Part ONE: JARED

O habeas corpus que Tom disse que ia pedir não deve ter sido aceito, pois já é noite e ninguém veio até a minha cela me tranquilizar e dizer que vou responder em liberdade.

A privada é tão fedorenta quanto eu achei que pudesse ser, pois tive que usá-la mais cedo e posso garantir que essa foi a minha pior experiência fazendo uma coisa que antes podia ter até uma certa glória.

Durante todo o tempo pensei em Jensen e em como ele estava estranho com o namorado, como se estivessem brigados ou alguma coisa do tipo. Seria muito errado eu sonhar com eles tendo terminado? Pelo menos isso poderia me alegrar um pouquinho, mas não adiantaria de nada se Jensen tivesse terminado com o namorado para ficar comigo e eu fosse preso. Me sentiria culpado por saber que ele estaria lá fora sozinho.

Suspiro e coloco as mãos embaixo da cabeça, deitado na cama mais que desconfortável, e tento manter as paranoias da mente quietas para não acabar surtando aqui dentro.

As coisas mais simples que eu fazia no meu dia-a-dia fazem tanta falta como eu nunca achei que fariam.

Sadie. O que será da minha garota se eu for condenado? É claro que Stephen irá cuidar muito bem dela, mas eu não quero ficar longe por tanto tempo. Será que ela sentiria minha falta? Provavelmente sim. Meu peito aperta com a possibilidade de não ver minha cadela nunca mais e meus olhos marejam.

É estranho que eu sinta meu peito apertar com a perspectiva de nunca mais ver minha cadela ao invés dos meus amigos e Jensen, mas eles podem vir me visitar. Sadie não.

Tento não pensar mais nisso e dormir, acho que nunca dormi nesse horário, que não deve ser mais do que nove horas pelo que eu notei de passagem de tempo desde que escureceu, mas não tem o que fazer nesse lugar.

Demoro muito tempo até finalmente conseguir pegar no sono e durante a noite tenho vários pesadelos sobre nunca mais sair da cadeia, ou ser colocado numa cela solitária sem visitas para o resto da vida. Sonho comigo enlouquecendo e arrancando o próprio cabelo e unhas, e depois disso não consigo mais dormir.

O dia seguinte passa lento como nunca antes, o café é servido e o policial que me entrega diz que são oito da manhã. Minha aparência deve estar horrível com as olheiras, pois desde o pesadelo comigo arrancando o cabelo e arranhando o próprio rosto até a morte, louco em uma cela acolchoada, não consegui mais dormir e nem quero tentar.

Quanto tempo leva para um julgamento acontecer? Um mês? Dois? Nesse tempo eu acho que já posso enlouquecer sem ter ninguém para conversar. Tentei puxar conversa com uma mulher que estava limpando o chão do corredor, mas ela me olhou com desprezo e disse qualquer coisa sobre eu ser um bandido que deveria apodrecer na cadeia, e quando eu expliquei que aquilo tudo era uma grande coincidência, e eu não tinha feito nada, ela apenas riu de mim.

A noite chega novamente e eu passo metade dela inventando coisinhas idiotas para me distrair e passar o tempo, até que resolvo tentar dormir de novo. Na segunda noite eu consigo dormir melhor, sem pesadelos e um pouco mais acostumado com a cama dura.

Quando amanhece, o mesmo guarda me trás uma bandeja com o café da manhã e algum tempo depois volta me dizendo que tenho visita.

Meu coração pula no peito e meu sorriso corta meu rosto, ansioso em ver Jensen. Só pode ser ele, certo?

O guarda abre a grade e me algema, levando-nos a uma salinha, me colocando lá dentro e então saindo. Alguns minutos depois, a porta é aberta e eu sorrio novamente, mas meu sorriso murcha completamente quando eu vejo que é Stephen.

– E o Jensen? – Pergunto assim que ele fecha a porta, me arrependendo logo em seguida. Deveria estar feliz em ver meu amigo, e na verdade estou, mas ao mesmo tempo decepcionado por não ser Jensen a me visitar.

Stephen me olha com uma cara em um misto de surpresa e decepção e então anda até mim em passos largos, me puxando para um abraço, que é correspondido prontamente.

– Não sei, tentei ligar para ele, mas ele não me atendeu. Tom me ligou hoje dizendo que conseguiu o direito a visitas, e já que a primeira opção não pôde vir, eu vim mesmo assim. – Ele explica num tom meio magoado.

Suspiro e me amaldiçoo mentalmente.

