Pessoalzinho, que saudades de vocês! Vamos com mais um capítulo? Ando vendo muito a copa do mundo, vocês estão vendo? Tem cada gato jogando, não? Hehehehe... Ai ai ai... Mas voltando ao assunto principal, estamos aí, pro que der e vier! Eu não sei o que está acontecendo com esse site, eu tenho tentado responder às reviews mas elas não estão indo... Vocês não fazem idéia da batalha que é para postar os capítulos... Acho que estou no Santuário de Hades e não estou sabendo. Se por acaso vocês não estiverem recebendo minhas respostas, avisem, ta certo? Beijos a todos!
Capítulo 21
Depois da tempestade, mais tempestade
A última cena do dia anterior presenciada por alguns alunos foi terrivelmente chocante.
Nunca iam esquecer a dupla dinâmica saindo escoltada pela polícia, algemados. Além disso, levaram suspensão de uma semana por terem aprontado aquela no colégio.
A coordenação fez questão de que a secretaria enviasse para todo o Ensino Médio a segunda via dos boletins diretamente para os pais dos alunos. Ficaram ainda mais chocados quando pais de alunos do primeiro e segundo ano ligaram na escola cobrando explicações.
Calíope que nunca havia tido enxaqueca, agora estava tendo. E o mais irritante é que o motivo eram dois alunos de 17 anos.
"Isso é o cúmulo! O fim da picada!" – Pensava ela, esquecendo a calma e esmurrando a mesa sem piedade.
"Ainda tenho o problema do roubo das provas para resolver!"
Por ela, dava como encerrado o caso. Máscara da Morte e Kanon eram os culpados por aquilo. Isso era inegável. Mas algo lá no fundo, fazia com que a orientadora duvidasse desse seu pensamento.
"E o Miro, que me promete informações, novidades e fica me enrolando... Vou dar uma prensa no rapaz."
Fora isso, as coisas estavam tomando o rumo novamente. Saga estava sendo bastante requisitado para contar o que tinha acontecido ao irmão. Contava nos mínimos detalhes, para os amigos mais íntimos, o incidente trágico.
-Kanon e Máscara da Morte foram soltos, mas serão processados por estelionato. Insistiram na idéia de que manipularam todos. É claro que precisavam sair por cima. Kanon sempre quis poder. Muito ambicioso.
-Mas devo concordar que ele salvou a pele de muita gente. Máscara da Morte também foi genial.
-Uma genialidade insana, Miro. – Comentou Aldebaran – Mas as suspeitas sobre o roubo das provas com certeza vão cair como chumbo nas costas dos dois.
-Pode ser, Aldebaran, mas eu acredito até que eles assumiriam a culpa para chamar a atenção!
-Duvido um pouco, Aioria. Se os dois fizeram o que fizeram ontem é porque tem algo por trás.
-Mas o que teria? – Aioros resolveu entrar na conversa.
-Eu não penso como eles, mas que tem, tem.
-Nossa Kamus, você entende bem da mente de criminosos, não?
-Afrodite, eu não entendo. Apenas observo.
-Você daria um ótimo detetive.
-Menos, Aioros. Bom, eu vou me retirar, o assunto vai começar a pesar e eu não quero participar.
-Vou com você. – Miro seguiu Kamus para dentro da escola.
-Eu não sei por que, mas eu não vou muito com a cara desse Miro.
-Com a cara de quem você vai, Aioria?
-De todos vocês. Mas não gosto desse cara, Shaka.
-Me dá motivos. – Pediu Aldebaran.
-Ele é arrogante, prepotente, dono da verdade e quer todos pagando um pau pra ele.
-Minha nossa, Aioros, seu irmão descreveu a si próprio!
-Shura, se continuar com isso, estará pedindo uma surra bem dada!
-Caramba! Mas que química explosiva rola entre vocês, garotos! – Kia se exaltou – Meu cunhado nem precisa estar aqui para brigas acontecerem! O único que nunca briga é o Mu!
Mu ficou envergonhado. Não pelo comentário, mas pelo jeito que a garota se referia a ele. Decidiu que precisava conversar seriamente com a árabe. O importante era achar o momento.
-O Mu é muito tímido mesmo, nunca abre a boca para nada. – Falou Dohko.
-Por que eu agora vou virar pauta de discussão? Por favor, vamos mudar de assunto.
-Conta pra gente, Mu, quando é que você vai começar a se interessar por garotas? – Shura começou a provocar.
