Meio amargo

Epílogo

Narrado por Saturo

Eu não posso dizer a quanto tempo estou acordado. Eu passei a minha vida sendo preparado para esse momento, e agora que o mesmo chegou, eu me senti apavorado.

-Saturo! Eu sei que você está acordado – Reclamou Lin se jogando em minha cama e eu sorri abrindo os olhos para encarar os olhos verdes da minha irmã. – Preparado?

-Tem que estar não é? – Perguntei meio irônico e ela revirou os olhos.

-Isso é porque você não quis escolher sua noiva, o Otou-san perguntou milhares de vezes se tinha alguém em especial que você gostaria de casar. E você sempre gostou da Hyuuga – Disse Lin se referindo a Hyuuga Hana, a filha mais nova do líder do clã – Se você tivesse falado o Otou-san com certeza daria um jeito.

-Lin, eu vou me tornar Rei do País da Água, eu preciso de uma Rainha e não de uma menina – Falei levantando e ela suspirou irritada.

-Para você todo mundo é criança esqueceu? Até mesmo eu que tenho a sua idade – Reclamou Lin e eu revirei os olhos. Mesmo agora com dezoito anos, a Lin ainda agia como menina. E mesmo com uma aparência feminina, que arrastava pretendentes por quase o mundo ninja todo, ainda tinha cabeça de criança.

-Mesma idade, não maturidade – Falei jogando o kimono que deveria usar na viagem até o País da Água – Além do que, será bem mais fácil eu ser aceito do País da Água casando com uma mulher de lá.

-Espero que ela não seja feia – Falou Lin e eu tive que rir. Essa com certeza, era a menor das minhas preocupações.

-E você? Quando vai aceitar um pretendente? – Perguntei distraído enquanto ia para trás do biombo para tomar banho com o mínimo de privacidade.

-Quando o certo aparecer – Respondeu Lin de forma animada me jogando uma toalha. O Otou-san decidiu só casar a Lin quando ela completasse dezoito. E a okaa-san o convenceu a esperar o tal cara certo pelo menos até ela completar dezenove. Ou seja, um ano de prazo.

-O prazo do cara certo está acabando – Falei saindo já vestido com a parte de baixo do meu kimono e amarrando a parte de cima.

-Se for mesmo o cara certo ele irá chegar antes do prazo acabar – Disse Lin com simplicidade e a porta do meu quarto foi aberta com violência produzindo um barulho alto e irritante. E nem precisei me virar para saber que se tratava do meu irmão casula.

Eu me lembro como se fosse hoje quando a minha mãe descobriu que estava grávida. Foi um momento de pura alegria, nunca vi meu pai sorrir tanto quando achava que não estava sendo observado. E quando o Toya nasceu era como se nossa família se completasse. O pior foi que o parto teve complicações. Ninguém sabia se rezava pela vida do bebe ou da minha mãe. Mas, graças a Kami-sama, os dois ficaram bem, apesar da minha mãe nunca mais ter engravidado.

E Toya era uma bebe bem menor que a maioria. Se bem, que com o tempo, se tornou uma criança forte e extremamente imperativa. Estava sempre me seguindo com aqueles olhos azuis pidões herdados da família da minha mãe. Ou seguia o papai até ele treinar conosco. Mas, eu tinha que admitir. Eu iria sentir muita sua falta.

-Vocês ainda estão aqui? – Perguntou Toya e a Lin revirou os olhos – Já está tudo pronto para sairmos.

-Já estamos indo – Falou Lin passando a mão antes pelos cabelos negros do Toya que revirou os olhos – Se eu fosse você comia alguma coisa.

-Eu vou – Falei a observando sair do quarto me deixando sozinho com o Toya que desceu comigo até a cozinha – Cadê o Otou-san?

-Está conversando com um diplomata do País do Trovão – Falou Toya enquanto devorava o seu jantar – Você sabe que desde que o filho se matou o rei pirou.

O papai continuava o mesmo. Sempre colocando Konoha em primeiro lugar. Ele era o melhor rei que um país poderia ter, e não acho isso por ser seu filho. E sim, porque ele é firme, estrategista, forte, sem perder a emoção. O amor que ele sentia pela minha mãe chegava a ser constrangedor em alguns momentos.

