N.A. - Sei perfeitamente quanto tempo faz desde que atualizei pela última vez, não preciso que me lembrem disso. Caso não saibam, eu demoro para postar capítulos novos mesmo. Principalmente quando esta no final.

Consolem-se que é o caso desta história e o capítulo esta maior do que o normal, ok? :D

Espero que gostem, apesar a demora para o capítulo novo.

Beijos a quem ainda acompanha.



Just Hold Me

Capítulo 21

Sesshoumaru parou na varanda ao ouvir os acordes da música que vinha do interior da casa. Lançou um olhar para a casa vizinha e depois para o número da casa a sua frente, pensando o que estava acontecendo ali. Baixou a cabeça, levantando o braço para checar o relógio. Bateu no vidro do relógio e balançou o braço para se certificar que apenas uma hora havia se passado desde que saíra para levar a tia até a casa de Kagura.

- Hey Hey, you you. I don't like your girlfriend!

Ele levantou a cabeça ao ouvir uma voz se juntar a da cantora. Aquela era Akai? Balançou a cabeça, rindo de si próprio. Estava imaginando coisas, Akai odiava esse tipo de música. Avril Lavigne parecia fazer muito mais o gênero de...

- No way. No way. I think you need a new one!

- Ryo e Kagura... – Ele murmurou, franzindo o cenho para a porta ainda fechada. – Ótimo. Isso definitivamente era tudo o que eu precisava para encerrar esse... – Parou de falar quando a porta se abriu.

- Hey hey. I could be your girlfriend! – Jakotsu se juntou ao coro e sorriu ao vê-lo parado ali. – Sexy! Por que está parado aí?

- O que está acontecendo aqui?

- Não fique ai parado, homem! – Jakotsu riu, agarrando seu braço e puxando-o para dentro. – Eu disse que tinha ouvido um carro parando aqui.

- Sexy! – Ryo, usando uma longa peruca ruiva, pulou para o chão e correu em sua direção. – Estávamos pensando que você tinha fugido e abandonado Akai novamente.

- Eu não... – O rapaz a encarou, chocado demais com suas palavras, para desviar quando ela o abraçou. – Vocês beberam?

- Estamos comemorando. – A voz de Kagura chamou sua atenção e ele a fitou sem saber o que dizer. - Por que demorou tanto?

- O que esta fazendo aqui? – Ele perguntou, tentando se livrar de Ryo que continuava abraçada a ele, pulando ao som da música. – Acabei de deixar tia Arashi no seu apartamento.

- Preciso mesmo responder essa pergunta? – Kagura sorriu, inclinando-se para pegar o copo de vinho. – Por que só vocês podem se divertir?

- Eu não estou me divertindo. – Ele disse, lançando um olhar reprovador para Ryo que agarrara seus braços e tentava fazê-lo pular com ela. – Será que você pode parar com isso? – Ryo lhe mostrou a língua e se afastou. – E alguém pode abaixar essa música horrível?

- Não seja chato, Sexy. – Jakotsu riu, dançando com Ryo.

- Por que você as deixou beber desse jeito?

- Ei, três contra um. – Jakotsu suspirou. – Acha mesmo que eu tinha alguma chance?

- Você ao menos tentou? – Segurou Ryo longe de si quando a garota tentou pular em sua direção novamente. – O que e quanto ela bebeu? – Suspirou – Faça o favor de mantê-la longe de mim.

- Você é tão mau! – Ryo choramingou. – É por isso que perdeu Akai.

- Não digo que o mesmo se aplica a você porque o idiota do seu namorado tarado não tem um padrão muito alto.

Ryo piscou, soprando a franja da peruca que teimosamente cobria seus olhos antes de encarar Jakotsu.

- Tenho a impressão de que ele me ofendeu.

- Está certa, querida. – Jakotsu sorriu. – Está ficando mais esperta a cada dia.

- Onde está Akai?

Jakotsu fez um sinal com a cabeça para o outro rapaz que virou a tempo de segurar a garota loira que pulou em sua direção.

- O que diabo... Akai?

- Sexy! – A garota passou os braços em torno de seu pescoço – Preciso dizer algo muito importante.

-... – Sesshoumaru a fitou chocado por ela usar aquele odioso apelido, mas continuou segurando-a contra seu corpo para impedi-la de cair. – O que?

- É um segredo, venha cá.

- Eu não acho que é possível me aproximar mais.

- Hum... – Ela pareceu considerar o que ele dizia antes de sorrir – Acho que você está certo.

- Eu estou certo.

- Ah, tudo bem. – Ela deu de ombros.

- E o que queria dizer?

- Ah! – Akai riu, aproximando o rosto do dele. – Promete não contar a ninguém?

- Claro... – Sesshoumaru lançou um olhar para as outras pessoas da sala que prestavam atenção a conversa do casal. Alguém havia até mesmo desligado o aparelho de som. Sem dúvida Kagura. – Pode falar.

- Eu... – A garota fez uma pausa e franziu o cenho, parecendo ter esquecido o que ia dizer. – Eu...

Sesshoumaru esperou, tentando ignorar como Ryo e Jakotsu haviam se inclinado em sua direção para ouvir melhor as palavras ligeiramente enroladas de Akai, sem poder negar sua curiosidade.

- Você? – Tentou encorajá-la.

- Eu realmente odeio sua tia!

oOoOoO Flashback do dia anterior – Sábado OoOoOo

Akai entrou na cozinha apressada; ainda estava com sono, mas não conseguia mais permanecer no mesmo quarto que Jakotsu. Chamou o cachorro e pegou a ração para colocar no pote, acariciando sua cabeça antes de se levantar.

Não havia dormido muito bem na noite anterior. Depois de Jakotsu convencê-la que não havia nada errado com Sesshoumaru, permanecera na sala sozinha, olhando para a TV desligada, tentando entender qual era a grande piada entre os dois que havia provocado aquela reação em Sesshoumaru.

- Não é cedo demais para estar acordada em um sábado?

A garota girou, fitando o rapaz que acabara de entrar no cômodo com curiosidade.

- Você esta bem?

