Capítulo 20 – Longe de você.
BPOV
Eu não sei muito bem quanto tempo eu fiquei na casa de Jacob com ele.
Pra falar a verdade, eu não conseguia me lembrar muito bem dos fatos que se seguiram. Eu só conseguia pensar na dor.
Muita dor. Como se alguém estivesse me pisoteado... Cuspindo em mim.
E a única coisa que eu conseguia lembrar vagamente era de Jacob ter me dado uma camiseta enorme, e me vestido com ela, enquanto me colocava deitada no sofá.
Eu senti as lágrimas escorrendo por meu rosto, enquanto minha cabeça girava e girava, e eu não pude evitar. Eu simplesmente deixei que o sono me levasse.
E eu sonhei que estava correndo por um corredor, e Edward estava em minha frente. Eu gritava por ele, e tentava alcançá-lo, mas ele corria mais rápido, e me ignorava.
E então, eu acordei gritando. A consciência voltou como um baque, e fez meu coração disparar loucamente.
Jacob estava do meu lado, e ele me acalmou, enquanto eu me sentava tremendo.
- Shhh... Bella está tudo bem. Está tudo bem...
Eu olhei em volta, surpresa por ver que já era fim de tarde.
Nossa, eu nunca havia dormido tanto em toda a minha vida!
- Onde... Estão os outros? – Perguntei, com medo. Eu não queria ouvir o nome dele. Mas eu queria saber o que tinha acontecido.
- Alice veio aqui com Jasper. – Ele falou bravo. – Ela tentou me convencer a deixar você ir para casa com ela, mas eu não deixei. Eu falei que quando você acordasse, você decidiria.
Eu suspirei agradecida, e fechei meus olhos pensando nas possibilidades.
Eu não queria, de modo nenhum, ver a cara de...
Ah. Droga.
- Você acha que Billy vai se incomodar se eu passar a noite aqui? – Era minha melhor opção.
- Claro que não. – Ele deu um sorriso pequeno pra mim. – Você pode ficar o quanto quiser.
Eu agradeci e fechei os olhos, me sentindo a pior pessoa do mundo.
Parecia que alguém tinha triturado meus ossos, e me jogado de um penhasco.
Arre. Eu queria morrer. Morrer.
E a partir daí, tudo virou uma névoa em minha cabeça.
Eu fiquei parada no sofá, apática sem me mexer nem comer, enquanto Jacob ficava ao meu lado.
Eu sabia que eu o estava machucando, sofrendo pelo homem que eu amava, bem na frente dele. Mas eu simplesmente não tinha para onde ir.
E eu não iria procurar Charlie, bem agora. Nessa altura do campeonato, não valia mais a pena.
Por isso eu fiquei em sua casa, sem me importar com nada, enquanto deixava a semi-inconsciência se apoderar de mim.
E quando eu finalmente me dei por conta do papel de besta que estava fazendo, já era tarde de mais.
O dia já havia amanhecido, e a chuva caía sem dó nem piedade do lado de fora da janela.
- Eu preciso ir embora! – Murmurei desesperada, enquanto me levantava. O vento frio bateu em meu corpo, e me faz tremer, mas eu sabia que não podia deixar meus amigos preocupados.
Eles não tinham culpa, de um relacionamento tão intenso... Ter terminado tão mal.
- Bella! – Jacob segurou meu braço. – Como você quer ir nessa chuva?
- Me leve até lá! – Eu respondi como se fosse óbvio, e ele me lançou um olhar nervoso.
- Por que diabos, você quer voltar? Você não se viu como eu vi! Olhe o tanto que você está sofrendo! Você quase morreu noite passada! Você nem quis comer nada!
Eu revirei os olhos, e corei, enquanto me dirigia ao telefone. Eu disquei o número da casa dos Cullen rapidamente.
- Alô? – Eu perguntei quando o telefone atendeu.
- Bella? – Eu ouvi, surpresa, a voz de Esme, do outro lado da linha.
- Esme? – Eu comecei a chorar, de repente. – Você pode vir me buscar? Por favor?
- É claro querida. Você está na casa do Jacob, não é? Eu já vou passar aí. – A voz dela era carinhosa e doce, mas eu pude ouvir uma pontada de dor, tão profunda que eu me preocupei.
Mas eu nem pude perguntar nada, porque ela desligou o telefone.
Ah meu Deus. O que será que tinha acontecido?
