Hazel
Capítulo XXI
Escrito por Nevilla F.
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Neville Longbottom piscou e gemeu de dor algumas vezes. Ele estava sentado em uma cadeira e o local era vagamente familiar. Ele levou a mão até a cabeça, que latejava de dor. Neville sentia como se tivesse acordado de um sonho muito, muito constrangedor. A claridade vinda das velas flutuantes no teto fazia sua dor aumentar. Ele olhou ao redor, tentando reconhecer o lugar onde estava. Onde estou?
O rapaz viu um vulto preto que muito o agradava apoiado em uma bancada. Oh, droga! Ele realmente estava na casa do professor? Não havia sido só um pesadelo terrível? Todas aquelas lembranças embaraçosas realmente haviam acontecido?
Impassível, Severus o observava com atenção.
"Como está a sua cabeça?", indagou Snape.
"Hum... Terrível!"
"Eu imaginava. Beba isso", disse e entregou um copo com um líquido rosado para ele.
Longbottom segurou o copo.
"O que é isso?", perguntou, olhando para o líquido.
"Uma poção para aliviar a sua dor de cabeça."
"Você pode diminuir a intensidade das luzes? Essa luminosidade está piorando a minha dor."
Severus fez um aceno com a varinha e a claridade reduziu.
Neville gemeu, um pouco aliviado. Encarando o copo, ele perguntou:
"Não foi um pesadelo? Por favor, me diga que eu não te disse todas aquelas coisas embaraçosas."
O rapaz ouviu o riso do professor. Longbottom ergueu a cabeça, assustado. Severus Snape estava rindo sem o usual deboche! Tudo isso ainda pode ser um sonho, pensou.
Sorrindo enviesado, Snape inclinou a cabeça para a direita. Os olhos fixos no rapaz.
"Não foi a primeira vez que cuidei de alguém envenenado, Neville. Fui professor por quase duas décadas. Vi muitos alunos intoxicados."
"Talvez porque você obrigasse os seus alunos a ingerir as poções estragadas", falou em tom acusatório.
A feição de Severus não ficou agressiva com o comentário, apenas debochada.
"Se você não gostava das minhas técnicas de ensino, não deveria ter se apaixonado por mim."
Se sentindo ruborizando, o rapaz desviou o olhar. Oh, droga! Mexer a cabeça fazia a sua dor piorar. Ele ganiu e levou a mão livre até a têmpora.
Snape pediu:
"Beba a poção, Neville. É somente uma poção analgésica para aliviar a sua enxaqueca", depois de uma pequena pausa, acrescentou: "Se eu realmente tivesse outro tipo de intenção, eu poderia ter te molestado sexualmente uns minutos atrás enquanto você estava a minha mercê."
"Eu não insinuei nada disso, Severus."
"Então, confie em mim e beba a poção."
"Por que está insistindo tanto?"
"Porque não quero te causar mais nenhum tipo de dor. Você está com dor de cabeça por conta da outra poção que eu te administrei para tratar a sua intoxicação."
Neville olhou para Snape. Porque não quero te causar mais nenhum tipo de dor. Era um simples comentário. Mas Longbottom conseguia sentir seu amor pelo bruxo crescendo. O rapaz bebeu o líquido rosa de uma só vez.
A sensação dolorosa foi diminuindo e sumindo gradativamente em segundos. Neville respirou aliviado. Em seguida, olhou para Severus. O bruxo o estava analisando, ainda apoiado contra a bancada.
"Nós precisamos conversar?", sugeriu Longbottom, ainda bastante constrangido.
Snape sorriu enviesado.
"Quando você ia me contar sobre o seu novo time?", indagou com zombaria.
"De tudo que eu te falei... É sobre futebol que você quer conversar?"
"Neville, eu já imaginava a maior parte das coisas que você me contou."
Longbottom sentiu que estava ficando com o rosto vermelho novamente.
"Eu... Hum... Eu preferia que você não comentasse sobre as coisas que eu te contei. Eu não estava em meu estado normal. Eu estava envenenado!"
A feição de Severus era mais do que debochada. Parecia que ele queria provocar o garoto com tudo o que tinha ouvido. Infelizmente para Neville, o rapaz também lembrava tudo que havia falado para Snape. Longbottom baixou a cabeça, constrangido.
O Comensal da Morte abriu um sorriso especialmente torto.
"Você pode me dizer quais são as suas posições sexuais favoritas, Neville. Eu vou adorar saber."
"Severus, por favor..."
"Tenho esperança de descobrir todas elas. Já sei que você não gosta de ficar de bruços. Então talvez você goste de montar?", indagou com diversão.
Longbottom não disse nada. Continuou com a cabeça baixa, a face totalmente ruborizada.
Sem conseguir uma reação do rapaz, Snape pediu:
"Olha para mim, Neville."
Lentamente, o garoto ergueu o rosto. Teve a dignidade de usar Oclumência, a fim de evitar adicionais embaraços.
Snape o estava encarando com intensidade.
"Você é lindo, Neville. Eu não imaginava ser possível, todavia, eu gosto muito de você."
Longbottom sentiu seu rosto ficar mais avermelhado. Ele sorriu com satisfação com as declarações do bruxo. O rapaz se lembrava de Severus ter dito essas frases para ele enquanto ele estava intoxicado. Porém, era expoencialmente melhor ouvir agora, quando ele estava bem.
