XXI
ABJETAS TRADIÇÕES
As mulheres da alta sociedade bruxa não tinham a prerrogativa de escolher os seus próprios interesses. De fato, delas era esperado conhecer e acompanhar quaisquer atividades que dessem prazer aos seus companheiros, sem jamais negar-se ou parecer aborrecidas.
De todas as tradições, talvez fosse esta a que mais irritava Narcissa Black. Desde muito nova, ela fora acostumada a entreter-se com as mais refinadas artes: literatura, principalmente erudita ou em verso; música, apenas se clássica instrumental ou canto lírico; e esportes, apenas balé clássico, críquete ou pólo. Por uma ironia dos deuses, no entanto, lhe fora destinado apaixonar-se por um garoto que em nada se interessava pelas belas artes. E há dois anos ela se via obrigada a acompanhar Ludovic Bagman em concertos de música vulgar, em comédias estúpidas e – para ela a maior das torturas – em jogos de quabribol.
E ali estava ela: sentada nas arquibancadas do campo de quadribol de Hogwarts, tentando se concentrar nas páginas do seu romance de Hemingway enquanto o seu namorado era guiado aos gritos por Lucius Malfoy em mais um treino.
Narcissa suspirou, virando a página.
Quando ela se casasse com Ludovic e ele se tornasse um jogador profissional, aquela seria a sua vida? Comparecer a jogos e treinos, segui-lo em intermináveis viagens, manter conversas com os colegas deles – provavelmente estúpidos e de descendência duvidosa? O pensamento o assustava. Por mais que o amasse, aquele não era o futuro para o qual fora preparada. Não... Narcissa fora feita para se casar com um político. Com alguém importante; alguém que lhe desse uma mansão, e jóias raras, e inúmeras oportunidades de organizar soirées. Narcissa deveria se casar com alguém como...
- LUCIUS! – Ela ouviu a voz da irmã, ao longe.
A jovem Black sabia que Andromeda apenas chamava atenção do seu Capitão para uma bobagem qualquer que ocorria no treino, mas a Narcissa pareceu que a sua linha de pensamento fora completada. Os seus olhos migraram das páginas do romance ao campo de quadribol, onde logo encontrou o herdeiro Malfoy imponentemente montado em sua vassoura.
Lucius ficava muito atraente quando sorria.
Sem que ela permitisse, os seus próprios lábios se curvaram num sorriso. E foi nesse exato momento que Lucius a olhou.
O rosto de Narcissa ficou quente, e provavelmente vermelho. Como era inegável que ela estava observando o garoto Malfoy, decidiu que o melhor que poderia fazer era erguer a sua mão e acenar um tímido "oi". Felizmente ou não, o jovem interpretou aquilo como um convite para se aproximar.
- Narcissa! – Ele disse, assim que chegou próximo o suficiente. – Eu estou feliz que você veio.
Narcissa assentiu, fechando delicadamente o seu livro enquanto Lucius sentava ao seu lado.
- Ludovic disse que era um treino importante. Mas por que isso o deixa feliz?
- Bem, amanhã o correio lhe trará um presente. Eu recomendo que não o abra perto de Ludo; ele ainda está enciumado.
Pelo canto do olho, Narcissa percebeu que Ludovic observava a conversa dos dois. Mas, depois de todo o tempo em que ele não demonstrou se importar com outro homem obviamente interessado por Narcissa, a herdeira Black achava o recém descoberto ciúme do namorado revigorante.
- Ele deveria saber que eu sou fiel. Posso perguntar o motivo do presente?
- Bem, depois que meu pai recebeu a nossa foto no aniversário de Slughorn, ele ficou generoso. Descobri em minha última visita à Gringotts que o meu ouro foi triplicado.
- Oh. É um agradecimento, então?
- Eu tenho alguma causa para agradecer? Fizemos um trato; e eu garanto que a minha parte na barganha será comprida. O presente... Bem, estou com dinheiro extra, e você é uma mulher bonita. Não vejo motivo para não lhe fazer um agrado.
Narcissa riu-se.
