Alô pessoal! Bem, depois do catastrófico capítulo 20 no qual muita gente queria minha cabeça, aqui está o 21. Leiam as considerações ao final. Beijos.
Capítulo XXI
Hogsmeade
Um trovão soou ao longe sobressaltando Hermione e fazendo com que a garota abrisse os olhos. O quarto ainda estava escuro, mas a julgar pela lânguida faixa de luz que vinha despontando da direção da janela, o dia já estava amanhecendo. Um clarão de um relâmpago iluminou a face da menina, fazendo-a perceber que o sábado seria nublado e provavelmente tão úmido quanto seus olhos castanhos estiveram durante quase toda a noite. Ela ainda não conseguia acreditar no que tinha acontecido. Não conseguia acreditar que Rony tinha colocado fim numa amizade que começara há tantos anos e que já sobrevivera a centenas de brigas, problemas e males. Essa idéia era de fato surreal, fantasiosa e, acima de tudo, dolorosa, cruciante. Como era suposto que ela conseguiria ficar longe do ruivo? Ele tinha lhe dito que precisava dela. Mas Hermione sentia que era justamente o contrário: ela precisava dele. Ela poderia sim ser inteligente e independente. E poderia ser a melhor do seu ano, como todos costumavam dizer. Mas Hermione não poderia ser e não era auto-suficiente. Ela sozinha poderia ser a razão. Mas precisava da emoção. Ela poderia ser o cérebro. Mas precisava do coração. Poderia ser mesmo a responsabilidade. Mas precisava do humor e do sorriso. Emoção, coração, humor e sorriso. Essas quatro palavras que faltavam a ela poderiam ser resumidas em uma só: Rony. E agora, mais que tudo, ela desejava que a sensação que havia sobre suas bochechas fosse a da mão dele a acariciando e dos dedos dele a tocando, ao invés das lágrimas que silenciosamente deslizavam por lá. Fungando audivelmente, Hermione esfregou os olhos já inchados e engoliu o choro. Todos tinham direito a uma escolha. E essa tinha sido a dele. Ele tinha escolhido terminar a amizade. Ele tinha escolhido ficar longe dela.
Hermione virou-se para o canto e comprimiu o travesseiro sobre a cabeça. Seu corpo, mente e coração travando uma briga, cada um clamando por seus interesses. Seu corpo pedia desesperadamente por algum sono a mais. Sua mente pedia que ela se levantasse e fosse fazer algo produtivo, como estudar. Já seu coração, esse, bem, esse não clamava por algo, mas por alguém. E ela não seria Hermione Granger se não atendesse as reivindicações de sua mente. Os outros dois não mereciam, de fato: seu corpo tinha desejos inúteis e seu coração só lhe fazia sofrer.
À altura que o dia raiou totalmente e os barulhos das pessoas acordando começaram a serem ouvidos pelo castelo, Hermione já tinha lindo o capítulo pedido pela professora de Aritmancia no mínimo cinco vezes, embora o grau de atenção da garota com a leitura não estivesse nem de longe compatível com seu habitual. Assim, no momento em que ouviu suas companheiras deixando o quarto, ela decidiu que já era hora de parar. Fechou o livro com um baque e saiu de dentro de sua cama oculta pelas grossas cortinas. Trocando seu pijama pela primeira roupa que encontrou em seu malão e prendendo seu cabelo no topo de sua cabeça em um nó frouxo e desajeitado, a menina deixou o dormitório. Logo que alcançou a metade dos degraus para a sala comunal, porém, ela teve uma visão que fez seus interiores se retorcerem e seu coração acelerar tanto que ela teve que comprimir uma das mãos sobre o peito. Rony estava parado ao pé da escada, ambas as mãos dentro dos bolsos dianteiros, fitando impassivelmente o caminho trilhado por ela. Assim que a viu, no entanto, desviou os olhos quase de imediato, como se tivesse medo de conhecer o olhar da garota. Ela respirou fundo e terminou de descer os degraus.
-Oi – falou ela timidamente no momento em que alcançou o chão.
-Alô. – respondeu ele ainda sem encará-la.
-V-você... – gaguejou ela sentindo suas mãos suarem. – Você ainda está falando comigo, então? – terminou num fio de voz.
Rony encolheu os ombros. Ele não pôde deixar de notar um tom esperançoso nas palavras de Hermione, o que o fez se sentir ainda pior pelo que ele estava fazendo a ela. E a ele.
-Nós não somos mais amigos, Hermione, mas ainda somos monitores. – esclareceu ele tentando não tremer a voz. – McGonagall acaba de enviar um aviso que quer nos ver. Só por isso estou aqui.
A menina pareceu perder o chão sob seus pés. De repente, todo o aquecido sentimento de esperança tinha abandonado seu corpo e só o que ela poderia sentir era um aperto se formando em sua garganta e lágrimas incômodas picando os cantos dos seus olhos. Mas ela não iria chorar. Não na frente dele, pelo menos.
-Certo. – foi só o que ela conseguiu dizer.
O ruivo arriscou um olhar à garota e estremeceu ao ver tanta mágoa e dor naqueles olhos castanhos. Tudo o que ele queria era não deixar que ela sofresse, mas parece que seu plano estava funcionando justamente com efeito contrário. Por desejar impedir que outras pessoas a ferissem, ele mesmo acabou fazendo o serviço sujo. E Rony se odiou profundamente por isso.
-Hermione... – murmurou o garoto enquanto ambos caminhavam pelos corredores até a sala de McGonagall. – Eu... eu...
-Por favor, Ronald. – cortou ela numa voz aguda. – Só prossiga se o que você tem a me dizer for um assunto profissional. Afinal, somos APENAS MONITORES e não devemos ter outro tipo de conversa.
Rony olhou para a menina e com alívio percebeu que um "quê" de irritação tinha substituído a tristeza em seus olhos.
"Melhor assim." – pensou ele. Com uma Hermione furiosa ele poderia lidar, já que fazia isso desde que tinham onze anos de idade. Mal sabia ele que aquela irritação não tinha realmente substituído a tristeza. Apenas camuflado.