Não que ele declarasse isso ou demonstrasse abertamente. E sim, os pequenos toques, os olhares, a forma que ele sempre tinha que tocá-la de alguma maneira sutil. Era esse tipo de amor que eu gostaria de sentir por alguém.

-Ola meus pequenos – Disse minha mãe entrando com um largo sorriso no rosto. Ela conseguia se manter mais linda do que nunca. Seus cabelos eram longos fios cor de rosa que iam até sua cintura. Seus olhos eram verdes iluminados por um constante sorriso em seu rosto. E ela com certeza não parecia ser mãe de um homem feito.

-Eu não sou pequeno – Reclamou Toya e a mamãe foi até ele e beijou sua bochecha o fazendo corar – Okaa-san!

-Ok meninos grandes, vão pegar suas coisas – Mandou minha mãe após beijar meu rosto e o Toya correu comigo logo atrás.

E não foi fácil dar adeus para o quarto que sempre usei. Peguei o necessário sabendo que minha mãe enviaria o resto depois. Eu sentiria falta de acordar com a visão do jardim da Lin. Do sorriso da minha mãe e dos treinos com o meu pai e o Toya. Mas, eu precisava fazer o que era preciso. Na verdade, eu nunca tive escolha. Então aprendi a aceitar a minha única opção.

-O houve querida? – Escutei meu pai perguntar e parei na esquina do corredor onde poderia observá-los sem ser visto. Não que eu quisesse espiar meus pais, mas não queria atrapalhar o momento deles.

-Sasuke, eu sei que tenho que ser forte. Mas, eu não consigo imaginar essa casa sem o meu menininho – Falou minha mãe chorosa e eu senti meu coração apertar. Eu não podia imaginar o quanto isso poderia estar sendo doloroso para o resto da casa.

-Amor, o Saturo já está bem crescidinho – Falou meu pai sorrindo acariciando o rosto da minha mãe com carinho e ela pareceu suspirar.

-Eu sei que você está sofrendo tanto quanto eu, só que é mais discreto – Falou minha mãe e eu podia imaginar ela fazendo bico.

-É claro que estou, mas o Saturo merece ir atrás da sua felicidade e o País da Água merece um rei como o nosso filho – Respondeu meu pai beijando minha mãe de leve e eu fiquei feliz em ouvir aquilo.

-Vocês são tão lindos juntos – Comentou Lin rindo aparecendo da porta do jardim.

-Já terminou de arrumar suas coisas? – Perguntou meu pai constrangido e eu saí do meu esconderijo.

-Então? Vamos? – Perguntei e a minha mãe só me abraçou.

Narrado por Lin

Eu havia esquecido levemente como era o País da Água. Na verdade, eu só lembrava das coisas ruins. Na minha querida e amada avó e no fato que o meu irmão gêmeo iria ficar aqui.

Mas, uma coisa eu tinha que dizer. O povo realmente esperava pelo seu rei. Meu pai tinha razão. Esse país realmente precisava de um rei, um rei como o Saturo. E por mais que me doesse ficar longe do meu irmão, eu sabia que ele poderia ser feliz aqui.

A comitiva de Konoha desceu das carruagens em meio a aplausos do povo e o Saturo acenou com um pequeno sorriso no rosto. Entramos e no são particular do castelo estava a minha família, o Naruto-kun e o Hiro. A Hanabi-chan preferiu ficar em casa com a casula do casal.

Além de nós estavam o Kakashi-kun, vovó-bruxa e a família da noiva. Está era uma mulher relativamente mais alta do que eu. Seus cabelos eram de um loiro bem claro, com mechas de outros tons de loiros, alguns mais escuros. O pouco que eu podia ver do seu rosto mostrava traços delicados. Na verdade, ela era muito bonita. Só que quase avanço em sua direção quando vi a forma que ela observava para o Saturo por baixo da fria educação. Seus olhos negros brilhavam refletindo desprezo. E ninguém olhava para o meu irmãozinho assim.

-É um prazer conhecê-lo Uchiha-san – Falou o pai da noiva que o Toya sussurrou se chamar Yosaka-sama – É um prazer revê-la Sakura-hime.

-A Sakura já mudou de título há algum tempo – Comentou minha avó e é impressão minha ou ela está muito próxima do Kakashi? Kami-sama! Será possível? Não! Será?

