OMG! Não acredito que finalmente...FINALMEEENTE! Consegui acabar esse capítulooo!
- Solta fogos de artificio -
Céus! Que felicidade! TT_TT Acrediteeem! Estou a quase um ano com esse capítulo na mão XDD''
Foi definitivamente o mais difícil de escrever... E talvez seja o mais longo! XD E com um final que...
Bem...Vocês logo vão saber ;D
Esse capítulo vai dedicado a minha carioquinha 3, a Hun-chan, a Maya, e a todos que acompanham e me mandam reviews para me ajudar com essa louca história! *-*
Aos que não mandam review...Ainda assim, valeu ;D
Espero que gostem! - Saltita feliz -
Capítulo 10º Coisas como fantasmas em Brasília
Uma importantíssima reunião acontecia em Brasília de fato ao ver era tão importante que os Estados se mantinham sumamente concentrados nela.
- EU JÁ DISSE -Berrava Brasília ao fim da reunião fazendo todos se aquietarem enfim e tomarem atenção finalmente em sua capital, que por sinal era o motivo e razão da importante discussão
- NÃO TEM FANTASMAS NA ESPLANADA DOS MINISTERIOS E POOOONTO FIIINAAAL!
...Ao seu jeito, claro. Essa era a importante discussão...
-.-.-.-.-.-
Era a vez de Roraima falar no encontro Estadual, e de fato, o jovem do norte falava, expunha sua opinião sobre o tema daquele encontro, e todos os Estados prestavam fiel atenção no que ele dizia.
...Aham, claro.
- Amazonas também acha que...
- Ei...Tu ouviu sobre o que veio a acontecer ontem? - Chamava Rio Grande do Sul.
- Ontem? Ah...Sobre as moças da limpeza? - Paraná colocava a mão no queixo pensativo.
- Ouvi que as raparigas ouviram vozes - Juntou-se Santa Catarina.
- E não havia mais ninguém lá além delas...
- Quando isso? - E Mato Grosso do Sul...
- De Madrugada, hunf, político trabalhando que não era - ironizou São Paulo.
- ZzZzZzZzZzzzzZZzzzZzz - Essa era Bahia...
- Soh, qui historia mal contada ... - Minas não pode deixar de ouvir.
- Vozes e algo quebrando-se sozinho, foi o que eu ouvi - E claro que Rio não ficaria para trás.
- Ocês tem certeza disso? - E Tocantins...
- Visse, fantasmas? - ...Pernambuco
- Haha, será que não é nenhum Viciado em trabalho que nem ceeerto Estado - Ceará e suas brincadeiras.
- Cale a boca Ceará! - Sem comentários
– ZzZZzzzZZZzzzzZ
- Eu penso que é mentira... - Espírito Santo...Embora na verdade só Minas e Rio chegaram a ouvir...
- Será roubo? - Sergipe
- Chará, também acho que são fantasmas - Rio Grande do Norte.
-...Tô falando que é mentira... - ES mais uma vez...
- Véio, Brasília é só um muleque, mas é bem capaz de...
- Capaz de...? - Fizeram uníssono mais de um ali presente...
- ...De a Esplanada dos ministérios ser assombrada...
- Talvez lá fosse um antigo cemitério Indígena... - Pará
- Por que todo o lugar assombrado tem que ser um cemitério indígena? - Espírito Santo tornando a fofoca.
- Pode ser algum concorrente que mato outro lá...E agora sua alma quer vingança! - E a Amazonas.
- Você só quer inventar uma teoria mais impressionante que a minha! - Acusou Pará a morena...
- Há, não tenho culpa que você não tenha imaginação! - Retrucou a jovem...
- ...Não pode ter sido apenas alguém que esqueceu alguma coisa? - E o capixaba outra vez...
- Podi sé Espírito Santo...Podi sé - Minas comoveu-se com a tentativa de seu amigo para ser ouvido
- Tche, odeio ter que concordar com São Paulo, mas também acho...
- ...E essa foi minha opinião sobre o assunto...- Terminou sua dissertação o Estado do norte, não tendo mais a atenção nem mesmo dos vizinhos...
-...JÁ CHEGA!
-.-.-.-.-.-
E assim, um por um os Estados foram se retirando da totalmente inútil reunião...Ou quase todos...
- Sul, Sudeste - Chamou seco a Capital -...E alguém por favor, acorde Bahia...
Minas Gerais adiantou-se pelo bem da própria bahianin, enquanto os outros seis paravam de arrumar suas coisas por terem sido chamados.
- He? O que foi dessa vez? - São Paulo desligava o celular algo irritado como sempre, ao menos seu mau humor habitual já mostrava sinais de retorno. - Seja lá o que for não é minha culpa!
- Minhah muitho menôs! - Tentava falar o carioca com documentos na boca.
- Hohoho, que consciência pesada heim - O Gaucho provocou sorrindo.
- Não enche ô do lacinho vermelho
- Quer uma pelea é?
- Pôde vir!
- Pode vir o caramba! – Meteu-se o carioca – Tu está doente brô!
- Tenho força suficiente para dar-lhe uma na fusa desse viado!
- Ai~ Que soninho bom~
- QUEM ÉS VIADO AQUI!
- PARÉM JÁ COM ISSO! - Metia-se o mais novo, vendo como vizinhos seguravam vizinhos para evitar um quebra-quebra - Vocês vão ficar aqui! Até de madrugada, como castigo por começ-
- HEEEEE?
- Nem pensar ! Eu tenho um encontro hoje! - Adiantou-se insatisfeito o paulistano.
- Um encontro? - Exclamou inconscientemente Rio. – Como assim "um encontro"?
- Há, quem iria a vir a querer um encontro com um Workaholic?
- Não é da sua conta!
- Sampa tem uma rapariga!
-...!
- Calmá Brasilia, oía o coração...
- Por que eu e Minas temos que pagar pelo que os outros fizeram? - Questionava o pobre invisível do lugar.
- NÂO QUERO SABER SE VOCÊ TEM UM ENCONTRO, NEM QUE SEJA COM A RAINHA DO INGLATERRA, VOCÊS TODOS VÂO FICAR AQUI, E VÂO ENTRAR COMIGO NA DROGA DA ESPLANADA DE MADRUGADA! E VOU PROVAR QUE A MERDA DESSE LUGAR NÂO É ASSOMBRADA!
- Tá ligado que a "droga" e a "merda" que tu ta falando é tu mesmo né?
- Rio...Num provoqui se não...
-S-s-SEEEEEEEEEEEEEEEEEEEUS!
- VÁ EXPLODIIIR! CORRRAAAAM! - Assustou-se a baiana, tendo sua capital vermelha como um guaraná como primeira imagem ao acordar.
É por isso que esse país é assim...
E então, ficou combinado, para o bem dos ouvidos de todos os presentes, que ás 15 para meia noite, todos eles se encontrariam na entrada da Esplanada, resolver esse assunto de uma vez por todas...
E assim...
- O plano é seguinte, vamos nos separar em pequenos grupos, cada um vai para uma direção, e quando for duas e meia da manhã, nós encontramos de novo aqui na frente e...- A 'imponente' capital explicava o que iriam fazer, iluminando o rosto com uma lanterna dando-lhe um ar um pouquinho, muito, assustador.
- Não acredito que perdi meu encontro pra isso...
- Mas tu não iria de qualquer forma, estando doente. - resmungava o carioca de cara fechada.
- Qual o problema? Não estou tãao mal assim! A crise não me pegou tão forte!
- Tu quase caiu quatro vezes a caminho daqui tropeçando no próprio pé!
- I-isso não quer dizer nada!
- ...Tu não ia, e ponto.
- Desde quando cê manda em mim?
- Enquanto tu morar em baixo do meu teto, tu tem que respeitar as minhas regras! – Anunciou cruzando os braços sob o olhar venenoso do paulistano.
- ...Então eu quero um relatório de tudo, t-u-d-o, que vocês encontrarem de suspeito essa noite!
- Relatório? - Exclamaram todos em uníssono.
- Exatamente, assim vão aprender a não ficar inventando fofocas no meio de uma importante reunião!
E dessa forma começaram a separar os grupos...Ou tentaram começar, ao menos...
- Deviamos tirar dois ou um!
- Que tal "Minha mãe mandou?"
- Roleta Russa!
- Espera, alguém disse roleta russa?
- Impressão sua Brasília, impressão sua... - Respondia Minas olhando feio para o "inocente" Santo.
- Por que não separamos por altura? - Sugeriu a catarinense.
- ...Podia jurar que ouvi alguém dizer roleta russa...
- Que quer dizer Santa? - perguntou Rio de Janeiro antes que o capixaba pudesse voltar a sugerir sua ideia de escolha.
- Eu estou a concordar com a ideia da roleta com sorte cai em tu, heim paulista? - provocou Rio do Sul.
- Pois é 'gauchinho', e eu faria uma festa se acertasse a sua testa, meu caro.
- POIS...!
- ESQUEÇAM ISSO DE ROLETA RUSSA! - Berrou Brasília, embora tenha sido ele a questionar tal ideia. Ô povo confuso esse.
- Povo estraga prazeres...
- Santo...Pôr fâvór...
- Ô xente, por que num escolhemos com quem queremos ir? - Propôs à baiana bocejando.
Todos os olhares se voltaram para a jovem negra de quase quinhentos anos, que trazia consigo uma bolsa branca bordada, o qual podia facilitar a visão do conteúdo. Todo o tipo de ervas, essências, galhos, flores, e outras coisas que os outros nem desconfiavam o que era para espantar maus espíritos..
Ah, sem contar os tantos colares para todo o tipo de oração.
- ...É...Até que pode ser uma boa id- Porém antes que o mais jovem pudesse concluir a frase...
- Eu quero ir com Bahia! - Anunciava quase todos os presentes, com exceção de Minas e ES.
- Mas heim?
- Veío, ela deve ter um quite completo de exorcismo dentro dessa bolsa...
- Brô, uma das coisas dela deve servir contra fantasmas
- ...Não acredito exatamente nisso de fantasmas...Mas...É bom prevenir - Colocava Paraná.
- Um quite exorcismo? Deve de ter quase um esquadrão ali a dentro! -Anunciava a catarinense
- Eu só não quero ninguém a incomoda-la - Impôs o gaúcho - ...Mas o que ela traz...Não estou a dispensar...
- Oxi neginhos, assim cês me deixam sem graça~~! - Brincava a Bahia.
Por um fugaz momento, Brasília começou a considerar o da roleta russa, mas com um revolver cheio...
- Hmm.. Bahia, como posso dizer-te...- tentava explicar o homem do sul - Isso não foi...Exatamente um elogio...
- Gente...Pôr favór - tentou se meter Minas antes que a situação explodisse, pra variar - Si essi lugár é máh assombrado ocês ja acordaram com essa barulheira todas as assombrações qui tinham aqui sóh!
E quase imediatamente o silencio foi recobrado junto a alguns calafrios, pois o mineirin havia falado tais palavras com a lanterna de Brasília iluminando o rosto.
- Certo então...- Continuou Brasília respirando fundo, e tomando sua lanterna de volta - ... Santa Catarina, qual era sua proposta?
- ..Ah...É dividirmos nos em grupos por altura...Quero dizer-lhes... Os mais altos, os médios de estatura, e os menores...Algo como isso...
- É uma poss-
- NEM PENSAR! - Quase berraram juntos São Paulo e Rio Grande do Sul, assustando os demais.
- Desculpe-me irmã, mais não vou a aceitar isso! - Deu um passo para frente o gaúcho, lançando um olhar insatisfeito ao paulista.
- Pois eu concordo com o viado ai! Nem pensar uma coisa dessas! - Também deu um passo a frente São Paulo ficando ao lado do sulista. Eram quase da mesma altura
- Tu me chamas-te de que teu filho de-
- Filho de que hã? - Encarou de frente - Lembra que meu pai é o mesmo que o seu criatura!
- Parem já COM ISSO DROGA!
- Oxê, pur tamanhó eu acho qui eu ficaria com cê Mininhas - perguntava feliz a baiana ignorando olimpicamente a briga dos outros dois.