– Me desculpa, Stephe, eu não quis...

– Eu sei. Eu não devia ter falado desse jeito, sei que está passando por uma barra.

Stephen diz e eu mordo o lábio ansioso. Sentamos nas cadeiras em lados opostos da pequena mesa e ele começa a me explicar sobre a minha situação.

– Tenho quinze minutos, então o caso é o seguinte: Tom vai te defender no tribunal por homicídio doloso...

– Eu não matei ele, Stephe!

Digo exasperado e Stephen limpa a garganta.

– Eu sei, Jay. Eu confio em você, mas as provas não te ajudam. Tom é o melhor advogado criminalista do estado, ele com certeza vai conseguir um bom argumento de defesa. Você contou tudo como realmente aconteceu na noite de sábado, não é?

Cruzo meus braços em cima da mesa e deito minha cabeça em cima.

– Sim, só tirei a parte do Jensen. Não queria que ele desconfiasse de nada. – Nesse momento, levanto a cabeça rápido, lembrando-me da questão Thomas e Jensen. – Stephe, Tom sabe sobre mim e Jensen?

Meu amigo dá um sorrisinho de canto e balança a cabeça negativamente.

– Não sabe e estamos tentando manter isso assim. Não sabemos qual vai ser a reação dele ao saber e agora que Jensen terminou com ele pode ser que...

– Jensen terminou com ele?! – Pergunto com a voz cheia de animação e o coração batendo mais forte, levantando a cabeça da mesa e olhando para Stephen.

– Sim. – Ele dá um sorriso de canto. – Com todo esse rolo esqueci de contar isso.

Sorrio mais ainda. Pelo menos alguma coisa.

– Sabe quando ele vem me ver? – Minhas sobrancelhas se juntam, apreensivas e eu sinto minha garganta se fechar um pouco.

Stephen balança a cabeça negativamente.

– As visitas são segunda, quarta e sexta. Vou entrar em contato com ele até sexta para ele vir até aqui, tenho certeza que devia estar muito ocupado no trabalho e por isso não me atendeu a tempo de vir para cá, mas vou dar um jeito dele vir sexta, Jay.

Suspiro e baixo os ombros, com o peito doendo de saudade e uma dor de cabeça se iniciando.

– Tudo bem, espero que ele venha.

– É claro que ele vai vir, ele está morrendo de saudade tanto quanto você. Posso te garantir isso.

Me animo um pouco, espero mesmo que ele esteja e acredite em mim totalmente. Não sei o que seria de mim se ele decidisse não querer mais olhar na minha cara depois de eu sofrer essa acusação injusta.

– Espero que sim...

– Que isso, cara? Porque esse desânimo? Sabe que ele te ama e nunca te abandonaria, coloca um sorrisinho nesse rosto.

Forço um sorriso mostrando os dentes para fazer graça e Stephen ri um pouco.

– Já sabe quando será o julgamento?

– Tom disse que é muito cedo para dizer, a cidade é grande, muitos casos para serem analisados e julgados.

Dou de ombros, conformado. Não tenho o que fazer para mudar isso.

– Está cuidando bem da minha garota? – Pergunto sério. – Ela precisa comer quatro vezes por dia e passear por pelo menos uma hora, Stephen.

Ele rola os olhos e se estica para bagunçar meu cabelo, me arrancando um leve sorriso.

– Eu estou cuidando muito bem dela, papai. A sua filha vai estar intacta do jeito que a deixou quando sair daqui.

– Se não estiver, alguém vai perder uma das bolas. Alguém loiro.

– Jensen? – Ele alteia a sobrancelha irônico.

– Não. Você, seu idiota. Cuide bem dela.

Rimos juntos e então o policial bate na porta, avisando que o tempo acabou e nós nos abraçamos.

Esse dia passa um pouco mais rápido, meu coração fica uma fração mais tranquilo por saber que Jensen terminou com o namorado e eu fico ainda mais ansioso para sair daqui logo e começar minha vida com ele. Sem segredos, dessa vez.

Part TWO: JENSEN

Na terça-feira acordo sem o menor ânimo para ir trabalhar, então ligo na empresa e digo que não estou bem. Qualquer coisa envolvendo dor de cabeça ou conjuntivite, Alona se encarregou de inventar uma boa desculpa se algum dos chefes procurasse por mim. Irei recompensa-la por isso.

Ligo para Tom logo de manhã pedindo se Jared tinha direito de visita, e ele diz que não, mas podia conseguir e eu peço que faça isso.

