Capítulo 21: Reconstituição de cena

Severus viu-se entrando na casa dos supostos tios de Potter. Os tipos em geral não lhe tomaram em conta, mais que para lhe advertir que não se lhe ocorresse fazer magia (ou coisa de fenômenos, segundo Vernon Dursley) dentro das paredes de seu digno lar.

Harry não os tinha tomado em conta e assim que pôde se escapuliu ao que parecia ser seu quarto.

Severus passou cerca de quinze segundos, olhando através da alcova. O lugar não tinha muito que se apreciar. A cama junto à parede e um velho guarda-roupa que quase se caía por si mesmo. O chão crucia e as cortinas da janela não eram mais que finas teias por onde seguramente entrava o frio em inverno.

Viu como o gordo primo de Potter, entrava na habitação e ameaçava a Harry, mas só se bateram a duelo verbal, do que obviamente saiu vencedor o adolescente obeso, que terminou por empurrar a Potter e deixar no chão.

Passeou-se por outros passos da memória de Potter e viu com repulsão como tratavam ao garoto. Nunca se imaginou que algo assim poderia passar ao filho de seu amo. Tratavam-no pior que a um elfo domestico, e isso já era dizer muito.

Chegou à cena que parecia ser a última na memória do rapaz.

Os adultos da casa despediram-se de seu filho e a Potter mandaram-lhe uma mirada fria e com a clara advertência de que não fizesse nada indevido.

Que poderia fazer, se com sorte se alimentava a diário?

Uns minutos mais tarde, os amigos do primo chegaram à casa e escutou como se acercavam à habitação.

A porta se abriu de repente e por ela entraram quatro adolescentes. Nenhum deles lhe deu boa espinha. Não eram mais que um montão de matões que se pareciam guiar pelo primo de Potter.

— Que quer agora, Dudley? —Severus viu como se parava com parcimônia, tratando de mostrar incomodo, do qual não estava muito seguro que sentisse. —Disse que não te molestaria em nada. Que nem sequer notaria minha presença.

—Bem. Pois resulta que me importo muito pouco o que você tenha por dizer. —O tipo realmente parecia ter más intenções, mais que nada quando se apartou da entrada, deixando passar aos outros três adolescentes. — Recorda o que me fez no ano passado?

—Dudley, eu não te fiz nada a você. —parecia que o pânico começava ao consumir, pelo menos isso foi o que sentiu em suas palavras.

—Desafiaste a meus pais ao ir a esse lugar de novo. —Disse-lhe altaneiro.

—Tenho que estudar, idiota. —Isso lhe conseguiu sacar um sorriso de lado a Severus. Parecia que o espírito Gryffindor de Potter, por fim saía a flutue.

—Sabe ao que me refiro, fenômeno.

Severus viu como começavam a acurrala-lo aos poucos. Eram quatro contra, uma clara desvantagem e bem mais quando iam armados. Viu na habitação, tratando de ver onde demônios deixou Potter sua varinha e a encontrou sobressaindo por embaixo da almofada.

—Deixem-me em paz.

Severus se volteou novamente para ver como dois dos tipos o sujeitavam, um de cada lado.

—Passa-me a navalha. —Pediu o primo de Potter, e como era óbvio, o outro tipo que portava a arma, lhe entrego quase com honra.

O adolescente torpe balançava a faca de um lado ao outro, mostrando-lhe a Potter e passando-lhe de mão em mãos, como se estivesse mostrando grandes habilidades. Nada mais patético.

Viu como o terror se apoderava da cara do jovem mago, enquanto olhava ao redor algo com que se defender, sem deixar nunca de se mover, tratando de se sacar do agarre do idiota.

— Potter! —Gritou Severus.

Ainda sabendo que era inútil lhe advertir, não pôde, mas que gritar para chamar a atenção do garoto.