- Que tal esse motivo: eu não estou disponível, e não serei mais uma vítima da famosa sedução Malfoy.
- Você continua afirmando isso... – Lucius, então, pegou das mãos de Narcissa a cópia de Do Outro Lado do Rio e Entre as Árvores. – Uma leitura pesada, não? Para uma mulher.
- Essa é a face mais sentimental de Hemingway, Lucius. E eu realmente não acho que por ser uma mulher eu tenha que me privar dos clássicos.
- Bom saber. Na minha biblioteca temos a primeira edição autografada de O Sol Também Se Levanta. Papai acha Hemingway absurdamente enfadonho, então acredito que ele não vá se importar se eu presenteá-la com o livro.
Uma primeira edição autografada era algo tentador. Ainda assim, Narcissa sabia que não era apropriado receber presentes de um homem que não fosse o seu.
- Lucius, chega de presentes extravagantes.
- Se você acha os meus presentes extravagantes, a sua visita à Mansão não será nada agradável.
- Oh. Eu farei uma visita à Mansão?
- Meus pais lhe esperam no segundo dia do recesso de páscoa, para um chá.
Ela rolou os olhos.
- Eu não vou.
- Vai, sim. O convite será endereçado ao Sr. Black, e ele jamais afrontaria o meu pai. Apenas estou aqui para lhe avisar antecipadamente. Quero que se porte como se fosse a minha amiguinha.
- Então esse é o motivo do presente.
- Um pequeno presente por um sacrifício tão grande? Não, Narcissa. Eu sei que o seu preço é bem mais alto... Quanto à visita, eu terei que ficar em dívida. O que eu quero de você é algo bem mais simples, e mutuamente benéfico.
- E o que seria?
- Eu preciso que você controle a sua irmã. Veja bem, desde que meu pai começou a acreditar que estou conquistando você, eu tenho ganhado muito. Por mim, o mantenho nessa ilusão até a minha saída da escola, em um ano, quando eu mesmo passarei a me sustentar. Se ele souber dos rumores... a mim parece óbvio que ele não quererá mais a união da minha família aos Black.
A jovem franziu o cenho, confusa.
- Rumores? Bellatrix fez algo?
Lucius a olhou, com um óbvio brilho de escárnio.
- Oh, Narcissa, você está estudando demais para os NOMs. Você não soube que Andromeda foi vista aos beijos com aquele sangue-ruim, Theodore Tonks?
A notícia atingiu fortemente a herdeira Black. Poderia ser verdade? Ela sabia que Andromeda estava escondendo um segredo; mas jamais imaginou que pudesse ser algo tão hediondo. Logo Andromeda, que nunca fizera nada para manchar o nome da família; que sempre teve um comportamento exemplar.
Por um momento, ela não conseguiu dizer nada.
- Você tem certeza?
- Esse é o comentário. Você não notou que o resto do time está a evitando? Ou o seu Hemingway é tão bom que lhe cegou para a desgraça da sua própria família?
- Eu... Erm... Eu tenho que ir. Falarei com ela mais tarde, Lucius. Pode ter certeza que também tenho interesse em dissipar esses rumores.
Atordoada, ela deixou o campo de quadribol sem maiores explicações.
As horas seguintes foram totalmente dedicadas a ouvir as mais variadas versões do rumor – aparentemente, Narcissa era a única que ainda não o conhecia. Não duvidava que Ludovic também tivesse ocultado dela aquelas informações.
De estupefata Narcissa tornou-se triste. Então envergonhada. E, por fim, quando Andromeda entrou no Salão Comunal da Sonserina, a mais jovem Black estava furiosa... e o seu semblante a denunciava.
- Ah, merda, você também ouviu.
Narcissa levantou-se e se aproximou da irmã, segurando-a pelo pulso e a arrastando para um canto vazio do salão, onde poderiam ter alguma privacidade.
- Sim. Todos já ouviram! Andromeda! Um sangue-ruim?
Andromeda rolou os olhos e pôs um sorriso em seus lábios; mas Narcissa podia ver que aquele sorriso não chegava aos olhos da irmã.
- Cissy, por Merlin! Você realmente acha que eu seria capaz?
