Os dias foram se passando devagar desde a morte de Nathan, eu já tinha me sentia melhor; e com a ajuda de Jake, Bella e Edward a vida começava a voltar ao normal. Segundo Edward, Charlie não tinha engolido a historia da intoxicação, mas estava contente em se manter de fora, pois sabia que sentimentos e emoções estavam envolvidos de alguma forma. Eu não fiz muita questão de explicar as coisas para Charlie também, pois não queria ter que mentir mais uma vez para meu pai.

Meu mal estar ia e vinha com os dias, Carlisle acreditava que eu havia contraído algum tipo de vírus da gripe que se espalhava pela região e dizia que o estresse dos últimos dias havia diminuído a resistência do meu sistema imunológico. Mas Bella estava sempre comigo e se sentia bem e saudável então Carlisle podia estar errado.

- A dor de cabeça voltou Angel?

- Humm, não. Eu estou bem, Bells.

- Você não parece bem, está com febre? – Bella pôs sua mão em minha testa para medir minha temperatura – Humm, não, parece normal.

- Não se preocupe Bella! Não é nada. Só estava pensando em Nathan...

- Oh, Angel! Não fique assim... você sempre tem uma recaída quando fica triste! Nathan está bem, Angie. Onde quer que ele esteja ele está bem, eu sei.

- Como você pode saber?

- Bem, Theodore me contou a historia de Nathan e agora eu sei que ele era um homem decente e bom, mas solitário. E o amor que ele sentia por você só poderia vir de uma alma boa, Angie. Nathan foi seu anjo, minha irmã, seu anjo da guarda.

Eu deixei que as palavras de Bella me confortassem e tentei pensar em outra coisa. Humm, Jake... Sentia falta de Jake, Charlie limitou o tempo que Jake e Edward passavam em casa até que eu melhorasse, ele temia que eles contraíssem o vírus que supostamente havia me atacado – mal sabia Charlie que Jake e Edward eram imunes a esse tipo de doença. Bella ia até a casa dos Cullens para encontrar Edward somente quando Charlie chegava do trabalho, ela não me deixava sozinha por nada nesse mundo. E Jake não respeitava as regras de Charlie, ele vinha me ver todas as noites – a conselho de Edward que sugeriu "Bem, Charlie disse que não podemos passar por aquela porta, Jake. Mas ele não falou nada sobre as janelas...".

Alice também não tinha permissão para me visitar, mas me ligava todos os dias e ficava horas no telefone, ocasionalmente ela permitia que Esme, Janet ou Emmet falassem comigo, mas não durava muito tempo e Alice já tomava o telefone de volta e continuava a tagarelar.

Eu estava cansada de ficar confinada dentro de casa. Eu queria ir até La Push, até os Cullens... e decidi que não iria mais deixar que meu luto me afetasse daquele jeito. Nathan me amava e não gostaria de me ver assim. Senti uma energia boa me envolvendo quando tive esse pensamento e chamei mentalmente "Nathan, é você, não é?". Eu fechei os olhos e imaginei Nathan me abraçando. Eu sussurrei baixinho:

- Eu te amo, pai.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, mas foi de alegria dessa vez. Eu percebi que ao me lembrar do amor de Nathan eu me sentia forte e renovada.

- Humm, interessante...

- O que é interessante, Angie? – Charlie apareceu do nada.

- Nada, pai. É que hoje eu estou me sentindo tão bem, eu não sei por que...

- Sei... essa não é mais uma de suas tentativas de sair de casa para ver Jacob, é?

- Oh, Charlie! Não! Eu estou bem, estou mesmo!

- É... a sua cor parece um pouco mais normal hoje... você não esta sentindo nenhum tipo de tontura ou dor?

- Não! Nadinha! – eu corri até Charlie que já tinha se acomodado no sofá para assistir seu jogo e lhe dei um leve beijo na testa – eu te amo, pai!

- Humm, eu também te amo filha – Charlie corou e tentou esconder o embaraço – mas por que tudo isso?

- O que? Eu não posso beijar meu pai e dizer o quanto eu o amo?

- É claro que pode, Angie... Humm, obrigado, eu acho.

Eu ri da reação de Charlie e fui até a cozinha, senti uma vontade imensa de comer milho verde, procurei no armário, mas não encontrei nenhuma lata e pensei em ir até o mercadinho satisfazer meu desejo. DESEJO??? Um fato atingiu minha mente como um tapa no rosto "que dia é hoje?". Ai, Meu Deus! Que dia é hoje? Eu olhei para o calendário pendurado na parede e fiz as contas... Ai, Meus Deus!!

....

- Angelique Marie Swa... Fischer abra já essa porta! – Charlie ordenava do outro lado da porta do banheiro.

- Charlie? Onde está ela? O que aconteceu? – era Jake dessa vez, sua voz alterada com a preocupação - Angie? Você está bem? Angie? Me deixe entrar, amor! Abra a porta para mim, por favor, Angel? O que aconteceu, Charlie?

- Eu não sei! Nós estávamos conversando e ela estava bem, de repente eu a vi correndo pelas escadas. De inicio eu achei que ela fosse começar a vomitar de novo, mas ela se trancou no banheiro e não me responde desde então... eu não sei!

- Amor? Eu sei que você pode me ouvir, eu consigo escutar você chorando e não vou sair daqui enquanto você não abrir essa porta! Angel abra essa porta ou vou derrubá-la agora mesmo!

- Bella! – foi tudo que saiu entre meus soluços.

- Bella?!? Você quer a Bells? É isso amor? Onde está Bella, Charlie?

- Eu já chamei! – Charlie respondeu irritado com o desespero de Jake – Eles estavam na florista em Port Angeles com Alice! Eles devem chegar logo, Jake!

- Quando? Você ligou? Faz quanto tempo?

- Eu não sei quinze... vinte minutos! Eu não estou cronometrando, Jacob!

Alguns minutos se passaram e eu podia ouvir Jake e Charlie discutindo atrás da porta. Então reconheci a voz de Bella no andar de baixo gritando meu nome.

- Charlie, cadê ela? Onde ela esta? – Charlie deve ter apontado na direção do banheiro – Angie? Sou eu, Bella! O que aconteceu? Abra a porta, Angie!

Eu me aproximei da porta e toquei o trinco:

- Só Bella!

- Jake, Edward, Alice e Charlie vocês poderiam nos dar um minuto, por favor? – Bella me entendia e sabia o que eu quis dizer; Jake, Edward e Alice poderiam ouvir tudo o que dissesse para ela enquanto estivessem por lá.

- Eu não vou sair daqui enquanto você não abrir essa porta, Angel! – Jake protestou.

- Jacob Black! – Bella o chamou com a voz firme – você vai descer com os outros e esperar até que Angie esteja pronta para falar com você, você me ouviu?

Eu ouvi o protesto na expiração que Jake soltou e depois os passos de Charlie descendo as escadas, eu sabia que Jake e os outros o acompanhavam mesmo que não pudesse ouvir o som de seus passos.

- Pronto Angel! Eles já foram.

Eu destravei a porta e deixei que minha irmã entrasse. Assim que Bella pôs o primeiro pé dentro do banheiro eu a agarrei e cai aos prantos.

- Angie? Angel? O que foi?