Ela olhou ao redor, procurando. Seus lábios se esticaram em um sorriso involuntário. Ele estava ali. Usando uma jaqueta jeans desgastada e botas de couro. O cabelo estava jogado para o lado, descendo até os ombros e ele tinha um sorriso assassino.

_Você demorou – foi seu cumprimento.

Eles não diziam coisas afetivas ou que expressassem como se sentiam. Ela queria se certificar de que fosse apenas sexo, sem nenhum envolvimento emocional. Ela sabia que não estava adiantando.

_Foi difícil sair sem chamar atenção.

_Você está vestida demais. Venha cá.

Meia hora depois, naquele hotel barato, deitada em lençóis sujos, ela pensou em como se conheceram. Estavam no bar. Ele apenas de passagem, ela conversando com as outras mulheres, feliz por ter uma pausa. Foi quando ele a viu. Ela era incrivelmente bela, de longos cabelos loiros e olhos claros. Tinha um corpo escultural e falava com paixão. Ele a quis, ele a conseguiu. Estavam há três meses juntos, vivendo um caso de amor tórrido e violento. Era como eles gostavam.

Segurando o lençol com uma das mãos, ela se levantou e andou até a sala, onde ele estava sentado, bebendo uísque. Ele sempre bebia uísque antes de fumar, era uma tradição. Ela o abraçou pelo pescoço, cheirando-o. Ele riu.

_Você parece estar insaciável esses dias, gatinha.

_Eu não acho que posso ser comparada a uma gatinha.

Ele riu mais uma vez.

_Não, você não pode. Você é uma tigresa, intensa e selvagem.

Eles estavam juntos, unidos, se amando. Para ela, o sentimento era tão intenso que não conseguiu controlar seus lábios. Antes que ele pudesse sair de cima dela, ela jogou a palavra amor. Estava apaixonada, confessara e era aterrorizante. Ele apenas olhou fundo em seus olhos, foi intenso. Então acabou com sua angústia. Disse-lhe para fazer as malas e o encontrar no dia seguinte, no mesmo ponto. Eles iriam embora juntos.

Ela era pura alegria naquela noite. Ela fazia tanto por ele, ela o queria tanto que deixaria até mesmo sua família para trás.

Mas, no dia seguinte, ele não apareceu. Ela esperou por horas, sentada em um banco, as lágrimas caindo livremente. Ele não a queria. Ele tinha ido embora. Ele não a deixara sozinha, contudo. Ela carregava o fruto daquele amor intenso e doentio. Ela sentiu ódio. Muito ódio.

Ele viera, pegara o que queria e ia embora sem lidar com nenhuma consequência. Enquanto ela... Ela teria um lembrete eterno do quanto fora machucada.

Ela pegou sua mala e voltou para casa. Sorriu ao ver que Petúnia a esperava, com suas sapatilhas de balé, pronta para lhe mostrar os passos que aprendera na aula. E, por um momento, ela esqueceu de tudo. Apenas por um momento.

~O~

_Pare com isso.

Pisquei algumas vezes, a realidade bem à minha frente na figura do meu melhor amigo. Nós estávamos na casa da mãe, para o tradicional almoço de domingo e seu delicioso Fettucine Alfredo. Eu era um cara de massas e sempre comia o equivalente a duas vezes o meu peso. Pads não ficava muito atrás, mas isso só acontecia porque ele sempre guardava um espaço para os doces.

Nós estávamos nos fundos, como sempre, perto do jardim profissional da minha mãe. Tinha de tudo ali, todo tipo de flor, erva e... Não, erva não. Mais ou menos. Teve aquela vez em que eu e Pads quisemos começar uma horta de maconha. Minha nádega esquerda nunca mais foi a mesma depois que mamãe descobriu. E, embora seja mentira, Pads gosta de dizer que quase teve o sapato rosa dela enfiando no seu traseiro. Essa é uma imagem aterrorizante.

Sophie estava sentada na rede, brincando com uma das bonecas que ela deixava aqui enquanto Harry e meu pai jogavam um pouco de bola. Eu teria que amarrar esse garoto para que ele realmente repousasse. Mamãe estava muito ocupada conversada com a sra. Figg, minha antiga babá e Pads não tinha mais nada para fazer além de me azucrinar perto da churrasqueira.

_Parar com o quê?

Eu sabia que ele não ficaria em Londres hoje, não havia a menor chance de perder o almoço de casa. Era meio que uma tradição, igual quando eu e as crianças passamos as noites de segunda-feira vendo as estrelas. Harry conta as histórias mais absurdas.

_Pare de fazer essa cara – ele roubou uma salsicha da grelha – está me assustando.

Revirei meus olhos.

_A sua cara também me assusta, Pads, mas isso aqui não é um concurso de beleza.

Ele riu, chutando minha canela. Idiota.

_Então, essa alegria toda – ele parou por alguns instantes, apenas me analisando. Foi enervante – ahá! Você está recebendo um tratamento.

Mas que porra?

Essa merda era visível ou o quê?

_Como você sabe?

Ele riu ainda mais, aumentando minha vontade de colocar sua cara na grelha.

_É visível. Você tem esse brilho ao seu redor.

Pare com essa porra. Não tem brilho nenhum ao meu redor, obrigado. Olhei ao redor, ponderando minhas opções. Eu poderia jogar a grelha nele, chutá-lo bem no seu maldito Poseidon – essa merda era ridícula – ou contar para a mãe sobre a sua garota de Londres. Dei um sorriso maléfico.

_Nem pense nisso – ele me avisou, mas era tarde demais.

Não seria agora porém. Não quando minha mãe me olhava daquele jeito, como um policial prestes a interrogar um suspeito. Bufei porque, francamente, o que ela gostaria de saber? Eu não ficava perguntando sobre suas viagens com o pai e acho que ela deveria respeitar minha privacidade também.

_Não estou pensando em nada.

Ele me deu um olhar conhecedor. Sim, ele sabia que teria volta.

_Como foi?

Observei Harry chutar a bola pra cima de Sophie, fazendo-a gritar com ele sobre como ele tinha arruinado o penteado da senhorita Alfreda. E depois vê-la obrigá-lo a brincar com ela. Deus, isso era um pouco assustador.