-Bom dia, Sr. Weasley, Srta. Granger. – cumprimentou McGonagall assim que os garotos chegaram à sua sala. – Sentem-se por favor.
Ambos fizeram como lhes foi pedido e encararam a professora, esperando que ela falasse.
-Bem, vocês já devem imaginar o motivo pelo qual estão aqui, não? – perguntou ela, mas antes que eles tivessem tempo para responder, a mulher já continuava: - Já estamos em fevereiro e estamos a menos de duas semanas do feriado de São Valentim, ou seja, da festa oferecida pela Grifinória. Suponho que já tenham começado a dar um andamento?
Hermione abaixou a cabeça e sentiu que estava corando, ela não tinha esquecido, mas com tantos deveres, confusões e sentimentos, a garota tinha acabado não se concentrando nisso o quanto deveria.
-Na verdade, professora McGonagall, - começou Hermione sem olhar para a mestra – nenhuma idéia de jogo passou pela minha cabeça ainda...
-Hum. – fez McGonagall pressionando os lábios. – E quanto a você, Sr. Weasley?
-Também não, professora. – ele disse balançando a cabeça em sinal negativo.
-Ainda não é desesperador. – falou a mulher depois de certo tempo. – Mas vou ter que lhes pedir que concentrem totalmente suas atenções nisso. Eu não quero que a festa da Grifinória seja um fiasco, ainda mais sabendo que vocês dois têm talento o suficiente para realizarem um feito maravilhoso.
-Certo. – murmurou Hermione. – Obrigada, professora.
Rony limitou-se a acenar de novo com a cabeça, agora afirmativamente.
-Bom, isso é tudo. Podem ir ou irão se atrasar para a visita à Hogsmeade. Qualquer novidade ou dúvida me procurem.
Rony e Hermione se levantaram e deixaram a sala juntos, o ruivo já tinha se virado e quase aberto a boca para chamar a menina para irem encontrar Harry no Salão Principal, mas quando fez isso, tudo o que viu foi as costas de Hermione, que se afastava a passos largos na direção da Torre da Grifinória, sem ao menos olhar para trás. Ele deixou escapar um suspiro. Essa tinha sido a escolha dele.
Rony chegou cabisbaixo ao Salão Principal e largou-se no seu lugar habitual à mesa da Grifinória, próximo a Harry.
-Já falou com a McGonagall? – perguntou Harry assim que o viu.
-Arram. – resmungou Rony puxando um prato de mingau de aveia para si.
-E o que ela queria?
-Saber nossas idéias para a estúpida festa que teremos que organizar. – respondeu o ruivo remexendo a colher em seu prato distraidamente, sem ao menos provar o conteúdo.
-E vocês têm alguma?
-Não. – ele encolheu os ombros.
-Hum... E onde está a Hermione? – Harry perguntou de modo casual.
-Não sei. – murmurou Rony, ainda remexendo o mingau.
-Er... cara? – disse Harry cuidadosamente. – Você, hum... não acha que está sendo um pouco... bem, duro demais com ela?
-Não sei. – respondeu Rony, um aperto de arrependimento começando a tomar conta dele.
-Pense nisso, companheiro. Eu não queria ter que escolher apenas um de vocês dois para ir comigo à Hogsmeade.
-Você não tem. – falou Rony. – Quero dizer, eu não me importo que ela vá junto.
-Bom. – concordou Harry se levantando. – Vamos procurá-la para irmos, então?
Rony empurrou o prato de mingau ainda cheio e acenou, também se levantando para acompanhar o amigo.
Hermione chegou à sala comunal vazia e sentou-se numa poltrona ao canto, apoiando o queixo nas mãos. Uma idéia, ela precisava de uma idéia. Um jogo que expressasse coragem, a característica principal da Grifinória.
"Pense, Hermione, pense." – sua mente gritava, mas parece que no momento nada útil lhe ocorria. A cabeça dela não estava se concentrando o suficiente e seu coração só fazia atrapalhar ainda mais, berrando que estava sufocado e dolorido. Ela tomou uma respiração funda e fechou os olhos, mas um barulho vindo da escada do dormitório feminino a fez virar-se para olhar. Uma Gina apressada descia as escadas, seus cabelos vermelhos flamejando atrás de si como se ela deixasse marcas de fogo pelo caminho. A ruiva já ia atravessando a sala comunal rumo ao buraco do retrato quando pareceu notar Hermione sentada sozinha naquele canto.
-Mione? – perguntou ela dando meia volta e se aproximando da garota. – O que você está fazendo aí sozinha?
-Só pensando. – respondeu Hermione.
-Onde estão os garotos? Você irá se atrasar para a visita à Hogsmeade.
-Eu não vou.
-Quê? – estranhou Gina. – Você não vai à Hogsmeade? Mas por quê?
-Não estou no humor, Gina. – falou a garota tentando sorrir. – E preciso ter uma idéia urgente para o jogo da festa da Grifinória.
-Tem certeza? Harry e Rony irão ficar também?
-Suponho que não. – Hermione deu de ombros.
Gina olhou à amiga suspeitosamente, antes de falar outra vez:
-Aconteceu alguma coisa que eu não saiba? – disse ela. - Ah, já sei, você e o meu irmão brigaram outra vez!
A menina não respondeu, o que Gina levou como um sim.
-Bem, se for esse o caso, Mione, você ainda pode ir comigo à Hogsmeade. A Luna já deve estar me esperando no saguão de entrada, a propósito.
Hermione reprimiu uma careta. Só o que faltava para completar a desgraça era ter que passar um dia todo na companhia de Luna Lovegood.
-Não, obrigada Gina. – respondeu ela. – Eu irei ficar por aqui.
-Ora, Mione, você não pode ficar aqui sozinha o dia todo! – insistiu a ruiva.
-Eu não irei ficar sozinha o dia todo. – disse Hermione, que pensava em mais tarde ir visitar a professora Brinks.
-Ah, primeiranistas e segundanistas não contam. – teimou Gina. – Eles são os únicos que irão ficar por aqui.
-Não... – disse ela.