- Uai... Acho qui ocê ficaria com a Santa - Comentava o mineiro observando a estatura de todos - Eu acho qui ficaria cum Rio
Virou-se para o vizinho, que também analisava interessadíssimo a altura dos companheiros, nunca tinha parado pra pensar nisso de altura.
- ...Espera... - Declarou de repente, caminhando em direção dos dois que estavam ao ponto de começar ma lutar um com o outro, tamanho era o nível de desaforos.
E Brasília pobre baixinho tentava superar esses 16 centímetros de diferença e separar esses dois antes que se matassem.
E como se não fosse nada, o de janeiro aproximou-se...
- TU QUE ERES SUSPEITO PAULISTA!
- AO MENOS EU NÂO USO UM LENCINHO GAY NO PESCOÇO GAÚCHO E...Que cê ta fazendo? - Parou de repente ao notar o carioca que parava a seu lado e olhava para o ombro de ambos, até mesmo Rio do Sul parou de discutir erguendo as sobrancelhas por tal ação.
O fluminense congelou no lugar onde estava.
- Tche...Paulista, acho que ele veio a desmaiar...
- ...De olho aberto?
- Como vou a saber? Vocês do sudeste tendem a ser tão estranhos...
- ...Odeio ter que concordar com você sulista...Mas... - Começa a cutucar a cabeça do vizinho - Rio? Alo? Cê ta ai...?
- Tu é...Mais...Alto? - Tentou falar o quase loiro descrente.
Silencio.
- Er...Sim
- ...Mas...Como? E quase um palmo!
Sete centímetros para sermos exatos.
- ...É... - Respondeu hesitante o paulistano, trocando olhares estranhados com o gaúcho.
A ex-capital saia desconsolada sendo observado pelos dois intrigados Estados mais altos...Bem, ao menos a discussão havia acabado.
E Espírito Santo apenas obsevava distraidamente toda a cena e ladainha, o mais baixinho do grupo com seus 1,63.
- Eu não acredito que sou...Baixinho... - Resmungava o de Copacabana inconformado.
- Oxi Ríozínhu, num fica assim não meu rei...
- Uai Rio, num é ocê que é baixinho, eles qui são muito altos...Eu só menor qui ocê i nem falo nada, e por território eu divia de ser maior sóh!
- Certo, certo, já chega! – Intrometeu-se Brasília, aproveitando que São Paulo e Rio do Sul tinham parado de discutir devido à intromissão do carioca. - Vamos fazer só um sorteio mesmo!
- Amém - Acrescentou Espírito Santo.
E quem assim seja, com um panfletinho de um comercio local escreveram o nome dos estados presentes, dobraram os papeis, e Brasília misturou todos
- Muito bem, como somos nove, serão quatro sorteios, três duplas, e um trio, e não aceito QUALQUER OBJEÇÂO!
Embora, a atmosfera estava bem mais calma, a medida do possível claro. E Rio seguia inconformado.
- Eu simplesmente não acredito..
- Eu só não sei como cê conviveu comigo por tantos anos e nunca notou...
- Bem...Então vou começar
- Como notaria? Ô tu ta inclinado atendendo um celular, ou curvado mexendo naquele teu computador, o sei lá! Tu não para quieto seu hiper-ativo! Mesmo doente...Como eu ia perceber?
- Vocês me ouviram?
- Hiper-ativo? Eu só me importo, e me empenho no trabalho! O contrario de ceeeertas pessoas que ficam gastando tempo com as pernas pra cima na areia!
- Ei! Escutem!
- Eu não fico de pernas pra cima na areia! E muito menos gastando o tempo a toa! Mas relaxar é importante também, mas claaaaro, tu nem deve saber o que é isso!
- ...Argh...
- É-é claro que sei seu idiota!
- Ahaaaam, claaaaro!
- Esses dois...!
- Brasília...Sério, se você for esperar os dois te darem atenção, ficaremos aqui até o natal... - Tentou por razão Paraná.
- ...Certo... - Concordou com desagrado, e pegou os dois primeiros papeis - Hmmm... Paraná...
- Claro que eu sei! Mas na hora certa!E não mato trabalho pra isso!
- ...E Minas Gerais.. - ES soltou um suspiro de decepção ao ouvir tal dupla.
- Eu não mato o trabalho!...Bem... Mais é raro eu fazer isso!
A capital então pegou outros dois papeis.
- Raro? Aaaah claro, qual sua definição de raro? Tipo padaria de português, hã?
- Rio Grande do Sul...
- Eu só não exagero como tu, seu workaholic!
- ...E Rio de Janeiro - Rio Grande do sul soltou um suspiro de decepção ao ouvir tal dupla, também.
- Eu não sou workaholic!
- É sim... - Resmungaram em voz baixa todos os presentes.
- ...Última dupla...São Paulo...
- Magiiiiiiina, claro que não é, e eu sou a rainha do Inglaterra!
- E...Hmmm... Espírito Santo?
- A merda, pra isso lembram de mim, né? - Exclamou sem conseguir se conter o menor do grupo recebendo o consolo de Bahia e Minas.
- Pois, se é assim, cê devia voltar lá pros velhotes do velho mundo, vooossa alteza!
- E o trio serei eu, Bahia, e Santa Catarina.
- Aêee! Eu cai com a Bahia!
- Não é justo! Tu só a feito isto para estar junto à Bahia! - Alegou o gaúcho.
- Claro que não! Que sentido tem isso?
- Eu exijo uma recontagem! - E Espírito Santo...
- Num acho qui vão te ouvir Santo...
- Oxi, pequenu, num fica assim náo...
- IDIOTA!
- SURFISTA BARATO!
- METIDO A ORIENTAL!
- METIDO A GRINGO!
- Tu estas com as únicas gurias deste grupo! Trapaça!
- Também acho!
- EXIBICIONISTAAA!
- Exigimos democraciaaa!
- JÁ CHEGA! ISSO É UMA DROGA DE SORTEIO! NÂO UMA ELEIÇÂO! E PAREM VOCÊS DOIS E VÂO LOGO COM SUA DUPLA!
- SEE-...Dupla...Que dupla?
- Ah, agora ouviram né...Seus...Seus. ...
- Brasíiilia, ô o coração...
-.-.-.-
Sendo assim, cada qual grupo se separou dentre as dependências da grandiosa, e escura construção...
Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro
Os dois quase compadres de nome caminhavam por um longo corredor, todas as luzes estavam apagadas, e a única fonte de iluminação provinha de uma potente lanterna que o gaúcho carregava.
- Ainda não entendi por que eu também não ganhei outra lanterna... - Resmungava o carioca.
- Tu não ganhas-te uma para não vir a brigar usando-a.
- ... - Depois disso o fluminense desistiu de seu depoimento de defesa, ainda um pouco emburrado não que tivesse essa intenção, claro que não... Não era como São Paulo...Ou quase.
- Hmmm... De Janeiro...
- Pode me chamar só de "Rio" mermão...
- "Mermão" ... ?
Silencio...
A conversa deles era um tanto monótona... Talvez se começassem a falar mal do paulista, tivessem mais assunto.
O carioca olhou de esguelha para o meio irmão enquanto andavam, simplesmente por que estava tentando se distrair, aquele lugar vazio e de noite...Lhe dava...er...Receio, isso! Nada além disso, claro...
O loiro, no entanto, parecia preocupado com outra coisa, até meio sem graça, seus olhos azuis escuros olham para o chão enquanto andavam, sua pele branca tinha um ar até meio fantasmagórica devido a pouca luz, mesmo assim pode notar que estava um pouco vermelho também...
Além do mais, passava a mão livre por seus cabelos, de forma meio ansioso, bagunçando os curtos e lisos fios, porém o fiozinho único e solitário que sobressaia da frente de seu cabelo e caia pra seu rosto seguia imóvel...Por sinal, sempre achou aquele fiozinho muito estranho e engraçado e por algum motivo o gaúcho jamais permitia que ninguém tocasse nele...
Como Sampa costumava dizer, 'viadagem gaúcha'... E depois disso começava o maior quebra paú na sala de reuniões.
Mas, levando se em conta as últimas atitudes do sulista, tinha sérias dúvidas sobre sua 'viadagem'... Bem, não que o loiro não pudesse ser bissexual ou algo assim... Mas realmente não saberia dizer se o cara é gay...Puf...Santo tinha razão, seu gaydar é uma merd*...
E não pode estar admitindo algo tão gay assim!
-...Tu estas bem...? - questionava o mencionado na conversa, vendo como o carioca batia de repente na própria testa.
- ...Nada...Foi só...Uma mosca... - Resmungou massageando a área atingida.
- Então não és só Sampa que tens problema entre vocês...
- Eu não tenho problema!
- Nota-se...
O fluminense começou a retrucar e por algum motivo sentiu-se duplamente ofendido. Mas o loiro o ignorava olimpicamente olhando dos dois lados do corredor, como para se certificar que estavam sozinhos.
- ...Não me compare assim com Sampa !
- ...Certo, certo...Mas deixando aquele lá de lado... - E virou-se sério para o meio-irmão, conseguindo o grande feito de calar-lhe a boca com isso.
Um pequeno silencio se formou novamente, enquanto o mais alto parecia tentar formular alguma frase ou mesmo tomando coragem para dizer algo...
- Bem...Sobre...Sobre o que viste aquele outro dia... Sabes? Entre Bahia e eu...
- ...Ah... - Soltou simplesmente.
- ...Eu...tenho que perguntar-te... Pois não conheço-te assim tão bem... - Fechou os olhos, respirando fundo, evidentemente nervoso - Eu sei...Que o que estávamos a fazer era...Contra as regras...Nós não podemos ter relações mais além de fraternais ou de amizades com outros Estados...
- Bem...É.
- ...Se Brasília vier a descobrir - Forçou seus olhos numa careta de desagrado - Não quero nem vir a pensar o que farias... Ainda mais por Bahia estas tão perto dele... Não és como si fora fazer-lhe algum mal...Mas...Não quero que nada aconteça a ela por minha causa...
O Fluminense apenas ouviu atentamente o que seu meio-irmaõ dizia com a boca levemente aberta.
- T-também não é assim!
O gaúcho abriu os olhos encarando o mais baixo com uma expressão questionadora.
- Brasília não faria nada com Bahia! Ele gosta muito dela, talvez só uma bronquinha... E sobre vocês...Não é como isso acontecesse entre Estados com tanta frequência...
E para sua surpresa e desconcerto, o sulista desatou a rir.
- Q-qual a graça? Eu to aqui tentando te ajudar!
- Ai...Ai... desculpa...Mas é que...me esqueci... - Voltou a se endireitar limpando as lagriminhas do rosto.
- Esqueceu o que?
- És claro o por que tu pensas que isso vem a passar tão raramente! Tu eras a Capital, todos escondiam estas coisas de tu.
- COMO ASSIM ESCONDIAM DE MIM? O QUE EXATAMENTE VOCÊS ESCONDIAM? QUE HISTORIA É ESSA?
- Se aqui tem almas penadas, tu acabaste de acorda-las ...
- EU SIMPLESMENTE NÂO POSSO ACREDITAR! C-COMO!
- Ora vamos, não seja cínico... Como si tu nunca fizeste algo e mentiste a Brasília...
E agora no sentido inverso, indignação, raiva... E Silencio...
- ...Então - Seguiu o sulista antes que os berros recomeçassem - Era algo por ai...
- M-mas eu...Eu...
- Eras um grande mala como Capital, como creia que alguém ia a contar-te algo? -Se um olhar feio matasse o Gaúcho já estava morte pela terceira geração. - Não saberia dizer-te se Bahia também o era quando capital...Quando nasci praticamente tu já eras a Capital..
O Fluminense acalmou-se um pouco, embora, ainda revoltado em pensar que seus meio irmão lhe mentiram por duzentos anos! Ainda mais com esse jeitinho de falar do gaúcho... Muitas vezes por coisas assim esquecia que ele era mais novo.
- Mas ouvi muito dizer sobre estas coisas entre Estados... - Seguiu o loiro - Não muito certas, mas ouvi...Bahia também me disse que não há de ter região deste país que os Estados nunca se relacionaram assim , ou mesmo tentaram...