O gordo tinha-lhe rasgado a pele através da roupa e ao tratar de afastar-se, o quarto garoto na habitação, enterrou lhe a faca pelo lado.

Viu como parecia perder a consciência por um instante e como tratava de se tirar o punhal, parecia doer mais que o ter incrustado, por que seus olhos se abriram ante a agonia.

Os idiotas só se riam de sua desgraça.

Viu como se esticava e conseguia atingir a jaula, que rodou pelo solo e se abriu para libertar à ave de Potter.

— Vê por ajuda, Hedwig! Traz a alguém!

A emplumada pareceu entender perfeitamente, porque saiu rápida pela janela e perdeu-se na distância.

— Que fez, merda?

O primo de Potter parecia ainda mais furioso que antes. Acercou-se em um par de mancadas e sustentou-o do cabelo, para depois levantá-lo e ter a um palmo de distância, só para terminar lhe dando um forte golpe na cara que o lançou pelo solo, até chocar com a parede.

Potter tratava infrutiferamente de pôr-se de pé, mas nunca soltava sua sangrenta ferida.

—Potter, Potter, Potter. — Lhe cantarolou enquanto deixava-se cair sobre a cama e apoiava-se com as mãos nos joelhos. — Não sabe talvez, que não sairá bem livrado desta?

Os fedelhos ao redor riam-se ante as palavras do que parecia ser seu líder.

O gordo olhou-lhes com seriedade e moveu-lhes a cabeça em direção a Potter.

Um dos tipos de fez tronar seus dedos, enquanto se acercava quase a saltos até onde se encontrava Potter.

Severus, sem poder fazer nada, viu como lhe pateavam contra a parede, lhe golpeando por onde pudessem. O joelho de Potter soou de maneira seca ao fraturar quando lhe calcaram com força. Retorcia-se quando lhe golpeavam as genitais e o estomago, mas não atingia a se recuperar quando uma nova chuva de golpes lhe chegava na cara e o peito.

Os gritos de Potter enchiam o ambiente, mas os adolescentes pareciam animais sedentos de sangue, pareciam desfrutar o dana-lo e punham mais ênfases em seus golpes.

O primo de Potter parecia ser o que, mas desfrutava. Severus notou que se movia em seu posto e com horror viu como em um momento, uma de suas mãos viajou a sua entreperna. O doente parecia excitar-se com a dor de Potter. Acariciava-se e gemia.

Severus não queria seguir olhando, mas tinha que saber que mais passou nessa habitação.

Em um momento, um dos garotos tomou novamente o punhal e o fincou no peito do mago.

Severus supôs que essa era a ferida que esteve a um passo do matar, mas que por milímetros não chegou a seu objetivo.

O quarto começou a tremer. As paredes vibravam e as coisas que tinha dentro do guarda-roupa, se saíram de seu refúgio, para cair espalhadas pelo solo.

Os adolescentes pareciam não se dar conta do que passava a sua ao redor, por que no gordo seguia na cama, masturbando-se ante a cruenta imagem. E os outros três agora se divertiam arrastando a Potter até o centro da habitação.

Viu como o que tinha enterrado a faca se tirava a camisa e a arrojava a um lado.

— Deixa-me tomá-lo, Dudley? —Perguntou-lhe enquanto começava a desabrochar-se a calça.

—Todo seu. —lhe respondeu o gordo, sem deixar de olhar nem se acariciar.

Severus não queria pensar nesse momento. Não sabia até que ponto tinha chegado o ataque, mas a ideia de ver como violavam a Potter e não poder fazer nada, lhe retorcia o estomago.

O adolescente foi a desabrochar a calça de Harry, mas a mão do ferido tomou com força seu pulso.

Severus viu como os olhos de Potter começavam a mudar de cor. Passeavam-se por todas as cores, como se fossem tornassol. Até que ficaram completamente negros.

Viu-o inclinar a cabeça para um lado e como com a mão livre, apontava para a porta e esta se travava, fazendo o mesmo com a janela.