-Ah, tudo bem, Mione. – respondeu a ruiva impaciente olhando seu relógio de pulso. – Se você prefere ficar aí com seus amigos invisíveis, tudo bem, eu estou atrasada.
-Eu não vou ficar com "amigos invisíveis", Gina, eu- Espera! É isso! – exclamou Hermione dando um soquinho no ar e ficando de pé com um salto. – Amigos invisíveis! Você é um gênio, Gina! – completou ela dando um leve abraço na ruiva e correndo para o buraco do retrato.
-Eu sou? – perguntou a ruiva com uma careta. - Ei, mas onde é que você vai? – gritou ela olhando espantada para as costas da amiga. Mas ela só pôde ouvir algo parecido com "McGonagall" e Hermione já tinha deixado a sala comunal.
-Agora eu entendo porque o meu irmão sempre fala que ela é maluca. – murmurou Gina de olhos arregalados, no instante em que o buraco do retrato se abria novamente e Harry e Rony entravam.
-Oi Gina. – cumprimentou Harry com um sorriso que fez as pernas da garota vacilarem.
-Oi. – respondeu ela também sorrindo.
-Você viu a Hermione? – ele indagou.
-Ué... – fez a ruiva. – Vocês não foram atropelados por ela por aí?
-O que você que dizer? – perguntou Rony olhando para a irmã.
-Ela acabou de sair daqui, me admira que vocês não tenham cruzado com ela... – respondeu a garota. - Mas se bem que na velocidade em que ela estava vocês não teriam tido tempo nem para anotar a placa. – riu Gina.
-E onde é que ela foi? – Harry questionou.
-Me parece que disse algo sobre McGonagall, não tenho certeza.
-Mas nós já falamos com a McGonagall hoje. – falou Rony.
-Será que ela vai demorar? – Harry quis saber. – Nós iremos perder as carruagens para Hogsmeade se ela não voltar depressa.
-Se eu fosse vocês não esperariam. – disse Gina caminhando para o buraco do retrato. – Ela disse que não vai à Hogsmeade hoje. E bem que eu insisti...
-Nesse caso é melhor irmos. – falou Harry também andando para a saída da sala comunal.
Rony não disse nada. Ele estava muito ocupado lidando com seu arrependimento e com aquele sentimento de culpa no momento.
Hogsmeade estava bastante movimentada naquele sábado, apesar do mau tempo. Grandes nuvens escuras e carregadas pairavam no céu sobre as pequenas casas e lojas do povoado, fazendo com que a multidão de bruxos e bruxas que andavam por ali usassem guarda-chuvas e capas sobre os casacos normais. Harry, Rony, Luna e Gina desceram da carruagem que dividiram e começaram a andar pela rua principal, que estava particularmente cheia e lamacenta na ocasião.
-Onde vocês gostariam de ir primeiro? – perguntou Harry ao grupo.
-Qualquer lugar que tenha um teto. – retrucou Rony amuado, esfregando para longe as gotas de chuva que caiam sobre sua face e faziam seu cabelo ruivo grudar em seu rosto.
-Três Vassouras? – opinou Gina. Os outros concordaram silenciosamente e lutando com o barro que afundava debaixo dos seus sapatos e os faziam escorregar, seguiram na direção do bar.
Logo que se aproximaram do lugar em questão, no entanto, notaram uma pequena multidão do lado de fora e, curiosos, se aproximaram para ver do que se tratava. Um pequeno bruxo, pouco mais alto do que o mestre de Feitiços, estava empoleirado sobre um banquinho de três pernas distribuindo algo que parecia um tipo de panfleto. Gina se espremeu por entre as pessoas para conseguir alguns e momentos depois reapareceu, descabelada e com as vestes amassadas, mas sorrindo e trazendo quatro dos pequenos papéis em sua mão.
-É divulgação de uma nova loja em Hogsmeade. - disse ela entregando um panfleto a cada um dos amigos. – A inauguração será após o almoço e quem levar esse panfleto poderá participar do sorteio de brindes.
-"Madame Louise, Witch Gifts." – Rony fez uma careta ao ler o papel roxo luminoso que segurava. – Que diabos de coisas irão vender numa loja com esse nome?
-Eu não sei. – falou Harry também encarando seu papel. – Qual o número do seu? – perguntou para o amigo.
-Setenta e sete, e o seu?
-Setenta e nove.
-Esses números são para o sorteio. – esclareceu a ruiva. - Bem que eu poderia ganhar alguma coisa.
-O meu é número oitenta. – disse Luna numa voz sonhadora. – Um casamento perfeito do penúltimo número puro com o primeiro. Isso é um sinal de sorte, suponho. Se os querubins roxos que rondam as pessoas em busca de suas boas vibrações não passarem por mim, tenho grandes chances de ganhar algum dos brindes.
Gina trocou um olhar com Harry e mordeu o lábio para evitar uma risada, enquanto Rony já ria deliberadamente da loucura da loira.
-Bem, - falou a ruiva alguns segundos depois – ainda temos tempo para uma cerveja amanteigada antes da tal inauguração. E fique tranqüila, Luna, – continuou ela passando um braço em volta dos ombros da amiga – eu não acho que haja muitos querubins roxos rondando o Três Vassouras.
Harry riu para a ruiva novamente e o quarteto seguiu para o bar: Luna deslizando sonhadoramente com os braços meio abertos como se flutuasse, Gina e Harry lado a lado um pouco atrás da loira e Rony fechando o grupo, ainda rindo da gracinha da irmã, embora risadas não fossem a melhor expressão do que ele estava realmente sentindo.
Hermione saíra da sala da professora de Transfiguração se sentindo ligeiramente mais animada. Sua idéia tinha sido aprovada, a maioria dos impasses tinha sido resolvida e os detalhes já estavam acertados com McGonagall. A julgar pelo estado do castelo, que estava muito mais silencioso do que o normal, todos os alunos acima do terceiro ano já teriam seguido para a visita à Hogsmeade.
