Capítulo Vinte
Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso. (Fernando Pessoa)
Ginny abriu os olhos com vagar. Sentia-se maravilhosamente aquecida, sob cobertores num dia terrivelmente frio. Sua cabeça, entretanto, oscilava entre pontadas dolorosas pelo seu maldito excesso no álcool e uma súbita amnésia que costuma acontecer assim que se acorda, como o retorno inesperado a um mundo do qual se está fugindo por algumas horas, enquanto se dorme.
Passando uma mão pelo rosto, ela bocejou numa atitude nem um pouco feminina e ergueu a cabeça dos travesseiros.
Aquele não era seu quarto, ela pensou lentamente. Não, suas cortinas eram realmente da mesma cor creme que daquele dormitório, mas definitivamente eram maiores, por conta da sacada. Ali não tinha sacada alguma.
Assim como a suíte. Ela sabia que tinha uma suíte com closet do lado direito, e não uma suíte do lado esquerdo, apenas.
Aos poucos, seu raciocínio começou a se fazer mais claro, e ela compreendeu: estava em seu quarto de hóspedes.
- Mas que diabos... – ela murmurou, a voz rouca por causa do sono recente que havia despertado. Por que ela estava no quarto de hóspedes? Ela não conseguia se lembrar exatamente do que havia acontecido na noite passada.
Ela se lembrava de ter ido ao casamento de Ron e Hermione. Então fora a dama de honra e ficou o casamento inteiro, distraída do que o mestre de cerimônias dizia, porque sua mente estava concentrada em Harry, em como ela podia saber que seu corpo era quente apenas pelo toque de sua mão no braço dele e como ela adorava seu cheiro.
E então teve a festa do novo casal Weasley. Encontrara Sarah cuidando de um Mike muito bêbado, vira muito pouco a valsa entre Ron e Hermione, dançara com Harry... E Deus, como ele dançava!
E então... E então o que?
Obviamente ela deveria ter ficado bêbada o suficiente para não se lembrar agora do que havia acontecido. Supondo o estado que ela deveria ter ficado graças ao álcool, era muito provável que Harry a tenha guiado até sua casa, mas ainda não fazia o menor sentido.
Ela estava no quarto de hóspedes. O quarto que estava atualmente sendo ocupado pelo próprio Harry. Por que ele simplesmente não a levara para seu próprio quarto?
O choque do primeiro pensamento que cobriu sua mente fez com que seus lábios boquiabrirem-se. Em seguida, virou-se bruscamente para o lado direito da cama, seu coração desesperado por encontrar um segundo corpo na cama. Mas não encontrou nenhum.
Ah, meu Deus.
Não conseguindo mais ficar na cama nem por meio segundo, Ginny jogou as cobertas para o lado e, surpreendendo-se, não se encontrou nua. Usava um pijama muito antigo, com desenhos de morangos nos braços. Franzindo o cenho, ela caminhou descalça até o corredor, dirigindo-se para a escadaria.
Harry não estava no dormitório com ela? Aquilo então significava que eles não tinham feito o que ela pensava que tinham feito?
E que diabos com aquele maldito pijama? Ela estava bêbada, mas tão bêbada, que achara que aquela coisa ridícula ainda era bonitinha?
Mas onde ele dormira? No quarto dela? Que maldito sentido isso fazia?!
Quando ela chegou à sala de estar, pode sentir o cheiro de café.
Cozinha. Inspirando profundamente, ignorando a cabeça latejando, ela caminhou decidida.
E lá estava ele; usando um moletom de um azul escuro, cabelos negros bagunçados como sempre, concentrado em terminar o café. Nada de surpreendente, nada de extraordinário, mas mesmo assim o suficiente para que ela prendesse a própria respiração, que seu coração acelerasse o compasso normal e ela sentisse um frio que há muito ela não sentia em seu estômago.
Apenas a simples imagem dele distraído com o café fez com que a maior parte dos acontecimentos voltasse com força total para sua mente. Os gemidos, o toque quente das peles, o que fizeram veio como a velocidade de um tiro, e quando seus olhos se encontraram com os verdes dele, Ginny sentiu-se completamente idiota por sentir suas bochechas completamente vermelhas.
Harry, entretanto, sorriu enquanto ela sentava-se à mesa em silêncio. Ele colocou uma caneca com café e beijou o topo de sua cabeça.
- Beba isso. Vai ajudar.
Ela agradeceu e aninhou a caneca em mãos,enquanto Harry pegava café para si mesmo e encostava-se ao balcão da cozinha.
Depois do silêncio que caiu sobre eles, que Ginny considerou completamente incômodo, ela perguntou com a voz baixa:
- Há quanto tempo está acordado?
Ele olhou janela afora, e em seguida encolheu os ombros.
- Não tenho certeza. Já faz algumas horas, entretanto... Não dormi muito.
Ginny perguntou a si mesma se Harry também estava considerando aquela situação constrangedora. Ela, como uma adolescente que conhecera os prazeres pela primeira vez, não conseguia olhar para ele sem visualizar perfeitamente a imagem de seus corpos unidos, bem como as reações que isso provocava. Ela sorveu um gole do café, fechando os olhos ao sentir o liquido quente descer pela garganta, e em seguida soltou um suspiro.
