Dolor

Enquanto a batalha contra Sombria ainda se desenrolava, uma figura tétrica surgiu diante do grupo das demais sailors. Era Dolor.

Embora Sailor Moon e as Starlights tenham se colocado em posição de combate, Netuno, Urano e Saturno decidiram ficar e lutar sozinhas.

– Não! – Disse Sailor Moon com firmeza – Vocês não podem..

– Cara de Lua Cheia, você sabe que não há outro jeito... E, depois, somos fortes demais pra sermos derrotadas facilmente.

– Mas...

– Não devemos perder mais tempo! – Disse Netuno.

– Está bem. – Sailor Moon nem conseguia erguer a cabeça para falar.

Acompanhada das Starlights, ela deixou mais três guerreiras para trás.

– Podem fugir, suas tolas! – Gritava Dolor – Depois que eu acabar com essas três, irei atrás de vocês...

– Não pense que está lidando com um inimigo qualquer, seu monstro! – Sailor Urano sorria ansiosa pelo início da batalha.

Nem esperou Dolor levantar as mãos ou as demais guerreiras se manifestarem. Queria o mais rápido possível demonstrar sua força e derrotar sua oponente.

– Campo Magnético de Urano!

A superfície de gelo tremeu por alguns instantes. A guerreira agora não sorria; sua feição tomou um contorno sério, enquanto lançava seu golpe. Não havia rajadas de fogo, relâmpagos nem nada do gênero. Notava-se apenas uma mudança nos ventos, que se tornaram mais fortes.

E Dolor sentiu sobre ela uma força que a deixou estática. Sentia uma energia estranha percorrê-la por dentro rompendo-lhe os tecidos.

Nada, porém, era visível as sailors guerreiras.

Netuno resolveu também lançar seu golpe e arrematar o ataque da companheira.

– Ventos de Netuno! – Bradava, enquanto por trás dela surgia a imagem de seu planeta guardião, do qual emanavam ventos cortantes.

O sangue começava a escorrer dos braços e pernas de Dolor, que parecia estar sendo facilmente derrotada.

– E agora? Quem é fraco aqui? – Debochou Urano.

Em meio ao sangue que já cobria seu rosto, Dolor deixou brotar um sorriso maligno, que antecipava sua ação seguinte. Ela fez emanar de si uma sombra fétida, que se dividiu em três e atravessou o corpo das três sailors, fazendo-as se contorcer de dor.

– Vocês não vão me destruir! – Disse ao assumir novamente sua forma comum.

Dolor estava visivelmente transtornada. As sailors já conheciam aquele ataque. Era hora de diversificar. Cerrou os punhos e do chão começou a brotar uma energia que foi congelando aos poucos as três sailors que, feridas, não conseguiam resistir ao ataque.

Uma a uma foram aprisionadas dentro de cubos de gelo.

– Suas imbecis! Ficarão presas para sempre! Vocês servirão de ornamento para a Deusa da Noite, senhora suprema desse planeta!

De dentro do cubo de gelo central, Sailor Saturno chorava.

A tristeza em seu coração era grande por entender que seria necessário usar os poderes que adquiriu. Desde o momento que a luz daqueles cristais atravessaram seu peito na caverna, sabia que a ela seria concedido um poder condizente com sua posição de sailor da destruição.

Mas era seu fardo. E compreendia também que não lhe era lícito naquele momento fugir de sua responsabilidade. Urano e Netuno estavam muito debilitadas, mas ela não podia vacilar. Fato era que até ali a batalha estava perdida e tinha certeza de que não era da vontade de Haruka e Michiru transformarem-se em peças decorativas.

Permitiu a seu corpo emanar a energia que anunciaria seu ataque. Em sua mente pronunciava a palavra perdão, enquanto dos cubos de gelo que aprisionavam Netuno e Urano saía a energia delas.

– Mas o que está acontecendo? – Perguntou Dolor furiosa, que tentou novamente atacar.

Mas o poder que irradiava de Saturno era tal, que era como se uma barreira invisível tivesse se formado entre ela e as sailors. Os cubos de gelo iam se derretendo conforme Sailor Saturno absorvia a energia das companheiras.

Quando os cubos de gelo se derreteram por completo, Michiru e Haruka já não mais trajavam seus uniformes e desfalecidas sobre a neve não puderam ver o que aconteceu a seguir.

As lágrimas rolavam pelo rosto de Saturno, enquanto ela estendia suas mãos e direcionava a energia obtida contra sua adversária.

– Dolor, sua jornada termina aqui, nas mãos da sailor da destruição!

A energia que atingiu em cheio o corpo de Dolor a fez se fragmentar em milhares de pedacinhos, que caíram no chão sujando a neve.

Quando caiu sobre a superfície de gelo, Hotaru ainda tinha lágrimas escorrendo por sua face.

Ela balbuciou um "perdoem-me"...

... Mas suas companheiras não lhe podiam ouvir.