Capítulo 20

Acordei assustada e fiquei tonta com o movimento rápido quando me levantei. Coloquei a mão na cabeça e pisquei os olhos, tentando enxergar alguma coisa. Depois que meus olhos se acostumaram com a escuridão, percebi que as chamas da lareira não estavam vindo do lugar certo. Demorei a descobrir onde estava. A cama era maior do que a que eu havia cochilado e o quarto mais escuro. Senti uma risada abafada e fria atrás de mim e me virei, dando de cara com um vampiro perfeito.

- Ah! Merda Demetri! Quase me mata do coração!

Coloquei a mão no peito, que agora palpitava por causa do susto. Ele sorriu para mim e pegou uma mecha do meu cabelo, colocando-a atrás da orelha.

- Boa noite, meu anjo.

[...]

Olhei para o vampiro na minha frente. O coração ainda palpitava no meu peito, mas não devido ao susto, e sim à beleza do seu sorriso sacana. Não me refreei em dar um tapa no peito de Demetri. Minha mão protestou com a dor, e eu a peguei, fechando os olhos.

- Bella, meu anjo, já falei para não tentar me bater. Só vai conseguir uma mão quebrada.

Ele revirou os olhos em um gesto falso de impaciência. Eu bufei de raiva. Demetri tinha razão. Olhei em volta do quarto escuro. Apenas a lareira estava acesa. Uma bandeja estava pousada em cima do sofá. Meu jantar. Pelo menos ele havia pensado na humana. Meu estômago roncou e eu olhei para ele. Demetri exibia um sorriso e fez um gesto com a cabeça, me convidando a pegar a bandeja e comer. Claro que ele tinha ouvido o barulho vindo de dentro de mim.

Caminhei até a bandeja e abri. O prato estava cheio de fettucine ao molho branco. O cheiro estava ótimo. Minha boca se encheu de água e eu comecei a comer. O gosto era divino. Demetri me olhava, exibindo um sorriso triunfante nos lábios.

- Gostou?

Engoli o resto da massa que estava na boca.

- Divino. Onde conseguiu?

Ele coçou a garganta exibindo a sua mania e olhou para o teto.

- Digamos que eu tenho outras habilidades com a mão, que não sejam as que você já conhece.

Eu corei com a fala de Demetri, mas fiquei surpresa com a sua capacidade de cozinhar. Levei mais uma garfada à boca e saboreei o melhor jantar que havia tido em Volterra. Demetri caminhou até o armário, desabotoando a blusa no mesmo momento. Eu parei de mastigar, olhando cada movimento que seu corpo fazia. Ele jogou a blusa dentro do armário e tirou a calça, ficando apenas de boxer preta.

- Se importa se eu tomar um banho?

Neguei com a cabeça e ele piscou para mim. Entrou no banheiro sem fechar a porta e eu escutei o barulho da água caindo no chão. Continuei a comer meu jantar. Quando já não havia mais nada no prato, coloquei a bandeja de lado e olhei em volta do quarto. Uma maleta preta conhecida estava postada em cima do baú em frente à cama. Eu a abri e vi algumas das minhas roupas e meu pijama, junto com minha escova de dente. Peguei a escova e caminhei até o banheiro para fazer minha higiene.

Eu fiquei com vergonha de entrar no banheiro, mas já que a porta estava aberta, achei que não seria um problema e uma invasão de privacidade. Passei direto, olhando para o espelho. Coloquei o creme dental e comecei a escovar os dentes. Assim que acabei, peguei a toalha para enxugar meu rosto, mas não resisti e olhei para o lado que ficava a ducha.

Demetri estava de costas para mim, as duas mãos estavam apoiadas na parede, deixando a água quente cair na sua nuca. A cabeça estava baixa, parecia que pensava em algo complexo. Suas costas estavam travadas, de modo que se via uma linha perfeita no meio delas e os músculos ali presentes. Meus olhos passaram por todo seu corpo. Eu pigarreei. Sabia que Demetri me ouvira entrar no banheiro. Ele se virou e meus olhos correram para seu membro como se ali tivesse um imã implantado. Pisquei algumas vezes e o olhei. Demetri estava com seu sorriso torto. Dei um sorriso sem graça para ele e saí do banheiro.