Durante a tarde fico no quarto sentindo me corpo todo chamar por Jared e principalmente uma parte em especifica.

Depois de me masturbar pensando nele, me sinto um pouco culpado por fazer isso. Ele está tão mal naquele lugar, eu pagaria o que fosse para que ele pudesse responder em liberdade, mas infelizmente é inafiançável.

Gregory, meu editor, me liga para saber como está o andamento do livro e avisar que o prazo está chegando ao final. Eu minto dizendo que estou quase no final e ele concorda, lembrando mais uma vez do fim do prazo e então desligando.

Pego meu computador e abro o documento do meu livro, me forçando a escrever mais dez linhas, quando de repente tenho uma ideia totalmente maluca.

Deleto o documento daquele livro fajuto e começo a contar a história que se desenrola na minha mente. As palavras surgem como mágica na ponta dos meus dedos e em poucas horas já tenho dez páginas escritas.

Paro por um instante para fazer um café e alimentar Harley e então volto a escrever, sentindo a fluidez do texto sair da minha mente e passar para a tela do computador em segundos. O meu prazo para a entrega do manuscrito está no final, e eu estou recém começando uma nova história totalmente diferente daquela que eu tinha resumido ao editor. Talvez ele nem aceite esse texto, mas eu preciso tentar.

Quando já é de madrugada eu finalmente me rendo ao sono e durmo algumas poucas horas.

Tento pensar em algo que motivasse mais uma falta, mas acabo me decidindo por ir trabalhar, não posso faltar desse jeito, porque senão o Sr. Andrew vai perder toda a confiança que tem em mim.

Mesmo no trabalho, levo meu notebook e continuo escrevendo a minha história, depois de assinar alguns papéis que me são dados por Alona no meio da manhã.

Nem acredito que estou realmente adaptando isso, pode dar tudo errado, o editor pode não aprovar e eu vou cair em um limbo total dessa vez, mas principalmente a pessoa principal envolvida pode não aprovar.

Jared. Eu estou adaptando a nossa história. É obvio que eu mudei os nomes para proteger nossa imagem e transformei o casal principal em heterossexual, mas mesmo assim são as nossas coisas vividas. São os nossos momentos. Posso estar sendo muito egoísta fazendo isso, mas estou desesperado para conseguir acabar esse manuscrito de uma vez.

Meu celular fica dentro da minha pasta o dia todo e nem dou falta dele. Não saio nem para o almoço e só me dou conta da hora quando Alona bate na minha porta e entra, avisando que já se passaram vinte minutos do meu horário e que ela estava indo embora.

Agradeço pelo aviso, e continuo escrevendo mais alguns parágrafos, lembrando de todos os momentos que vivi com Jared durante esse ano e sorrindo com eles, ao mesmo tempo em que passo tudo para as palavras na tela.

Algum tempo depois olho a hora novamente e me dou conta de que preciso ir embora, então fecho o computador e vou para o meu carro, só então lembrando-me do meu celular e olhando as várias chamadas perdidas de Stephen pela manhã e uma de Tom.

Retorno a ligação de Stephen primeiro, deve ser importante para a quantia de vezes que ele me liga.

Alô? – Ouço a voz do outro lado do telefone, assim como mais alguns barulhos e conversas. Ele deve estar no restaurante.

– Você me ligou hoje de manhã por que?

Ele demora alguns segundos para responder.

Tom me ligou dizendo que tinha conseguido o direito de visita pro Jared, mas que era pra eu ser rápido porque só podia ser de manhã e por apenas quinze minutos. Tentei avisar você porque sabia que ele gostaria de te ver primeiro... – Sinto um certo tom de ciúme na voz dele, mas então ele continua. – Mas você não me atendeu e pensei que estivesse com muito trabalho na empresa, então fui eu mesmo.

– Merda! – Exclamo com raiva e dou um soco no volante. Não posso acreditar que perdi a oportunidade de ver Jared porque estava distraído com o maldito manuscrito.

É, bem merda. Ele ficou decepcionado.

Sinto um sorriso culpado brotar nos meus lábios ao saber que Jared estava sentindo minha falta tanto quanto eu a dele.

– Ficou?

Ficou. Sexta é a próxima visita, dê um jeito de ir. É as nove em ponto e eu sugiro que não se atrase porque são só quinze minutos mesmo, nem um a mais.

Suspiro áspero e mordo o lábio ansioso.

– Tudo bem, não vou me atrasar.