- Eu não sei! Seria? Andromeda, você está noiva!
- Eu sei disso. E eu prometo que me tornarei a digna Sra. Yaxley ainda esse ano.
- Se o seu noivo não ouvir que a prometida está aos beijos com um... – As palavras eram amargas como fel. – Sangue ruim.
- Olhe, as pessoas aqui exageram. Todos disseram que você estava tendo um caso com Lucius, e você não estava.
Narcissa respirou fundo, tentando se acalmar. Andromeda tinha razão; aquilo tudo poderia ser uma mentira. A sua irmã era uma Black e, como tal, merecia o benefício da dúvida.
- Então o que aconteceu, exatamente? De onde esse rumor surgiu?
- Bem, eu tive que dar a Theodore a notícia da morte dos pais dele. – A voz estava firme, mas Narcissa percebeu que a irmã tamborilava os dedos. Ela sempre fazia isso quando estava prestes e mentir. – Ele ficou devastado, é claro... e nós somos amigos, então eu o abracei. Ele não estava esperando isso, por motivos óbvios, e a minha boca esbarrou de leve na dele. Foi só isso.
Ela sorriu – um sorriso obviamente fabricado, onde o lado esquerdo dos lábios se erguia um pouco mais que o direito. Mais um sinal de embuste. Narcissa respirou fundo, envergonhada e irritada. Depois de tantos anos, Andromeda já deveria saber que não conseguiria mentir para as suas irmãs.
- Então você não tem um caso com ele?
- Não! – Rápido demais. Defensivo demais. Pelo menos ela tinha a decência de se envergonhar. – Você está paranóica! Eu sou uma Black!
Narcissa assentiu.
- Sim. Você é uma Black. Estar ao lado dele deve fazer a sua consciência pesar.
- Eu não-
- Você o ama?
Andromeda a olhou por um tempo, seu sorriso falso aos poucos morrendo e dando lugar a uma expressão triste e sincera. Os seus olhos se encheram de lágrimas e, finalmente, ela confessou:
- Sim.
Narcissa sentiu-se fisicamente enjoada. Desviou os olhos – não conseguia olhar para a irmã sem imaginá-la beijando aquele sangue-ruim.
- Esqueça-o. Enterre esse sentimento.
- Eu irei.
- Irá, sim, porque não é a sua vida que está em jogo! É o meu nome! É o meu futuro, e o futuro de Bellatrix! E eu juro por Merlin, Andromeda, eu prefiro lhe ver morta a ver o nome da nossa família arrastado na lama! Termine esse romance. Antes que seja tarde demais.
XxXxXxX
Para a alta sociedade bruxa, o matrimônio é um contrato; uma união de bens e influências consubstanciada numa união de pessoas. Desde muito cedo os seus membros eram treinados para aceitar a idéia de que a paixão era inimiga da tradição; e que valores eram mais importantes que sentimentos. Assim, apesar dos avanços sociais trazidos pela década de 1960, ainda era comum que jovens voluntariamente ingressassem num casamento sem amor.
A união de Viola Goyle e Graham Nott, que naquele momento acontecia, era um grande exemplo da tradição superando o amor. Bellatrix Black era uma amiga próxima de ambos os nubentes: Graham já lhe confidenciara que não sentia atração alguma por sua noiva, e Viola, numa transgressão mais grave, por diversas vezes pedira a Bellatrix que encobrisse seus casos ilícitos. Ainda assim, no momento em que tiveram que fazer os seus votos no altar, eles se preocuparam em sorrir e parecer felizes. E, quando deixaram o quarto onde consumaram os dois últimos votos – fidelidade e paixão –, carregavam em seus rostos um ar de inegável satisfação.
Na platéia, todos fingiam acreditar que aquele casamento seria longo, feliz e proveitoso. E, em júbilo, levantavam-se a saudavam o novo casal com palmas – tal qual mandava a tradição.
Ao lado da sua mãe, Bellatrix suspirou e tomou um gole do seu vinho, recusando-se a aclamar aquela farsa.
