Capítulo 21

BRIGAS E RECONCILIAÇÕES

Um mês se passara desde que eu e Bella começamos a namorar. No domingo após o meu acidente, Bella fora convidada para um jantar na minha casa com o propósito da minha família poder conhecê-la melhor. Pode parecer um costume um tanto ultrapassado e acho que foi exatamente por isso que Bella gostara tanto do convite, embora tenha ficado bastante apreensiva.

- Você já os conheceu, Bella. – falei no dia que a contei sobre o jantar – Não tem porque ficar nervosa.

- Não conheço o seu pai. – ela lembrou – Mas é diferente dessa vez.

- Minha mãe já nos viu como namorados, Bella.

- Ela deve pensar o pior de mim. – Bella resmungara, escondendo o rosto entre as mãos – Agarrei o filho dela daquela forma...

- Bella – interrompi, tirando suas mãos do rosto para poder encará-la – sei que você nasceu há muito tempo, mas nos estamos no século XXI agora, lembra?

- Mas ainda assim...

- Minha mãe está bem acostumada aos hábitos desse século, Bella. Tenho certeza que ela não ficou chocada por me ver sendo agarrado pela minha namorada.

- Mas ela não sabia que eu era sua namorada.

- Bem, levando em consideração que nunca levei mulher nenhuma em casa antes, então eu tenho certeza que ela deduziu isso sozinha. Muito antes de nos beijarmos na frente dela.

Essa resposta a deixou mais tranqüila e acho que um pouco mais segura quanto ao jantar que, por sinal, transcorreu muito bem.

Meus pais a adoraram, é claro. Minha irmã, nem se fala. Emma continuava deslumbrada com a beleza de Bella e passara quase o jantar inteiro encarando-a.

A única coisa ruim daquele jantar foi saber do esforço que Bella estava fazendo para ingerir comida humana. A sorte foi que minha mãe acreditou que ela tinha um apetite pequeno e não a impeliu a comer da sobremesa.

Mas, apesar das duas famílias ficarem felizes com o nosso namoro, sempre havia aqueles que não aprovavam. Não que precisássemos de aprovação, mas ainda assim acabávamos passando por algumas situações chatas.

Uma delas foi com os meus amigos da escola.

Eu e Bella sentávamos juntos agora, às vezes com a família dela e raramente com os meus amigos. A maior parte das vezes ficávamos sozinhos numa mesa afastada. Nas raras ocasiões em que ficamos com meus amigos, ficara óbvio o desgosto deles. O tempo inteiro eles ficavam de sussurros entre si, mal sabendo que Bella podia ouvir tudo.

Em um desses dias, ela ouvira algo que não gostara e saíra praticamente me rebocando da mesa, se recusando a dizer o que tinha ouvido e resmungando apenas que odiava Lauren e que se passasse mais um segundo naquela mesa, iria arrancar a cabeça dela. Achei melhor não insistir.

Outra situação chata – e a pior dela – foi no sábado antes do domingo do jantar com a minha família.

Eu tinha marcado com Jacob e os outros para passar a tarde com os carros, mas mesmo sem o meu carro disponível, nós resolvemos que ficaríamos apenas na garagem de Jacob com ele me ensinando mais sobre a mecânica e talvez fossemos dar uma volta por La Push ao final do dia.

Bella não gostou nem um pouco dessa idéia e passara o resto daquela semana tentando me fazer mudar de planos, mas não fora bem sucedida.

- Edward, eles são instáveis. É perigoso.

- Eles são meus amigos.

- São lobos! – ela praticamente gritara.

Estávamos voltando para casa quando essa pequena discussão iniciara, mas eu me recusava a levantar a voz.

- Lobos ou não...

- Edward, você não vai!

- Claro que vou.

- Você esquece que os lobos são inimigos dos...

- Vampiros. – completei, cortando mais um grito seu. – Eu não sou vampiro, Bella. Querendo você ou não, Jacob, Embry e Quil são meus amigos. E nada do que você diga vai mudar isso.

- Mas Edward...

