Meses mais tarde, o verão havia chegado as Terras do Oeste trazendo dias quentes. O céu muito azul e sem nuvens durante todo o dia era maravilhoso e a leve brisa que surgia no fim da tarde era um convite a um passeio, e isso era o que a Senhora do Oeste fazia todas as tardes e levava o pequeno Heikou consigo. O menino tinha agora quase cinco meses e estava cada vez mais bonito. O rostinho angelical encantava a todos que o viam e os olhos dourados e brilhantes fascinavam tanto quanto os do pai.
Eles estavam agora sob a sombra de uma imensa e muito antiga árvore, havia um tecido forrado ao chão e Rin estava sentada sobre ele brincando e conversando com o filho que sorria lindamente quando estimulado pela mãe, ele emitia aqueles ruídos típicos de bebê, enquanto a mãe o abraçava e acariciava.
- Meu príncipe, até ter você eu só ouvia falar, que não há amor maior no mundo do que o amor de uma mãe por seu filho. Agora eu sei como é, porque nunca havia sentido nada tão poderoso quanto o que sinto agora.
Heikou olhava atentamente o rosto da mãe como se pudesse compreender o que ela dizia e sorria, sorria muito. A "conversa" dos dois foi interrompida por uma voz conhecida.
- Rin?! Onde foi parar essa menina com o herdeiro do Senhor Sesshoumaru? O velho youkai Jaken resmungava. Estava cada vez mais ranzinza e insistia em se referir a Heikou como se ele fosse filho apenas de Sesshoumaru, como se Rin não tivesse participação na concepção daquela vida.
O youkai andou mais alguns passos e encontrou a jovem sentada já olhando em sua direção.
- O que faz aqui Sr Jaken? Ela perguntou calmamente.
- Estava procurando por você menina. Você não deveria se afastar do castelo com o herdeiro do Sssenhor Ssssessshoumaru.
Rin arqueou as sobrancelhas e levantou-se com o filho nos braços.
- Eu vou com MEU FILHO aonde quiser Sr Jaken. Disse demonstrando irritação e frisando bem as palavras "meu e filho", o que chamou a atenção do velho youkai e este tratou logo de se desculpar fazendo uma reverência.
- Perdoe-me Rin. Eu sou só um velho estúpido.
Rin que não conseguia se zangar com ninguém por muito tempo, logo desfez a cara emburrada e se pôs a caminhar de volta ao castelo.
- Vamos embora Sr Jaken. Sesshoumaru mandou o senhor vir atrás de mim?
- Sssim. Ele não quer que saia do castelo sozinha menina, pode ser perigoso.
Rin deu um sorriso encarando os olhos dourados do filho que a fitavam.
Ao chegar ao castelo Rin foi direto para seus aposentos, os últimos raios de sol já despediam-se dando lugar a um céu extremamente estrelado.
Os criados já conheciam bem a rotina de sua senhora e já haviam providenciado água para encher a banheira, a mesma estava repleta de pétalas de rosas. Rin retirou a roupinha do filho e depois se despiu.
- Vamos nos banhar meu amor?
Ela entrou na banheira com cuidado segurando Heikou no colo e ele reclamou um pouco ao sentir a água em contato com a pele, mas logo se acostumou com a temperatura que era agradável, mas se chocava num primeiro momento com a do corpo. A mãe o deitou apoiando a cabecinha dele em um dos braços e com o outro reunia pequenas porções de água com a mão e molhava-o delicadamente. Viu o menino fechar os olhos ao sentir a água escorrer pelos cabelos e sorriu.
Rin entoava uma linda canção enquanto banhava o filho e a si própria, logo percebeu uma figura imponente parada à porta do quarto de banho, observando-a. Sorriu docemente para ele e continuou cantando e jogando a água perfumada no filho.
O youkai se aproximou da banheira e agachou-se ajoelhando em um dos degraus apoiando as mãos na borda. Beijou a mulher com doçura e com o dedo indicador acariciou o rosto do filho fitando-o.
- Quer se juntar a nós? Ela perguntou.
- É uma proposta tentadora, mas eu tenho que resolver um assunto. Estou sendo esperado lá embaixo.
O youkai se levantou e caminhou até a porta.
- Eu volto em algumas horas. Ele avisou antes de sair.
Ela apenas concordou com a cabeça.
- Nós hoje não teremos a companhia do papai, querido.
Cerca de quatro horas mais tarde, após o jantar, Rin estava de volta a seus aposentos e sentada em uma confortável poltrona, próxima a uma janela amamentava o pequeno Heikou. O menino tinha os olhinhos fechados quase vencido pelo sono.
A lua cheia no céu iluminava o quarto, além das lanternas penduradas nas colunas que haviam ali.
Um barulho na porta chamou a atenção de Rin que estava admirando a linda lua e com uma das mãos brincava com os dedinhos de Heikou. Sesshoumaru entrou no quarto e olhou para mulher e esta lhe sorriu. Antes de se aproximar ele retirou as espadas da cintura colocando-as no devido lugar, depois despiu a armadura fazendo o mesmo.
Rin assumiu uma postura séria ao vê-lo mais de perto.