_O quê? – ignorei seu sorriso – você quer todos os detalhes como se fôssemos garotas virgens? Eu não fico lhe perguntando sobre o que você faz com a Marley.

E nem havia a menor chance de querer saber. Tenho certeza que eu deveria ter medo daqueles dois e desinfetar qualquer local em que eles pudessem ter estado. Nojento.

_Você não pergunta por que não quer, eu lhe contaria tudo – mentiroso – e eu só queria saber se teve fogos de artifícios e essas merdas.

Ele era absurdo, mas eu tive que rir. Fogos de artifícios? Ele estava brincando com a minha cara.

_Sim, foi realmente mágico. Eu vi arco-íris, algodão doce e todos os ursinhos carinhosos – bati em sua mão, impedindo-o de roubar outra salsicha – você realmente acha que mulheres falam desse modo?

Ele me deu um olhar superior, ainda rindo do meu primeiro comentário.

_Eu aposto que Lily está contando tudo a Marley – isso foi um pouco assustador – elas devem estar até comparando os tamanhos.

Chega dessa merda. Como se houvesse alguma dúvida de eu que eu era muito maior.

_Eu não sei por que nós somos amigos.

_Claro que você sabe. Você não é tão expressivo, mas sua mente funciona igual à minha.

Chutei sua canela de volta.

_Isso é preocupante.

_Eu também acho.

Nós acabamos rindo, mas o riso morreu quando mamãe se aproximou. Eu sabia que ela viria atrás de alguma coisa. Ontem, quando me disse que as crianças já estavam dormindo e que eu poderia levar todo o tempo que quisesse, eu sabia que seria difícil escapar dela. Não que não houvesse nada para contar, mas eu não acho que ela ficaria muito lisonjeada de ouvir. Eu diria exatamente a verdade, Lily é sexy, quente e absolutamente flexível. E eu com certeza queria fazer aquilo de novo. Porra de brilho pós-sexo.

_James, querido...

_Espere um pouco, mãe, vou fazer Harry comer alguma coisa.

Ela sorriu, sabendo minha intenção. Mães e seu fodidos radares. Larguei Sirius ali, sabendo que eles iriam falar sobre mim, mas não tinha como eu o arrastar por todos os lugares. Levei um prato com carne e salsicha, parando na frente dos dois. Sophie estava muito contente, cantarolando enquanto penteava a boneca e sorrindo para Harry. A expressão dele me fez rir, suas sobrancelhas estavam juntas, um vinco assustador em sua testa e seus olhos demonstravam todo o tédio que sentia. Isso sem falar nos suspiros que ele emitia.

_Eu quero vê-lo comendo, Harry.

Ele me lançou um olhar suplicante.

_Eu posso comer também, pai? Ou esse prato é só do Harry?

Eu teria que inscrever minha filha em algum esporte. Era normal uma garota comer tanto assim? Chegava a ser assustador. Harry também comia muito, mas por causa da virose, seu apetite diminuiu consideravelmente.

_É para os dois. Depois que você comer, Harry, eu quero que vá brincar de bola mais um pouco.

Ele me deu um sorriso enorme.

_Mas, papai, nós estamos nos divertindo! – a indignação dela chegava a ser muito divertida.

_Está tudo bem, Sophie – Harry tocou em seu braço – eu tenho que fazer o que o papai mandou, mas outro dia a gente brinca.

Estreitei meus olhos para ele, ganhando um sorriso meigo e olhar inocente. Aquela coisa que ele fazia com os olhos... Balancei minha cabeça, deixando o prato ali e voltando para meus dois algozes. Ganhei um levantar de polegares do meu pai que riu descontroladamente quando viu mamãe me cercando.

_Tudo bem, pergunte o que quiser, mas faça isso de uma vez – foi o que eu disse assim que cheguei perto dela, fazendo Padfoot rir ainda mais.

Mamãe bateu em meu braço, fulminando-me com os olhos.

_Pare com esse drama de menina – ela colocou as mãos na cintura – eu não vim pedir nenhum detalhe, filho ingrato.

Suspirei, sorrindo e puxando-a para um abraço.

_Desculpe, mãe, é que Sirius acabou com toda a minha paciência já.

Ela finalmente relaxou, dando tapinhas em minhas costas. Eu ganhei um olhar irritado de Sirius, mas lhe respondi mostrando a língua.

_Parem de criancice, vocês dois – ela deveria ter olhos nas costas – eu imagino que ele tenha feito isso. Mas eu só quero saber uma coisa. Não, duas. Vocês se resolveram?

Assenti, meu sorriso crescendo exponencialmente. Ah, sim, nós tínhamos nos resolvido.

_Essa sua cara responde tudo – ela murmurou, Pads gargalhando ao meu lado – você está feliz então?

Eu estava mais antes, quando estava com ela, nossos corpos suados se movendo no mesmo ritmo. A sua mão descendo pelas minhas costas, arranhando-as, a sua boca trilhando caminhos molhados pelo meu corpo, as suas curvas suaves bem encaixadas em mim, a minha boca em todos os lugares macios e quentes. O modo como ela chamou meu nome quando...

_Isso é um pouco assustador.

Merda. Dei um sorriso amarelo para mamãe, forçando minha mente a ir para lugares mais seguros. Seria embaraçoso se isso não acontecesse.

_Ele está fazendo essa cara o tempo todo – Pads forneceu a informação, rindo muito – ele está dominado. É vergonhoso.

Mamãe bateu nele.

_Não é vergonhoso. Ele está apaixonado.

_Vergonho, mãe. É a mesma coisa.

_Você é quase inacreditável, Sirius, mas eu sei que isso vai mudar. Quando você achar a garota certa...

_Ele já achou – eu me intrometi no meio da conversa, minha vingança já formada – ele está indo para Londres quase todos os dias para vê-la.

Eu achei que minha mãe pudesse estourar. Ela realmente inchou, sua boca aberta num sorriso um pouco assustador, seus olhos com um brilho alucinante. Pads praguejou em voz baixa, cobrindo seus olhos com as mãos.

_E ele não para de mandar mensagens para ela ou ligar. É tão... Romântico.