-Eu aposto que isso ele já sabe – Falou Saturo assumindo o controle como apenas um Uchiha conseguia fazer – É um prazer Yosaka-sama.

-Um prazer imensurável para mim estar presente da sua majestade – Falou o homem sem mostrar prazer nenhum – Temos muito o que conversar.

-Sei que temos, mas esperaremos até o fim do jantar – Falou Saturo firme e eu sorri ao notar que os olhos do meu pai brilhavam de orgulho – É um prazer finalmente conhecê-la Aya.

-Igualmente Uchiha-san – Falou Aya em um tom musical desprovido de qualquer emoção.

-Porque não deixamos os nossos viajantes descansarem um pouco em seus quartos? Aposto que eles apreciariam um banho antes do jantar – Disse a vovó e com essa deixa subimos.

Entrei no meu quarto e sorri ao observar a banheira provavelmente cheia de água quente e tive que me deliciar com um bom banho quente. Logo depois coloquei meu Kimono azul-escuro com detalhes em prata e prendi meu cabelo em um coque alto enrolando finos fios de prata em meio ao rosa do meu cabelo. E quando terminei a minha maquiagem dispensei a criada e saí do meu quarto. Eu precisava saber com quem estava lidando.

-Posso falar com você? – Perguntei depois de bater e abrir uma pequena brecha – Será rápido.

-Claro – Falou Aya e as criadas saíram – Olhe, se você quer reclamar porque o principezinho escolheu casar comigo e não com você, terá que ser com o seu rei.

-Isso é algo que com certeza eu não poderia reclamar, já que o principezinho é o meu irmão – Falei entrando completamente no quarto.

-Oh! Peço perdão pelo engano então – Falou Aya se virando para me encarar e eu sorri do modo que eu sempre fazia quando queria intimidar alguém.

-Nenhum problema – Falei notando que ao saber que eu era da realeza ela baixou o olhar – Não precisa fazer isso. Eu sou uma mulher assim como você. E sei o que você está passando.

-Você por acaso vai casar com um desconhecido em menos de três dias? – Perguntou Aya levantando a vista e seus olhos escondiam algo.

-A única coisa diferente é a parte dos três dias – Falei sorrindo me sentando na sua frente – Olha, eu sei que você deve estar assustada. Eu sei que a fama dos homens da minha família não são as melhores. Mas, o Saturo não é o monstro que os inimigos pintam. Eles são ninjas implacáveis. Porém, são ótimos homens. Eles não procurar uma escrava e sim uma companheira. E isso faz toda a diferença.

-Porque você está dizendo isso? – Perguntou Aya e eu levantei sorrindo agora de verdade.

-Porque eu conheço meu irmão e o amo. Eu quero que ele seja feliz e se você for a chave para que isso aconteça então eu só posso rezar – Falei com calma – Meu único conselho que lhe dou é que cuide dele. E que nunca minta. O orgulho, infelizmente, é sempre maior em um Uchiha.

Narrado por Saturo

O jantar ia em perfeita ordem. Eu sabia que não seria acolhido de braços abertos pela nobreza, mas eu sabia como lidar com isso. Eu havia sido preparado desde os meus três anos e agora eu mostraria por que os Uchiha são tão respeitados por todo o mundo ninja.

-Quer um conselho da sua irmã gêmea que te ama muito? – Perguntou Lin aparecendo discretamente ao meu lado e eu fiz um não com a cabeça mesmo sabendo que iria falar de qualquer jeito – Peça para caminhar pelo jardim com sua noiva. Eu vou com vocês para garantir a decência desse encontro.

-Porque eu deveria fazer isso? – Perguntei e ela sorriu.

-Porque ela está assustada e precisa saber que esse casamento dará certo – Respondeu Lin e eu fiz um pequeno gesto com a minha cabeça pedindo que ela me seguisse.

-Uchiha-san – Cumprimentou aquele que seria meu sogro fingindo abertamente que a minha irmã não estava ali.

-Yosaka-sama, eu gostaria de pedir para passear com sua filha por alguns minutos no jardim – Falei com segurança ignorando o olhar de pavor que minha sogra lançou para o marido.

-Eu não acho que seria decente – Falou o homem sorrindo e foi a minha fez de sorrir.

