Então, essa nota prévia é só para informar que provavelmente algumas pessoas não receberam a notificação por email do capítulo 20 – que eu postei dia 21 – então é só voltar um capítulo caso você não tenha lido ;)
Aquela sensação de puxão no umbigo ainda era extremamente estranha e a fazia enjoar. Hermione Granger, a filha de Lorde Voldemort, estava enjoada por conta de uma aparatação. Dessa vez foi um pouco pior, pois foi aparatação acompanhada. Ela não sabia muito bem para onde eles iriam, somente deduziu que não entrariam pelo portão da frente de Hogwarts.
Eles surgiram em uma colina e conseguiram avistar Hogwarts ao longe. O castelo estava pequeno demais a vista dela, o que significava que teria que andar bastante. Nesse momento Severo soltou a mão dela. – Eu consegui uma carruagem. Mandei uma mensagem por patrono para o Alvo de madrugada avisando que estaríamos aqui. – dizendo isso ele saiu e logo depois voltou com um pequeno coche. Pela primeira vez Hermione conseguiu ver os trestálios, isso foi um choque para ela.
- Então eles são assim... – ela se aproximou de um deles e tocou o seu focinho. – Eu nunca imaginei que iria ver um desses.
- Eu lamento profundamente que você possa vê-los. – Severo a guiou para subir e entrou logo após disso. – Nós vamos para a entrada lateral, geralmente é utilizada por professores quando precisamos sair da escola no meio do ano letivo. É bom não chamar atenção. Não queremos que nenhum aluno pense que se livraram de nós. – ele deu um sorriso irônico ao dizer isso.
Hermione suspirou profundamente e o beijou, um beijo lento, carinhoso e um pouco triste. Tirou o colar do bolso e o fechou ao redor do pescoço. Os cabelos encurtaram e voltaram a cor castanha, os olhos também voltaram ao tom original, no rosto, porém não houve muitas mudanças. Ela ainda pareceria diferente para quem a conhecesse.
- Eu estive pensando. – ela se virou para Snape com um tom sério. – Você gostava de mim antes Severo? Digo, antes de eu mudar...
Ele a pegou pelo queixo com carinho e a olhou exatamente dentro dos olhos. – Eu não sei se você se lembra. – um pequeno sorriso se formou no rosto dele. – Mas antes disso tudo, eu quase te beijei na minha sala.
- Então eu não imaginei aquilo? – ela deu uma pequena risada. – Então quer dizer que eu, Hermione Granger, a maior sabe-tudo da Grifinória, melhor amiga de Harry Potter, consegui seduzir o mais temido professor de Hogwarts? – os dois sorriram, e Severo pareceu meio encabulado.
O olhar de ambos se perdeu em direção a escola. Eles pensavam a mesma coisa, aquela visão tinha um gosto de lar. A muito Hermione já havia percebido que, por mais que amasse seus pais, o seu verdadeiro lugar era ali. Em Hogwarts ela podia ser quem ela era, sua vida era no mundo bruxo, e, mesmo agora que tudo havia mudado, ela mantinha aquela sensação.
Snape por sua vez não tinha casa, o homem que tomou conta dele depois que os pais morreram estava ali. Ele não tinha raízes e nem se orgulhava de quem era. Construíra uma personalidade para si por medo, não queria que ninguém se aproximasse dele. Não desejava perder mais ninguém.
- Severo, - a voz de Hermione parecia tê-lo despertado de um transe – como nós vamos contar para Dumbledore?
- Já marquei uma reunião com ele. Assim que chegarmos iremos diretamente para seu escritório. Ele quer saber tudo que aconteceu.
- Isso tudo inclui 'nós dois', certo? – não havia preocupação na voz dela, ansiedade talvez.
Ele sinceramente não havia pensado naquilo, por alguns momentos esquecia que era professor dela. Não sabia o que esperar do diretor, nunca pensou em verificar os regulamentos da escola em relação aquilo simplesmente porque nunca havia se imaginado em uma situação daquelas. – Sim, isso tudo inclui nós dois.
Chegaram. Dois elfos domésticos aparecem e carregaram a bagagem, as de Snape para as masmorras e as de Hermione para o dormitório da Grifinória. Os dois se olharam, soltaram as mãos e rumaram para o escritório de Dumbledore.
Em frente à estátua de gárgula Hermione disse: - Bolinho. – a gárgula não girou. Ela e Severo se olharam, Dumbledore havia mudado a senha. Depois de muitas tentativas, Hermione teve um súbito de que seria alguma coisa natalina, 'guirlanda' resolveu o mistério. – Francamente – ela resmungou assim que pegaram carona nos degraus de pedra. Severo deu um sorriso enviesado a ela e bateu na porta, esta se abriu magicamente e então se depararam com Alvo Dumbledore sentado em sua habitual cadeira atrás de sua mesa.
- Sentem-se meus filhos. – seu olhar parecia um pouco cansado, mas uma gota de alivio perpassou seu rosto ao ver Hermione bem. – Um prisma eu presumo. – disse ele apontando para o colar da moça. – Uma jogada inteligente. O próprio Voldemort que o fez?
- Não, senhor. Ele e Fahrah o fizeram juntos. – Hermione se sentia estranhamente confortável ali, por mais que o assunto fosse sério pela primeira vez em dias ela poderia falar sobre Voldemort abertamente com alguém que não iria lhe fazer mal. Ela confiava em Dumbledore.
- Uma mulher inteligente a Fahrah. Meio bruxa, meio vampira. Ela tem sua própria varinha. Deve ter lhe mostrado Srta. Granger. – era uma afirmação e não uma pergunta.
- Na realidade ela me deu a varinha, senhor. – Dumbledore estava muitíssimo aliviado. Sua aluna não havia mudado muito pelo contrário, voltou a ser exatamente como era antes de saber a verdade sobre suas origens.
- E como ela lhe responde? – ele parecia interessado demais.
- Muito melhor do que a minha pra falar a verdade. Muito mais poderosa.
- Assumo que a senhorita saiba a história dessa varinha? – Hermione fez que sim com a cabeça. Ele pôde perceber que Severo ainda não falara nada, e que os dois pareciam muito confortáveis na presença um do outro. Claramente suas suspeitas foram confirmadas. – Antes de mais nada, se você está vivo Severo acredito que Voldemort tenha aceitado o relacionamento de vocês?
Hermione teve um repentino acesso de tosse, Snape ficou com a boca entreaberta como se tivesse parado antes de começar uma frase. O mesmo pensamento era partilhado pelos dois, como Dumbledore havia chegado àquela conclusão?
