Olá, meninas! :)
Finalmente vou conseguir manter meu ritmo quinzenal! Aleluia, irmãs! \o/ Haha', deixando as brincadeiras de lado, espero que gostem desse capítulo, eu amei escrevê-lo... porque será, né? ^^
Boa leitura!
"Gostaria que você soubesse que existe dentro de si uma força capaz de mudar sua vida, basta que lute e aguarde um novo amanhecer."
Margaret Thatcher
Com a face ardendo de vergonha pelo flagra, Sakura pensou em algumas palavras e tentou articulá-las, mas o embaraço não permitiu. Kakashi ainda se mantinha esperando e parecia realmente curioso com o que ela viesse a dizer. Konohamaru, atrás de Sakura, tinha os olhos brilhantes de animação, nem se houvesse planejado, a situação daria tão certo. Ele temia que Sakura empacasse e não dissesse nada, porém, após alguns segundos de hesitação, ela respondeu, vacilante:
— Bem... Eu... Eu não pretendo me envolver emocionalmente com ninguém, Konohamaru. –Respondeu a médica, olhando-o com hostilidade e repreensão evidente nos olhos. — Essa missão é exclusivamente para a sua proteção e assim continuará sendo, ok? –Olhando de soslaio para Kakashi ainda de pé, ela anunciou: — Com licença, tenho coisas a fazer.
Sakura não tinha nada de importante para fazer, apenas queria fugir daquela situação constrangedora o mais rápido possível. Saiu da cozinha tão rápido que sequer prestou atenção às reações dos dois. Assim que se viu livre de ambos, ela entrou na suíte do casal e fechou a porta com força.
Ainda sentindo um leve tremor nas mãos, ela se dirigiu à janela e aspirou o ar noturno, agora mais fresco e puro que mais cedo. Sem que percebesse, ela imaginou como Hana estaria se saindo com Kankuro; teria a jovem obtido sucesso em sua missão? Ela desejava que sim, pois seria bom ter alguma mulher conhecida com quem pudesse conversar durante a festa, já que muito provavelmente, Temari não poderia comparecer ao evento.
Suspirando, Sakura olhou ao redor do quarto e percebeu que não havia nada que pudesse ser feito para se distrair ou se ocupar, como desculpa para ter fugido da cozinha. Lembrando-se de que Ino a prevenira sobre momentos como aquele, de puro tédio, ela decidiu procurar algo para se entreter. Pegou uma bolsa larga no guarda-roupas e deixou-a em cima da cama. Trocou de roupa mais uma vez, agora optando por um traje confortável, pois tencionava treinar um pouco.
Não era tarde, por isso ela teria tempo o suficiente para fazer o que queria. Pegou a bolsa e saiu do quarto, notando Konohamaru sentado no sofá, assistindo mais um documentário sobre reprodução animal; Sakura estranhou o gosto pitoresco do "filho", porém não disse nada. Apenas avisou que estava de saída e que voltaria cedo, aconselhou que ele não se preocupasse, pois sequer sairia da Torre.
Assim dizendo, Sakura saiu e desceu dois andares, indo em direção à livraria que vendia livros pela metade do preço comum que Kankuro havia lhe apresentado rapidamente no dia anterior. Ao entrar no recinto, ela reparou que este se encontrava relativamente vazio; havia apenas um casal folheando alguns livros um pouco mais afastados e um senhor de meia idade em pé próximo a uma prateleira, escolhendo alguns livros. Caminhou até a prateleira mais próxima, percebendo que aqueles eram livros de estudo religioso, então olhou para cima e notou que cada prateleira indicava o tipo de livros que continham.
Seguindo mais para o fundo da livraria, Sakura encontrou o que desejava: uma infinidade de livros de romance. Havia desde livros de romance água com açúcar a textos com temas mais complexos; havia também romances históricos, eróticos, contemporâneos, sobre cowboys... uma infinidade de temas. "Uau, estou no paraíso!" Exclamou consigo mesma, admirada. Pegou ao menos uns quatro exemplares, cada qual com um tema diferente e se dirigiu ao balcão, onde uma moça jovem atendia.