O tibetano se viu em meio a uma sinuca. Kia parecia esperar por uma resposta que falasse sobre ela. Ele optou pelo silêncio.
O sinal tocou e eles foram suas classes. Saga pediu que Kia seguisse sem ele, pois tinha que falar com a Orientadora. Todo preocupado com as faltas da namorada, fazia de tudo para que não houvessem problemas acadêmicos. Foi aí que Mu aproveitou a deixa. Puxou a garota para trás de um dos pilares.
Com um olhar muito severo, nunca visto antes por ninguém, encarou a jovem árabe.
-Nossa, que pegada você tem, hein Mu?
-Kia, esse lance está ficando sério. Acho melhor você parar com essas indiretas. As pessoas vão começar a perceber.
-Mu, posso te propor uma coisa?
-Desde que FALE e não me AGARRE, pode.
-Depois da aula, quero me encontrar com você.
-Você ficou completamente maluca. Depois do que você me fez no banheiro daquela boate, de jeito nenhum.
-Eu prometo que você não vai se arrepender.
-Ei vocês dois! O que estão fazendo fora da sala de aula? Já para classe! – Ordenou um inspetor que estava no corredor.
-Se você não me encontrar, vai ser pior pra você.
-Pára de me provocar, garota. Você tem namorado!
-Se você não for, eu vou te agarrar agora, na frente do inspetor.
-Eu não vou!
Kia se jogou contra o peito do rapaz, fazendo ele perder o equilíbrio e cair no chão.
O inspetor chegou a tempo de ver a cena.
-Vocês não ouviram o que eu disse? Vou levá-los para a diretoria já!
-Mas ela me empurrou! Eu já estava indo!
-Foi ele que me puxou! Você viu!
-Eu não vi nada. Vamos, os dois para a diretoria, já!
-Que ótimo, Kia! Eu te adoro!
-Verdade?
-Silêncio, vocês dois!
Mu ficou emburrado. Estava sendo levado para a diretoria por um motivo totalmente injusto. Kia parecia leve e tranqüila. Ficar perto dele fazia um bem danado. Chegaram no andar mais alto onde Shion ficava. O inspetor entrou antes. Enquanto não voltava, os dois apenas se encaravam.
"Olha só com quem eu fui me meter!" – A cabeça de Mu dava tilts quando se lembrava do episódio do banheiro.
"Você ainda vai ser meu!" – Kia delirava de desejo.
-Sorte de vocês! O diretor não está. Vão para a classe imediatamente, sem trocar uma palavra no corredor. Todos estão em aula.
Os dois obedeceram na mesma hora. Quando chegaram na classe, todos os olharam intrigados. Ocuparam seus lugares.
-Onde você estava, Mu?
-Quase fui parar na diretoria, Aldebaran.
-Mas por quê?
-A Kia me derrubou no corredor e um inspetor encasquetou com a gente.
O professor Kim foi até a carteira de Mu com uma expressão irritada.
-Chegou atrasado, tirou a concentração de todos e ainda está conversando? Mu, se não parar, vou te mandar para fora.
-Perdão, professor.
O professor virou as costas e continuou dando sua aula.
"Hoje não é meu dia!" – Mu pensou com raiva.
Depois do episódio das notas, a disciplina do colégio estava bem mais rígida. Na volta do intervalo, o tibetano encontrou um bilhete em seu estojo. Não precisava nem abrir para saber do que se tratava e nem de quem era. Quando as aulas acabaram e finalmente se viu livre dos colegas, se sentou embaixo de uma árvore e leu o conteúdo.
"Mu, não precisa fazer essa cara de bravo quando começar a ler o bilhete. Como eu te disse, me encontre às 15 horas na praça do Museu Nacional. Senão... Já sabe, né? Eu faço!
Com todo o amor do mundo e beijos em sua doce boca,
Kia."
-Que exagero!
-Você ainda está aqui, Mu? O que foi exagerado?
Mu quase teve um ataque cardíaco. Amassou o papel na mesma hora, na palma de sua mão, escondendo a prova concreta de sua traição.
-Saga, é, eu estava aqui... Descansando... Não vi... Nossa, olha a hora...
-Mu, você está bem?
-Estou! Estou sim!
-Eu estou te achando um pouco perturbado... Tem certeza que não quer conversar?
-ABSOLUTA!
-Zeus, se acalme! – Saga foi colocar a mão no ombro do amigo e esse desviou com tanta pressa que acabou caindo de costas no chão.
-Eu preciso ir, Saga. Amanhã a gente se fala.