Escutei o barulho da água cessando. Sentei-me na cama e em um segundo Demetri estava ao meu lado, apenas com a toalha preta amarrada na cintura, seus cabelos estavam para trás, ele exibia uma expressão de cansaço. Isso não era normal.

- O que foi Demetri?

Perguntei antes que conseguisse fazer minha boca se fechar, ele suspirou e olhou para as chamas da lareira. Caminhou até o sofá, pegando minha bandeja e colocando-a para fora do quarto, em frente à porta, no chão. Coçou a garganta novamente e olhou para mim.

- Sabe Isabella, às vezes até para um vampiro como eu, os serviços de Aro são um pouco pesados. Eu ainda consigo escutá-las...

Ele voltou para a cama e se sentou na beirada. Demetri estava envolto em pensamentos. Eu me arrepiei, se o serviço conseguiu deixá-lo daquele jeito, era algo preocupante. Meu instinto fez com que eu engatinhasse até onde o vampiro estava e o abraçasse por trás, pousando meu rosto na pele fria de suas costas. Senti Demetri suspirar. Ficamos assim por um bom tempo, em silêncio. Minha curiosidade fora do normal fez com que minha boca se abrisse automaticamente.

- Quem você ainda pode escutar, Demetri?

Seu corpo enrijeceu, não pela pergunta, mas por algo que ele iria me contar. Demetri colocou a mão no queixo ponderando se me contava ou não. Pegou-me no colo e me levou até os travesseiros, sentando-se ao meu lado.

- Aro pediu que eu cuidasse de uma família em particular. Eles burlaram as regras. Rastreei-os por quase um dia, até que os achei. Quando eu cheguei ao local, senti o cheiro de três vampiros. Abri a porta, a mulher estava encolhida em um canto da sala, com duas pequenas crianças atrás. Descobri o que Aro queria que eu fizesse, todos os cheiros que havia sentido estavam na sala, naquele mesmo local.

Eu me arrepiei com a história. Mesmo sabendo o seu final, Demetri continuou.

- Eu despedacei a vampira em segundos, sem dó. Transformar crianças é algo cruel demais para ser perdoado. Mas matá-las, é muito mais difícil, é torturante...

Ele deitou nos travesseiros e passou os braços para trás da cabeça, cruzando-os e exibindo os músculos. Ele ainda estava de toalha, e essa se afrouxava à medida que ele respirava, fazendo seu abdômen perfeito subir e descer.

- Eu ainda consigo ouvi-las...

Entendi o que Demetri havia falado. Matar crianças não devia ser algo fácil, descobri que esse era um ponto fraco do vampiro na minha frente. Passei a mão pelo seu cabelo já seco e ele a pegou, cheirando meu pulso. Puxou-me para um beijo leve, mas saudoso. Eu correspondi na mesma altura. Não foi um beijo completo, nossas línguas nem se encontraram, foi um beijo de cumplicidade. Seus lábios esmagavam os meus. Ele apertou meu queixo de leve e me puxou para seu peito, fazendo carinho nos meus cabelos.

As chamas da lareira diminuíam à medida que os minutos se passavam, meus olhos começaram a pesar, mas eu não queria dormir. Mexi-me na cama, inquieta, e olhei para Demetri, seus olhos estavam pousados em um ponto do teto e ele parecia submerso em pensamentos. Eu daria a ele esse tempo, voltei a me aninhar em seu peito e fechei os olhos, suspirando.

Andava em corredores escuros envoltos em paredes de pedra, eu arfava e o ar que puxava era pouco para meus pulmões, como se tivesse corrido uma maratona, senti gotas de suor descerem pelo meu rosto e olhei para trás, algo andava atrás de mim, com leveza e facilidade. Comecei a correr em desespero e a criatura apressou o passo também, diminuindo a distância. Eu tropecei em uma pedra e senti algo duro e frio em cima de mim, olhei para cima e encarei o ser que me apertava no chão, os olhos de Demetri estavam negros.

