Um Lugar pra se chamar de Lar
Capítulo 21 – Tristes acontecimentos
# - Boa noite, família. – Cumprimentou Mirok super feliz ao chegar em casa de manhã cedo, achou aquilo estranho não deviam nem ser sete horas da manhã e já estavam todos de pé, num silêncio assustador.
# - Você quis dizer, bom dia, né meu filho. – Brincou Izara.
# - Bom dia, se diz pra quem acaba de se levantar. Como eu não dormi na noite passada, e estou indo pra cama agora, então o certo e boa noite. – Explicou ele sentando-se ao lado da mãe, e ganhou um beijo na testa.
Izara passou o braço sobre os ombros do filho que depositou a cabeça em seu peito, e acariciou seu ventre redondo.
# - Fico feliz que você e a Sango tenham tido um bom encontro ontem. – Felicitou Izara.
# - Eh! Parece que todo mundo sabia o que a Sango tava planejando, menos eu. – Reclamou Mirok brincando com InuYasha e Kagome, que sorriram cúmplices. – Mas por que vocês estão de pé as seis e quarenta e cinco da manhã?
# - Por que é que você não vai descansar agora, agente te conta quando você acordar. – Propôs Izara.
Mirok percebeu que algo sério havia acontecido enquanto ele esteve fora.
# - O que aconteceu? – Perguntou ele mostrando que não sairia dali até saber o ocorrido.
# - A sua tia teve um sangramento ontem durante o jantar, o Sho foi com ela pro hospital. – Explicou Izara.
# - Ela perdeu o neném? – perguntou Mirok.
# - Nos ainda não recebemos nenhuma notícia.
# - Porque não me ligaram ontem à noite? – Questionou ele perdendo a alegria da qual chegara.
# - E acabar com a sua noite, meu filho? Não havia necessidade de você estar aqui conosco, e tenho certeza que sua tia diria o mesmo. – Falou Izara espantando o remorso dos olhos do filho.
Bem naquela hora a campainha tocou, Bankotsu se levantou de imediato para abrir a porta mais não houve necessidade, Suikotsu abriu a porta e entrou pedindo licença.
# - Suikotsu? O que faz aqui tão cedo? – Perguntou Bankotsu estranhando o fato.
# - Eu estava no hospital ontem quando a IzaYo e o Sho chegaram, ele me pediu pra vir dar notícias a vocês. – Explicou ele.
# - E então? – Questionou Izara aflita, apesar de ter passado a noite inteira negando, ela já sabia a resposta, sentia através de Izayo.
# - Ela perdeu o neném.
# - Oh Deus! Isso não e justo. – Chorou Izara de cabeça baixa.
# - A Izayo perdeu muito sangue, ta muito fraca e abalada, o medico achou melhor que ela ficasse no hospital até a noite. Se a sua condição melhorar ela volta pra casa mais cedo. – Explicou Suikotsu.
Deu um olhar de lado para Kikyo, sentada no sofá encolhida ao lado de Kagome, os cabelos desarrumados, a camisola amassada, e os olhos inchados, e algo lhe dizia que não era por ter chorado pela tia, e sim por eles, ou melhor, pelo fim deles, mesmo com todo o drama acontecendo ao seu redor não poder deixar de sorrir ao imaginar se ela acordaria assim tão linda todas as manhãs.
Jakotsu que havia ficado para jantar na noite passada ainda estava ali, levantou-se e foi para perto do irmão.
# - O que estava fazendo no hospital ontem? Era sua noite de folga. – Questionou Jakotsu só para que o irmão ouvisse.
# - Eu fui resolver uma questão com uma pessoa. – Explicou Suikotsu, dando a conversa por encerrada, já que virá Kikyo olhá-lo de relance bem no momento.
Ela levantou de imediato do sofá e subiu para o quarto, sem proferir uma palavra sequer.
# - Agente pode ir até o hospital falar com ela? – Questionou Kagome sentindo-se culpada, já que fora ela quem dera o tal chá milagroso para a tia.