-Antes de você ir, queria saber, quando nós vamos estudar de novo?
-Não sei, amanhã a gente se vê.
A dúvida pairava na cabeça dos dois. Enquanto um se perguntava o motivo de tanta agitação, o outro se perguntava se deveria ir ao encontro da namorada de um de seus melhores amigos.
"Não, não vou não!" – Concluiu Mu.
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"Não acredito que estou aqui! Não acredito! Mu, você é um idiota!"
-Olá... A Lígea sempre disse que os arianos são meio... Esquentados, mas nunca comentou que eles mesmos se estapeavam.
-Então, estou me batendo por ser tão retardado, ao ponto de vir até aqui, sabendo de suas intenções.
Ela lançou seu olhar de desejo de cima a baixo. Mu estava vestido discretamente, como sempre. Se não fosse o clima de inverno, provavelmente estaria usando muitos decotes. A saia já estava curtíssima.
-Eu estou aqui, agora me diga o que você quer.
-Preciso dizer?
-Kia, você tem problemas de entendimento? Vou falar bem devagar: você – namora – o - Saga.
-Eu sei disso.
-Você devia estar com ele agora, ou na sua casa. E eu deveria estar na minha, estudando Grego.
-Mu, você sente alguma coisa por mim?
-Mulher de amigo meu pra mim é homem.
-Então, você confessa que é gay!
-Mas é claro que não!
-Você me beijou na festa! Se eu sou homem...
-Kia, VOCÊ me beijou, não fui eu.
-Você gostou...
Mu começou a ficar corado de vergonha.
-Você gostou! Hahaha! Sabia!
-Kia, é sério. Eu estou me sentindo péssimo. Toda vez que o Saga chega perto de mim, eu começo a passar mal. Detesto enganar os outros e também sou péssimo nessa arte.
-Ele não vai saber se você não contar.
-Kia, se você gosta de mim, por que está com ele?
A garota baixou o rosto em direção ao chão, depois olhou para o lado. O vento batia em seu rosto e bagunçava seus belos cabelos avermelhados.
-Eu não queria que o Saga sofresse. Ele disse que gosta muito de mim.
-Escute, eu não deveria me meter nisso, mas, se você não gosta dele, devia por um fim no namoro.
-Se eu terminar com ele, você fica comigo?
-Kia, imagina o que ele ia pensar de mim se eu ficasse com você!
-Prefiro então continuar do jeito que está!
-Não! Eu não aceito essa condição não! Coloque-se no meu lugar, Kia. É horrível! Imagina o Dohko dando em cima de você e o Saga sendo a Lígea, não posso concordar com isso.
Sem avisar, Kia avançou para cima do garoto, como havia feito na festa da escola. Segundos depois, estavam trocando beijos apaixonados. Quando Mu voltou a si, empurrou a árabe com força.
-Não faça isso comigo, por favor...
-Você me deseja, eu sei! Eu sinto no seu beijo!
-Sim! Não! Olha, isso está indo rápido demais! Eu não sei porque eu vim até aqui! Tinha certeza de que isso ia acontecer!
-Você veio porque sente atração por mim.
-Eu vou embora, Kia. Algum conhecido pode passar por aqui... E eu não quero que me vejam...
-Mu, responde, você gosta de mim, não é?
-Nunca parei pra pensar nisso, Kia. Preciso ir.
Mas antes dele ir embora por completo, ele mesmo voltou e se despediu da garota, com categoria.
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A semana passou depressa e logo a dupla dinâmica estava de volta. Arrancava olhares curiosos e assustados. No fundo, era o que mais queriam. Chamar a atenção de todos. Serem conhecidos.
-Voltamos com a bola toda!
-Pois é, Mask. Causamos e somos a sensação do colégio.
-Como podem achar uma coisa tão feia, legal? Vocês não se enxergam!
-Lígea, se enxerga você! Cuide de sua vida, cuide de seu namoradinho mentiroso e depois venha falar da gente, tá bem?
Pela primeira vez, Lígea se calou diante de uma resposta de Kanon.
A semana que estava começando não estava bem também para os casais fixos. Shina e Afrodite se desentenderam quando a garota disse para o sueco que queria ficar um pouco sozinha com as amigas. Afrodite se sentiu rejeitado. Aioria e Marin também discutiram muito feio, por causa de uma dúvida de História.
-Quantas vezes eu já te disse, Marin, que a América foi descoberta em 1500? Se está duvidando, pergunte ao Aldebaran!
-Ai Aioria, sempre que você fala alguma coisa, você impõe! Você é muito estúpido!