E a atenção do carioca voltou rapidamente ao irmão mais novo ignorando a recente ofensa a sua pessoa-capital.
- Embora...Eu não saberia dizer-te nomes...
- Hã...? - Foi simplesmente o que conseguiu dizer em resposta.
- ... Também achei estranho quando ela me disse...Algumas historias vieram a chegar ao sul, mas não pensava que eram tantas... Dizer-me que em cada região já houve um, dois ou mais casos assim... Mas sempre as sombras...
Seu acompanhante apenas ficou quieto, se o gaúcho convivesse mais com esse malandro carioca notaria o quão interessado estava, por que para ele fazer um silencio assim... Nenhum dos dois prestava realmente muita atenção em onde andavam, seguindo o corredor deserto.
- O mais comentado foi de Amazônia (É Amazonas) e de Pará... Mas tampouco sei se realmente aconteceu, ou simplesmente boatos
Subiram as escadas para outro andar.
- ...Também ouvi a historia de que algum Estado foi descoberto e teve que explicar-se a Lisboa... Pois...Sempre acreditei que este foste tu
- HE? - parou de repente no meio da escada - Por que eu?
- Ah, sem querer ofender-te... Quando algo errado assim acontece, tu és sempre um dos principais suspeitos...
- Aaaaaaaah, obrigado pela parte que me toca! - Outra vez ofendido, terminado de subir os degraus restantes dando as costas ao mais alto, no entanto, ainda mais interessado em saber.
- Pois, és a verdade somente.
- Pois deixa essa tua verdade gaúcha pra ti... - Respirou fundo - ...O que mais tu sabe sobre isso...?
- Não muito... Bahia me disse que isso diminuiu muito nestes últimos tempos... Ou talvez só tenham ficado mais discretos... Mas também, este último século foi deveras complicado... Não teve muito tempo entre nós para 'namoros'...
- ...Verdade...
Seguiram andando sem rumo por este outro corredor...
- Essa é a primeira vez que faço algo assim...Namorar uma Estado...É...És...Absolutamente incrível!
O sulista não conseguiu disfarçar o entusiasmo, fazendo o fluminense voltar a ver-lhe o rosto. Sorria bobamente para o chão, perdido em momentos que provavelmente passavam por sua cabeça, estava levemente corado e ...Com um certo brilho em seus olhos azuis...Um brilho que... Lembrou-lhe alguma coisa... E recentemente já tinha visto o mesmo brilho em algum outro lugar...Onde era mesmo..?
- Ela é uma guria incrível...Tão prestada, tão hermosa! ...E Sem dizer que namorar uma mulher mais velha... Pensei que isso nunca ia a acontecer comigo, és tão engraçado...
A animação com que contava isso fazia o carioca sorrir também, tornando a encarar o chão ouvindo atentamente, quem diria que o sulista era um falador...
- Não temos que preocupar-nos com segredos ou falsas historias de quem realmente somos...Mesmo que tantas vezes não conseguimos entender-nos com palavras... Não temos que afastar-nos depois de alguns poucos anos, pois ambos sabemos que não somos humano ... É maravilhoso...
- ... Deve ser...
Chegavam perto de um elevador a virada do corredor, perto de algumas salas de escritório.
- ...Tu podias tentar um dia, sabes? És uma experiência realmente interessante...
- Ahaah... - Ficou extremamente sem graça desviando o olhar para a parede, porém, por sorte, o gaúcho nem notou ocupado em chamar o elevador.
- ...Tche, Mas claro,se tu aproximar-te de Santa Catarina, te quebro a cara e te parto em dois, entendeu?
- Er... ta... - Entrou no elevador decidido a mudar o rumo da conversa, pois ela estava começando a incomodar-lhe - Eu nunca...Não sei...Pensaria ouvir isso de alguém como tu... E não precisa preocupar-se, não contarei nada a Brasília.
Rio Grande do Sul suspirou visivelmente aliviado.
- Sim...Depois que comecei a falar contigo, notei que eras confiável para estas coisas...Bem Obrigado.
Nem sequer se importaram de indicar o número de andar que queriam, não estavam nem minimamente interessados nisso, até mesmo o loiro encontrava-se encostado na porta do local, impedindo que o mesmo fechasse e o mantendo parado no lugar onde estavam, sem nem ao menos imaginar que um brasiliense muito irritado quase espancava o painel tentando chamar dito elevador.
- ...Fico feliz que tenha sido tu a nos ver aquele dia então... Se fosse aquele maldito e infeliz paulista provavelmente se divertiria, e eu e Bahia estaríamos perd-
- Isso não é verdade! - Exaltou-se irritado - São Paulo não é assim como tu diz!
Silencio... Rio Grande o Sul mostrava-se visivelmente chocado, observando sem acreditar o fluminense, embora o mesmo não estivesse muito diferente, sem conseguir acreditar no que tinha acabado de falar.
Tinha... Defendido... Sampa...?
- Aaah...Eu...Eu..Quero dizer...eeeeh... - ... E o assustado sulista que lhe observava quase como se tivesse visto um fantasma, só o deixava ainda mais nervoso.
- ...Eu quis dizer que...Ele...Hã... Não é do tipo que ia sair contanto isso a ninguém...Isso! Isso que quis dizer...Ele é...Um idiota, estressado e workaholic, louco!... Mas não faria algo assim...
A expressão do mais novo aliviou um pouco, embora ainda parecesse impressionado. Era algo realmente muito estranho de se ouvir.
- ...Ele não contaria...Tenho certeza!
- ...Nossa... - voltou a falar o mais alto, entrando no elevador, e apertando um andar qualquer, ao tempo que Rio encarava os próprios pés na outra ponta da grande caixa de metal - ...Bahia tinha me dito que...Vocês se davam muito bem, apesar de todo, mas pensei que tinha entendido errado...Ainda mais por que ela enfocou bem o "muito"...
- Assim, até parece que vocês realmente s-
- Nós não...! - Porém parou seco, notando que o elevador tinha parado, e o Sulista já tinha saído...A porta se fechado... E ele ficado para trás... - ...Ah...merda...
E o elevador seguiu seu rumo descendo para algum outro andar, e o fluminense nem ao menos sabia em que andar o gaúcho tinha decido... A madrugada ainda era criança...E um sujeito já tava perdido...
Esse povo não tem jeito mesmo...
- São Paulo e Espírito Santo -
Espírito Santo se sentia nervoso, como também incomodado e algo constrangido... Boa parte pela estranha plaquinha feita de papel de caderno arrancado, que estava em seu pescoço, feita por Minas quando os grupos se separaram.
Nessa se lia. "Em caso de perda ou extravio... Estado Nome: Espírito Santo, Santo. Número de contato: E o número de celular do mineiro"
Sinceramente, teria se sentido realmente ofendido... Se não tivesse achado simplesmente fofo o fato de o mineirinho preocupar-se a esse ponto...
Mas definitivamente não deixava de ser constrangedor... Sendo o segundo mais velho do sudeste, e tratado como um piralho...
Bem... Ao menos seu 'docin de leite', tinha se preocupado com sua pessoa... E não só falando e falando pra ter cuidado com Sampa que ele andava instável fisicamente e bla, bla, bla, bla... Alooo? E ainda teve que ouvir isso de Rio também... Ajá paciência que não possui...
Mas também se sentia mal por que...Já fazia pelo menos meia hora que se encontrava ali, sentando, no primeiro degrau de uma escada, enquanto o paulistano encontrava-se sentado no vão de uma janela, fumando seu terceiro cigarro, enquanto lhe observava diretamente nos olhos, sem dizer uma única palavra. E isso sim era...realmente incomodo...
Não sabia se estavam ali parados há tanto tempo por que talvez o paulistano estivesse cansado ou sentindo fraqueza e não queria admitir...Ou se simplesmente se recusava a fazer o que Brasília lhes dita orientado... Ou quem sabe um pouco dos dois
Tinham a mesma mania... Desde que começou a sair mais com Rio de Janeiro notou isso, o menor tinha o costume de quando não estava constrangido ou tentando evitar algo, conversar olhando diretamente nos olhos de com quem falava.
Minas lhe disse que era por que Rio era melhor conhecendo as pessoas pelo olhar delas... Achou isso um tanto estranho, mas com algo de lógico, o próprio olhar do carioca era realmente bem expressivo. Mas, não sabia qual era a desculpa do paulista...
E mais, o óculos do mais velho caia levemente pelo nariz, por que estava a muito tempo olhando para baixo, o que dava ao capixaba uma visão perfeita dos olhos da capital financeira...
E... Eram olhos realmente muito inexpressivos, e até algo intimidantes...Talvez pela cor cinza que tinham... Não saberia bem explicar, mas era impossível saber o que o outro pensava, ou mesmo se estava nervoso, indiferente, passando mal,ou qualquer outra coisa. E isso sim, que não estava agradando em nada o espírito-santense.
... E se sua memória não estava a lhe pregar peças, o paulista tinha olhos azuis a algumas décadas...? Nãaaao, provavelmente estava confundindo com algum outro...
- Hmm...Aconteceu alguma coisa...?
- Não.
- Hã... - ...Outra descoberta, era uma droga conversar com o mais velho...Raios, como mama conseguia? Ou mesmo Rio e Minas?
- ... Hmmm...Não acha melhor...Procurarmos Minas ou...Rio de Janeiro...?
-... Minas é esperto, se vira bem sozinho.
- ...E Rio...?
- ...Esse é um idiota, apostaria meu maço inteiro de cigarro que a esta hora ele já deve estar perdido.
-...Então... Não seria melhor procurar ele...?
- Não. Conhecendo-o bem como conheço, e com a sorte de merda que eu tenho, até o fim desse castigo idiota de Brasília, eu trombo com o animal...
- ...Hmm...Certo...
O local onde se encontravam, era iluminado pela luz do luar, então não era realmente necessário o uso de lanterna...Embora o paulista tinha quebrado a sua quando tentou acertar a cabeça do carioca ... E Brasília não lhe derá outra. Mas não importa, por que ele sempre trazia uma lanterna dentro da bolsa, para o caso de precisar.
Sim, isso é estranho. E Brasília simplesmente nem vira ES para dar uma lanterna a ele.
-...Hmmm...Você esta nervoso comigo...Pelo que ouviu...Aquela vez? - Quando começou realmente sua relação fraternal com o carioca, não exatamente de forma fraternal, e havia notado a presença do paulista escutando-os.
São Paulo colocou seu terceiro cigarro, já usado, dentro de um isqueiro fechado, que também tirara de dentro da bolsa, a colocou de volta, e tirara uma lanterna em miniatura em seu lugar, ao tempo que descia da janela.
- ... E então...?
E São Paulo fez sinal, dizendo que começaria a andar, levantou-se e o seguiu.
- ...Por que...Eu estava falando de você...
Nenhuma resposta.
- ... Eu me exaltei um pouco...Por causa de Minas mas, eu não retiro o que eu disse.
E o paulista parou, e virou-se.
Era quase uma loucura, muitos diriam, afinal, a diferença de tamanho era evidente, ES por pouco mais de um palmo não batia na cintura do mais velho, e ainda assim, o observava sério, em tom de aviso, mesmo sabendo que se o mesmo se irritasse e partissem para a briga...Estava total e literalmente ferrado.
- ... Eu realmente não gosto de vocês dois juntos.
- ...Idai? - olhava para baixo para falar com o capixaba, mas o pequeno, e ousado Estado não dava a mínima para isso.
- Idai que minha intenção era deixar isso bem claro, e não necessariamente te ofender, mas espero que você tenha entendido.
- O que você sente, ou deixa de sentir por Minas, não é problema meu. Eu não tenho nada a ver com isso.
- ...Pois...
- Pois eu criei Minas Gerais desde criança, tenho direito de andar do lado dele, ou mesmo passarmos uma tarde juntos - Santo mordeu levemente o lado de dentro de seu lábio inferior com o comentário - Não vejo o por que eu deveria me afastar dele por sua vontade.