"Por favor, não se arrependa".
Ela ergueu os olhos subitamente ao se lembrar daquelas palavras sussurradas em seu ouvido, antes que caísse no sono, e suas íris subitamente se encontraram com as de Harry, que parecia atento em cada reação sua.
E ela simplesmente ainda não estava preparada para encará-lo como uma adulta, fazendo-a engolir em seco.
Ele ergueu uma sobrancelha, desconfiado.
- Gin...?
Ela começou a rir, sem graça.
- Erm... Ahaha – sentindo-se ainda mais idiota, ela coçou a nuca, as bochechas ainda mais quentes. – Eu... Bem... Café de manhã é bom! Estava... Huh... O gosto!
Ótimo. Agora ele não precisa mais duvidar se eu sou ou não uma idiota.
O engraçado era que, com o silêncio dele, seu desespero acabou aumentando, e ela começou a fazer vários comentários completamente sem sentido e gaguejando em cada sentença.
Harry pareceu incerto do que dizer por um momento, como se nunca tivesse passado por situação parecida. Por fim, franziu o cenho e perguntou, mescla incerto e divertido:
- Ginny... Você está com vergonha?
Ginny quase cuspiu todo o café que estava em sua boca ao ouvir aquelas palavras.
- O QUÊ? Eu... Erm... Não! – ela praticamente gritou a negação, sentindo toda sua dignidade afundar ainda mais. – Eu estou apenas... Erm... Dor de cabeça!
Segurando um sorriso, Harry colocou a caneca sobre o balcão e antes que Ginny percebesse, ele já estava ao lado dela, inclinado sobre ela e com uma das mãos sobre a mesa da cozinha, com os narizes quase se tocando. Um pequeno movimento, e os lábios dele pousaram gentilmente sobre os dela, enquanto a mão dele segurava a ponta de seu queixo.
Eles se afastaram, mas não muito. Harry abriu um pequeno sorriso debochado, antes de sussurrar:
- Eu diria bom dia, mas já passa das duas da tarde.
Ginny boquiabriu-se.
- Eu não acredito que dormi até agora.
Ela conseguiu visualizar um rápido sorriso de pura arrogância masculina nas feições de Harry, e ela acabou se vendo sorrir por achar graça de sua súbita atitude.
- Temos o dia todo para relaxar. – ele disse simplesmente. – Nada de trabalho ou check-ups no hospital. Depois de toda sua força para bebida – Harry agora sorria debochadamente para ela. – Acho que você merece mais horas de descanso.
- Você fala como se não bebesse uma gota de álcool.
- Há uma diferença entre nós dois. – Harry deu as costas para ela, ao tomar sua caneca vazia e levar para a pia. – Eu sei meu limite.
- Aposto que seu fígado concorda com sua afirmação e o numero de uísque no sangue. – Ginny replicou sarcástica, fazendo-o rir.
- Não me venha com lição de moral, Ginny. Foi você quem precisou ser carregada para casa.
Aquilo trouxera cor às suas bochechas mais uma vez. Como diabos ela chegara a tal ponto?
- Isso nunca tinha acontecido. – ela resmungou, envergonhada de sua própria atitude.
Ginny agora estava ao seu lado em frente a pia, observando atentamente as feições de Harry. Se ela tivesse piscado, respirado ou feito qualquer outra coisa, teria perdido o pequeno vislumbre de preocupação nas íris verdes dele. Entretanto, quando ele a olhou, ele abriu um largo sorriso.
Ginny sorriu terna e suavemente para ele. Sempre tentando não pressioná-la, sempre tentando não preocupá-la com seus problemas.
Sempre visando sua felicidade acima da dele. Harry era simplesmente... Inacreditável.
Fora sua vez de retribuir aquele beijo que ele havia lhe dado minutos atrás. Ginny ficou na ponta dos pés e o beijou; não um beijo cheio de desejo e paixão revelada como na noite anterior, mas um beijo que expressava que ela também o queria fazer feliz.
- Eu não me arrependi, Harry. – Ginny sussurrou suavemente para ele, deslizando a mão pelo seu rosto. – Eu estou disposta a ver aonde esse caminho vai nos levar. Aquilo não foi à culpa da bebida.
Nada iria apagar da memória da Auror o brilho que aquelas íris verdes tiveram assim que seu dono escutou tais palavras.
O sorriso largo dele veio aos poucos, correspondendo exatamente com a alegria que seus olhos revelaram. Ele a abraçou, ambos apenas felizes por estarem apreciando aquele momento. Ginny não se lembrava de se sentir tão feliz há tanto tempo...
- Me lembre de deixá-la bêbada mais vezes.
O comentário debochado fora mais forte do que sua força de vontade de continuar eternizando aquele momento bonito. Mais por hábito adquirido ao longo dos anos, pelo seu estilo de vida do que por outra coisa. Ginny, entretanto, não se sentiu ofendida com a situação; apenas riu e deu-lhe um tapa.
- Você não sabe manter um momento gostoso como esse?