-É que eu não suporto as suas manias de querer achar que sabe tudo!
-Eu que sei tudo? Aioria eu acabei de dizer que você impõe!
-Você também!
Marin saiu chorando novamente, da frente de Aioria. Shaka, como sempre ficava comovido, tratava de repreender o amigo.
-Tome cuidado com as suas palavras, Aioria. Um dia vocês vão brigar e ela não vai voltar mais...
-Shaka, você não entende de mulher!
-É inútil falar contigo!
Lígea encontrava Dohko e ignorava a presença do chinês. Isso o machucava profundamente.
Quando Aldebaran ficou sabendo do rompimento de Afrodite e Shina, precisou conversar com Shura.
-Você já está sabendo, cara?
-Do quê? Olha só, Aldebaran fofocando...
-Só porque te interessa...
-Me diz, o que eu não sei?
-O Afrodite...
-NÃO QUERO SABER DA BIBA!
-Deixa eu terminar! Afrodite e Shina brigaram! É sua chance!
-Você ta brincando, né?
-Não, Shura. Aproveita e vai atrás... Quem sabe você consegue!
-Valeu, Debão!
Na hora do almoço, todos se encaminharam para a cantina e para o refeitório. Ao esperar sua vez na fila, Kamus viu uma cena que chamou sua atenção. Anisah estava chorando, sentada em um dos bancos de cimento, encolhida em um canto. Resolveu se aproximar.
-Olá, Anisah. Está com algum problema?
Quando ela viu Kamus em sua frente, tratou de se recompor.
-Oi... Kamus. Não, não foi nada.
-Tem certeza mesmo? Olha, eu não costumo dizer isso, mas... Se você precisar conversar, falar as coisas, pode me procurar. Não sou bom com palavras, mas sei escutar.
-Obrigada...
O garoto virou as costas e deu poucos passos antes de olhar para trás.
-Kamus, estou com vergonha de te falar...
-Vergonha? Bom, não precisa ter. Problemas com seus pais?
-Não, na verdade é com a escola... É que você é tão inteligente... Não queria parecer burra na sua frente... E...
-Que matéria você está tendo dificuldade?
-Ai, Kamus, é uma pergunta difícil...
-Vai me dizer que são em todas?
-Não! Não! Claro que não!
-Já entendi. Física.
Anisah arregalou os olhos.
-Bom, provavelmente sua irmã deve ter lhe dito que eu sou bom na matéria, aí você ficou com vergonha de me dizer por isso. Estou errado?
-Como você é inteligente!
-Vamos fazer o seguinte, vamos até a sua classe ver a matéria que você está tendo, aí quando esse pessoal todo desocupar as mesas a gente volta pra comer.
Anisah ficou parada contemplando o rapaz, como se fosse uma divindade.
-Só vou te pedir uma coisa. Não me olhe desse jeito... Me incomoda.
-Você está me chamando pra almoçar com você?
-Claro. Enquanto isso, a gente discute a matéria. Vamos, rápido. Não há tempo a perder.
Os dois deixaram a cantina momentos antes da pior cena entre casais já existentes em históricas mitológicas trágicas.
Aioros pegou sua bandeja com um pedaço de lasagna ao sugo e um copo de 800 ml de coca-cola. Quando passou por Shina e Nínel, as duas quase surtaram. Chegou à mesa, onde Ísis estava sentada e não viu a sua mochila que estava no chão. Os berros foram ouvidos por todo o pátio do colégio.
-AIOROS! É A DÉCIMA QUINTA VEZ QUE VOCÊ DERRUBA COMIDA EM MIM! EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO!
-Ísis, pelo amor de Zeus! Não fiz de propósito! Eu te ajudo a limpar! Te dou a minha camiseta! – Disse o grego desesperado, tirando a camisa do uniforme escolar e estendendo-a para a namorada.
-Wow! – Um coro feminino ressoou próximo da cantina.
Ísis se levantou completamente irritada, não pegou a camisa e foi em direção ao banheiro feminino.
-Aioros, presta atenção no que você faz, irmão!
-Eu não fiz por mal!
-Põe logo essa camiseta – intimidou Shura – Daqui a pouco vão falar que você estava fazendo strep-tease aqui! Você sabe como essas meninas são!
-Tá bom! – Colocou a camiseta e saiu em disparada atrás da namorada.
-Acho que já era, não Aioria?
-Creio que sim, Shura. Infelizmente.
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Miro entrou na sala da orientação após um "entra" bastante estressado.