- Não! Não quero agora! Pare!

Demetri me mordeu para começar a transformação e eu senti meu corpo queimar, mas depois de um tempo fui ficando fraca, sua boca não conseguia deixar meu pescoço e eu batia no vampiro inutilmente, eu iria morrer drenada...

- Demetri! Pare! Vai me matar! Pare...

Tudo ficou nublado e quando meus olhos entraram novamente em foco, me vi na sala branca, estava de mãos dadas com Demetri e Aro estava ao meu lado. Um silêncio predominava na sala e eu comecei a ficar nervosa, mas não senti meu coração se acelerar. Jane desapareceu pela porta dizendo que voltaria em instantes. Olhei para o vampiro que pegava minha mão e seus olhos estavam negros, fixos na porta. Escutei um barulho de passos e me virei. Dois vampiros de olhos dourados entraram pela sala. Reconheci a vampira baixinha, com feições de fada, ao olhar para seu companheiro, senti meu corpo todo se arquear em ataque, um rosnado feroz saiu da minha boca e eu pulei.

- Isabella? ISABELLA?

- Me solta! Matar!

Abri os olhos rapidamente e senti meu corpo inteiro frio de suor. Uma das minhas mãos agarrava algo duro e frio e a outra pegava com força o travesseiro. Virei-me para fitar o ser que gritara meu nome. Demetri estava com um sorriso jocoso nos lábios e olhava para mim com diversão. Maldito. Não sabia ele o que eu estava sonhando.

- Ainda bem que quando você se tornar vampira, não irá ter sonhos. Isso iria doer se minha pele não fosse imperfurável.

Ele olhou para seu braço. Minhas unhas cravavam com força em sua pele dura. Eu afrouxei o aperto, sentindo meu coração desacelerar à medida que minha consciência ligava os fatos e concluía que tudo fora um sonho, deixei isso penetrar na minha mente. Respirei fundo e fechei os olhos.

- Desculpe-me.

Demetri passou a mão pelos meus cabelos e riu, soltando um leve sopro com cheiro de canela no meu rosto.

- Eu nem senti, só me preocupei com seus gritos e gemidos, não parecia que estava tendo um sonho agradável.

Eu olhei para ele. Demetri ainda era o mesmo, e não um vampiro que me mataria assim que sentisse o meu sangue descendo pela sua garganta, ele não era aquele monstro dos meus sonhos. O quarto estava escuro e apenas a luz da lua iluminava os contornos do corpo de Demetri. Minhas mãos ainda tremiam, e isso não passou despercebido aos olhos poderosos dele. Ele se levantou e caminhou até a lareira, voltando a acender, abriu a pequena porta e tirou uma garrafa de um líquido transparente. Depositou a água em uma taça grande e voltou a se sentar na cama. Eu peguei agradecida e tomei um longo gole do líquido gelado.

O que mais teria para um humano dentro daquela porta? Minha pergunta fez com que a garrafa de sangue que eu havia visto pela manhã me viesse à cabeça.

- Você não parece ser um vampiro preocupado em estocar sangue humano.

Demetri sorriu, passando a mão pelo cabelo e coçando a garganta. Sua toalha se afrouxava a cada movimento.

- Às vezes precisamos ter algum luxo.

Eu olhei incrédula para Demetri. O sangue de uma pessoa dentro de uma garrafa por anos não parecia ser algo tão luxuoso aos olhos de humanos. As chamas da lareira agora iluminavam bem o quarto. Olhei para a janela, o céu ainda estava negro.

- Quanto tempo eu dormi?

- Cerca de vinte minutos. Ainda são duas horas da madrugada.

Surpreendi-me com a capacidade que o meu cérebro tinha de projetar sonhos tão ruins em tão pouco tempo. Olhei para os olhos de Demetri, estavam vermelhos escuros, lembrei-me de meu plano dessa tarde e respirei fundo, tomando coragem para o que eu ia fazer a seguir.