- Não me envolva na briga de vocês, ok? – pedi num tom calmo, cobrindo sua mão com a minha, tentando fazer com que ela relaxasse o aperto no volante. – No dia que nós nos encontramos na estrada vocês brigaram e eu fiquei do seu lado, mesmo sem saber de tudo. Eu confiei em você. E confio neles também.

Bella tinha ficado em silêncio depois disso, e não fora um silêncio agradável. Ela não aceitou entrar quando a convidei e apenas correspondeu de leve ao meu beijo de despedida, arrancando com o carro no segundo seguinte em que eu bati a porta.

Achei melhor deixar Bella se acalmar um pouco e apenas no começo da noite peguei meu celular novo – o outro descobri que tinha quebrado quando meu carro capotou – e liguei para ela, que atendeu antes mesmo que o primeiro toque se completasse, e já foi logo falando.

- Sabe que posso te amarrar, não é? Posso te prender e impedir que você vá.

- Bella...

- Mas eu não vou fazer isso. – ela me interrompeu. Seu tom, apesar de firme, estava calmo. – Com uma condição. Quero te levar até lá.

- Até a reserva?

- Não. Não posso entrar naquele lugar. Mas quero que você combine com seus amigos pulguentos para pegarem você no limite das terras.

- Você precisa mesmo chamá-los dessa forma?

- Duvido que eles não tenham pulga.

- Bella...

- Aceita a condição ou não?

- Se eu não aceitar, você vai me amarrar?

- Com certeza.

- Hum... Sabe que essa idéia me parece bastante interessante? Eu amarrado e você tendo o controle total de tudo.

- Você não tem jeito, Edward. – ela gargalhou do outro lado da linha e o clima ruim instantaneamente evaporou. – Nos vemos amanhã.

- Bella?

- Oi?

- Vem aqui me amarrar, vem. – pedi fazendo uma voz sedutora e sorri internamente ao ouvir o suspiro dela.

- Não me tente.

- Não gostei do beijo de despedida de hoje. Quero outro para compensar.

- Amanhã prometo que compenso.

- Vem agora.

- Não posso. – ela falou num tom que deixava claro que ela não estava feliz com aquilo. – Não estou em casa e não sei que horas chegarei.

- Caçando?

Ela riu de forma descontraída e respirou fundo antes de responder.

- Você fala isso com tanta naturalidade. Mas não, eu estou ocupada com outra coisa.

- Que coisa?

- Amanhã você saberá. – ela respondeu de forma misteriosa, me deixando ainda mais curioso. – Preciso desligar agora. Amo você.

- Também te amo, minha Bella.

A "coisa" era simplesmente um carro novo. E não qualquer carro. Bella tinha comprado para si um Aston Martin Rapide preto e eu quase caí duro ao ver aquele carro perfeito parado à porta da minha casa na manhã seguinte.

Bella me esperava recostada no carro e eu tratei logo de me aproximar, prensando seu corpo contra o veículo e cobrindo seus lábios com os meus.

Tudo bem que eu estava muito empolgado com aquele carro, mas minha prioridade no momento era matar a saudade que sentia daquela mulher.

Aquele não era um beijo calmo e delicado de bom dia como sempre trocávamos nesse horário. Esse era o beijo de compensação pelo de ontem. Brigar com Bella definitivamente não era uma coisa agradável. Minha língua agora dançava dentro da sua boca e não demorou para que eu começasse a ficar excitado com apenas aquele beijo. E a julgar pela respiração irregular de Bella, ela também estava sentindo o mesmo.

Suas mãos se infiltraram nos meus cabelos, me mantendo preso firmemente ali e eu aproveitei minhas mãos livres para percorrer a lateral do seu corpo, sentindo-a estremecer quando infiltrei uma das mãos pelo seu casaco preto.

- Devo esperar mais um pouco aqui dentro ou vocês já acabaram com a agarração?

Interrompi o beijo, mas me mantive colado a Bella e respirei bem fundo antes de responder à pequena irritante parada à porta de casa.

- Espera mais um pouco aí dentro. – resmunguei contra a boca de Bella.

- Mas nós vamos nos atrasar.