Certo. Preciso desligar, estou na cozinha hoje.

– Tudo bem. Desculpe não ter te atendido, até mais.

Stephen se despede e eu coloco o celular de volta no bolso, olhando em direção ao meu computador no banco do carona e dando uma longa bufada.

No meu apartamento, volto a escrever. Já que a visita vai ser só na sexta, vou me distrair até lá fazendo o que tenho que fazer. Talvez eu possa perguntar para ele se tudo bem eu escrever a nossa história...

Não. Definitivamente não vou perder nossos preciosos minutos falando de algo assim. Quando ele sair teremos tempo de sobra para falar sobre esse bendito livro.

Sexta-feira chega mais rápido do que eu pensei que chegaria e eu estou muito ansioso quando acordo naquela manhã. Liguei para minha secretária na empresa avisando que eu vou chegar depois das dez, então não preciso me preocupar com o horário.

Passo o perfume que ele gosta e vou para a delegacia, chegando lá meia hora mais cedo do que o horário de visitas.

Espero sentado na recepção balançando minha perna impaciente, sinto um frio na barriga como se fossemos nos reencontrar depois de vários anos, mas na verdade é quase isso.

Olho meu relógio a cada minuto e ai sim o tempo parece congelado. Quando faltam dez minutos para o horário de visitas uma policial me chama e me guia para um corredor, fazendo a revista e confiscando minha carteira, celular e chaves do carro, ela diz que só posso pegar de volta na saída e eu concordo e então sou levado para uma salinha.

Mordo o lábio e suspiro nervoso, tomando coragem e entrando na sala. Meu coração acelera e um sorriso rasga meu rosto assim que eu o vejo de costas para mim. A cena parece se desenrolar em câmera lenta até ele se virar e nós vencermos a distância que resta.

Nos abraçamos desesperados de saudade e posso sentir que ele treme tanto quanto eu. Logo em seguida nos beijamos afoitos e as nossas mãos percorrem o corpo alheio com avidez, nós dois sabemos o que o outro quer, mesmo que isso não seja a melhor ideia do mundo.

– Eu tava com tanta saudade. – Digo em um momento quando desgrudamos nossos lábios para respirar. Ambos já estamos com a calça aberta e as mãos apalpando a ereção um do outro.

– Eu também. – Ele sussurra de volta, parece não querer perder tempo com palavras.

Ergo a cabeça e ele desce com seus lábios para o meu pescoço, beijando, chupando e mordendo, enquanto aperta com força minha ereção e abaixa minha calça e cueca até o meio das coxas, me virando de costas para ele e fazendo eu me apoiar na mesa.

Espalmo minhas mãos na pequena mesa e abro minhas pernas o máximo que minha calça permite, olhando por cima do ombro e sentindo meu coração acelerar ao sentir ele encostar seu pau super duro na minha bunda.

– Shh, amor, eles não podem ouvir ali fora. – Ele sussurra para mim no meu ouvido e dá uma mordidinha, fazendo todos os pelos da minha nuca se arrepiarem e então cospe na própria mão, molhando minha entrada e empurrando a glande para dentro lentamente.

Aperto os olhos e mordo meu lábio com força para não gritar, a dor é muito maior sem preparação, mas eu senti tanta falta disso que não ela não é nada, e logo eu já consigo relaxar e abrigar Jared todo dentro de mim.

Viro minha cabeça para trás e nossos lábios se encontram num beijo quente e molhado, quando ele começa a se mover devagar, saindo e entrando na mesma velocidade, deixando eu me acostumar melhor com ele.

– Eu te amo, eu te amo, eu te amo! – Jared sussurra no meu ouvido e abraça meu peito, deitando a cabeça no meu ombro e aumentando a velocidade. Nossos corpos começam a suar e meu pau pulsa de tesão quando ele acerta minha próstata, me fazendo suspirar para conter meu gemido de prazer.

Logo em seguida ele começa a me masturbar na mesma velocidade em que me fode, evitando entrar tudo para não bater seus quadris na minha bunda e fazer barulho.

Nos beijamos na hora do gozo para que os gemidos de um sejam engolidos pelo outro. Ele goza fundo dentro de mim e eu gozo na mão grande dele, que Jared faz questão de não deixar cair nenhuma gota para não levantar suspeitas.

Pendo minha cabeça entre os ombros, cansado e tão feliz que meu peito pode explodir. Jared ainda permanece dentro de mim por mais algum tempo, enquanto lambe o meu sêmen da sua mão e, quando termina, levanta minha calça e me vira de frente para ele, enfiando os dedos no meu cabelo e me beijando, onde sinto o gosto da minha porra.