Segurei a risada. Eu não poderia rir agora ou estragaria tudo. Padfoot deixou bem óbvio sua ira, fuzilando-me com os olhos, sabendo que assim que mamãe despertasse de onde quer que ela esteja ele sofreria um interrogatório.

_Vou deixar vocês sozinhos.

Eu pude ouvir mamãe ofegar, puxando Sirius para um abraço e sua boca se mover rapidamente, jorrando todas as perguntas e exclamações. Ele não iria esquecer isso tão fácil, mas agora eu apenas aproveitaria minha vitória. Fui jogar bola com Harry depois, sem conseguir escapar das bonecas de Sophie também. O olhar irritado de Sirius me seguiu por todos os lugares. Ele teve que se sentar ao lado da mãe, ela provavelmente queria ouvir tudo sobre essa garota. Ergui um copo de refrigerante – nada de cerveja perto das crianças, pelo menos não visivelmente – em sua direção, rindo da sua expressão desesperada. Ah, isso era perfeito.

Xoxo

Peguei um saco de batatinhas com a boca. Numa mão eu segurava três copos e na outra um litro de refrigerante. Eu conseguia escutar as vozes de Harry e Sophie vindas do jardim, o que me lembrou de dar o remédio do meu filho. Como eu não conseguia falar com a boca cheia, cuspi a sacola na mesa, segurando o telefone com o ombro.

_Como assim você está num hotel?

Eu sabia que Hesty havia chegado. Não posso dizer que a perspectiva de não ter mais Lily no trabalho me deixou feliz. Eu queria realizar a fantasia dela da qual ouvi falar quando ela conversava com Marley, antes mesmo de eu conhecer esta última. Eu queria fornicação na minha livraria. Talvez isso fosse um pouco doente, mas eu não ligava.

_Eu não tenho mais nenhum lugar pra ficar, James. Não dava pra morar no sofá. Ele faria minhas costas doerem.

Eu quase perguntei por que ela não foi para casa. Felizmente, as palavras se refrearam a tempo. Meus punhos se fecharam. Eu ainda não acreditava no que tinha ouvido sobre sua mãe. Isso era tão fodido. Ela não merecia nada daquilo. Cocei minha sobrancelha, a garrafa quase caindo da minha mão. Eu não sabia como iria olhar para Andrea agora. Eu poderia atropelá-la com o carro. Ou com Jabba, o que fosse pior. Mulher estúpida da porra.

_Você não quer ficar aqui? Nem que seja por uma noite – eu já sabia o que ela responderia – não gosto da ideia de você ficar em um hotel.

Era provável que as crianças começassem a gostar mais dela do que mim se ela realmente viesse. Sophie seria fácil, porque ela ainda achava que Lily era uma sereia.

_Obrigada, mas não – eu sabia que ela estava pensando na nossa conversa. Aquela que aconteceu antes do sexo fantástico. Bons tempos – eu só vou me certificar de trancar bem a porta. Você sabia que o hotel é dos pais da Rosmerta? Você acha que ela pode tentar me atacar? Ela meio que me violou com os olhos.

Eu tive que rir com essa.

_Que bom que você acha isso tão engraçado – eu ri ainda mais – mas eu realmente não gostaria de acordar com ela me observando ou, pior, me tocando.

Ela tinha um bom ponto aí. Parei de rir imediatamente. Mesmo que fosse uma imagem quente, eu não queria mais ninguém tocando nela. Apenas eu.

_Eu também não quero que isso aconteça, baby.

_Eu não sei como me sinto com você me chamando de baby.

Eu ri novamente. Ela me matava.

Nada de sinais mistos e nenhuma reserva. Lily Evans estava me surpreendendo com isso. Não que fosse ruim, era muito bom vê-la assim. Eu queria mais dela, muito mais.

_E que tal doçura? Querida? Minha ruiva ou minha gata?

Segurei o riso, escutando alguns gritos vindos do quintal. Desde que não fosse Sophie esfaqueando o irmão, estava tudo bem.

_Eu vou começar a chamá-lo de fofinho se você ficar no querida.

A careta foi involuntária.

_Não há nada fofo em mim.

Foi ela quem riu dessa vez. Um dia e eu já estava com saudades desse som. Era piegas, mas era verdade. Eu sentia falta dela.

_Eu sinto sua falta – confessei, me arrependendo um pouco logo em seguida – eu sinto falta do que fizemos ontem à noite.

Ela riu mais uma vez, suavemente agora. Era até doce.

_Eu também.

_O modo como você se movia embaixo de mim e aquele ponto nas suas coxas que...

_Eu entendi, Potter.

Sorri, ouvindo sua respiração acelerar. Agora, isso era ou não era estupendo? Eu deveria saber que provocava esse efeito nela bem antes, teria sido muito bem aproveitado.

_Pai, vem ver isso agora!

Suspirei, despedindo-me rapidamente dela, pensando no que faria a respeito dessa situação. Era ridículo que ela ficasse em um hotel. Eu ainda estava sorrindo. Falaria com minha mãe amanhã cedo.

Quando cheguei ao quintal, o cobertor já estava estendido e Jabba também estava nele. Espantei o cachorro para o lado, batendo a coberta em seguida para tentar retirar os pelos. Sophie estava com a lanterna, passando por vários pontos com ela. Harry, por sua vez, parecia muito entretido lançando olhares desejosos para a piscina.

_Nem pense nisso, meu caro.

Ele suspirou, os ombros caídos.

_Mas eu já me sinto melhor, pai!

_Hoje não, Harry.

Ele bufou, mas veio se sentar ao meu lado. Sophie cutucou meu ombro, apontando para sei lá o que, sua lanterna quase me cegando.

_Papai, são vagalumes!

_Nós poderíamos pegá-los e fazer uma lanterna!

Balancei a cabeça, puxando-os para mais perto. Não era uma noite muito estrelada, mas ainda era bem bonita.

_Vamos fazer isso... Depois – foi minha resposta – eu tenho uma história para contar.

_Ela é boa, papai?

_Vocês é quem me dirão, mas eu só tenho o começo.

