Machi estava respirando pesado. As costas doíam, talvez uma de suas costelas pudessem estar quebrada.
- Para seu conhecimento, eu também sou um transformador... sei lidar muito bem com espécies que nem eu... – disse Hisoka, parando em frente a ela.
- Eu... já suspeitava... – disse a outra, com a voz meio cansada.
- Agora, eu quero ver a outra... – Hisoka deixou a outra ali e saiu à procura da morena.
Naomi estava dentro da banheira, como se estivesse escondida. Encolhida e de cabeça baixa, só esperava o pior. E mencionando o pior, Hisoka abriu a cortina, fazendo a outra levantar a cabeça e olhá-lo assustada.
- Mas olha só... desistiu de fugir?
- Pensei que você estivesse me ajudando desde o princípio, mas não! – reclamou Naomi.
- Não? Hehehe... – tirou ela de dentro da banheira, pondo-a de pé diante de si. – quero retribuir o que eu não pude te dar ontem...
- O que você não me deu ontem?
- Já vou mostrar!
Ele a levou até onde estava Machi. Hisoka jogou Naomi em cima da mesa velha que havia no local, de bruços. Naomi tentou sair dali, mas ele a forçou com a palma da mão contra as costas delicadas da morena. Naomi já sabia por instinto o que ela chegou a desejar na noite anterior. Entendeu que Hisoka se fazia de bom subordinado na frente do líder, para depois fazer o que quisesse dentro da organização. Tipo pior ela não iria encontrar novamente... ou sim. Parece que o destino dela apreciava seu sofrimento com aquela gente. Calculou ali mesmo que Hisoka tinha ajudado o líder a se disfarçar e capturar ela facilmente. Era incrível como a frustação tirava toda a esperança de um possível amor. Mas algo não se calava por nada em seu peito: sua atração por ele. Ela sabia com que tipo de gente estava lidando, mas... por que ela conseguia ter algum tipo de afeição por aquele ser? E mesmo sabendo que ele poderia matá-la, depois de se deliciar sexualmente com ela? Mas... o que ela poderia fazer ali para impedi-lo?
Machi tentava secretamente sair dali. Experimentou usar sua própria linha de nen para cortar a grossa camada de aura que prendia sua cintura na parede. Aquilo parecia mais elástico e grosso que um chiclete – lembrava perfeitamente uma perfeita goma de mascar, mas só que com um brilho leve. Ela nunca teve confiança em tipos como ele, e agora tão pouco. Não queria falhar para seu líder. Não que tivesse preocupações com Naomi – sequer a suportava, por ser uma refém tão tediosa -, mas queria cumprir exatamente o que Kuroro quisesse.
Naomi observou Machi, ali parada. Por que ela não se movia? Naomi não podia ver o que a prendia por não conhecer as técnicas de Nen que ambos já conheciam e dominavam. Enquanto isso, o outro cuidava de tirar o vestido, que já tinha um leve rasgo em seu tecido. De repente, a vontade de lutar contra aquilo veio à tona e ela resolveu se debater, motivo para Hisoka atar os pulsos dela novamente com seu Bungee Gum.
- Com o quê você está em amarrando? – Naomi olhou para trás e não via nenhum tipo de corda pendurada em seus pulsos, mas sentia-os atados firmemente.
- Com a minha aura. – respondeu calmamente o outro, até propositalmente, porque sabia que Naomi desconhecia coisas sobre Nen. – Se estivesse quietinha, deixaria você solta. Mas você não pára quieta!
- Ugh...
Mais uma vez Naomi estava nua. Hisoka contemplou-a de bruços sobre a mesa, vendo algumas marquinhas da noite passada. A outra fechou os olhos. Machi olhava aquilo perplexa.
- É desnecessário isso! Eu não preciso ver isso! – gritou Machi, tentando se soltar.
- Mas eu vou precisar de uma mãozinha sua... dizem que as mulheres se conhecem umas as outras melhor que nós homens... – falava enquanto deslizava as mãos dos ombros até as nádegas da morena, de forma bem lenta.
Naomi não entendia por que seu corpo começava a despertar com aquilo, mesmo depois de tudo o que passou. Mas o orgulho ainda era mais forte, não a permitia mostrar nenhum tipo de reação que o mágico possivelmente queria ver. As duas não entenderam o que ele queria dizer na última frase que tinha dito.
