Capítulo 21 ~ POV Alice
Fiquei assustada com a ligação de Bella. Ela não tinha me ligado durante sua estadia em Phoenix, e por isso imaginei que sua mãe não a tinha deixado sozinha momento nenhum. Quando ela me ligou, eu não estava esperando. Andava preocupada demais com Edward e os rapazes em Chicago pra conseguir me concentrar em outras coisas. Nenhuma das minhas visões me ajudava. Todas embaçadas, todas rápidas demais pra que eu entendesse. Estava cansada disso tudo. Eu queria meu irmão leitor de mentes de volta. Eu queria saber o que havia de errado com Bella, pra ela ter ido pedir uma segunda opinião médica tão longe. E eu não tinha nenhuma resposta satisfatória de ambos.
Deprimida, fui ao quarto de Edward. Olhei a cama que ele tinha comprado alguns anos atrás, quando Bella veio passar o fim de semana aqui. Ele não queria que ela dormisse no sofá de couro preto que ele tinha no quarto, por isso comprou a cama. Eu disse que uma king-size era exagero, já que só ela ia dormir, mas ele me ignorou. Certamente, ele também deitou na cama enquanto a observava dormir. Edward tinha pilhas e pilhas de livros e cd's espalhados no quarto. Típico de um músico intelectual e romântico. Era isso que ele era, no final das contas. A TV de plasma de 42 polegadas que ficava na parede estava meio empoeirada. Não era ligada à meses. Ia acabar queimando. Passeei os olhos pelo quarto, contemplando cada coisa que pertencia ao meu irmão. Do lado da cama, tinha um porta-retrato com uma foto dele e Bella juntos num passeio em algum lugar. Sorri quando vi uma foto gigante, em forma de pôster, emoldurada numa moldura azul-marinho, na parede de vidro de frente pra cama. Era uma foto do último aniversário de Edward. Bella fazia questão de comemorar o aniversário dele todos os anos. Mesmo que só ela envelhecesse. Ela sempre comemorava de alguma maneira, evitando festas. No ano anterior, eu a convenci a fazer uma festa surpresa. Pra ela seria fácil esconder de Edward e nós só precisaríamos não pensar na festa quando ele estivesse por perto.
O aniversário dele foi numa segunda, e ele e Bella faltaram a faculdade nesse dia. Vieram pra Forks, e quando chegaram, Edward foi surpreendido por nós. Foi muito emocionante. Quer dizer, ninguém surpreende Edward. Mas o aniversário dele foi ótimo. Tá bom que não tinha comida nem bebida. Só balões e muita risada. Edward gostou. No fim do dia, tiramos uma foto no jardim. A família inteira. Todos nós estávamos sorrindo quando o flash disparou. Bella se destacava por ser a única presente que era humana. Edward sorria largamente do lado dela na foto, no meio de todo mundo. Era essa foto que ele tinha mandado revelar ampliada e colocado na parede de seu quarto. A foto da nossa família. Os sete vampiros e uma humana.
Sentei na cama por uns minutos, com saudade do meu irmão leitor de mentes. Se eu pudesse chorar, teria chorado.
~*~
Dez dias depois, decidi fazer umas ligações. Não aguentávamos mais o suspense em casa. E Bella não tinha telefonado de novo pra dizer o que havia de errado. Jazz também não tinha muitas informações sobre Edward. Só o que já sabíamos.
Primeiro liguei pra Jazz.
- Oi Alice. - Emmett atendeu.
- Emmett? Onde está Jazz? - perguntei.
- Foi caçar. Eu e Carlisle estamos na cola do rastro de Edward. Ele se esconde muito bem. - ele respondeu.
- Ok... alguma novidade? - perguntei, sem esperanças.
- Não. Tudo na mesma. - ele falou, também sem esperança nenhuma na voz.
- Tudo bem, continuem procurando, e diga ao Jazz que eu liguei. - falei, me despedindo.
- Digo sim. Tchau, Alice. - ele falou e desligou o telefone.
Assim que acabei o telefonema com Emmett, liguei pra o celular de Bella.
Oi, você ligou pra Bella Swan. No momento não posso atender, então deixe um recado. - caixa postal. Desliguei sem deixar recado e liguei pra casa dela.
Chamou uma vez. Duas. Três. No quinto toque, atenderam.
- Alô? - uma voz feminina atendeu. Acho que era a mãe dela.
- Renée? - perguntei.
- Sou eu. Quem é? - ela perguntou.
- Renée, aqui é Alice Cullen, irmã de Edward. - falei.
- Ah, oi Alice. - ela respondeu meio sem vontade e eu continuei.
- Bella está?
- Alice, sinto muito, mas Bella está dormindo. E os médicos disseram que não era pra acordá-la. - ela falou, fria.