Era a ideia para o meu terceiro livro. Eu tinha pensado nisso em uma noite quando Harry chutou a perna da tia de Sirius. Ele recebeu muitos aplausos nossos por isso.

_Bem, Harry está no seu terceiro ano, mas ele está de férias – comecei – ele está com os tios e eles vão receber uma visita importante da irmã do tio dele, uma mulher odiosa...

Eu contei sobre Harry usando um feitiço, sem querer, fazendo a tia Guida inchar como um balão. Falei sobre o ônibus para bruxos e sobre o criminoso que havia escapado da prisão mágica. Assim que terminei, Sophie dormia em cima de mim. Harry estava bem acordado, seus olhos verdes arregalados, fixos no céu.

_Eu gostei – ele disse – quem é o bandido?

Sorri, cutucando-o para que se levantasse.

_Você terá que descobrir. Vamos pegar alguns vagalumes, o que acha?

Ele olhou para a irmã.

_Sem Sophie?

Assenti, pegando a garrafa de refrigerante agora vazia.

_Faremos uma surpresa para ela – expliquei – uma lâmpada para você e uma para sua irmã.

_Tudo bem – seu nariz estava enrugado – mas se ela ficar brava, você tem que assumir que a culpa é sua.

Eu ri, caminhando até chegar perto de onde eles estavam.

_Eu vou dizer que você foi obrigado – revirei meus olhos.

_Então eu te ajudo.

Meu filho tinha instintos de autopreservação. Eu estava criando-o direito. Um barulho de palmas chamou minha atenção e eu o vi correndo atrás dos vagalumes, tropeçar na irmã e acordá-la no processo. Essas crianças. Demorou meia hora para o senhor Philip, nosso vizinho extremamente chato, vir reclamar sobre o barulho. Eu pedi desculpas, mas ele olhou tão torto para Sophie que me tirou do sério.

Mais tarde, com a pequena na cama, realmente dormindo com uma jarra contendo cinco vagalumes, eu puxei Harry pelo braço.

_Escute, Harry, o que nós vamos fazer agora é algo muito ruim e você não pode, nunca mais, repetir. Okay?

Ele me lançou um olhar confuso.

_Nós vamos tramar algo, mas só dessa vez?

Beijei sua testa.

_Isso mesmo, filho inteligente. E não conte nada à vovó, pelo amor de Deus.

Seu sorriso foi tão gigante e sacana que quase me assustou. Peguei Jabba pela coleira, arrastando-o até a divisa do quintal. Harry pareceu pegar a minha ideia, o que me deixou um pouco preocupado.

_Você é o único que consegue mandar no cachorro, Harry, então, escute com atenção. Nosso plano se chama "Bomba de Bosta".

Era o clássico. Eu o usei muito, junto com Pads e Moony, mesmo que este relutasse em participar todas as vezes.

_Você vai mandar Jabba para dentro do quintal do Philip...

_Nosso vizinho chato?

_Sim. Nós vamos deixar Jabba lá por dez minutos. E, enquanto isso, nós vamos recolher os outros cocôs dele e jogá-los lá. Entendido?

Os olhos de Harry brilharam perigosamente. Era nesse horário que Jabba costumava aliviar suas necessidades. Talvez eu fosse um péssimo exemplo, mas talvez eu pudesse lhe explicar por que nós estávamos fazendo aquilo.

_Ouça, nós não estamos fazendo isso só porque é legal, okay? – eu tinha de admitir, era muito bom – nós estamos fazendo isso porque o nosso vizinho encarou a sua irmã. Estamos fazendo isso porque ele pegou a nossa bola que caiu ali e a estourou. Nós temos que proteger quem amamos. Certo?

Harry me encarou como se eu fosse uma fonte de sabedoria, o que eu realmente era.

_Certo, pai. Protegemos quem amamos. Eu entendi. Vamos lá.

O plano deu certo, até determinado ponto. O sr. Philip deve ter escutado algum barulho, pois saiu de casa antes que Jabba retornasse pelo buraco da cerca. Harry assoviou e ouvimos o barulho das patas do cão.

_Quem está aí?

Eu senti meu coração acelerar e minha boca secar.

_É você, Potter? Eu reconheço seu cachorro! Sempre um moleque desordeiro! Não pense que sua mãe não vai ficar sabendo sobre isso!

Quando Jabba finalmente retornou, peguei Harry no colo e corri o mais silenciosamente possível até dentro de casa. Chegando lá, desatei a rir, vendo os olhos de Harry brilharem.

_Isso foi muito legal, pai.

Eu imaginava que tinha sido. A lamúria do senhor Philip era muita alta, principalmente quando ele começou a pisar nos presentes que lhe deixamos.

_Só não conte nada...

_Nada à vovó. Eu sei – ele sorriu – faz um bom tempo que a gente não fazia isso. Vamos fazer de novo?

Eu não tinha mais tanta resistência assim.

_Vamos esperar seu padrinho da próxima vez, ele não iria querer perder toda a diversão.

Ele sorriu de novo, rindo também. Eu o encontrei mais tarde, deitado em minha cama. Talvez fosse hora de fazê-lo dormir em seu próprio quarto. Mas não hoje. Eu deitei ao seu lado, puxando seu corpo para perto do meu. Amanhã eu faria isso. Amanhã.

Xoxo

Cara, festas infantis eram um porre. A casa ficou uma loucura com Sophie. Ela acordou bem mais cedo que o esperado, andando pela casa e, quando voltou do colégio, parecia à beira de um ataque de nervos.

Mamãe estava pirando também. Ela organizou a parte da banda e teve que ir atrás de mulheres para serem as princesas da festa. Ela veio em casa logo que Sophie almoçou, batendo as mãos e mandando minha filha para o quarto para fazer Deus sabe o que.

No momento, olhando mais uma vez para o meu relógio, eu esperava que Sophie descesse. Mamãe tinha saído e voltado novamente para terminar de arrumar a senhorita Elsa. Sirius estava impaciente, usando um chapéu de mago.

_Você sabe que os adultos não precisam usar fantasias, não sabe?

_Cale-se, tolo. Como ousa falar com Merlin assim?

Revirei meus olhos, vendo-o voltar a mexer no celular. Não precisava nem perguntar com quem ele estava conversando.