- Não tenho interesses em ver o que você faz com seus brinquedos! – Machi mudou de vista.
Naomi se sentiu ofendida um pouco com ''brinquedo''. Não era uma vadia, e não merecia ser tratada daquele jeito. Seus pensamentos foram cortados quando uns lábios começaram a deslizar pelo seu pescoço sem beijar.
- Você tem um cheirinho bom... mesmo estando suada... – disse o homem, encostando nariz e lábios entre o pescoço e o ouvido.
- Se tem algum senso... por favor... não me magoe mais... – Naomi arriscou a falar, levemente rouca.
- Eu não vou te magoar... – disse o outro num sussurro agradável de ouvir, fazendo a outra quase revirar os olhos. – vou te apresentar uma experiência mais curiosa e prazerosa que a nossa primeira vez! ...tudo na vida requer um pouco de dor. Sem dor, sem valor!
Hisoka terminou de sussurar ao pé do ouvido e continuou a explorar aquele corpo tocando nas partes erógenas como os seios e as nádegas. Algo por trás dela interessava o outro.
- Tive receio dele querer te apresentar essa experiência antes de mim... – disse enquanto deslizava um dedo até o ânus apertado da outra, fazendo a outra se contrair devido à sensação do toque.
- Não... por favor... vai doer... – implorou Naomi, entre sussurros e gemidos.
Hisoka não respondeu a sua "vítima", apenas penetrou o grosso dedo indicador de unhas compridas dentro daquela área ainda virgem. Naomi até estranhou em não conseguir sentir dor com aquilo. Ele estava indo devagar, acompanhando as reações da sua fêmea.
- Não precisa resistir, Naomi... você é livre agora, livre... – ele aumentava o ritmo das estocadas com o dedo.
- Ai! – ela sentiu dor quando ele aprofundou seu indicador.
- Ótimo, minha querida!
- Eu realmente sou livre? – perguntou Naomi, com ironia em relação às palavras dele.
- Se permitir a si mesmo... – com uma indireta levemente picante, voltou a sussurrar deliciosamente, beijando-lhe ao pé do ouvido.
Naomi parou de resistir, aquietando-se. Hisoka rodopiou ainda mais um pouco o indicador, fazendo o corpo menor e esguio se mover na mesa. Ela estava quase caindo, pois estava apenas com o tronco apoiado e as pernas quase penduradas no ar, se não fosse por ela estar com o peito do pé sustentando-se ali. Ele puxou-a pela cinturinha que quase dava as mãos dele unidas e a ergueu na mesa, pondo-a deitada.
Machi, que estava com a cabeça virada, abriu os olhos e olhou pelo canto dos olhos, disfarçando sua espionagem. Embora Hisoka estivesse pouco se importando com a presença dela ali – ele estava mesmo provocando para que ela participasse vendo aquela cena, ela arriscou em ver aquilo. Hisoka estava sentindo levemente dor nas costas, devido ao chute de Machi quando ela foi se defender. E cada vez que a dor vinha, tinha certeza de que iria dar o troco. A repugnância que Machi revelou sentir também incomodava o ego. Mas agora, estava se deleitando pouco a pouco com aquela jovem que, em nenhum momento, foi falsa em seus sentimentos. Ele sabia que ela já o amava, só queria ter certeza que ele não correspondesse ao que já estava quase acontecendo. Voltou a se concentrar nela, tirando suas próprias roupas totalmente, incluindo os seus acessórios.
- Vamos continuar... – disse Hisoka, afastando as pernas de Naomi uma da outra.
Ele direcionou seu membro já rígido em direção ao ânus virgem da outra e penetrou diretamente, segurando-a pela cintura. Quase aos choros, o grito da outra foi intenso, que começou a reclamar.
- Ahhh tira, tira, tira... - Naomi sentiu uma dor pior que quando ele a desvirginou pela vagina.
- Ohhh... que dó! – Hisoka acariciava os longos cabelos, enterrando seu membro totalmente dentro dela sem se mexer; tentava acalmá-la similar a uma criança assustada. – Vai passar... vai passar.