"Inclusive Harry e Rony." – ela pensou, uma ponta de tristeza começando a lhe atingir novamente. Para não dar espaço ao sentimento e começar a se sentir muito sozinha, Hermione seguiu para o Salão Principal a fim de almoçar um pouco mais cedo, já que nem ao menos conseguira tomar café naquela manhã. Ela se aproximou lentamente da quase vazia mesa da Grifinória e sentou-se numa ponta, perdida em pensamentos. Nem ao menos percebeu quando Adam Banks chegou e postou-se de pé ao seu lado.
-Oi, monitora. – cumprimentou o garotinho alegremente, fazendo a garota erguer a cabeça para olhá-lo. O menino era tão pequeno que mesmo de pé tinha quase a mesma altura de Hermione sentada.
-Olá, Adam. – respondeu Hermione com um sorriso minúsculo.
-Você gostaria de se sentar ali com meu amigo Brandom e eu? – ele perguntou esperançosamente apontando para um lugar no meio da mesa.
-Hum... – fez ela. – Não Adam, obrigada, suponho que estou bem aqui.
-Você não vai ficar sozinha, monitora. – insistiu o garoto a puxando pela mão. – Vem, anda, senta ali com a gente!
-Não, Adam. – Hermione ainda tentou resistir, mas o menino praticamente se dependurara em sua mão e a puxava com toda a força que possuía, fazendo ela se levantar relutantemente e acompanhá-lo.
-Brandom, - falou ele empolgado ao outro primeiranista – olha só quem vai se sentar com a gente hoje no almoço!
O outro garoto olhou para Hermione admirado, quase temeroso, antes de falar:
-Olá.
-Oi... É Brandom, não é? – perguntou ela gentilmente se sentando de frente a ele e ao lado de Adam. O menino afirmou com a cabeça.
-Que legal, todos vão morrer de inveja, não vão, Brandom? – exclamava Adam, excitado. - Nós estamos almoçando com a MONITORA!
Hermione sorriu com a admiração do garotinho e voltou a atenção ao seu prato recém preparado, comendo em silêncio.
-Onde está o monitor? – perguntou Adam a sobressaltando.
-Anh... Ele foi à Hogsmeade junto com todo mundo, suponho. – respondeu ela forçando um sorriso.
-Não vejo a hora de poder conhecer Hogsmeade! – exclamou Brandom, mas Adam não deu atenção ao amigo e continuou fitando Hermione atenciosamente.
-Monitora, por que você está triste? – perguntou ele.
-Eu não estou, Adam, só estava pensando um pouco.
-Eu sei que você está, mas não fique. – insistiu o garotinho dando um tapinha nas costas da menina. – Uma garota tão bonita não deve ficar triste. – completou timidamente.
Hermione não pôde deixar de rir da tentativa de galanteio do pequeno menino.
-Obrigada, Adam, você é um amor. – falou ela dando um beijinho na bochecha do garotinho e se levantando. Adam, por sua vez, sorriu de uma orelha à outra e com o rosto vermelho se virou para ela:
-Você quem é, monitora. – ele falou com os olhos brilhantes. - O monitor tem mesmo muita sorte... – completou abaixando a cabeça.
A garota arregalou os olhos para ele e parou estática no mesmo lugar. Todos conseguiam enxergar certas coisas, até mesmo uma criança. Ela abriu a boca para falar algo a Adam, mas nesse momento alguém tocou seu ombro, fazendo-a se virar.
-Olá, Hermione. – falou Rebecca Brinks sorrindo a ela.
-Oi, Professora Brinks. – ela sorriu de volta.
-Não me diga que ficou na escola por causa de meu convite. – disse Rebecca. – Eu me sentirei culpada se você tiver deixado de ir ao povoado com seus amigos para fazer companhia à uma velha chata.
-Convite? – perguntou a garota, confusa.
-Sim, o Sr. Potter não lhe deu meu recado?
-Hum... Não. – respondeu ela carranqueando.
-Bem, suponho que ele tenha se esquecido. – falou a professora. - Pedi que ele dissesse a você que eu estava lhe convidando para um chá hoje à tarde. Mas claro, se você não tivesse um programa melhor.
-Eu irei, professora. – disse Hermione sorrindo serenamente.
-Que bom. – Rebecca respondeu fitando a garota muito atentamente. – Assim você poderá me contar o motivo de sua tristeza.
A garota meramente acenou com a cabeça, sem nem ao menos espantar-se por ser tão transparente. Afinal, a professora Brinks sempre parecia saber o que ela estava sentindo. Sempre.
-Essa tal "Madame-Louise-não-sei-o-quê" fica do outro lado de Hogsmeade. – reclamou Rony assim que ele e os outros saíram do Três Vassouras algum tempo depois.
-É melhor irmos rápido. – disse Harry olhando o céu recoberto de nuvens cada vez mais carregadas e escuras. – Antes que a tempestade chegue.
Os garotos se apressaram pelas ruas estreitas e apinhadas de gente de Hogsmeade, mas parece que toda a população do povoado também seguia para a loja a ser inaugurada, fazendo o quarteto encontrar dificuldade para caminhar entre tantos bruxos e bruxas.
-Nunca conseguiremos chegar antes da chuva. – murmurou Gina no mesmo momento em que um relâmpago cruzou o céu e o som de um trovão ecoou feroz nos ouvidos de todos.
-Eu conheço um atalho por ali, vamos! – falou Luna apontando uma estreita trilha de terra que sumia por entre algumas árvores à esquerda. Todos concordaram e os quatro correram para a precária estrada, que se encontrava bastante molhada e lamacenta. Quando tinham andado quase a metade do caminho, atolando os pés no barro e se desviando como podiam das várias poças de água suja, a situação se tornou mais crítica e uma chuva torrencial começou a desabar sobre as suas cabeças. Rony praguejou tão alto que mesmo o barulho da água batendo sobre o chão e dos trovões não foi suficiente para sufocar o som de sua voz.
-Já estamos quase chegando! – gritou Luna correndo à frente do grupo, suas vestes arrastando sobre o chão molhado.
-Estrada lamacenta dos infernos! – berrou Rony correndo logo atrás, suas pernas compridas adquirindo uma boa vantagem sobre os outros, seus pés respingando barro para todos os lados.
