Patrick Jane
A festa estava maravilhosa!
Eu mal posso acreditar... Estou namorando o amor da minha vida, a garota mais linda da festa, a princesa mais encantadora de todos os reinos: Teresa Lisbon!
E não era um apenas um sonho, daqueles que você não quer acordar nunca. É a realidade. Teresa Lisbon é a minha namorada. É tão incrível essa sensação de gostar de alguém e não precisar mais esconder.
Depois que saímos do banheiro, quase todos os convidados vieram até nós para nos parabenizar, sem nunca deixar de fazer uma daquelas piadinhas sem graça "Lisbon você tem certeza que recuperou a memória?" ou "Pode contar Jane, você a hipnotizou, não foi?".
Apenas o irmão de Teresa não veio nos parabenizar. Até aquele momento.
– Ress... – Tommy disse – Você pode me emprestar seu... Ãhn... "Amigo"?!
– Tommy! – respondeu Teresa com um tom de repreensão na voz – Eu não sou uma criança, sou sua irmã mais velha... Pare de fazer isso!
– Está tudo bem Tess – eu interrompi – Não tem problema! – dei um beijo em sua bochecha e fui até a sala do escritório dela para eu e Tommy conversarmos em particular.
Entramos, fechamos a porta e eu me encostei na beirada da mesa, enquanto Tommy me observava com o cenho franzido.
Após alguns segundos ele relaxou a expressão e soltou o ar que havia prendido.
– Desculpe... Não quero ser um irmão mala... – ele estendeu a mão para mim – Parabéns! Você é um homem de sorte...
– Sim, eu sou! E não. Eu não vou magoá-la... Fique tranquilo.
– Acho bom! Resse é como uma mãe pra mim e para os meus irmãos... Se você ou alguém magoá-la, serão, no mínimo, três contra um. Lembre-se disso!
– Vou me lembrar! – eu ri – Na verdade eu queria te pedir um favor...
– Diga
– Quero pedir sua bênção para... Para me casar com Teresa.
– Opa, espera aí apressadinho! Você acabou de começar a namorar a minha irmã e já quer pedir ela em casamento?
– O que posso dizer? Ela é encantadora! Ah, vamos Tommy! Eu já conheço sua irmã há mais de dez anos... Não é como se eu tivesse conhecido ela ontem!
– Mesmo assim, é muito cedo... Vocês estão namorando há menos de meia hora! – ele colocou as mãos na cintura e respirou fundo, como se estivesse cansado – Eu não posso te impedir. Também não posso impedir minha irmã, caso ela aceite. Mas se você quer a minha bênção... Espere um pouco! Pelo menos uns seis meses.
O que são seis meses perto do que eu já esperei?
Saímos da sala de Lisbon e a mesma veio em nossa direção.
– Posso saber sobre o que os dois mocinhos estavam conversando?
– Sobre você, claro! – disse Tommy – Eu estava dizendo ao Patrick o quão sortudo ele é por estar namorando você.
– Hum... Só isso mesmo?
– Por quê? Ficou ouvindo atrás da porta? – eu perguntei
– Não... – ela respondeu, cruzou os braços e ficou olhando para baixo durante alguns segundos antes de olhar para mim de novo. Ela ficou escutando atrás da porta! Será que ela ouviu sobre o casamento?
– Sabe que não adianta mentir para mim, não é?! – tentei disfarçar o desespero que eu estava sentindo.
– Eu tentei... Mas não consegui ouvir uma palavra sequer! – eu a analisei por alguns instantes – É verdade, eu não consegui! Está muito barulho aqui... – ela estava falando a verdade. Ufa... Que alívio!
– Vem, vamos voltar para a festa. Rigsby vai fazer uma surpresa para Van Pelt. – eu coloquei meu braço direito em volta dos ombros dela, e ela colocou seu braço esquerdo em volta da minha cintura.
Teresa Lisbon
Enquanto voltávamos para a festa, abraçados, o Diretor Bertram acenou para nós, mas não parecia muito contente. Fomos até lá para falarmos com ele, afinal, todos viram eu e Patrick juntos, não havia como negar, e como um relacionamento entre agente e consultor não é permitido dentro do CBI, ele certamente reportaria.
– Patrick, Teresa!
– Gale – disse Patrick – Como está?
– Bem... – ele ia começar seu discurso, e eu já estava até me preparando para a bronca, mas Patrick o interrompeu.
– Não precisa se preocupar... Amanhã será meu último dia aqui no CBI.
– Isso é uma pena, eu ia dizer que se você dessa assistência a outras equipes, segundo o regulamento, o relacionamento de vocês seria permitido, uma vez que você não seria um consultor exclusivo...
– Huh... Bom, neste caso... Eu...
– Nós agradecemos – eu disse – Patrick pode começar amanhã, não é? – olhei para ele esperando uma confirmação
– Sim!