# - E melhor não, Kagome. Quando sai de lá, ela não permitiu nem que o Sho entrasse no quarto. – Respondeu Suikotsu.
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Kikyo ouviu alguém bater na porta de seu quarto, seu coração foi a mil em um minuto, pensando ser Suikotsu, mas por que ele iria até lá, depois do que ouvirá ele dizer ao irmão, que fora ao hospital resolver uma questão com uma "pessoa", com certeza era uma pessoa de saia.
Calhorda!
E ainda tinha coragem de dizer que a amava! Não pode deixar de mostrar a decepção em seu rosto quando viu que era seu pai entrando no quarto.
# - Eu bati mais você não atendeu. – Falou ele fechando a porta atrás de si.
# - Tudo bem, o que quer? – Questionou ela sentando se na cama e cobrindo as pernas com a coberta.
Mesmo se sua tia não houvesse passado mal a noite seria mal dormida mesmo assim.
Tanaka remexeu no bolso de traz de sua calça e retirou sua carteira.
# - Eu mandei fazer um novo cartão de credito pra você. – Explicou ele entregando o cartão.
# - Ahm...
# - Tente não zerá-lo de primeira. – Pediu ele tentando ser engraçado. Pondo-se a sair do quarto mais parou com a mão na maçaneta e virou para encará-la. – Vai me dizer por que fez aquilo com o balanço que eu construí pra Pumpkin?
Kikyo abaixou os olhos e apenas sussurrou:
# - Eu não sei dizer por que. – Kikyo levantou os olhos. – Mas eu sinto muito.
# - Já e alguma coisa, mais não e pra mim que você deve desculpas. – Finalizou Tanaka saindo do quarto.
Kikyo observou o cartão em sua mão, nem mesmo um cartão de credito iria animá-la no dia de hoje.
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Apesar do que Suikotsu dissera, Kagome não conseguiu segurar a vontade de visitar a tia no hospital, não conseguia deixar de sentir-se culpada pelo que aconteceu, era doloroso de mais carregar aquilo dentro dela. Mesmo com o pânico que hospitais lhe davam, depois de tantos meses passados dentro de um quando a doença de sua mãe se agravou.
Ao chegar no hospital viu Sho sentado em um dos bancos do corredor. Estava de cabeça baixa, parecendo derrotado e exausto. Kagome se aproximou colocando a mão em seus ombros.
# - Kagome? O que faz aqui? – Questionou ele.
Pelas lágrimas secas e recentes que havia no rosto dele, ele pode entender a razão de ele estar acuado, ela mesma conhecia essa dor.
# - Vim ver a tia Iza. – Disse ela. – E esse o quarto dela? – Perguntou apontando para porta ao lado.
# - Sim, mas ela não quer ver ninguém, minha querida.
# - Posso ao menos tentar falar com ela? – Perguntou.
Sho assentiu, voltando a posição em que estava. Kagome bateu na porta antes de abrir uma frestinha, IzaYo estava sentada na cama do hospital olhando pela janela, nem sequer se mexeu quando ela bateu, parecia que a vida dela havia ido embora junto com a criança que não pudera nascer.
# - Tia Iza? – Chamou Kagome, somente assim Izayo virou os olhos para ela. – Eu posso entrar?
Ela lhe deu sorriso triste consentindo. Kagome puxou uma cadeira próxima e a colocou ao lado da cama.
# - Eu também perdi um bebê, e sei que dizer eu sinto muito não traz nenhum conforto. – disse Kagome
# - Não, não traz. – Izayo ergueu o braço e tocou-lhe o rosto. – Você está tão linda hoje.
Kagome sorriu, sua tia era tão doce e meiga mesmo em momentos tão dolorosos.
# - Me desculpa, tia. Se eu não houvesse insistido tanto pra que tomasse aquele chá... – Começou Kagome mais foi interrompida por Izayo.
# - Nem sequer pense que isso foi culpa sua. Você me deu esperança, mais não foi você quem a tirou. Simplesmente não era pra ser. Tenho certeza que você também ouviu isso quando perdeu a Poppet. – afirmou Izayo. – Por mais que doa, e o melhor que se tem pra se agarrar. Não é mesmo?