Era realmente terrível discutir com São Paulo... Percebia então como Rio era realmente incrivel...
Ou muito insistente
- ...Não digo afastar...Nesse sentido. É que...Eu realmente o amo. E não quero perde-lo.
Esperou algo tenso a resposta do mais alto, encarando a testa dele, para não parecer que desviara o olhar pela apreensão.
E tudo que ouviu foi um longo suspiro.
- ...Então, Boa sorte.
E voltou a encarar assustado o paulista, no entanto, a expressão dele seguia igual.
- Aquela época já passou.
- ...Mas ele...
- Se para ele não, eu não posso fazer nada. Se você gosta dele, tenha em mente que namorar um Estado é muito trabalhoso, não valhe o esforço.
- ...Você não tentaria...?
- Eu estou minimamente interessado.
Tornou a dar as costas ao menor, e seguir a nadar pelo mal iluminado corredor.
- Eu estou mínimamente interessado.
Tornou a dar as costas ao menor, e seguir a nadar pelo mal iluminado corredor.
- ... Não tem mesmo...? - E voltou a segui-lo
- Não, se você...Realmente o ama, boa sorte e vá atrás dele, eu não me importo.
- ...Mesmo...?
- Não. Mas, se você o machucar de alguma forma, eu quebro a sua cara e te parto em dois, entendeu?
- Eu jamais faria isso!
Embora suas armadilhas um dia, talvez o fizessem...
- Acho...Até bom.
- ... Como...? - Recomeçou a andar, notando como o paulistano andava perto da parede, e caminhava devagar... Provavelmente para evitar alguma queda.
- Alguém que goste dele, e que esteja junto dele, o fazer feliz de uma forma que outras pessoas... Não conseguiram
- ...Eu...- Acelerou o passo parando na frente do paulista, surpreendendo-o - Eu definitivamente farei isso! Total e completamente! Vou fazê-lo o homem mais feliz do mundo!
- Aah...
Envolveu ambas as mãos do paulista com as suas o encarando radiante.
- Por que eu o amo! Pode acreditar em mim! - Dizia com um brilho intenso no olhar - Obrigado por sua benção! Pode confiar em mim!
- H-he? B-benção? Mas...- Ajeitou os óculos meio constrangido passando a mão na nuca - Eu nem sou o pai ele...
- Obrigado! Obrigado! Veramente Grazie!
- ...Baixinho... Cê é um sujeito muito, muito, mas muito estranho... Davvero strano...
E assim, recomeçaram a andar.
- ...Ah, e realmente...me desculpa se algo do que eu disse te ofendeu...
- Hunf, eu estou acostumado, os meus (paulistas) me fazem comentários depreciativos o tempo todo, não é como se eu me importasse mais.
- Ah...Mas e os comentários de Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul?
- Uma coisa é não me importar, e outra é não revidar, ainda mais com o idiota e o viada! Há, eles praticamente imploram para ser ofendidos!
O capixaba deu uma pequena risada,São Paulo dispunha de um humor um tanto sádico...
- Mas...Hmm...Obrigado pelos elogios que...Hmm... Cê fez também...Sabe...? Sobre mim... - Ficou impressionado pelo tom incerto e até algo constrangido do paulistano.
Era de fato uma caixa de surpresas esse seu irmão mais velho, de uma forma bipolar... Isso talvez que conquistou Rio de Janeiro? ... Será que o carioca conseguia ler alguma coisa na expressão paulista?
- Tudo bem...
E ambos estavam tão perdidos nos próprios pensamentos, que nem notaram que pegaram escadas diferentes, e entraram em corredores distintos... Minas tinha suas dúvidas quanto ao fato desses dois se desencontrarem... Receio claramente justificável, afinal, foi em um tempo recorde...
- Minas e Paraná -
Os dois Estados andavam calmamente pelos corredores, o contrario dos outros grupos, sem discussões, brigas, berros, ou complicações, e também, ambos usavam suas lanternas.
O caminho bem iluminado, no entanto, não disfarçava o clima sem graça dos dois, devido a... Grande falta de assunto.
- Hmm... Como esta você...Minas?
- Hmm...Bem...E ocê?
- ...Também...
Não eram eles os que estavam no elevador, mas o papo era bem desse tipo de lugares.
- Hmm... Achu qui não passamu um tempo assim juntos desdi qui viviamos juntos com São Paulo... - Tentou puxar assunto o mineiro, tendo a impressão de ter ouvido um palavrão em algum dos outros andares.
- ...É ...tem razão...
E Ainda mais, por que quando lhe dava na telha, o mineiro era mais quieto que uma porta, e Paraná por sua vez era extremamente tímido e na sua.
Não era exatamente bons ingredientes para uma longa conversa...
- ... Deve ser díficil pra ocê... - O Paranaense franziu as sobrancelhas confuso - Quero dizé, ter sido criado por Sampa, e sé irmão do Rio Grandi du Sul..
O loiro soltou uma risadinha tímida, passando a mão sem graça por sua nuca.
- ...É... Digamos que eu sempre estou... Numa poseção complecada...
E o silencio volta a tona... Chega o momento 'mineirin' de resolver essa situação...
- ...E ocê e Santa como andam...?
Golpe certeiro. O sulista faz um som meio afogado com a garganta com a repentina pergunta, corando em uma velocidade incrível, deixando a lanterna cair, e quase tropeçando.
- Q-q-que disse, desculpa...?
- Hmm...~
E esse simples "hmm" só deixou o outro ainda mais sem graça e nervoso, abaixando para pegar sua lanterna, e coçando sem jeito as sutis sardas de seu nariz.
- S-s-santa está...Bem...Muito bem...
- ... Santa pareci ficá cada dia mais linda...Num achá...?
- Sim...Q-quero dizer...M-minha irmãzinha sempre foi...Linda...
- ..Tendi~
- ...E-eu não p-pó-pózo( vou) muito pra casa dela... Mas...
- ... Mas ocê gostaria...
E o paranaense começava agora a cutucar suas pintas no pescoço, lembrando o quão incomodo Minas podia ser com esse jeito de perguntar...
- M-mas eu e Reo Grande vamos sempre fazer...reuneões lá...
- Por que lá, exatamente...?
- P-por que Reo Grande é...Ele hm... É possessivo comigo e Santa como...Como Sampa era...
- Ah, e ainda é, podi té certeza.
- Ele não mudou...? Pensei que ele...
- Ele faz charmin de indiferente, má continua tão preocupado e possessivo comu sempre foi!
E a conversa começa a tomar mais força.
- Mas...Eu até entendo Reo Grande... Santa é...hã...Ela chama muita atenção...Então... Ele diz para sempre ficarmos por perto...Para afastar os..."mal entencionados"
- Intão ocê concorda...?
- Eu não quero nenhum mal entencionado perto da Santa! - Disse com veemência, impressionando o mineiro, e no momento seguinte ruborizando-se, notando o que tinha feito - Q-quero dizer...he...
- ...Mas ocê num séria um desses...Com segundas intenções cum a catarinense...?
E outra vez, a pobre lanterna foi ao chão, ao tempo que o sulista cobria o rosto envergonhadíssimo.
- N-nem d-de brincadeira d-diga algo assim Mih! A-A-alguém pode ouviiir!
- ... E qual o problema...?
- S-se...Se Reo Grande suspeitar... M-mesmo se ele cogetar a possebilidade... Eu...Não sei o que faria...
- Máh ocê num nega as segundás intenções, intão?
E o paranaense sentiu uma súbita vontade de desaparecer da face da terra.
Precisava mudar de assunto, e rápido!
- E...E você e Sampa...?
E o silencio envolveu outra vez a conversa.
- Nós... Não falamos mais disso... - Disse o mineiro encarando o chão, abaixando um pouco a lanterna, desviando a luz que iluminava seu rosto, ocultando sua expressão, a propósito. - Ocê...Sabi como acabou.
- Ah... - Soltou simplesmente Paraná, como se tivesse acabado de ligar os pontos de algo - ...AH! D-desculpa Mih! N-não foi minha intenção!... Realmente...Eu...
- Tudo bem... - Respondeu calmo - ... O qui importa, é qui voltámu a nus falar...I quasi tudo voltó a ser como antes... Só qui, ele ficó... Ainda mais inseguro pra essas coisas...
- ...Entendo... - Seguiu o paranaense já mais calmo, mas não menos constrangido- Eu o acho tão solitário... Gostaria que... Ele encontrasse alguém pra não se sentir mais...Tão sozinho... Talvez um Estado... D-digo, eu sei que é proibido, e...Da muitos problemas, mas... D-deve ser mais...
- ...Sim... - Completou Minas distante.
E o silencio voltou a se formar...
- ...O que ocê pretene fazê em relação a Santa...? - Fugazmente tornou a mudar de assunto o mineiro - Ocê sabi, ela é muito bonita, si ocê num fizé nada...
- Eu só... - Parou os passos, sorrindo triste para o nada - Eu só quero que ela seja feliz Mih, muito, muito feliz, com alguém que a ame de verdade... Por que pra mim, isso é mais importante.
O belo-horizontino também cessou os passos, observando seu meio-irmão. O mineiro era um pouco maior que o outro, uns cinco centímetros no máximo, mas como tinha o corpo pequeno, e andava sempre meio encolhido aparentava ser ainda menor, mas em compensação, como dizia Santa Catarina, isso lhe dava um aparência "apertavel".
E apesar de tudo isso o "pequeno" era forte o suficiente para segurar praticamente sozinho o gaúcho quando tinha seus enfrentamentos com São Paulo. Mas no final...
- Ocê não mudó nada, Náh (paraNáh)...
- ...Tu também não, Mih...
- Achó melhó irmus atrás dus otros...Já deu tempo o suficiente para eles fazerem um escarcéu...A essa altura Rio de Janeiro já devi tá perdidu, Brasília dando um surtú, e eu tó preocupadu a saúdi de Sampa, e com Espírito Santo... Ele também já devi ter si separado...
- ...E como é que você tem tanta certeza dessas coisas?
- Aaaah, eu já to acostumado...
E antes que os meio-irmãos pudessem trocar alguma que outra palavra...
- EU JÁ DISSE QUE NÂO VOU ME ACALMAR BAHIAA!
Um "estranho" grito encheu os ares...
- Sim, coisas ASSiM, acontecem o tempoooo todo...
- S-será que aconteceu...Alguma coisa...Será que acharam...Fantasmas? - Ambos se viraram para a escada ao lado de aonde os gritos vieram.
- Nãaao, só Brasília mésmo...Fantasmas não seriam tão barulhéntos.
Paraná soltou uma risinha tímida.
- É...Tens razão... Mas, por via das dúvidas acho melhor...
- Vai ocê, eu vou atrás das minhas dores de cabeça rotineiras... - Forçou um pequeno sorrisinho, ao tempo que o de Curitiba ria com mais vontade.
- Sim... Mesmo não estando muito bem, Sampa pode destruer alguma coisa se ficar muito tempo sozenho...
E esta dupla, no entanto, não se perdeu, ou se separou por pura distração, apenas resolveram ir para lados diferentes, conscientemente.
Minas Gerais seguia estranhamente quieto em seu lugar, sem olhar pra um lugar especifico.
E quando a silhueta de Paraná sumiu de vista escada a baixo, o moreno deixou escorregar a lanterna que trazia, iluminando de leve seu rosto, um tanto vermelho em algumas partes, enquanto repassava a conversa mentalmente.
Deixou escapar um soluço que lutava em sua garganta, e com a gola de sua roupa, secou levemente seus olhos, levantando o rosto e seguindo seu próprio caminho...
- Brasília, Santa Catarina, e Bahia-
Quando Paraná terminou de descer as escadas, deparou-se com o único trio daquela noite, Brasília estava a ponto de bater a cabeça na parede, Santa Catarina observando a cena e Bahia er...
- ...Esso é um... Colchão enflável?
- Ah! Pazinho! - Exclamou a catarinense ao vê-lo
E sim, definitivamente era, Bahia estava confortavelmente sentado num colchão inflável... Em pleno corredor!