Harry e Gina se apressaram como puderam para alcançar os outros, mas Luna já conhecia o caminho e Rony era muito mais rápido do que eles devido ao tamanho de suas pernas. Uma mecha de cabelo molhado grudou nos olhos da ruiva encobrindo-lhe a visão, fazendo-lhe afundar com os dois pés sobre uma poça de lama particularmente grande. Mas a poça não era somente larga, parecia se tratar de um buraco, pois Gina afundou-se até a cintura, praguejando tão alto quanto Rony tinha estado meros instantes atrás.
-Gina? – gritou Harry para se fazer ouvido em meio ao barulho da chuva. Ele olhou à ela por cima do ombro e ao vê-la atolada na lama, retornou para ajudá-la.
-Aqui, me dê a mão. – ele gritou outra vez, abaixando-se ao lado da poça. A garota aceitou a mão de Harry e ele começou a erguê-la, mas a quantidade de água embaçava seus óculos e o menino acabou pisando em falso, afundando-se também com rosto e tudo dentro da poça.
-Uff. – resmungou ele erguendo o rosto e cuspindo um pouco de lama. Ele esfregou as lentes de seus óculos e olhou para Gina, que estava muito próxima à ele dentro da poça e ria de se acabar.
-O quê? – falou ele tentando parecer bravo, mas rindo também.
-Você... – ela ofegou em meio às risadas. – Tem tanta lama na sua cabeça que seus cabelos estão quase tão vermelhos quanto os meus. Até poderia enganar que era um Weasley.
Harry olhou a menina ali à sua frente, sorrindo gostosamente e parecendo graciosa com os cabelos grudando dos lados de seu rosto sardento. Naquele momento ele não pôde se impedir de pensar que seria agradável ser um Weasley. Quem sabe. Um dia ele ainda poderia entrar de vez naquela família...
-Engraçadinha. – falou ele enchendo uma mão da lama vermelha e esfregando na cabeça da ruiva.
-Ei! – protestou Gina. – Isso não teve graça, Harry Potter. – completou ela tentando fazer o mesmo. Mas Harry segurou a mão dela, que se debateu e no segundo seguinte ambos estavam muito grudados dentro daquela poça de lama. Os sorrisos foram sumindo gradualmente e ambos se encararam profundamente. Harry ergueu a mão e com o polegar limpou um pouco do barro da bochecha de Gina, que ofegou com o toque e fechou os olhos. O garoto também fechou os seus próprios, aproximando lentamente seu rosto e tocando gentilmente os lábios da ruiva com os seus. Ambos se beijaram timidamente, de um modo delicado. Harry pensou que beijar Gina não era como beijar Luna ou Cho. Gina tinha um sabor único, doce, que sobressaía e se destacava sobre o gosto da chuva ou da lama. A ruiva, por sua vez, sentia os lábios do garoto com quem ela sonhara desde os dez anos sobre os dela e percebeu que era uma sensação fantástica. Não por ele ser o herói da sua infância, ter olhos verdes como sapinhos cozidos ou ser o famoso menino-que-sobreviveu. Mas por ele ser o único que fez o coração dela bater daquela forma. Por ele ser o único que tinha o gosto que ela tanto procurou encontrar: o gosto do amor.
-Harry... – Gina sussurrou assim que os lábios se afastaram. Ela tinha uma expressão de êxtase, como se não acreditasse no que tinha acabado de acontecer. O garoto esfregou a água e o barro de seus óculos uma vez mais e sorriu para ela, seu rosto queimando mesmo debaixo dos grossos pingos gelados da chuva que continuava caindo. Um relâmpago clareou todo o céu, acompanhado de um trovão particularmente forte, acordando ambos dos devaneios em que tinham entrado desde que seus lábios se tocaram.
-Acho melhor sairmos daqui. – disse Harry tomando impulso e saltando fora da poça. Ele ofereceu a mão para ajudar a garota, que finalmente retirou seu corpo de todo aquele barro. Assim, sorrindo, os dois continuaram seguindo apressados pela trilha, agora achando o barulho dos trovões tão agradável quanto as músicas das Esquisitonas e a chuva fria muito mais fácil de encarar.
Quando seu relógio de pulso marcou duas horas da tarde, Hermione colocou seus livros que estivera lendo de volta na mochila e depois de guardá-los no dormitório, seguiu até o segundo andar para a sala de Rebecca Brinks. A professora abriu a porta logo à primeira batida e deu um sorriso contagiante ao ver a menina.
-Oi, Hermione. – cumprimentou ela. – Eu estava desejando saber se você demoraria muito a vir. Sente-se, querida.
Hermione sorriu de volta e sentou-se na cadeira de sempre, observando Rebecca agarrar um punhado de ervas e partir para a salinha dos fundos para preparar o chá.
-É agradável um chá em tempos de chuva, você não acha? – perguntou ela. – Embora eu goste de um mesmo em dias de sol.
A garota encostou-se à cadeira e ficou apenas ouvindo a chuva batendo sobre as janelas do castelo e os trovões soando ao longe, cada vez mais imponentes e barulhentos. Seus pensamentos viajavam e por mais que tomassem rumos distintos sempre acabavam encontrando o mesmo destino: Rony.
-Aqui. – disse Rebecca alguns minutos depois, colocando duas xícaras de chá fumegantes sobre a escrivaninha e uma lata de alumínio azul repleta de biscoitos amanteigados. Hermione tomou um gole do líquido quente e alcançou para um dos biscoitos, distraidamente.
-O que está errado, Hermione? – perguntou Rebecca depois de uma bicada no seu próprio chá. – Você está triste outra vez.
-É exatamente o mesmo motivo de sempre. – murmurou ela apertando sua xícara e fitando abaixo.
-Você quer dizer... os pesadelos? – questionou a professora.
-Não.
-Deixe-me ver... – a mulher olhou bem na face da menina. – Problemas com seu "amigo", outra vez?
Hermione acenou com a cabeça.
-Vocês brigaram? – disse Rebecca penalizada. – Da última vez que você veio tudo parecia tão bem entre vocês...