- Perfeitamente. – Sesshoumaru dirigiu-se a cafeteira e serviu-se. – Você devia dar uma volta com ele antes de alimentá-lo.

- Hum?

- Não é bom dar comida para um filhote que já está cheio de energia antes que ele faça algum exercício. – Ele respondeu calmamente, sentando-se à mesa.

- Não temos tempo de andar com ele pela manhã durante a semana. – Ela respondeu, ainda parada ao lado do pote de ração que Sess-chan devorava vorazmente. – Não acho que mudar isso durante dois dias faça alguma diferença.

- Não pioraria a situação. – Sesshoumaru deu de ombros, tomando um gole da bebida fumegante.

- Não é da sua conta como cuido do meu cachorro. – Akai desviou os olhos quando ele finalmente a fitou, sem conseguir entender a razão de ter se irritado por ele fazer aquela leve critica. – Vou sair. Preciso fazer compras.

- Certo.

Ela parou na porta da cozinha e fechou os olhos. Na verdade sabia o que a estava irritando. Por que continuava a deixá-lo entrar e sair de sua vida? Por que continuava a se importar? E com que direito ele havia contado a família sobre eles se a havia abandonado por um ano?

- Quer dinheiro?

- Não. Eu não quero dinheiro. – Disse entre dentes. Respirou fundo. – Quanto tempo vai ficar aqui?

- Uma semana... – Sesshoumaru fez uma pausa para pensar. – Não sei quanto tempo exatamente Tia Arashi pretende ficar na cidade.

Akai arqueou uma sobrancelha e virou-se em sua direção.

- Uma semana?

- Sim. – Sesshoumaru depositou a xícara sobre a mesa lentamente. – Algum problema?

- Você... – Ela parou e respirou fundo novamente, tentando controlar a raiva. – Você espera que eu mude minha vida por sua causa novamente?

- Mudar sua vida?

- Imagino que ela pense que nós temos algum relacionamento.

- Bem... Sim?! – Sesshoumaru respondeu calmamente, sem parecer perceber onde ela queria chegar com aquilo.

- Não é verdade. – Akai disse com a voz dura, apertando as mãos contra o corpo para não ceder a tentação de apanhar o objeto mais próximo e jogá-lo na cabeça do rapaz. – Então, você espera que eu faça Jakotsu mentir... Que minta para uma bondosa velhinha apenas... – Ela parou de falar quando ele riu. – O que foi?

- Chamar Tia Arashi de bondosa velhinha prova que você não a conhece. – Sesshoumaru tomou outro gole de café antes de continuar. – Jakotsu é uma pessoa bondosa perto dela.

- Jakotsu é uma pessoa bondosa!

- Certo. – Sesshoumaru disse sem esconder o sarcasmo. - Ele apenas faz tudo para me provocar porque me odeia.

- Você pode culpá-lo por isso?

Sesshoumaru baixou a xícara novamente e a fitou sério.

- Não. Não posso.

A maneira como as palavras soaram, acompanhadas do olhar que ele lhe lançou foi o bastante para desarmá-la. Uma parte sua gritava para que ela fizesse ele explicar aquela declaração, mas ela era covarde demais para isso.

- Por que você simplesmente não conta a verdade para ela?

- Qual é a verdade, Akai?

A garota piscou, confusa por um momento. Desviou os olhos dos dele quando Sess-chan parou a sua frente e tocou suas pernas com o focinho gelado.

- Que eu não esperei por você. – Ela disse, forçando-se a permanecer fitando o cachorro. Sua voz enfraqueceu e as palavras soavam como mentira até para ela mesma. - Que eu tenho outro namorado agora.

O silencio que se seguiu foi desconfortável, fazendo com que não fugir correndo da cozinha fosse um grande desafio. Tentou se concentrar no cachorro que a olhava com aqueles grandes olhos esperançosos, apenas erguendo a cabeça quando ouviu o barulho da cadeira sendo afastada. Sesshoumaru se aproximou rápido, parando a sua frente. Ela se viu forçada a erguer mais a cabeça para continuar fitando seus olhos.

- Essa é a verdade?

- Bom... – Ela conseguiu falar depois de alguns segundos. – Ele esta aqui e você não.

- Estou aqui agora.

- Só porque é covarde demais para dizer a verdade a uma velha.

Sesshoumaru sorriu novamente e por alguns minutos ela pensou que ele fosse ter outro ataque de riso.

- Sim, sou um covarde, não sou? – Ele finalmente se afastou – Mas não é para minha adorável tia que tenho que dizer a verdade.

- Eu não... – Akai parou de falar ao ouvir o som da campainha e suspirou. Sess-chan correu na direção da porta e parte sua disse que ela devia aproveitar a chance e fazer o mesmo, mas ela simplesmente não conseguia. – Explique.

- O que exatamente você espera de mim?

'Que você diga a verdade.' Akai pensou, mas balançou a cabeça para afastar tal pensamento.

- Por que acha que é um covarde? – Pelo olhar que ele lhe lançou, ela soube que não era aquela resposta que ele esperava.

- Você, acima de qualquer outra pessoa, deveria saber a resposta para essa pergunta, Akai.

- Eu não... – Ela fechou os olhos quando a campainha soou novamente e os latidos de Sess-chan se intensificaram. – Quem diabo vai a casa das pessoas a essa hora da manhã em um sábado?

- Talvez seja melhor atender.

- Não. – Ela disse categórica. – Quero uma resposta direta sua. Agora. – Virou a cabeça para a direção dos latidos e gritou. – Cale a boca, seu cachorro estúpido!

- Akai, talvez...

- Quero uma resposta agora!

- Você não respondeu minha pergunta, por que eu deveria responder a sua?

- Eu não... – Ela suspirou quando a campinha soou novamente, mais insistente. – Que pergunta?

- O que exatamente você espera de mim?

Akai o fitou em silencio, tentando imaginar que tipo de resposta ele queria.

- Não é uma pergunta tão difícil. – Ele deu de ombros e lhe deu as costas novamente. – Acho que não sou o único covarde aqui.