Feliz com sua compra, Sakura seguiu para o centro de treinamento, que ficava um andar acima da livraria e um abaixo da residência em que morava. Assim que chegou, ela pôde notar que o ambiente estava cheio e barulhento, ao contrário da livraria e em contrapartida, ali havia apenas shinobis e kunoichis. Alguns gennins treinavam novos golpes com os colegas, focando especialmente no Taijutsu, enquanto outros treinavam sozinhos, combatendo bonecos de madeira. Ela sorriu ao ver a força e animação daquela nova geração e caminhou até um boneco vazio, tencionando treinar um pouco mais o seu Taijutsu.
Deixou a bolsa escorada na parede atrás do boneco e se aqueceu; em pouco tempo estava dando socos e chutes leves na madeira, feliz por poder se livrar de parte da tensão que sentia acumular em seu corpo. Sakura se empolgou com o exercício, colocando um pouco mais de força nos golpes e ouviu exclamações de admiração vindas de alguns jovens. Ela sabia que não tinha o dom para ensinar jutsus a ninguém, mas ficou lisonjeada com alguns elogios que recebeu, mesmo que a maioria dos que estivessem ali tivessem uma graduação menor que a dela.
Logo os jovens se cansaram da novidade e focaram em seus próprios treinamentos novamente, voltando a fazer o barulho ensurdecedor de antes. Sakura sequer se abalou com ocorrido e focou em relembrar os golpes que praticava em seus tempos de kunoichi. De repente, a imagem de Sasuke apareceu em sua mente e, insatisfeita com o modo com que se portara ao vê-lo – amedrontada feito um coelho ao se ver diante de um predador maior –, socou e chutou o boneco de madeira com mais força, imaginando que este se tratava do Uchiha.
Envolta em sua raiva e sentindo o latejar das mãos e dos pés, já que estava aplicando golpes furiosos, Sakura sequer notou o barulho ao redor de si diminuir drasticamente e uma pessoa caminhar em sua direção, afugentando a maioria dos shinobis que estavam próximos a ela. Enquanto golpeava o boneco sem piedade, ela ouviu a madeira estalar, como se fosse se partir; não se importou e continuou golpeando, só parando quando o boneco rachou ao meio, caindo no chão.
— Eu sabia que você o quebraria.
Por reflexo e devido ao susto, Sakura reagiu, socando o visitante, porém, sua mão foi impedida de tocar a face da pessoa por uma parede de areia. Assustada com a própria reação, ela recolheu a mão e corou, envergonhada por ter feito algo contra o Kazekage.
— Me desculpe, eu... Agi por impulso, foi um reflexo. –Desculpou-se, ofegante.
— Tudo bem, não se preocupe. Eu não deveria assustá-la dessa forma. –Gaara sorriu minimamente, encarando-a.
Sakura se lembrou do que Hana havia lhe dito e mais ainda, do comportamento que ele tivera na sala de reunião e se afastou, indo em direção à bolsa. Pegou uma toalha que tinha deixado lá dentro e secou o rosto, deixando-a nos ombros, quando terminou. Olhou para Gaara mais uma vez e, recuperando o fôlego, questionou:
— Posso ajudá-lo em algo?
— Na verdade... Não. Eu venho aqui sempre que posso para ver o treinamento independente dos gennins, mas não sei o que aconteceu hoje, pois quase todos se foram. –Constatou, olhando ao redor.
Sakura observou o ambiente e notou que apenas os jovens que estavam mais afastados dela permaneceram na sala. Sem entender o motivo de tudo aquilo, ela pegou a bolsa e a dependurou no ombro, tencionando ir embora. Não estava com o espírito muito bom para conversas e queria tomar um banho e se possível, começar a leitura de um dos livros ainda essa noite.
— Bem, eu sequer tinha notado. –Deu um sorriso amarelo, sem saber como fugir dali sem parecer grosseria. — Hm, já que não precisa da minha ajuda, vou para casa, preciso ver se está tudo bem por lá. Até breve! –Comunicou em tom de desculpas, achando o comportamento do Kazekage muito estranho, começando a se afastar.
— Espere! Eu a acompanho. –Se ofereceu Gaara, começando a andar lado a lado com ela.
— Ah, não precisa, muito obrigada. –Sakura queria se livrar dele, ainda estava irritada e ao olhar para o grupo de jovens restante, notou que uma das gennins não parava de olhá-la, com o semblante fechado. — Creio que seja melhor fazer o que tinha planejado inicialmente, observar o pessoal; eu estou bem, não se preocupe. –Recusou em tom baixo, porém, educado.