- Esteve envolvido em alguma luta? Perguntou preocupada.
- Sim. Ele respondeu simplesmente.
Havia sangue no quimono dele e Rin fitou a mancha apreensiva, Sesshoumaru não se aproximou mais deles, queria livrar-se daquelas roupas e do cheiro fétido de seu inimigo.
Diante da ausência de explicações por parte dele, Rin indagou mais uma vez.
- O que aconteceu Sesshoumaru? Esse sangue...
- Não é meu Rin, não se preocupe. Ele falava baixo visando não acordar o filho.
- O que houve? Ela insistiu.
- Fui desafiado por um infeliz que achou que teria força o suficiente para derrotar este Sesshoumaru. A questão foi devidamente resolvida.
- E você sabia do que se tratava quando saiu daqui mais cedo e me beijou daquela forma tranqüila?
- Sim.
- Sesshy!? Ela disse em tom repreensivo.
- Era uma questão de honra Rin. Ele explicou calmamente. - Eu não posso negar a um youkai a oportunidade der ter uma luta justa após ele ter me desafiado, ainda que isto seja uma tolice, visto que ele jamais teria poder para me derrotar.
Rin respirou fundo e olhou para o filho. Depois de anos de convivência ela deveria saber que Sesshoumaru jamais recusaria uma luta, mas não conseguia evitar preocupar-se ainda mais agora que eles tinham um filho, o pequeno Heikou precisava dos dois, pai e mãe.
- Vou me banhar e tirar o cheiro daquele imundo de mim. Sesshoumaru disse entrando no quarto de banho.
Após alguns minutos ele retornou trajando um quimono leve na cor azul, não se aproximou da mulher que estava séria e pensativa ainda com o filho nos braços, ele agora ressonava, mas ainda estava na posição da mamada.
- Rin pare de se preocupar com bobagens. O yokai disse com a voz serena enquanto fitava a lua pela porta que levava a sacada. – Após tantos anos, já deveria ter se acostumado a acontecimentos como esse.
Rin olhou para a silhueta dele iluminada pela luz da lua, depois para o pequeno ser que se mexia em seu colo.
- O que foi meu amor? Ela perguntou se dirigindo ao filho.
A pergunta fez com que Sesshoumaru se virasse para encará-la.
- Eu o acordei? Ele perguntou a ela.
Rin observava o filho movendo a cabeça e os olhinhos e sorriu ao perceber do que se tratava.
- Sesshoumaru venha até aqui. Ela pediu.
- O que foi? Ele questionou já se aproximando.
- Ele despertou ao ouvir sua voz e o está procurando. Eu já havia percebido isso, quando ele ouve sua voz imediatamente fica atento a ela, pára o que estiver fazendo até mesmo quando o estou alimentando.
Sesshoumaru deu um leve sorriso e tocou o rosto do filho, fazendo com que os orbes dourados de ambos se encarassem.
- O que foi rapaz? Ele se dirigiu ao filho que o fitava vividamente. - Você deve desfrutar desses momentos que passa com sua mãe, aprecie o toque da pele dela e se sinta feliz por ser o único além deste Sesshoumaru que pode usufruir de tal privilégio.
Sesshoumaru sentou-se ao lado de Rin na poltrona, prendendo a atenção do filho mesmo após ele ter voltado a sugar avidamente o seio da mãe com uma das mãozinhas pousada sobre ele. Levou apenas alguns minutos para que o pequenino voltasse a ressonar tranqüilamente, então Rin colocou-o confortavelmente no berço.
Rin voltou-se para a cama onde o youkai já deitara e fitava o teto decorado com afrescos orientais. Ela se sentou ao seu lado e passou a fitá-lo.
- Você está bem? A pergunta chamou a atenção de Sesshoumaru que a olhou nos olhos. - Não está mesmo ferido?
Sesshoumaru arqueou uma das sobrancelhas.
- Você agora duvida de minhas habilidades em batalha Rin? O que aconteceu com você?
- Nada. Ela respondeu baixando os olhos e fitando as próprias mãos pousadas sobre a perna.
Sesshoumaru abriu o quimono deixando a mostra o peito e o abdômen.
- Vê algum ferimento em mim Rin?
Ela voltou os olhos para ele examinando-o, suspirou pesadamente e deitou-se ao lado dele com a cabeça em seu ombro e o rosto virado contra o dele.
- Me diga o que está havendo minha Rin? Ele sussurrou após beijá-la.
Rin tinha os olhos fechados e após respirar fundo, os abriu.
- Eu...estou tendo pesadelos, todas as noites pesadelos terríveis.
- Comigo?
- Sim.
Sesshoumaru a abraçou apertando-a forte contra o próprio corpo.
- São apenas pesadelos minha Rin. Fique tranqüila.
Ai Deus que Sesshoumaru é esse???
Relendo esse capítulo eu confesso que não sei como Sesshy ficou tão docinho. Não que eu não goste disso, ao contrário. A Rin então, com certeza não tem qualquer queixa. XD.
Sei não... acho que farei ele voltar a ser cruel. O que vocês acham?
Espero que tenham gostado. Aguardo reviews.
Beijos!
