soluços.

E foi então que a porta se abriu de supetão.

Continua...

Ufa... foi isso. Acabou-se todo o misterio e a fic se encaminha para o fim!

E isso me deixa tão triste...

Er...

Biscoitos...?