- Ah! Olá Paraná! Achó que precisámus de máis um colchão para sua pessoa...
- NADA MAIS DE COLCHÔES BAHIA!
- És incrivel, não é Pazinho? Ela tinha um colchão naquela bolsinha dela! E eu a pensar que só Sampa conseguia carregar coisas estranhas por ai!
- NÂO É INCRIVEL SANTA CATARINA! É...É...
- N-não grita com a Santa! - Adiantava-se Paraná, ruborizando-se numa velocidade incrível.
- Ah Pazinho, não a de ter problema, Brasília esta a todos os nervos com a rapariga baiana, não vai a te ouvir.
- M-mas...
- Oxê Brasília, pur qué cê ta tão nervosinho homi? É só um colchão.
- EXATAMENTE POR SER UM COLCHÂO!
- Ah, eu até tentei trazé uma rédé, mas saabe, pensei qui não ia ter como amárrar por aqui... - Observou as paredes lisas ao seu redor. - E oía, eu tinha razão...
- NÃO! NÃO TEM! Por que...POR QUE?
- Pá descançá né meu rei, pra que mais - Sorriu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- ...
- Si cê ta tão certu qui aqui num tem fantasmas, intão por qué num esperár sentadó até todos percebé qui num tem nada di máis, i ti da a razão?
- ...É ela a de ter razão Brasília, se não tiver nada aqui mesmo... - Seguia a catarinense, juntando-se a mais velha- E noossa! És confortavel! Veeem cá ver pazinho!
- A-ah...
- ...Eu...Não...Acredito...
Seguia descrente tampando o rosto em frustração, ao tempo que Santa Catarina praticamente puxava Paraná para seu colo.
- Viu? Não és confortável? - Abraçava o paranaense pelas costas, como se fosse um ursinho gigante. E a cara do loiro ficava ainda mais vermelha, se possível, que a de Brasília e também tampando o rosto, mas por motivos bem diferentes...
- Ah-ah...É...É...Santa...C-c-c-c-claro.
- Viiiu! Eu disse!
- Sé quisé Brasília, tenho mais um aqui déntru! Da pra nós todos déita um pouquinho! - Comentava animada a jovem, nem tão jovem, negra, deitando-se na lateral da cama.
A capital tornou a abrir a boca para reclamar, mas desistiu, bagunçando seu cabelo nervoso, sendo em seguida, igualmente puxado pela tutora para se juntar ao grupo.
- Tudo bem... - Concordou resignado, observando com os demais, com exceção de Paraná que estava em um semi-coma pelo fato da catarinense ter feito de seus peitos travesseiro para ele, o belo céu estrelado daquela noite -... Mas só 15 minutos!
- Certo...- Concordou a mais velha do grupo, sorrindo de lado - Mas éu qui vóu contar o tempo meu Rei, pode deixár...
-.-.-.-.-.-
Enquanto isso em outro andar da embaixada dos ministérios... Um estranho som enchia os corredores, longínquo e repetitivo, repetitivo... E o vento lá fora começava a soar com mais força nos andares mais elevados, fazendo as janelas sacudirem-se sem parar.
O Estado de Minas Gerais andava devagar pelos corredores, tentando ouvir qualquer outro som, que não esses já mencionados, e apesar de ter o corredor a sua frente parcialmente iluminado por sua lanterna, estaria mentido se dissesse que aquele lugar não lhe incomodava nem um pouco dessa forma...
Tentava concentrar-se nos próprios pensamentos, que não envolvessem fantasmas ou coisas do além, ou mal olhado, e coisas estranhas que aparecem do nada e... Talvez tenha sido uma péssima ideia ter ficado sozinho... O som repetitivo tornou a soar, mais alto, no entanto, todas as portas que poderiam talvez produzir esse barulho, não só estavam fechadas, como também trancadas...
Respirou fundo, ao perceber que a batida de seu coração começa a lhe trair e acelerar sozinha, segurou com mais força a lanterna, trazendo-a para mais perto de si, andando mais depressa, porém, o som repetitivo, se tornava mais, mais, mais grave... Estava realmente começando a ficar nervoso...
E de repente, tudo ficou escuro, e um som seco encheu o ar, junto a um longo grito e depois... O silencio.
-.-.-.-.-.-.-.-
...Um longo grito ecoou pelos corredores superiores da embaixada dos ministérios, sobressaltando mais do que um ali presente... Rio de Janeiro estava quase correndo pelo seu próprio corredor vazio, uma ou outra vez quase bateu com a cara em alguma janela, ou mesmo porta, e ainda sim não diminuía o ritmo, sentindo um péssimo arrepio recorrer-lhe o corpo.
Não que estivesse com medo, claro que não...!
Na verdade, estava apavorado... Por que, esse grito... Parecia ser uma voz familiar.
Começou então a ver uma pequena, quase minúscula, luz do outro lado do corredor que fazia pequenos movimentos para lá e para cá...
Pronto! Era, literalmente, a luz no fim do túnel! Mas isso não era nada bom...
A luz apagava e acendia repentinamente, variando do branco ao vermelho... Um ligeiro pânico lhe veio à garganta. E nem o fato de ser imortal pareceu ajudar para acalmar-se um pouco...
Agora entendeu por que em filmes de terror as pessoas correm em direção da escada em vez de algum outro lugar mais "escapável". Por que estão apavoradas demais para pensar em algo esperto.
Dessa forma, em vez de correr da estranha luz fantasmagórica que começava a tomar uma coloração esverdeada, ficou quietinho em seu lugar, prendendo a respiração, e preparando-se para ataca-la de frente, se necessário.
Como pensava em atacar uma luz fantasmagórica... Era um mistério.
Aproximava-se, lentamente, lentamente, fazendo a pulsação do carioca quase duplicar, e não havia som algum, além do vento lá fora... Mais próximo... Mais e mais...
Talvez, realmente, fosse uma ideia melhor fugir dali...
E suas pernas foram mais rápidas, quase derrapando, direcionando-o para a direção oposta da tal assombração, infelizmente...
Não rápido o suficiente...
Sentiu algo frio tocar seu ombro, tropeçando nas próprias pernas, e caindo no chão com um grande estralo...
Sua vida teria provavelmente passado diante de seus olhos, se quase 500 anos não fossem tão difíceis de resumir...
Tentou tornar a levantar-se, mas algo muito gelado começava a subir por sua perna, fazendo-o sentir uma crescente vontade de gritar. E o mesmo, tão gélido quanto, também envolveu seu pescoço. Realmente queria gritar, mas sua voz simplesmente não saia...
E de repente foi libertado, e no instante seguinte, um novo grito ecoou no ar... Chegando a mais corredores do maior grupo do local, até o menor, por sua intensidade, e o eco daquelas perturbadoras e frias paredes...
E a luz tornou a piscar, piscar...
-.-.-.-
- O...O que será que foi...Isso? - Perguntava a Catarinense, algo receosa, obsevando o teto e trazendo seu meio-irmão para mais perto. -Estes... Gritos...
Paraná também preocupado, tentava não pensar na pose que se encontrava olhando para a mesma direção que a meia-irmã.
- ...Hmmm... É realmente bém estranho... - E apesar dessas palavras, a baiana não parecia minimamente alterada.
- A-acho...Acho melhor eu subir...Procurar Reo Grande... - O jovem loiro mal começava a se levantar, e sentiu seu pulso ser segurado pela ruiva. - ... Santa?
- Como se eu fosse permitir que tu fosses assim só! Podes ser perigoso Pazinho!
- M-mas...
- Falem mais baxó, pur favor... - Anunciava a tranquila voz, indicando a ambos num movimento de cabeça, o seu lado. - Não quéro acordá-lo...
E de fato, ao lado da antiga capital Brasília dormia tranquilamente sobre o colchão que tanto relutara, a mais de quinze minutos.
- ... Não posso crer que ele veio mesmo a dormir...
- Ó paí Ó( Olha isso), ele podia está relaxadú assim más vezes, não? - Sorriu maternalmente passando a mão nos cabelos do mais jovem.
- É...Ele fica até que bonitinho assim, não acha Pazinho?
- ...
- Mas, agora que justamente há coisas estranhas acontecendo... Ele me vem a dormir?
- O pobrezinho é pequeno ainda... Deve di ta cansado, já passou a hora de criança ta na cama...
- Bahia, tu sabes que ele já tem mais de cinquenta anos... Não é?
- Por isso digo que apenas uma criança - Reforçou a mais velha, subindo delicadamente a cabeça do mais novo para seu colo - ... Eu vou ficá aqui cum eli, num quéro dexá eli sozinho, más si cês quizerem, podém levar minha bolsa.
- Aaah! Eu aceitooo~! - E logo SC se adiantou pela mesma.
- M-mas Santa...Eu...Realmente preferiria... Que você ficasse...Aqui.
- Claro que não Pazinho! E mais, se Rio Grande tiver feito alguma besteira, tu nunca tens a coragem para acertar-lhe a cara!
- Santa!
- Que? Só estou a dizer a verdade, hã... - Se virou para a Brasília, como se confirmasse que o mesmo está dormindo profundamente, para depois se voltar a baiana - Sem ofensa, claro querida.
- Ah, num tem próblema futura cunhadinha - Sorriu com graça à nordestina - Só... Num bati muito fortí neli não
- Hmmmm, vou pensar, mas qualquer coisa eu bato com carinho - Deu uma piscadela, e logo virou ao outro sulista presente - Vamos então, Pazinho?
Paraná voltou o olhar a Bahia, com a intenção de dar-lhe um cumprimento de cabeça em despedida, mas em vez disso, recebeu um sorrisinho esperto da mais velha.
- ...E bóa sorte pra cês dois, sozinhos - E o ênfase que ela deu em esta última palavra, ruborizou uma vez mais o pobre e tímido paraense antes dele ser praticamente arrastado pela mão de sua meia-irmã escada acima.
A antiga capital colonial tornou a observar o céu estrelado, enquanto fazia cafunés na cabeça da atual da Republica.
- ...Apesar de que... Eu achó que sei o que podé ta acontecendó...
-.-.-.-.-.-
A respiração de Rio de Janeiro se encontrava descompassada, o suor frio estava levemente presente em sua testa, enquanto acompanhava devagar o vai e vem abaixo de si.
- ... Rio...
- ...
- Rio...
- ...
- ...Rio...!
- ...
- Por** Rio, é sério, me solta!
O fluminense simplesmente recusou-se a abrir os olhos, ou mover-se um milímetro que seja da posição que estava, na verdade, nem tinha certeza da posição que estava, e nem minimamente interessado em saber.
Abaixo de si, tacado no chão em pleno corredor, iluminado somente por uma pequena lanterninha cuja cor variava de uma forma estranha. São Paulo acariciava atrás de sua cabeça, um galo doloroso que ali se encontrava, e também um de seus pés.
Ao menos, tentava...
Sua cabeça doía, suas costas doíam, sua perna doía, e seu pulmão pararia de trabalhar logo logo se o carioca não parasse esse abraço de urso absurdo que lhe estava dando.
- Cê me derruba do chão, me faz bater a cabeça...Ainda quer me matar de asfixia?
- ...
- Merd*, como dói...Rio, cara, me solta! Cê é pesado... Saaai!
E nada...
- Qual seu problema? - Se não estivesse ainda mareado pela queda, e por outro 'detalhe', já teria lançado o litorâneo longe - Não gosto que fiquem grudados em mim, me soolta! Seeeu-
- Eu... - Começou a carioca - ... Estou tão, tão feliz que seja tu!
Silencio, enquanto, o chocado paulista tentava processar as palavras ditas.
"Feliz", "tu", "seja"... " Seja", "Feliz", "tu"... "Feliz que seja tu"...
Não, impossível, deve ter ouvido errado...
- O-o que...?
- Ainda bem que eu achei tu! - Tornou a exclamar, ainda sufocando o mais velho.
- Nossa... Quero dizer...Hã... Er...Bem...Eu devo ter batido a cabeça muito forte...
Como pode arrastou o fluminense consigo, sentando-se com o mais novo ainda lhe sujeitando fortemente.