A campainha soou novamente, e dessa vez ela quase se virou para atendê-la. Seria tão fácil fugir. Os passos de Jakotsu no andar de cima a fizeram mudar de idéia. Pode ouvi-lo resmungar enquanto descia as escadas e isso a fez dar um passo na direção de Sesshoumaru. Ergueu a mão para tocá-lo, mas ele se virou antes que ela pudesse completar o gesto. Apressou-se a baixar a mão, mas deixou que seus olhos encontrassem os dourados.

- O que você quer que eu diga, Sesshoumaru? – Ao contrário do que esperava, sua voz não falhou. As palavras soaram totalmente claras e, pela primeira vez, verdadeiras. – Eu disse que ficaria ao seu lado, abandonaria tudo para segui-lo... E o que você fez?

- Eu estava errado.

- Obrigada por demorar quase dois anos para perceber esse pequeno detalhe.

Akai continuou a fitá-lo, esperando que ele continuasse. Percebeu o exato momento em que ele abriu a boca para responder e quando algo as suas costas chamou sua atenção, fazendo-o mudar de idéia.

- Sua tia está aqui, Sexy.

A garota quase riu do ridículo da situação. A única pessoa que pensava que eles ainda tinham um relacionamento estava ali, interrompendo a primeira conversa real que eles tinham em dois anos. E Jakotsu estava agindo como sempre e confirmando as suspeitas da mulher de que eles eram loucos.

Não que fosse necessário muita coisa depois dela ter ignorado a campainha e gritado com o cachorro ao invés de atendê-la.

- Continuamos depois. – Ela respirou fundo, tentando se recompor antes de virar-se para a mulher em questão. A figura altiva, tão parecida com ele que facilmente passaria por sua mãe, que encontrou parada logo atrás de Jakotsu, nada parecia com o que ela esperava da Tia avó de Sesshoumaru. – Bom dia, senhora, desculpe-me por—

- Se você vai fingir que não está em casa, da próxima vez tente não gritar com seu cachorro.

Akai piscou com a animosidade presente na voz feminina.

- Desculpe-me, nós estávamos... – Ela parou de falar quando a mulher a ignorou, passando por ela e aproximando-se de Sesshoumaru. Akai simplesmente girou para acompanhá-la e arregalou os olhos quando a mulher idosa ergueu o braço e acertou a cabeça de Sesshoumaru.

- Achei que tivesse lhe dado mais educação, rapaz. – Os olhos dourados, iguais aos de Sesshoumaru estavam estreitados. A irritação da mulher era palpável. Assim como ele, Tia Arashi não parecia estar acostumada a ser contrariada ou ignorada. – Qual o seu problema?

- Sinto muito, Tia.

Akai abriu a boca, um pouco espantada por ele não apresentar qualquer reação. Principalmente depois de ser atingido pela mulher. Apressou-se a esconder tal reação e quase chutou Jakotsu quando o ouviu rir a seu lado, chamando a atenção dos outros.

- Do que esta rindo, mocinha?

Akai arregalou os olhos, voltando a fitar a mulher.

- Eu não—

- Você não. Ela... Espere. – Arashi parou de falar e aproximou-se dos dois, ignorando o alivio do sobrinho com seu movimento. – Você não é uma garota. Por que demônios esta usando batom?

Akai fechou os olhos, sentindo o corpo amolecer. Sess-chan escolheu aquele momento para entrar correndo na cozinha e atingir suas pernas com toda a força, fazendo-a perder o equilíbrio. A ultima coisa que viu foi três pares de olhos fitando-a espantados antes de cair de costas no chão.

- Akai?

- Akai, você está bem?

Duas vozes masculinas chamaram seu nome e enquanto ela lutava para se livrar do peso do cachorro sobre seu corpo, tudo que ela pode pensar foi que o dia já parecia um completo desastre e nem havia conseguido tomar seu café da manhã.

oOoOoOoOoOo

Oito horas depois Akai percebeu o quanto podia se enganar.

Arashi, a Tia de Sesshoumaru, não apenas não havia feito nada para ajudá-la durante o pequeno incidente na cozinha, como gastara o resto das horas que separavam aquele momento especifico daquele dia desastroso até a hora do almoço entrando em todos os cômodos e apontando todos os erros que ela obviamente cometera ao decorar a casa. Sua casa. Esse era um detalhe que a mulher simplesmente não conseguia entender. Se ela quisesse podia pintar todas as paredes de verde limão sem dar satisfação para ninguém.

Não que ela pretendesse fazer isso, claro.

Estava tentando se manter afastada da mulher desde que ela entrara em seu quarto e encontrara aquele maldito livro felpudo rosa que Ryo chamara de diário, - e que ela estupidamente insistia em usar – em cima de sua cômoda. Nos segundos em que ela percebera o que a mulher tinha nas mãos e em um ataque de idiotice aguda, saltara sobre ela para arrancar seu precioso diário de suas mãos, ela não percebera um detalhe importante.

Como diabo aquela maldita coisa voltara a aparecer magicamente?

Claro que ela estava muito ocupada tentando esconder o diário e não responder as provocações da mulher, que deixara bem claro o quanto a achava inadequada para seu precioso sobrinho. Não tanto quanto a garota que InuYasha estava perseguindo.

Por alguma razão Sesshoumaru pareceu entrar em pânico com essas palavras e Jakotsu resolveu abrir seu armário e mostrar todas as roupas que ela adorava. O miserável teve a audácia de sorrir sobre o ombro para Sesshoumaru, que pareceu estranhamente aliviado por sua Tia voltar a se ocupar a criticá-la.

Por alguns segundos chegou a agradecer aos deuses que eles não estivessem mais juntos. O que estava acontecendo ali afinal?

Aquele pequeno detalhe ficou atormentando seus pensamentos por mais que Jakotsu buscasse todos os seus pequenos defeitos para mostrar a idosa Tia de Sesshoumaru, que não parecia ser tão idosa quanto os dois a haviam feito pensar, e ironicamente parecia melhor do que ela mesma em qualquer dia da semana, e por conseqüência fizesse a mulher criticar cada coisa sua. O alivio que ela via em Sesshoumaru a cada vez que conseguiam interromper Arashi de falar sobre a garota que InuYasha estava perseguindo era o suficiente para deixá-la desconfiada.