Harry parou por um momento, os lábios entreabertos, como que perdido em sua própria linha de raciocínio, e em seguida abriu um sorriso largo e sincero. Aquilo deixou Ginny ainda mais alegre: não era o Harry frio, o Harry que escondia seus sentimentos e suas emoções. Era um brincalhão... Ainda que ácido.
Ele balançou a cabeça e lançou um olhar malicioso para ela.
- Não me tente sobre isso. Você acabou de acordar. – em seguida, encolheu os ombros. – Se bem que nós dois sabemos que eu sei manter um momento... Hum, gostoso. Foi essa palavra que você usou, certo?
Ela entendeu o significado de suas palavras e ergueu as sobrancelhas, segurando o riso a todo o custo.
- Os anos o transformaram em um arrogante, Potter?
- Arrogante? Jamais. – ele negou solenemente. – Apenas realista.
Antes que ela pudesse perceber, ele já estava à sua frente mais uma vez, a segurando com força o suficiente para que ela não conseguisse se soltar dele. Harry abriu um sorriso pequeno e ácido, antes de beijar Ginny e dizer após com um tom de voz delirantemente provocativo:
- Aliás, esse é um tipo de pijama que agradaria a qualquer homem.
- Ah, merda. – ela girou os olhos e tentou sair do abraço dele a todo custo, especialmente agora que ele ria da própria graça. – Eu nem sei como me enfiei nessa porcaria! E não ria de mim, é provável que eu tenha isso desde antes de acabar Hogwarts.
Ele a encarou com descrença e ela suspirou.
- Tudo bem... Antes de acabar a Academia, então.
- Que bonitinho. – ele a provocou.
- Pare de zombar do meu pijama. – ela o cutucou, presenteando-o com uma careta. – Seu grande idiota.
- Como você é carinhosa.
Ginny arregalou os olhos.
- Está me dizendo agora que eu não sou carinhosa?
- Você me chamou de idiota!
- Como você é fresco!
Ele arregalou os olhos e riu, inconformado.
- Você me chama de idiota pelo menos duas vezes ao dia, se ainda não reparou. Não só isso, mas depois de uma semana já vivendo na sua casa você já se achou na intimidade de me bater caso não gostasse de alguma piada minha. Se você me disser que isso é ser carinhosa...
Ela encolheu os ombros, fingidamente inocente.
- Você apenas não tem uma visão mais abrangente sobre o assunto.
Ele gargalhou com aquela resposta, e Ginny sorriu. Sem duvidas ele tinha amadurecido, ela pensou ao se lembrar meramente das feições do garoto de dezessete, dezoito anos. Ele não era um deus-grego ou qualquer coisa do tipo, mas ainda sim Ginny o achava extremamente atraente. Especialmente quando ele estava daquele modo, sorrindo, feliz. Tranqüilo.
Por mais que, para ela, a relação entre os dois estivesse começando, Ginny já tinha certas opiniões a respeito de Harry. Ele era o tipo de pessoa que ela sempre queria que estivesse bem, satisfeito. Um dos maiores motivos era que, acima de tudo, ele merecia isso, depois de tudo.
Também que, ela iria se esforçar ao máximo para isso, o máximo para estar ao seu lado, dar-lhe suporte em qualquer decisão.
E jamais, jamais machucá-lo ou deixar alguém machucá-lo. Ela queria protegê-lo da mesma maneira que ele a protegia, da mesma forma que ele sempre a protegeu.
Ginny tocou sua bochecha com a ponta dos dedos antes que seus lábios se encontrassem uma vez, e depois outra. Era engraçado o fato de antes ela morrer de medo com a possibilidade de se envolver com Harry e, atualmente, isso apenas parecer, aos seus olhos, tão certo.
- Harry – ela sussurrou. – Eu -.
Harry apenas a calou com um roçar de lábios, em seguida se afastando e negando com a cabeça.
- Não, Ginny. Ainda não.
Ela não ficou brava ou chateada com a sua atitude. Ele estava certo... Ainda não era a hora. Era o inicio, apenas, o inicio de algo que poderia dar certo ou não. Curá-la... Ou apenas machucá-la ainda mais.
Não. De uma coisa ela estava certa: ele não iria machucá-la. Nunca.
Eles ficaram assim, até que Ginny escutou o som da campainha. Franzindo o cenho, ela soltou-se de Harry.
- Alguém enviou alguma coruja dizendo que viria aqui? – ela perguntou enquanto ia em direção a sala de estar, para alcançar a porta principal. Harry continuou na cozinha, provavelmente para limpar a bagunça que fizera com o saco de café.
- Não. Você estava esperando alguém?
- Não, mas deve ser Sarah. Ela tem o péssimo hábito de nunca avisar as pessoas que vai fazer uma visitinha.
Harry riu.
- Isso parece exatamente à descrição daquela doninha amarela.
A-Ha! Então eles têm pontos em comum! Ginny não conseguiu evitar o largo sorriso que se espalhou em seu rosto enquanto ela abria a porta. Era agora que ela iria zombar de Sarah até o ultimo dia de sua...
... Seu sorriso que morreu no exato momento quando ela avistou a figura a sua frente.
