Quando o Amor Espera

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Universo: U.A.

Autora: Johanna Lindsey

Adapitação: Tiva07

Gênero: Romance/Angst/Histórico

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Sinopse

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Konoha era uma velha fortaleza, que não fora projetada nem para ser confortável nem para receber hóspedes. No entanto, passou a ser o lar da delicada e bela Lady Sakura desde que ela fora separada do pai por intrigas da madrasta. Embora rústica, há seis anos Sakura não saía dali nem para visitar Haruno, sua cidade natal. Tampouco para ver o pai, que morava no castelo de Haruno com a nova esposa, Lady Kaory.

Estamos em 1776, na Inglaterra dos senhores feudais. Sakura, isolada do mundo, resolve acabar com sua solidão: aventura-se, sozinha, até Oto para assistir à justa. E o destino a faz conhecer o homem que irá modificar radicalmente sua vida: Sasuke Uchiha, o Lobo Negro.

Confiante nas boas relações com o rei, Sasuke Uchiha, mercenário de Sua Majestade, dirige-se a Haruno para pedir que ele interceda a seu favor: quer a mão de Sakura e as terras vizinhas à fortaleza de Konoha. As terras são confiscadas do jovem Sai Montigny e de seu pai, e Sakura é forçada a se casar.

CAPÍTULO 21

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UMA LUA de prata espiava por entre as nuvens que corriam, e o vento fustigava os parapeitos, prognosticando uma chuva de verão. Os cães uivavam no seu confinamento e os cavalos se mexiam, inquietos, no estábulo.

Sasuke andava de um lado para o outro diante da lareira, a única vela que ardia na mesa ao seu lado lançando sua sombra nas paredes. Restavam três horas para o alvorecer, horas em que tinha que decidir...

- Meu senhor?

Sasuke se virou para a cama. Sakura não cerrara as cortinas, e ele a viu deitada de lado, os olhos dilatados de preocupação.

- Não pretendia incomodá-la, Sakura. Volte a dormir.

O som de seus passos é que a despertara. Um homem grande não se mexe silenciosamente.

- Tenho muitas preocupações - disse ele, suspirando. - Elas não lhe dizem respeito.

Sakura ficou quietinha observando-o, depois falou:

- Quem sabe, se me contasse o que o aflige, meu senhor, não pareceria tão terrível.

Ele a fitou e sacudiu a cabeça, impaciente. Bem típico de uma mulher achar que havia soluções fáceis para tudo.

Sakura ficou mortificada. Um marido devia se abrir com a esposa.

- Não existe nada que um marido não possa contar à mulher, a não ser que não confie...

- Pois bem - interrompeu Sasuke, a persistência dela irritando-o. - Se quer ouvir falar de guerra e morte, eu lhe contarei. Amanhã, muitos de meus homens podem morrer, pois não consigo mais pensar num jeito de tomar a fortaleza de Wroth sem atacar. Já não se fala mais em termos de rendição. - Ele sentou-se e começou a explicar. - Os muros são grossos e o túnel, que levamos tanto tempo cavando, desabou de novo. Eles parecem ter muitos suprimentos, pois nos provocam dos muros e juram que agüentarão o cerco. Meus homens estão zangados e impacientes para lutar e, na verdade, não vejo outro jeito.

- Vai usar as máquinas de guerra contra os muros? - indagou ela.

- Foi o que fiz com a fortaleza de Kenil e, agora, os reparos estão me custando mais do que o meu exército. Não estou guerreando contra um inimigo, Sakura, quero apenas tomar posse do que é meu. Não quero tomar a fortaleza inutilizando-a.

- Dá para escalar os muros? - indagou, sentindo-se tola por fazer perguntas ingênuas. Mas parecia que não estava perguntando tolices.

- Não me resta outra escolha. Ainda tenho que tomar mais três fortalezas e eles estão ficando desesperados pelo sítio há tanto tempo. Qualquer dia desses um ou mais deles poderão abrir os portões e tentarão escapar. E, então, descobrirão que foram tapeados, pois estão sendo sitiados apenas por um punhado de homens... não por um exército inteiro, que é o que parece do lado de dentro da fortaleza.

- É isso o que você tem feito? - arquejou Sakura.

Ele franziu a testa.

- Cheguei aqui com apenas duzentos homens. Contratei mais alguns do exército do rei, mas ainda não é o bastante para dividir entre sete fortalezas. Cada uma delas acreditava que eu a havia cercado primeiro, achando que bastaria ficar dentro dos muros e esperar, e que a ajuda viria da parte de um dos outros. Deixei que cada fortaleza visse o todo do exército, a fim de que pensassem que não deviam lutar antes de chegar ajuda. Mais tarde, fiquei movendo os meus homens de um lado para o outro para continuar dando essa impressão. Mas, se uma das fortalezas restantes descobrir o estratagema, ficará tão enfurecida que todos os homens que ali estão acampados serão chacinados.

Sakura ficou chocada.

- Você também terá que lutar no ataque à Fortaleza de Wroth?

Sasuke fez cara feia.

- Não mando meus homens onde eu mesmo não vá lutar. Lidero todos os movimentos, como sempre fiz.

- Escalou os muros de muitas fortalezas e castelos?

A sua expressão ficou remota.

