Inuyasha e Kagome que antes foram tão unidos, agora se encontravam frente a frente em lados opostos.
-Quem lhe contou isso? – voltou a questiona-la.
-Sabe Inuyasha, às vezes você confia demais nas pessoas erradas e duvida das pessoas certas – começou a ironizar a situação – Eu voltei para casa para lhe contar que tinha descoberto que Mirok e a Sango trabalhavam para a KGB...
-Então aqueles dois trabalham para a KGB! – interrompeu o Inuyasha.
No entanto, Kagome continuou falando ignorando a exclamação de surpresa do meio-youkai.
-Quando cheguei os encontrei aqui, e pensei que deveria me preocupar com eles afinal eles eram da KGB – num tom de obviedade - entretanto eles foram as únicas pessoas que se importaram comigo, porque eles não me esconderam a verdade!
-Não diga besteiras Kagome – Inuyasha começava a se alterar com as acusações que a jovem lhe fazia – Eles te usaram!
-E quanto a você? – perguntou em meio as lágrimas; já não controlava mais suas emoções e não se importava mais em deixar-las transparecer frente ao ex-parceiro.
Inuyasha nada respondeu, e a jovem apenas virou as costas começando a caminhar em direção ao quarto.
-Kagome aonde vai?
-Eu vou para bem longe de você! – respondeu sem se virar para olha-lo.
Inuyasha sentiu uma pontada no coração ao escutar as palavras da jovem que um dia ele tanto amara, e ainda amava.
-Não pode ir assim! – esbravejou.
Kagome virou-se e olhou no fundo dos olhos do meio-youkai.
-O que vai fazer? – desafiou-o - Não pode me prender. Estamos na União Soviética, sabia? E aqui está fora da sua jurisdição! – desdenhou.
-Kagome, eu não menti quando disse que te amava – tentou apelar para os sentimentos da moça.
A jovem sentiu as pernas fraquejarem e por um insano momento teve vontade de se atirar nos braços de Inuyasha, queria se esquecer de toda aquela dor nos braços da pessoa que mais amava no mundo; mas já não havia volta atrás, aquele era um caminho de mão única. Ela se entregara de corpo e alma para ele, e ele escondeu dela a verdade.
-E eu realmente acreditei nisso um dia, mas já não acredito mais – disse num tom de voz tão frio que seria capaz de congelar o coração mais quente.
Inuyasha não voltou a dizer nada, ela estava decidida e não havia nada que ele pudesse fazer; afinal dentro de alguns dias estaria voltando para os Estados Unidos e a separação entre eles seria inevitável de qualquer forma. Viu quando a jovem saiu do quarto carregando duas malas, ela estava indo embora para sempre da sua vida, aquela que ele jurara amar e lutar o estava deixando, e ele estava ali diante daquela cena como se fosse uma estátua: imóvel e frio.
Kagome passou por Inuyasha sem se despedir ou mesmo olha-lo, não restava mais palavras a serem ditas. Quando a moça abriu a porta da sala pronta para sair do apartamento, Inuyasha apenas lhe disse.
-É isso o que sempre faz, foge! - alfinetou
Kagome indignou-se e sem virar para olha-lo respondeu.
-E o que você faz, Inuyasha? Mente.
A jovem bateu a porta deixando Inuyasha parado no meio da sala vazia.
Kagome pegou um táxi e foi até o novo apartamento de Mirok e Sango, enquanto passava pelas ruas frias de Moscou apenas uma coisa estava em sua mente: Inuyasha. Outra vez o amor a decepcionara, brincara com ela e no fim deixara-a parecendo uma tola.
O novo apartamento de Mirok e Sango não lembrava muito o antigo, era um prédio de classe média alta e não tinha na fachada os luxos do anterior. Foi até o 6º andar, e bateu na porta de número 40; após algum tempo Sango veio abrir a porta.
-Kagome que bom que veio – disse a jovem preocupada com a amiga que tinha o rosto molhado.
-Entre, vamos – Mirok veio ao encontro da jovem ajudando-a a carregar as malas.
-Obrigada por me acolherem - agradeceu Kagome.
-Nos ajudou muito nas investigações – começou Mirok
-Mesmo que não soubesse – completou Sango.