- Eu sempre me perguntei como as mães se sentem nesse exato momento – Druella comentou com a voz ligeiramente alterada.
- Em que momento?
- Esse. Quando a jovem deixa o leito nupcial de mãos dadas ao novo marido ostentando todos os quatro elos. – Druella se referia aos laços de energia azulada que ligavam o pulso direito do noivo ao pulso esquerdo da noiva, denunciado a consumação dos votos matrimoniais. – No meu casamento eu não pensei, nem por um segundo, em como minha mãe se sentiu ao ver que a filhinha dela se tornara mulher. Mas, agora, percebendo que o momento em que as minhas próprias filhas se casarão se aproxima, começo a ressentir essa tradição em particular.
- Você tem uma filha que já passou dos vinte e ainda está solteira. Mamãe, você deveria rezar todos os dias para o seu Deus, pedindo que eu faça esses votos logo!
Druella deu um meio sorriso.
- Eu? Não. Por mim você e as suas irmãs ficariam sob minha asa por mais alguns anos. Já o seu pai, mesmo dizendo que não acredita em minha religião, reza um rosário toda semana, pedindo pelo noivado de vocês. – Ela riu, bebericando a sua taça. Os aplausos cessavam, agora, e os familiares começavam a se aglomerar ao redor dos noivos a fim de parabenizá-los. As duas Black sentaram-se novamente em suas cadeiras. – Ele ficou tão realizado quando Andromeda o pediu para lhe arranjasse um marido... Eu ainda não me conformei com esse maldito noivado. Yaxley é tão velho!
- Ah, mamãe, Nathaniel é muito bonito! E dezessete anos não é uma diferença de idade imoral: Abraxas Malfoy é quase trinta anos mais velho que a esposa, e ele nunca foi motivo de fofocas... bem, não por isso.
- São mundos diferentes, Bellatrix. Interesses diferentes, amizades diferentes, gostos diferentes... Yaxley é um homem feito; ele já teve experiências demais! A sua irmã está começando a vida agora!
A mente de Bellatrix imediatamente visualizou Lorde Voldemort, tomando as palavras da mãe como se tivessem sido dirigidas a ela própria, e não ao repentino noivado de Andromeda. Como de costume, o seu coração apertou.
Desde o desastroso encontro em que Lorde Voldemort lhe faltara com respeito, há quase uma quinzena, Bellatrix lutava para tirá-lo dos seus pensamentos. Ele não a merecia – disso ela estava convencida. Ela era uma Black: a nobreza entre os bruxos europeus. E ele? Qual era a descendência dele? Que família era essa – Voldemort – que não estava nos livros de história? Ele não possuía direito algum de tocar a pele de uma Black...
Mesmo que a Black em questão estivesse apaixonada.
Voldemort estava fadado a ser um bruxo importante, sim. Mas ele jamais seria maior que o sangue que Bellatrix ostentava. Seus deveres eram mais importantes que o seu coração.
- Você ficou quieta de repente, minha querida.
Bellatrix olhou para a mãe, tentando esboçar um sorriso.
- Estava pensando na escolha de Andromeda. Por que somos contra a idéia de um casamento arranjado, mamãe? Graham e Viola parecem felizes. E eu sei que você e papai não se conheceram até a véspera do matrimônio.
- Realmente, filha, eu não conhecia o seu pai. Eu fui tirada da Marselha e arrastada para esse país frio e úmido. Então me puseram num vestido branco e me entregaram a Cygnus; fizeram-me prometer que eu o amaria e lhe seria fiel. Você pensa que eu senti amor por ele, na primeira vez que ele me tocou?
A jovem balançou a cabeça.
- Eu procuro não pensar nisso.
- Pense. Eu senti dor, eu senti medo, eu senti asco, eu senti humilhação... mas amor? Não. Eu não senti amor por meses.
- Mamãe...
- Não me leve a mal: eu amo o seu pai! Apaixonamos-nos depois que eu engravidei de você e ele parou de visitar o meu quarto: foi quando nos conhecemos sem outras... obrigações. Mas os primeiros meses do meu casamento foram um martírio! Algo que eu jamais desejaria para as minhas filhas!