A mão que segurava a maçaneta simplesmente pendeu ao lado de seu corpo, seus lábios entreabriram-se e ela simplesmente não conseguiu reunir forças para sumir com seu estado de choque e fechar a porta na cara daquele homem. Ou simplesmente amaldiçoá-lo.
Cristo, como ele conseguira a encontrar?
- Daniel... – Ginny sussurrou, toda a alegria substituída agora pelo terror.
De todas as burradas de sua vida, aquela simplesmente fora a maior delas.
Sarah percebeu isso quando chegara em casa quase cinco horas da manhã, exausta. Depois de passar praticamente o casamento inteiro sendo a babá de seu próprio chefe, ela imaginou que seria capaz de simplesmente se trocar e enfiar-se debaixo dos cobertores e dormir como um bebê até pelo menos as três horas da tarde do dia seguinte. Afinal, ela merecia tal descanso.
Rostova consumia sua paciência, sua atenção e sua dedicação, sem contar horas de sono. As mortes pegavam mais horas de sua vida, impedindo-a de fechar os olhos sem visualizar algum deles. E, para melhorar, o único momento em que ela poderia divertir-se fora realmente estragado por um bêbado que estava achando que ela estava dando em cima dele.
Não que Mike não fosse bonito, ele era atraente ao modo dele... Apenas... Pelo amor de Deus. Ele era praticamente como seu irmão mais velho, até mesmo na atitude. Era como falar com Nathan todos os dias.
Entretanto, quando se enfiou em um moletom velho e confortável e voou para debaixo dos cobertores, o sono pareceu simplesmente ter fugido de seus olhos. O pior era que seu corpo clamava por descanso, mas sua mente não a deixava dormir.
Não, porque tinha algo de errado com aquela cama, que a impedia de se sentir aquecida ou segura. Tinha... Simplesmente algo faltando.
E ela figurou o que era ao, inconscientemente, sua mão tatear ao seu lado da cama, sentindo apenas o travesseiro frio que outrora servira de repouso para uma cabeleira loura.
E a ficha simplesmente caiu. Da mesma forma quando uma criança recebe a triste realidade de que Papai Noel não existe.
Porcaria.
E, de fato, ela ficou apenas em um sono leve e cheio de perturbações, onde ela logo acordou, talvez uma ou duas horas mais tarde, ao ouvir a porta de seu quarto se abrir e alguém adentrar quietamente. Ela ouviu o barulho de roupas sendo tiradas da mala e outras sendo colocadas na mesma, e seu peito afundou ainda mais ao perceber que ficara alegre e satisfeita de que o colchão ao seu lado, antes frio, fosse preenchido por mais um corpo e Draco Malfoy imediatamente se achegasse a ela, abraçando-a e beijando seu pescoço descoberto, os lábios frios por causa do tempo lá fora fazendo um contraste com sua pele quente.
E por mais que aquilo a fizesse se sentir ao mesmo tempo feliz e miserável, ela percebeu que havia algo de errado com ele. Talvez pelo modo que ele a abraçava, ou talvez pelo modo que ele havia beijado seu pescoço. O sentimento de dor mal escondido.
Ela se virou para que seus rostos ficassem próximos, e abriu os olhos para encará-lo.
- Desculpa por acordá-la. – ele sussurrou.
Definitivamente, tinha algo de errado. Arrogante e idiota como era, ele não teria se importado de tê-la acordado; na verdade, teria era ficado satisfeito, assim poderiam se divertir um pouco. Mas, até mesmo o tom de sua voz...
- Eu não estava dormindo, não cheguei há muito tempo. – ela balançou a cabeça, deslizando a mão pelo seu pescoço e começando a brincar com os cabelos de sua nuca. – Conversou com Nikolaievich?
Ele apenas assentiu, mas Sarah conseguiu ver seu cenho franzido e ela vislumbrou dor em suas íris cinzentas. Por mais que sua própria situação estivesse desesperadora, ela ficou ainda mais preocupada por ele. Sua outra mão estava entre ambos, em seu peito, e ela se aproximou um pouco mais antes de sussurrar:
- Draco, o que aconteceu?
Ele apertou o abraço entre eles e apenas se permitiu enterrar a cabeça no pescoço de Sarah. Ela sentiu-o estremecer, mas sabia que aquilo não era desejo ou qualquer coisa do tipo. Apenas...
- Apenas... – ele sussurrou, sua voz abafada. –... Por favor.
Mesmo não fazendo o menor sentido, ela compreendeu, mesmo não entendendo o que havia acontecido. Apenas ampare-o. As respostas podem esperar.
Bem como suas próprias preocupações.
Sarah continuou acariciando sua nuca, fechou os olhos e suspirou.
- Estou aqui. Não se preocupe. – ela murmurou de volta.
Ele se agarrou a ela com mais força, e ela sentiu seu pescoço ficar molhado, mas ignorou. Amparou-o por um longo silêncio, em que ele tremia em seus baços. Por fim, escutou-o inspirar profundamente e murmurar:
- Eu preciso ficar fora da investigação por um tempo, Sarah. Eu vou voltar para a Rússia.