-É exatamente por isso que a minha irmã, Lin, irá nos acompanhar – Falei fazendo um pequeno movimento com a mão e a Lin se curvou educadamente – Eu sei que o senhor confia na criação dado por meu pai.

-É claro – Falou o Yosaka permitindo que a Aya passasse e fomos para o jardim. Assim que passamos pela porta lateral que nos levaria até os jardins a Lin diminuiu a velocidade dos passos ficando pelo menos seis ou sete passos de distância. Permitindo que eu tivesse um pouco de privacidade.

-Eu não me lembrava como os jardins daqui eram bonitos – Comentei procurando um assunto para começar a conversa.

-O senhor já esteve aqui? – Perguntou Aya e eu sorri.

-Primeiro, chame-me de você – Falei sorrindo – E sim! Eu já estive aqui quando criança. A Lin é que gostava de andar pelos jardins. Eu preferia passar o dia seguindo meu pai.

Ela sorriu de leve com o meu comentário e paramos de andar sentando em um dos bancos que havia no jardim.

-Eu sei que você deve estar assustada em casar com alguém que não conhece e eu não posso fazer promessas de amor já que fomos apresentados há poucas horas – Falei serio tocando no seu queixo com delicadeza a fazendo me encarar – Mas, eu prometo fazer tudo que tiver ao meu alcance para me apaixonar por você e fazer você se apaixonar por mim. Eu quero fazer você feliz. Só que se você não quiser casar comigo, se tiver outro em seu coração. Eu recuso esse compromisso e recebo todas as conseqüências por conta própria.

-Porque você está dizendo isso? – Perguntou Aya parecendo assustada – Você não gostou de mim?

-Não é isso Aya – Falei com calma pegando sua mão – Eu só não quero obrigar uma pessoa a ficar presa a mim pelo resto da vida.

-Saturo, tem alguém circulando a gente – Falou Lin alarmada e eu sabia que ela estava se segurando para não ativar o sharingan. A Lin era uma das raras mulheres do clã que apresentou a capacidade de ativar a nossa herança sanguínea. Mas, quase ninguém sabia de tal habilidade, principalmente no nosso clã. Para os conservadores ela teria que casar com um Uchiha. Para o meu pai, ela poderia começar uma nova linhagem ainda mais avançada.

-Fique aqui com a Aya – Mandei ativando o meu sharingan e tirando uma Kunai da minha manga e sumi nas sombras. Só que o meu oponente não era bem o que eu imaginava. Em alguns segundos eu estava segurando uma criança que não devia ter muito mais do que a idade do Toya.

-Acho que com certeza isso não é uma tentativa de golpe – Falou Lin revirando os olhos sentando no banco.

-O que você está fazendo aqui? – Perguntou Aya parecendo em completo choque e eu levantei uma sobrancelha.

-Eu tinha que impedir essa insanidade – Falou o rapaz que eu já havia soltado – Eu posso te salvar desse compromisso.

-Salvar como fez agora? – Perguntou Lin sorrindo.

-Lin! Calada – Mandei e ela cruzou os braços emburrada – Você conhece ele?

-Conheço – Falou Aya e seus olhos já estavam rasos d'água – Por favor, Saturo-san, ele é apenas uma criança. Ele não sabe o que está fazendo.

-Escute menino, vá para casa, se você quer me desafiar treine muito e volte que eu luto com você. Mas, agora só vá embora – Mandei com paciência e o menino saiu correndo assustado.

-É melhor entrarmos, Saturo – Falou Lin ficando em pé.

-Você pode ir na frente, Lin? – Perguntou Aya e a Lin sorriu acelerando o passo e ficando um pouco afastada.

-Saturo-san, eu não posso dizer que o amo, mas posso prometer cuidar de você e lhe fazer o mais feliz possível – Disse Aya segurando as minhas mãos e me encarando. E isso era mais do que eu poderia pedir no momento.

Seis meses depois

Narrado por Sakura

-O que você olha tão concentrada? – Perguntou Sasuke e eu senti seus braços circulando minha cintura e me aconcheguei ao seu peito.

-Apenas a paisagem – Falei com calma aspirando o seu perfume – É bom te ter em casa cedo.