-Boa tarde, Calíope.
-Olá Miro, eu queria mesmo falar com você. – A loira separava uns papéis.
-Você já almoçou?
-Não, ainda não tive tempo. – Continuava a separar os papéis.
-Então... O Kamus... Ele me passou essa receita... Aí eu preparei e... Aí eu trouxe pra você.
Calíope parou de mexer em suas coisas. Ainda não tinha encarado o rapaz. Quando olhou em seus olhos, seu rosto iluminou-se com um belo sorriso.
-Mas que gesto gentil. Por favor, sente-se.
Ela pegou a marmitinha com delicadeza e a abriu com cuidado.
-Está com uma aparência divina! Você já almoçou?
-Ainda não, mas eu já vou...
-Por favor, divida comigo. Não vai ficar só olhando.
-Não, eu fiz... Pra você... – Miro começou a sentir as orelhas queimarem. Na mesma hora, puxou os cabelos para cima delas, o mais depressa possível.
-Você vai comer comigo! É muita coisa!
-Não...
-Eu insisto!
O rapaz, ainda envergonhado, começou então a comer junto de sua paixão.
-Miro, então, soube de mais alguma novidade?
-Bom, os assuntos sempre surgem, Kamus nunca fala nada, foge...
-E o Mu?
-Particularmente eu não acho que tenha sido ele... É quieto, mas não creio que teria motivos... Tem a dupla...
-Não sei por que, mas algo me diz que não foram aqueles dois...
-Mas eles que deram a idéia...
-Por que não me disse isso antes?
-Me esqueci completamente... Mas sabe, tem o Aioros.
-Aioros? Puxa vida, mas ele sempre me pareceu muito ajuizado.
-Mas é desastrado. Derruba tudo, se confunde.
-É mesmo? Então é alguém a se pensar.
-Saga... Irmão de Kanon.
-Saga vai bem da matéria.
-Por isso seria o menos suspeito, não Calíope?
-Verdade! Bem observado.
-Então...
-E as meninas?
-Só se for a esportista Kia. As outras não tem talento para esportes. Teriam se arrebentado ao usar aquela vara para pular o muro.
-Bem pensado... – Calíope suspirou – A cada dia que passa, essa lista só aumenta. E esses dois estão tirando a minha calma e equilíbrio...
-Você trabalha demais. Precisa de um descanso.
-É mesmo, relaxar seria bom...
"Venha relaxar comigo, doce musa inspiradora. Colherei todas as flores que existem no mundo para te preparar um banho de florais... E farei massagens em todo o seu corpo, você ia se sentir nas nuvens, nos Campos Elíseos."
Miro respirou fundo. Precisava sair do impasse que estava, queria algo concreto. Reuniu toda a sua coragem e disse:
-Calíope, se eu te convidasse para tomar um café qualquer dia desses comigo, você toparia?
-Eu não tomo café.
A expressão de Miro murchou completamente. "Droga! Só dou bola fora!"
-Mas um chocolate quente eu topo!
-O quê? – Procurou apurar melhor seus ouvidos. Sua mente ficou envolta em dúvida.
-Não gosta de chocolate quente?
-Sim, Cla-claro! Você iria? Comigo?
-Por que não? Claro que sim!
-Que bom! – Era um esforço muito grande tentar se conter.
-Sábado à tarde, passo pra te pegar. Combinado?
-Certo.
Ouviram batidas na porta. O grego se levantou.
-Com licença... Olá Calíope, Olá Miro.
-Olá professor Aristóteles. Então eu já vou indo... Até mais senhorita Calíope, até mais professor.
Miro deixou a sala, atordoado.
-O que ele estava fazendo aqui, Calíope?
-Veio me trazer um almoço. Uma graça esse garoto, muito gentil!
-Ele gosta de você.
-Não diga bobagens, Aristóteles.
-Abra os olhos.
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-Ora, ora quem está deixando a orientação...
-O que foi, Kanon?
-Nada...
-Ele está ficando vermelho! Veja, Kanon!
-Pára Máscara da Morte.
-É você que passa os relatórios pra ela, não é?
Os olhos rápidos de Miro observaram se havia alguém por perto.
-Não passo não. Não sou de dedurar ninguém. Ela descobriu sozinha sobre os boletins.
-Então, conta aqui pra gente, quem você acha que roubou as provas?
-Por que?
-Queremos a sua opinião! Você sempre pergunta e nunca fala o que acha... – Máscara da Morte foi se aproximando do rapaz lentamente.