E isso era exatamente o que ainda passava por sua cabeça quando Sesshoumaru entrou na casa depois de levar a Tia até o taxi que viera buscá-la. Quando a porta se fechou e ele entrou na sala, Jakotsu apressou-se a levantar, perguntando o queriam comer já que ela não fizera compras. Em qualquer outra noite ela teria se deixado levar pelas reclamações de Jakotsu e apenas ignorado Sesshoumaru por submetê-la a tortura de suportar sua tia, mas não dessa vez.

Akai levantou-se lentamente, quase empurrando Jakotsu para fazê-lo sair de sua frente, ergueu o rosto para fitar Sesshoumaru e cruzou os braços na frente do peito.

- Quem vai me explicar quem diabo é a garota que seu estúpido irmão está perseguindo e que é tão melhor do que eu?

oOoOoO Manhã de Domingo OoOoOo

Akai ergueu a cabeça lentamente quando Sesshoumaru entrou na cozinha. Ele soube que estava encrencado no instante em que percebeu que os dois estavam sozinhos. Deveria ter pensado que Jakotsu não levantaria tão cedo em um domingo e esperado para descer.

'Ou simplesmente saído de casa sem café da manhã.'

- Bom dia, Akai.

- Pensei que fosse sair sorrateiramente. – A garota respondeu, tomando um gole de seu café.

Sesshoumaru engoliu a resposta que lhe veio a mente, dizendo simplesmente enquanto se servia de café:

- Não posso fugir de Tia Arashi.

- Não estou falando de sua Tia. – Akai sorriu, pegando um pedaço de bolo e colocando na boca.

Sesshoumaru sentou-se a sua frente, observando-a por alguns segundos, imaginando se conseguiria usar a mesma tática de Jakotsu contra ela. Claro que isso a irritaria se funcionasse, mas não era como se Akai já não estivesse irritada com ele.

- Não acha que deveria maneirar nos doces? – Perguntou calmamente, tomando um gole de café. Observou-a arregalar os olhos e encarar o pedaço de bolo antes de estreitar os olhos em sua direção.

- O que isso quer dizer exatamente?

- Que você engordou?!

Sesshoumaru soube que tinha funcionado quando ela atirou o restante do pedaço de bolo em sua direção.

- Eu não engordei!

- Talvez deva levar o cachorro para passear. – Ele tomou um gole de café tranquilamente, depois de limpar os farelos de bolo de sua camisa que Sess-chan se apressou a comer do chão. – Assim os dois podem gastar um pouco de energia.

- Agora está dizendo que meu cachorro está gordo também??

- Não, o cachorro só tem energia demais para gastar.

Akai o encarou irritada por alguns minutos antes de levantar de um pulo e pegar a coleira do cachorro. Eles a observou endireitam-la no animal, que parecia dividido entre sair e continuar ali esperando ganhar mais doces.

- Eu realmente o odeio. – A garota disse irritada antes de sair da cozinha com Sess-chan.

Sesshoumaru sorriu quando ouviu a porta da frente bater e continuou tomando seu café.

Jakotsu apareceu alguns minutos depois e o fitou curioso antes de sentar no lugar que Akai ocupava até pouco tempo atrás.

- O que você fez agora?

- Nada.

- Por que Akai estava tentando arrancar a porta da frente?

- Ela pode ter se irritado com um comentário que fiz e resolveu levar o cachorro para dar uma volta.

- E qual seria ele?

- Você não quer saber.

Jakotsu suspirou, pegando um pedaço de bolo.

- Vocês podiam ter a decência de esperar eu acordar para brigar. – Suspirou, uma expressão miserável no rosto. - Como se não fosse o bastante ter que dormir no chão, ainda sou acordado com alguém tentando derrubar uma das paredes.

- Por que dormiu no chão?

- Porque alguém está ocupando meu quarto. – Jakotsu mordeu o bolo e o fitou com um sorriso. – Pensei que tivéssemos passado da fase em que eu precisava mentir e irritá-lo o tempo todo. – Sesshoumaru franziu o cenho sem entender. – Se preferir posso fazê-la gritar essa noite. Talvez você se sinta mais em casa dessa forma.

- Passo. – Sesshoumaru terminou de tomar seu café de um só gole e levantou. – Vou fazer compras. É só o que tem naquela lista?

- Você está muito prestativo... – Jakotsu disse depois de terminar seu bolo. – Isso é estranho.

- É o mínimo que posso fazer já que vou ter que ficar aqui, não acha?

- Hum... – Jakotsu o observou pegar a lista de compras e sair da cozinha e o seguiu, observando-o pegar as chaves de cima da mesa de centro e só então percebeu. – Você está fugindo de Akai!

Sesshoumaru virou-se lentamente para encará-lo.

- Eu não fujo. De ninguém.

- Claro que foge. – Jakotsu se encostou no sofá e cruzou os braços sorrindo. – Não foi o que fez algumas semanas atrás quando pensou que tinha perdido para mim?

- Eu não...

- Vamos lá, Sexy, vai se sentir melhor se admitir.

Sesshoumaru estreitou os olhos tentando imaginar o que aconteceria se cedesse a tentação de matar Jakotsu.

- Não pode encostar em mim. – O outro rapaz disse, parecendo ler seus pensamentos. – Akai sentiria minha falta.

- E eu constantemente me pergunto a razão de alguém sentir sua falta. – Sesshoumaru respirou fundo antes de responder. – Eu apenas não sei o que responder se ela perguntar sobre Kagome novamente.

- Por que não diz a verdade?

- Claro, isso seria perfeito. O que acha que devo dizer? – Sesshoumaru apertou o molho de chaves com força – Akai, querida, sabe a garota que minha Tia não para de falar? Sim, aquela que você perguntou ontem... Então, ela é, ou melhor, foi, minha noiva.

- Não use o 'querida', fica meio gay. – Jakotsu piscou inocentemente quando o outro rapaz pareceu congelar com suas palavras. – O que foi?