– Nós somos loucos. – Digo rindo e ele levanta a própria calça, me abraçando e me levantando para sentar na mesa.

– Eu sei, mas esse perigo todo de ser descoberto foi gostoso, né? Sentiu mais tesão com isso também?

Jared pergunta com aquele sorriso malicioso descarado e me beija, acariciando meu rosto enquanto eu seguro ele pelo cabelo.

– Claro que senti. Quando você sair daqui temos que fazer algo assim de novo... – Mordo o lábio e olho para ele, mas Jared suspira e desvia o olhar. Seguro seu rosto e faço ele me olhar de novo. – Ei, ei, ei. Você vai sair daqui sim, Jay. O Tom não vai deixar que você seja preso por um crime que não cometeu. – Aliso o seu rosto, tem uma leve barba que não foi feita durante esses dias que ele está aqui.

– Eu espero que não...

– Ele não vai. Não faz essa carinha, meu amor. Logo você vai estar fora daqui e nós dois poderemos começar a nossa vida juntos, okay? Agora sem mais ninguém pra atrapalhar. – Digo com convicção e Jared melhora um pouco a expressão, ele parece tão perdido, meu coração aperta de vê-lo assim.

Nos beijamos mais algumas vezes e ficamos abraçados por uns minutos, não precisamos de palavras e sim da companhia e do aconchego um do outro.

– Pode passar no meu apartamento e pegar umas roupas pra mim quando vier segunda? Stephe me trouxe algumas ontem, mas não foram muitas. Tem uma chave na casa dele, Chad já deve ter saído de lá faz alguns dias.

– Tudo bem. – Penso um pouco sobre o que vou falar em seguida, mas me decido que é isso mesmo que quero. Limpo a garganta e faço ele olhar diretamente pra mim de novo. – Quando sair eu quero que vá morar comigo.

Jared abre e fecha a boca algumas vezes, surpreso com o que eu disse, depois sorri o sorriso mais lindo que eu já vi na vida.

– Tem certeza?

Afirmo com a cabeça.

– Tudo que eu mais quero é acordar com você do meu lado toda manhã...

– Jensen... isso é...

Jared mareja os olhos e então sela nossos lábios mais uma vez e então escutamos o barulho da batida do policial na porta avisando que a visita acabou.

– Segunda podemos conversar mais sobre isso, agora é melhor eu ir, amor.

Jared balança a cabeça e me dá mais um beijo.

– Eu te amo.

– Eu também te amo e vou morrer de saudade até segunda.

Jared sorri e eu dou um último beijo nele, tomando cuidado para guardar o seu sabor nos meus lábios e vou para a porta, me virando mais uma vez para ele e sorrindo.

O sábado se arrasta nas horas passando, escrevo mais algumas páginas do meu livro até meus dedos ficarem doloridos e então decido que preciso de uma pausa.

Coloco Harley na coleira e vou com ele passear no parque que eu e Jared sempre levávamos os cachorros. Meu garoto fica inquieto, acho que está com saudade de Sadie e eu devo admitir que também estou. Dela e principalmente do seu dono.

Pensar em Jared me deixa ansioso e meio triste ao mesmo tempo. Tom me ligou mais cedo dizendo que vai tentar fazer o julgamento ser o mais breve possível, disse que já tem um argumento de defesa, mas ainda está procurando por testemunhas no bar e no parque.

Passei na casa de Stephen e peguei a chave do apartamento de Jared, amanhã irei visita-lo novamente e vou levar as roupas que ele pediu.

Abro a porta e levo um susto com o que vejo. O apartamento está todo revirado, parece que um furacão passou por aqui. Ando pelos cômodos chocado com toda aquela bagunça, com certeza Jared não deixou sua casa assim. Será que o ex namorado fez isso para se vingar de alguma forma? Não acho que seja impossível, mas seria muita infantilidade e babaquice.

Fecho algumas portinhas do armário da cozinha e ando a passos silenciosos até o quarto, alguma coisa aqui não está certa.

Assim que entro no quarto fico ainda mais atônito, as portas do armário estão abertas e as roupas jogadas no chão. Olho em volta e só então percebo o corpo jogado no chão.

Meu sangue corre mais rápido e a adrenalina entorpece minhas veias. Corro até o homem caído no chão, a boca dele está espumando e seu corpo tendo leves espasmos. Pela descrição que sei dele, parece ser Chad.