- Imagino que estejam se perguntando como eu cheguei nessa linha raciocínio. Pois bem – não havia como negar que ele estava se divertindo um pouco com aquilo – desde o ano passado – os recente casal se olhou 'ano passado?!' – o interesse mutuo de vocês ficou claro. Minerva até veio se queixar comigo dizendo que você – e apontou para Hermione – estava aparentando mais interesse em poções do que em transfiguração. Você mesmo comentou umas três vezes sobre Hermione comigo Severo. Ficou abismado porque ela tirou 340% no seu último exame.
- Eu tirei 340%? Você só me deu 120%!
- Ora Hermione, você é da Grifinória, queria que eu fizesse o que? Pelo menos eu te dei mais de 100.
- Eu quero a diferença na próxima nota. – ela parecia realmente aborrecida.
- Crianças, crianças – Dumbledore disse sorrindo – creio que temos assuntos mais importantes para tratar.
Os dois recobraram a compostura, Hermione respirou fundo, Snape estalou o pescoço e começou a falar: - Aparentemente ela caiu nas graças dele, Alvo. Todos os comensais a respeitam. – um ar de deboche tomou sua fala – Bellatriz a venera como uma deusa e Malfoy não se cansa de jogar charme para ela.
- Então correu tudo como o planejado... Mas eu não esperava os dois aqui tão cedo. O que houve? – agora os três tomaram um ar de seriedade. – De certo algo aconteceu.
- Hermione teve um pequeno problema durante o ataque. Ela...
- Sangue espirrou em minha boca, eu acabei engolindo e o senhor pode imaginar. – olhar dela escureceu um pouco – eu virei um bicho. Montei em cima de um auror e arranquei sua cabeça com as mãos. Voldemort lançou o feitiço do sem vida em mim. Ele e Severo me levaram para casa e eu consegui sobreviver.
Ela deu um sorriso cansado. Dumbledore observou que foi uma incrível maneira de resumir as coisas, ele já estava sabendo daquilo, a notícia havia se espalhado no ministério e acabou chegando aos ouvidos dele. Por um momento ele não quis acreditar que aquilo fosse verdade, mas a confirmação estava ali. O mais curioso foi o feitiço, porque Voldemort lançaria aquele feitiço? Ele queria salvar a vida dela, salvar a vida humana dela. Seria por interesse ou por algo mais?
- Eu realmente fico contente que a senhorita tenha sobrevivido. A pergunta é como? – na vez em que ele sofreu aquele feitiço o próprio Grindewald o ressuscitou a bem dizer, ele ficou dez dias em coma, foi um processo bem difícil.
- Severo me deu uma poção de animar misturada com sete gotas do sangue de Fahrah. – nem Snape sabia de onde ela tinha inventado aquilo. Ali ele percebeu que ela sabia a verdade, mas não quis expor ao diretor. Ela falou com tanta convicção que nem mesmo Dumbledore suspeitaria de algo. Ele ficou agradecido por isso.
- Voldemort é humano outra vez. – Dumbledore tomou um susto, por um momento havia se esquecido de Severo ali. A presença de Hermione se fazia tão grande que qualquer um se concentraria somente nela. – Ele conseguiu um corpo. Ninguém sabe como, somente seus olhos que continuam vermelhos.
Por essa nem Dumbledore esperava. Um corpo humano. Que tipo de magia experimental ele estaria desenvolvendo? Isso era preocupante. Agora ele poderia se infiltrar no mundo dos trouxas, assumir a identidade de quem quisesse. Era só disfarçar os olhos.
- E como ele se parece? – aquela informação era primordial.
- Ele assumiu uma forma alta, têm os cabelos um pouco grisalhos...
Hermione puxou sua varinha e um estalo foi ouvido. Ela sorriu para eles. – Isso meus senhores é uma câmera digital. – ela sacudiu um pequeno dispositivo quadrado na frente deles. Ela apertou um botão e uma pequena tela se acendeu. – Eu me lembro de ter lido em algum lugar que dispositivos trouxas não funcionavam nos muros de Hogwarts. Alguém vai ter que retocar isso. – Severo e Alvo olhavam intrigados, os três juntaram as cabeças para poderem visualizar melhor. – Aqui elas parecem pequenas, mas vou dar um jeito de imprimir em tamanho bem maior. Sempre levo uma dessas, meus pais se interessam pela vida bruxa, então fotografo algumas coisas para eles. O ruim é ter que carregar um caixa de pilhas já que aqui não têm tomadas – nenhum dos dois entenderam nada do que ela disse, mas mesmo assim sacudiram as cabeças. Uma pequena foto iluminou a tela, era ele Lorde Voldemort.
Aquilo era realmente brilhante! Severo teve vontade de beijar Hermione, mas só sorriu para ela. Dumbledore ficou duplamente chocado, ver Severo sorrindo e Voldemort humano eram duas visões inacreditáveis. A menina estava realmente fazendo bem para ele.
- Eu achei que deveria levar, caso alguma coisa de interessante acontecesse, para trazer informações sabe? – e lá estava a Grifinória incrivelmente inteligente – Quando vi a forma dele achei que o senhor deveria saber diretor. Garanto que ele não viu. Usei feitiços para encobrir o que estava fazendo. Agora vejo que fiz o certo.
- Senhorita Granger, você realmente faz merecer o título de aluna mais inteligente do século! – ela corou um pouco ao ouvir aquilo – O quanto antes a senhorita puder ampliar isso melhor. Avise se precisar de algo que facilite esse processo. Agora vocês dois, - o tom de Dumbledore ficou mais ameno – é livre a decisão sobre o que e com quem vão falar à respeito de vocês, só peço que não espalhe um boato muito grande na escola. Não queremos que digam que as notas de Hermione são favoritismo.
Severo poderia jurar que escutou Hermione resmungar 'cento e vinte' e pensou no que o diretor disse. – Draco sabe. Ele nos viu na casa dele, embora ainda não participe de nada que diga respeito a Voldemort ele convive na parte social da casa.
- Eu acho – e ela tomou cuidado ao falar – que a professora McGonagall deve saber.
- Mas porque raios você quer contar a ela? Ela vai ser a pessoa que mais vai implicar, pode ter certeza disso.
- Ela é diretora da minha casa Severo. Tenho muita coisa a explicar para ela.
- Pois muito bem senhorita Granger – Dumbledore falava com calma – quem mais?
- Obviamente, Harry, Rony e Gina.
