Prelúdio Para o Amor

CAPITOLO VENTUNO

Quando Hinata chegou em casa, ela pensou na possibilidade que ele poderia estar fora... Desde que se mudou para este prédio, tantas coisas pareciam acontecer por coincidência, boas e ruins. A vida havia ganhado uma certa mágica em seus olhos.

Então foi bem engraçado quando ela bateu na porta do apartamento dele algumas vezes e após longos minutos ninguém respondeu. É legal saber também que no final das contas, a vida é a vida. Faz sentido?

Ela agora encontrava-se deitada no sofá da sua casa, toda espreguiçada, com as pernas apoiadas no encosto de braço, a cabeça afundada em uma almofada, em cima de seu estomago encontrava-se Tora, aconchegado em um de seus braços e o outro braço estendia-se em direção ao chão, cariciando Maki que estava encolhida com Yun.

Havia deixado uma fresta de sua porta aberta, para escutar quando ele chegasse em casa. O elevador fazia um barulho não muito alto, mas que com a porta aberta, dava pra escutar. O que não foi parte do seu plano, foi pegar no sono.

Aquele sono bem profundo.

Quando o elevador finalmente se abriu o residente do apartamento da frente parou, olhou sua porta vizinha com o rosto sem expressão, mas os olhos cheios de sentimentos. Virou-se para seu apartamento com a intenção de abrir a porta, quando escutou um miado, olhou para trás e viu que Tora sentava-se no corredor. Olhando-o como quem espera alguém chegar em casa.

Andou em direção ao gatinho que veio ao seu encontro, fazendo menção para subir em seu colo. Pegando-o com o maior cuidado continuou em direção a porta e viu que encontrava-se aberta. Ele provavelmente deveria se sentir um pouco esquisito de entrar desse jeito em uma casa que não era sua, mas ele não estava nem aí pra isso. Fechou a porta com cuidado e ficou alguns bons minutos encostado na parede observando a menina que dormia no sofá.

Eles eram muito parecidos... Diferentes, mas muito parecidos. Que paradoxo né.

Os dois eram muito dedicados, esforçados, sacrificavam muito de suas vidas... Eram tímidos e o silencio um grande conforto, para ambos. Gostavam dos mesmos filmes, até livros eles trocavam. Gaara nunca foi muito de divagar sobre relacionamentos. Quem iniciou seu relacionamento com Sakura fora a mesma. Ele tinha um carinho enorme pela menina, eles realmente eram muito amigos, mas ele nunca tinha ido atrás. Hinata fora a primeira menina que ele genuinamente havia se interessado, ele que foi atrás de saber sobre ela, ele que tinha a sede de cada vez mais saber o que se passava na cabeça dela, o que ela tinha para dizer, o que ela tinha para mostrar, o que ela tinha para acrescentar. E essas pequenas coisas, essas bobagens de gostos, ele nunca achou que elas seriam um fator tão importante... Porque no final das contas, essas pequenas coisas que preenchem grande parte do nosso dia, que dizem muito sobre nossas rotinas e nossos princípios e nossas ideias e nossos sonhos.

Gaara não era do tipo de pessoa que corava ou ficava nervosa, mas sentiu seu peito bater mais forte, como se tivesse um ventilador dentro da sua caixa torácica, isso tudo por conta da menina que estava dormindo, ignorante a tudo que se passava no seu coração e na sua cabeça nesse momento.

Maki e Yun levantaram-se percebendo a presença dele e pularam em direção a ele, que acariciou ambos, colocando Tora no chão. Gaara também nunca fora uma pessoa tão chegada a animais, ele gostava de Akamaru, as vezes achava o cão hiperativo demais, mas sua lealdade era de se admirar. Seu carinho incondicional também, assim como esses bichinhos.

– Gaara... – ouviu uma voz baixinha e olhou em direção ao sofá, seus olhos turquesa se encontraram com um lindo par de olhos que ele tanto desejava, olhos pesados de sono que ela agora coçava sentando-se no sofá. Suas bochechas ganhavam um rubor cor de rosa enquanto ela ajeitava seu vestido, seus pequenos e carnudos lábios formavam um "o" enquanto ela tentava pensar em algo para dizer, ele sentiu um aperto em seu peito, ela realmente mexia com ele.

– Sua porta estava aberta e Tora apareceu no corredor – comentou ele. – você devia tomar cuidado para não esquecer a porta aberta...