# - Mas tia... Eu não queria que tivesse sofrido isso. – Kagome abaixou a cabeça sentindo as lágrimas arderem nos olhos.
# - Se você não quer se sentir culpada pare... – Izayo ergueu o rosto da sobrinha com um dedo em seu queixo. – Pare, pelo amor de deus, pare. Pare de punir a sua mãe e a sua família pelo que lhe aconteceu. Você sabe como e essa dor, nenhum pai ou mãe deveria conhecer a dor de enterrar um filho.
# - Eu não consigo... Não faço por querer. – Respondeu Kagome.
# - Mais nem por isso deixa de doer neles, meu amor.
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Sho estava na porta do quarto quando Kagome saiu em meio às lágrimas, havia vindo pra se desculpar, mais saiu mais culpada do que chegará. Despediu-se do tio e saiu deixando a porta aberta. Sho ficou ali parado do lado de fora, apenas olhando sua esposa, triste e abatida. Ela não queria que ele a confortasse e nem mesmo dar conforto a ele.
# - Sho? – Chamou ela. – Vem cá.
Ele entrou fechando a porta e sentou-se onde antes Kagome estivera sentada. Não disse nada apenas continuou a olhar para ela, não havia o que dizer, nada que pudesse aplacar mais essa perda.
Izayo pegou a mão dele entre as suas pousando as em seu colo, e as acariciou.
# - Nós vamos superar isso, sempre superamos. – falou ela.
Sho trouxe as mãos dela de encontro a sua boca e a beijou com carinho.
# - Eu não quero mais passar por isso, Izayo. Eu... – engasgou tentando engolir as lágrimas. – Eu não quero que tente engravidar de novo. Sei que você sonha com isso, e meu sonho também, mas e doloroso demais.
# - Eu sei, nossos filhos já encontraram suas metades, não vai demorar pra que eles nós dêem uma penca de netos, não como essa juventude de hoje anda apressadinha. – Brigou Izayo.
Sho sorriu.
# - Eu amo tanto você minha esposa.
# - Nem pense em começar com isso agora, Sho. Sabe muito bem que eu te amo mais. – Reclamou IzaYo.
Apesar da brincadeira ambos ainda permaneciam triste, Sho sentou se atrás dela na cama, e ambos choraram juntos. Superariam mais essa, por que estavam sempre juntos.
Na manhã seguinte Izayo pode voltar pra casa, foi recebida com muitos abraços e choros de todos principalmente de Izara. Fora paparicada pelos filhos e pela netinha postiça. Mais se recolheu com Sho antes do jantar, ambos alegando cansaço. Era obvio para todos que apesar das tentativas deles de parecem bem, mais na realidade encontravam-se arrasados.
Sango, Kagome e Rin haviam vindo jantar com a família, incluindo Suikotsu, que tentava ao máximo ignorar Kikyo, e a resposta dela era a mesma.
# - Será que ele não se enxerga não? – Mirok voltou da cozinha resmungo, parecia enraivecido.
# - Que foi filho? – Questionou Izara, apesar de só os jovens terem ficado na sala após o jantar Izara permaneceu lá mesmo cansada pelo dia triste e exaustivo, e o peso da barriga, apenas para ficar mais perto de Kagome.
# - O papai ta na cozinha aos beijos com a Abby, me deu até nojo de entrar. – continuou Mirok a resmungar, praticamente se jogou no sofá ao lado de Sango.
# - A Abby e uma pessoa muito boa, Mirok. – Explicou Sango não gostando da implicância.
# - Eu sei, e meu pai quem não e boa pessoa.
# - Você realmente precisa superar isso. – Falou Kagome em tom de bronca.
# - Ah! – soltou ele irônico. – Senta no próprio rabo, e ainda acha que tem peito pra falar do dos outros, não é mesmo maninha!
Ai, pensou InuYasha, Mirok estava mesmo de mau humor pelo que viu, já que o trabalho de esfregar as coisas na cara de Kagome era de Kikyo.
# - Mirok! – Repreendeu Izara.
# - Essa e a primeira vez que eu fico orgulhosa de você, maninho. – Concordou Kikyo meio que rindo.
# - Oh, pelo amor de Deus parem vocês dois, por que não vai fazer algo de útil como chamar o Bankotsu pra mim, Kikyo. – Pediu Izara em tom de ordem.
Emburrada Kikyo se levantou do sofá jogando a almofada que estava em seu colo em cima de Kagome e foi procurar Bankotsu.