- Você... – Sesshoumaru começou e parou, apertando as chaves com força novamente. – Você me chamou de gay?

- Não, eu disse que o 'Akai querida' soou meio gay.

Sesshoumaru balançou a cabeça, negando.

- Não, não. Você, você que não consegue ser purpurinado porque acabaria se desfazendo com o ar, disse que algo que eu disse soou gay?

- Purpurinado é uma palavra legal. Posso usar?

- Pare de tentar me distrair!

- Calma, Sexy, eu não disse que você é gay. Só que 'Akai querida' soa gay. Não use. – Jakotsu deixou os braços caírem ao lado do corpo e, ainda sorrindo, aproximou-se do outro rapaz. – Tente algo assim: Akai, preciso ser sincero com você. Eu te amo e não posso suportar que mais nada fique em nosso caminho.

- Isso é ainda mais gay.

Jakotsu o ignorou e continuou.

- Preciso confessar algo que vem me corroendo desde que voltei.

- Nada está me corroendo. – Sesshoumaru franziu o cenho enquanto o rapaz parava a sua frente.

- Nada teria me deixado mais feliz do que levá-la comigo como você queria, mas não podia deixá-la descobrir o que minha horrível, horrível, horrível família estava tramando. Eles queriam que eu me casasse com uma estranha!

- Agora você parece estar declamando uma cena de novela... – Sesshoumaru suspirou balançando a cabeça. – E eu não sabia a parte da noiva até dois meses depois de estar trabalhando lá.

- Mas está tudo terminado. Eu coloquei meu estúpido e fofo irmão...

- Eu NUNCA chamaria InuYasha de fofo!

- Atrás de minha ex-futura noiva e voltei. Claro que eu não esperava encontrar você com aquele gostosão do Jakotsu vivendo em pecado, mas... – Jakotsu parou de falar quando Sesshoumaru o empurrou. – Ei, não terminei ainda.

- Por que diabo estava agarrando meu braço? – Sesshoumaru o fitou irritado. – E por que acha que eu usaria as palavras fofo e gostosão? – Deu as costas a Jakotsu e pegou a maçaneta girando-a. – Tem sorte de empurrar ser tudo o que eu faça com você... – Ele parou de falar quando encontrou Akai parada com Sess-chan do outro lado da porta. – A quanto tempo você está aí? – Conseguiu perguntar.

- Tempo suficiente. – Ela respondeu, colocando a coleira do cachorro em suas mãos e correndo para dentro da casa e escada acima.

Sesshoumaru fitou a escada até ela desaparecer e estremeceu quando ela fechou a porta do quarto com força.

- Espero que ela não tenha ouvido você dizendo 'Akai querida'. – Jakotsu disse, fechando a porta e pegando a coleira do cachorro de suas mãos. – Aquilo foi extremamente gay.

- Jakotsu?

- Sim?

- Fique longe de mim. – Sesshoumaru disse ao seguir a garota escada acima.

Jakotsu baixou os olhos para Sess-chan e deu de ombros.

- Acho que sobrou para nós a tarefa de fazer compras. - O cachorro latiu, concordando, e Jakotsu sorriu. – Pelo menos temos a carteira do Sexy.

oOoOoOoOoOo

Sesshoumaru parou na frente da porta, pensando se deveria bater, ou deixar que ela se acalmasse antes. A porta se abrindo repentinamente e a figura da garota o encarando de maneira assassina respondeu sua pergunta.

- Akai, você está—

- Deixa eu ver se entendi direito... Você tem uma noiva?

- Tinha. – Sesshoumaru disse, e ao perceber a expressão da garota, se apressou a corrigir. – Quer dizer, não era bem uma noiva. Nem cheguei a conhecê-la. – Ele percebeu os dedos da garota ficando esbranquiçados pela força com que ela apertava a porta. – Eu achei que tinha algo estranho com o pedido do meu pai, por isso não quis que você fosse comigo...

- Sua família arrumou uma noiva para você. – Ela repetiu como se tentasse convencer a si mesma de que não estava sonhando.

- Eles queriam que eu me casasse com ela. Você sabe, essa coisa de famílias ricas se unindo... – Ele desviou os olhos para a porta quando a ouviu ranger. – Você pode soltar a porta, querida?

- Não me chame de querida. Jakotsu tem razão, soa gay. – Akai finalmente soltou a porta. – Você tem sorte de eu não estar torcendo seu pescoço e sim a maldita maçaneta.

- Posso entrar?

- Todas aquelas indiretas da sua Tia... – Akai não se moveu para lhe dar espaço para entrar no quarto. – Kagome é o nome da sua noiva.

- Pela última vez, ela não é minha noiva. – Sesshoumaru contou até dez mentalmente quando a garota arqueou a sobrancelha para sua reação. – Desculpe. Jakotsu e Kagura teem me atormentado dizendo isso o tempo todo.

- Você contou para Jakotsu e não para mim?

- Eu não me importo com o que Jakotsu pensa de mim.

- Então você sabia que era errado esconder um detalhe importante de mim.

- Akai... – Sesshoumaru parou, respirando fundo enquanto procurava as palavras certas. – Haruka. – Ele recomeçou, usando seu primeiro nome. – Eu realmente não queria que você descobrisse, já parecia chateada o suficiente comigo por ter sido deixada para trás.

- Chateada? Você não sabe de nada se pensa que eu estava apenas chateada!

- Sim, eu sei. – Sesshoumaru disse. – Jakotsu tem sido bastante prestativo ao me torturar contando o que minha partida fez com você.

Akai piscou, dando um passo para trás, parecendo ter sido atingida por algo. Pela primeira vez desviou os olhos dos dele e deu-lhe as costas, caminhando até a cama e sentando.

- Eu não queria que nada disso acontecesse.

- Aquela vez na praia... – A garota começou. – Seu irmão me confundiu com ela?

- Foi o que ele disse. – Sesshoumaru respondeu, seguindo-a para dentro do quarto. – Não consigo entender como. Vocês não são parecidas.

- Você acabou de dizer que não a conheceu!