– Eu não esqueci a porta aberta... – arriscou ela olhando para ele. – com a porta fechada eu não consigo ouvir o e-elevador... – agora ela desviava o olhar. Ele aproveitou a chance para se aproximar. Essa informação era interessante.

– E você queria ouvir o elevador por que?

– E-Estava esperando...

– Quem? Alguém importante?

– S-Sim... M-muito.

– Posso saber quem? – ele estava tão perto que ela, num nervosismo, levantou-se do sofá e agora estavam separados por pouquíssimos centímetros. Ela podia sentir suas bochechas quentes e ele tão perto dela faziam com que seus olhos ficassem pesados e sua respiração minimamente ofegante.

É claro que ele estava tomando nota de tudo isso.

– É... é-é...

– Você não vai me contar...?

– Você s-s-sabe... – ela olhou em seus olhos, quase implorando de rubor.

– Não, eu não sei.

– G-G-Gaara... – tentou ela mais uma vez. Ele resolveu ser um pouco maldoso, mas só porque estava gostando da reação dela. Quem o podia culpar.

Ele fez menção de virar e ir em direção a porta, mas ela segurou sua camiseta.

– Eu estava esperando você Gaara – disse ela sem gaguejar.

Ele virou e passou seus braços pela pequena cintura da menina encostando seu nariz em seu pequenino ouvido.

– E por que você estava me esperando Hinata? – ele pode senti-la tremer.

– Porque eu queria te ver.

– Eu também queria te ver.

– G-Gaara... Eu tenho medo.

– Medo do que? – ele se sentiu um pouco incomodado com o comentário.

– Eu não entendo as coisas q-q-que eu sinto, mas elas são tão grandes e fortes, eu fico sem chão quando estou c-c-com você e eu tenho medo porque não sei onde pisar – ela chorava e ele podia sentir lágrimas em seu pescoço.

– Eu sei... – eu também sinto. Pensou em seu coração. Tinham algumas coisas que Gaara não se sentia confortável falando, coisas tão diferentes, que nunca sentira antes.

– Nós machucamos duas p-pessoas tão incríveis, s-será que algo bonito pode realmente sair daqui...? – esse jeito dela, tão cuidadoso com o próximo, era algo que ele não entendia muito bem, mas ele amava isso nela. Acariciando seu cabelo ele ficou em silencio durante um tempo, pensando exatamente no que gostaria de dizer.

– Hinata... – ele chamou, levantando seu rosto com a mão, delicadamente, para que seus olhos fitassem os seus... Tanta intensidade – a vida é feita de encontros e desencontros... Você cresceu num ambiente onde sempre esteve protegida, onde sempre foi amada, cuidada. As pessoas se conhecem, se envolvem, se gostam, se machucam, se recompõem, é um ciclo natural. Eu tenho um carinho por Kiba e por Sakura que nunca vai mudar, eles fizeram e fazem parte da minha vida e com todos seus defeitos e qualidades me ensinaram algumas coisas – ele acariciava sua bochecha enquanto ela o olhava com muita atenção, processando cada palavra que ele tinha para dizer – assim como Kiba também te ensinou muita coisa sobre você mesma, que você talvez não entenda agora. E talvez se você não tivesse se envolvido, não se daria conta, assim como eu, do que o que sentimos um pelo outro é algo diferente. De tudo. – concluiu ele.

Ela estava chocada, nunca havia parado para pensar nisso. Era tudo tão novo, tão adulto... Ela se sentiu pequena, mas ao mesmo tempo sentiu uma vontade muito grande de compreender e aprender cada vez mais, crescer cada vez mais. E este homem que a olhava com tanto carinho nos olhos, que despertava tantas coisas dentro dela, ele era tão especial, e eles tinham algo tão especial... O medo continuava lá, mas ela tinha uma vontade demasiada enorme de dar a mão e caminhar pelo caminho que ela não conseguia enxergar.

– Eu vou cuidar de você, com toda a minha dedicação – a frase dele saiu bem devagar, e ela viu como os olhos dele fecharam um pouco enquanto ele dizia cada palavra, como devia ser difícil para ele também sentir e dizer tudo isso.

Inclinando um pouco sua cabeça, ela estava a milímetros de distancia dos lábios dele.

– E eu vou cuidar de você, com meu coração, minha alma, com cada mão e cada dedo – bem devagar ela levou suas mãos para o pescoço dele, depois para a bagunça vermelha que eram seus cabelos e bem devagar lhe beijou.