Por um momento, a kunoichi sentiu pena dela. Poderia ser ela no lugar da Naomi, e se ele a visse com a mesma intenção, iria fazer de tudo para matá-lo, sem importar com as consequências. Se não fosse pelo débito que tinha com Hisoka, pela chantagem que ele tinha feito com ela antes, poderia acabar com ele tranquilamente. Mas não queria que Danchou descobrisse uma "falha" dela que só Hisoka sabia. Ainda tinha isso que a fazia hesitar.
Depois de alguns segundos, Hisoka começou a se mover lentamente, e indo mais rápido em seguida. Naomi gemia ainda sentindo dor, mas a sensação de tê-lo por cima, acariciando os cabelos juntamente com o sussurro morno em seu ouvido, confortava um pouco. Naomi duvidava que ali fosse uma área erógena – como poderia ser se doía tanto? Só se for para quem entra, porque para quem recebe era muito ruim. Assim pensava, até que foi se acostumando com os movimentos repetidos que pareciam deslizar ao invés de encravar como antes. Hisoka percebeu que a outra mulher, que ainda estava só de lingerie, assistia a cópula discretamente. Sorrindo maliciosamente, ele aumentava mais as estocadas, forçava seu peso contra o corpo menor, beijava as costas acompanhando a linha da coluna, fazendo a outra arquear o corpo para frente.
- Isso... está se acostumando, não é?
Naomi não respondeu, apenas se mantinha em seus gemidos de dor e prazer. Havia esquecido que havia outra pessoa ali presente. Seu corpo não negava prazer para ele. Ao chegar perto do seu clímax, Hisoka puxou-a pelos cabelos, virando a cabeça, e beijou-a forçadamente na boca. Forçava sua língua entrar naquela boca que ainda tinha dificuldades em corresponder um beijo daquele grau.
- Não consigo respirar! – protestou Naomi, fazendo com que os lábios deles escapassem para a bochecha.
Ele acelerou os movimentos, tampando outros gritos dela com aquele beijo "pesado". Era prazeroso ouvir os gemidos dele bem pertinho de si. Enquanto seus olhos ardiam, lacrimejando sem a mínima vontade de chorar, implorava em pensamentos que ele a estimulasse mais, mas ele só estava se preocupando com o próprio prazer. Depois de um leve grito oriundo de seu orgasmo, o ruivo terminou de gozar dentro dela, tirando seu membro bruscamente da mesma forma que a penetrou.
- Aiii! – protestou a outra, jogada de bruços naquela mesa, respirando entre suspiros.
Satisfeito com o que estava ocorrendo, Hisoka agarrou-a, tirando da mesa, levando o corpo dela apenas com um braço só, que nem objeto, até Machi. Jogou Naomi em cima dela, que assistia aquilo com uma cara intrigada. Naomi caiu de frente para o corpo dela.
- Sua vez, Machi. – disse Hisoka.
- Minha o quê?
Ao ver que estava sobre o outro corpo feminino, Naomi tentou sair de cima, mas o ruivo voltou a fazê-la montar em cima dela, literalmente. Machi começou a empurrar a outra, fazendo com que a outra reagisse da mesma forma, e Hisoka segurou-a de cabelos rosados pelos pulsos, prendendo-os na parede novamente com sua goma elástica.
- Melhor ficar quieta! – repreendeu o outro, sem nenhuma alteração na voz.
- O que ela tem a ver com isso? – perguntou Naomi, seguidamente empurrada contra o corpo dela.
- Você também, calada!
- Quem você pensa que eu sou? Trate de parar com essa palhaçada! – gritou Machi, fazendo todas as forças possíveis para soltar os pulsos, furiosa com aquela cena.
- Ahhh! – mostrando uma falsa zanga, ele arrancou a lingerie rasgando com as garras longas e afiadas dela, deixando ambas igualmente nuas.
Aquela era a cena que Hisoka estava amando ver – ia finalizar seu orgasmo do jeito que fantasiava. Sua "doce" e prazerosa vingança contra aquela que o repugnava. Obviamente, não era apenas sua vingança. Era uma sensual fantasia que iria ver naquele momento. As duas começaram a lutar para que nem se encostassem: Machi movia as suas pernas similares de uma bailarina contra Naomi, que com certa dificuldade se desviava. Aquele duelo divertia Hisoka, mas estava atrapalhando seu espaço ali; com isso, ele se jogou por trás da morena, esmagando-a contra o corpo da outra, que tem o corpo esmagado no chão, apenas com os pulsos pendurados na parede, presos.