O queixo de Snape caiu, então seria assim, ela reuniria os amigos e diria 'olá, estou namorando o professor que vocês mais odeiam, me passe o biscoito por favor.' – Hermione – ele falou respirando pausadamente – você realmente acha que eles não vão criar caso? Por que se eu fosse o Potter eu tentaria me matar.
- É claro que eles vão criar caso. E é obvio que o Harry vai tentar te matar, mas veja, não tenho como esconder isso deles. Não quero inventar desculpas e nem mentiras. – o olhar dela ficou meio apreensivo – Professor Dumbledore, o que o senhor acha que eu devo contar aos meninos?
- Tudo. Omita os detalhes que julgar necessários, mas em minha opinião essa seria a atitude correta. Isso pouparia uma rede de mentiras, e com certeza vai conter algumas atitudes do Harry, ele não vai querer correr o risco de te causar algum dano mesmo que indiretamente.
Fez-se um silêncio na sala, por um momento pareceu que todos estavam tomando coragem pelo que estava por vir. – Já é uma da tarde, vocês percorreram um grande caminho e devem estar com fome, o almoço será servido dentre em pouco. Acho melhor descermos para o salão.
- Eu vou para a Grifinória trocar de roupa diretor.
- Tudo bem senhorita Granger, eu e Severo temos mais uns assuntos para tratar.
Ela assentiu e foi embora. Andou a passos lentos pelos corredores, parecia que haviam anos que ela não caminhava por eles. Sua vida mudou tanto. Viu-se tão distraída que esbarrou em alguém.
- Oh, olá senhorita Granger – e foi tomada em um abraço – Como estão seus pais? Eu estava preocupada com a senhorita, achei não fosse voltar antes do Natal.
- Err, nem eu professora – Minerva McGonagall acabara de se materializar na sua frente. Bom se não fosse agora não seria nunca – Na realidade eu queria mesmo conversar com a senhora.
- Pois não querida? – o olhar que a mulher lhe dispensava era quase maternal. Por anos aquela figura foi uma referência para ela.
- Acho que não seria adequado conversarmos no corredor. – ela estava realmente nervosa, era sua reputação como monitora que estava em jogo, e por mais estranho que fosse ela valorizava isso mais do que muita coisa no mundo.
- Vamos a minha sala então.
Os passos das duas ecoavam no corredor de pedra, por duas vezes Hermione quase tropeçou no próprio pé. A professora disse a senha 'árvore de natal' e justificou revirando os olhos que o diretor quis que todas as senhas tivessem um tema natalino, coisa que ela achava desnecessária. Minerva observou que estavam em horário de almoço, bateu palmas e surgiram pratos para as duas. Novamente a mente de Hermione se voltou para o trabalho dos elfos domésticos, mas agora não era hora para pensar naquilo. Ela percebeu que estava com fome, mas não sabia se iria conseguir comer e falar.
- Professora, se a senhora não se importar, podemos almoçar antes de iniciarmos a nossa conversa? – ela tinha quase morrido, e resolveu dar prioridade ao estômago.
A diretora da Grifinória estranhou o pedido, mas concluiu que a aluna estivesse um pouco abatida e comeram em silêncio, assim que Hermione terminou seu almoço, a professora fez um gesto que a convidou a falar.
- Bom – ela limpou a garganta – meus pais estão bem. – Minerva esboçou um sorriso. – Na realidade, eles estão bem mesmo, não houve nada com eles.
- Mas Alvo disse...
- O professor Dumbledore inventou essa desculpa para eu poder sair antes do expresso. – a expressão da mulher era de pura confusão, nunca Alvo Dumbledore havia mentido para ela – É que eu não fui para casa. – Hermione não sabia o que falar, mas não teria como justificar a coisa toda com Snape se não tivesse contado meia verdade.
- E para onde a senhorita foi? – tudo aquilo estava muito estranho.
- Eu estou trabalhando para o diretor, em... umas coisas. Infelizmente não posso revelar o que é.
Agora a cabeça de Minerva estava trabalhando extremamente rápido. Se ela não poderia contar porque estava falando? O que seria que Dumbledore estava forçando a menina a fazer? Certamente seria algo perigoso...
- Professora, é que a senhora é como uma mãe para mim aqui – o coração de Minerva amoleceu, nunca tinha ouvido isso de um aluno antes – e eu não quero esconder nada da senhora. Acontece que eu estou namorando, de verdade, a coisa parece ser bem séria. O diretor já está sabendo e ele aprova isso...
- Mas que interesse o diretor teria em um relacionamento de aluna Hermione? Eu fico extremamente feliz em saber que gosta de mim ao ponto de ter me contado, mas isso é absolutamente normal na sua idade.
- Não sei como dizer isso sem ser direta, e eu achei que a senhora deveria saber por ser diretora da minha casa e por ser importante pra mim. – ela tinha que tentar quebrar a professora de qualquer jeito – Eu estou namorando o Severo.
Levou um tempo para ela associar o nome à pessoa, e conforme ela foi processando aquela informação seu rosto foi mudando lentamente ele se tornou vermelho, depois escarlate e quando já estava assumindo um tom de roxo ela levantou.
- Eu vou até as masmorras. Eu vou matar o Snape! – e ela saiu.
Foi uma corrida desabalada, a professora conhecia caminhos que Hermione nem sabia que existiam. Alguns passantes olhavam para aquela cena curiosa, Minerva McGonagall correndo a passos largos e Hermione Granger no seu encalço.
- Professora, tenha calma...
- Agora não Hermione – a mulher ofegava um pouco e calou a aluna com um gesto de mão – eu tenho um homicídio para cometer!
Dois corredores à direita e chegaram na porta dos aposentos do professor de poções.
- Snape! – o tom dela estava exaltado, mas não chegava a ser um grito – Snape! – ela esmurrou a porta quatro vezes e quando estava prestes a chamar o nome dele outra vez o mesmo abriu.
Não se sabe em qual momento ela sacou a varinha, se foi antes ou depois de agarrá-lo pelo pescoço e arrastar até a parede. – O que você fez com a minha aluna! – a frase saiu entre os dentes, uma espuma começava a se formar no canto da boca dela. – Eu vou te matar!
- Me solta Minerva! Eu não fiz nada! – ele procurou Hermione com os olhos e a viu petrificada em um canto da sala. – Hermione, me ajude aqui, eu não quero matar a diretora de sua casa. – Prontamente ela saiu correndo e se meteu no meio dos dois. Minerva recuou uns dois passos e mesmo assim os dois estavam com as varinhas apontadas um para o outro.
- Severo, abaixe a varinha – havia um tom de súplica na sua voz.
- Se eu abaixar ela vai me matar! – ele falava exasperado.