- Fotos, Akai. – Ele sentou na cama, afastado dela. – Sei como ela é, mas nunca fomos apresentados. – Sorriu. – Você é mais parecida com Kagura.

- Ótimo, agora pareço com sua namorada.

- Ex-namorada.

- Deuses, você não cansa de ter 'ex'?

- Tive um relacionamento com Kagura muito antes de conhecer você. – Sesshoumaru explicou com calma. – Ela namora com Kouga atualmente. Você não lê revistas?

- Mas vocês estão sempre juntos.

- Ainda somos amigos.

Akai gemeu frustrada e se jogou de costas na cama, agarrando um travesseiro e cobrindo o rosto com ele.

- Você... – Ela parou quando percebeu sua voz abafada e afastou o travesseiro. – Você deixou que eu pensasse... - Ergueu o corpo da cama, apoiando-se nos cotovelos e o fitou irritada. – Eu agi como uma idiota todo esse tempo! Por sua culpa!

- Quem começou com tudo isso fazendo o amigo gay fingir ser seu namorado? – Sesshoumaru devolveu a pergunta – Eu agi como um idiota por sua culpa!

Akai sentou na cama, pronta a dizer que a culpa era dele, mas uma sombra na porta captou sua atenção.

- Sua porta está aberta.

- Tia, você não pode entrar assim na casa das pessoas. – Sesshoumaru disse, erguendo-se da cama.

- Acho que seu cachorro fugiu.

- Droga, onde está aquele inútil do Jakotsu? -Akai arregalou os olhos, erguendo-se da cama em um pulo. – Sess-chan! – Gritou depois de passar correndo pela mulher. – Jakotsu, me ajude!

Sesshoumaru fez o movimento de segui-la, mas sentiu a mão pequena de sua tia segurar seu braço.

- Preciso ajudar Akai a encontrar o cachorro.

- Não se preocupe, saiu com o amigo estranho dela. – Arashi disse despreocupadamente.

- Mas a senhora...

- Queria conversar com você a sós.

- Deixe que eu diga a Akai que ela não precisa se preocupar com o Sess-chan.

- Esqueça o maldito cachorro, Sesshoumaru – Arashi apertou seu braço com mais força, chamando sua atenção. Ela sabia que não poderia segurá-lo se ele realmente decidisse seguir a garota, mas queria falar com ele sem que Akai estivesse por perto. – Ela não vai demorar para perceber que aquele rapaz esquisito está com ele. – Ela mal acabara de pronunciar essas palavras, a porta da frente bateu com força e a voz de Akai soou, parecendo ficar cada vez mais longe. – Certo, talvez não perceba tão rápido assim, mas quem se importa? – Ela deu de ombros.

- Eu me importo, Tia. – Sesshoumaru disse, desvencilhando-se da mulher. – Sabe o que penso de você enganar as pessoas dessa forma.

- Foi uma mentira inocente.

Sesshoumaru baixou a cabeça quando ela lhe deu as costas, saindo do quarto. Os passos lentos, apesar de ela nunca se voltar para ver se ele a estava acompanhando, lhe diziam para fazer exatamente isso. Segui-la.

- Tia, eu não vou—

- Sabe, quando comecei a receber ligações daquele seu meio-irmão desmiolado, perguntando sobre Kagome, pensei que vocês mais uma vez estivessem fazendo alguma disputa sobre quem é mais idiota.

- Nós não disputamos sobre quem é mais idiota.

- E então Kagome me ligou – Ela continuou, ignorando a interrupção, enquanto desciam a escada. – Dizendo que eu devia fazer algo para tirá-lo da prisão.

- Por quê?

- Agarrar mulheres desconhecidas. – Arashi terminou de descer a escada e sentou-se no sofá. – Você não parece surpreso.

- Ele fez o mesmo com Akai algum tempo atrás.

Arashi franziu o cenho, erguendo a cabeça para ele que continuava em pé.

- Ela não se parece com Kagome. – Suspirou. – Garoto estúpido.

- Não vou discutir sobre isso.

- Importa-se de sentar antes que eu tenha um torcicolo permanente?

Sesshoumaru sentou-se, escondendo o divertimento.

- Não deveria torturar sua pobre e velha Tia. – Ela disse irritada.

- Apenas deixá-la me torturar?

- Claro! – Arashi sorriu inocentemente, o que era mais assustador do que vê-la estreitar os olhos ameaçadoramente como fazia normalmente. – É um direito que conquistei cuidando de você depois que sua mãe faleceu.

- Não acha que está exagerando chamando a si mesmo de 'pobre velha'?

- Podia ser pior. – Arashi deu de ombros enquanto alisava o tecido de seu kimono despreocupadamente. Ergueu os olhos e lhe deu outro sorriso. – Eu podia ter dito 'bondosa tia'.

- O que sabemos que a senhora não é.

- Sem dúvida.

Sesshoumaru apertou os lábios, tentando não deixar transparecer qualquer reação, esperando que sua tia se apressasse e dissesse logo o que queria. Agora que Akai sabia o que ele andava escondendo desde sua volta, ele queria terminar com tudo, fazer com que ela admitisse que também queria voltar a ficar com ele, não ali agüentando qualquer jogo que Arashi pensasse em fazer. E ele sabia que ela tinha algo em mente, ou não teria aquela expressão de raposa no galinheiro.

- Importa-se de se apressar? – Ele finalmente disse. – Eu realmente não tenho tempo a perder com a senhora.

- Então resolveu deixar de ser bonzinho e agir como um Akuma? – Arashi perguntou, o mesmo sorriso perigoso curvando seus lábios. – Estranhei quando deixou que eu o acertasse ontem.

- A senhora me pegou de surpresa.

- Isso nunca o impediu antes.

- Tia Arashi, ou a senhora diz logo o que quer, ou vou deixá-la sozinha.

- Garoto impaciente. – Arashi suspirou. – Certo, vamos aos negócios.

- Eu não vou voltar atrás em minha decisão sobre o casamento.