- Eu não vou te deixar sair daqui! – Jacob falou, enquanto segurava meus braços.
- Você que tente me impedir! – Eu gritei, enquanto tentava me livrar dele.
- Fui eu quem cuidou de você! Seja pelo menos agradecida!
Eu lancei um olhar fulminante a ele, enquanto me soltava com um baque.
- E como você quer que eu agradeça, senhor bonzinho? - Perguntei sarcástica, tentando fazê-lo sair de meu caminho.
- Assim! – Ele respondeu, e seus braços agarraram minha cintura, enquanto ele colava seus lábios nos meus.
Eu senti o asco me possuindo, e revolvendo meu estômago, enquanto lágrimas de raiva e tristeza percorriam meu rosto.
Eu tentei empurrá-lo, mas ele me segurou mais forte, enquanto suas mãos percorriam toda a lateral de meu corpo, e tentavam capturar meu seio.
Okay. Medidas drásticas.
Eu mordi sua boca, com toda a força que eu tinha. Ele soltou um grito, e eu levantei meu joelho, fazendo com que ele batesse com força no... Objeto de prazer dele.
- NUNCA MAIS TOQUE EM MIM! – Eu gritei, enquanto ele caía no chão, gemendo de dor.
Billy entrou na sala, para ver o que estava acontecendo, mas eu abri a porta e saí correndo para a chuva, fazendo com que a camisa enorme que eu estava vestindo, se empapasse de água.
O vento frio misturado com a água, fez com que eu começasse a tremer, e eu me sentei no chão, enquanto afundava minha cabeça em minhas pernas, e chorava.
Por Edward, que havia me magoado. Por Jacob, que havia me decepcionado. E por mim, porque eu mesma havia me machucado.
Eu senti a chuva escorrer por meu corpo, e fiquei sentada algum tempo, até ver o carro de Esme chegar, cantando pneus.
- Bella! – Ela gritou saindo do carro. Eu vi seu vestido branco se encharcar, enquanto ela corria até mim, e me ajudava a levantar do chão. – O que foi? – Ela perguntou preocupada. – Bella?
- E-eu... Eu... Não... Jacob... Edward... – Eu tentei formar alguma frase coerente, mas simplesmente não saiu. Meus olhos estavam inchados, e embaçados de lágrimas, e eu cambaleei até o carro, me sentindo um pouco culpada por molhá-lo.
- Vamos logo, Bella. – Esme murmurou enquanto passava as mãos por meus cabelos carinhosamente. – Você vai adoecer se continuar assim.
Eu assenti, e ela ligou o carro, enquanto eu abaixava minha cabeça, e fechava os olhos.
Eu me senti corar, e solucei, enquanto a paisagem se movia ao nosso lado.
Outch. Eu era tão idiota.
Nós fizemos todo o caminho em silêncio. Esme lançava olhares preocupados em minha direção, mas eu ignorei, enquanto meu camisão cinza secava aos poucos, devido ao ar quente do carro.
Eu suspirei, e fechei meus olhos, enquanto esperava o momento em que o carro pararia em casa.
Oh droga. Eu sempre fazia tudo errado. Sempre.
Eu pensei em... Edward, e meu coração se apertou. Na verdade eu estava confusa.
Eu não sabia bem o que pensar, porque às vezes, quase sempre pra falar a verdade, eu tinha a impressão de que ele... Não me amava o suficiente. Parecia que ele só estava se divertindo, e isso era uma punhalada em meu peito.
A questão era... E se ele realmente me amasse? E se ele só não... Soubesse demonstrar isso?
Aí, eu estaria sendo injusta com ele. E eu teria acabado com a coisa mais linda que poderia ter acontecido em nossas vidas.
- Chegamos, Bella. – Esme falou delicadamente, enquanto saia do carro. Seu vestido, úmido, esvoaçou em sua volta, enquanto ela abria a porta para mim, e me ajudava a descer.
Eu não havia percebido que estava tremendo muito, até pisar no chão, e não conseguir me equilibrar.
Eu despenquei na garagem, e Esme me olhou alarmada.
- Carlisle! – Ela gritou. – Me ajude aqui!
Eu o vi entrar na garagem com olhos preocupados, e me fitar, enquanto se aproximava de mim, cauteloso.
- Bella? – Sua voz melodiosa ecoou em meu ouvido, e eu de repente, senti meu mundo girar.
- Sim? – Nossa, eu estava muito rouca.