- Renée, o que Bella tem? Há semanas que não temos notícia dela e isso está me deixando muito preocupada. Ela está doente? - perguntei, pra que ela pensasse que eu não tinha falado com Bella ainda.
- Alice, Bella está muito doente. E piora a cada dia. - ela respondeu.
- E o que ela tem? - perguntei, preocupada.
- Um tumor no cérebro, Alice. Muito raro e praticamente incurável. Deram três meses a Bella. No máximo. - ela falou, chorosa.
- Oh meu Deus, primeiro Edward sumido, agora Bella doente? Eu não sei se aguento. Renée, diga a Bella que eu liguei e que vou aí amanhã a tarde, tudo bem? - eu falei. Agora era uma necessidade. Eu TINHA que ver Bella.
- Tudo bem Alice, pode vir. Bella está precisando de todos os amigos que puder agora. - ela falou meio triste e desligou.
Passei uns quinze minutos antes da ficha cair. Bella tinha um tumor no cérebro. Raríssimo, e o pior: praticamente incurável.
Rosalie e Esme chegaram da caçada e me viram com uma cara de desespero que teria sido coroada com lágrimas, se fosse possível.
- O que aconteceu, Alice? - Esme perguntou, a voz carregada de preocupação. Rosalie só se sentou ao meu lado, colocando o braço em volta de mim.
- Bella... - eu não conseguia falar.
- O que tem Bella, Alice? - Rosalie, urgente.
- Bella tem... um tumor... no cérebro. - consegui colocar pra fora.
Silêncio.
- O QUE? UM TUMOR NO CÉREBRO? - Rosalie.
- Foi o que a mãe dela disse. Um tumor muito raro e praticamente incurável. Os médicos deram a Bella três meses. - eu falei, e estava completamente desesperada.
- Temos que achar alguma forma de ajudá-la. - Esme, impressionantemente controlada.
- É, mas o quê? - eu falei, e deitei no ombro de Rose, exausta.
- Vamos pra casa dela agora. - Rose falou.
- Não. Bella está dormindo e os médicos disseram que não era pra acordá-la, eu disse à mãe dela que iria amanhã. Vocês podem ir se quiserem. - falei.
- Tudo bem então. Iremos amanhã. - Esme falou e isso encerrou a conversa.
No dia seguinte, às duas da tarde, estávamos chegando na casa de Bella. Quando chegamos, porém, senti cheiro de lobisomens.
- Ah, não! - Rosalie falou impaciente e irritada.
- Calma, vamos entrar e ver o que eles estão fazendo aí. - Esme falou.
Alguma coisa me dizia que aqueles lobisomens iam ser muito mais difíceis de engolir agora.
Rosalie bateu na porta e Renée veio abrir.
- Alice! Que bom que veio, querida. Bella está lá em cima. - ela falou e olhou pra Esme e Rose.
- Olá, Renée. Creio que não nos conhecemos. Sou Esme, mãe de Edward. - Esme falou.
- Ah, Esme. Bella me falou de você. Como vai? - Renée apertou a mão dela.
- E eu sou Rosalie.
- Ah, Bella também me falou de você, Rosalie. Vamos, entrem, por favor.
Entramos e Jacob chiou.
- Ah, não é possível. O que fazem aqui hein? - ele era muito estressado.
- Viemos visitar Bella. Por quê? Não podemos? - Rose respondeu, num tom sarcástico e zombador que quase me fez rir da cara de Jacob.
- Não, não podem. Bella não quer ver vocês. - ele falou, ríspido.
- O que é isso, Jake? É claro que podem ver Bella. Ela está no quarto. - Charlie falou e olhou indignado para Jacob. Billy Black e outros Quileutes lobisomens também entortaram o nariz pra nós, mas nós os ignoramos e subimos pra ver Bella.
Bati na porta.
- Entra. - Bella falou, entediada.
- Olá... - eu falei devagarinho enquanto entrava. Bella pulou da cama e veio me abraçar.
- Alice!!!!!!!!!! Finalmente alguém com quem vale a pena conversar. - ela me abraçava com força e lágrimas nos olhos, mas feliz por estarmos ali.
- Ei, também estamos aqui Bella. - Rose falou.
Bella também a abraçou. Nem parecia que já tinham tido diferenças.
- Obrigada por virem. Alice, Esme, Rosalie... Mamãe contou não é? - ela perguntou, olhando pra mim.
- Contou. - levei Bella até a cama e sentamos, as quatro. Eu, Rose e Esme abraçamos Bella e ela chorou. Depois de algum tempo, ela falou.
- Edward nem precisava ter se preocupado em me deixar. Eu vou morrer mesmo. - ela falou, sem esperanças.