- Mesmo para mim? Mesmo considerando a minha última escolha de pretendente?
Druella calou-se por um tempo, como quem escolhesse cuidadosamente as suas próximas palavras. Por fim, suspirou, tomou um grande gole do seu vinho e tomou a mão da filha com a sua.
- Qualquer pretendente escolhido por seu pai e eu seria um marido melhor do que o homem que você ama. Mas, minha querida, eu jamais trocaria um infortúnio por outro.
- Ele jamais se casará comigo.
- Eu sei. Eu sempre soube.
- O que eu faço, mãe? Como tirar ele da minha cabeça?
- Você coloca outra pessoa em seu coração.
Bellatrix assentiu lentamente.
- Eu sou uma Black. Eu tenho meus deveres... e eu não decepcionarei a nossa família. Mamãe, marque as minhas palavras: eu me casarei antes de completar vinte e dois. Chega de noivados infrutíferos e de paixões impossíveis.
- Então... é melhor que você se apresse. Aproveite que a festa tem muitos jovens solteiros e escolha um. Você nunca teve problemas em fazer os homens apaixonarem...
A jovem Black apenas observou a sua mãe sorrir e levantar-se, com o pretexto de ir à busca de mais vinho.
Bellatrix sabia que Druella se preocupava... e ela tinha motivos, depois das inúmeras decisões erradas que Bellatrix tomara desde que completou os seus dezessete anos. A paixão que a jovem nutria por Voldemort era uma das grandes decepções da mãe – que tinha certeza de que o homem limaria todas as chances de felicidade da sua filha.
Era fácil ver que a recente decisão de Bellatrix trouxe o mais puro alívio para o coração de Druella. E era, também, fácil ver que a matriarca Black achou por bem compartilhar as boas novas com as amigas tinham filhos solteiros: pouco antes de o jantar ser servido, Bellatrix começou a ser abordada por jovens que lhe chamavam para dançar. Ela aceitou a companhia de todos; esperando que um a encantasse... O que não aconteceu.
De fato, a única companhia que ela achou agradável foi a de um homem comprometido. E proibido para ela.
Na primeira vez em que Bellatrix pôs os olhos em Nathaniel Yaxley ela tinha apenas nove anos de idade. A então criança logo confidenciou à mãe que um dia se casaria com aquele rapaz, que a ela parecia tão bonito. Hoje, onze anos mais tarde, Nathaniel se tornara um homem atraente – com sua altura imponente, cabelos cheios e claros e olhos verdes. Andromeda tinha sorte.
- Srta. Black. Suponho que não se lembre de mim?
Os lábios de Bellatrix se curvaram num sorriso inesperado.
- Nathaniel Yaxley. Pensei que você só fosse deixar a Alemanha na véspera do casamento.
- Não resisti à Terra da Rainha. Estou aqui desde as negociações.
- E pretende continuar?
- Permanentemente – Ele sorriu galantemente e tomou a mãe direita de Bellatrix com a sua, beijando-lhe. – Estranho: não vejo nenhum diamante em seus dedos.
- Eu não tenho nenhum compromisso no momento.
- Mesmo? O seu pai me disse que a única filha que ele tinha disponível era Andromeda. Isso é... decepcionante. Eu preferiria alguém com uma idade um pouco mais próxima à minha.
- Então você não procura nenhuma das garotas Black. As últimas lembranças que eu tenho de você são da minha infância.
- Boas lembranças?
Bellatrix franziu o cenho, percebendo enfim que o futuro cunhado ainda segurava a sua mão. E que ele sorria o tempo inteiro. E que ele projetava o corpo em direção ao dela.
Ele estava flertando.
E Bellatrix não sabia bem se era porque aquilo era errado, imoral, proibido... O fato é que, pela primeira vez na noite, ela se via gostando de uma companhia. A sua consciência clamava para que ela pusesse um fim naquela conversa... mas as suas palavras lhe traíram, ao responder à pergunta:
- De certa forma. Se bem me recordo, por dois anos inteiros eu assinei como Bellatrix Yaxley. – Nathaniel sorriu maliciosamente. – Oh, não se vanglorie! Eu tinha nove anos, e você era um jovem de vinte e três que parecia ter saído das páginas da minha Teen Witch. Agora eu cresci, estou no auge da minha juventude e você... não mais.