-Não foi exatamente uma briga. – explicou ela. – Na verdade, foi uma ESCOLHA.
-Uma... escolha?
-Sim... ele escolheu terminar nossa amizade. – falou a menina com lágrimas nos olhos.
-Oh, minha querida, mas por que ele fez isso?
-Ele... bem, ele me pediu algo que eu não poderia fazer...
-Ah, mas isso é horrível... Você não tentou argumentar?
-Com todas as minhas forças, professora.
-Ele voltará atrás, Hermione. – assegurou Brinks. - Cedo ou tarde ele perceberá que uma amizade de tantos anos não acaba simplesmente porque um dos lados decidiu por isso no calor de um momento.
-Professora... – murmurou ela. – Eu... eu sinto falta dele. Muita.
-Claro que você sente. E posso lhe garantir que ele se sente da mesma forma.
-Como a senhora pode ter tanta convicção sobre isso? – perguntou Hermione erguendo os olhos para a mestra.
-Hermione, - Rebecca segurou as mãos da garota – a razão da minha convicção está no olhar.
-No... olhar? – estranhou Hermione.
-Sim. – afirmou a mulher. – Os olhos dele brilham por você do mesmo jeito que os seus brilham por ele.
Hermione corou furiosamente com essa declaração, mas não pôde deixar de sorrir levemente.
-Professora? – disse ela.
-Sim, querida?
-Eu sinto que está tudo errado. – falou a garota, uma fina lágrima agora deslizando por sua face. – Quero dizer, eu não posso ficar sem a amizade do Rony. Ela é um dos bens mais preciosos da minha vida. E agora, agora tudo acabou e eu me sinto desnorteada e-
-Hermione. – interrompeu Rebecca. – Fique calma, nada acabou... Ouça, você lê bastante e com certeza já deve ter lido essa frase em algum lugar, mas vou repeti-la e quero que você analise-a não com sua mente, mas com seu coração.
A menina fez um sinal afirmativo.
-Nunca diga que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado.
As duas ficaram em silêncio por um momento, até que Hermione falou novamente, depois de um longo suspiro:
-Talvez a Sra. tenha razão, professora. Talvez nada tenha acabado.
-Tenho certeza que não acabou, Hermione. – afirmou Rebecca. – Sabe, essa frase me ajudou muito na pior fase de minha vida.
-Quando... bem, aquilo tudo aconteceu? – perguntou a menina.
-Sim. – respondeu a professora. – Quando aquilo tudo aconteceu.
A mulher acariciou as mãos de Hermione com carinho e a fitou longamente, fazendo a garota supor que a professora estava pensando na filha outra vez. A filha que ela tinha dito que Hermione lembrava tanto. Então, repentinamente, uma súbita curiosidade bateu sobre a garota, fazendo-a perguntar, interessada:
-Professora Brinks?
-Sim, querida? – Rebecca perguntou saindo de seus devaneios.
-Como... como era a Kimberly?
A professora pareceu assustar-se um pouco com a pergunta. Ela olhou para Hermione inexpressivamente durante alguns segundos e só então sorriu, antes de responder:
-Ela era a menina mais doce do mundo, Hermione. – falou a professora nostálgica. – Inteligente, estudiosa, carinhosa, meiga... Assim como você.
Hermione sorriu levemente.
-A Sra. tem alguma foto dela para me mostrar, professora Brinks? – perguntou ela.
A professora se tornou imediatamente muito pálida. Lentamente, ela abaixou a cabeça e deu um relance quase despercebido por cima do seu ombro na direção da mesinha onde repousava a caixinha vermelha. Demorou alguns longos segundos até ela conseguir se recompor e olhar para Hermione novamente, embora não encarasse a menina nos olhos.
-Não aqui, Hermione. – ela falou lentamente. - Infelizmente não tenho fotos da Kim aqui.
-Que pena. – disse a menina. – Mas tudo bem, professora Brinks.
-Bom... – falou Rebecca claramente numa tentativa de mudar o assunto. – Mas o que mais você me conta de novo?
-Ah... – fez Hermione pensativa. – Oh, sim, resolvi o problema do jogo para a festa da Grifinória! – exclamou.
-Mesmo? – perguntou Rebecca com um sorriso fraco. – Bem, conte-me então.
Hermione começou a contar sobre suas idéias à professora e, desta forma, o restante do chá transcorreu tranqüilamente. O coração de Hermione ainda vagando na direção de um certo ruivo, mas sua mente conseguindo milagrosamente se ocupar com outras coisas.
Harry e Gina chegaram de frente à loja a ser inaugurada tão molhados e enlameados que arrancaram olhares assustados e até enojados de toda a multidão que se aglomerava debaixo de um grande toldo roxo para tentar entrar no aposento. Logo que se aproximaram, viram a cabeça de Rony olhando por cima das pessoas, nitidamente procurando por eles. Agilmente e tão rápido quanto possível, os dois se desviaram dos bruxos e bruxas parados ali e alcançaram o alto garoto dos cabelos ruivos, que fez uma careta engraçada quando os viu.
-Nossa! – exclamou ele de olhos arregalados, seus lábios começando a se inclinar num sorriso. – Onde é que vocês se meteram? Andaram rolando na lama ou estão apenas tentando se camuflar?
Harry e Gina trocaram um rápido olhar.
-Er... Bem, o que aconteceu foi que a Gina caiu numa poça e eu fui ajudá-la e... e... – começou o garoto nervosamente.
-E ele ficou com tanta inveja de mim que resolveu dar um mergulho também. – completou a ruiva dando um risinho maroto.
Rony olhou a cabeça coberta de lama de Harry e as vestes enlameadas de Gina e ficou muito ocupado rindo da situação calamitosa em que os dois se encontravam para poder reparar no nervosismo do amigo ou no brilho diferente nos olhos da irmã.
-Parece que os sorteios já vão começar. – uma Luna totalmente molhada falou, observando na ponta dos pés o interior da loja. – Talvez vocês quisessem entrar.