# - Não precisa me proteger desse dois, Izara, acho que é isso que os sábios chamam de implicância entre irmãos, certo? – Brincou Kagome tentando não levar a sério, o que era uma mentira já que aquilo a magoou.
# - Eu sei, querida. Mas eles estão impossíveis hoje. – reclamou Izara.
# - Vamos da uma volta, Sango. – Chamou Mirok sem esperar por uma resposta, apenas a puxou pela mão e ambos saíram porta afora.
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Kikyo subiu resmungando as escadas, já estava cansada de Kagome ser sempre protegido pela mãe, e naquela noite Mirok a tinha superado. Nem mesmo ela teria achado melhor resposta, pensou com orgulho.
A porta do escritório estava entre aberta e ela sabia que Suikotsu estava lá dentro com Bankotsu, aproximou-se de mansinho pra não ser ouvida. Queria saber o que ambos faziam por tanto tempo trancados no escritório, pensou que talvez Suikotsu pudesse estar falando dela para o irmão, pedindo algum conselho.
Apesar de que não querer que ele se aproximasse mais, não faria nada mal ao seu ego ouvir ele falando com amor, sobre ela, nada mal mesmo.
# - Pode haver maneira de se sentir mais frustrado com isso? – Kikyo ouviu BanKotsu reclamar.
# - Ainda não há nenhuma pista do pai da Rin? – Questionou Suikotsu.
# - Não, e essa espera ainda e mais frustrante, vou ligar pro Renkotsu novamente, talvez ele já tenha achado algo. – Falou Bankotsu.
# - Acho melhor não, Bankotsu, sabe como nosso irmão mais velho é, fica furioso por ser pressionado, além do mais se ele tivesse qualquer informação nova, já teria te ligado. – Explicou Suikotsu.
# - Eu sei, mas...
O telefone celular de alguém começou a tocar, ela conhecia o toque do celular de Bankotsu então só podia ser do irmão.
- Alô? Ah oi, Kayako... Desculpe por ter desmarcado nosso encontro ontem, foi um problema com a família do meu irmão... Sim, sim claro, podemos remarcar para amanhã... Combinamos melhor quando eu chegar ao hospital... Beijo, tchau.
O coração de Kikyo congelou dentro do peito. Ela só pode pensar em uma palavra: MENTIROSO!
# - Quem é KaYaKo? – Questionou Bankotsu, dirigindo-se até a porta.
# - Uma enfermeira do hospital. – Respondeu Suikotsu o seguindo.
# - Você ta procurando por encrenca, meu irmão. – Bankotsu olhou para trás para ver o irmão antes de abrir a porta.
# - Não. – Suikotsu respondeu olhando um ponto atrás do irmão. – Na verdade eu estou tentando me livrar de uma.
Bankotsu olhou para frente seguindo o olhar do irmão.
# - Oh, Kikyo...
# - Mamãe está te chamando. – Respondeu ela olhando diretamente para Suikotsu.
# - Certo, você desce comigo? – Arriscou ele sabendo que se ela ficasse sozinha com Suikotsu as coisas iriam piorar.
# - Não.
Ele nada mais falou, balançou a cabeça e saiu depois de mandar um olhar reprovativo para o irmão caçula, mais ele nem mesmo viu.
# - Mentiroso, esse é o tal amor que sente por mim? Mentiroso! – Acusou Kikyo sem mostrar nenhuma emoção.
# - O que espera, Kikyo? Que eu passe o resto da vida esperando que você amadureça, quero uma mulher de verdade não uma pirralha. – Respondeu ele rancoroso.
# - Só que essa pirralha e a única que deixa louco, nenhuma mulher que tenha vai me superar, principalmente uma infermerazinha de nada, e ainda por cima loira. – Replicou ela sarcástica.
# - Quem disse que ela é loira? – Perguntou Suikotsu achando estranho o fato dela ter acertado, a menos que ela o tivesse seguido ate o hospital.
# - Você não iria querer nenhuma morena que o fizesse se lembrar de mim. – Respondeu Kikyo abrindo um sorriso de deboche.