Era realmente Daniel, mas um Daniel que Ginny nunca tinha visto.
Despenteado. Barba por fazer. Olheiras profundas e um ar enlouquecido, desequilibrado.
Aproveitando-se da deixa que a surpresa de Ginny lhe dera, ele agarrou sou pulso com força e a arrastou para o quintal e pelo quintal. O ar frio imediatamente invadiu o rosto e o corpo quente de Ginny, meramente protegido apenas pelo pijama.
- Daniel, me larga!
- Você vai para casa, Ginny. Vai parar com essa sua atitude de criança! – ele disse com a voz descontrolada. – Eu demorei um maldito tempo para conseguir te encontrar, sua desgraçada...
O gelo da rua penetrava sua pele através das meias, enquanto ela lutava para se soltar e não escorregar no meio da calçada. A outra mão, a livre do aperto de seu ex-marido, espancava o braço do homem.
- Hammet eu já mandei me largar! – ela ordenou furiosa, ainda que seu corpo inteiro tremesse e frio e, de certa maneira, medo.
Ele não a soltou, mas parou de andar. Ginny trombou-se nele por ter escorregado e o olhou furiosa. Mas ele apenas riu.
- Hammet? – ele gargalhou debochadamente. – Não era assim que costumávamos nos tratar, Ginny.
Como ele se atrevia? A raiva inundou seus olhos, bem como aqueceu seu corpo, que tremia de frio. Entretanto, ela não conseguiu puxar seu braço do dele uma vez que ele voltou a arrastá-la para longe de sua casa. Droga, por que ela não havia pegado sua varinha antes de atender a porta?
- Eu passei noites acordado esperando os detetives encontrarem alguma pista desse seu maldito traseiro. Passei dias enganando meus pais a respeito de nosso casamento, mentindo a respeito de minha vida. – ele gritava agora furiosamente. – O que você fez? Usou sua varinha de condão para se esconder de mim? Por que você já a usou para me obrigar a dar o divórcio, não é mesmo?
Ginny percebeu alguns vizinhos começarem a bisbilhotar pelas janelas. Ela se sentiu terrivelmente frustrada, uma vez que sua dor de cabeça agora voltava com tudo e ela sentia seus olhos começarem a arder por causa das lágrimas e vergonha.
- Daniel. Me. Larga. Agora!
- Você vai para casa, Ginny! Nós vamos para casa e você vai voltar para mim, querendo ou -.
- ME LARGA!
- Será que você tem algum problema de audição ou o quê? Jesus, a moça já mandou você soltá-la.
A voz masculina causara tanta surpresa nos dois que ambos viraram suas cabeças para ver a figura do outro lado do quintal, com braços cruzados e um ar aborrecido. Ginny arregalou os olhos. Daniel o olhou com asco.
- Fique fora disso, seu idiota intrometido! – ele berrou para o homem encostado na parede da casa. Harry apenas ergueu as sobrancelhas.
- Um bêbado descontrolado invade a casa da ex-esposa e a arrasta como se estivéssemos na pré-história... E eu sou o idiota, é claro.
Harry começou a andar na direção dos dois, mas Hammet não se moveu. Continuou ali parado, agarrando Ginny, fuzilando aquele desconhecido com o olhar.
Entretanto, era com a expressão de Harry que ela estava preocupada. Ele estava sorrindo... Mas um sorriso que não chegava aos seus olhos. Na verdade, por mais que Ginny já o tivesse visto zangado, aborrecido e até mesmo irritado, nunca, em nenhum momento desde o seu retorno ela tinha visto aquele brilho em seus olhos. Um tipo de olhar que poderia ser visto em um Comensal da Morte, ela especulou. O tipo de olhar de quem não hesitaria em quebrar o pescoço de quem o incomodava na frente de todos.
O que a Guerra causou a ele nunca ficou tão clara como naquele momento. Ela soube, ela percebeu que, com ou sem magia, Harry não era o tipo de homem que deveria ser tirado do sério, em nenhum sentido. E Hammet estava provocando exatamente esse tipo de reação.
- Harry...
Daniel escutou sussurrá-la o nome, e sua atenção enlouquecida voltou-se para ela. Ignorou Harry vindo calmamente na direção de ambos e a olhou com nojo:
-Ah, então é isso... Você não quis agir como uma idiota... Você na verdade me trocou por esse homem. Quem é ele, Ginny? – ele sussurrou perigosamente.
Por mais que aquele homem estivesse descontrolado e possivelmente ainda bêbado, e por mais que ela guardasse um ressentimento e uma raiva descomunal a respeito dele, ela não pôde deixar de sentir certo receio.
- Hammet... Vá embora. Por favor, me solte e vá embora.
- Aos diabos com isso, sua cadela! Foi para isso que você me abandonou, não é? Você já estava com esse bastardo há quanto tempo? – ele lançou um olhar fulminante a Harry, que estava já mais próximo. – Ele é uma aberração, assim como você?
O que aconteceu em seguida foi extremamente inesperado e rápido; a mão livre de Daniel Hammet fechou-se e Ginny a viu seguir em direção ao seu rosto, mas acabou sendo impedida por outra mão, que ergueu e jogou o braço do homem para longe dela.