O beijo foi molhado, por suas lágrimas, que ele fazia questão de limpar, começou devagar e tornou-se cada vez mais intenso, e tudo se encaixava, cada movimento, cada respiro, cada carícia e seus corpos pareciam peças de quebra-cabeça, perfeitamente alinhados, apenas um.

Quando parou para respirar e olhar nos olhos dele, seus narizes se encostavam e estavam ofegantes, ela estava apoiada na parede e de alguma maneira suas pernas estavam cruzadas nas costas dele, ele a sustentando.

– Gaara... – ela acariciava o rosto dele enquanto o olhava, sua mente vazia de pensamentos, apenas desejo.

– Hinata, se você não parar eu não vou conseguir parar – disse ele enquanto ela beijava sua orelha.

– Eu não quero que você pare – ela não queria mesmo.

– Eu não quero te forçar a fazer nada – era difícil pensar com ela tão próxima, tão encalacrada com ele.

– Se eu não quisesse eu já teria parado.

Ele riu.

Era tudo o que ele precisava ouvir.


As coisas levam um pouco de tempo, mas todo mundo se cura, todo mundo vive seu sofrimento, suas alegrias, suas perdas e suas conquistas.

As pessoas se conhecem, e é conhecendo o outro que a vida te dá a oportunidade de crescer, evoluir, entender e aceitar. E tudo bem se parece que as vezes as coisas voltam pro fundo do poço, porque depois você escala tudo de novo e é sempre muito bom.

Hoje era um dia muito especial, para todos os moradores do prédio. Faziam quatro anos que Kiba estava morando na Suécia e agora voltava, aparentemente noivo e com uma esposa muito grávida e Naruto acabara de terminar um projeto muito especial, que segundo ele era "o retângulo de vidro de festas mais sensacional da cidade" que por acaso ficava em cima dos apartamentos de Neji e Sasuke. Para aproveitar a inauguração coincidia com a volta de Kiba e o aniversário de Shino, o amado síndico.

– É Naruto, você realmente se superou – comentou Kankuro apreciando a construção de concreto queimado e grandes, grandes janelas de vidro do chão até o teto. O espaço era extremamente bem distribuído, com uma cozinha americana, para eventos, um bar todo de madeira de demolição, bem rústico e várias poltronas confortáveis, e espaço o suficiente para dança e como o loiro adorava dizer "confraternização".

– AH! Kankuro, valeu, eu acho que eu so um gênio nessa coisa de arquitetura, sabe. Agora que aquela revista lá me chamou de "futuro Tadao Ando" acho que eu realmente sou importante pra nação sabe– sua frase foi interrompida pela namorada que lhe deu uma bofetada na cabeça.

– Olha a presunção seu egocêntrico – disse ela olhando feio, fazendo Kankuro rir e Naruto ficar meio sem graça, mas isso durou poucos segundos porque logo depois ele se engajou com outra coisa.


– Deidara, pega um drink pra mim.

– Eu não sou seu empregado Hanabi, e você ainda é menor de idade.

– Não é? Achei que você fosse. – ele olhou feio pra ela e ela riu – se você não vai pegar eu mesma vou! – e ela saiu correndo, Deidara indo atrás, chegando tarde demais porque a minúscula Hanabi já virava um shot de Tequila. Como ela tinha feito isso tão rápido, ele não tinha noção.

– Por que eu fui sair com uma mina mais nova...? – perguntou pra ninguém.

– Você sabia que ela era assim desde que conheceu ela, e ela tava no colegial – comentou Sakura aparecendo do além.

– Ah, é... E o Sasori? – perguntou ele vasculhando pelo amigo.

– Acho que ele ta conversando com o Shikamaru. – ela avistou o namorado que parecia entretido com alguma coisa que Shikamaru dizia. Pra Sasori estar interessado e Shikamaru estar falando tanto, eles realmente deviam estar falando de alguma coisa muito chata. E ela que não queria participar da conversa.

– É, com certeza o papo deve ser muito interessante – disse ele num tom de sarcasmo.

– Eu acho também, acho que ali tem potencial o bastante pra mudar o funcionamento do universo – disse ela no mesmo tom.

– Realmente, dali vai sair algo revolucionário.

– Sem dúvidas.


– SHINO! – o menino de óculos escuros deu um pulo quando ouviu a voz estridente do amigo, que chegava com um sorriso mostrando seus caninos. Ao seu lado estava uma linda e muito grávida mulher de longos e ondulados cabelos loiros e olhos verdes eletrizantes. – FELIZ ANIVERSÁRIO!