# - Que presunçosa. Meu mundo não gira ao seu redor, pirralha. – Suikotsu passou por ela e parou ao seu lado, abaixou a cabeça até o seu ouvido e sussurrou: - Não mais.
Suikotsu endireitou o corpo e seguiu por seu caminho, ao chegar no topo da escada ouviu novamente a voz ferina de Kikyo.
# - Procure se convencer disso!
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Kikyo Ken Higurashi nunca perde uma discussão!
Foi o que ela pensou ao bater a porta de seu quarto, seu corpo vibrava pela vitória, mais assim que a fechou a fachada de mulher segura de si, desabou por todos os lados.
Encostou-se a porta e escorreu até o chão chorando em desespero. Em sua solitária vida, seu quarto sempre fora seu refugio. E sua atitude, o modo como a aprendeu a ver a vida, mostrar se forte perante o inimigo, jamais deixar que ele perceba suas pernas tremulas, e principalmente: Suas lágrimas.
Ele já virá uma vez, e por certo não a veria de novo. Não mais, aquela frase repetiu se em sua mente, tinha que acabar com aquela dor, e só havia uma maneira.
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# - AI! – Gritou Kagome.
# - Que foi? – Perguntou Inuyasha assustado.
# - Não sei, eu senti uma fisgada no meu braço. – Respondeu ela acariciando a parte de cima do braço esquerdo. – Ai! Eu senti de novo.
# - Deixa-me ver isso. – Pediu Suikotsu, sentou-se no braço do sofá segurando o braço de Kagome, afastou a manga da blusa comprida, havia duas marcas vermelhas, pareciam unhadas.
# - O que é isso? Não lembro de ter me machucado assim. – Falou Kagome.
Suikotsu tirou os olhos do braço e olhou para o rosto de Kagome e franziu as sobrancelhas.
# - Dói tanto assim? – Questionou ele.
# - Não. O InuYasha deve ter me unhado sem querer.
# - Mas porque você está chorando? – Perguntou Suikotsu.
# - Eu não to chorando! – Respondeu Kagome levando os dedos até um dos olhos onde ela os sentiu úmidos, olhou para os próprios dedos constando o que Suikotsu dissera. – Mas... Eu não me senti chorando.
# - Essa lágrima não é sua Kagome. – Falou Izara. – Apesar de vocês duas viverem brigando, quanto mais tempo passam juntas mais a sua conexão com a Kikyo aumenta.
# - Você realmente acredita que e ela? – Questionou Kagome não convencida.
# - Ponha ambas as mãos unidas em cima de seu coração, feche os olhos e pense nela. – Explicou Izara. – Faça, e tire a prova.
Kagome suspirou fundo, endireitou-se no sofá e fez exatamente aquilo que Izara falou, pensou no momento em que a viu pela primeira vez, quando descobriu a verdade sobre a sua vida. E como daquela vez, sentiu um forte sentimento saindo de seu coração e a invadindo por completo como uma vibração. Viu uma cena em sua mente, Kikyo sentada no chão do banheiro com duas feridas no braço. Então aquilo que Rin dissera, era verdade. Kikyo se alto pune, mais por que?
# - Me deixe em paz, Kagome! – Gritou Kikyo, arrancando Kagome de sua visão.
# - Nossa! Você realmente conseguiu se conectar com ela. – Falou InuYasha olhando pro andar de cima da casa.
# - Então? Era ela mesma, não era? – Perguntou Izara.
# - Sim. Ela parece magoada.
# - E uma pergunta tola, mais o que fez dessa vez Suikotsu? – Perguntou Tanaka.
# - Nada. Ela me rejeitou Tanaka, o que espera que eu faça.
Kagome sentiu alivio ao ver que a conversa partira para ouro rumo, sorte ninguém ter perguntado a respeito das marcas em seu braço, mais percebeu pelo olhar de Rin que ela sabia o que era.
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# - Oi Kagome – Cumprimentou Kaede ao abrir a porta.
# - Bom dia, Kaede. Alguém já acordou?
# - Izara está tomando banho já deve estar descendo. Veio falar com ela? – Perguntou a velha governanta.
# - Sim, mas não precisa ir chamá-la, eu espero ela descer aqui na sala. – Informou Kagome.
# - Ta bom, vou trazer um bolinho de chocolate, pra essa bonequinha. – Falou Kaede apertando as bochechas de Pumpkin que adorou a idéia do bolo. Kaede riu. – Você também pulava de alegria quando se falava em bolo de chocolate.