- Vou te matar quando eu sair daqui, seu babaca! – Machi vociferou.
- Pare com isso, Hisoka! ...Você é um demônio!
Sorrindo com a ponta da língua encostada no lábio superior, o "demônio" deslizava seu corpo sobre o de Naomi, forçando seu peso contra as duas. Levantou um pouquinho os quadris da morena e penetrou-a novamente, agora pela vagina. Naomi deixa escapar um leve gemido, mas controla-se novamente. Não queria gemer na frente daquela mulher. É a segunda vez que é forçada a se expor daquela forma perante duas pessoas. Com os movimentos pélvicos do ruivo, ele propositalmente jogava o sexo dela contra o mesmo da outra. Machi, fazendo uma certa careta diante daquela situação, não conseguia se mover, e também sentia dores no corpo que aumentavam com aquilo tudo.
- Está se sentindo repugnada, Machi? – provocou o ruivo.
Quanto mais ele roçava seu corpo no de Naomi, mais os corpos das duas roçavam uma na outra. A sensação estranha e ruim para as duas era a realização para Hisoka. Ele deslizava as mãos na cintura da kunoichi, enquanto lambia a outra do pescoço até quase o final da região lombar, atrevendo-se até o começo daquele orifício onde tinha explorado antes. O atrito entre as duas causava uma estranha sensação boa, embora ambas negavam uma para outra. Naomi estava fraquejando aos poucos, sentindo seu orgasmo se aproximando, mais por causa dele que dela, embora aquele contato totalmente novo estivesse causando-lhe arrepios.
- Não goza em cima de mim... sua vadia... – disse a outra, virando o rosto.
- Ora... sua... – Naomi tentou em vão se mover, talvez tentando reagir contra aquela ofensa.
- Calma, meninas... já estou quase terminando! – enfatiza o outro a palavra "quase".
Como o outro se divertia vendo aquela briguinha quente! Mas as duas estavam se evitando o máximo, mesmo tento até os seios sendo friccionados uns nos outros, quase esmagados. Para fazer com que as duas ficassem mais coladas, o pervertido subiu mais ainda por cima delas. Isso atrapalhou um pouquinho sua penetração na Naomi, mas conseguiu se encaixar novamente dentro dela.
- Vocês são minhas ...
Aquilo deixou ambas incomodadas. A de cabelos rosa, pelo ar de superioridade dele; a de cabelos negros, por um suposto ciúme. Ciúmes... ela mesma não acreditava que as palavras dele fossem incomodá-la um pouco daquele jeito. Sem mais resistir aos impulsos do seu pênis, Hisoka seguiu mais rapidamente, brutamente, fazendo ambas se roçarem uma na outra. Naomi virava o rosto tentando esconder seu orgasmo. A outra, indiretamente, sentia seu corpo pulsar. Ele já não acariciava nenhuma das duas – seus cotovelos estavam no chão, apoiando-se enquanto exercia tal força.
Com o passar dos minutos, ambos foram se esquecendo de qualquer pudor ou orgulho que sentiam. De forma irracional, entregaram-se ao prazer que impulsionava os órgãos sexuais. Elas não se sentiram atraídas uma pela outra, mas tiveram seus corpos estimulados. A provavelmente mais velha já não era virgem há muito mais tempo que a outra, e ambas não eram homossexuais. Contudo, estavam experimentando pela primeira vez um toque leve de bissexualidade que durou enquanto as duas gozavam em seus respectivos ritmos. Tudo fruto do capricho depravado daquele homem, que finalizava seu orgasmo derramando no chão o fruto de seu gozo, fora do corpo de Naomi dessa vez. Depois daquela satisfação que lhe rendeu gemidos grossos de prazer, caiu em cima delas novamente. Naomi sentia os poros do seu corpo absorverem o calor de ambos, mas estava tão inconsciente recuperando-se daquele prazer intenso que não conseguia se mexer, mesmo quando ele saiu de cima para descarregar seu gozo fora dela. A outra lidava com a interior vergonha de ter gozado, embora tenha sentido seu corpo, mais precisamente o sexo, reagir diante daquele atrito. Suados e exaustos, os três nunca imaginaram que vivenciariam aquela tarde de luxúrias...