- Eu vou te carregar para dentro, okay? – Ele perguntou delicadamente, enquanto me pegava no colo. Seus braços parecerem muito frios, em minha pele quente, e meu corpo começou a tremer mais.
- Ela está ardendo em febre. – Ele sussurrou para Esme, que lançou um olhar triste para mim.
- Cuide dela, amor. – Ela sussurrou, e eu senti que estavam me colocando em uma cama quente, em um quarto mais quente ainda.
Eu abri meus olhos, um pouco tonta, e reconheci o quarto de Edward. Onde ele estava? Onde estavam os outros?
- Edward... – Eu chamei, enquanto tentava entender minha cabeça. Ela estava girando e girando. Eu tentei me sentar, mas meus músculos pareciam gelatina e tudo o que eu pude fazer, foi me deitar de novo, enquanto Carlisle corria para pegar sua maleta de primeiro socorros.
Minha cabeça doía horrivelmente, e eu fechei bem minhas pálpebras, esperando o momento em que Edward entraria no quarto.
Mas ele não entrou.
- Bella... – Carlisle sussurrou se sentando ao meu lado na cama. – Você vai ter que tomar alguns remédios agora.
- Não! – Eu gemi. – Onde está Edward? Onde?
- Depois nós falamos sobre isso, querida. – Ele deu um suspiro, e me lançou uma olhar triste, enquanto me dava um comprimido para engolir com água.
- Por favor... – Eu pedi, enquanto minha visão começava a se embaçar. Eu sentia o suor em minha pele, e estava com frio. Tanto frio, que meu corpo tremia e tremia, sem parar. – Eu quero... Ver Edward.
- Ele não está aqui. – Esme murmurou da porta do quarto, com seu rosto suave, contorcido em saudades. – Ele foi embora, Bella. Voltou para a França. Ele recebeu uma proposta irrecusável e...
- Esme! – Carlisle a repreendeu, enquanto eu sentia meus olhos se encherem de lágrimas. – Não se preocupe, Bella. Vai ficar tudo bem, você vai ver.
Então, minha visão foi se escurecendo. E eu não pensei em mais nada. Nada.
Quando a minha consciência voltou, já era madrugada.
Eu me virei na cama, e percebi que havia alguém comigo no quarto.
- Bella? – Alice falou suavemente, enquanto se sentava ao meu lado.
- O que aconteceu? – Eu perguntei, e percebi que minha voz estava rouca. Muito rouca.
- Você está gripada. Só isso. – Ela deu um sorrisinho triste, e passou as mãos por meus cabelos.
Eu fechei os olhos, e então todas as lembranças voltaram como um jato para minha mente.
- EDWARD! – Eu gritei, e tentei me levantar. Huh. Não deu muito certo porque no instante seguinte, eu caí na cama de novo. Argh. Eu não tinha nenhuma força.
- Bella... – Alice começou suavemente. – Edward voltou para França. Ele... Conseguiu uma bolsa de estudo na melhor faculdade de lá. Era uma proposta irrecusável e...
- Foi por causa do que eu falei, não foi? – Oh droga, como eu era idiota.
- Você não deve se culpar. – Alice disse. Ela me abraçou forte, enquanto eu começava a chorar.
Own. Eu estava chorando muito por esses dias.
- Eu... Eu... Não queria ter dito tudo aquilo! – Eu solucei. – Eu o amo! Eu não quero ficar sem ele!
AAAH. Por que eu tinha que ser tão... Idiota!?
- Ele foi... Ér... Sozinho? – Perguntei cautelosa, enquanto me soltava dela.
- Você quer saber se a Lyra foi com ele? – Ela fez uma careta. – Óbvio que não. E já que você o ama, você deveria parar com essas perguntas.
Eu fiz uma cara culpada, e me cobri com as cobertas que estavam na cama.
Depois eu me virei de lado... E suspirei.
Se Edward realmente me amasse... Ele teria demonstrado, não é? Ele não teria só sexo comigo. Ele faria... Algo para mim, que não fosse tão carnal.
Então, porque diabos, eu ainda colocava a culpa em mim?
Era ele quem não me queria. Ele apenas... Queria diversão por um verão.
E quando a brecha apareceu, ele foi embora.
Então ele havia me deixado aqui, despedaçada. Como uma morta viva, machucada. Sangrando por dentro, como se o próprio diabo houvesse me batido.
Urc. Por que comigo? Por que?