Ao protegê-la do murro, Harry já não mais sorria cinicamente. Ginny engoliu em seco ao senti-lo mais frio que aquele dia de inverno.
- Eu não acredito que você se casou com um cara desses. – ele disse a ela secamente, não desgrudando os olhos de Hammet. – Aberração, ele disse. Tch. – murmurou com escárnio. - Até Malfoy parece ter um pouco de decência se compararmos com um otário desses.
Daniel soltara Ginny, finalmente, agora gritando em plenos pulmões.
- Foda-se! Eu não tenho medo de você! O que você vai fazer? Ficar agitando sua varinha de condão, seu covarde? É só assim para conseguir vencer alguém, não é? Fique fora do meu caminho com seus 'abracadabras', seu pedaço de merda, eu vou levar minha esposa para casa!
Inacreditavelmente, Harry sorriu. O queixo de Ginny caiu com aquela reação. Esperava que a paciência do homem já estivesse esgotada com os adjetivos conferidos, mas não. Lá estava ele, sorrindo como se achasse tudo muito engraçado.
- Sabe de uma coisa... Hammet, estou certo? – ele encolheu os ombros, antes de erguer o queixo com arrogância e anunciar: - Um pedaço de merda como eu não precisa de 'abracadabras' para colocar alguém como você nos eixos.
Tudo fora muito rápido. A única coisa que Ginny fora capaz de ver fora um punho acertando o centro da face de Daniel Hammet, fazendo-o cambalear e escorregar na neve. E depois tentando se levantar para atingir Harry.
Vizinhos saindo de suas casas aos gritos. Daniel berrando como louco, não acertando um único golpe em Harry e em compensação já todo manchado do próprio sangue e roxo em uma das bochechas. O próprio Harry levando as mãos à cabeça e caindo de joelhos, gritando de súbita dor. Daniel aproveitando a brecha para alcançá-lo.
Harry caindo na neve, uma figura coberta com uma capa vinho correndo em direção ao trio. E, subitamente, flashs. Repórteres.
Depois disso tudo fora um inferno.
- Meu Deus, quanta confusão.
E lá estava Ginny, mais uma vez, no St. Mungus. Mas dessa vez não era para mais um exame de rotina de Harry, em busca de respostas para a súbita perda de sua magia.
Ela suspirou, escondendo o rosto entre mãos. Seu estômago estava embrulhado horrores, e a vergonha ainda invadiam seu rosto, em forma de lágrimas que ela se recusava a deixar caírem.
Não era ela quem havia dito que não queria ver Harry passando por nenhuma situação horrível? Que diabos era aquela situação então?
- Nem me fale. – ela sussurrou para Mike. – Eu não acredito que isso aconteceu.
- Ei, está tudo bem. Não é como se Harry estivesse todo socado e ferrado por causa de seu ex-marido. – ele parou um pouco e encolheu os ombros. – Se bem que o único arrebentado nessa historia foi o próprio Hammet... Aliás, nunca pensei que você tivesse tanta força na esquerda. Você praticamente jogou o homem longe.
- E rendi uma ótima matéria de primeira página. – Ginny sussurrou com a voz abafada por suas próprias mãos. Mike colocou uma mão em suas costas.
- A culpa não é sua, Ginny. Ninguém iria imaginar que aquele bastardo iria vir atrás de você, maldição. Eu deveria ter apagado a memória dele, aliás. – ele resmungou consigo mesmo.
Para Ginny, tudo se transformara realmente em sua culpa. Se ela não tivesse se casado, aquilo nunca teria acontecido. Se Harry jamais tivesse manifestado qualquer sentimento por ela, eles não estariam juntos e aquilo não teria acontecido. Mas ela o tragara para sua vida particular e destruída, levando-o por passar aquele momento completamente nojento e idiota.
- E com muita sorte, talvez essa situação nem caia nos jornais. Sarah foi negociar com Skeeter a respeito dessa situação.
- Você acha que Skeeter vai perder a oportunidade de divulgar uma situação embaraçosa dessas a respeito Do eleito? –Ginny perguntou sarcástica. – Deveria ter feito Sarah poupar seu tempo.
Mais uma vez, ela olhou com preocupação para a porta onde por trás dela Harry jazia em algum leito, rodeado por um numero considerável de Curandeiros. Mike apenas estudou sua reação.
Tudo bem, ele estava com uma ressaca que o estava matando, mas isso não o impedia de perceber as coisas.
- Ele vai estar bem, Ginny.
- Ele teve aquele ataque do nada, Mike. Como você pode me dizer que -.
- Apenas posso. – ele a assegurou. – Ele vai estar bem. O próprio Curandeiro Brown disse que ele está apenas desacordado. Teremos alguns resultados em algumas horas, tenho certeza.
Ele mal havia terminado de dizer tais palavras quando a porta se abriu e o rosto do Curandeiro se fez presente para os dois Aurores.
Brown sorria. Radiantemente.