# - Oh, você já trabalha aqui? – perguntou Kagome surpresa.
# - Bem antes disso, conheci aquelas duas gêmeas sapecas quando tinham 10 anos. As vi crescer. – Respondeu Kaede. – Vou pegar o bolo.
# - A vovó ela sapeca. – Falou Pumpkin com uma risadinha.
Kagome a deitou no sofá, e fez cosquinhas em sua barriga.
# - Quem nem você, bonequinha! – brincou Kagome gostando das risadas da filha.
Poderia Izara ter feito o mesmo com ela naquele mesmo sofá, ela deveria gostar de sua risada assim como ela gostava da de sua filha. Mais então porquê? Porquê não conseguia amá-la como deveria, aquele deveria ser seu lar. Kagome suspirou sendo invadida por uma onda de melancolia.
# - Canta com a mãe. – Pediu Kagome pra afastar aquele mal estar que a tomava. – Chorando se foi quem um dia só me fez chorar...
# - Xolando estala ao leba de um amo que um dia não sobi cuda...
# - A recordação vai estar com ele aonde for...
# - Xolando estala ao leba de um amo que um dia não sobi cuda...
Kagome não sabia porque aquela musica sempre lhe acalmava, não se lembrava de onde a conhecia e Kaguya nunca a cantará para ela.
# - Oh, Kagome, você aqui tão cedo. – Falou Izara radiante, quando encontrou a filha na sala de estar da família. Tentou manter a emoção de lado por ter escutado a filha cantar a antiga canção que ela costumava cantar para os filhos.
# - Oi, vovó! – Pumpkin abriu os bracinhos pedindo que a pegasse no colo e foi atendida.
# - Eu vim te fazer um convite, mais só se estiver bem disposta, com seis meses de gravidez, eu nem conseguia andar direito. – Brincou ela. – Pensei em deixar a Pumpkin aqui com o Sho e a tia Iza, talvez ela os anime um pouco.
# - E uma idéia, eles iram adorar, tenho certeza. E eu me sinto ótima hoje, qual o convite. – Perguntou Izara ansiosa, seus pés estavam inchados, e a coluna doía, mais não negaria um convite de Kagome, nem se estivesse em trabalho de parto.
# - E que eu fui contratada para fotografar um lugar, e uma antiga vila que havia nas montanhas, na cidade vizinha, são 5 horas de viagem até lá, por isso perguntei se estava bem disposta. – Falou Kagome. – Achei que talvez quisesse vir comigo, a historia da cidade e muita linda, você iria gostar.
# - Mais e claro que eu vou com você. – Respondeu Izara tentando conter a alegria, por poder passar o dia inteiro com a filha longe de todo mundo, só as duas.
# - Podemos ir depois do café da manhã então?
# - Perfeito! – Exclamou Izara.
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# - Não sabia que a Kaede trabalha pra vocês desde que vocês eram pequenas. – Falou Kagome tentando quebrar o silencio de quase duas horas, o sorriso estampado na face de Izara lhe dizia que aquilo não incomodava, mais Kagome já estava inquietada por ficar o tempo todo observada pela "mãe".
# - Oh, sim, ela cuidou mais de mim e da Izayo do que a nossa própria mãe, uma ama seca, como eles diziam antigamente. – Izara riu com o comentário. – Meus trabalharam duro pra dar a mim a Izara do bom e do melhor, eles quase nunca ficavam em casa.
# - E eles ainda estão vivos, acho que nunca ouvi vocês falarem dos meus avós maternos. – Falou Kagome.
# - Não, ambos já descansam depois de tanto trabalho. – Respondeu Izara. – Sua avó ainda estava viva quando você nasceu, mais morreu antes de você desaparecer. Teria gostado dela, Mama adorava arte, talvez ela tivesse gostado das suas fotografias. Eu gosto.