- Se escondendo atrás de uma menina de dezessete anos Snape! Que vergonha! – havia revolta em sua voz. – Saia da frente Hermione, não quero ter que machucar você.
- Pelo amor de deus professora, recobre a razão!
- Eu disse que quando você contasse ela iria enlouquecer!
- Ninguém vai enlouquecer aqui, Minerva abaixe a sua varinha. Você também Severo. – a voz de Dumbledore passava calma, nenhum dos três viu a sua chegada.
- Alvo você já sabia que Hermione Granger está namorando Severo Snape e não me disse nada? – ela estava indignada.
- Sim Minerva, a meu ver não cabe a mim especular a vida de ninguém, Hermione que teria que tomar essa decisão. – o modo como o diretor disse fez parecer que eles já estavam juntos há mais tempo. Isso favoreceu muito os dois, poderiam se poupar de dar explicação sobre os últimos dias. – Se eu estivesse no seu lugar ficaria muito feliz de uma aluna confiar em mim ao ponto de revelar sua vida pessoal. E antes que você se pergunte eu não somente sei como também aprovo o relacionamento dos dois. Severo é um excelente homem e ambos concordamos que não há pessoa no mundo mais especial do que a Srta. Granger.
A mulher ficou calada, mesmo com todos esses argumentos não conseguia entender porque Hermione havia escolhido justamente o Snape, havia o Weasley e até mesmo o menino Potter. Mas concluiu que ela já era grande o suficiente para fazer suas escolhas, mas mesmo assim... – Que fique claro que tenho minhas reservas em relação a isso, obrigada por ter me contado Granger, de verdade. – olhou para a menina com carinho – Me desculpem por ter me exaltado, mas a natureza de seu trabalho Severo pode pôr a menina em risco.
- Professora, me desculpe, mas eu não me preocuparia com isso. Estou segura dentro dos limites do castelo. – Hermione tentou tranquiliza-la e a professora esboçou um sorriso para ela.
- Entretanto há uma novidade que eu não contei a nenhum dos três e realmente planejava uma reunião com vocês para informar que, a senhorita Granger – fez-se um tom de suspense – vai se tornar professora adjunta de poções.
- O quê?! – todos esperavam que essa pergunta viesse de Minerva, mas foi Severo que a fez. – Como você vai justificar isso perante a escola?
- Muito simples. A senhorita Granger vai se formar para carreira acadêmica em Hogwarts, já que a própria diretora de sua casa vinha querendo isso há muito tempo. – Hermione olhou de Minerva para Dumbledore e seu rosto ficou vermelho. – A cada semestre, mesmo depois da escola, ela será adjunta de um dos professores "menos de Sibila por motivos óbvios" e no sorteio a primeira matéria que caiu foi poções.
- Alvo, se você acha que eu encobrirei isso para os dois ficarem se agarrando?
- Minerva, minha querida, não sei se a senhorita Granger mencionou que está trabalhando para mim. Ela e Severo estão juntos nisso, será melhor para todos nós que trabalhem juntos em tudo. Hermione receberá um aposento nas masmorras para os dias que precisar trabalhar até tarde no laboratório de poções. Por que essa parte não é farsa, ela realmente vai aprender com o Severo.
Todos ficaram um pouco perplexos, Hermione estava radiante. Professora em Hogwarts! Era o maior sonho da vida dela. E ainda tinha o aposento nas masmorras, isso deu um frio na barriga dela... Lembrou-se do episódio na mansão dos Malfoy no qual ela e Severo se agarraram nas escadas das masmorras de lá. Ela era totalmente inexperiente no quesito sexo oposto. Ainda não sabia se iria passar as noites lá, a tão poucos metros de distância dele sem Voldemort para vigiar.
- Hermione minha criança, você não vai dizer nada? – e foi aí que ela percebeu que ainda estava olhando com cara de idiota para Dumbledore.
- Vou sim. – e ficou muda.
- Então? – agora foi Severo quem lhe perguntou.
Ela deu uns passos à frente e jogou os braços ao redor do diretor da escola, Dumbledore se surpreendeu com o abraço, mas pareceu satisfeito. – Muito obrigada diretor! É tudo que eu queria fazer. – ela o soltou do abraço e tinha lágrimas no rosto. – Só não sei se vou conseguir aturar o Severo por esse tempo todo.
Snape deu uma risada e enxugou as lágrimas dela. – Pare de ser idiota, pior vai ser para mim, ter que conviver com a aluna mais irritante da Grifinória. – Ali Minerva viu o que sua aluna deve ter visto, Snape sorrir.
- Bom, creio que eu possa me retirar agora. – por mais que as coisas tivessem sido esclarecidas aquilo tudo ainda lhe incomodava.
- Sim Minerva, você pode. Severo e Hermione vou deixa-los a sós. Já podem começar a combinar o planejamento das aulas e resolverem outras questões. Creio que os seus pais, senhorita Granger, gostariam de saber que chegou em segurança a escola.
Hermione entendeu o que ele quis dizer e realmente tinha se esquecido de Voldemort. Então ela lembrou: - Professor Dumbledore, acabo de lembrar que minha mãe mandou um beijo para o senhor.
Snape, Minerva e Alvo a olharam. – Diga a ela que lhe agradeço, e que gostaria muito de falar com ela qualquer dia. Uma boa mulher sua mãe. – e dizendo isso saiu. Mais uma coisa para a série de acontecimentos estranhos que Minerva estava observando. De onde Dumbledore conhecia a mãe de Hermione?
Severo e Hermione se viram sozinhos na sala. Ele afundou em uma poltrona. – Fahrah mandando um beijo para Dumbledore? Que coisa mais esquisita. – ele estava um pouco reflexivo quando de repente viu Hermione se jogando no colo dele. – Quem se importa? Sou sua adjunta! – o sorriso dela seria capaz de iluminar qualquer ambiente, Severo jurou que nunca vira tanta alegria em um só olhar. Ele deu-lhe um beijo em sua testa. – Só não tente roubar o meu emprego, senão fim de namoro. – ela deu uma risada verdadeira, ele sempre havia a visto rindo daquele jeito com os amigos, mas nunca imaginou que teria uma risada daquela para si. – Não vou roubar seu emprego... – a voz dela foi baixando até quase um sussurro – vou roubar você. – E começou a beija-lo.