Snape parou de sorrir. Sua feição se modificou. Ele estava impassível.
"Você tem ideia de quem te envenenou?", indagou Severus. A voz do professor antes suave e quente ao chamá-lo de lindo e se declarar ficou fria e ameaçadora. Snape queria vingança.
Neville percebeu nitidamente o tom letal na voz do Comensal da Morte.
"Não sei."
Snape passou o dedo indicador pelos lábios. Estava bastante pensativo.
"Por que não me conta em detalhes o que aconteceu hoje?"
"Harry, Ron e eu fomos beber no pub que sempre frequentamos. Eu fiquei bêbado rápido demais e... Acabou acontecendo isso."
"Somente vocês três?"
"Sim."
"Estavam comemorando algo?"
Neville riu.
"Estávamos afogando os nossos problemas. Todos nós estamos apavorados com os duelos na segunda-feira."
Snape ignorou a resposta.
"Weasley desconfia de McLaggen. Ele se aproximou de vocês?"
"McLaggen não gosta de nós, mas acho que ele é inofensivo. Ele estava no pub com alguns alunos de Ravenclaw. Porém, estava sentado distante de nós, ele estava perto do bar."
"Você se importa se eu usar Legilimência em você? Quero usar o feitiço e não apenas o contato visual."
"Não vai fazer isso comigo, Severus!", protestou Longbottom.
Os olhos negros ficaram gelados.
"Você não quer saber quem foi que causou a sua intoxicação?"
"Eu estou bem agora, Severus! E por que você está tão preocupado? Nós estamos dando um tempo. Você não é meu namorado."
Neville o provocou propositalmente. Queria ver se Snape se descontrolaria. Ele tinha ouvido Severus dizer que estava aprendendo a lidar com ele. O rapaz queria saber se era verdade.
Os olhos negros ardiam em chamas de cólera. Ele parecia furioso, mas não disse nada. Estava visivelmente se contendo. Snape queria a sua vingança contra a pessoa que intoxicou o seu amante. E, talvez, se vingar até do próprio Neville por estar negando as informações para ele identificar o alvo da sua vingança. Após respirar fundo, ele perguntou:
"Você sabe quem foi que causou a sua intoxicação, não sabe?"
"Talvez", respondeu de um jeito displicente, parecendo com Harry nas aulas de Poções.
Antes que Snape pudesse indagar mais coisas, Longbottom resolveu estressá-lo mais um pouco.
"Eu vou embora", falou Neville. "Obrigado pelos cuidados e pela gentileza e... Por não ter abusado de mim quando eu estava incapaz."
Os olhos negros ainda queimavam em fúria. Snape cruzou duramente os braços.
"Você é sempre bem vindo a minha casa, Neville", falou com a voz forçadamente controlada.
O rapaz se levantou da cadeira. Ele se aproximou com alguns passos incertos do professor. Eles estavam frente a frente.
Severus olhou para ele. O bruxo aparentava estar menos irado, porém parecia confuso com a aproximação de Longbottom.
"O que você quer? Não está indo embora?"
Neville sorriu.
"Está furioso, professor? Foi por que eu não permiti que usasse Legilimência contra mim ou por que eu disse que você não é meu namorado?"
Snape descruzou os braços.
"Acha prudente me provocar na minha casa, Longbottom?"
Neville riu de novo, fazendo seus olhos brilharem.
"Se... Se você concordar, eu posso te beijar. Você quer?"
Severus puxou o rapaz para perto dele, colando os corpos. Depois, se inclinou ligeiramente em direção a boca de Longbottom. Snape entreabriu os lábios de Neville usando a língua. Ele beijou o garoto com desespero.
Longbottom tentou não sorrir enquanto beijava Severus, mas era difícil. Ele se sentia muito desejado pelo bruxo e isso era fantástico. Quando já estava começando a ficar sem fôlego, Snape finalizou o beijo mordendo fortemente o lábio inferior do rapaz. Neville abriu os olhos.
"Alguém estava com saudades?", provocou o bruxo mais jovem.
Severus sorriu enviesado.
"É melhor você ir embora, Longbottom. Você está desrespeitando o tempo que você mesmo impôs."
Neville sorriu para ele.
"Valeu a pena. Hoje você foi ótimo, Severus."
"Lembre-se de mandar uma mensagem para Potter e Weasley avisando que você está bem. E vá logo embora!"
"Ou o que, Severus? Você vai tirar as minhas roupas e me comer aqui no chão?"
"No chão não. Em cima da bancada", zombou.
Ainda sorrindo, Longbottom se inclinou e beijou a bochecha de Snape.
"Tchau, Severus!", disse e desaparatou.
Continua?
-X-
Notas da autora: Olá, queridas pessoas! : DD Como vão?
Gostaram do capítulo? É, foi o menor capítulo que eu já publiquei aqui em Hazel. Contudo, foi legal, não? Eu me diverti muito escrevendo. x )
Então... Notícias não muito boas para as poucas pessoas que ainda acompanham essa fanfic. A partir de hoje ela está oficialmente paralisada. Vou precisar ficar sem atualizar durante um longo período. : / Poréeeeem, eu voltarei. Provavelmente no segundo semestre.
Enfim... Aos que ainda leem a história, eu agradeço pelo apoio e paciência! Até breve! Bjs,