- Você...Deve estar realmente assustado pra... Falar essas besteiras...Vamos, me dá a sua mão, vem cá... - Soltou com dificuldade uma das mãos de suas costelas, e a segurou com força - Calma, ouviu? Calma...Ta tudo bem...
- ...Eu achei que fosse Tu...
-... O que?
- ... Eu achei que tu que tinha gritado... -Respirou fundo sobre a costela do mais alto - E tu não estava bem... Eu devia ter insistindo com Brasília... Realmente pensei que algo sério... Poderia ter acontecido...
Conseguiu levantar o rosto do mais novo, que estava com a vista baixa, e semblante pálido.
- ... Eu ouvi o grito também... Acho que foi Minas... Mas calma, ele deve ter...Caído, ou algo assim...- E apesar de dizer isso, não se mostrava convencido das próprias palavras e também se mostrava preocupado, duplamente - Então...Relaxa...Ta bom?
- Suas mãos estão geladas... - Sussurrou e enfim se afastou, sentando do lado do mais velho parecendo um tanto sem graça por suas ultimas ações, porém visivelmente mais calmo.
- E cê ainda reclama, já deve ta bem então. Pô, eu até falei pro...Pro...Ah, pro pequeno lá, que ia acabar esbarrando contigo...Só não imaginei que fosse no sentido realmente
literal
Virou para seu vizinho, que encarava os próprios sapatos, quieto, e Rio e Janeiro quieto, nunca era um bom sinal...
- E eu não estou tão mal assim, posso muito be-
- Pô, não me venha com essa! É lógico que eu me preocupo! - Disse irritado, mas logo - Quero dizer, f-ficaria preocupado c-com o grito, não contigo exatamente... Com...er... Sabe, com quem...Gritou?
E dessa vez, foi Rio de Janeiro que foi trago para um abraço, pelas costas, por conta do paulistano.
- ...Não sou muito bom com...Esse tipo de coisa mas... O...Ah...O...Obrigado... -Rio apenas ruborizava-se numa velocidade paraense ao recente contato, sem ouvir com exatidão o que dizia o maior - Agora vamos, por que eu que estou preocupado com Minas.
- Certo...- Começou a separar-se meio contra vontade e a levantar-se devagar. No entanto São Paulo seguiu onde estava. - ... O que foi?
- ...Olha... - Começou a passar a mão nervosamente na nuca - ...Eu te disse que estava tudo bem...Até te agradeci e tal... Então... Não é pra surtar...Ta?
- ... Como assim? - E então viu, um dos pés do paulistano parado, numa posição levemente estranha.
- ...Digamos que eu...Casualmente... Tropecei.. E ... Digamos que eu me machuquei... Um pouquinho...Estava me apoiando parede...Não que eu realmente precisasse! Até eu trombar contigo...
- ... Tu... O que?
- Não é nada demais! Eu só...Não consigo andar.
- SÓ NÂO CONSEGUE ANDAR?
-.-.-.-
Rio Grande do Sul caminhava sozinho pelos corredores, preocupado, havia ouvido dois gritos, os dois masculinos, mas isso não o fazia sentir-se menos preocupado com sua baiana e seus irmãos, apreensivo pelo que possa ter acontecido.
Eles podiam estar sofrendo!
Podiam estar feridos!
Podia estar tendo que ouvir os monólogos insuportáveis de Brasília!
Ou simplesmente estar sentada num colchão de ar em pleno corredor da embaixada dos ministérios, com a personificação do lugar sobre seu colo...
Claro que não, isso séria ridículo...
Embora...Se não estava enganado, tinha visto a baiana tentando enfiar um colchão inflável dentro daquela bolsinha, contrariando veemente as leis da física...
Embora, era uma luta até cruel, por que tinha certeza que essas 'reles' leis da física não tinham a meeeenooor chance com sua guria.
Por que baiano é assim, não nasce, estreia.
Seguiu corredor adentro então, mais confiante, não tinha por que se preocupar, não era preciso, sua guria sabia, e muito bem se cuidar sozinha, devia ter conseguido até calar aquela chata capital, aah, como ela era prendada~
E esses pensamentos otimistas foram rapidamente levados de sua mente, quando outro grito, dessa vez feminino encheu o ar, congelando seu sangue, o fazendo sair correndo na direção do som.
Por que só havia duas mulheres lá. E para este homem, as duas eram igualmente importantes.
-.-.-.-
Longe, mas nem tanto, da cena, os São-Minense caminhavam justos no escuro, salvos pela luz de seus celulares, já que aquela lanterninha sem vergonha do paulista havia começado a piscar cores multicoloridas e parado de vez de funcionar. Estavam juntos... Até demais.
- N-n-não é que eu esteja com medo...M-mas...Já é o terceiro grito!
- Nãaaaaao, claro que nãaaao... Além do mais, um dos gritos foi seu, e quase me deixou surdo, por sinal...
Rio quase agarrava um dos braços paulistas, enquanto eles caminhavam á procura dos outros.
- É-é só que...Não é justo! Como se luta com um fantasma? Quero dizer, não da pra socar um, ou chutar, ou até mesmo dar um tiro!... - Reclamava frustrado ignorando o comentário do outro e olhando para todos os lados - Se pra matar Vampiro usamos alho...Será que cebola mataria um fantasma?
- Há! Boa sorte para matar um fantasma, o espírito de alguém que já morreu, com uma cebola - Disse coberto de sarcasmo, recebendo uma cara fechada do outro
- Ótimo então! Tem alguma ideia melhor? asiático - Retribuiu o sarcasmo - Não tem nenhuma mandinga oriental para essa situação?
- Tenho.
- ...Heee?
- Poderíamos usar sal...Há crenças que dizem que espanta os maus espíritos- ...O carioca encarou-lhe algum tempo antes de responder.
- Aaah, legal e oonde tu espera achar sal por aquii? - E o show de ironias continua...
- Hmmm... Que tal, no mesmo lugar que cê esperava achar cebola? - Saaarcaaasmo
- Foi só uma sugestão!
- ...Pois eu trouxe sal comigo
Mais um estranho silencio...
- COMOÉ? Tu anda levando sal por ai! Isso faz mal! Além do que não faz sentido!
- ...Mas eu perdi ele ... -Ajeitou os óculos- ...Em algum lugar.
- ...
Rio de Janeiro simplesmente não acreditava na situação que estava vivendo..
- TU AINDA POR CIMA PERDEU!
- Foi, provavelmente quando eu cai...
- ALÉM D- E então parou de gritar de golpe- Ah...
Olhou de esguelha para o pé enfaixado do paulistano, por que talvez não tivesse uma bolsa que carregava toda a 25 de Março, mas também era precavido.
- ... Sampa, eu vou chamar um Taxi para tu.
- Espero...Como? Nem pensar! E Minas?
- Eu procuro ele - Tirou o celular da bolsa - Está tarde, mas acho que ainda consigo um até um hotel, ou algo do tipo.
- De forma nenhuma! - Afastou-se do carioca pra mostrar que estava muitíssimo bem, cambaleando, e tendo que se segurar na parede. - Não vou embora assim de forma alguma!
- Pois não me importa o mínimo sua opinião - Exaltou-se o carioca entrecerrando os olhos - Uma vez na tua vida, vê se escuta o que eu te digo! Tu sempre me fala para pensar antes de agir, olha pra ti e me diz se tu ta pensando no que ta fazendo!
- Eu não te obedecia quando cê era capital, não será agora que farei. Eu estou muito bem! Além do mais Minas-
TUM
Rio de Janeiro deu um soco na parede ao lado do rosto do mais velho, com a cabeça abaixada, ocultando sua expressão.
- ...Minas é realmente muito importante para tu não é? Tu o criou, tu pode vê-lo crescer... Esteve com ele por muitos séculos.
São Paulo, ainda surpreso pela reação da ex-capital não respondeu, sentindo como uma faca lhe atravessava o peito a cada palavra, sendo quase prensado contra a parede quando com a outra mão o menor levantou a gola de sua camisa com força.
- ... Mas tu sempre tenta fazer tudo sozinho! Por que acha que esta sozinho neste país? O tempo todo se desgastando, e ainda por cima recusa ajuda...! - Puxou a gola com mais força - Eu achei que com esse tempo que estamos morando juntos, tu iria entender! Tudo o que aconteceu... Mas parece que não mudou nada!
Levantou o rosto, encarando com força os surpresos e impactados olhos acinzentados.
- Pois coloca uma coisa de uma vez por todas na tua cabeça ô paulista. NINGUÉM PODE VIVER COMPLETAMENTE SOZINHO! Agindo dessa sua forminha orgulhosa tu só esta preocupando os demais! Tu se importa com "seu pequeno" Minas? Acha que ele não se importa contigo? SE TU NÂO GOSTA QUE AS PESSOAS SE PREOCUPEM NÂO LHES DÊ MOTIVO PARA FICAREM PREOCUPADAS SEU IDIOTA!
- E-eu... - Tentou responder.
- Tu se preocupa com Minas, por que ele é importante para tu... Tu o conhece desde que nasceu...
- M-mas você...!
- E eu? TU ACHA QUE NÂO É IMPORTANTE PRA MIM TAMBÉM? QUE EU NÂO ME PREOCUPO COM TU SEU IMBECIL?
A boca do paulistano abrir-se em um perfeito "o" maiúsculo observando o outro quase em choque.
- Se tu acha eu vou deixar tu fazer o que quiser, e lastimar a si mesmo, desculpe-me te informar, mas tu nasceu do lado do Estado errado.
- Rio...
Soltou a gola do paulista fechando os olhos e respirando atropeladamente, mas sem se afastar. Quando tornou a abri-los, no entanto... São Paulo seguia com a expressão entre assustada e em choque, ao tempo que talvez sem perceber, algumas audazes lágrimas escapavam de seus olhos.
- ...Sampa...?
BAANG
Porém a conversa foi estagnada, quando o som de um tiro encheu o ar.
-.-.-.-.-.-
Era um cenário um tanto caótico, e inusitado, e assemelhava-se estranhamente a uma cena de velho oeste...
Tirando que não estavam no oeste da America do norte, estavam em um prédio de importância nacional, estava de noite, e não era um duelo digamos... Típico..
De um lado, encontrava-se Santa Catarina sentada meio caída no chão ao lado de um inconsciente Paraná, no outro extremo, Minas Gerais sentado de qualquer jeito no chão com a boca muito aberta.
E no centro dessa confusão...
Rio Grande do Sul, com um grande facão em mãos, encarando de forma desafiadora Espírito Santo, que era aquele que segurava um revolver.
- Irmão! É sério! Escuta-me! Eres só um mal entendido!
- S-santo, pári cum isso, alguém realmenti pode si machucá!
E outro som seco encheu o ar quando ambos os objetos se chocaram, o mais baixo defendia-se como podia com seu revolver, usando-o também como escudo, produzindo algumas fagulhas.
Apesar de estar evidentemente em desvantagem o capixaba era rápido, desviando de golpes certeiros, pela direita, pela esquerda, e até mesmo por debaixo das pernas do gaúcho, desorientando-o.
E novamente ambas as armas tornavam a se chocar originando um forte barulho.
- Santo, poor favor, para com isso! Eu estóu bém!
- Rio grande! Minas só estava lá por casualidade! Não houve nada!
Golpes seguiam ocorrendo, e quando se distanciavam um do outro, o capixaba tornava a atirar, o que o gaúcho tche! Desviava com prontidão, contabilizando a terceira janela quebrada.
Tudo isso por que...Quando o sulista enfim encontrou seus irmãos, estavam envoltos numa cena um tanto difícil de explicar.
Paraná estava caído no chão, visivelmente desacordado e ferido em sua testa, a catarinense, no entanto, estava com uma expressão assustada e nos braços do mineiro, estilo nupcial...
- Não vais a desistir? - Provocava o loiro com um sorriso orgulhoso, proferindo um golpe certeiro no meio do revolver do menor, quase o fazendo escorregar no chão.
- E você? Isso é tudo que tem? - retrucou, e o combate seguiu, embora o espírito-santense soubesse que provocar só pioraria sua situação, não poderia mostrar-se com medo.