– Que bom então... Assim que você chegar venha até meu escritório e eu te dou mais instruções.
Após alguns minutos, me lembrei do que Patrick disse depois de sair da minha sala com meu irmão "Rigsby vai fazer uma surpresa para Van Pelt.".
– Patt? Como assim o Rigsby vai fazer uma surpresa para Van Pelt? – Ele não disse nada, apenas apontou para Rigsby que batia um talher em uma taça para conseguir a atenção de todos.
– Boa noite! Chefe me desculpe fazer isso na sua festa – eu fiz que sim com a cabeça, e ele puxou Van Pelt pela mão, deixando-a de frente para ele. Naquele momento eu entendi qual era a surpresa – Grace, desde o primeiro dia que eu te vi, quando você começou a trabalhar aqui, eu sabia que era você que seria minha mulher um dia... Eu sei que parece clichê, mas é a mais pura verdade! Sei que nós tivemos nossos problemas, mas eu não quero que nada mais nos impeça de sermos felizes juntos! – Van Pelt parecia confusa, até que Wayne se ajoelhou no chão, retirou de dentro de um dos bolsos uma caixinha de veludo preta, abriu e mostrou para ela – Grace, você quer casar comigo? – ela colocou ambas as mãos na boca, surpresa, e balançou a cabeça positivamente. Wayne se levantou e a abraçou, enxugou as lágrimas de seus olhos e a beijou. Todos nós aplaudimos o mais novo casal de noivos da CBI.
Apesar de estar muito feliz por Grace e Wayne, estou um pouco triste, porque sei que vou perder um dos meus dois agentes. Ou os dois. Fomos até eles e os parabenizamos. Grace mostrava com alegria seu anel de noivado que acabara de ganhar.
Depois de todos os "parabéns" chegou a hora de nos despedirmos, afinal já estava ficando tarde, e amanhã teríamos que trabalhar.
Patrick me levou até em casa. O caminho foi silencioso e um pouco desconfortável pra mim. Comecei a pensar em como tudo começou: Patrick bêbado e deprimido, me acusando de beber para ocultar meus sentimentos, depois a minha raiva, a perda de memória, o beijo, a volta da memória, a minha raiva (de novo), a reconquista, o mal entendido, o outro beijo... E aqui estamos nós!
Considerei o que o Patrick disse a respeito da bebida... Ele tinha razão! Assim que eu recuperei a memória, a primeira coisa que eu fiz foi beber para me esquecer. Preciso parar com isso, antes que seja tarde...
Depois de toda esta loucura, também acabei me esquecendo do motivo pelo qual tudo isso começou: A quase vingança de Patrick. Será que ele superou?
Ele parou o carro em frente a minha casa, e ficamos nos olhando por mais alguns instantes de silêncio.
– Patt?
– Sim... – pela primeira vez acho que Patrick não sabe sobre o que eu estou pensando.
– Eu estava pensando... Sobre tudo que aconteceu e... E... – como eu vou colocar meus pensamentos em palavras sem parecer que eu estou pressionando-o? – Eu sei que, talvez, você não queira tocar no assunto... E está tudo bem, eu vou entender... Mas... O que aconteceu com o Ray... Você já... Está tudo bem? Quero dizer, você já superou?
– Querida... Os últimos dias foram tão agitados, eu nem havia lembrado... Mas eu... – ele respirou fundo, olhou para os lados, e depois olhou para mim novamente – Quer saber?! – ele segurou minhas mãos – Existe uma vida para mim pela frente, e coisas muito mais importantes para eu me preocupar... Red John pode ter pensado que venceu, me deixando sem a vingança, mas eu venci! Eu estou vivo, estou namorando o amor da minha vida... Tenho um futuro inteiro me esperando!
– Falando em futuro... Você estava certo.
– Sobre o quê?
– Sobre eu beber para esconder meus sentimentos... Se eu continuar assim, isso vai prejudicar meu futuro. Eu preciso parar antes que seja tarde de mais...
– E eu estarei aqui para te ajudar! – ele disse apertando um pouco minhas mãos. Ele envolveu seus braços ao redor da minha cintura e eu envolvi os meus ao redor de seu ombro em um abraço aconchegante, carinhoso e seguro.
Nos separamos e olhamos nos olhos um do outro antes de um rápido beijo de despedida.
– Boa noite Patt!
– Boa noite Tess!
Com isso eu saí do carro, e ele esperou até que eu entrasse em casa para ter certeza que eu estava segura. No final das contas, era bom se sentir protegida por alguém. Mesmo que eu possa me proteger sozinha.
E este foi o fim do primeiro dia de um futuro incrível que me aguardava. "Seja Bem-vinda Teresa
Prévia do próximo capítulo:
"(Annie) - Ai Patrick, estou louca para ver a cara da Tia Ress quando você fizer o pedido!
(Patrick) - Em breve, Annie... Em breve!"