- Eu já vinha suspeitando sobre a farsa do relacionamento deles há algum tempo. – Skeeter disse com a voz falsamente afetada, fazendo Sarah cerrar os dentes, procurando com todas as forças manter o controle. Sua raiva foi refletida apenas no fechar descomunal dos punhos. – Isso vai ser talvez o ápice da minha carreira.
- É, claro. Da mesma forma que foi quando você despejou aquele monte de mentiras a respeito de Dumbledore, estou certa? – ela não conseguiu evitar tais palavras.
- O quê? Você era uma adoradora de Dumbledore? – Skeeter riu com aquela vozinha fingidamente doce, e Sarah sentiu vontade de enfiar um pé na cara daquela velha. Sempre pensara em idosos como pessoas doces e compreensivas, mas aquela infeliz fugia à regra.
- Estou apenas dizendo que a senhora pode muito bem dizer verdades contestáveis nessa reportagem. – Sarah disse com a voz lenta, como se estivesse ensinando uma criança de cinco anos.
- Estamos falando de Harry Potter, senhorita Madison. Uma lenda... Assim como Dumbledore. Eu não posso esconder do mundo as verdades a respeito de sua vida.
Pelo amor de Deus, você não tem nada melhor para fazer da sua vida?
- Se bem... – sorriso dos infernos, Sarah pensou. -... Que há várias coisas a serem comentadas nessa entrevistas. Revelações bombásticas a respeito dos corações dos considerados impiedosos e frios Aurores do DICAT.
Sarah franziu o cenho com aquelas palavras.
- O que você quer dizer com isso? – ela perguntou com a voz lenta, controlada.
Rita Skeeter riu, afetada.
- Oh, como os corações desse Departamento tão respeitado estão passando, os leitores adoram saber um pouco da vida pessoal de pessoas como vocês, intocáveis. – ela ainda tivera a audácia de piscar!
Skeeter deu um gole longo de sua bebida e cruzou as pernas, sorrindo amavelmente para Sarah.
- Como o Diretor-Geral do Departamento sofre uma obsessão a respeito da psiquiatra que por acaso é casada com o Goleiro do Chudley Cannons, como a lenda do Mundo Bruxo sofre por um amor que não lhe é devolvido... Como uma Auror se apaixonou pelo assassino a quem procura.
Sarah estava agora com o cenho completamente franzido, completamente rígida e a mão coçando para alcançar a varinha e amaldiçoar aquela velha desgraçada.
- Você disse exatamente o que com a última frase? – ela praticamente gritara a frase. Skeeter apenas sorriu com aquele ataque.
- Como Luz e Trevas podem se associar... Veja que romântico: uma Auror lutando incansavelmente para descobrir o assassino de inúmeras mortes, dormindo com o autor do mesmo, sem saber.
Sarah seguiu o caminho todo para casa com a cabeça estranhamente vazia. Seu corpo inteiro ainda estava reagindo com a raiva que acumulara com a pequena conversa com Skeeter.
Ela mal conseguia compreender como o controle escapara de suas mãos. Em um momento, estava convocando todas as cópias daquela maluquice escrita por aquela mulher e destruindo-as diante dos olhos inconformados da jornalista e, no outro, ela estava com a varinha no pescoço da mulher a ameaçando de diversas maneiras, aos gritos. Inclusive Azkaban e um processo que lhe custaria até mesmo à alma, por utilizar-se de conteúdo confidencial do Departamento, podendo até mesmo comprometer a investigação.
Ela sabia que apenas conseguiria fazer Skeeter não publicar aquele monte de merda por conta da ameaça de Azkaban, porque Skeeter havia realmente afanado conteúdo das investigações e obviamente aquilo seria usado contra ela.
Mas de tudo que escutara, ela ainda não conseguia acreditar que aquela infeliz tivera a coragem de usar aquelas palavras... Ela sequer sabia da história... Sempre tirando suas próprias conclusões, apenas para chocar o mundo...
As lágrimas de frustração já caiam por suas bochechas quando ela alcançou as chaves e abriu a porta de seu apartamento. Já havia mandado uma nota para Mike avisando-o do sucesso da conversa com Skeeter, sem mencionar os detalhes de como conseguira tal feito.
Encontrou Draco Malfoy arrastando a mala de viagem para a sala de estar, e imediatamente ela ficou de costas para ele, limpando as lágrimas e trancando a porta. As palavras de Skeeter ainda corroíam seu cérebro: dormindo com o assassino... dormindo com o assassino...
Como ela se atrevia dizer aquela besteira?
- Você vai me acompanhar até o Ministério, Sarah?
Sarah engoliu toda a raiva e fechou os olhos, antes de girar nos calcanhares e encará-lo por um tempo, antes de assentir.
- Você já está pronto?
Ele assentiu. Sarah virou-se novamente para abrir a porta, mas não percebeu as mãos dele rodeando sua cintura e puxando-a para perto de si. Ela fechou os olhos e inspirou fundo.
- Eu não posso dizer que vou voltar logo. – ele disse em voz baixa. Ela balançou a cabeça.
- Sua mãe precisa de você. Leve o tempo que precisar.
- Você vai conseguir segurar as pontas dessa investigação sozinha?