- Não diga isso, Bella, pelo amor de Deus! - Esme falou.
- Mas é a verdade. - ela falou, ainda desconsolada.
- Mas não seja tão pessimista. As coisas mudam! - Rose falou, sem saber muito bem como animar Bella. Nenhuma de nós sabia.
Bella ainda chorou um pouco, mas depois falou.
- E Edward? Onde ele está? Ele sabe? - ela perguntou. Tinha dor na voz dela e eu entendi que ela precisava dele. Mas ele não ia aparecer agora.
- Está em Chicago. Os rapazes ainda não conseguiram pegá-lo. Ele sempre foge, e eles não conseguem acompanhá-lo nem descobrir onde ele se esconde. Ele não sabe, Bella. Ele não sabe sequer o próprio nome. - eu respondi.
- Entendo. - ela falou e deitou no meu colo. - Fico feliz que tenham vindo. Não aguento esses lobisomens o tempo todo aqui. Pedi ao meu pai pra expulsá-los mas ele não quer me ouvir.
- E por que eles vieram pra cá, Bella? - Rose perguntou.
- Billy soube por Charlie da minha doença e se ofereceu pra ajudar a cuidar de mim. Aparentemente, o bando inteiro também se ofereceu, depois que soube, também por Charlie, que Edward tinha "viajado". Por favor, me salvem! Não quero eles aqui. Nunca senti minha privacidade tão invadida. São mais de dez pessoas!
- Eles são ridículos. Você precisava ter visto o tal do Jacob. Ele disse que você não queria nos ver! - Rose falou, irritada.
- Ele é um idiota. Eu não quero é ver ele. Não liguem pra uma palavra que esses lobos disserem, por favor! Vocês todos são minha família também. E eu preferiria muito mais vocês do que eles. Mas sei que tem outras coisas ocupando-os também... - Bella falou.
- É, Bella. Na verdade nós estamos aqui só por precaução, caso Edward volte pra Forks. Os garotos estão tendo todo o trabalho. - Rose falou.
- Sei...
Antes que Bella pudesse falar mais alguma coisa, Jacob e outros Quileutes apareceram no quarto.
- Ok, podem sair agora. Bella precisa dormir. - ele falou.
- Preciso nada! Eu preciso é conversar com elas. Agora se me dá licença, pode ir descendo!! - Bella falou, levantando do meu colo e ficando irritada.
- Querida, não se estresse, é ruim pra você. - a mãe dela falou, com um que de desespero na voz.
- COMO? Me diz, mãe. COMO eu não vou ficar estressada com esse bando de gente aqui?! É RIDÍCULO, eu odeio isso. Já disse pra vocês irem embora e ninguém me ouve!! - ela falou, alterando a voz, o que fez os pais dela se alarmarem.
- Estão vendo? Fizeram Bella se estressar. Caso não saibam, o estresse só piora o estado dela. - Jacob falou, como se ele fosse o maior santo do mundo.
- ELAS? - Bella se irritou ainda mais - o que você quer dizer com ELAS? Quem me irrita 24 HORAS POR DIA é VOCÊ, Jacob Black. Se você tivesse ficado na porcaria da sua casa em La Push nada disso estaria acontecendo e eu estaria MUITO BEM, OBRIGADA!
- Você não está raciocinando, Bella. Esse tumor tá te afetando. - ele falou. Que irritante!
- Você não percebeu, seu otário? A doença de Bella não é MENTAL. Ela está ótima, e se ela diz que você a irrita, é porque você a irrita. Agora se toca e sai daqui. - eu falei.
Quem tava se estressando agora era eu.
- Exatamente. - Bella concordou comigo na hora e eles fecharam a cara.
- Eu só saio daqui quando vocês saírem. - ele falou.
- Que implicância é essa? - Charlie falou.
- Eu te disse que nós, povo Quileute, e os Cullen não nos damos muito bem, Charlie. - Billy falou.
- E eu até hoje não entendo porquê. - Charlie respondeu.
- Talvez um dia entenda. - Billy.
Pelo bem de Bella, e pra que eu não acabasse arrancando a cabeça deles, decidi que era melhor ir embora.
- Bella, melhor nós irmos. Depois voltamos, tá bem? Descanse. Tente não se irritar, por favor. - eu falei, olhando significativamente pra ela sem mencionar o nome "Edward".
Acho que ela entendeu. Respirou fundo e respondeu.
- Tudo bem, Alice. Obrigada por terem vindo. - ela sorriu e nos abraçou.
Saímos da casa, com o olhar triunfante e arrogante dos lobisomens em cima de nós. Nós conversamos um pouco com Renée na saída, que nos deu detalhes sobre a doença, e voltamos pra casa decididas a encontrar algo que pudesse ajudar Bella.