_Mande um beijo para a sua garota.

_Vá se foder – ele riu, lançando um olhar alarmado ao redor, mas não havia nenhuma criança por perto –James manda beijinhos. Pronto, enviei o seu amor.

Eu estava prestes a mandá-lo se danar quando Harry apareceu. Tossi para disfarçar o riso. Ele estava vestido de Peter Pan, mas não parecia gostar nem um pouco. Sua expressão era de nojo.

_Eu odeio isso. Por que a vovó me comprou isso? Eu queria ser Darth Vader, até mesmo um clone! Eu não quero ser o menino elfo.

_Peter Pan, Harry.

Suas bochechas incharam.

_Tanto faz. Essa calça pinica – ele coçou sua testa – vou ficar de cueca no meio da festa.

Eu tive que rir. Aquele beicinho que ele fazia chegava a ser até bonitinho.

_Eu tenho que usar isso?

Ponderei sobre a questão. Ele deveria ir fantasiado, mas eu não poderia mandar meu filho parecendo um menininho fresco.

_Tire isso e jogue fora – descartei com a mão – coloque seu relógio do Ben 10 que já ta bom.

_Há! Eu sou ou não o melhor padrinho do mundo?

Eu quis dizer a Pads que ele não era, mas o cara segurava uma fantasia do Chewbacca. Meus olhos brilharam e eu quase estendi a mão e peguei a roupa para mim, porém me contive. Harry, por sua vez, parecia maravilhado.

_Puxa, padrinho! Você é o melhor do mundo inteiro! Não, de todo o universo e todas as galáxias!

Sirius riu, entregando a fantasia a ele.

_Eu sou mesmo incrível.

_Certo, é claro – respondi, dando mais uma olhada no relógio – seja rápido, Harry, nós temos hora pra chegar.

Ele assentiu, correndo pela escada e tirando suas roupas de menino perdido ao mesmo tempo. Quando ele voltou mais tarde, estava muito satisfeito. Era o que parecia, mesmo que eu não pudesse ver o rosto dele.

_Eu apresento a vocês a rainha Elsa de Arendelle.

Eu juro que quase ri ao ver minha mãe. Ela estava vestida do que supus ser a fada madrinha. Pads ria ainda mais que eu.

_Let it go, let it go...

Um sorriso estúpido surgiu em meu rosto. Sophie estava com uma peruca branca preso numa trança e ela estava maravilhosa naquele vestido azul. Eu vi Sirius tirando fotos dela e uma da minha cara, mas não me importei.

_Você está linda, Sophie.

_Sophie, não, papai! – ela jogou a barra do vestido para o lado – eu sou Elsa, sua rainha. Me respeite ou mando cortar a sua cabeça.

Huh.

_Talvez tenhamos escolhido a fantasia errada – Pads sussurrou ao meu lado – você está deslumbrante, minha rainha.

Mamãe estava rindo muito e eu acabei sorrindo. Minha pequena Elsa com temperamento de uma rainha de Copas. Sophie ergueu a cabeça, dando um pequeno sorriso.

_Obrigada, eu sei que estou.

_Okay, já chega. Nós temos que ir.

Sophie bufou, mas me seguiu mesmo assim. Acho que ela não tinha visto Harry ainda, pois gritou assim que nós estávamos entrando no carro.

_O que foi, querida? – mamãe já estava apalpando a menina, preocupada.

_Você está doente? Ela também ficou doente? Nós temos que ir ao médico!

Eu digo, nunca conte com Sirius Black em um momento de crise. Sophie, que já estava com os olhos marejados, apontou um dedo acusador para o irmão.

_Eu não posso ir com ele assim! O Harry não ia ser o menino elfo? Por que ele é um urso?

Jesus Cristo. Estava começando a me dar enxaqueca.

_Eu não sou um urso, sua lesma! Eu sou o Chewie!

Antes que eu pudesse mandar todos entrar no carro, mamãe já estava fazendo isso por mim.

_Parem os dois! Cada um vai do jeito que quiser, essa é a regra – ela lançou um olhar mortal para as crianças que entraram quietamente no carro – e, pelo amor de Deus, James! Como essas crianças não sabem quem é o Peter Pan? Eu criei você melhor que isso.

_É claro, mãe. Desculpe.

_Francamente!

Nós finalmente chegamos, depois de ouvir Sophie cantar por todo o caminho e Harry tentar imitar os barulhos que Chewie fazia. A festa seria na casa dos Parkinson. Nós não éramos nem um pouco amigos, mas Sophie e Pansy se davam muito bem. A mãe da aniversariante, ao falar comigo, disse que a filha tinha feito questão da presença dela e da de Ginny Weasley. Parece que depois de ter "lambido" Harry, Ginny teve que suportar o castigo de se misturar com outras meninas e brincar de boneca. Eu não estava surpreso por ela ter se saído bem.

_Vamos lá, lindinhos da vovó. A melhor fantasia é a de vocês.

_Não estimule, mãe – murmurei, mas estava sorrindo.

Os três foram os primeiros a sair, mas eu fui brevemente impedido de segui-los por Pads.

_Hey, você não vai ficar chateado se eu não ficar muito tempo, vai?

Comecei a caminhar, ele me alcançando rapidamente.

_Que porra de pergunta é essa, é claro que eu vou...

As palavras morreram assim que cheguei á entrada. Havia um grupo de princesas ali, todas conhecidas. Vislumbrei que uma delas era Fleur e a outra era Jane. Mas meus olhos foram imediatamente para a figura daquela que era a pequena sereia. Engoli em seco, minha mente voando instantaneamente para a sarjeta, onde ela tinha um belo apartamento. Uma cobertura com piscina.

Lily estava com um biquíni sem alças, verde. Ela tinha também uma cauda muito realista. Lambi meus lábios, meus olhos descendo dos seios até a cintura. Como eu poderia ficar numa festa infantil com a mulher vestida daquele jeito? Eu a queria agora. Imediatamente. Ela estava com uma expressão de tédio que mudou rapidamente quando Sophie – nenhuma surpresa aí – pulou em seu colo, abraçando-a com muito entusiasmo. Eu vi como sua feição se transformou, tédio dando lugar à surpresa que deu lugar ao entusiasmo. Minha mãe estava ali, falando algumas coisas, e Harry também. Ele poderia estar de costas para mim, mas eu sabia que suas bochechas estavam vermelhas.