Os adolescentes luziam aterrorizados. O gordo tinha-se posto de pé e corrido para a porta, mas nada podia fazer ante a magia natural de Potter.

Harry pôs-se de pé. Ao que parece, a dor das feridas era-lhe indiferente. Olhou ao tipo que ainda tinha seu membro afora, e que agora caía flácido entre suas pernas.

Severus presencio a caseira mais brutal que jamais tenha imaginado, nem sequer estando tantos anos ao serviço de Lord Voldemort.

Eles normalmente chegavam e matavam a base de maldições ou torturas, mas nunca nada como o que via agora.

Potter sustentava ao tipo pelo pescoço, levantando-o uns centímetros do solo, pese a sua enorme diferença de porte, já que claramente, Potter era o mais baixo na habitação.

Viu-lhe olhar sem nenhuma expressão e como tomava o membro do garoto com a mão livre e de um sozinho golpe o avariava e depois o arrancava.

Os gritos de horror dos demais e o de dor do garoto, encheram a habitação.

— Querias meter-me isto?

Essa voz não era a de Potter, Severus estava seguro disso. Era mas fria e rouca. Não como a suave e cristalina que normalmente tinha.

Viu como pese à dor de ser castrado, o garoto não perdeu o conhecimento. E por um momento, quis que o garoto se desmaiasse ou morresse rapidamente.

Harry, ainda com o pênis do tipo na mão, lhe meteu ao garoto na boca, o afogando com seu próprio falo ensanguentado. Depois, pôs a mão no estomago do tipo e sussurrou o que pareceu ser um Bombarda.

Severus entendeu por que as viseiras do garoto estavam na parede quando chegou a buscar a Harry. Tinha feito explodir ao adolescente e depois disso, atirou o corpo a um lado, como se não tivesse acabado do matar a sangue frio.

Os outros três se lotavam contra a porta, arranhando-a, golpeando-a, atirando da tranca.

Harry acercou-se lhes e um por um pareceu jogar com eles. Nunca mudou sua expressão. Pelo menos, não até que seu primo viu a varinha na cama e se arrastou até ela, deixando uma impressão de sangue em seu caminho. Tomou-a e apontou a Harry com ela, como esperando conseguir fazer magia.

— Afasta-se, monstro!

Harry parecia não lhe importar o que dissesse Dursley, por que se acercou quase em um segundo e lhe sujeitou do pescoço.

— Gostaste de ver-me sofrer, primo? —Sua voz parecia voltar a ser a dele, mas sua mirada não mudou — Que sentiu? —Severus viu como agarrava o pacote de seu primo. Pensou que quiçá faria o mesmo que com o outro tipo.

— Não me toque!

O gordo aterrorizou-se e com força rompeu a varinha de Harry.

Potter soltou ao adolescente, deixando-o cair ao chão como um costal e seu corpo começou a brilhar. Uma onda expansiva saiu de seu corpo, removendo todos os alicerces da casa.

Severus viu-se arrojado à realidade. Seguramente Harry tinha-se desmaiado nesse momento e por isso foi expulso de sua mente.

Sentia um ódio tremendo pelos muggle.

Tinha a necessidade de matar e cobrar vingança pelo menino que dormia na cama, mas sabia que o Lord quereria ter esse privilégio. Ou como ele mesmo disse na casa dos Dursley, esse "privilégio" o teria Potter.

Acercou-se à cama novamente e por instinto acaricio a bochecha do adolescente.

—Já tem sofrido demasiado. Não é bom que recorde algo que não é.

Apontou com sua varinha e depois de vários minutos terminou seu trabalho.

Tinha apagado as lembranças do Harry psicopata e assassino, deixando-os somente até quando quase perdia a consciência no meio dos golpes e quando esteve a ponto de ser violado. Pensou por um momento em apagar também essa lembrança, mas isso lhe demonstraria o besta que eram os muggle. Seria uma lição a futuro para ele.