Nathaniel riu e deu um passo em direção à herdeira Black. Aquilo tinha que parar.
- Eu proponho fazermos um agrado à criança que um dia você foi. Por que não dançamos um pouco?
- Não seria educado recusá-lo; você será o meu cunhado, afinal.
Ainda segurando a mão de Bellatrix com a sua, ele a guiou para o centro do salão.
Oh, aquilo era muito, muito errado. Bellatrix não deveria estar gostando da mão de Nathaniel em sua cintura, nem da forma como o corpo dele se moldava ao dela. Ela não deveria estar encantada pela voz grave com um sotaque de quem passou muitos anos sem falar inglês, ou sentir arrepios quando ele falava gracejos em seu ouvido. Ela, definitivamente, deveria se sentir incomodada com os olhares furiosos que os seus pais lançavam a ela, do outro lado do salão.
Mas ela só sentia vontade de rir.
- Eles pensam que estou roubando o noivo da minha irmã. – Ela comentou.
- Quem?
- Meus pais.
Nathaniel riu-se, puxando-a para mais perto.
- Deixe que pensem. Quando estávamos tratando do casamento eu pedi especificamente pela filha mais velha; não queria uma menina que acabara de sair da escola.
- Oh. Então você deveria ser meu noivo?
- Esse era o meu desejo. Especialmente depois de saber que você é a protegida de Lorde Voldemort. Isso significa que você será grande.
Bellatrix o olhou.
- Você é...?
- Ter a Marca Negra foi uma das condições que o seu pai colocou para o noivado. Ele só quer o melhor para as filhas. E eu já vinha querendo me juntar ao exército de Voldemort há algum tempo, então juntei o útil ao agradável.
- Então... você já deve ter me visto alguma vez, na casa dos Avery.
- Sim. E eu logo quis trocar de noiva.
A jovem corou furiosamente.
Por sorte, naquele momento a música terminava e, num momento de sanidade, Bellatrix decidiu que aquele era a ocasião ideal para se afastar do seu futuro cunhado. Então, ela educadamente lhe sorriu, agradeceu pela dança e deu meia volta...
Só não esperava encontrar ali, parado tão perto dela, Lorde Voldemort. O seu corpo quase esbarrou no dele, e, no momento em que os seus olhos encontraram os dele – naquela noite impossivelmente vermelhos – o seu coração deu saltos.
Por Merlin, ela sentia a sua falta!
- M- Meu Lorde!
- Srta. Black. – Ele cumprimentou friamente. E os seus olhos não estavam mais nos de Bellatrix. – Yaxley, será que eu posso roubar-lhe a jovem Black por uma dança?
Nathaniel reverenciou brevemente Lorde Voldemort lhe entregou a mão de Bellatrix.
Ela teve que fechar os olhos ao sentir novamente o toque frio.
Com as suas vontades totalmente dominadas, Bellatrix teve a sua cintura enlaçada firmemente e logo era novamente conduzida em outra dança.
- Todos estão comentando que a mais difícil das garotas Black está novamente procurando por um noivo.
Bellatrix o olhou, tentando se apegar a sua fúria e ao seu rancor... Mas era difícil, quando ele a admirava com tanta intensidade; quando a voz dele demonstrava afeição – ainda que disfarçada.
- Eu estou. Preciso me casar enquanto ainda tenho a minha beleza.
- Espero que você saiba que o homem que há pouco a olhava com luxúria é o noivo da sua irmã.
- Me olhando com luxúria? Muitos me olham assim. A diferença é que homens como Nathaniel e tantos outros, apesar de me desejar, me tratam com respeito.
Voldemort assentiu e, por um tempo, se calou. E ele não a olhava quando, com um tom duro, finalmente disse:
- Me desculpe.
