Lílian agradeceu pela conversa gratificante que tivera com a senhora Malfoy e se retirou, ao mesmo tempo em que Draco voltava para junto delas. Ao vê-lo, com um quase-sorriso no rosto, a mulher achou certa graça. Algo bom tinha acontecido e, dadas as circunstâncias, envolvia Adrienne de alguma forma.
A garota foi para fora da casa, chamando pelos outros dois. Tinha o plano em mente há muito tempo, mas havia notado só naquele momento que precisaria de ajuda para executá-lo. Contava com Helena e William para isso. Claro que eles também sofreriam as conseqüências, mas ela não teria muito problema com eles. O pior mesmo era Adrienne, cujo pai parecia ter vontade de matar qualquer um que apresentasse alguma "intenção ruim" referente à garota.
A ruiva logo concordou em ajudar quando Lílian contou o que estava planejando, mas William foi totalmente contra.
- Por que, Will? Não seria muito fofo se eles ficassem juntos? – Helena estava sentada ao lado do rapaz.
- Vocês são loucas? O pai dela vai matar a nós e ao Kevin por causa dessa idéia. – William tinha o semblante sério.
- Por isso temos que fazer com que ele fique ocupado. – Lílian estava emburrada por causa da recusa.
- Ele é um Comensal, pode facilmente se livrar de todos nós. – Will não parecia que ia ceder fácil.
- Se ele acabasse conosco, como acha que a Adri ficaria? – Helena tinha feito a pergunta certa.
- Certamente ela vai começar a nutrir algum ódio pelo pai, mas não acho que seja o suficiente para detê-lo. – William encostou-se à árvore que tinha atrás de si.
- Mas é o suficiente para que ele hesite. E isso já é alguma coisa. Se Adrienne começar a nutrir algum ódio pelo pai, ela ficará mais rebelde e logo eles vão se afastar. Vocês virão como Draco a ama e a quer feliz. Além de perto e, provavelmente para algo próximo do "sempre", livre. – Lílian cruzou os braços.
- Por "livre", você quer dizer "sem qualquer relação que não amizade"? – Helena franziu o cenho.
- Draco é o pai mais ciumento que eu já vi. – Will suspirou – Continuo fora dessa idéia absurda.
- Você é um covarde, William. – Helena se virou para ele, aparentemente ficando irritada – E ainda tenta parecer um homem de verdade.
- Lílian, se quer que algo aconteça entre aqueles dois, tem que ser na escola. E assim Adrienne poderia contar a ele e ninguém perderia a cabeça. – o rapaz tinha evidentemente ignorado a ruiva.
- Não me ignore! – Helena sentia o sangue subindo à cabeça.
- Eu tentei dar um jeito antes do natal chegar, lembra? Acontece que a visitinha surpresa do nosso sobrevivente mal-amado estragou tudo. – Lílian também não prestava atenção na amiga.
- Lembro perfeitamente. Adrienne chegou destruída ao Salão Comunal e ainda tive que aturar Helena gritando comigo. – William suspirou – Mas o que quis dizer não foi isso. Ainda temos anos pela frente, o que significa que algo vai acontecer. E você sabe disso tão bem quanto eu. Não seja apressada.
Com o comentário de Will, Helena acabou se sentindo magoada. Sem dizer uma palavra, a ruiva se levantou e foi em direção à casa, o que atraiu a atenção dos outros. William não se moveu, mas Lílian fez menção de ir atrás dela. O rapaz, com um tom entre frieza e algo não identificado no momento, a deteve.
- Será pior se você for.
Lílian parou em pé, sem ter dado um passo de onde estava.
- Ela se magoou com o meu comentário, então quem deve ir não é você. Fique aqui, quando ela se acalmar, eu resolvo isso. – William não parecia afetado pelo ocorrido.
- Você gosta dela, não é? Quer protegê-la mais do que a qualquer um de nós… Então por que age com tanta frieza assim com ela? – Lílian se sentou e tinha a cabeça baixa enquanto falava.
- Eu não sou como Kevin, muito menos como Edward. Eu resolvo como vou cuidar de meus sentimentos. – William parecia mais irritado do que antes.
Lílian sentiu uma lágrima escorrer.
- Não precisava ter dito o nome dele…
- Lílian. Escute bem o que vou dizer. Edward foi gravemente ferido daquela vez, tentando simplesmente proteger você. Ponha isso na cabeça e pare de se torturar. Ele vai voltar para a escola um dia. Talvez fiquem em séries separadas, mas esse é o menor dos problemas.
A garota não respondeu. Apenas continuou de cabeça baixa, se lembrando do que afastara Edward da escola.
Início do Flash-back
Lílian estava andando pela escola, distraída. Tinha alguns livros em mãos, mas não estava segurando-os muito firmemente. Eram os livros daquele ano para Hogwarts, então tinha que ter cuidado, pois eram caros. Ainda assim, ela não parecia ligar muito.
Dois rapazes a faziam companhia. Um era William, amigo de longa data de Lílian. O outro era um rapaz que a encantara alguns meses antes. Seu nome era Edward Madley. Ele não tinha muita coisa de especial, mas para Lílian, ele era quase tudo que existia. O rapaz também pensava assim sobre ela, como ela confirmou em um dia qualquer, ao ouvir sem querer a conversa dele com um amigo.
Já fazia alguns meses que estavam juntos, mas sem nada oficial. O máximo que faziam era caminhar de mãos dadas. Não gostavam de toda a demonstração de afeto dos casais em lugares com uma quantidade considerável de gente.
Lílian tinha quatorze naquela época e Edward também. Ambos eram da sonserina e gostavam de muitas coisas em comum. Tudo isso era bom para eles, assim como também podia ser um pouco entediante. Mas a garota não se cansava de Edward.
Naquele dia de compras, por alguma razão, um grupo de três ou quatro garotos apareceu para perturbá-los. Sabiam usar magia com destreza e eram visivelmente perigosos. Quando Lílian se recusou a fazer o que eles queriam, um deles sacou a varinha. O feitiço que lançou era forte, também devido à habilidade do rapaz.
Edward não pensou duas vezes. Apenas se pôs diante da garota, recebendo o golpe em seu lugar. Não estava morto, mas tinha ferimentos muito graves. Por conta disso, teria de ficar afastado de tudo e todos por tempo indeterminado, até que se recuperasse totalmente.
Fim do Flash-back
William olhava sério para a amiga sentada com um ar deprimente diante dele. Lílian não conseguia raciocinar direito naquele momento e ele tinha plena consciência disso, o que o levava a não fazer mais nada além do que já fizera. Quando fosse para algo acontecer, Lílian seria a primeira a reagir. Assim como ele previu, ela logo levantou a cabeça, com o rosto um tanto molhado pelas lágrimas.
- Você é um idiota, Will…! Você sabe o quanto pensar nisso dói em mim…! – ela tinha levantado conforme falava e o tom da sua voz parecia acompanhar o movimento.
William continuou sentado.
- Eu sei. Justamente por saber que eu disse. Você quer forçar aos outros o final feliz que ainda não teve. Tome consciência disso e então bole um plano. E não acha que seria melhor esperar mais um pouco? Adrienne ainda não deve ser capaz de lidar com isso. – "Nem você sabe…"
- William, seu idiota! E como fica sua história com Helena?! Acha que ela também não é capaz de lidar com isso ainda?!
- Acho. E estou conformado com isso – ele se levantou –, já que eu também não sei.