Tudo começou lentamente, porém profundo, afinal eles nunca tiveram uma privacidade como aquela. Hermione suspirava baixinho e Severo puxava levemente os cabelos dela com as mãos. Então ele inclinou um pouco a sua cabeça e começou a beijar-lhe o pescoço. Ela cravou um pouco as unhas por cima das vestes dele na altura do ombro, e se surpreendeu quando ouviu um gemido baixo sair da sua garganta. Alguma coisa em seu baixo ventre começou a esquentar, ela nunca havia sentido aquilo, mas era bom. Mas uma sensação de medo se apoderou dela. – Severo. – sua voz saiu baixa e um pouco rouca. – Eu ainda nem tomei banho. – ele entendeu o recado, e com um pouco de sacrifício se afastou um pouco do pescoço dela. Hermione estava corada, com os olhos brilhando e um pouco suada, era a melhor visão que ele tinha há anos.
- Curiosamente uma mala sua veio parar aqui – ele também falava com um pouco de dificuldade – creio que Alvo a tenha mandado. Você pode ficar aqui se quiser. – o tom dele era um pouco esperançoso demais até para ele mesmo.
- É lógico que eu quero. – ela lhe deu um sorriso sincero – onde estão minhas coisas?
- Logo ali na porta do meu quarto, perto daquela estante. O banheiro é naquela porta à esquerda. Eu vou guardar uns ingredientes no armário de poções. O mesmo que você assaltou e que dessa vez está protegido com magia. – ele deu um pequeno sorriso ao dizer aquilo e os dois levantaram.
Hermione separou um conjunto das vestes da escola e foi tomar banho. Absolutamente tudo dentro daquele banheiro tinha cheiro de Severo Snape. Ela até chegou a parar para ter uma visão geral.
O chão era de mármore, as paredes eram de algum tipo de cerâmica meio bege, as luzes estavam nas paredes, à direita da porta havia um armário com toalhas e itens de higiene. Uma incrível banheira estava ali, meio que convidando Hermione a usa-la. Pensando entre o chuveiro e a banheira ela optou pela segunda. Despiu-se e após enchê-la, entrou na banheira. Pelo que pareceu a primeira vez em anos ela pôde relaxar. Limpou a sua mente de Voldemort, Fahrah, Harry, Dumbledore e até mesmo dos crimes que cometera. O que a fez lembrar de sua varinha. Qual desculpa daria pela troca de varinha? Agora que a varinha de seu avô de adequara tão perfeitamente a ela não havia como voltar à antiga. A varinha de Salazar Slytherin era somente um pouco mais comprida que a dela, bem mais dura e mais escura, tinha uns desenhos talhados no cabo, um era uma serpente e ela deu graças por esse ser o menor deles. Talvez desse para fazer alguma ilusão na aparência da varinha. Falando em ilusão ela automaticamente levou a mão no colar que estava no seu pescoço. A aparência dela agora era uma ilusão também. O que ela havia se tornado?
- Hermione – a voz de Severo chamou na porta, por um momento ela achou que ele fosse entrar, mas ele continuou do lado de fora – vamos subir para jantar.
- Já estou saindo. – ela se levantou, esvaziou a banheira e começou a se arrumar. Ao abrir a frasqueira ela viu um vidrinho, o antidoto da veritasserum que Severo havia lhe dado, a poção continuava intacta. Ela não precisou mentir nenhuma vez em que esteve lá. Foi melhor assim. Ela se olhou no espelho e concluiu que estava com uma aparência satisfatória. Saiu do banheiro.
- Você está linda. – Severo abriu um sorriso ao vê-la – Dumbledore conversou comigo pela rede de flú. Alguns poucos alunos estão na escola, mas hoje você jantará na mesa dos professores, ele anunciará seu cargo no jantar. Mesmo antes do pronunciamento oficial no banquete de volta às aulas a coisa toda irá se espalhar. Nervosa?
- Não, eu só não lembro onde deixei minhas pernas. – ela estava ligeiramente esverdeada.
- O bom nisso tudo é que você poderá andar do meu lado o tempo todo, sem deixar de lado as formalidades é claro. Vai ser bom manter um olho em você.
Os dois saíram juntos e caminhavam pelas masmorras antes de começarem a subir para o caminho que levava ao salão principal, passaram em frente à entrada da Sonserina e Marcus Nott estava indo para o jantar. O rapaz deveria estar na faixa dos quinze para dezesseis anos, pois estava no sexto ano. Ele congelou quando se deparou com eles, a princípio Hermione pensou que a presença de Snape o estava amedrontando, mas aí percebeu que era ela.
- Senhorita Granger, - ele se curvara para falar – se alguma vez lhe fiz algo peço que me perdoe, eu...
- Cale a boca Nott! – Snape usava um tom de grito sussurrado e arrastou o rapaz para um canto. – Todos os seus amigos filhos de colegas de profissão de seu pai já devem estar sabendo, mas os avise para não agirem como idiotas perto dela. Depois que todos voltarem a Sonserina inteira receberá um aviso onde o nome dela será incluído. Agora dê boa noite à senhorita Granger.
O rapaz com o olhar assustado disse – Boa noite senhorita Granger. – e saiu correndo sem nenhum pudor.
- Eu achei que isso fosse acontecer dentre os alunos da Sonserina. – Hermione cochichava perto de Snape – mas não achei que seria tão rápido. – Snape suspirou fundo quando chegaram à porta lateral do grande salão.
Tão logo a porta abriu todos se calaram. Os olhos se voltaram automaticamente para Hermione, pareciam que eles já estavam esperando alguma coisa acontecer, o fato dela surgir logo após Snape só fez aumentar o burburinho. Mais ou menos uns cinquenta alunos estavam presentes, incluindo a víbora da Pansy Parkinson, o pensamento de poder dar detenções a ela agradou Hermione.
- Silêncio, por favor – todos se calaram ao ouvirem a voz de Dumbledore – hoje tenho o prazer de anunciar à todos os presentes uma notícia a qual, pelo menos nós do corpo docente, esperávamos ouvir a muito tempo. Hermione Granger, monitora chefe da Grifinória, está se juntando hoje ao nosso quadro letivo. – aplausos ruidosos na mesa dos professores foram ouvidos e alguns alunos da Grifinória e da Corvinal acompanharam no mesmo ritmo, outros estavam pasmos demais para esboçarem reação. – A partir de hoje ela começará com o cargo de professora adjunta de poções, assistindo o professor Snape e auxiliando os alunos, estando assim, isenta de prestar os exames dessa matéria. – essa parte Hermione claramente não gostou. Depois dessa parte alguns alunos que gostavam dela ficaram com pena, logo de poções... Eles não queriam estar no lugar dela. – Hoje eu gostaria que ficasse conosco Hermione, mas se amanhã quiser estar com os seus amigos na mesa da Grifinória eu não vejo problema. – Dumbledore disse isso em tom mais baixo.