Pois quando o capixaba enfim pode alcançar a cena, viu seu 'amigo' sendo ameaçado de morte pelo sulista, que ainda não sacará a arma. Porém Minas estava com o rosto vermelho e olhos ligeiramente inchados como se tivesse chorado a não muito tempo.
E cada qual então tomou suas próprias conclusões sobre a cena, o que deu inicio a o confronto.
-.-.-.-.-.-.-.-
- O que foi... Isso? – O fluminense observou assustado o andar de cima do lugar.
E embora tenha se assustado também, tal som fez com que a capital econômica saísse do choque, deixando suas costar deslizarem pela parede até sentar-se no chão. As palavras do mais novo ainda ecoando em sua cabeça.
- ... Você não brigava comigo assim desde antes da guerra... - Comentou baixinho, de forma que o outro não chegou a ouvir.
Repirou fundo tratando de se acalmar, vendo como Rio tentava entreouvir algo mais. Mordeu o lábio inferior tentando fazer com que seu coração desacelerasse. Tampando os olhos com as mãos como se tentasse parar seus próprios pensamentos.
No entanto, sem sucesso...
Lembrava-se daquela fria sala, daquela última conversa que tiveram aquele nove de julho... Quando fechará a porta, e como sentirá que seu mundo caia atrás de si quando seguia pelo corredor. A fria parede que se apoiou tentando conter a dor que sentia em seu peito.
Tudo isso por que...
E então tudo era cinza, o céu, a terras, as armas, a luz de seus olhos...
E então vermelho... Junto a um gosto amargo em sua boca... Uma dor carnal em seu peito, e uma cicatriz que o tempo jamais curaria.
E a mesma voz.
"E-eu não tenho...Não tenho certeza de que consigas ouvir-me... E-eu realmente...Realmente...Queria que tudo t-tivesse sido diferente...E-e-eu... O sangue de todos nós q-que aqui v-vejo...eu...eu realmente... Realmente não queria... Não queria... m-me desculpe... P-por favor me perdoe... Me perdoe...Por favor...E-eu não quis..."
E mesmo dentro da prisão àquelas palavras não saiam de sua cabeça, o que só aumentava seu martírio.
E como se sua própria consciência se apiedasse de si, tudo ficou escuro quando ela se perdeu.
-.-.-.-.-.-.-
- Eu não acredito nesses energúmenos malditos! Destruindo com tal fereza a embaixada dos Ministérios! Já não bastasse a aeronáutica estourando minhas janelaas! – Berrava Brasília, agora totalmente desperto correndo totalmente irritado pelos corredores em busca dos causadores da bagunça.
- Brasília calma! Cê num sabe que passo! – Tentava tranquilizá-lo a baiana enquanto com dificuldade tentava seguir os passos do mais jovem.
- Não sei? NÂO SEI? Acha que preciso de um relatório para saber que ESTÂO TENTANDO POR A BAIXO MINHA MALDITA ESPLANADA!
- Braaasília espera! Eu não consigo correr tanto assiiim!
- ESSES CANALHAS! DESSA VEZ NÂO VÂO SAIR IMPUNES!
E Bahia simplesmente parou cansada, vendo como a pequena capital corria e se perdia de vista na escadaria.
- Aiii meu pai, espero que eli num faça nenhuma bobagem...- Comentou preocupada recobrando o fôlego – Oxê, acho que a idade há de ta me afetandu...Será qui tem algum atalhu por aqui...Ou...
E então pegou seu celular digitando duas mensagens... Tendo alguma ideia do que poderia estar acontecendo.
-.-.-.-.-.-.-
- Sampa! Sampa! Por favor acorda! Sampa!
A mesma voz, enquanto sentia seu corpo ser sacudido de forma brusca.
- São Paulo! D-desculpa! Eu devia ter levado em conta que tu ta mal! Eu não quis te machucar! Acorda, por favor... Eu te compro pizza!
O cheiro da maresia chegava a suas narinas junto ao calor do corpo do contrario, ao tempo que recobrava aos poucos a consciência. Ao ver, tinha desmaiado.
- Me perdoe...Por favor...E-eu não quis...
-... Não foi sua culpa...Não foi – Respondeu abrindo os olhos e tampando a boca fluminense com uma das mãos, numa resposta distante, mais para uma antiga memória do que para a ocasião que agora se encontrava. – Eu nunca disse que era...
Quando recobrou de fato a consciência e o que estava fazendo, notou estar a mínimos centímetros do carioca, tapando a boca do mesmo, que o observava entre preocupado e surpreso. O encarava de forma intensa como costuma fazer, como se tentasse entende-lo apenas com o olhar.
Mas não conseguia, não entendia nada... E ainda forçava o paulista a ter que encarar aqueles olhos azuis como o mar vasto e límpido, uma cor realmente...
E assim ambos desviaram a atenção de seus olhos, como sempre faziam também, e São Paulo destapa a boca do velho amigo.
- ... Tu...ta bem?
- To...Estou sim...Certo. Não, na verdade não... Estou meio tonto... Parte por que cê ficou me sacudindo feito idiota – Resmungou de olhos fechados passando a mão pela testa.
- Ah nem venha! Tu já disse que me desculpava!
O paulista franziu as sobrancelhas estranhado.
- Eu disse...?
- Ué, disse ... Disse que nem era minha culpa... – E o carioca imitou tal reação confusa – Viu cê deve até estar tendo alucinações...
- Talvez... – Comentou baixinho
- Que tu disse?
- Nada, nada... Vamos me dê sua mão... – Desviou o rosto levemente envergonhado - ... Pode me ajudar a...levantar?
- Hunf, claro né seu idiota. – E assim o fez.
-.-.-.-.-.-
- E que fique bem claro qui num quero vê mais cês quebrandu o paú um contra o outro meus reis! – Dizia firme a baiana com ambas as mãos vermelhas na cintura. – Ó pai ó, cês nem parece homi feito!
E o clima havia mudado completamente, onde Santa Catarina tentava conter o riso, ao lado de um tonto Paraná que tentava entender o que tinha acontecido, e o que estava acontecendo, um mineiro aliviado tentando consolar seu amigo...
E seu "amigo", Espírito Santo, e Rio Grande do Sul, sentados no chão, aos pés da nordestina, como duas crianças que acabaram de levar bronca da mãe. O gaúcho envergonhado olhando para uma parede qualquer, e o capixaba mais dentro do papel, com lágriminhas saindo de seus olhos, enquanto tentava conter o choro.
- Agora... – Ela deixou ambos alguns instantes, e se agachou pero de seu cunhado paranaense – O que aconteceu contigo me rei...?
- ... Eu... bem... – desviava o olhar envergonhado, pensando que nem ao menos estava consciente para proteger sua querida catarinense... Era uma lastima como irmão mais velho. – Desculpa Santa...
- Que isso Pázinho...Não foi sua culpa não... Acontece que nós tropeçamos em algo ao topo da escada, parece estranho... Mas parecia um saco de sal... Minas estava no corredor, e conseguiu me pagar, mas Paraná acabou por cair de cara no chão e desmaiou...
O sulista mais velho abaixou a cabeça ainda mais envergonhado, ele tentou ajudar sua irmã para que a mesma não se ferisse... Mas bater a cabeça no corrimão atrapalhou seus planos...
- Desculpa mesmo Santa... Que vergonha...Eu falei para ti ficar, mas no final fui eu que precisei de ajuda... Eu estou bem Bahia... Desculpa preocupa-los... E... Ser parcialmente o culpado pela briga...
- Tudo bem Paraná é coisa desses dois cabeçá dura, si preocupa não...
- Ah, Pázinho – A catarinense aproximou-se acolhedora, dando um abraço que deixou o sulista mais vermelho que semáforo fechado, e logo assumiu um tom de vermelho não humano ao levar dois beijos na bochecha – Eu sei que tu tentou me ajudar, não teria caído tão feio se não tivesse tentado, eres um amor ~
- A-a-a-a-ah...Q-q-que...N-n-n-ão...f-foi...N-n-na-da...
E do lado do mineiro.
- Então...N-não foi Rio do Sul que fez cê chorar? – Perguntava entre fungadas o capixaba, sendo abraçado por seu mineirin do coração.
- ... Já disse que num tava chorando Santu...
- N-não menti! Por que cê ta mentindo pra mim? Não confia mesmo em mim, é? – Escandalizava, porém baixinho, como uma namorada que dizia "Você não me ama mais?" com voz chorosa e tudo.
Minas Gerais suspirou profundamente, pondo o rosto do mais velho sobre seu peito no abraço.
- Num é nada... Si preocupa não Santu... Eu só tava em lembrando de umas coisas tristes...Má eu to bem, disculpa ti preocupa...
- Cê não vai dizer mesmo né...
O Espírito-santense não se satisfez com essa resposta vaga, limpando os olhos lacrimosos com a manga da blusa, e a contra gosto afastando o mineiro com o braço, lhe dedicando uma expressão colérica.
- Você deve achar mesmo que eu sou um idiota, não é?
E sob o semblante surpreso de Minas, lhe deu as costas, indo até onde o gaúcho seguia caído recolocando seu facão, de alguma forma desconhecida, de volta a sua bota.
- Deixa que eu te ajudo – Anunciou o capixaba numa oferta de paz, estendendo a mão para que o mais novo a pegasse – Foi uma boa briga, cê é muito bom.
O sulista avaliou o auxílio, porém como o bom homem que era também deveria saber como perder... Ou como empatar... A menos que considera-se Bahia como a vencedora da briga.
Assim sendo, ofereceu sua mão, sem se apoiar muito e levantou-se.
- Obrigado – Agradeceu – Tu também peleas muito bem guri. Eres muito ágil.
- Ah! Que bom que já si entenderam meus reis! - Alegrou-se a baiana deixando os dois "irmãos" sulistas a sós, e conferindo o papo de seus dois amores. – Meu Rio, eu queria mesmo ti reapresenta a meu santinhu.
O loiro franziu a sobrancelha, olhando do pequeno, no entanto era bem mais velho que sua pessoa, e sua querida baiana.
- Teu "santinho"?
- Isso! – Confirmou feliz o capixaba – Como São Pedro criou você por algum tempo, Bahia me criou desde ela e eu éramos pequenos, eu mais né.
- Oh... – Disse simplesmente tentando processar a informação... E como nunca tinha visto esse pía antes se Bahia quase tinha 500 anos?
- Então – A nordestina pós a mão sobre o ombro sulista, chamando sua atenção para si – Quero qui o trate como si fossi um filho seu, tudo bem?
- Aah...Espera... QUE?
- Espero que nos demos bem, padrasto! – Anunciou mais animado o capixaba, também pondo a mão sobre o outro ombro do loiro, com mais dificuldade devido à altura.
- Tche...- Foi o único que conseguiu expressar nesse momento totalmente atordoado coma recente notícia.
- Espera... – Disse repentinamente a catarinense, abraçando entre os peitos um semi-inconsciente paranaense – Bahia... Brasília não estava contigo?
- Avê Maria! – Exclamou colocando a mão na boca, porém sem parecer realmente exaltada – O pequeno saiu na minha frente até... Será que o homi si perdeu?
- Mas... Na própria casa dele?
- É possível – rebateu o outro santo. – Acredite, beeem possível.
-.-.-.-.-.-.-
São Paulo estava de mal humor, era evidente, enquanto caminhavam lentamente pelos corredores, num ritmo que não cansasse o carioca, e que não machucasse o paulista. Eram quase dois irmãos tartaruga!
Era claro a preocupação que o mais velho mostrava, enquanto resmungava sobre Minas, sobre se algo acontecer com Paraná mataria Rio Grande do Sul, que fim terá tido o garoto estranho, ou seja ES, já Bahia afirmava que sabia qse cuidar muito bem.
E cada vez mais reclamava baixinho sobre suas preocupações para com outros que tinha estima, nada contra Santa Catarina, mas não eram muito íntimos, e quanto a Brasília... Queria mais que esse se...