Puxei Demetri para um beijo forte e ele se surpreendeu com o ato, eu sorri internamente, era difícil surpreender um vampiro. Ele correspondeu de imediato, puxando meu cabelo da nuca com força e passando a língua por meus lábios, pedindo permissão para entrar na minha boca. Eu deixei. Senti seu gosto excelente e a língua fria acariciar a minha. Algo se acendeu em mim. Se eu quisesse que meu plano desse certo, eu não poderia ter vergonha.

Um frio passou pela minha barriga, mas eu tratei logo de colocar essa sensação de lado. Desci minhas mãos pelo peito de Demetri, chegando ao seu abdômen perfeito, tocando cada milímetro da pele de seda dele. Uma unha passou por um lado do "V" querido e ele rosnou, fazendo seu corpo tremer, achei o nó da toalha e com um movimento pequeno o puxei, fazendo a toalha ficar mais frouxa ainda. Demetri começou a apertar meu seio esquerdo e eu me senti em chamas, mas eu queria ter algum controle essa noite, eu precisava ter o controle.

Coloquei a mão para dentro da toalha úmida e senti o membro de Demetri já duro, envolvi-o e ele fechou os olhos ao meu toque, era gelado como o resto do seu corpo, fiz movimentos lentos e prazerosos de vai-e-vem, em um ritmo bem sensual. Ele rosnava de leve, parecia que estava controlado, mas que fazia um esforço enorme para isso.

Passei cada perna minha para cada lado do corpo de Demetri e fiz força com as duas mãos para ele se deitar, ele não fez objeções. Senti seu membro duro contra a minha calça de pijama. Comecei a fazer movimentos, minha calcinha já estava molhada. O peito de Demetri tremia, ele fechou os olhos quando meus lábios encontraram seu pescoço. Eu sentia cada parte pequena da sua pele com a língua e com os lábios, chupando forte e me aproveitando de que não ficaria marca. O gosto de canela me excitava, desci meus lábios para todo o corpo de Demetri e lambi cada lado do seu "V" para chegar ao meu objetivo final.

Abri a toalha, colocando-a de lado em cima da cama. Envolvi-o com meus lábios e o rosnado de Demetri dessa vez foi mais alto e gutural. Iniciei os movimentos de sobe e desce ajudando com a minha mão e Demetri começou a se contorcer. Eu gostei disso, intensifiquei os movimentos e escutei os rosnados ficarem mais urgentes. Eu pararia na hora exata. Quando o corpo de Demetri arqueou um pouco, eu parei, dando uma leve lambida na ponta. Coloquei-me de joelhos e olhei para seu rosto, seus olhos estavam negros. Como era fácil domar essa fera.

- O que... o que foi isso? Não pare agora...

Eu ri, levantando-me da cama e caminhando em direção à porta pequena de verniz. Abri-a e tirei a garrafa com vidro verde escuro que havia visto naquela mesma manhã, pegando uma taça grande da prateleira. Demetri me olhava com fome. Abri a garrafa e senti o cheiro metálico de sangue saindo pela boca de vidro. Engoli em seco e depositei o líquido vermelho na taça, enchendo-a até a boca.

Caminhei em direção à cama e coloquei a taça na mão de Demetri, ele respirou fundo e olhou para mim. Um sorriso safado surgiu em seus lábios e ele bebeu o conteúdo inteiro em apenas alguns goles, colocando a taça no chão e pegando a garrafa para colocá-la no mesmo lugar. Eu sorri.

Senti um vulto passar por meu lado, Demetri já não estava mais na minha frente, duas mãos frias me empurraram para a cama, eu caí de bruços, sentindo seu corpo frio encaixar-se no meu. Arrepiei-me com o contato do gelo nas minhas costas. Ele pegou meu pijama e o tirou em um puxão, fazendo-me ficar apenas de calcinha. Demetri tirou pacientemente minha roupa íntima e eu o agradeci por aquilo. Senti mãos frias pegarem minha coxa e me levantar. Eu já estava molhada na expectativa.