O coração da jovem disparou – uma explosão de felicidade, surpresa e... e amor. Ela o amava. Por Merlin, aquele era Lorde Voldemort! Aquele era o homem que guiaria a comunidade Bruxa à glória! Ele não deveria pedir perdão por nada!
- Como você disse?
- Eu agi errado. Não estou acostumado a tratar com mulheres da sociedade. Conviver com você é algo novo para mim e, às vezes, eu esqueço que estou ao lado de uma Black. Eu não sei esconder que a desejo; e não estou acostumado a ter os meus desejos negados. – Ele enterrou o rosto nos cabelos de Bellatrix e respirou fundo. – Eu quero você. Já fiz cópias suas para me satisfazer, mas elas não têm o seu espírito. Isso está me enlouquecendo.
Bellatrix mordeu o lábio com tanta força que chegou a sangrar. Aquela não era uma conversa apropriada! Mas era impossível ignorar o calor que as palavras do Lorde provocaram em seu corpo.
- Meu Lorde, por favor...
- Eu sei que você também quer! Venha comigo! Agora!
- As minhas responsabilidades-
- Danem-se! Se você ficar ao meu lado, você estará além das convenções! Além da sociedade! Você não vê isso?
Não... Aquilo não era verdade. Ela não podia se deixar levar... Ela era uma Black...
- Mas eu quero as convenções sociais. – Ela sussurrou, incerta. – Eu quero um marido, e filhos, e uma reputação.
- Pois bem: qualquer um nesse salão! Escolha, diga o nome... e ele será seu! Você terá o seu marido, e a sua imagem... mas à noite você será minha.
Ele se pressionou fortemente contra a jovem, e o fino cetim do seu vestido deixou que ela o sentisse. O ar escapou do pulmão de ambos.
- Qualquer um?
- Sim.
Bellatrix o olhou, desafiadora.
- Você. Eu escolho você para ser o meu marido. Para ser o meu primeiro homem. Para ser o único... Você não quer isso? Ser o único a me tocar?
- Bellatrix...
- Se você me desejasse tanto quanto diz, não suportaria a idéia de me dividir.
- É a única maneira. Eu não posso me casar; eu não posso dividir a minha criação.
A jovem desviou o olhar, sentindo que as lágrimas começavam a querer surgir.
- Então você não pode me ter.
E a música terminou, exatamente naquele momento oportuno. Bellatrix desvencilhou-se dos braços possessivos de Lorde Voldemort.
- Bellatrix...
- Obrigada pela dança.
- Ao menos vá aos nossos encontros! Você tem tanto potencial, e tanto a aprender!
Bellatrix não respondeu; apenas respirou fundo e deixou Lorde Voldemort na pista de dança. Naquele momento ela estava determinada a nunca mais procurar aquele que um dia fora o seu mentor... Ela tinha que manter o seu coração aberto, agora que buscava um noivo; e a presença de Voldemort em sua vida apenas a atrapalharia.
O seu dever, como uma Black, era esquecer Lorde Voldemort.
XxXxXxX
Não, eu não morri. Não chorem por mim! =P
Gente, então, eu tirei férias. Do natal ao carnaval nem foram férias de VERDADE: estava organizando o casamento da minha irmã, e não tive tempo nem de respirar. Passada a festa, veio o carnaval, veio Olinda, veio a gripe que tentou me matar! E, depois, tentei organizar a minha vida (tudo o que eu atrasei, inclusive a fic).
E o cap está pronto! =D
Não se preocupem, que eu n vou levar outros três meses pra atualizar!
Enfim... Bjus e mais bjus para as lindas que comentaram o cap passado: Jessica Souza, Charlotte Rosier Black, Luiza Almeida, Lois, Shakirinha, Siremele, Kinha Black, Lia Croft, BarbieProngsPotterSalvatore e SlytherinCarol. E também pro pessoal do Nyah: MissCaroline, Anassis, Mah, Hillary Bellavigne, Kamilla Riddle, Ana T, CrC, Leh-Chanx3, Brendhoka e Taty-Magnago.
Ah! Prox semana devo começar uma tradução. Alguém aqui lê Uma Canção de Gelo e Fogo? Se sim, eh SanSan de coração? =DD
