SO1E21 Funk

Ver Rachel se interessar tanto pela sua mãe me fez pensar que talvez eu devesse fazer o mesmo. Quer dizer, o que eu realmente sei sobre a minha mãe que não seja o que meu pai tenha me falado? E, venhamos e convenhamos, ele não era a fonte de informações mais confiável que eu conhecia.

Tentei falar com os pais de Rachel, mas, desde que saí de casa, as coisas estão meio esquisitas conosco.

Noite anterior

- Então - Ryan dizia encarando os joelhos. Seus dois tios o encaravam também, sem saber o que fazer. - Sobre a minha mãe, o que...

Eles se levantaram e saíram, deixando o garoto sozinho.

De volta

Acho que isso significa que terei que me virar sozinho para encontrar informações sobre ela. Pensei em chamar Rachel para me ajudar, já que ela tinha se envolvido tanto em investigação antes, mas quando cheguei no colégio aquela manhã, vi que ela não estaria focada o suficiente para me ajudar.

- Precisam vir ao auditório. É uma emergência! - Rachel gritava e o primo a seguiu, junto com os outros integrantes do Glee Club.

Ao chegarem ao local, encontraram o Vocal Adrenaline no palco e, para a surpresa de todos, Jesse ao lado deles.

- Jesse? - Rachel perguntou confusa. - Por que está aí com eles?

- Eu voltei para a Carmel High, Rachel - Jesse disse com um sorriso cínico. - Sinto muito por chegar a isso, mas foram horríveis comigo. Nunca me aceitaram, ou ouviram minhas ideias brilhantes.

- Por que aqui no auditório? - ela disse chocada. Ryan se aproximou dela, colocando a mão em seu ombro. Queria deixar claro que estava ali para ela. E ela percebera isso.

- Blogs e bate-papos dizem que a gente já era, - ele explicou, - e que estão prontos para nos derrubar. Só queríamos mostrar algo que criamos há alguns dias, para ver se concordam com essa afirmação.

Another one bites the dust (2x)
And another one gone and another one gone
Another one bites the dust
Hey, I'm gonna get you too
Another one bites the dust

Quando eles terminaram, os gleeks os encaravam, pensando em como eles eram idiotas. Precisavam mesmo fazer aqui?

- Obrigada por nos deixar usar o auditório - disse uma das garotas. - É bem peculiar.

Ela deu uma risadinha irritante antes de sair de lá.

- É tradição na Carmel High - Artie explicava enquanto eles iam para a sala do coral. - Eles intimidam os concorrentes pouco antes da final. Chamam de "fossificação". Nos mostram tudo o que têm, e nós entramos numa grande fossa.

- É, nós fazíamos a mesma coisa no time de futebol - disse Finn. - Entramos na cabeça deles antes do jogo, damos trotes para intimidá-los.

- A diferença é que nosso time era uma droga - Puck comentou. - Eles são o máximo!

- Não podemos nos importar com isso - Ryan começou. - Eles são idiotas e sempre serão. Nós somos bons e podemos vencê-los. Se eles não estivessem intimidados, não teriam vindo aqui...

- Mantenham a cabeça erguida, pessoal - Kurt disse. - Vai precisar de mais que isso pra nos deixar numa fossa.

Eles se calaram ao encontrar a sala com papel higiênico espalhado por todos os lados. Vocal Adrenaline tinha passado por lá.

- Me sinto tão violentada - Tina reclamava enquanto tirava o papel. - É como se tivessem invadido a nossa casa.

- Foi só um trote idiota - Sr. Shue disse. - E o fato de tentarem nos atingir, prova que estão com medo.

- Ryan disse isso - comentou Sophia.

- Não, Sr. Schue. Eles não têm medo de nada - Mercedes disse. - A apresentação deles foi fantástica. O que não faz sentido! Tinham vários equipamentos. Como foi que entraram?

- Eu dei a chave a eles - disse Sue invadindo o local.

- Claro que você tinha que estar no meio - Ryan comentou com os braços cruzados.

- Olá, idiota que parece com o cara do One Tree Hill... Me diz uma coisa, quando vão cancelar aquele negócio mesmo, estou cansada de...

- Sue! - William a chamou. - O Vocal Adrenaline?

- Ah, sim, ajudei a fazer a checagem de som no fim de semana.

Ela apontou para uma parede enquanto garotos a seguiam com um troféu na mão - Podem vir por aqui. Vamos fazer um buraco nesta parede, para abrir espaço.

- Sue, o que está fazendo? - o professor perguntou.