- Aquele que sua garota não sabia até momentos atrás? – Arashi poliu as longas unhas vermelhas no Kimono, o que o fez imaginar se ela planejava usá-las para atacá-lo. – Minha audição é perfeita e posso ter ouvido parte da conversa de vocês.

- Acidentalmente, imagino.

- Propositalmente para ser mais exata. – Ela arqueou uma sobrancelha perfeita, fitando-a com aqueles olhos tão parecidos com os seus. – O que? Você não disse que eu não deveria mentir?

- O que a senhora quer?

- Prove que a garota o aceitou de volta e eu o deixarei em paz. – Arashi disse calmamente. – Tem uma semana para isso.

- Tia...

- Eu o deixei fazer do seu modo e você desperdiçou preciosos meses. – Arashi levantou do sofá – Agora vamos fazer do meu modo. Você tem até o final da minha estadia aqui. Uma semana. – Ele tentou se levantar e ela o empurrou para que se sentasse novamente. - Dê um jeito nas coisas com essa garota, ou vai voltar comigo e aceitar se casar com quem eu escolher.

- Por que eu posso ter torcicolo e a senhora não?

- Você é mais alto do que eu.

- Isso sequer faz sentido!

- Ok, sou mais velha... Meus ossos mais frágeis... Blá, blá, blá. – Arashi sorriu, mantendo a mão em seu ombro para que ele não tentasse se levantar novamente. – Uma semana, não se esqueça.

- Eu não concordei com isso.

- Eu nunca pedi sua opinião, Sesshoumaru. – Arashi sorriu, caminhando para a escada novamente. – Apenas comuniquei o que vai acontecer. – Olhou para cima – Agora vamos ver o que posso fazer com aquele cômodo horrível que sua garota chama de quarto.

Sesshoumaru a fitou em silencio, observando-a subir a escada rapidamente, pensando como sua vida podia sempre piorar. Mesmo quando achava que nada mais podia dar errado.

- E ela ousa tentar aplicar essa conversa de ser uma 'pobre velha' pra cima de mim. – Suspirou, levantando-se do sofá e caminhando para a porta. Deixaria para se preocupar com Arashi revirando a casa depois, no momento precisava encontrar Akai.

oOoOoOoOoOo

Akai caminhava ao lado de Jakotsu para casa sentindo-se realmente estúpida por ser enganada tão facilmente pela Tia de Sesshoumaru. Não conseguia entender a si mesma. Não era normal se deixar enganar e não dar o troco, mas havia algo naquela mulher de falsa aparência frágil que a incomodava.

- Sinto muito, Akai, eu realmente não pensei que ela fosse te dizer que Sess-chan fugiu. – Jakotsu disse pelo que deveria ser a milésima vez. – Só deixei ela entrar porque... Bom, você sabe o que aconteceu com o Sexy da ultima vez que bati a porta na cara da velha.

- Tudo bem. – Akai franziu o cenho ao chegar na frente da casa. – Por que todo mundo deixa a porta aberta hoje? O que estão tentando... Espera, isso é um caminhão de mudança? – Ela se virou para Jakotsu. – Tem alguém roubando minha casa!

- Parecem estar entregando algo, não tirando... – Jakotsu disse, parado ao lado do caminhão. – Não estamos sendo roubados, Akai.

- Você não sabe disso! – A garota empurrou os pacotes que segurava nos braços dele e entrou correndo na casa.

- Akai, espera! – Jakotsu suspirou, tentando equilibrar todos os pacotes. – Droga, vá atrás dela, Sess-chan. – Disse, soltando a coleira do cachorro que se apressou a seguir a garota para dentro correndo.

oOoOoOoOoOo

Akai parou na sala, analisando os móveis em locais diferentes. Ainda estavam todos lá, mas as paredes tinham mudado de cor. Franziu o cenho quando um homem pediu para que ela se afastasse porque tinha que levar uma cômoda para cima. Ignorou-o e subiu as escadas correndo, parando no topo da escada quando reconheceu todos os móveis que até pouco tempo atrás estavam dentro de seu quarto no corredor.

- O que diabo está acontecendo aqui?

Sess-chan latiu a seu lado antes de entrar correndo no quarto e ela reconheceu a voz feminina brigando com o cachorro.

- Ótimo... – Estreitou os olhos para os homens carregando a cômoda e entrou no quarto agora vazio. Olhou em volta até parar na figura de Arashi que ainda tentava manter o cachorro afastado para que não sujasse suas roupas.

- Importa-se de controlar esse monstro?

- Importa-se de me dizer o que diabos está fazendo? – Akai lhe devolveu a pergunta.

- Redecorando seu quarto, claro. – Arashi segurou as patas do cachorro quando ele tentou pular sobre ela novamente. Encarou o animal, irritada e o empurrou para longe. – Pelo amor dos deuses, dê um jeito nesse animal.

Akai fitou o cachorro que pela primeira vez resolveu obecê-la e se afastou da mulher, caminhando calmamente até seus pés e sentando.

- Minha sala... O quarto... O que mais você fez? – Akai voltou a fitar a mulher. – Como conseguiu revirar minha casa em tão pouco tempo?

- Não é difícil quando você pode pagar.

- Eu gostava da minha casa como era. – Ela rebateu, resolvendo ignorar o comentário sobre dinheiro. – Quem disse que você podia vir aqui—

- Metade da casa é de meu sobrinho até onde sei. – Arashi a interrompeu. – Isso me dá o direito de torná-la melhor.

- Você faz soar como se estivéssemos vivendo em um ferro velho.

- Pode sair da frente, Senhorita? Isso não está ficando mais leve, sabe.

Akai girou para fitar o homem antes de voltar a fitar a mulher no interior do quarto sem fazer menção de se mover.

- O que pretende fazer com meus móveis?

- Aquelas velharias que você tinha empilhado aqui? – Arashi sorriu. – Lixo, claro.

Akai respirou fundo, tentando não pular sobre a mulher mais velha, e aproximou-se dela lentamente.

- As velharias, como você as chamou, são herança de família.

- Coisas velhas sem valor nenhum. – Arashi disse, fazendo um gesto de desprezo com as mãos. – O que comprei é bem melhor.