- Vai para dentro, Emma!

- Ai, tá bom. Credo. Isso é seca ou o quê?

Ia reclamar com ela, mas a engraçadinha logo fugiu para dentro de casa e eu acabei me distraindo com o beijo que Bella dava no meu pescoço agora.

- Bella... – sussurrei ao sentir sua língua gelada na minha pele quente.

- Desculpa gritar com você daquela forma. – ela murmurou contra o meu pescoço, causando arrepios por todo meu corpo ao sentir seu hálito gelado.

- Tudo bem.

- Acho melhor pararmos aqui ou vamos nos atrasar de verdade.

Pensei em dizer que tínhamos muito tempo ainda, mas uma rápida olhada no relógio de pulso me fez ver que isso estava bem distante da verdade. Suspirei em derrota e tirei a mão de dentro da sua blusa, dando um selinho demorado nos seus lábios.

- Bom dia, Bella.

- Bom dia, Edward.

- Bonito carro. – comentei, olhando de relance para o carro às costas dela.

- Fui até Phoenix com Rosalie e Emmett ontem para comprá-lo. Não queria continuar pedindo o carro de Carlisle emprestado e não poderia ficar te dando carona na moto com essa chuva.

- E você comprou o carro só para poder me dar carona?

- Bem, talvez. Mas acho que foi bom comprar de qualquer forma. É um belo modelo, não é?

- É engraçadinho. – respondi fazendo pouco caso, embora fosse bem óbvio que eu estava babando por ele.

- Ia comprar o Vanquish, mas lembrei de Emma, então achei melhor escolher um que coubesse mais que duas pessoas.

Bella estava conversando como se falasse em comprar uma jaqueta nova e não de um carro que custava mais de meio milhão e eu tive vontade de dar um peteleco na testa dela. Embora eu tivesse certeza que eu sentiria mais dor do que ela.

- Você me deixa dar uma volta nele depois?

- Se você for um bom rapaz eu penso a respeito. Agora chama sua irmã ou vamos nos atrasar ainda mais.

- Espera. – pedi quando ela fez menção de se afastar. – Ainda não estou completamente recuperado.

- De quê?

- Disso. – respondi num sussurro ao mesmo tempo em que roçava meu quadril no seu ventre, deixando-a sentir a minha excitação.

Um gemido baixo escapou dos seus lábios e seu corpo ondulou involuntariamente contra o meu, me deixando ainda mais estimulado do que estava. Em segundos já estávamos nos beijando novamente, com ainda mais empolgação que antes.

- Fala sério. Vocês dois precisam de um quarto. De verdade.

E quem falou isso?

Será que se eu matasse a minha irmã e escondesse seu corpo na floresta, alguém ia dar pela falta? Talvez eu até pudesse pedir a Bella para levar o corpo dela para bem longe.

- Emma... – resmunguei por entre os dentes, sem me afastar um centímetro de Bella.

- Não vem me pedir para esperar mais. Tenho prova no primeiro horário. – ela falou já abrindo a porta traseira do carro. – Vocês me deixam na escola e depois param no acostamento para matar a saudade. Agora vamos.

Bella riu contra a minha boca, mas eu não conseguia ver a graça daquilo. Ainda continuava a bolar planos de homicídio.

- Ela tem razão. Precisamos ir.

- Mas...

- Depois nós terminamos isso. – ela sussurrou no meu ouvido antes de se livrar do meu abraço e dar a volta no carro para sentar ao volante.

Respirei fundo umas dez vezes antes de entrar e sentar no banco do passageiro, sentido o cheiro de carro novo misturado ao do couro dos bancos invadindo meus sentidos.

- Ah, Bella, adorei o carro. É seu? – Emma perguntou quando entramos na estrada principal.

- É sim, obrigada.

- Só tomem cuidado para não manchar o banco do carro. Não sei se esse tipo de mancha sai fácil do couro.

"Respira fundo, Edward." – ordenei repetidas vezes na minha mente enquanto Bella se acabava de rir ao meu lado. Acho que só matar aquela pirralha não seria suficiente. Torturar bem lentamente seria melhor.