Percebendo que não conseguiria o que queria, Gaara se interrompeu, observando a perturbação que ela transmitia. Talvez Sakura realmente desejasse ter um pouco de espaço, ainda mais depois de quebrar um dos bonecos de madeira tão facilmente. Sentindo-se um tolo por forçar sua presença, Gaara balbuciou, ainda a encarando:
— Oh, tudo bem, farei isso mesmo. Nos vemos na celebração de sexta, certo? –Questionou, ainda constrangido.
— Claro! Até lá! –Sakura acenou em despedida e subiu para seu andar rapidamente.
Assim que chegou em casa, Sakura deu de cara com uma cena, no mínimo, muito estranha. Konohamaru assistia a um dorama, ao lado de Pakkun. Ambos tinham lágrimas nos olhos, absortos pela cena que se desenrolava na tela do televisor: uma garota estava deitava em uma maca de hospital, enquanto o rapaz segurava a mão dela, chorando em desespero, declarava seu amor. Segurando o riso, ela perguntou alto o suficiente para chamar a atenção dos dois:
— Então quer dizer que os senhores gostam de um romance, hein?!
Ambos se voltaram em direção à porta, chocados, de olhos arregalados. Secaram os olhos rapidamente e enquanto Konohamaru mudava de canal, Pakkun desceu do sofá, indo em direção a ela, começando a falar sem parar, defendendo-os.
— Ei, Sakura... Espere aí, não foi o que você viu. Caiu... Areia em nossos olhos! Foi isso!
— Ah, pare com isso, Pakkun! Eu sei que vocês estavam emocionados com o episódio do dorama. –Rindo das desculpas do pug, Sakura começou a caminhar em direção à suíte.
— E nós lá somos homens... Quer dizer, machos... de ver novelinhas? Você se enganou! –O cachorro ainda tentou, mas sem sucesso, pois Sakura o olhava com total descrença. — Não é garoto?
— Eu... é... Não sei. Sim, é isso! –Konohamaru tentou, mas acabou se atrapalhando na defesa.
— Não adianta tentar me enganar, rapazes, pois sei bem o que vi. Agora, Pakkun, quer me dizer o que você faz aqui? –Inquiriu, intrigada.
— Bem... Como você e o Kakashi saíram, ele me pediu para ficar de olho no garoto. –Respondeu de forma simples, ainda encabulado por ter sido pego no flagra.
— Oh! Entendo. E você sabe para onde ele foi? –As bochechas dela ficaram quentes rapidamente, afinal, a cena do embaraço na cozinha ainda se mantinha viva em sua memória.
— Ele comentou algo sobre sair com Saito e mais alguém. –Respondeu incerto, tocando o queixo com a patinha. — Mas agora que você já chegou, eu vou embora. Até mais, pessoal!
Sem esperar por resposta, o pug sumiu em uma nuvem de fumaça. Sakura lançou um olhar em direção a Konohamaru e notou que ele lhe sorria, sem jeito. Ela deu uma risadinha e ordenou que ele escovasse os dentes e se preparasse para dormir, pois estava ficando tarde e começariam a rotina no dia seguinte. O Sarutobi obedeceu sem protestar e Sakura finalmente, pôde realizar ao desejo de tomar seu banho e vestir algo confortável.
l-l-l-l-l
Quando saiu do banheiro, Sakura notou que Kakashi ainda não havia chegado, pois a casa esse encontrava em absoluto silêncio e ela podia sentir apenas o chakra de Konohamaru. Suspirando, aliviada por não ter que confrontá-lo tão cedo, ela se trocou, optando por vestir um baby doll leve preto e vermelho e agarrou um livro. Escolheu-o aleatoriamente, ainda dentro da bolsa e assim faria com os outros, pois não queria estabelecer uma ordem de leitura, aquela era uma mania sua.
Olhando a capa, ela sorriu, envergonhada; se tratava de um livro que havia chamado sua atenção justamente por ela. Leu o título para si mesma, ainda constrangida, notando que pela sinopse, havia entendido um pouco sobre o assunto que o livro tratava, mas agora, temia que tivesse feito uma má escolha. Deixando as preocupações de lado, ela se dirigiu à cozinha, onde tomaria um pouco de água e se sentaria para ler, pois evitaria contato com Kakashi o máximo que conseguisse. Ficar no quarto ou na sala não era uma opção.