- Não posso conversar agora. A turma de Desenho vai me ajudar a redecorar a sala. Sabe, a Nacional é no fim de semana, e espero voltar com um troféu gigante de 1º lugar, para o qual não tenho lugar na minha vitrine de troféus. Quando vocês perderem a Regional, esta sala vai se tornar um anexo para colocar meus troféus. Sabe como eu quero que pareça? A sala de discos de ouro do Elvis na mansão dele. Só que haverá menos mulheres com obesidade mórbida perambulando e chorando.

- Sue, saia da minha sala - Schuester disse nervoso. Ryan pensou nunca ter visto ele daquele jeito.

- Membros do coral, aqueles cuja audição não foi afetada por doses pesadas de remédio para acne, prestem atenção. Em algumas semanas, o Clube Glee acabará. Como eu sei disso? Chequei as chances com meu agente de apostas, que disse que têm chance de 40 pra 1 de perder na Regional. Vocês vão perder, e seus sonhos serão esmagados.

- Sue, posso ver seu troféu? - o homem pediu enquanto seus alunos encaravam a briga calados.

- Claro, Will. Pode sonhar à vontade - ela respondeu com um sorriso, sem imaginar o que se seguiria. O professor simplesmente pegou o troféu e o jogou contra a parede.

- Deixou seu troféu cair, Sue.

- Sabe, para mim, troféus são como herpes. Pode tentar se livrar deles, mas continuam vindo. Sabe por quê? Sue Sylvester tem surtos de hora em hora de um ardente e sarnento talento altamente contagioso. Aproveite seus últimos dias por aqui. Esta sala é minha - ela deu sua saída dramática e os alunos encaravam William espantados.

x.x.x

- Acho que nunca me senti tão fã do Sr. Schue como naquele momento - Ryan confessou a Kurt e Sophia enquanto eles iam para a aula de Biologia.

- Nem fala, você viu a cara da Sue! - Sophia ria. - Ela parecia que ia ter um filho ali, ela nunca esperaria uma atitude daquelas.

- Ninguém esperava - disse Kurt. - Será que ele surtou de vez? De repente a separação com a esposa afetou...

- Para de falar da vida dos outros - Puck apareceu no meio da conversa. - Preciso de uma carona para casa hoje.

- Por quê? - Sophia perguntou.

- Porque eu preciso. Pode me dar? - ele encarou Ryan.

- Claro - ele respondeu dando de ombros. - Nem é estranho...

O garoto foi embora e ele encarou Kurt e sua namorada. - Então, gente, eu preciso da ajuda de vocês em algo.

- O que houve? - Sophia perguntou. - É alguma coisa para ajudar Rachel? Eu sei que ela está deprimida com o lance do Jesse, mas eu não tenho...

- Não tem nada a ver com Rachel, apesar dela já ter pedido para eu ir à casa dela hoje. Vai ser uma sessão sem fim de choradeira, mas não é isso. Quero saber mais sobre a minha mãe e... Queria a ajuda de vocês. Tudo que sei sobre ela vem do meu pai e, devido os recentes eventos, não estou muito disposto a acreditar. Ela morreu quando eu era pequeno, não acho que... Só quero conhecê-la, já que não a tenho por perto.

- Sinto muito por não ter sua mãe por perto - disse Kurt. - Conheço essa dor.

- Eu sei - Ryan olhou para baixo. - Então, vão me ajudar?

O resto do dia foi preenchido por pesquisas na Internet com o nome de Janet Berry. Procuramos até com o nome de Janet Chase, o nome dela de solteira, mas não tinham muitas informações. Apenas que ela tinha estudo no McKingley quando era mais nova, fora para uma grande escola de música, mas deixou esse mundo quando se casou.

Também tinham informações sobre o acidente em que ela morreu, detalhes que Ryan já conhecia de cor. Mas não tinha nada ali sobre como sua mãe era, sobre seus ideias, suas crenças, se era carinhosa, desajeitada, estudiosa, desatenta, se se metia na vida de todos como ele fazia. Era esse tipo de coisa que ele queria saber, contudo, não encontraria isso em documentos oficiais ou artigos de jornais. E isso era frustrante.

Então, no dia seguinte, ele não prestou muita atenção na ideia do Sr. Schue de retribuir ao que o pessoal do Vocal Adrenaline tinha feito. Até porque, para ele, o certo era apenas ignorar e focar nos ensaios. Ele tentava não ser chato como Rachel, mas às vezes se incomodava em como eles perdiam fácil o foco nas competições. Apesar de desajeitado, ser pianista lhe ajudou a ter uma incrível disciplina em relação aos treinos no instrumento. Ele só queria que os outros pudessem fazer o mesmo.