Ao terminar de modificá-los, tomou sua própria varinha e apontou a sua cabeça extraindo suas lembranças e encerrando-os em um tubo de ensaio. Essas lembranças iriam cair a mãos do Lord.

Agora o importante era fazer voltar a Harry, sanar suas feridas e os treinar.

- Nunca mais sofrerá algo assim. Prometo-o. —lhe sussurrou ao ouvido e depois de fornecer-lhe um calmante saiu da habitação.

Caminhou com tranquilidade, analisando seus últimos momentos, até que terminou se apoiando em uma das paredes e sem poder o evitar, vomitou todo o conteúdo de seus estomago.

Não sentiu quando uns passos se acercaram e não viu quando o grande charco no chão foi eliminado, só se deu conta de que não estava só, quando um feitiço lhe envolveu e se sentiu limpo de novo.

— Que foi o que passou?

Severus reconheceu a voz de seu amo, mas não foi capaz de voltear ao ver. Ajoelhou-se em frente a ele, sem levantar a mirada em nenhum momento, e lhe tendeu o tubo de ensaio.

—Ingressei na mente de seu filho, meu Lord. —Disse-lhe ao tempo em que sentia suas mãos livre do cristal.

— Isto é o que passou?

Severus conseguiu levantar a mirada e o Lord reconheceu a raiva em seus olhos. A fúria que lhe envolvia quando se uniu a suas filas pela primeira vez. Gosta dessa expressão, mas aterrorizou lhe o conteúdo do frasco.

Não precisou respostas, simplesmente caminhou em direção a seu despacho e deixou cair o conteúdo em um penseira localizado no meio da habitação.

Severus viu desde a porta como se submergia e como, depois de uns minutos, emergia dele para apoiar com as mãos na orla do instrumento mágico.

Podia sentir a magia revoltear pelo lugar. Como as coisas começavam a estalar e em um momento Lucius, Black e Lupin estavam a seu lado.

— Quero-os a todos mortos! —Gritou com fúria.

Severus ajoelhou-se em frente a Lord e sabia que Lucius faria o mesmo, mas o que lhe estranhou, foi ver que Lupin e Black também o faziam. Seguramente o Lord tinha-lhes demonstrado que se eram comensais, mas é esse momento, o mais importante era não ser receptor da força do Lord.

- Quero que vão por eles e os tragam a mim!

O Lord saiu da sala e encaminhou-se à habitação de Harry, mas dantes de chegar viu que Severus lhe seguia.

—Meu senhor, devo comunicar-lhe algo. —lhe falou com respeito.

—Fala, Severus. —Disse-lhe olhando-o e detendo seus passos.

—Tomei-me a liberdade de apagar as últimas lembranças de Potter. Não acho que seja conveniente para sua saúde mental, ver no que se esta convertendo tão inesperadamente.

— Desde onde apagaste? —Disse-lhe sério, cruzando seus braços em frente a seu peito.

—Desde que sua magia de descontrolou. Todo o anterior este intacto.

—Bem. Isso lhe enchesse de rancor e será mais fácil para ele se encher de ódio contra essas asquerosas bicharada.

Severus inclinou a cabeça e regressou sobre seus passos. Tinha deixado aos outros três no despacho, vendo suas lembranças.

Lupin disse-lhe que o Lord tinha o penseira aí, por que lhe tinha mostrado suas lembranças. O como lhe serviam quando recém saíram de Hogwarts e como foi que se levou a cabo o nascimento de Harry. Agora lhe tocava a ele o ver, mas não o faria. Creria sem ver. Se encheria de ódio como disse o Lord e protegeria a esse menino a costa de sua própria existência.

Continuará…

Nota tradutor:

Creio meu caro Severus que devia proteger ate de si mesmo... não vá ser que Potter recupere aquele momento louco :p

Ate breve!