_Vou ficar legal – minha voz saiu rouca.

Pigarreei umas duas vezes, levemente desnorteado, ouvindo a risada de Pads ao meu lado.

_É claro que você vai – a ironia era perceptível.

Nós andamos até lá e eu finalmente prestei atenção nas outras garotas. Fleur era a Cinderela – os sapatos eram transparentes, Jane poderia ser a Rapunzel ou aquela que dorme por cem anos. E havia a Branca de Neve que era... Bellatrix? Bella Black estava aqui? Isso deveria ser uma festa infantil e não de sádicos.

_O que sua prima está fazendo aqui? – sussurrei para Padfoot. A mulher era louca, com aqueles olhos pretos que me assustavam completamente. Sirius meio que teve uma "coisa" com ela quando eram adolescentes. Acho que ela pode ter sido a primeira dele em tudo. Como ele não se tornou um homem traumatizado está além de mim.

_Bella está aqui? – ele olhou ao redor, abrindo um sorriso enorme quando finalmente a avistou – vou até lá matar as saudades.

A careta de nojo foi involuntária.

_Cara, não. Eu não sei se vou poder olhar pra você de novo se fizer isso.

_O quê? – ele me deu um sorriso de merda – não é como se Lene e eu fôssemos exclusivos.

Virei-me completamente para ele, descrente.

_Você sabe que não é isso, idiota. Uma coisa é você ter saído com a Narcisa, outra é a Bellatrix. Ela me dá ânsia e medo. Sinto minhas bolas se encolhendo toda vez que ela me olha.

Ele riu muito.

_E elas já são pequenas.

_Você só tem inveja.

_E eu não vou fazer nada, só conversar.

Disso eu duvidava muito. Ele era cheio de merda e sabia disso. Seu sorriso dizia isso.

_Vá ver sua garota – ele deu uma rápida olhada para Lily – como sereias fazem sexo?

Dei-lhe um olhar que dizia claramente que eu sabia o que ele estava fazendo.

_Tentarei descobrir isso hoje – ele riu – só tome cuidado, okay? Da última vez ela o deixou algemado, nu, em um motel barato.

_Tudo bem, mãe.

Bati em seu braço.

_Cale essa boca – mas eu estava rindo – tem muita mulher gostosa aqui. Se for pra sair com outra, pelo menos escolha uma que seja tão quente como a Marley.

Sirius que me desculpasse, mas Bella não era sequer agradável.

_Tudo bem, relaxe. E saia do meu pé.

Eu realmente fiz isso, mas não sem antes lhe mostrar o dedo médio. Antes que eu chegasse até a roda dos meus filhos, a voz de Lily chegou ao meu ouvido.

_Ai, Sophie, isso dói.

Fiquei realmente confuso, porque Sophie só estava segurando no braço da ruiva. Minha filha se afastou, lançando um olhar preocupado para ela.

_O que foi? Desculpe.

Lily sorriu, seus lábios vermelhos perfeitos me chamando. Eu queria aqueles lábios bem...

_Meu braço quase congelou!

Revirei meus olhos diante do sorriso enorme que Sophie exibiu. Harry, nem um pouco corado, conversava com um garoto que identifiquei como o filho do Goyle. Eu não iria interferir, não iria embotar a mente do meu filho com preconceitos baratos.

_Hey, acho que seu pai está chamando você, Goyle.

O menino, gordinho e de bochechas inchadas, saiu correndo dali. Mamãe me lançou um olhar conhecedor.

_Muito maduro, filho.

O quê? Eu realmente não queria gente como aquele garoto perto do meu filho.

_Diz a mulher que me prendeu no quarto quando eu disse que iria sair com Malfoy.

Ela me pareceu suficientemente culpada.

_Vou ver o palco – ela sorriu, batendo em meu braço antes de sair. Qual era o problema dessas pessoas com o meu bem estar? Pads já tinha me socado suficiente por hoje.

Meus olhos finalmente encontraram os de Lily. Ela estava sorrindo, avaliando minha figura de cima a baixo. Isso era quente. Eu gostei.

_Vocês não vão se beijar?

Eu realmente amava o meu filho. E o rubor que se instalou no rosto de Lily.

_Nós deveríamos? – perguntei mais para ela do que para Harry. Quem me respondeu não foi nenhum dos dois, contudo.

_Dã, é o que namorados fazem – Sophie me disse como se fosse algo que eu já deveria saber.

Estreitei meus olhos para ela.

_Depois eu gostaria de saber com quem você anda aprendendo esse tipo de coisa, Sophie.

_Elsa – ela me corrigiu.

Veja, ela não tinha feito isso com Lily. Isso era um pouco preocupante. Dei um sorriso para Lily, ainda vermelha, e me aproximei dela. Dei-lhe um selinho rápido, surpreendendo-a, ouvindo o suspiro de Sophie e um "isso é nojento" de Harry.

_Eu achei que as crianças não poderiam saber – ela sussurrou para mim, sem realmente olhar para mim.

Como explicar a ela? Elas já sabiam. E até mesmo entendiam, claro, na sua percepção de uma criança com seis anos de idade.

_Oi, todo mundo! Vocês viram o Gui?

Eu olhei para uma Ginny Weasley diferente. Havia alguma coisa estranha nela.

_Eu adorei o seu vestido! Eu amo o filme da Bela e a Fera – Sophie cantarolou, sua voz afinando ainda mais no final.

Olhei bem para Ginny. Era isso. Ela estava com o cabelo arrumado e usando um vestido dourado. Ela realmente se parecia com uma garota agora.

_Mamãe me obrigou – ela choramingou – eu nem queria vir. Fred e Jorge estavam enchendo as calças de Rony e Percy com lesmas. Eu que peguei elas – seu olhar era de triunfo – vamos jogar bola, Harry? A gente vai fazer um time pra ganhar deles – ela apontou para um grupo de crianças dos Malfoy, Parkinson, Goyle e Mulciber.