Quanto mais ouvia essas coisas, mais o fluminense sentia uma ardência subir-lhe no peito, quase como um incômodo e irritação... Certa antipatia momentânea para com todos que o moreno insistia preocupar-se...Preocupar-se, preocupar-se...
Maldito seja! Por que não se preocupava mais consigo mesmo? Ou mesmo por ele que estava ali de pé com a mão por trás de seu ombro ajudando-o a andar como o bom amigo que era? Por que se tinha alguém vulnerável por aqui se algo errado acontecia nesse prédio eram os dois!
Paulista estúpido. É, ao ver Rio também não estava lá de bom humor.
- Isso é ciúmes
- Hã? - Voltou repentinamente a ouvir o que o outro falava, totalmente perdido quanto o assunto.
- ... Eu disse que aquele baixinho...Ô...Sei lá o nome dele... Aquele estranho que as vezes - Sempre, na verdade... - Anda conosco, ele é do tipo ciumento, eu nem imaginava, sempre o achei tao quietinho...Por acaso cê está me escutando...?
- Hunf, e quem é você pra falar do jeito estranho dos outros – Contradisse o Carioca.
- Se fosse assim, o problema é você tentando entender meu jeito de ser. Se eu sou assim, o problema é meu.
- Pois tu é devia agradecer de eu me dar ao trabalho de tentar te entender!
-... É, talvez devesse ... – disse observando o final do corredor, surpreendendo o mais baixo, que se virou.
O olhar do ex-bandeirante era sem foco, uma vez mais perdido em seus próprios pensamentos e motivos... Aqueles olhos cinza e frios... Que uma vez já foram negros... E até mesmo azuis... Tão azuis quanto o céu claro... Costumavam ser tão expressivos, traindo o paulista quando tentava esconder-lhe algo...
Sentia saudade daqueles olhos... Antes de serem cobertos por esses óculos...
- Que tanto cê está me encarando...?
-... Vendo seus olhos... – Foi sincero, e logo percebendo... – Ah! Q-quer dizer...
- ... Vê alguma coisa?
Rio abriu ligeiramente a boca, era engraçado... Como se Sampa tivesse lido sua mente e seus últimos pensamentos de quando conseguia interpreta-lo ás vezes pelo olhar...
Tornou a encara-lo então... Se via alguma coisa...? Não... na verdade não... Era como tentar ver o sol entre grandes prédios, não conseguiria...
E repentinamente, o rosto do carioca tornou-se vermelho e sem graça desviou o olhar para qualquer outro lado.
- É... Parece que sim.
O fluminense porém, não teve tempo de contestar, notando repentinamente como todas as luzes do prédio acendiam-se sozinhas, como se de manhã já se tratasse.
- Mas...O que?
E logo tornaram a apagar, acender, apagar e acender, apagar...
Novamente tudo estava escuro... E um som seco encheu os ares... E um som melancólico de lamentação...
- Ai! Rio, pare de tremer! Cê ta me machucando!
- N-n-não t-to tremendo!
E o som de algo sendo arrastado...
As luzes acenderam...E tornaram a apagar... E acender...
Um vulto, difuso que se perdia ao final do corredor, curvado... Não parecia ser humano.
- Ai...Meu..
- Shhh! Fique quieto! - Sussurrou o paulista - Vamos entrar em alguma das portas...Vem! - Tentou puxa-lo - Rio!
O som de lamentação soou mais alto... Ao tempo que o solto se aproximava, ainda sem forma certa...
- Rio! Su cabrón! Haiakku!
- A-ha...T-ta!
Foram até a porta de um gabinete próximo.
Que estava trancado...
Novamente a lamentação...
- Maledita!- Puxou o Rio com mais força, ainda sussurrando - Tem uma outra mais pra frente!
- M-mas é em direção da coisa!
- tem uma ideia melhor?
- ...Podíamos correr...?
- Só se você me levar no colo! Ta zuando com a minha cara? Eu mal consigo andar!
E novamente o som de lamento, e ar começava a esfriar a cada sílaba que trocavam.
- Porr* então não sei!
- F*ck... É um péssimo momento para discutirmos, vamos pra próxima porta...Now!
- C-certo!
E de forma sincronizada ambos se adiantaram o mais rápido que conseguiram, encontrando a próxima porta desimpedida.
Porém o vulto notou o movimento, adiantando-se mais rápido naquela direção.
Dentro do gabinete, os dois Estados respiravam um tanto acelerados, ouvindo o som de algo sendo arrastado do lado de fora...
- O-o que fazemos agora? - Questionou Rio - Estamos cercados...
- .. Poderíamos...Poderíamos pular a janela...
- Mas eu nem sei que andar estamos!...E seria perigoso pra tu que ta machucado... Vamos bloquear a porta!
O frio se intensificava.
- Se isso... De alguma forma for um fantasma de verdade... Isso não adiantaria em nada - Completou tétrico o paulista.
- Tu não ta ajudando! E-então aqui é r-realmente mal assombrado?
- Eu não sei!
Ambos afastaram-se um pouco da porta, suas respirações mais aceleradas... O ambiente tão frio que ar quente já saiam de suas bocas.
-...Pode ser um zumbi...?
- Um zumbi! - Exaltou-se São Paulo - Sério? Cê está é vendo muito filme daquele loiro gringo que acha que inventou o avião! Zumbis não exis-
-O-o que foi Sampa...?
- Tem...Alguma...Coisa...No...Meu..Ombro - Disse pausadamente.
O pouco de cor que ainda restava no rosto do carioca desapareceu, ao notar que a porta jazia aberta atrás de ambos, e alguém, ou alguma coisa... Encontrava-se justamente atrás do paulista.
- Rio...
- Sam...
- AGORA! – E como se tudo tivesse sido combinado, São Paulo deu ao vulto uma forte cotovelada, agradecendo que seja o que for aquilo, era sólido.
- N-não!
Ao acertar, a coisa afastou-se, rapidamente Rio arrancou uma cortina, e jogou sobre o mesmo, e os dois tomaram o cano que antes sustentava a peça de tecido e juntos deram-lhe um golpe, uma soma da força de ambos.
Que fez com que o Zumbi/fantasma/sólido voasse longe, se estatelar contra as janelas, e caísse em direção ao jardim... O som de água denunciou que cairá dentro do lago espelhado da embaixada...
E os dois Estados desabaram ao chão, respirando ainda de forma atropelada.
- ...Aquilo...Disse "não"...? – São Paulo foi o primeiro a perguntar.
- ...É...Eu também ouvi...S-será...Que era um...
- Humano...
- Merda! Matamos um humano! – Tampou o rosto com as mãos – Matamos mesmo um humano!
- Shhhh! Rio! Ninguém precisa saber... Disso. – Colocou sinistramente o mais velho.
-... Esconderemos o corpo então...? – Concluiu cúmplice o mais novo entreabrindo os dedos e mostrando parte do rosto.
- Exatamente... Ninguém precisa saber...
- Certo...Vamos tacar naquele seu rio com nome de ET... Duvido que alguém descubra...
- Tacar na minha capital!...E...O QUE? ORA SEU IDIOTA!
- Mas... – Continuou Rio – Aquele "Não" soou meio... Autoritário, não acha...?
- ...Não mude de assunto agora seu...!
- E uma voz meio aguda...
- Bem...Agora que cê falou...
- Brasília! – Falaram ao mesmo tempo.
- PUT* QUE PARI* - Berrou o paulista batendo contra a própria testa – Agora siiim estamos fud*dos! Por que não podíamos ter acertado o imbecil do Rio Grande do Sul? Por que Brasília tinha que ser imortal?
- Sampa!
- Teria sido melhor! – Defendeu-se – Agora definitivamente estamos perdidos... Ele viu que éramos nós, até falamos nossos nomes...
-... Bem... – Começou o carioca com um sorrisinho, tentando animar a situação – Talvez ainda possamos trocar nossos nomes e fugir do país
- Aaaaaaaah siiiim, claro
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
- COMO É POSHIVEL QUI XES TENHÁM FETCHO ALGO COMO ISSHO!
Os Estados do Sul, Sudeste mais Brasília e Bahia estavam todos reunidos perto da rampa do planalto. A capital estava completamente encharcada, com o lábio inchado e sangrando, em sua testa um grande hematoma, e estava meio curvado, parecendo ter uma grande dor de barriga.
- Já faz quanto tempo que ele está a gritar? – Questionou Rio Grande do Sul
- Acho que há uma meia hora – Falou Santa Catarina bocejando.
- Pobre Sampa... – Disse Paraná
- Hunf, Aquele lá merece tudo que acontece com ele.
- Rio! Não diga issu homi! – Criticou Bahia, no que o namorado apenas desviou o olhar contrariado – Eu estou preocupada... Num quero qui ós dois recebam a culpa di tudu sozínhus... Máh já tentei falá com Brasília... Ao menus cuidá das feridas dele...Mas eli num me escuta...
- Ele berrou algo sobre ter tropeçado e se machucado quando as luzes ficaram apagando...Mais os dois conseguiram ferir Brasília de jeito também... – Colocou Espírito Santo, que estava sentado junto com seus quase tios do sul. – Quando eu achei Minas no corredor não fui tão furtivo... Embora tenha gritado e fugido de qualquer forma...
- Dísculpa santo! Eu nem pensei qui era ocê... E eu disse qui abri a caxá di luz cum um facão num era uma boa ideia – O mineiro também observava preocupado a cena – Achu qui os ar condiciónadu todos queimaram também... Sin falá das janelás que Santo atirou...
O mineirin virou-se para o capixaba e os olhares se encontraram, porém este apenas lhe lançou um olhar bravo voltando a ver os dois outros do sudeste, no que Minas apenas suspirou profundamente.
- Nada disso teria acontecido se tivessem me escutado – Voltou o capixaba – Fui eu que entrei aqui ontem, tinha esquecido uns documentos, tropecei e as moças da limpeza me ouviram xingando...
- No final, aqui num tém fantasmas... Mas tem Espírito – Pós Bahia.
- Eu só não entendi uma coisa... – Tornou a falar Paraná com as sobrancelhas erguidas – Quem é que estava fazendo aquele barulho... Um som seco e estranho nos corredores...?
- É... Eu ouvi também Pázinho...
- Tche... Eu também..
- ...I eu...
- Lembro de ter escutado
- Eu mais Brasília também...
Silêncio...
- Aiiii! Que horror! – Exclamou a catarinense abraçando o paraense pelas costas- Eu nunca, NUNCA mais volto nesse lugar de noite!
- SANTA!
E os outros dois...
- SHEMPRE! SHEMPREEE! VOCHÊS SÓ ME CAUSHAM DOR DE CABECHA!
Rio de Janeiro e São Paulo ouviam a desgastante bronca ambos encarando Brasília e esperando o momento final daquela ladainha toda... Sabiam que não escapariam dessa vez. Só faltava esperar para saberem qual seria a punição.
- SHEMPRE! SHEMPRE SHÂO VOCHÊS DOIS! VOCHÊS NÃO PODEM FICAR JUNTIOS MAISH DE CHINCO MINUTIOS TUDIO VIRA UM CAUS!
Nenhum dos dois dizia nada, não tinham realmente muita defesa contra o grande vergão no tórax do brasiliense, e talvez muito provavelmente, algumas costelas quebradas...
Então a capital finalmente parou, dando esperanças a todos de que tudo aquilo enfim tinha acabado, e todos poderiam ir dormir e descansar depois dessa madrugada tão exaustiva.
- ... Eu devia ter feito issho a muitio tempo...- Seguiu sério o Distrito Federal – Vochês shimplesmente não podem ficar perto um do outro... E eu vou garantir qui não fiquiem!
E essas palavras pareceram atravessar afiada o peito de ambos.
Sem saber exatamente o que isso queria dizer...
E no que isso iria influenciar...
Acabou em um momento ruim?
Pooois é!
Mas vocês sabeeem, com review eu escrevo muuuito mais rápido, e vocês então vão saber o que exatamente Brasília quis dizer com isso =x
Então... Até mais ver! ;D
Queria postar God Save the Outcast hoje... Mas já são 04 e pouco... E eu tenho que trabalhar amanha... ;-; Vou tentar postar durante a semana