Kagome não soube mais sobre o que conversar, a idéia de passar o dia com Izara partiu dela mesma, mais agora não parecia realmente uma boa idéia, não havia o que conversar sentia-se envergonhada e ao lado de uma estranha. A interação de mãe e filha que ela tinha com Pumpkin não era a mesma com Izara, e com sua verdadeira mãe Kaguya também.
Às vezes elas ficavam horas conversando sobre nada, sempre fora sua maior confidente, e com Izara parecia tão diferente do que tinha com Kaguya. Queria ter o mesmo relacionamento que Kikyo tinha com a mãe, mais não conseguia, simplesmente, não achava certo substituir sua mãe, dessa maneira, por mais que a mulher sentada ao seu lado fosse sua mãe de sangue. Ela também não tinha culpa pela separação. Mais quem tinha?
Não conseguia culpar Kaguya por aquilo, afinal ela é sua mãe!
# - Nossa! – Izara exclamou ao ver da janela do carro, a antiga vila.
# - Vamos? – Chamou Kagome saindo do carro. – Foi um monge quem pediu que eu tirasse essas fotos. O templo dele fala a respeito de uma historia que aconteceu aqui na era feudal. Vê o cemitério, tenho fotografar alguns túmulos.
# - E qual e a historia desse local, querida? – Perguntou Izara acompanhando Kagome.
Kagome abriu a cerca de madeira do cemitério e entrou junto de Izara.
# - E uma historia de amor, como todos aprendem na escola, que na era feudal os humanos e os yokais viviam em guerra constante. – Explicou Kagome se agachando para tirar uma foto do tumulo. – Os nomes são desconhecidos, mais havia uma jovem sacerdotisa que protegia esse vilarejo, só que ela se apaixonou por um meio yokai.
# - Oh! Agora eu entendi porque gostou tanto dessa historia. – brincou Izara.
# - É verdade, mais o amor deles foi corroído pelo ciúme. E eles acabaram matando um ao outro. – Explicou Kagome dirigindo-se a outro tumulo.
# - E o que aconteceu? – Questionou Izara.
# - A razão pela qual os amantes se conheceram, uma lendária jóia capaz de poderes extraordinários, e também concebi o seu maior desejo. Apenas um. Foi incumbido a uma sacerdotisa proteger essa jóia contra os yokais, por eles já serem tão poderosos, se caísse nas mãos de um yokai, ele poderia escravizar toda a raça humana ou até mesmo exterminá-la. – Explicou Kagome, fotografando outro tumulo.
# - E o meio yokai estava atrás dela? – Perguntou Izara.
# - Sim, mais não por esses motivos. O seu maior desejo era se tornar um yokai completo. Ele atacou, muitas e muitas vezes a sacerdotisa, mais sabendo o que ele era, não pode matá-lo. De alguma forma ela se sentia conectada a ele, apesar dela viver nesse vilarejo cheio de pessoas que a adoravam, ela era solitária e sozinha como ele. – Kagome passou a mão sobre um tumulo. – Ela está aqui em um desses túmulos. – ela olhou para Izara e lhe sorriu, que se agachou junto a ela perto do tumulo. – A partir daí o meio yokai estava sempre a sua espreita, pronto para a melhor oportunidade de atacá-la, e certa vez sabendo que ele a observava, ela pediu que ele se sentasse ao lado e conversassem. Mesmo desconfiado ele aceitou, por querer saber a razão dela nunca tê-lo matado, já que ela o encurralou milhares de vezes, e ela confessou que tendo ele seguindo ela todas às vezes a fazia se sentir menos solitária. Ele parou de tentar atacá-la depois disso. Tornaram-se amigos e logo depois amantes. Até que a sacerdotisa sugeriu que o meio yokai usasse a jóia de quatro almas para se transformar em humano e viver com ela por todos os seus dias, com a jóia fora do caminho, a sacerdotisa não mais precisaria lutar.
# - E o que ele fez? – Questionou Izara.
# - Ele aceitou. – Confirmou Kagome.
# - O que fez eles matarem um ao outro? – Perguntou Izara.
# - Um ladrão. A sacerdotisa cuidava secretamente de um ladrão dentro de uma caverna, ela era tão generosa que não se importava por ele ser o que era. Mais sua alma era tão cheia de ódio e rancor que atraiu outros yokais para a caverna e o devoraram, só que eles se fundiram tornando se um ser maligno. Tendo nascido como humano, ele virou apenas um meio yokai, só que por haver vários yokais dentro dele, ele conseguiu a habilidade de se transformar naquilo que desejava. – Explicou Kagome.