No fundo Kagome sabia que tanto Mirok e Sango como Inuyasha a haviam usado para cumprir seus objetivos, mas por algum estranho motivo sentia apenas que tinha sido traída por Inuyasha. Talvez porque esperasse que ele tivesse sido sincero com ela devido ao que aconteceu entre eles, já Mirok e Sango, ela nunca confiou verdadeiramente neles, sempre suspeitara da missão, mesmo que colaborasse com ela, por isso não tinha sido assim tão impactante o que descobrira sobre eles; no entanto, ela amava Inuyasha e confiou plenamente nele.
-Mirok gostaria de saber o porquê a KGB está envolvida nessa missão – perguntou diretamente.
O rapaz olhou para a noiva que assentiu com a cabeça.
-Kagome acreditamos que você esteja envolvida em um jogo de espiões, e a KGB faz parte desse jogo – disse Sango.
E Mirok começou a explicar.
-Alguns membros da alta cúpula do governo soviética queriam que atacássemos os americanos o quanto antes. No entanto, a KGB acredita que se o fizéssemos, ocasionaria uma guerra entre União Soviética e Estados Unidos; e os soviéticos não teriam como sustentar essa guerra por muito tempo, e, portanto, acabaríamos perdendo – fez uma pausa para respirar - Entretanto a insistência em atacar os americanos por parte desses membros sob afirmações de que teríamos condições de sustentar essa guerra contra nossos antigos aliados fez a KGB suspeitar que o governo soviético estava escondendo algo deles. A KGB vem tendo um grande destaque no cenário mundial, e isso tem causado o desagrado de algumas coligações conservadoras do governo soviético.
-Por isso nos contrataram, para espionar o governo soviético em nome da KGB? – concluiu Kagome
-Suspeitávamos que alguém estava passando informação americana diretamente para esses membros do governo soviético, quando descobrimos que se tratava do Narak, pedimos a ele que enviasse dois espiões americanos para realizar uma missão no país.
-Isso confirmaria que Narak estava aliado ao governo soviético – ponderou Sango – quando o contratamos não dissemos que trabalhávamos para a KGB.
-Enganaram o Narak? – surprendou-se Kagome.
-Sim – disse Mirok abrindo um sorriso – No entanto parece que ele descobriu que não éramos do governo – o sorriso desapareceu rapidamente dos lábios do rapaz
-Por isso aquele maldito nunca entrou em contato comigo e com Inuyasha. Nos deixou aqui a mercê da KGB – disse Kagome num tom de preocupação, finalmente entendia muitas coisas que haviam passado desapercebida.
- Parece que sim ... – bufou Mirok
-Espera aí – disse a jovem levantando-se do sofá – quer dizer que quando souberam que o Narak havia descoberto o plano resolveram nos usar para conseguir as informações da fábrica – Kagome estava furiosa.
-Kagome, entenda. O que fez foi pelo bem de nosso país e do seu também – ponderou Sango – o governo soviético vem ocultando essas informações tão importantes apenas para que entremos em guerra com os americanos.
-Além disso, não queríamos que espionassem todo o governo – continuou Mirok - apenas a fábrica Shutter responsável pela produção da maior parte dos armamentos bélicos do país. Acredite Kagome não ficaria bem se descobrissem que a KGB está espionando o próprio país...
-Mais dois espiões americanos espionando a União Soviética...- Kagome estava pasma diante dos fatos que agora finalmente se aclaravam em sua mente.
-Além disso, não os deixamos sozinhos nessa missão – Mirok tentava amenizar o fato de terem usado Inuyasha e Kagome para executar a missão - acompanhamos com vocês toda a missão e também na fábrica tínhamos o Kouga
-Inuyasha me contou que Kouga também era da KGB.
-Kouga não era muito confiável para a missão – desabafou Sango
-E se o descobrissem desviando documentos da fábrica a reputação da KGB seria comprometida, mas ele lhe ajudou bastante ao deixa-la livre para ter acesso e para verificar os documentos.
Kagome realmente agora percebera que em muitas ocasiões Kouga a vira com documentos confidenciais na mão, mas nunca a repreendera. E os documentos do cofre, ele inclusive lhe mostrou, indiretamente, onde estava a combinação para abrir a porta do cofre.
- O que nos surpreendeu foi saber que um agente da CIA viria disfarçado nessa missão –Mirok suspirou.