-Eu sei que não tenho tido muito tempo para ficar assim como você – Disse Sasuke e eu inclinei meu rosto em um gesto mudo e ele entendeu me beijando com calma. Apenas apreciando o momento. Apreciando a textura e o gosto – Hum! Eu sentia falta disso.

-Eu também – Falei voltando a beijá-lo dessa vez com mais desejo.

-O Saturo mandou uma carta – Comentou Sasuke e instintivamente meu coração apertou de saudade. Era difícil imaginar que o meu menininho está a quilômetros de distância de mim – Aparentemente ele está se entendendo com a sua esposa.

Sorri com o comentário pegando a parte da carta que eu poderia ler. E fiquei mais aliviada ao saber que ele gostava da Aya e que a mesma retribuía o sentimento. Da primeira vez que a vi fiquei preocupada com os rumos dos acontecimentos. Mas, pelo visto eram preocupações à toa.

-Nosso menino finalmente vai ser feliz – Falei com calma sorrindo – E quem sabe logo os netos chegarão.

-Assim eu me sinto velho – Comentou Sasuke sorrindo em um dos seus raros momentos descontraídos.

-Sasuke – Chamou Naruto no momento que eu estava me inclinando para beijar o meu marido – O futuro rei do País do Trovão está aqui para conversar com você e com a Sakura.

-O que? – Perguntou Sasuke surpreso se preparando para descer e eu fiz o mesmo.

-Boa Tarde – Falou um rapaz bonito se levantando assim que entramos na sala. Seus olhos eram de um tom violeta que nunca imaginei existir. Seus cabelos eram castanhos escuros com algumas partes mais claras e ele era levemente mais alto que o Sasuke – Peço que me desculpem por vim sem breve aviso.

-Com certeza deve ter um bom motivo – Falou Sasuke enquanto eu servia chá.

-O senhor deve saber que o meu irmão não está mais entre nós – Falou o rapaz e ele parecia tão calmo em relação a isso – Primeiramente eu gostaria de oficialmente me desculpar por todo o transtorno que o meu pai está causando a Konoha.

-É compreensível sua dor – Falei sorrindo e ele retribuiu para logo voltar sua atenção para o Sasuke.

-Eu me tornarei rei daqui a um mês, o meu pai não tem mais condição de reinar – Continuou a dizer o rapaz – E eu estou aqui para me apresentar como pretendente a mão da sua filha.

-Oh! – Exclamei sem querer.

-Eu sei que é repentino, mas peço que não recusem de cara – Falou o rapaz levantando-se – Eu irei agora e peço que pensem e venho amanhã receber uma resposta.

-Isso foi inesperado – Falei ainda me recuperando do choque.

-Você acha que devemos levar a serio? – Perguntou Sasuke levantando uma sobrancelha.

-Acho que devemos deixar a Lin falar com ele – Falei e seus olhos negros quase saltaram em orbita – Ele é um pretendente a se considerar Sasuke e prometemos isso a ela.

-Odeio quando você é a voz da razão – Falou Sasuke revirando os olhos e eu me sentei no seu colo e beijei seus lábios de leve.

-Eu não sei o que você faria sem mim – Disse sorrindo antes de levantar para procurar a Lin.

Narrado por Lin

Nervosa não era bem o adjetivo que eu estava procurando. Eu estava mais para histérica. Quando a minha mãe me falou que eu falaria com um pretendente preferi o jardim já que era o lugar da casa que eu me sentia mais segura.

Eu sabia que ele havia passado pela parta. Sabia que ele estava se aproximando. Mas, mesmo assim queria continuar a fingir que estava completamente alheia a sua presença. Eu tinha medo. Eu sabia que meu pai não me obrigaria a casar. E sabia também que esse pretendente era o futuro rei de algum canto. E isso seria uma ligação importante para Konoha. E eu não podia deixar de colocar isso na balança.

-Hime – Chamou o homem que poderia vir a ser o meu marido e eu fechei os olhos respirando fundo antes de me virar e o encarar.

-Você? – Sussurrei sentindo minhas pernas ficarem fracas e acabei sentando no banco que estava atrás de mim.

-Eu não sabia que reação sua esperar – Comentou Takashi sentando ao meu lado e eu sorri de leve.

-Eu nunca imaginei que você voltaria. Sonhei, mas nunca achei que viria – Falei olhando para as minhas mãos me sentindo corar.