Naquele dia ele sonhou com sua mãe. Eles estavam tocando piano juntos, com aquela lembrança que ele simplesmente não conseguia esquecer, quando seu pai o tirou do colo da mulher o levou para longe. Por mais que ele tentasse voltar para perto da mãe, o pai o segurava para longe e nunca o deixava chegar perto.

Ryan acordou com Kurt e Finn ao lado de sua cama, lhe balançando. Eles pareciam sonolentos, porém preocupados.

- O que houve? - ele perguntou sem entender.

- Você nos acordou gritando - Kurt se sentou. - Acho que você estava tendo um pesadelo. O que houve?

- Nada... - ele respondeu lembrando do que sonhara. - Nada...

x.x.x

O dia amanheceu e Ryan foi para escola como em um dia qualquer, mesmo sabendo que não era um dia qualquer. Ele tinha dormido mal, com seu sonho se repetindo a noite toda. Só que ele não gritara para não acordar os irmãos.

Sophia ficava cada vez mais preocupada com ele. No começo, achara a busca saudável. Ele devia mesmo conhecer mais da mãe. Porém, no momento achava que aquilo fazia mais mal do que bem ao garoto. Quando ia dizer alguma coisa, o viu largar sua mão e sair correndo.

- Shelby - ele disse quando viu a mulher saindo da sala do diretor Figgins. - Preciso falar com você.

- Ryan - ela disse o observando. - O que você quer comigo?

- Eu preciso da sua ajuda... Mais ou menos... Você... - ele não sabia como falar do assunto e Shelby não parecia muito a vontade na frente do garoto também. Você conheceu a minha mãe, não é?

- Eu... Não conheci... - ela começou a caminhar. - Eu tenho que ir...

- Shelby, esp... - ele tentou dizer, mas a mulher já tinha cruzado o corredor e estava do lado de fora. - O que... O que houve aqui?

No ensaio do coral, Ryan ouviu algo sobre Funk, mas não prestava muita atenção. Primeiro porque não sabia o que era isso, segundo porque não lhe interessava. Pela primeira vez não estava tão preocupado assim com as regionais ou com os ensaios. Não conseguia se concentrar. E aquilo o confundia.

- Ryan, chega! - Kurt disse ao seu lado. - Eu não aguento mais isso. Tudo bem, estamos todos deprimidos com a apresentação do Vocal Adrenaline, mas você não reclamou uma vez sobre Rachel te enchendo o saco e eu vi que ela usou dois pacotes de lenços umedecidos conversando com você na hora do almoço...

- Eu...

- Não é por isso que ele está assim - Finn disse. - Ele está chateado porque eu e Puck não o chamamos para furar os pneus do carro do pessoal do Vocal Adrenaline. Me desculpe por isso, cara, mas não queria te envolver em problemas, foi só isso.

- Não, seus idiotas - Sophia se meteu. - Ele está assim porque...

- Eu preciso sair daqui - o rapaz disse, se levantando e deixando os outros falando sozinho. Estava tão cansado de todo mundo falando o tempo todo em sua cabeça, só queria ficar sozinho e finalmente conseguir pensar. Dirigiu sem rumo até achar um parque que ficava perto de onde seu pai morava. Ele estranhou ao reconhecer o lugar. Estacionou o carro e caminhou até um banco, que lhe parecia estranhamente familiar.

- Você lembra daqui - ele ouviu a voz de Shelby atrás de si. - Eu e sua mãe costumávamos vir aqui quando estávamos grávidas, dizendo que você e Rachel brincariam por aqui enquanto nós sentaríamos nesse banco para falar da vida de todos - ela sorriu.

- Pensei que não conhecesse a minha mãe.

- Me desculpe por ter mentido. Eu... Sua mãe era a minha melhor amiga. Conhecemos-nos na escola de música e nos aproximamos. Quando eu o vi com a Rachel, me lembrei de nós duas juntas. Éramos inseparáveis e dizíamos tudo uma para a outra. Eu tinha um toque mais dramático também e ela sempre foi paciente o suficiente para escutar todo o meu drama - ela sorriu de novo. - Fui madrinha do casamento dela e fiquei tão animada quando ela descobriu que estava grávida. Então eu engravidei também e... Foi ela que me apresentou os pais da Rachel, seus tios. Ela disse que eles queriam um bebê a tanto tempo e eu não sabia o que fazer com o meu, então... Ela era assim, adorava resolver os problemas dos outros. E sempre fugia dos dela...