- Lutei nas guerras de muitos homens... inclusive nas do seu rei, que agora é o meu rei. Lutei, sempre que foi preciso, da maneira que se fazia necessária. Foi só recentemente, neste esforço para tomar posse do que é meu, que me contive tanto. O meu jeito é geralmente acabar uma coisa rapidamente, no entanto tentei destruir o mínimo possível.

- Mas disse que tem que atacar Wroth.

- Tenho que correr o risco e posso perder homens, mas não posso perder mais tempo com a fortaleza de Wroth.

- Então deixe-a - sugeriu Sakura, com toda a seriedade. - Passe para a fortaleza seguinte e deixe Wroth para o final.

- E fazer com que meus homens achem que estão batendo em retirada? Já lhe disse, eles estão irados com as provocações vindas dos muros. Estão pedindo para atacar.

- Quantos desses homens morrerão antes mesmo que escalem os muros e comecem o combate em si? Quantos quebrarão o pescoço quando as escadas forem empurradas dos parapeitos? Quantos serão assados pelo óleo fervente e areia?

Sasuke olhou para cima.

- Por que falo de guerra com uma mulher? - perguntou, exasperado.

- Não sabe me dar uma resposta, meu senhor?

- Todos conhecemos os riscos - replicou com aspereza. - A guerra não é uma brincadeira.

- Ah - ironizou ela. - Tenho as minhas dúvidas quanto a isso, meu senhor, pois vocês homens amam tanto as guerras quanto as crianças amam as brincadeiras!

Ele fechou a cara.

- A guerra não lhe diz respeito, esposa, a não ser que chegue aos seus portões. Volte a dormir. Você não está me ajudando.

Ela o deixou ficar alguns momentos emburrado e depois prosseguiu.

- O risco seria menor se houvesse menos homens guardando os muros de Wroth? - perguntou.

Pensou que ele não se daria ao trabalho de responder, pois lhe dera as costas. Sujeito teimoso, pensava ela, quando ele finalmente falou:

- Wroth tem estado em prontidão constante. Eles não relaxaram a vigilância e o vassalo não é nenhum idiota. Lamento não ter conseguido convencê-lo a passar para o meu lado.

O pesar na sua voz era verdadeiro.

- Mas, e se houvesse apenas alguns homens para empurrar as escadas?

- Uma pergunta tola, madame - sentenciou ele secamente. - O risco seria menor, naturalmente.

- Será que um homem conseguiria entrar em Wroth sem ser percebido?

- Isso foi considerado, mas seria preciso mais de um homem para abrir os portões e a probabilidade de...

- Não para chegar aos portões, meu senhor, mas sim ao abastecimento de água.

Sasuke se virou bruscamente, o rosto contorcido de espanto.

- Teria coragem de envenenar todos eles? Até mesmo os criados! Maldição, não a imaginava desalmada!

- Veneno, não! - ela sibilou, indignada. - Com que rapidez me condena! Sugiro que ponha ásaro na água. É um purgante forte. Não matará ninguém.

A risada de Sasuke começou devagar e virou fortes gargalhadas.

- Eles iam brigar entre si para chegar aos lavatórios.

- E os que não tiverem alívio, cheios de cólicas e vomitando, serão bem menos vigilantes nos muros - ela acrescentou.

- Maldição! Eu jamais teria pensado numa trama tão perversa.

Sasuke estava atônito.

- Perversa não, se salva vidas, meu senhor - replicou ela vivamente.

- Concordo. Onde posso achar ásaro?

- Eu... eu tenho um pouco na minha cesta de remédios, mas não o bastante.

- Você tem uma cesta de remédios? - Ele parecia verdadeiramente surpreso. - É mesmo versada na arte de curar?

O seu tom sugeria que ouvira falar, mas não acreditara.

- Há muita coisa a meu respeito que desconhece, meu senhor - ela respondeu com sinceridade.

Ele assentiu, mas não quis fugir do assunto.

- Como isto é feito?

- É preciso o sumo de cinco a sete folhas para misturar numa só bebida, mas o resultado não é um purgante suave, portanto menos poderá servir por porção. Precisará de muitas plantas, de qualquer maneira, e certamente poderemos encontrá-las nos bosques. Eu encontrei com facilidade. Outra maneira é deixar folhas e raízes em infusão no vinho. Isso também deve ser feito, pois se um homem conseguir chegar ao abastecimento d'água, provavelmente também conseguirá chegar aos tonéis de vinho, e contaminá-los-á. Seria mais seguro mexer tanto no vinho quanto na água.

- Quanto tempo demoram os preparativos?

- Não é um processo fácil.

- Terá todo o dia de amanhã e poderá fazer uso de todos os criados da casa, se for preciso. Chega?

O seu modo autocrático a irritou, e ela assentiu sem falar.

Ele se aproximou da cama e tomou-lhe a mão.

- Se isto der certo, Sakura, vou ficar lhe devendo muito. - Ele sorriu: - Depois de todas as dificuldades que você me causou no passado, fico feliz em tê-la do meu lado. Você não é uma inimiga fácil.

Logo quando começara a simpatizar com ele, o passado era desenterrado. Mesmo assim, era a oportunidade de lhe explicar tudo, e sabia que devia aproveitá-la. Mas, o seu jeito superior fizera com que recuasse novamente. Sakura resolveu ficar calada. Haveria tempo para explicar mais tarde, não haveria?