A investigação. É claro... A única coisa que os unira, as palavras que formalizavam o que havia se passado entre os dois. Sexo, apenas. Carga emocional pesada por causa de Rostova e sexo para descontrair.
Ela fora apenas a única idiota entre os dois a ter deixado as coisas serem levadas mais a sério pelo seu lado.
Essa investigação é a única coisa da minha vida que eu ainda tenho um pouco de controle.
- É claro. – disse, apenas. – É melhor nos apressarmos, ou você vai perder a Chave do Portal.
Sarah desvencilhou-se de seus braços e abriu a porta, dando espaço para que ele passasse. Ele passou, e ela sentiu o cheiro dele, tão único para ela, e seu estômago afundou ainda mais.
Ela não seria tonta de não achar que aquela talvez fosse a última vez em que os dois iriam se ver. A investigação poderia ser concluída antes que ele voltasse... E então não precisaria mais voltar.
Por mais que se sentisse completamente idiota, ela não iria demonstrar nenhuma emoção. Estavam apenas formalizando o que havia acontecido entre os dois. E ela já era bem grandinha para cuidar de suas próprias emoções não correspondidas.
Entretanto não fora isso que pensara ao chegar em casa, após ter se despedido dele no Ministério e o visto partir. Ela olhou para seu apartamento, agora parecendo tão frio e vazio e sentou-se no sofá, escondendo o rosto entre as mãos e demonstrando para as paredes como realmente se sentia.
- É como nós acreditamos, senhor Potter. A probabilidade de sua magia ter retornado deve-se graças à mesma carga emocional que o senhor passou durante seu duelo com V-Vol... Voldemort.
- Então eu não tinha perdido minha magia. Ela esteve apenas bloqueada.
- É o que todos nós acreditamos. O senhor estava em um momento de grande emoção – raiva – quando duelou com ele, e ao que parece, liberou a mesma carga de emoção quando socou o ex-marido de Ginny.
Harry ergueu as sobrancelhas. Ficou pensativo por um tempo, antes de assentir.
- Faz sentido. Fiquei puto da mesma maneira nas duas situações.
Ginny abriu a porta de forma brusca, encontrando um Harry sentado em uma das camas do Hospital, conversando calmamente com um Curandeiro.
Seus olhares se encontraram com aquela entrada escandalosa; o dele sorriu, e o dela se encheu de lágrimas.
Harry franziu o cenho.
- Por que diabos você está chorando? – perguntou incrédulo.
Ginny seguiu em direção a ele, e o abraçou com força, enterrando o rosto em seu pescoço e chegando até mesmo a soluçar.
- Erm... Gin...
- Não me encha. – ela resmungou e soluçou. – Eu estou feliz.
- Mas -.
- Eu estou feliz, Harry. Agora me deixe chorar em paz.
Harry olhou completamente confuso para o Curandeiro, que apenas sorriu com a cena.
- Bem, vou deixá-los a sós por um momento. Senhor Potter, peço que o senhor fique por aqui por mais algumas horas antes de partir, para tirarmos nossa conclusão. – Harry assentiu e o Curandeiro sorriu. – Fantástico. Se me dão licença, vou ver como o trouxa se encontra, antes de pedir transferência para um Hospital de trouxas.
Harry retribuiu o abraço de Ginny, beijando o topo de sua cabeça.
- Por que você está tão emotiva?
Ela soluçou.
- Eu não queria que você tivesse passado por isso. Meu Deus, eu estou tão envergonhada!
- Tch. Deixe de ser tonta, isso não foi sua culpa. E graças a isso eu posso fazer um café da manhã sem precisar sujar a cozinha inteira. E reparar aquela roupa do casamento.
A ultima frase saíra carregada de malícia, como quem relembrava bons momentos. Ginny apenas soluçou. Harry brincou com seus cabelos vermelhos e sorriu amável e suavemente para ela.
- Ei, Ginny. – ele sussurrou. – Está tudo bem.
E, para ele, estava realmente tudo bem.
Continua...
Notas: Oi gente! Desculpas pela demora, é claro :P Mas o tempo tem me exigido isso, então é o máximo que eu posso fazer.
De qualquer forma, espero que vocês tenham gostado desse capítulo! A fanfic já está começando a entrar na reta final dela ;D êêêêê /o/
Harry e Ginny no próximo capítulo indo viajar a trabalho, com direito a duas semanas de completo aproveitamento da companhia um do outro, e em breve revelações bombásticas!
Agradecimentos a todos os comentários deixados, e deixando um comentario subjetivo a respeito de um deles, que uma pessoa que eu nào vou dizer quem é já descobriu um dos pontos importantes da estória xD Quando o fato acontecer, eu vou colocar aqui o nome dela, pode deixar ;D
Aliás, OBRIGADA por terem gostado da NC! Eu sou horrivel escrevendo isso e acho traumatizante, fato! Então, foi muito positivo saber que em geral todo mundo gostou :D
Aliás (2), desculpas pela falta de discrição do casamento e do vestido, mas eu realmente não me achei em disposição de escrever detalhes sobre o vestido e coisa e tal.
Mas é isso!
Beijos :x