Os quatro se espremeram entre as pessoas e vários empurrões e pisões nos pés depois, conseguiram alcançar o interior da loja. O lugar era grande e Harry pensou que lembrava uma daquelas lojas com vários departamentos e seções as quais ele já vira seus tios visitarem (ele ficava trancado no carro quando eles entravam). Altas vitrines de vidro rodeavam todo o grande aposento retangular, todas elas cheias de objetos dos mais variados tipos à mostra. As vitrines tinham rodapés roxos onde pequenas silhuetas prateadas de bruxas e bruxos com chapéus pontudos se mexiam: algumas dançavam, outras agitavam varinhas e ainda tinham algumas que voavam em vassouras. Do teto caíam montes de confetes e purpurina, tudo em roxo e prata também, deixando o chão cada vez mais coalhado de papel e brilho. Ao fundo e virado para a porta de entrada havia um balcão comprido roxo berrante e acima dele, grudadas na parede, grandes letras prateadas dançavam magicamente e emanavam um brilho intenso como de um néon. Elas formavam as palavras: "Madame Louise, Witch Gifts", mas logo se embaralhavam de novo, brilhavam, mudavam as formas e soletravam a frase: "Presentes bruxos para todas as ocasiões."
-Uau! – exclamou Gina olhando ao redor. – Isso aqui é lindo!
-Um tanto quanto chamativo, não? – disse Rony apertando um pouco os olhos devido a claridade das letras dançantes na parede.
-Olhe, Rony! – chamou Harry empolgado. – Aquela vitrine toda está cheia só de artigos de quadribol!
-Nossa! – respondeu ele olhando interessado. – E aquela outra ali só tem doces dos mais variados sabores! – o ruivo apontou à uma vitrine a esquerda. – E aquela outra só possui livros, Hermione iria gostar... – completou olhando a outra vitrine à sua direita, o sorriso minguando consideravelmente ao pensar na garota.
No momento seguinte, porém, uma bruxa de meia idade com vestes roxas berrantes saiu detrás do balcão da mesma cor de sua roupa e começou a falar, sua voz amplificada magicamente:
-Sejam todos bem vindos à "Madame Louise, Witch Gifts", a mais nova loja de Hogsmeade! À vocês que possuem pequenos panfletos como esse, - ela mostrou o papel roxo brilhante – fiquem atentos ao número escrito sobre ele, os sorteios dos brindes irão começar!
Harry, Rony, Gina e Luna se agruparam num lugar mais vazio, próximo à vitrine dos livros e pararam para ouvir.
-Vamos lá... O primeiro ganhador é aquele que possuir o número quarenta e nove!
Ouviram-se alguns murmúrios, lamentos e um gritinho agudo, ao que apareceu uma pequena bruxa de cabelos pretos presos num coque para buscar seu prêmio.
-O próximo ganhador é o cinqüenta e oito! – exclamou a anunciante.Um bruxo corpulento ia aproximando-se sorridente do balcão.
-Por favor, àqueles que forem ganhando formem uma fila aqui ao lado para pegarem seus brindes diretamente das mãos da Madame Louise.
Rony se ergueu nas pontas dos pés para olhar e viu que Madame Louise era uma bruxa minúscula e muito velha, toda em vestes pratas, parecendo aos olhos do ruivo um inseto muito grande e cintilante.
-Mais um: trinta e três!... Outro: vinte e seis! – a mulher continuava exclamando enquanto a fila de ganhadores crescia lá ao lado do balcão.
-Estou começando a achar que os querubins roxos da Luna roubaram minhas boas vibrações. – resmungou Rony ao amigo muitos números depois, fazendo Harry rir.
-E finalmente o último ganhador, dono de um brinde especial, é o de número... setenta e sete!
Rony arregalou os olhos aos amigos e murmurou:
-Ela disse setenta e sete?
-Sim! – exclamou Gina, animada. – Ela disse, ela disse! Você ganhou!
-Eu ganhei? – sorriu o ruivo. – Sim, aqui, eu sou o setenta e sete, os querubins roxos não roubaram minhas vibrações, eu ganhei! – gritou ele erguendo os braços em sinal de vitória e correndo na direção do balcão, atraindo olhares das pessoas ao redor.
-O que será que é o brinde? – perguntou Gina ansiosa, ficando nas pontas dos pés para espiar o irmão, que se encontrava sorridente na fila dos ganhadores.
-Não tenho idéia. – respondeu Harry meio envergonhado para encarar a ruiva nos olhos.
À medida que a fila andou e a vez de Rony chegou, a loja já estava um pouco mais vazia, já que grande maioria dos curiosos com o sorteio tinham deixado o lugar. Harry, Gina e Luna observaram avidamente Rony se aproximar da bruxinha velha das vestes prateadas e pelo que se parecia, à pedido dela, sentar-se num banquinho em sua frente. De início, eles acharam que ela iria apenas parabenizar o ruivo e fazer um pouco de propaganda da loja, mas a velhinha já falava com Rony durante vários minutos agora, todo o tempo sorridente. O menino, por sua vez, parecia ouvir compenetrado, mas sequer abriu a boca uma só vez.
-O que será que ela tanto fala? – perguntou Gina impaciente, fitando o monólogo sem fim da bruxa para seu irmão.
-Não tenho idéia. – Harry repetiu as mesmas palavras que tinha dito há pouco, sua timidez na presença da ruiva crescendo a cada minuto.
Então, por fim, a velha bruxa minúscula retirou um pequeno pacotinho de dentro do balcão e entregou-o à Rony, que fechou-o na palma de sua mão e colocou-o no bolso interno das vestes ao se levantar.
-Então? – quis saber Gina assim que ele se aproximou e os quatro deixaram a loja para o ar livre, agora sem chuva.
-Então o quê? – falou ele.
-Sem gracinhas, Rony, eu estou me descabelando para saber o que foi que você ganhou! – disse Gina afoita.
-Nada de mais. – ele encolheu os ombros. – Apenas umas besteiras de garotas.
-Nesse caso, eu como sua única irmã estou totalmente no direito legal de ficar com o brinde. – sorriu a garota estendendo a mão. – Vamos, me dê.
-O que eu ganharia com isso? – perguntou Rony erguendo uma sobrancelha.