Hermione ocupou o lugar que estava disponível, entre Minerva e Severo, o melhor lugar da mesa... para brigas é claro. – Professora McGonagall, poderia me passar às batatas, por favor? – ela tinha receio que a outra lhe tratasse de maneira diferente.
- Aqui estão. – ela carregava um sorriso no rosto. – Estou muito orgulhosa de você Hermione, sei o quanto desejou isso.
- Obrigada professora. – em nenhum momento ela fez contato visual ou se dirigiu a Snape de alguma forma, ambos estavam se evitando, não poderia passar nada em comum a não ser a matéria que os ligava no momento. – Admito que fiquei um pouco aborrecida por não poder prestar o exame de poções, o professor Snape passou um trabalho e eu já havia preparado três metros sobre propriedades de poções letais.
- Bom, você sempre pode deixar para o Longbottom ler, é uma boa maneira de ele não se envenenar por conta própria. – Snape adotou o tom sarcástico usual, o que deixou Minerva e Hermione um tanto aliviadas.
- Eu ainda não concluí todos os meus trabalhos a serem entregues após as férias, só tenho três rolos de pergaminho feitos sobre a transformação de animagos professora.
- Mas esse trabalho é para ser entregue em dez de janeiro Hermione. – Minerva tentou tranquilizar a aluna.
- Eu sei! É por isso que estou preocupada, tenho muito pouco tempo! – Severo fez força para não rir da cara dela. Minerva tentou consertar o que disse.
- Eu não quis dizer nada sobre o prazo, e sim o quanto está adiantada. Creio que três rolos de pergaminhos serão mais do que necessários para apresentar seu ponto. – Hermione fez cara de desacreditada e terminou de jantar. – E um comentário, você está muito bonita! Há alguma coisa de diferente em você. – lançou um olhar para Severo e não quis acreditar que era por culpa dele. Hermione murmurou um agradecimento.
- Eu mandei prepararem um aposento para você nas masmorras, mas não sei se tudo que lhe pertence estará lá, a nova senha da sala comunal da Grifinória é visco. – Hermione agradeceu a professora Minerva, pediu licença e se retirou do salão. O caminho dali até a Grifinória era tão comum a ela que seus pés iam sozinhos, ela pulou automaticamente o terceiro degrau da segunda escada à direita como fazia todos os dias e disse visco para a mulher gorda.
Um pouco de saudosismo apoderou-se dela ao entrar, tudo era tão conhecido. Para cada canto que olhava se lembrava de alguma brincadeira ou conversa que teve com os amigos. Tudo aquilo foi tirado dela a força, ela não achava aquilo justo. Subiu a imensa escadaria até o dormitório das meninas e se jogou em sua cama. Aquela cama era tão sua que o colchão já continha suas formas moldadas. Tudo ao redor de sua cama era tão seu, uma pilha de livros que vinha do chão e ultrapassava a cabeceira, a foto dela e de seus pais em cima do criado mudo. Uma bola laranja pulou no colo dela. – Bichento! – ele a olhou com desconfiança, andou um pouco ao redor dela, mas depois se rendeu. – Escute, eu agora não vou mais morar aqui – os olhinhos amarelos a olhavam com atenção – eu quero que você venha comigo. Não vai ser um lugar ruim, as masmorras; vai haver uma quantidade boa de ratos para você caçar imagino eu. Vou pegar minhas coisas e aí nós vamos descer ok? – de alguma maneira ela soube que o gato concordou eu começou a colocar o que restava ali em sua mochila. A maioria das roupas que ela tinha deixado no quarto já haviam sido levadas, mas poucas coisas, incluindo o retrato de seus pais, ainda estavam ali. Terminado o processo ela desceu as escadas. Neville estava sentado em frente à lareira.
- Eu pensei que você tivesse ido para casa Neville. – ela não esperava encontrar ninguém ali àquela hora.
- E eu pensei que você não estava na escola. – ao encarar sua colega de casa percebeu que havia algo de diferente nela. – Minha avó foi passar o natal com meu tio avô Martin, eu não gosto de ir pra casa dele e então fiquei na escola. E os seus pais?
- Estão bem, obrigada por perguntar. – então Dumbledore realmente plantou o boato com força.
- Por que você está levando todas as suas coisas?
- Eu estou me mudando Neville. Aconteceu uma coisa... Logo depois que eu cheguei participei de uma reunião e agora – ela fez um pouco de suspense – sou professora!
O queixo de Neville caiu – Que ótimo Mione! Qual matéria?
- Poções. Estou como adjunta do professor Snape e vou dar aulas junto com ele – o amigo fez uma cara de enterro. – Anime-se, isso quer dizer que vou poder te ajudar nas aulas, afinal de contas você não vai ter motivos pra ter medo de mim. Acabo de me lembrar de que tenho uma coisa para você. – ela remexeu na mochila e achou um rolo de papel. – Aqui está o meu trabalho de poções, eu não vou mais estudar essa matéria, e quando eu perguntei ao professor Snape o que fazer com isso ele acabou fazendo uma piada sobre dar para você. Achei uma boa ideia – ela disse sorrindo – Seria bom você empresta-lo ao Harry e ao Rony quando eles voltassem, eles me matariam se soubessem que dei um trabalho e não deixei eles copiarem.
- Obrigada! – o rosto do menino se iluminou – E Hermione, você está muito bonita.
A garota cruzou o buraco do retrato, respirou profundamente e começou a fazer o caminho em direção às masmorras. Alguns alunos que passaram por ela cochichavam, alguns mais novos da Grifinória fizeram sinal de positivo com as mãos. Ela ainda não acreditava naquela cena.
As masmorras eram um lugar particularmente desprovido de decoração, quase nenhum quadro gostava de ficar ali e os que ficavam eram esnobes demais fala sequer darem uma palavra a um aluno. O corredor da ala oeste era o caminho mais rápido para chegar à sala de Snape, mas também era o corredor do salão comunal da Sonserina. Ela, Harry e Rony sabiam disso por conta do 'incidente polissuco' no segundo ano. Ela não foi, uma experiência um tanto traumática que a ensinou a olhar os gatos de outra maneira, mas os meninos contaram a localização para ela.
- Então está perdida aqui Granger? – aquela voz enfadonha só poderia pertencer a uma pessoa.
- Na realidade não. E você está? – a calma e a frieza na voz de Hermione assustaram um pouco a Sonserina, mas ela não perdeu a pose.