- Minha mãe as escolheu pessoalmente quando se casou com meu pai. – Akai disse entre-dentes. - Você não tem o direito de vir aqui e me ofender!

- Não acha que está levando isso para o lado pessoal? São apenas móveis e uma velha casa. – Arashi continuou sorrindo e virou-se para a janela. – Acho que podemos trocar isso também. – Apontou par a janela. - Quem sabe uma maior... Um pouco mais de luz aqui... – Ela parou de falar quando Akai agarrou seu braço.

- É pessoal. – Akai disse, ainda segurando o pulso da mulher. - Esta é minha casa, sua velha maluca.

Arashi arqueou uma sobrancelha bem feita, fitando a mão da garota em seu braço antes de encará-la. Sua voz sou calma e fria quando disse:

- Tire suas mãos de mim agora.

- Por quê? – Akai disse, apertando mais o pulso da mulher. – Já revirou metade da minha casa, vai jogar meus móveis no lixo... Você me ofendeu! – Sentiu o rosto aquecer quando a mulher deu de ombros e fez um movimento com o braço livre que ela não prestou muita atenção. - O que mais você pode... Ai. – A garota a soltou, afastando-se com a mão na testa. – O que diabo—

- Eu avisei para me soltar. – Arashi voltou a dar de ombros e abriu o leque com que a acertara, escondendo parte do rosto. – Então, só precisei ofender seus móveis para que acordasse? – Arashi sorriu por trás do leque. – Interessante...

Akai a encarava incrédula que aquilo estivesse acontecendo. Sentia o sangue fervendo de raiva e se preparou para avançar sobre a mulher novamente quando braços circundaram sua cintura por trás, impedindo-a de se mover.

- Jakotsu...

- Ele está lá embaixo. – Sesshoumaru disse, corrigindo seu engano. – O que exatamente está fazendo, Tia?

- Achei que era bem claro. – Arashi fitou os dois, divertida, fechando o leque com um movimento. – Sua garota aqui pareceu entender bem rápido.

- Tia Arashi... – Sesshoumaru tentou começar, segurando Akai contra o corpo para que ela não avançasse em sua tia.

- Vocês vão gostar, acredite.

- Vou gostar ainda mais quando conseguir torcer o pescoço dessa mulher.

- Akai, pare com isso. – Sesshoumaru respirou fundo. – Acredite, você não quer brigar com minha Tia.

- Claro que quero! – Akai bufou. – Você sabe o que ela disse dos móveis da minha mãe?

- Posso imaginar. – Sesshoumaru disse. – Acalme-se.

- E ela me bateu! – Akai continuou, virando o rosto para encará-lo. – Ela me bateu com aquele leque! Quem sai por ai batendo nas pessoas?

- Tia Arashi... – Sesshoumaru disse. - Importa-se de esperar por mim lá embaixo?

- Por que não a solta? – Arashi riu, guardando o leque. – Gostaria de vê-la tentar me acertar.

- Tia, por favor.

A mulher finalmente pareceu considerar seu pedido e aproximou-se dos dois, parando a uma distancia segura de Akai.

- Está incomodada por eu fazer isso sozinha? – Ela perguntou para a garota. – Se quiser, posso conversar com sua mãe e então...

- Minha mãe está morta. – Akai disse, pousando as mãos sobre os braços de Sesshoumaru em sua cintura. – Ela morreu quando eu tinha oito anos.

- Entendo... – Os olhos dourados da mulher pareceram brilhar com aquele pequeno fio de informação. Levantou a cabeça para o sobrinho. – Esperarei por você lá embaixo. Não demore. – Passou pelos dois, e deu instruções para os dois carregadores sobre o que deveriam fazer com a mobília.

Akai suspirou quando a mulher finalmente os deixou sozinhos e deixou-se recostar em Sesshoumaru. Fechou os olhos, sentindo toda a força deixá-la.

- Você nunca me contou sobre sua mãe.

- Eu sei. – Apertou o braço dele mais uma vez antes de soltá-lo e virou para fitá-lo quando ele a soltou. – Não costumo falar sobre isso. – Franziu o cenho. – Mas você sabia, não é? Leu meu diário.

- O quê? Eu não—

- Por favor, não tente mentir. –Akai estreitou os olhos. – Quão burra acha que sou para não perceber que ele apareceu assim que você voltou pra cá?

- Não faço idéia do que você está falando, Akai. – Sesshoumaru disse calmamente. – Vou tirar minha tia daqui antes que ela faça mais alguma coisa que você não goste.

- Sesshoumaru, eu não terminei. – Akai o seguiu para o corredor e franziu a testa quando o viu desaparecer escada abaixo. – Você vai ter que voltar! – Suspirou, voltando a fitar os móveis e entrou no quarto novamente. – Onde é que eu vou dormir? – Fitou a cama desmontada. – Maldita mulher.

Jakotsu parou na porta do quarto e observou o cômodo em silencio até que a garota voltou-se em sua direção.

- E aí? Que acha de uma festa?

Akai o encarou confusa.

- Quê?

- Para comemorar a sala nova. – O rapaz sorriu. – Eu até que gostei de como ficou.

- Mas o meu quarto... –Ela tentou protestar quando ele agarrou seu braço e a puxou para fora.

- Não tem nada que possa fazer sobre isso agora. – Ele passou um braço sobre seus ombros assim que saíram para o corredor. – Vamos ligar para Ryo e Kagura e fazer uma festa do pijama.

- Você enlouqueceu. Eu não—

- Vamos lá, Akai, o que pode dar errado? – Jakotsu sorriu – É só uma reunião de mulheres.

- Você não é mulher, idiota.

- Detalhes. – Jakotsu sorriu ao descer as escadas com a garota, sabendo que tinha ganho. Deixou que ela sentasse no sofá e pegou o telefone, discando para Kagura. – Olá, querida, o que vai fazer hoje? Akai precisa se animar e eu pensei em fazermos uma festinha... Só você, Akai, eu e Ryo, a irmã de Akai. – Ele riu, concordando. - Exatamente o que eu disse para Akai. Uma reunião de mulheres. Você traz o vinho?