Confiro sua pulsação e vejo que ainda está vivo.

– Porra! Porra! Porra! Tudo bem eu vou... – Levo as mãos à cabeça, em choque, mas me forço a manter a calma e pegar meu celular para ligar para a emergência.

Depois que chamo a ambulância consigo pensar com um pouco mais de clareza e olhar tudo, a atendente mandou eu não mexer no corpo para não agravar ainda mais a situação. Ao lado dele eu vejo várias seringas que a princípio não me dou conta do que são, mas após alguns minutos percebo que são seringas de heroína.

Poucos minutos se passam até a chegada dos socorristas. Enquanto dois deles colocam o corpo de Chad na maca, um outro pega algumas informações comigo e me manda avisar algum parente próximo.

Fico sozinho no apartamento novamente e decido que a melhor coisa a se fazer é ir até o Stephen, ele deve conhecer algum parente de Chad.

A casa dele não é longe do prédio onde Jared morava, assim que chego na frente da casa, ligo para o seu celular e ele abre o portão para mim entrar.

– O que aconteceu? Parece que viu um fantasma, Jensen. – Ele diz assim que me sento no sofá.

– Por pouco não. Chad, cara, eu o encontrei no apartamento do Jared tendo uma overdose. – Falo tudo de uma vez, com a voz meio engrolada e Stephen fica sem acreditar.

– Espera... como assim? O que? – Ele franze a testa e se senta do meu lado.

– Eu. Encontrei. O Chad. Tendo. Uma. Overdose. No. Apartamento. Do. Jared. – Falo bem pausadamente para ele não ter dúvidas. Stephen entende dessa vez e desvia o olhar. – Eu chamei uma ambulância e ele foi levado pro Cornerstone.

Stephen passa a mão pelo cabelo e se levanta.

– Que merda!

– É, que merda.

Me levanto e sigo ele até a cozinha, onde Stephen pega duas cervejas e me dá uma.

– Aliás, o apartamento está todo revirado. Parece que passou um furacão por lá. – Eu digo, lembrando de toda a bagunça.

– Ele falou comigo ontem, foi no restaurante perguntando pelo Jay. Eu disse tudo, que ele tinha sido acusado de assassinato e estava preso, mas que era injustamente e o Chad ficou meio atordoado. Me fez umas perguntas estranhas, tomou um copo d'água pra se acalmar e saiu.

Mordo o lábio e então lembro das seringas.

– Tinham várias seringas ao lado do corpo.

Stephen me olha com um semblante preocupado.

– Você acha que...?

– Sim. Não sei se foi tentativa de suicídio...

– Talvez ele só estivesse se drogando e exagerou na quantidade.

Balanço a cabeça e viro a garrafa de cerveja na minha boca.

– Não, eram muitas. Ele tentou se matar e pode ter conseguido. Não sei como ele está, quando o encontrei a pulsação estava fraca.

– Preciso avisar a família dele.

– Foi pra isso mesmo que eu vim aqui. Eles moram na cidade?

Stephen nega com a cabeça.

– Quer ir até o hospital ver como ele está?

Stephen se levanta e anda de um lado para o outro, olhando para todos os lados.

– Jensen, ele tentou se matar com heroína. A mesma droga que matou o Mitch.

– Você acha que ele pode...? – Pergunto espantado com a teoria que Stephen propõe.

– Não sei, mas é de se pensar, você não acha?

Ele para e fica me olhando, esperando eu concordar.

– Pode ser que sim. Vamos até o hospital ver como ele está, você liga pra família dele e então informamos isso pro Tom. Ele pode investigar e ver se tem ligação.

Algum tempo depois estamos no hospital. Informamos o nome do paciente e a recepcionista nos manda esperar que um médico virá falar conosco.

Sentamos e esperamos até que um médico venha até nós e quando ele vem, sua cara não é nada boa.

– O estado do seu amigo é gravíssimo. A dose que ele se injetou foi muito grande, é surpreendente que ele esteja vivo.

O homem de jaleco branco diz.

Droga. Chad não pode morrer, se ele estiver vivo pode melhorar e contar algo que ajude a inocentar Jared e também o que aconteceu no apartamento. Stephen liga para a família do Chad e logo depois para Tom, informando sobre Chad e ele diz que com certeza é no mínimo curioso e vai investigar.

Sem mais o que fazer no hospital, volto para o meu apartamento e passo o resto na noite pensando se falo para Jared sobre Chad ou não.

Continua...