- Então, pode me contar, foi o pai de Draco que pagou para você ser uma auxiliarzinha de poções?
- Não me faça me aborrecer com você Pansy, hoje eu estou particularmente de bom humor. Não queira me ver estressada.
- Olha aqui sua – então o insulto que ela iria dizer foi interrompido pela aparição de três sonserinos, Marcus Nott, Eran Patterson e Trevor Brown.
- Deixe-a passar Pansy, vai ser melhor para você. – Brown tomou a dianteira.
- O que deu em vocês? Ela é da Grifinória! Ela é sangue-ruim! – Patterson a segurou pelo pescoço.
- Nunca mais diga isso dela! – ele cuspiu no rosto dela – Nunca!
- A partir de hoje você ou qualquer aluno da Sonserina estão proibidos de tocar nela. Ela é especial do jeito que você nunca vai ser. Se alguém a tocar, avise que estamos preparados para matar. – Brown parou para retomar o folego – Se você ainda tiver alguma dúvida pergunte ao seu pai se ele tem alguma novidade.
Hermione havia observado aquilo tudo impassível. Tinha que ver até onde a lealdade dos futuros comensais iria chegar, e sinceramente gostou do que viu. Ela iria ajudar Dumbledore, queria que as matanças acabassem apesar de saber que iria viver aquilo tudo de novo, sabia que tinha um dever a cumprir. Mesmo assim, aquelas eram as pessoas que dariam a vida para protegê-la, que fariam tudo ao seu alcance só para agradar a ela. Querendo ou não, os comensais da morte eram uma espécie de família, e mesmo contra a sua vontade, ela tinha que deixar transparecer algum poder na escola.
- Trevor. – o rapaz virou em sua direção e a olhou com um misto de medo e respeito – Você é extremamente parecido com seu pai. Não tive muito contato com ele, mas pude ver que é bastante dedicado. – o peito dele estufou e ostentou um sorriso de presunção no rosto. – E muitíssimo obrigada rapazes, é bom saber que posso contar com vocês.
Os três ficaram felizes e enquanto Hermione ia caminhando à frente, agradeceram a Nott por ter lhes contado que ela provavelmente teria um aposento ali. O professor Snape era o único comensal na escola, nada mais justo que ela desse um jeito de ficar perto dele. Eles nutriam esperança de escreverem para seus respectivos pais e se mostrarem mais promissores.
Hermione mal deu a segunda batida na porta de Severo e ele a abriu. Ela lhe sorriu e entrou. O ambiente da sala dele já havia se tornado familiar a ela em tão pouco tempo que ela se surpreendeu ao constatar isso.
- Você demorou. – ele olhava inquisidoramente para ela.
- Tive uns problemas no caminho. – ela contou o episódio em frente ao salão comunal da Sonserina. – Você acha que eu agi errado?
- De maneira alguma, você fez o correto. O boato vai se espalhar na Sonserina, mas não vai sair de lá. Ninguém dessa casa é suficientemente louco para contar a alguém de fora, todos ali têm medo de alguém. E você minha querida, é um alguém para se ter medo.
- Ainda bem que você não tem medo de mim – ela o abraçou.
- Pra falar a verdade eu tenho sim – Hermione o olhou com estranheza e antes que ela começasse a falar ele a interrompeu – Tenho medo de que um dia você acorde e se dê conta do poder que tem nas mãos, da posição que você tem caso se volte para o lado das trevas e principalmente das possibilidades de relacionamento que você tem sem ser com um velho professor de poções.
Hermione respirou três vezes, ficou bem em sua frente e segurou as mãos dele. – Severo, eu não sei se você notou, mas eu não quero estar com alguém que não seja você. Se eu fosse uma desmiolada qualquer eu estaria com o Krum. Eu precisei dar o fora nele três vezes e ele me fez o favor de me enviar um jornal com a foto dele e uma estilista na capa. Eu passei noites e noites preocupada com a sua segurança, se Voldemort te machucaria. Eu estou apaixonada por você e não por outra pessoa – então ela falou, conseguiu falar o que sentia de uma maneira mais branda, sem se expor muito. Mas dizer que estava apaixonada por ele tirou um grande peso de seus ombros.
- Quanto a Voldemort, eu não sei te responder. Eu estou do nosso lado, quero que essa guerra acabe, quero ter paz ao me deitar sabendo que nenhum bruxo vai atacar meus pais por serem trouxas. Mas, eu não sei o que é. Algo me impulsiona a ir para lá, é como se eu não pudesse ser boa. Aquilo que aconteceu no ataque me abalou muito. E eu não quero falar sobre isso. – ela pôs um ponto final na conversa e deu um rápido selinho nele.
- Então professor Snape, vamos discutir o nosso planejamento? – ele deu um sorrisinho e disse – Prontamente senhorita Granger.
Os dois ficaram horas discutindo o que fazer, Snape chegou à conclusão de que deixaria Hermione dar aulas para o primeiro e segundo ano uma vez por semana e que passaria orientação nas mesas dos demais alunos. Se ela conseguisse conciliar os horários, também o ajudaria na correção de provas, mas os seus estudos ainda eram prioridades para ambos.
- Nossa já são duas da manhã – ele acabara de verificar o seu relógio de pulso. – Feliz natal Hermione! – ela não havia se dado conta de que já era natal, os dias passaram tão rápido e tão avassaladores que as datas praticamente perderam a importância. – Feliz natal Severo! Eu não tenho nada para te dar. – ela estava um pouco chateada com aquilo.
- Mas eu já tenho o melhor presente, você em minha vida. – ela corou ao ouvir aquilo – Espere um instante. – ele foi até o seu quarto e voltou com uma caixa na mão. – Eu não tive muito tempo, então, por favor, se você não gostar pelo menos finja. – ela riu e tomou o pacote da mão dele.
Era uma caixinha de vidro, um pequeno jardim, bem parecido com o da mansão dos Malfoy. O lugar que eles deram o seu primeiro beijo. Ela ficou sem palavras olhando para aquilo. Snape estava apreensivo esperando ouvir alguma coisa. – Severo – sua voz estava repleta de emoção – é o presente mais lindo que eu ganhei na vida. – ele pôde ver uma imensa alegria e sinceridade no olhar dela.
- Esse foi o momento em que realmente valorizo todas as aulas de transfiguração que tive na vida. Vou dar um beijo na Minerva e já volto. – os dois riram e se abraçaram. – Muito obrigada por você estar em minha vida Severo. – a voz dela saiu um pouco abafada contra o peito dele. – Eu que te agradeço por tudo Hermione.