- Como assim? - ele perguntou, se sentando no banco. - Que problemas ela tinha?

- Ela tinha um coração grande. Tão grande que colocava todos na frente de si mesmo. Nós fizemos tantos planos de como seria quando vocês nascessem. No começo, não seria uma adoção fechada. Rachel moraria com seus tios, mas eu ainda participaria da vida dela. Mas quando ela nasceu, eu... Não consegui. Fugi e não pude mais olhar para trás. Assinei os papéis abrindo mão de todos os direitos que seus tios me enviaram e não tive mais coragem de encarar sua mãe. Senti que tinha traído ela e... Não podia suportar aqui...

Ela se sentou também.

- Quando eu soube que ela morreu, chorei por dias. E agradeci aos céus por você estar bem. Você era a pessoa que ela mais amou no mundo... Eu podia ver isso mesmo antes de você nascer...

- Você chegou a me ver... - ele perguntou, sem graça. - Quando eu era um bebê?

- Sim - ela sorriu. - Você foi um dos bebês mais lindos que eu já vi. Só não bateu Rachel porque sou a mãe dela, nenhum bebê conseguiria ser mais lindo do que ela...

- Acho que você disse isso pra ela quando ela nasceu, porque ninguém mais conseguiu tirar isso da cabeça dela desde então.

- Se tem uma coisa que me orgulha em Rachel foi ela ter encontrado um amigo tão leal como você. Se você for metade para ela do que sua mãe foi para mim, eu terei certeza que a minha filha não ficará sozinha. Nunca...

x.x.x

Ryan chegou à escola no outro dia mais leve e todos puderam perceber isso. A mãe dele era ainda era ainda melhor do que ele imaginava e isso alegrava seu coração mais do que qualquer coisa. Entretanto, aquela leveza não durou muito tempo.

- Agora tenho pesadelos com todas as mães dos pintinhos vindo atrás de mim por vingança - dizia Rachel ao contar sobre os ovos que Jesse tinha jogado nela.

- Aquele babaca - Ryan se levantou furioso. - Vou quebrar a cara dele em tantas partes que nem todo o gel que o Sr. Schuester passa no cabelo vai conseguir juntar!

- Isso é idiotice! Finn, Mike, Matt, venham comigo. Vamos. É hora de menos conversa e mais porrada - Puck disse se juntando a Ryan.

- O que houve? - Sr. Schuester perguntava.

- Vamos atacá-los como "Coração Valente" - disse Finn.

- Violência nunca é a resposta - o professor tentou explicar.

- É, quando a pergunta é "Como é melhor destruir a cara do Jesse"? - Puck disse.

- Ele não pode fazer isso com a Rachel - Ryan disse.

- Rachel é uma de nós. Só nós podemos humilhá-la - Kurt se juntou a revolução.

- Parem! Voltem aqui e sentem! - o professor gritou e apenas Kurt obedeceu. - Sei por experiência própria que fazer alguém sofrer, não faz sua dor sumir. Vocês são incríveis, não importa o que o Vocal Adrenaline faça. Só precisamos de um modo de lembrá-los disso.

- Mas não podemos deixá-los escapar por fazer uma omelete da Rachel - reclamou Finn.

- Não deixaremos - ele caminhou. - Rachel, ligue para o Jesse.

- Você ainda não apagou o número dele? - Santanna disse enquanto Rachel discava. Sr. Schue pegou o telefone.

- Jesse St. James? É o Will Schuester. O Vocal Adrenaline precisa estar no nosso auditório, sexta-feira, às 15h em ponto.

Sexta-feira tinha chegado e os integrantes do Vocal Adrenaline estavam no auditório. Ryan teve que se segurar para não pular do palco e quebrar a cara do Jesse ali mesmo. Mas prometera a William que não o faria, então não o fez.

- Obrigada por virem - começou Rachel. - Após a sua tentativa de aumentar nossa rivalidade, a qual estamos dispostos a esquecer, decidimos que só podemos atingi-los, se mostrarmos a única coisa que não são capazes de fazer. Então aproveitem.

Ela foi para trás da cortina e, antes de fazer o mesmo, Ryan disse para Jesse.

- Ainda temos contas a acertar...

We want the funk, give up the funk
we need the funk, we gotta have that funk
We want the funk, give up the funk
We need the funk, we gotta have that funk

- Nos vemos nas Regionais.