-Além do mais... – Continuou Kanon – Você é bem relacionado...
-Na minha opinião, foi o Aioros. Muito desastrado. Agora, se forem pensar bem, tem o Mu, o Shura...
-Não, não foi o Shura.
-Como sabem que não?
-O ladrão, tem olhos azuis. – Kanon encarou Miro de frente.
-Entendo... Vocês dois... Já se olharam no espelho?
-Já, mas não fomos nós. Até você acha que não fomos nós.
-Realmente, vocês não foram, Máscara da Morte.
-E o Kamus?
-Deve estar por aí, Kanon.
-Você entendeu, Miro.
-Não, não foi ele. Ele não faria isso.
-Mas nós achamos que ele sabe quem foi.
-Máscara da Morte, por que não pergunta pra ele?
-Porque ele foge. – Kanon respondeu pelo amigo.
-Ele odeia encrenca.
-E você?
-Também. Olha, eu acho que vocês deveriam se tratar. Têm sérios problemas mentais.
-Certo. Valeu pela opinião, Miro.
Quando Miro já estava a um metro de distância, Máscara da Morte gritou:
-Miro, me dá o telefone do seu psiquiatra?
O grego ignorou a pergunta e seguiu em frente.
-O que acha, Kanon?
-Não sei, Mask... Não sei.
-Mas entrou ou não pra lista?
-Ainda não sei...
-Kanon, eu vou embora, preciso arrumar a casa.
-Hahahaha! Certo companheiro! Vai lá então!
-Você ri porque o Saga é seu faxineiro! Depois da prisão, meu pai proibiu a minha empregada de trabalhar. Bom, fui!
Máscara da Morte foi embora e Kanon permaneceu no colégio. Resolveu dar uma passada no banheiro, antes de ir procurar uma certa mulher. No caminho, próximo a um jardim, ouviu vozes conhecidas. Não teve outro jeito. Resolveu espiar.
"Minha nossa! Não posso acreditar!"
-Kia... No colégio, não.
-Não tem mais ninguém aqui! Minha irmã vai desconfiar se eu ficar saindo sem o Saga...
-Exatamente por isso... Por favor, não...
O beijo estalado ecoava pelo corredor vazio da escola. Kanon não conseguia acreditar. Sabia que tinha algo errado, mas daquele jeito, descaradamente, não podia ser.
-Kia, por favor... Eu gosto de você, mas aqui no colégio é complicado...
-Relaxa Mu, eu disse pro Saga que ia esperar minha irmã, ela está estudando com o Kamus... Vamos aproveitar o momento...
-Kia... Zeus... Que fogo...
-O fogo aqui é você...
O grego teve de sair dali, não aguentou ouvir mais uma palavra sequer. Precisava falar com alguém. Precisava por aquilo pra fora. Não pensou duas vezes. Foi para a casa de Máscara da Morte.
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-Nossa, cara, o que foi? Você apertou trinta vezes a minha campainha!
Kanon entrou na casa do amigo, andando de um lado para o outro. Uma veia de sua testa estava até saltada.
-Dá pra me responder? Eu to ficando encanado, cara!
-Mu, Kia! Não dá pra acreditar!
-O que tem esses dois? Kanon, você vai fazer um buraco no chão de tanto andar de um lado para o outro!
-A KIA TRAI MEU IRMÃO! – Ele agarrou a gola da camiseta do italiano – COM A VAQUINHA!
-CALMA! KANON ME SOLTA!
O grego largou o rapaz. Máscara da Morte se recompôs.
-Respira fundo, amigo.
-Mask, isso não pode acontecer... Não pode! Ela está traindo o meu irmão!
-Me conta direito essa história. Vamos pensar, antes de qualquer coisa. – Máscara da Morte não estava se reconhecendo ao dizer aquelas coisas.
Kanon contou tudo o que viu. No final, o italiano encontrava-se nervoso, igual ao seu melhor amigo.
-Conte para o Saga o que você viu.
-Meu irmão ama essa garota vadia. Cadela!
-Fala com seu irmão, mas fica calmo antes. Não adianta nada você chegar chutando tudo na sua casa, só vai perturbar mais seu irmão.
-Obrigado por me ouvir, camarada. Valeu mesmo.
-Precisando, você sabe que não precisa pedir duas vezes.
Kanon parou e olhou ao seu redor. Não acreditou no que viu.
-Mask, como você consegue viver com essa desordem?
-Hehehe... Eu sempre tive empregada...
-Percebe-se...