# - Então, ele enganou os dois? – falou Izara.
# - Ele primeiro se transformou no amante da sacerdotisa e a atacou pelas costas, ferindo a mortalmente, justo no momento que ela entregaria a jóia ao seu amor, ele roubou a jóia, e a levou para aquela casinha lá em cima vê? – Perguntou Kagome para Izara.
# - Sim, aquele era o templo do vilarejo? – Perguntou Izara.
# - Sim.
# - Mais eu não entendo Kagome, se ele roubou a jóia da sacerdotisa, porque ele a colocou no templo novamente? – Questionou Izara pensativa.
# - A jóia de quatro almas, torna-se mais poderosa de acordo com a energia de quem a segura, como a sacerdotisa era boa, sua energia purificava a jóia, por isso ele plantou a discórdia entre ela e o seu amor, pra enegrecer a jóia. Depois de feri-la, ele se transformou na imagem da sacerdotisa e atacou o meio yokai. Sentindo-se traído pela amante, ele atacou o vilarejo que ficou em chamas. Apesar de ferida e com o mesmo sentimento de traição a sacerdotisa voltou ao vilarejo no momento que o meio yokai fugia com a jóia. – Kagome se levantou e ajudou Izara a se levantar. – Venha ver.
Kagome guiou Izara até o meio do cemitério onde havia uma enorme arvore, seca e sem vida.
# - Vê esse furo? – perguntou ela apontando para o local na arvore. – A sacerdotisa cravou uma de suas flechas no coração do meio yokai prendendo o aqui. O yokai que a atacou pensou que a sacerdotisa usasse a jóia para curar suas feridas, ele pensou que aquele seria o seu maior desejo no momento, só que apesar da traição o desejo dela ainda era viver com o meio yokai até o fim de seus dias. Ela morreu aos pés dele. As pessoas do vilarejo que não foram consumidas pelo fogo colocaram a jóia de quatro almas dentro do corpo da sacerdotisa, e ela a levou embora para o outro mundo.
# - Eh, Kagome você tinha razão, eu adorei vir até aqui e conhecer toda essa historia. – Falou Izara aproximando-se da arvore e tocando o lugar onde o meio yokai morreu – Apesar de tudo, acredito que eles ficaram juntos na eternidade.
# - Também gosto de pensar dessa forma, mais muita gente diz que e tudo invenção, já que não há nomes e nem a jóia em si para comprovar a historia. – Falou Kagome fotografando de baixo o templo.
# - Qualquer historia pode ser verdadeira, se existir apenas um tolo para acreditar nela. – brincou Izara fazendo Kagome rir.
As duas conversam e Kagome conseguiu tirar todas as fotos que desejava, já estavam se dirigindo para o carro quando Izara pensou em algo.
# - Kagome? Qual seria o seu maior desejo para pedir a jóia de quatro almas? – Questionou Izara, ambas olharam-se por cima do capo do carro.
Kagome suspirou triste, porém disse a verdade.
# - Nunca ter descoberto a verdade sobre a minha vida.
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Notinha da humilde autora:
Capítulo ficou curtinho né, mais eu queria atualizar de uma vez então ta ai, mais um para vocês, espero que não estejam querendo me matar, eu tenho escrito outras coisas, outras fics, tenho 11 ao total aqui no eu Computador, algumas só com algumas palavras, outra com alguns capítulos, só que eu quero terminar essa primeiro, eu também quero fazer uma parte 2 da fic, Minha amiga, minha perdição, já comecei a escrever o primeiro capítulo, já pensei em tudo que ira acontecer nos três novos capítulos, e está tudo em tópicos para que eu não me esqueça ou coloque em outra fic. Sabe como e cabeça de escritora e cheira de mě®d!
E como uma previa do próximo capítulo teremos:
Um romances um pouco frustrado.
A primeira vez de um casal. Quem é que sabe qual?
Alguns conflitos entre as irmãs. Alguns beijinhos.
Chega, bjos e até o próximo capítulo.