Ela se separou com relutância do abraço dos dois. – Acontece que eu ainda não sei onde são os meus aposentos. – Snape a pegou pela mão – Venha comigo. – juntos eles entraram no laboratório particular dele. Hermione queria parar para observar, mas Snape falou que ela teria tempo depois. Do outro lado do laboratório, o qual por sinal era um pouco extenso, ela viu uma porta.
- Essa porta dá para os seus aposentos. E não se preocupe, não vou invadir seu espaço – ele deu um sorrisinho – a não ser que você queira. – ela sorriu também – Você pode, e deve, definir uma senha tanto para essa porta quanto para a da frente. A porta principal é um pouco antes da minha vindo pelo corredor oeste, creio que você já a tenha visto.
Ela fez que sim com a cabeça e entraram. Quando a professora McGonagall disse que havia mandado preparar um aposento para ela não disse que faria uma decoração exatamente para ela. A primeira coisa que saltou aos seus olhos foi à claridade do ambiente, paredes claras, carpete de um tom médio, nem claro e nem escuro. As cores predominantes no ambiente eram creme e azul, suas cores favoritas. Ela não imaginava que a diretora de sua casa a conhecesse tão bem, embora convivessem um pouco fora do ambiente escolar, aquilo fora surpreendente. Na sala tinha uma lareira, mais ou menos na mesma posição da existente na sala de Severo. No canto direito havia uma estante que ocupava toda a meia parece que existia ali entre duas portas, ela concluiu que uma seria do quarto e a outra do banheiro. O ponto alto da sala era uma escrivaninha. Ela tinha sua própria escrivaninha! Em um apoio de vidro, penas de vários tamanhos e espessuras estavam expostas. Pelo menos uns cinquenta pergaminhos formavam uma pequena pirâmide no canto. Na parede, mais ou menos um metro acima de sua escrivaninha havia uma decoração: o brasão da Grifinória com o seu leão exposto e fotos, todas alinhadas em volta. Fotos com Harry, Rony e Gina, a foto com toda a família Weasley, com a equipe de monitores da escola e no topo sua foto com seus pais.
Na última visita deles ao beco diagonal Hermione quis tirar uma fotografia, eles não acreditavam que as fotografias no mundo bruxo se mexiam. E lá estavam eles cada um de um lado de uma Hermione sorridente acenando para o fotógrafo. No canto de baixo havia um bilhete "Embora eu não aprove isso, deduzi que você gostaria de um espaço vago" e ela deduziu certo.
- Nós temos que tirar uma fotografia Severo! – o rosto dela se iluminou. De repente todo aquele peso que sentia há dias saiu de seus ombros. – Vamos a algum lugar tirar uma fotografia!
- Eu não gosto de ser fotografado Hermione – ele tinha um verdadeiro pânico de sair em fotos, não sabia o porquê, mas a última foto que tirou foi com o quadro de monitores da época em que era aluno, e mesmo assim foi obrigado.
- Por favor... – ela fez cara de pidona, seus pais diziam que ela era a pior pessoa do mundo por fazer aquilo, e depois riam.
- Vamos ver, mas não prometo. – batalha vencida, ela pensou. Toda vez que alguém dizia isso para ela sempre faziam a sua vontade.
- Severo, eu quero te pedir uma coisa. – o tom dela continuou pidão, mas não de uma maneira infantil e sim mais sincera – Dorme comigo hoje?
Snape meio que se surpreendeu com a pergunta. – Como?!
- Dormir Severo, somente dormir e nada mais do que isso. – somente se deu conta do pedido que havia feito depois de tê-lo ouvido sair de sua boca. – Eu estou realmente cansada e me sentindo sozinha. É que você me passa um pouco de segurança.
- Tudo bem, eu vou ao meu quarto me trocar. – ele se sentiu um pouco encabulado com o elogio.
Ela entrou no seu quarto e também suspirou de surpresa, admirou uma estante aberta com as maquiagens e as coisas que seu pai costumava definir como 'feminices femininas' arrumadas, tinha um armário e um lugar para guardar sapatos, que estava meio vazio por sinal, ela não tinha o hábito de comprar sapatos, quase todo o seu dinheiro era voltado para os livros. Ela trocou rapidamente o seu uniforme por um conjunto de pijama, um verde de mangas compridas, o mais decente que pôde encontrar. Mal acabara de sentar na cama Severo entrou no aposento. Ela realmente não quis olhar muito para a calça de moletom dele, mas não obteve muito sucesso.
- Hermione, não sei se será um problema para você mas eu só durmo sem camisa.
Ela decididamente não quis prestar atenção aquilo e sacudiu a cabeça em um gesto de tudo bem. Ele era incrivelmente definido e nem ela esperava por aquilo, mas pensando bem seu trabalho como comensal deveria lhe manter em forma. Pela primeira vez ela viu a marca negra no antebraço dele e não conseguiu deixar de encarar. – Doeu?
Ele percebeu para onde o olhar dela estava direcionado. – Sim, mais na alma do que na carne. – ela o chamou, deitaram e ficaram olhando um para o outro.
- Boa noite Severo. – ela lhe deu um sorriso.
- Boa noite Hermione. – ele lhe deu um breve beijo na testa e disse – Nox quarto. – e as luzes se apagaram.
NA: Tomei vergonha na cara hahahahahaha
Um capítulo finalmente betado e editado! Voltei a escrever com força total. Dois capítulos em três dias não pra qualquer um hein. Podem voltar a me amar. To realmente feliz por dar continuidade a história. Talvez ela vire NC e espero que ninguém deixe de ler por isso. Quero agradecer em especial a Srt Snape que adicionou a fic as suas favoritas e a minha mãe, que me força a escrever e lava a louça no meu lugar. Se eu tiver uma quantidade boa de reviews eu posto antes do ano virar, senão só em janeiro (bicha má)
É isso gente, beijinhos!
NB: Aeeeeeeeee finalmente estou betando essa fic d novo!
Querida autora, Relaxa... agora não vou mais te matar... Mas se demorar para atualizar eu mando um Crucios kkkk
Coisa mais linda o Sevy todo bobo com ela não?! Mione professora adjunta... dormindo ao lado desse coisa gostosa... Isso não vai dar certo... alias VAI! Vai DAR muiiiito certo kkkk Quem aqui prevê uma NC?
Mione sendo respeitada pela casa rival... como será q isso vai ficar qd as aulas começarem? E como será q Harry e principalmente Rony não reagir?
E como Fahrah conhece Dumble? Ai ai ai ai ai...
Bem é isso povo até o próximo capitulo!