Assim que caminhou pelo corredor, com o livro em mãos, Sakura deu uma espiada no quarto de Konohamaru e viu apenas o abajur aceso; ela foi até lá e o desligou, cobrindo o garoto direito, já que o lençol havia se juntado nos pés dele. O Sarutobi dormia, respirando calmamente, então, se aproveitando disso, ela deu um suave beijo na testa do garoto, surpreendendo-se com o carinho que sentia por ele e que cada vez mais se intensificava. Quando estava quase saindo do quarto, ela desejou em tom baixo e carinhoso:
— Tenha bons sonhos, Kono-kun!
Sakura jamais iria descobrir que o Sarutobi abriu os olhos e sorriu, abobalhado com o comportamento de sua "mãe". Nesse momento o garoto reafirmou o que vinha dizendo a si mesmo: faria o possível para que ela fosse feliz ali em Suna e com Kakashi! Ele precisava unir os dois, o mais rápido possível. Sua conversa com Pakkun havia sido muito boa, ele poderia contar com um aliado, mas enquanto não pudessem colocar o plano em prática, ele rezaria para que o destino lhe desse uma mãozinha.
Já na cozinha, Sakura pegou uma garrafinha de água na geladeira e deixou-a em cima da mesa. Sentiu o cheirinho de livro novo e fechou os olhos, deliciada. Aquela era mais uma de suas manias: adorava sentir o cheiro do papel, da tinta... e sabia que isso jamais iria mudar. Começou a ler o livro e estranhou o nome do rapaz. Não era um nome muito bonito, mas... Riu alto quando leu o nome da "mocinha":
— Que porra de nome é esse? –Ainda rindo, ela continuou a ler, bebericando a água vez ou outra.
Ao continuar a leitura, Sakura revirou os olhos por quase todo o primeiro capítulo, começando a achar que tinha jogado seu dinheiro no lixo. Odiou a posição passiva da 'mocinha' e as atitudes arrogantes do 'mocinho', já de cara, mas chegando ao final do capítulo, ela decidiu que não, não tinha sido dinheiro perdido, pois havia algo de... Peculiar naquele rapaz e ela reviraria os olhos até eles saírem de suas órbitas por conta das atitudes do casal, mas queria mais detalhes sobre... aquilo.
Com o rosto corado, ela fechou os olhos e se abanou, temendo que Kakashi chegasse a qualquer momento e a visse assim, constrangida e com um livro que trazia um homem seminu e tatuado na capa. Ela o julgava por ler "Icha Icha", mas estava fazendo pior que ele, pois além de tudo, não sabia esconder as emoções que a leitura lhe provocava. Revirando os olhos mais um bocado, ela finalmente chegou em uma parte que mencionava sorvete e de repente, percebeu que não havia comido nada depois que havia treinado.
Como se tivesse vida própria, seu estômago roncou e não querendo comer algo muito pesado, ela se levantou e vasculhou os armários, tentando encontrar um lanche leve, ou ao menos um doce, já que sabia que não teriam sorvete em casa – já que lhe dera vontade de saborear uma enorme taça. Encontrou uma barra de chocolate e sorriu largamente, abrindo-a e se sentando novamente. Degustou o chocolate devagar, sentindo o quadradinho de sabor meio amargo se derretendo em sua língua.
Após os capítulos rapidamente, meio que pulando as partes chatas, vieram as primeiras cenas de envolvimento mais íntimo e com isso o calor foi retornando. Com os olhos fixos no livro e as mãos quebrando os quadradinhos do chocolate, ela foi avançando na leitura. Quando chegou à parte da primeira vez do casal, ela se admirou com a própria rapidez em ler e mais ainda, nas emoções que foram sendo transmitidas, fazendo com que seu rosto queimasse de vergonha e sua pele arrepiasse.
Ela estava tão envolvida na leitura, com a cabeça baixa e comendo mais um pedaço de chocolate, que sequer notou quando Kakashi chegou. Ele estranhou que a luz da cozinha estivesse acesa e prontamente seguiu até lá, imaginando que Konohamaru havia acordado para tomar água e, atordoado pelo sono, havia se esquecido de apagá-la. Ao chegar lá, o jounin viu a ex-aluna sentada com as pernas cruzadas, lendo e levando um pedaço de chocolate à boca, parecendo extremamente concentrada.
Sua intenção não era assustá-la, mas ela estava tão vulnerável! Ele se aproximou da mesa devagar e silenciosamente, bloqueando parcialmente a iluminação proveniente da lâmpada, assim o susto não seria tão grande.