Aquela Ginny eu conhecia. Lily deu uma risadinha, cobrindo sua boca com uma das mãos. Nós esperamos, mas nenhuma resposta veio de Harry. Ele olhava para a coleguinha como se nunca a tivesse visto. Ele tinha um vinco enorme na testa e estava coçando a testa novamente.

_Harry? – chamei sua atenção.

Eu conhecia aquela reação. As bochechas dele estavam vermelhas e ele parecia tímido. Ele ficava assim perto de mulheres e até mesmo com garotas da sua idade – com algumas exceções. Ginny era uma delas. Não mais, pelo menos não enquanto ela se parecesse tanto com uma garota.

_Você ta legal? – ela mexeu sua mão para cima e para baixo na frente dele.

_To sim – Harry me deu uma olhada hostil. Como se fosse minha culpa se a menina estivesse usando um vestido – vamos lá.

_Legal! – ela deu um sorriso cheio de dentes para ele – vamos, Sophie. Gabrielle vai ser a torcida deles, mas você é a melhor.

Eu tinha que dar créditos a essa menina, ela sabia jogar.

As crianças finalmente saíram, Sophie dizendo que era a melhor animadora de todo o mundo, deixando-nos sozinhos.

_Isso foi interessante.

Sorri de forma involuntária ao olhar para ela. Os olhos brilhavam em diversão.

_Felizmente, quando ela voltar a se vestir como um menino, Harry voltará ao normal.

Ela riu novamente e eu quase podia ver seus seios balançarem com isso. Fodidas pessoas. Eu queria estar com ela sozinho. E sem esses sutiãs.

_Mas é uma surpresa encontrá-la aqui, doçura – ela riu de novo com a última palavra – uma boa surpresa, contudo.

_Eu sei. Parece que a pequena sereia original teve algum problema e, bem, sua mãe acabou me chamando.

Deus abençoe a minha mãe. Eu teria que dar a ela algum presente maravilhoso por isso.

Ela passou a mão pelo meu braço, quase de maneira inconsciente. Eu estava surpreso em ver quão bem ela estava levando tudo aquilo. Havia algumas pessoas olhando, mas Lily parecia nem sequer tê-las visto. Acho que eu ainda esperava que ela tivesse algum outro surto. Era sempre bom estar preparado.

_Falando em sua mãe... – ela me deu um sorriso conhecedor – eu aceitei a oferta dela.

_Que oferta? – fiz o meu melhor tom de desentendido, o que só a fez rir ainda mais.

_Finja que não foi ideia sua, tudo bem – ela segurou minha mão – ela me convidou para passar meus últimos dias na casa dela. Obrigada.

Eu odiava essa merda. Ela ter que ir embora. Nós teríamos que trabalhar na distância, definitivamente, mesmo que eu ainda nem tivesse falado nada sobre isso.

_Disponha. E, veja só, você vai estar muito perto do meu antigo quarto.

_Eu sabia que você só tinha segundas intenções com isso.

Eu tive que rir.

_Ainda bem que esclarecemos isso. Eu não gostaria que você tivesse a impressão errada.

Alguém chamou seu nome e eu vi, com satisfação, como ela parecia indisposta a sair daqui.

_Tenho que trabalhar – ela me deu um selinho, um sorriso perverso cruzando seu rosto – falo com você depois.

Além de surpreso, pelo beijo, eu estava morto de curiosidade. Aquele sorriso prometia.

Xoxo

Eu comia algum petisco estranho. Não é por nada não, mas festa infantil tem que ter cachorro quente, refrigerante e salgadinhos. Não ostra ou camarões. Mesmo que estes últimos fossem deliciosos.

Eu estava entediado. As crianças brincaram com as princesas, cantaram parabéns para a aniversariante e agora estavam espalhadas pela pista de dança. Sophie rodopiava ao meu redor, balançando as mãos para os lados, para cima e para baixo. Eu acho que ela estava lançando feitiços de gelo, mas não quis perguntar nada. Harry estava em algum lugar aqui dentro. Eu o tinha visto mais cedo, explicando alguma coisa para Thomas. Ele já tinha sumido, porém.

Outro que estava sumido era Padfoot. Eu não queria nem imaginar onde ele estava, já tinha sido muito traumatizante ver aquele sorriso assassino na cara da Bellatrix. Aquela mulher deveria estar num manicômio.

Olhei ao redor, mas também não tive nenhum sinal da Lily. Talvez ela tivesse ido embora, o que era triste, mas eu compraria uma fantasia daquela. Ela a usaria ainda hoje.

Meu celular vibrou bem na hora que mamãe apareceu.

_James, Sophie está caindo de sono.

_Eu já vou embora – não era como se fosse o meu tipo de festa, mesmo que eu tivesse ido a mais festas infantis nesses cinco anos do que naquelas para adultos.

Olhei para a minha filha que ainda rodopiava. Ela não me parecia com sono.

Mamãe fez um gesto de recusa com as mãos.

_Seu pai trouxe o carro, eu levo as crianças. Dê uma carona para a Lily – ela me deu uma piscadela.

Sim, mamãe estaria ganhando um presente antes do seu aniversário. Ela totalmente merecia.

Assim que as duas saíram, Sophie me dando um beijo de boi – uma lambida no rosto – peguei o meu celular.

Cara, venha ao banheiro. Urgente.

Número desconhecido. Que merda era essa? Suspirei. Pads deveria estar amarrado à privada, nu. Eu disse a ele que falar com Bella já era perigoso. Ele deveria me escutar mais, eu poderia não ser o Remus, mas meus conselhos geralmente eram bons.

Eu cheguei ao banheiro masculino – vazio, por sinal – já quase arrebentando a porta.

_Pads, eu disse a você para manter a porra do seu p... Hey!

Eu estava falando e andando pelo lugar quando mãos macias – não era Padfdoot – me puxaram para dentro de uma das cabines. Foi assim que eu me encontrei a sós com Lily Evans e sua roupa sexy de sereia.

Ah, olá aí.

_Epa, epa... Ahá.