O membro frio de Demetri me penetrou, e eu empinei para senti-lo melhor, aproveitei o espaço entre meu corpo e o colchão e passei minha mão para baixo, encontrando meu sexo e o tocando de acordo com o ritmo das estocadas de Demetri. Eu gemia de prazer, e ele rosnava sentindo o mesmo que eu. Há quanto tempo não fazíamos sexo? Vinte e quatro horas? Parecia uma eternidade, eu sentiria vontade de Demetri sempre. O senti sair de mim e me virei para ele.

Ele pegou a garrafa e deu quatro longos goles pela boca, colocando-a de volta no chão. Meu plano estava dando certo. Enlacei Demetri com minhas pernas para sentir seu membro friccionando o meu, ele começou a mexer o quadril e eu gemi com o toque, me puxou pela canela e me penetrou fundo. À medida que ele entrava, o corpo contraía, exibindo todos os seus músculos. Eu olhei para o "V" do seu quadril e desci para o encontro dele, vendo o que estávamos fazendo. Senti-me queimar.

Ele parou de me penetrar e pegou novamente a garrafa, tomando três longos goles e quase a terminando. Quase. Jogou-me violentamente no meio da cama e eu senti minhas costas doerem com a pancada, mas eu já estava acostumada com o vampiro rude, e gostava disso. Começou a descer beijos pela minha barriga, soprando de leve e me fazendo arrepiar. Deixava um rastro gelado por onde passava. Senti sua língua passar pelo meu sexo, lambendo com vontade cada gota de lubrificação. Eu arqueava. Sempre quando Demetri fazia sexo oral em mim, eu achava que ia me perder, mas juntei todas as forças que eu tinha para continuar sã e fazer do meu plano um sucesso, eu estava determinada demais para parar agora. Ele parou de me chupar e pegou a garrafa, tomando o restante do líquido.

Por mais que Demetri estivesse cheio de desejo, seus olhos estavam vermelhos vivos agora, quase claros. Bingo. Era tudo o que eu precisava. Ele puxou novamente minhas pernas e colocou-as em cima do seu ombro, me penetrando por um ângulo que eu nunca havia sentido, eu gemi de prazer e me abri mais. Demetri deitou seu corpo no meu e colocou sua cabeça ao lado da minha. Seu ouvido estava perto da minha boca, ele estocava com força e eu já estava chegando perto do meu máximo. Era agora.

- Me morda.

Ele parou de se mexer, mas logo depois continuou lentamente.

- O quê?

- Me morda. AGORA!

Confusão passou pelos olhos de Demetri, mas ele com seu cérebro de vampiro, rapidamente entendeu o que eu tinha pedido. Sorriu maliciosamente para mim e começou a entrar com mais força. Fechei meus olhos com o que viria a seguir e arqueei.

Senti os dentes de Demetri perfurarem a pele fina do meu pescoço e afundarem na minha carne. Eu cheguei ao meu máximo. A dor era excruciante, pareciam facas entrando na minha garganta, e que eu estava sendo marcada a fogo, mas combinada à sensação de penetração era excitante demais. Senti algo escorrendo frio dentro de mim, e algo escorrendo quente para dentro do meu pescoço. Demetri separou seus dentes da minha jugular, lambendo faminto o sangue que escorria e depositou um beijo ali. Olhou para mim, os olhos negros, mas satisfeitos.

Ele não havia nem pensado o que era melhor, queria isso tanto quanto eu, e não teve dúvidas antes de me morder. Ele realmente me queria por toda a eternidade. E eu o agradeci por isso. Agora eu era inteira de Demetri, sua criação, sua companheira.

- Eu te amo.

A voz de Demetri chegou aos meus ouvidos e eu sorri com o som das palavras. Ele se levantou rapidamente da cama e me olhou com olhos pesarosos, como se soubesse o que viria a seguir.

E então começou...

Senti o pequeno ponto da queimação na garganta começar a tomar proporções maiores, fazendo o pescoço inteiro pegar fogo. Eu estava em chamas, gritei e tentei colocar minhas mãos sobre a pele para tirar o que me queimava de cima de mim, mas meus braços não obedeciam ao meu comando.