-Ele não te contou nada Kagome? – perguntou Sango.
Kagome respirou fundo, e um filme passou em sua mente naquele momento.
-Nunca me disse nada, e nem eu suspeitei – disse decepcionada consigo mesma, ainda que fosse uma espiã experiente havia confiado demais em quem não conhecia.
-Ele enganou a todos – disse Mirok abrindo um largo sorriso, como se tentasse consolar Kagome.
-Kagome, é melhor descansar. Eu vou mostrar o seu quarto.
Inuyasha estava sentando no chão da sala do apartamento vazio pensando em tudo o que havia acontecido, e não era só Kagome que preenchia sua mente, pensava também no que ela dissera sobre Mirok e Sango e finalmente o Kikyo lhe dissera sobre Kouga fizera sentido.
FLASHBACK
Inuyasha estava no clube sentando ao lado de Kikyo.
-Inuyasha pedi que viesse aqui por um motivo importante – disse a jovem que parecia bem séria.
O meio-youkai sabia o que significava aquele olhar sério de Kikyo, quando ela o olhava daquela forma era porque o assunto era realmente importante.
-Bah! Diga logo então! – o olhar de Kikyo o estava deixando incomodado e curioso.
-A KGB está envolvida nessa missão. Narak trabalhava para eles passando informações secretas americanas, e parece que agora está os usando para serem espiões da própria KGB.
-Por que a KGB precisa de espiões americanos?
-Porque simplesmente a KGB não pode espionar o próprio país, mas se dois espiões americanos fossem pegos espionando a União Soviética...
-Aqueles malditos nos usaram! – gritou dando um soco na mesa e atraindo a atenção de todos ao redor deles.
-Por favor Inuyasha, controle-se! – pediu Kikyo
-Descobrimos um dos agentes da KGB, mas acredito que existam outros – fez uma breve pausa - o chefe da sua parceira é um dos espiões da KGB.
-Então Kouga é um agente da KGB!- esbravejou levantou-se do banco.
-Oras Inuyasha, ao tempo que a sua parceira está trabalhando com ele estranho que ela não tenha percebido isso – desdenhou.
-Kagome não me disse nada – disse voltando a sentar-se.
FIM DO FLASHBACK
-Kagome não me disse porque não sabia disso até que lhe contasse naquele dia; mas porque a KGB precisava de espiões na fábrica se aquele lobo fedido...- a resposta para aquela pergunta logo lhe ocorreu antes mesmo que terminasse a setença – porque não queriam que ele fosse descoberto desviando os documentos.
Inuyasha se sentiu tão usado quanto Kagome, mas sabia que a jovem tinha mais motivos do que ele para ficar chateada com a situação; afinal ela estava envolvida mais do que ele em todo aquele 'jogo de espiões'. Ele se dirigiu ao quarto, e viu sobre a penteadeira a jóia de shikon que ele dera para Kagome junto a um bilhete; pegou o bilhete e desdobrou, reconheceu a caligrafia fina e desenhada da parceira.
"Inuyasha pode manter apenas a jóia perto de você, não a mim."
O meio-youkai amassou o bilhete e guardando a jóia de shikon no bolso saiu. Resolveu ir procurar Kikyo.
COMENTÁRIO DA AUTORA
Kouga ajudava a Kagome a conseguir as informações, ele sabia sobre ela e Inuyasha, por isso não se importava com o cheiro de Inuyasha nela. Lembram que no começo eu contei que Kouga os havia visto juntos no parque, mas ninguém questionou o fato de que se Kouga os vira junto era porque sabia que eles estavam juntos. Eu bolei uma ótima estratégia de espionagem, não foi?
Claro que a história tinha falhas e deixava brechas para dúvidas, mas era essa a intenção, afinal nenhum plano é perfeito.
E AÍ O QUE ACHARAM DO JOGO DE ESPIÕES NO QUAL A KAGOME ESTAVA
ENVOLVIDA? JÁ HAVIAM DECIFRADO TODAS AS PEÇAS E QUAL ERA O
JOGO?
RESPOSTAS DAS REVIEWS
Eu deixo as respostas individuais no próximo post
OBRIGADO A TODOS QUE VEM ACOMPANHANDO A HISTÓRIA!!!