— Hm... O que você está lendo? –Kakashi questionou, divertido, se abaixando um pouco, como se quisesse ler o que estava escrito.
Sakura ergueu o rosto rapidamente e fechou o livro, engolindo o chocolate. O Hatake pôde perceber o rosto dela levemente corado, as pupilas dilatadas e a respiração errante. Estaria sua ex-aluna lendo livros eróticos? A possibilidade de estar certo o divertiu, mas ela já lhe dera broncas tantas vezes, repreendendo-o por ler aquele tipo de livro, que custou a acreditar, entretanto, os sinais eram muito claros para serem negados.
Como se soubesse o que ele estava pensando, Sakura se levantou e abraçou o livro, mantendo-o contra o peito, enquanto desviava o olhar, envergonhada. Tentou dizer algo, porém as palavras não saíram, deixando o clima ainda mais pesado. Ela tinha vontade de sair correndo, de se enfiar embaixo da terra e desejava morrer atingida por um raio naquele instante a ter que olhar para Kakashi, mais uma vez, em uma situação embaraçosa.
— Eu não... Vi você chegando. –Ao fim da sentença, Sakura quase revirou os olhos. Sentia-se patética, agindo como uma puritana.
— Desculpe por assustá-la, mas você parecia tão concentrada. –Provocou Kakashi, ainda a encarando.
— Tudo bem, eu já estava indo me deitar. Boa noite. –Mentiu descaradamente, começando a se afastar.
— Espere. –Pediu Kakashi, segurando o braço dela, ainda do outro lado da mesa. — Tem... um pouco de chocolate aqui.
Kakashi se aproximou devagar, ergueu a mão, evitando que Sakura lambesse os lábios, na tentativa de limpar-se. Ela manteve-se estática, como que hipnotizada por seus olhos bicolores, mesmo que eles estivessem voltados para os lábios cheios e rosados dela. Ele roçou o polegar pelo lábio inferior dela, contornando-o com delicadeza, espalhando o chocolate, ao invés de tirá-lo; Sakura arquejou brevemente, se deliciando com o toque suave, sentindo o rubor subir novamente por sua face.
Deleitando-se com a sensação da pele macia abaixo de seus dedos, Kakashi estendeu a carícia para os lábios superiores, delineando-os com ternura. O olhar que ele lhe dirigia era de puro fascínio, desejo e ao perceber os olhos esverdeados de Sakura escurecendo, também denunciando sua comoção, ele percorreu a face feminina com os outros dedos, em uma leve e torturante carícia. A vontade do Hatake era de abaixar a máscara e roubar um beijo daqueles lábios tentadores e doces, certamente, porém, não o faria, pois não queria assustá-la.
O polegar retornou para o lábio inferior, que cedeu brevemente; abrigando o dedo entre os lábios, Sakura o lambeu, tragando o chocolate que havia restado ali. Kakashi mal conteve um gemido quando sentiu a língua quente e macia tocar sua pele com timidez e sua respiração já pesada, tornou-se ainda mais errante. Aquele gesto aparentemente simples tinha um alto teor erótico, deixando-o tonto de desejo, ansiando para ter uma outra parte de seu corpo entre aqueles lábios e língua provocantes.
Como que lendo seus pensamentos, Sakura se interrompeu, se afastando bruscamente. Calada e sem olhá-lo, ela andou rapidamente em direção ao quarto, tentando se controlar. O que dera nela para fazer tamanha sem-vergonhice? Olhou para o livro parcialmente amassado nas mãos e o culpou por sua leviandade. Guardou-o na gaveta do criado-mudo, escovou os dentes e se deitou, ainda contendo os ânimos. Rezou internamente para que Kami a ajudasse e fizesse com que Kakashi demorasse a vir para o quarto e que quando ele o fizesse, ela estivesse dormindo.
Instantes depois, ela ouviu uma porta se abrir e se fechar em seguida, com certa força. Certamente, Kakashi ficara aborrecido com o que ela havia feito e resolvera sair, ou talvez estivesse... Seus pensamentos foram interrompidos ao ouvir o som de uma ducha sendo aberta. O som só poderia vir do banheiro social e ao constatar o fato de que ele precisara de um banho para se acalmar, Sakura se sentiu um pouco melhor, menos culpada... Feliz, até. Mais relaxada, ela se aninhou nos lençóis e dormiu quase que instantaneamente.