-Ora, meus sinceros agradecimentos! – carranqueou Gina colocando as mãos na cintura.
-Hum... – fez o ruivo fingindo pensar. – Suponho que isso seja muito pouco. Acho melhor guardá-lo. Quem sabe um dia eu precise de você...
-Rony! – exclamou a menina. – Vamos, me deixe pelo menos ver o que é.
-Não.
-Me deixe!
-Não.
-Me deixe!
E durante todo o caminho de volta ao castelo, a menina insistiu com o irmão, sem qualquer resultado. Logo que entraram na sala comunal, porém, a ruiva avistou Hermione sentada à um canto sozinha, lendo um grosso livro de capa vermelha com título em letras douradas, que Gina conseguiu ler apenas a primeira palavra: "Romeu".
Rony observou sua irmã correr na direção de Hermione e, com um choque, ele notou que o livro que escondia o rosto da menina era o mesmo que ele havia cuidadosamente escolhido na seção de livros trouxas da livraria de Hogsmeade para dá-la no natal. Um romance. Que de fato, ele nem sabia que era um na ocasião. Mas mesmo sem querer ele tinha acertado no presente, não tinha? E quem sabe, ele acertaria de novo. – Rony pensou com um suspiro, apertando o pequeno embrulho em seu bolso. – Mas dessa vez, seria por querer.
Tcharam, o que será o brinde do Rony, anh? E o que será que a velha Madame Louise disse à ele? Quais as surpresas a festa da Grifinória nos aguarda?... Bem, isso só lendo o 22, pessoal... ;-)
Mas enquanto isso, sobre o 21:
1- Todos devem saber disso, mas a professora McGonagall diz que estão perto do feriado de São Valentim, isso é dia 14 de fevereiro na Europa, mesmo dia no qual se é comemorado o Dia dos Namorados e mesmo dia em que será a festa da Grifinória.
2- Com certeza vocês já deduziram qual foi a idéia de jogo que Hermione teve, não? Mas todos os detalhes sobre isso serão esclarecidos também no próximo, não se preocupem.
3- Sobre a ceninha H/G: Eu realmente não sei se ficou boa, é a primeira vez que escrevo outro shipper, então se não ficou muito legal, me perdoem, certo? Mas foi gostoso de escrever e eu a dedico a todos os H/G shippers que estiverem lendo a fic!
4- E por último, só queria dizer que achei muito divertido escrever toda a parte da inauguração da loja e as sandices da Luna. E é só.
Agradecimentos:
Kikinhaaa: É, pode acreditar que também fiquei com muita pena da Hermione em escrever a cena final do capítulo 20... Mas é preciso. Bom, que legal que esteja gostando da fic. Comente sempre, ok? Beijos e obrigada!
Hope-W: Fico muito feliz quando vejo gente nova comentando aqui! Que bom que você esteja gostando e tenha resolvido comentar... Pode deixar, o Rony é lento mas uma hora ele toma uma atitude... Eu espero, né? rs... beijinhos, obrigadão!
Biah: Calmaaaa menina! Não precisa ser tão violenta, não! hehhehehehe... Me desculpe pelos acontecimentos do 20, Biah, mas realmente tinha que acontecer... Espero que o 21 tenha te agradado um pouco mais. Beijos, valeu por acompanhar e sempre comentar! Viu que nem demorei a postar? ;-)
Carolina Rezende: Não, sou eu quem SEMPRE vai agradecer! Você não tem idéia de como um comentário pode me deixar feliz, é sério! Muito obrigada pelos elogios mais uma vez... E sim, teve motivos para acontecer o que aconteceu no 20. Sobre o mistério da Rebecca... hum... eu não posso contar se ela é inocente ou não, o que você acha? Espero sua opinião sobre o 21! Beijão!
Val: Obrigada por comentar aqui também, amiga. E sim, o capítulo foi triste, mas como já te expliquei, foi por uma boa causa. Beijão, te adoro!
Rema: Sim, Hermione precisa de alguém que a entenda, não? E pelo que parece a Rebecca faz esse papel. Foi triste o que aconteceu, mas... pelo bem da fic. Obrigada por ler e sempre comentar, Rema, beijão!
Thay: Aqui está a continuação... Gostou do capítulo 21? Menos triste mas ainda assim dá peninha da Hermione, não dá? Bom, é isso, espero sua opinião! Beijos!
Maira Daroz: Ah, te vi lá na comunidade do Orkut! Muito obrigada por participar! E obrigada também por comentar sempre! Sim, o capítulo 20 deu aperto no coração, desculpe por isso. Sobre o mistério em torno da Brinks, muitas coisas ainda virão! Beijos!
Humildemente Ju: O Rony como sempre foi meio precipitado, né, Ju? Mas na hora certa e na medida do possível tudo entra nos eixos... Agora tô querendo é me esconder aqui depois do capítulo 21, você deve estar me odiando, eu sei que você ODEIA H/G... Mas por favor, já falei isso na Floreios e repito aqui: não abandone a fic! Eu preciso de suas opiniões! Beijinhos!
Miss.H.Granger: E veio o 21. E logo! Viu como atendi seu pedido? heheheheheh... Bem, sobre o 20, o Rony agiu por impulsão, mas a intenção era boa, o que ele pretendia era proteger a Hermione e como você pôde ver no 21, ele também está sofrendo... Então, o que achou do capítulo? Espero ansiosa sua opinião. Obrigada outra vez! Beijos.
Camila: Que bom saber que a Hermione é sua personagem favorita! Ela é a minha também, absolutamente! E bom, me desculpe pelos tristes acontecimentos do 20, mas eu espero recompensar vocês por isso, sim. AH, legal saber que minha fic te fez perder o sono! rs... Valeu mesmo, adorei seu comentário! Beijão e até a próxima!
Ufaaaaa... Até que enfim terminei os agradecimentos especiais, é que os comentários estão crescendo a cada dia. (Não que eu esteja reclamando, claro, eu ADORO isso!).
Por hoje é só. Vejo vocês no 22. Obrigada e beijos...
Malfeito feito!