O fogo passou pela garganta e chegou ao meu tronco, fazendo meu peito entrar em combustão, eu gritava de dor e queria morrer. Nunca havia sentido tanta dor na vida. O fogo foi passando pelo meu corpo inteiro, entrando pelas minhas veias e varrendo tudo com vida que estava ali, chegou às minhas pernas e aos meus braços. Eu tentei me mexer, mas parecia paralisada. Nenhum músculo respondia às minhas ordens. Não conseguia mais gritar, um peso esmagava meu corpo e não saía nada da minha boca.

Por que ninguém jogava água gelada em mim para aliviar a dor? Por que ninguém me ajudava? Onde estava todo mundo?

Eu queria morrer rapidamente, e não lentamente igual estava acontecendo. Eu queria morrer a agüentar isso mais um minuto. Eu queria que o fogo me consumisse de uma vez, fazendo com que eu virasse apenas carvão e terminasse com essa tortura.

Comecei a sentir leves pontadas nos dedos dos pés e das mãos, tentei mexê-los mais fora em vão. Os músculos ainda não obedeciam às minhas ordens. O fogo agora estava brando, mas ainda machucava cada osso do meu corpo. Eu tentei gritar e me surpreendi quando a boca se abriu, mas apenas um silvo saiu dos meus lábios. Eu gritava em silêncio. Tinha certeza de que estava chorando, mas não sentia lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

Algo muito forte passou pelo meu tronco, chegando ao núcleo da minha vida. O meu coração bombeou o sangue rápido demais, e doloroso demais. Parecia que ele queimava com o dobro de intensidade e calor do que o resto do corpo. Mergulhei na escuridão e saí de uma sensação de dor para cair em uma sensação de náuseas.

Quando isso iria terminar? Valeria tanto a pena ser vampira? Valeria passar por tanta agonia?

Senti a queimação dos meus braços e pernas aliviar mais e tentei mexê-los, mas parecia que eu continuava não sendo dona da carcaça que agora era meu corpo. Parecia que eu ia desmaiar...

Tudo ficou quieto...

Eu tentei contar os minutos, há quanto tempo estaria me sufocando em dor? Eu sentia que estava ali por dias.

Parecia que tinha passado uma eternidade. A dor foi se abrandando e eu tentei ficar relaxada, concordando que seria inútil gritar.

- Já está quase acabando.

Ouvi uma voz melodiosa e satisfeita vindo do meu lado direito, mas não a reconheci.

- Falta pouco, Demetri, acalma-se, por Deus!

Demetri! Ele estava lá! Sempre ao meu lado. Mas de onde estavam vindo tantas vozes? Quanto tempo ia demorar ainda?

O fogo se esvaiu dos meus braços e pernas, se concentrando levemente no meu tronco e deixando uma sensação de febre por onde tinha passado.

O fogo foi saindo do restante do corpo e migrando para meu centro, tomando meu coração por inteiro. Eu tentei gritar, mas era inútil. Ali era onde mais queimava. O coração batia com força e esse era o único som presente no cômodo. As batidas eram frenéticas em protesto a tudo o que o órgão estava sentindo.

Dor. Dor imensa. Dor indescritível.

Eu queria reclamar para tirarem o pedaço em chamas de dentro do meu peito quando senti que o fogo estava diminuindo, junto com as batidas do coração. Ficavam leves e lentas à medida que eu sentia as chamas diminuírem e darem espaço para eu raciocinar. O coração deu uma batida fraca, sua última batida.

O fim para uma vida humana, o começo para a eternidade.

Comecei a ter mais consciência de tudo ao meu redor. Eu podia sentir três presenças do meu lado esquerdo, e uma do lado direito. Senti duas pessoas perto da porta e uma postada em frente à lareira, eram sete presenças no meu quarto, ao todo.

Fiquei quieta um momento para ter certeza de que a tortura se fora completamente. Não senti mais nenhuma queimação no meu corpo, apenas a sensação de que ele estaria mais forte se eu tivesse que passar por isso novamente.

- Isabella?

A voz de Demetri soou do meu lado esquerdo, clara e linda. Eu abri meus olhos para minha nova vida.