-Peço desculpas por deixá-la esperando – Falou ele e eu sorri de leve. Ele pouco lembrava o garoto que eu havia conhecido no casamento do Tachi. Seus cabelos estavam mais cumpridos e seu corpo era o de um homem de vinte anos. E ele estava tão lindo. E seus olhos continuavam os menos, apesar de terem perdido o brilho de inocência.

-Você nunca respondeu minha carta – Falei sorrindo sem demonstrar ressentimento. Ele nunca saberia que passei a minha vida esperando uma resposta.

-Contudo, eu sempre a guardei comigo como um escudo – Falou Takashi tirando um papel dobrado do bolso interno do seu Kimono – Eu nunca tive a chance de responder. Pouco depois que eu a recebi, meu pai me enviou para o treinamento na Cidade X. Não existe nada além de treinamento naquele inferno. Depois eu fiquei com medo de responder e você nem ao menos se lembrar de mim.

-E teve coragem de vim aqui? – Perguntei levantando o rosto – Eu podia não te reconhecer.

-Eu me fiz uma promessa naquela noite que a gente se conheceu – Falou ele com calma – Eu me prometi que você seria a única que eu gostaria de ter como esposa.

-Que coincidência, eu estava justamente esperando por você – Falei sorrindo com calma.

-Isso quer dizer que você aceita o meu pedido? – Perguntou Takashi sorrindo abertamente segurando suas mãos com as minhas e eu só consegui sorrir.

Narrado por Sakura

-Você acha que ela irá aceitá-lo? – Perguntou Haruka sentada no balcão observando comigo o desenrolar da conversa que ocorria no jardim.

-Eu tenho certeza que irá – Falei com calma sabendo que ficaria só o Toya em casa – Ela o conheceu no seu casamento e disse que se casaria com ele.

-Isso é romântico – Disse Haruka sorrindo voltando a sua atenção para a janela. A Haruka não havia mudado muito após os anos. Sua animação continuava a mesma e era incrível como ela e o Itachi continuavam unidos – O Itachi nunca fez algo assim por mim.

-E mesmo assim você é completamente apaixonada por ele – Falei sorrindo e ela riu.

-Sabe, a primeira vez que eu cheguei à conclusão que não saberia mais viver sem a presença do Itachi, eu quase surto – Contou Haruka rindo – Mas, depois que me acostumei com essa idéia. Bom, eu acho que não preciso explicar isso a você.

-Não. Não precisa – Falei sorrindo no momento que o Itachi entrou na cozinha mais serio do que nunca. Os seus olhos avermelhados pareciam em chama.

-Uchiha Itachi! O que foi que você aprontou? – Perguntou Haruka com as mãos na cintura e eu tive que me segurar para não rir.

-Nada – Respondeu Itachi em um tom seco pegando um copo com água.

-Uchiha – Sibilou Haruka

-O que, Uchiha? – Perguntou Itachi sorrindo e a Haruka estreitou os olhos em gesto indicando sua falta de paciência – Ta! Aquele moleque do Naruto estava de conversinha com a nossa princesinha. E eu dei uma liçãozinha naquele moleque. O Toya está vigiando agora.

-Você está usando o meu filho como vigia? – Perguntei chocada.

-Você está vigiando nossa filha? – Perguntou Haruka irritada.

-Sim, eu estou usando o Toya como vigia. Ele é ótimo nisso – Falou Itachi com calma me fazendo revirar os olhos – E não, eu não estou vigiando a nossa filha. O Toya está vigiando aquele moleque atrevido.

-Ah! Então é isso que o Toya está fazendo parado na frente da casa do Naruto? – Perguntou Sasuke sorrindo de leve indo até a janela – Porque isso está demorando tanto?

-Eu pensei que o seu moleque ia ser mais discreto – Falou Itachi saindo da cozinha e eu novamente revirei os olhos.

-Quem diria que o Itachi ia ser tão ciumento – Comentei e a Haruka riu antes de seguir o marido para fora da cozinha.

-Até que fim – Falou Sasuke e percebi que a Lin estava se despedindo e vinha em nossa direção – Então?

-Otou-san, se o senhor permitir eu quero me casar com ele – Disse Lin e eu sorri a abraçando com força sentindo meus olhos cheios de lágrima.