No dia seguinte, o despertador soou, acordando-a rapidamente. Assim que abriu os olhos, ela notou a cama assustadoramente vazia e se preocupou: onde estaria Kakashi? Não havia sinais de que ele tivesse dormido ao seu lado e isso a deixou entristecida. Para onde ele teria ido? Deixando as preocupações de lado, ao menos por hora, ela tomou um banho rápido, vestiu um par de calças jeans escuro e uma túnica larga rosa, deixando o visual o mais 'profissional' possível. Só pegaria o jaleco no hospital, por isso optara por uma roupa mais discreta; só lamentou que mais tarde, quando retornasse, o tempo estaria muito quente e o jeans logo teria de ser jogado na lavadora.
Lembrando-se de que não teria ajuda com o desjejum, Sakura calçou um par de sapatilhas bege, bem confortável e rumou em direção à cozinha, mas ao abrir a porta da suíte, deparou-se com uma cena estranha. Kakashi estava para abrir a porta, envolto em um cobertor azul com motivos infantis, que pertencia à Konohamaru, obviamente. Ela o encarou brevemente e logo desviou o olhar, pois seu rosto corou instantaneamente.
— Bom dia. –Cumprimentou ele, naturalmente, como se nada tivesse acontecido na noite anterior.
— Bom... dia. –Devolveu o cumprimento, timidamente.
Kakashi não permitiria que o clima entre eles ficasse daquele jeito. É certo que ele tivera que tomar um belo banho frio para se conter, afinal, seu desejo por Sakura só vinha aumentado, desde que se encontraram na sala de Tsunade, mas eles eram adultos e agiriam como tal. Quando percebeu que ela tencionava passar por ele, pelo batente ao lado, a impediu, segurando seu braço.
— Sakura, escute. Eu sei que prometemos a nós mesmos que não nos envolveríamos forçadamente e, se algo acontecesse conosco, estando sozinhos, seria por nossa vontade e não pelas condições em que estamos. Por favor, não fique assim, ou começarei a me sentir mal. –Pediu, ainda segurando a retendo.
— Eu... Me desculpe por... Ter feito aquilo. –Hesitou, ainda envergonhada.
— Não há motivos para se desculpar, não aconteceu nada de anormal. –Suspirou, ajeitando o cobertor nos ombros. — Você sabe que temos essa... Atração. Não tente negar, pois vi isso em seus olhos, mas incentivá-la pode nos colocar em confusão. Eu... desejo... –De súbito, Kakashi se calou. O tão controlado Hatake Kakashi não sabia o que dizer, pois temia prometer o que não poderia cumprir, ou pior, acabar ofendendo-a com algo que viesse a dizer.
— Tudo bem. Eu sei e você está certo. –Sakura interveio, sorrindo encabulada. Havia entendido o que ele estava querendo dizer, afinal, ela mesma se sentia dessa forma. — Tenho que preparar o desjejum, você chama o Konohamaru, por favor? –Pediu ao notar que ele soltava seu braço.
— Não precisa, eu já acordei! –O garoto anunciou, parado na porta do próprio quarto, sorrindo largamente.
Sua felicidade se devia ao fato de ter escutado a conversa dos dois e por mais que Kakashi tivesse dormido no sofá, ele ficara muito satisfeito com a forcinha que o destino tinha lhe dado. Ele não sabia ao certo o que havia acontecido, mas só de saber que o primeiro passo havia sido percorrido, suas esperanças quadriplicaram.
— Oh, então me ajude na cozinha. –Pediu Sakura, se dirigindo para lá.
Konohamaru a ajudou sem reclamar, estava tão contente que só faltava assoviar, mas se o fizesse, deixaria Sakura desconfiada e o que ele menos queria era que a "mãe" implicasse com ele. Tomaram o desjejum em meio a uma agradável conversa; ambos estava, ansiosos pelas novidades que teriam, pelas pessoas que conheceriam, enfim, pela rotina que manteriam. Comeram rapidamente, pois temiam se atrasar naquele primeiro dia e, ao adentrar o quarto, Sakura bateu brevemente, temendo encontrar Kakashi despido por ali.
Após ter o silêncio como resposta, entrou e percebeu que ele estava no banheiro, pois ouviu o barulho do chuveiro, então, aliviada pela 'ausência' dele, ela apanhou a escova de dentes reserva que mantinha em uma bolsa e se dirigiu ao banheiro social. Escovou os dentes rapidamente e mais rápido ainda, se maquiou, ficando pronta para seu primeiro dia de trabalho. Como Kakashi demorava demais, ela escreveu um bilhete, anunciando sua saída.