– Kiba – cumprimentou ele, mas foi logo engolido por um abraço do amigo.

– Shino! Essa é minha esposa Mira!

Shino fez uma curta reverencia e antes que pudesse falar em inglês a mulher sorriu e cumprimentou.

– É um prazer conhece-lo, Kiba fala muito de todos vocês – seu japonês era muito bom e carregava um sotaque adorável. – Ah! E feliz aniversário.

– Obrigada... Seu japonês é muito bom. – ela agradeceu fazendo uma pequena reverencia, ele se sentiu feliz em ver que a esposa de seu amigo parecia ser tão dedicada a se encaixar na cultura deles.

– Kiba! – ele se virou e viu Hinata sorrindo, ela vinha na sua direção entusiasmada enquanto Gaara vinha devagar, mas com um pequeno sorriso no rosto.

– Hinata! – eles se abraçaram e Hinata logo quis conhecer a esposa de Kiba, que aproveitou a deixa para quase derrubar o amigo no chão com um abraço.

– Você ta querendo apanhar né – disse Gaara meio que rindo.

– Saudades de você também Gaara!


– E o Neji não vem? – perguntou Shizune curiosa – a Anko parecia entusiasmada quando falei com ela por telefone.

– Hn... Não sei, diferente de você eu não mantenho contato direto com eles.

Shizune riu, ok se ele queria mentir, como se ela e Anko não soubessem que os dois costumavam coincidentemente "desaparecer" ao mesmo tempo durante aqueles dias do mês quando elas ficavam irritadas com qualquer coisa, e como se elas já não tivessem se tocado que eles ficavam jogando cartas juntos.

Hinata olhava com felicidade seu redor. Lee e Gai conversavam entusiasmados com Tenten sobre algum campeonato enquanto Kankuro a abraçava com os olhos cheios de orgulho.

Viu ele tirar o celular e mostrar alguma coisa para os meninos e Tenten ficar vermelha de vergonha, devia ser a matéria especial sobre Jotaro Saito na Vogue Britânica onde Tenten aparecia com ele, como sua musa inspiradora.

Ali estavam, pessoas muito especiais para ela, felizes, todos haviam passado por tantas coisas, desde que ela se mudara para esse apartamento. Realmente não poderia estar mais feliz.

Olhou mais uma vez para a esposa de Kiba, que lhe contava sobre sua cidade, ela era tão bonita, e parecia ser uma pessoa tão especial, ela estava tão feliz que ele encontrara alguém, que para ele era a pessoa certa.

– Ah! Ele chutou! – exclamou ela, murmurando alguma coisa em sueco. – me dá sua mão! – sem esperar ela pegou a mão de Hinata e colocou sobre sua barrigona. Um brilho apareceu nos olhos de Hinata quando ela sentiu um pezinho chutar sua mão.

– E quando que vocês vão começar essa família bonita? Já pediu a Hinata em casamento Gaara? – brincou Kiba olhando pro amigo, dando mais risada ainda quando viu Hinata ficar inteira vermelha. Certas coisas nunca mudam.

Gaara resolveu jogar na mesma moeda.

– Já. – Hinata não poderia ter ficado mais vermelha. Na verdade isso tudo tinha acontecido ontem...

– COMO ASSIM VOCE PEDIU A HINATA EM CASAMENTO E NAO CONTOU PRA GENTE?! – o grito que causou a festa toda parar pra prestar atenção foi de um loiro muito hiperativo, que levou um belo de um tapa na cabeça da namorada.

– Meu Deus Naruto, você não sabe não ser inconveniente, é incrível – disse ela rindo.

FIN

Comentários; gente, eu comecei a escrever essa fic em 2008. Queria deixar claro que 8 anos se passaram desde então. É bizarro... Estou com 22 anos agora. Eu achei que realmente nunca fosse terminar. Quanta coisa acontece na vida da gente né. Primeiro eu gostaria de agradecer, antes tarde do que nunca, todo mundo que sempre me apoiou, me xingou e me pediu pra terminar isso. Eu realmente quero fechar esse capítulo na minha vida pra poder dar início a um novo. Sério mesmo... Como eu mudei e ao mesmo tempo não. Tentei manter a narrativa parecida com o que eu escrevia antes, hoje em dia teria feito algumas coisas diferente, mas tenho um carinho muito especial por essa história. E bom, é com muito orgulho que eu termino ela. Um beijo de coração.