-Você tem certeza, minha pequena hime? – Perguntou Sasuke e eu sorri para ele.

-Tenho Otou-san – Falou Lin começando a chorar enquanto ria – Só ele vai me fazer feliz.

-Então é com ele que você irá casar – Disse o Sasuke e a Lin pulou em seus braços.

-Eu tenho que escrever para o Saturo – Falou Lin correndo para o quarto.

-Nós vamos perder nossa menininha não é? – Perguntou Sasuke e eu me aproximei segurando seu rosto entre as minhas mãos.

-Não. Nós só vamos deixá-la crescer – Falei antes de beijá-lo.

Saturo,

Por favor, não interrogue o podre portador dessa carta. Eu sei que provavelmente você deve ter ficado assustado por ser um ninja a entregar essa carta, mas foi apenas um meio de eu ter certeza que ela chegaria a suas mãos em segurança e o mais rápido possível. E suponho que chegou.

As coisas aqui em Konoha andam maravilhosamente bem. O Tachi e a Ruka voltaram para passar um tempo por aqui, e acho que não preciso dizer que as coisas se animaram. O Hiro colocou na cabeça que está apaixonado pela nossa prima, tornando-se assim o inimigo número um do Tachi. Ele está usando diariamente o Toya como vigia do "moleque atrevido do Naruto". Só a Okaa-san não está satisfeita com isso. Ela e a Ruka. Que está a ponto de matar o Tachi.

Outra novidade é que algumas alianças foram feitas. A mais importante foi o contrato de casamento entre o clã Hyuuga e Suna. É exatamente isso que você está pensando. A princesinha Hyuuga, aquela que você considera apenas uma criança, irá casar com o filho mais velho da Ino-sama. Eu não sei o que achar desse arranjo. Você sabe que eu sempre tive um pouco de medo do Gaara-san.

Ei sei que você já deve estar com raiva de mim por toda essa conversa trivial. Direi o verdadeiro motivo da minha escrita. Saturo, ele finalmente chegou. Aquele homem certo que tanto eu esperei. Ele se chama Takashi e será o Rei do País do Trovão em pouco tempo. E eu estou tão feliz.

Sabe Saturo, antes eu pensava que o casamento era sobre ligações, contratos e certa dose de servidão. Agora eu sei o quanto eu estava enganada. Casamento é sobre promessas, respeito mutuo, carinho, paixão e amor. Principalmente amor.

Eu realmente espero que consiga perceber o quanto eu estou feliz, meu querido irmão.

Com amor

Uchiha Lin.

F I M

N/a: Oh Meu Deus!

Eu não acredito que a Meia Amargo acabou

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Peço desculpas pela demora. Autora com alguns probleminhas pessoais que me deixaram sem nenhuma idéia de como acabar essa história. Eu preferi me focar mais na Lin e no Saturo. Espero que vocês gostem.

Agora eu quero muito, muito agradecer a todos os comentários fofinhos de vocês. Quero agradecer a paciência com essa autora que realmente não sabe o que é ser pontual. Quero agradecer o carinho, aqueles que não comentaram, mas colocaram em alerta, favorito e a minha pessoa como autora favorita. Vocês realmente deviam deixar um review final só para fazer essa pobre autora feliz ^^

Mas, é serio, agradeço principalmente a todos que leram e mandaram opiniões, críticas e apoio. Obrigada mesmo. São vocês que fazem a pessoa criar vergonha na cara e postar mais um capítulo

Taty- Ola querida! Quero muito agradecer a sua presença constante aqui na fic. Muito obrigada mesmo pelo apoio ^^ Espero que goste de como a fic irá se encerrar.

Didinha- Ola querida! Tudo bem, espero que as provas tenham sido boas ^^ Quero muito agradecer pelo seu apoio e espero que goste de como a fic irá acabar.

Amorzinhos, tenho que informar que algum anônimo mandou um review sem colocar nada no nome. Então a quem eu não respondi foi por não saber a quem responder ^^ Não esqueçam os nomes ^^

Como algumas pessoas pediram, eu vou colocar aqui o nome da minha próxima fic, que deve ser postada no próximo mês. Ela se chamara: "O Segredo de uma Tulipa"

Espero mesmo que vocês apareçam por lá

Até a próxima história.

30/06/2010