Assim que deixou Konohamaru na Academia, Sakura rumou para o prédio ao lado, o mesmo que ela estivera no dia anterior, conhecendo e rezou interiormente para que Kami a abençoasse e para que tudo desse certo. Ela nunca tinha se colocado ativamente na pele de professora e faria o possível para ser bem-sucedida em mais aquela missão.
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De todas as situações que Sakura havia imaginado para aquele seu primeiro dia, aquela não era a que ela esperava, com toda certeza. Ela se forçou a se acalmar, respirando fundo e contando até dez, mentalmente. Como médicos, o mínimo que seria esperado, era que seus colegas fossem respeitosos com ela, mas não era o que estava acontecendo. Algumas mulheres sequer se dignaram a olhá-la uma segunda vez quando entrara pela sala e só havia umas quatro pessoas, de fato, prestando atenção ao que ela dizia, isso em uma sala com quase vinte pessoas.
Quando Sakura sugeriu que lhe fizessem perguntas, ela não esperava que aquela baderna se instalasse. Muitos homens não paravam de cantá-la, outros eram abusados, a assediando verbalmente, como se ela não fosse uma mulher "casada". Mesmo que ela não fosse, as mulheres devem ser respeitadas e ela não se submeteria àquela situação por mais um minuto.
— Chega! –Bradou ao estilo Tsunade, rachando a mesa ao meio com a força de seu soco.
Todos a olharam, chocados com aquela reação. Estavam abismados com a força que aquela mulher aparentemente frágil tinha e mais ainda, confusos com a perda de controle que Sakura havia demonstrado. Não era intenção dela fazer algo daquele tipo, mas ela estava sendo humilhada ali e não suportaria mais nenhuma gracinha vinda daqueles idiotas.
— Sei que quase ninguém aqui prestou atenção ao que eu disse, mas eu estou aqui para ensiná-los novos métodos de extração de veneno, dentre outras coisas e não, não ficaremos presos nesta sala de reunião para sempre. Planejei apenas passar algumas teorias para vocês e o resto seria posto e prática, assim trocaríamos experiências. –Manteve um tom de voz firme, fazendo-se ser ouvida, finalmente. — Agora, sobre o que eu disse antes, alguém tem alguma dúvida.
Uma médica aparentando ser um pouco mais velha que Sakura ergueu a mão e lhe fez uma pergunta técnica sobre combinações de antídotos, a qual Sakura respondeu calma e orgulhosamente. Um homem com cerca de trinta anos, um dos que estava prestando atenção, também lhe fez uma pergunta semelhante e ela lhe respondeu com muito gosto, porém, quando um dos engraçadinhos lhe perguntou se seu esposo ainda aguentava "dar uma", por conta da idade, ela se esforçou para não arrebentar a cara dele e respondeu o mais educadamente que conseguiu:
— Não estou aqui para falar da minha vida pessoal, ela não interessa a ninguém! Eu estou aqui para trabalhar e é isso que faremos! –Retrucou em tom frio, percebendo as risadinhas que precederam a pergunta tosca cessarem. — Vamos ao laboratório.
Anunciou e esperou que todos saíssem antes de se encaminhar para a porta. Sakura piscou diversas vezes, tentado conter as lágrimas que insistiam em se formar; só quando sua respiração se acalmou e seus olhos ficaram secos é que ela saiu, fechando a porta atrás de si. Que Kami a ajudasse, pois aparentemente, mesmo com seu gênio forte, ela não teria paz.
Vamos lá... peço desculpas por usar algo tão clichê quanto "tá sujo aqui" para o momento entre o Kakashi e a Sakura acontecer, mas cara... eu não resisti ^^. E amei o resultado, que venham as pedras -q.
Quem quiser saber qual livro a Sakura estava lendo, me pergunte, pois não sabia se poderia fazer propaganda :p. O livro é muito bom, mas me deixou revirando os olhos em vários momentos, enfim... foi o romance-hot/erótico mais recente que li, aí quis colocar um pouco dele na fic ^^.
Agradeço a vocês que estão comentando, esse simples gesto tem me animado muito, vocês não fazem ideia . Agradeço também àquelas meninas que não têm cadastro aqui no e estão comentando; eu não posso respondê-las por conta disso (a falta de conta), mas agradeço muito seus incentivos :).
Até breve! :*