Eu fui impedido de falar quando sua boca tocou a minha. Nada de selinho ou beijos doces, ela queria me devorar. E eu era muito a favor dessa ideia. Passei meus braços em sua cintura nua – paraíso. Nós acabamos comigo sentado em cima da privada e ela no meu colo, sua cauda não me incomodando nem um pouco.

_Eu acho – tentei falar por entre os beijos – eu acho que já fizemos isso antes.

Ela riu, ainda me beijando, sua boca deliciosa descendo pelo meu pescoço.

_Você estava me deixando louca.

Eu? Eu heim. Não tinha feito nada.

_Só consegui pensar nisso a festa inteira. Eu quero você agora!

Porra, eu gostava disso. Eu gostava muito. Passei meu dedo pelo desenho do seu sutiã, sorrindo ao ouvi-la suspirar. Eu nunca a teria imaginado me atacando em um banheiro. Levantei-me, puxando-a para o meu colo. Eu conhecia uma saída pelos fundos.

_Você poderá me ter, mas não ainda.

Beijei-a mais uma vez antes de correr até o carro, sua risada vibrando pelo meu peito.

~Lily~

Eu exigi que pudesse pagar a Eliza pela estadia, mesmo com ela se negando a receber o meu dinheiro. Eu era muito grata a James por ter falado com a mãe dele – algo no qual eu sequer havia pensado. E agora eu estava dormindo no antigo quarto dele. Não por escolha, mas Charles me colocou aqui. Ele me disse que havia maior probabilidade de James usá-lo agora. Dica para o quanto eu fiquei envergonhada com isso.

Eu e James tínhamos nos visto bastante. Eu tinha ido à livraria para comprar alguma coisa que não acabei comprando e nós podemos ter dado uns amassos no escritório dele. Talvez. Hesty tinha um sorriso petulante quando nos encontramos mais tarde. Acabei ficando bem corada naquele dia também. Enfim, eu tinha combinado de levar sorvete para a casa dele mais tarde – Sophie tinha me chamado para assistir Frozen com ela – e estava agora no chá de panela da Tuney.

O mix estava pronto, a comida estava excelente e os presentes eram incríveis. Tudo tinha dado certo. Felizmente. Tuney já tinha dançado Macarena, cantado e muito mal uma música dos Rolling Stones e estava com a testa desenhada. Desenhos muito obscenos ali, quase caí da cadeira quando vi a obra prima de Jane. A mulher tinha problemas sérios. Só dizendo.

Mesmo tendo ficado um pouco para escanteio, não tinha amizade com nenhuma das garotas, eu estava me sentindo muito bem. Principalmente porque Jane me evitou durante todo o evento, então, poderia ficar melhor?

Dei uma olhada na minha bolsa, procurando pelo gloss labial que tinha ganhado de Marlene no começo do ano. Ele era vermelho vivo, meu preferido. Não sei por que me escondi em uma das cabines quando ouvi vozes. Foi instintivo. Minha mente correu para outro dia, em outro horário, quando puxei James para uma cabine de um banheiro público. Aquele foi um dia muito bom.

_... Disse isso a ele? O que ele respondeu?

Era a voz doce e um pouco nauseante de Peyton. Meus ouvidos se ergueram um pouco mais, atentos.

_Ele foi tão idiota!

Parei ao ouvir a voz da minha irmã. Ela parecia prestes a chorar.

_Ele me disse que eu já fiz minha escolha. Fácil para ele falar, não é?

Deus, por favor, que elas estejam falando do noivo dela.

_Ele não quer saber se é dele então? Eu não sabia que Edgar poderia ser tão insensível.

Ofeguei, abrindo a porta com um estalido. Tuney me encarou como se o fizesse com um fantasma e Peyton estava envergonhada. Se eu ainda tivesse alguma dúvida, a reação delas me diria tudo.

Minha irmã estava grávida. E não sabia de quem?

Deus, o modo como ela estava mais bonita, os seis mais firmes e redondos, a parada com as bebidas... Petúnia estava grávida.

_Lily, por favor, não diga nada a ninguém.

Balancei minha cabeça, incrédula.

_Você vai se casar sem saber de quem é o seu filho?

Petúnia apenas mordeu seus lábios – meus olhos diretamente em sua barriga ainda plana – e me olhou de forma desafiadora.

_E se ele não for do Válter, huh? Vai deixá-lo criar um filho sem saber que não é dele?

_Eu não seria a primeira a fazer isso.

Foi o modo como ela disse, a forma como me olhou. Algo em mim cintilou, captando a mensagem por trás das suas palavras. Encolhi-me, meus olhos vagando pelo recinto, incapazes de se fixar em qualquer lugar.

Eu precisava sair.

Ignorando seu chamado, saí sem sequer olhar para trás. Eu precisava pensar, precisava esquecer, precisava saber. Eu tinha que saber. Determinada eu voltei à festa, mas Andrea não estava mais lá.

Fui para a casa dela, mas estava tudo escuro lá também. Ela não estava. Ela nunca esteve, não para mim.

Eu era sua filha, não era? Eu era filha do meu pai? Ou eu não era? Era por isso que ela me odiava tanto assim? Não justificava em nada, mas eu não conseguia aceitar isso em minha cabeça.

Só fui perceber para onde meus pés me levaram quando me encontrei em frente à casa de James. Bati na porta, as luzes estavam apagadas, mas ele não dormir. Sua expressão de desapontamento foi substituída por preocupação.

_Lily, por que você está chorando?

Eu não queria responder, eu nem sabia que estava chorando. Eu odiava chorar, mas parece que fiz muito isso desde que voltei para cá. Apenas me joguei nele, aproveitando da sensação de estar em seus braços, do quão confortável era. Eu perceberia mais tarde que havia passado muito tempo vagando e que as crianças tinham esperado por mim, mas não naquela hora. Naquele momento eu só queria esquecer de mim mesma. E chorar em cima da camisa de James.

_Não me deixe – as palavras fluíam tão livremente quanto as lágrimas- não me deixe.

Ele me apertou ainda mais contra si, beijando meus cabelos.

_Eu não vou, baby. Eu não vou.

Não sei por quanto tempo chorei, mas acho que acabei dormindo no sofá dele, mesmo tendo acordado numa cama de casal macia e confortável. Demorei muito para finalmente pegar no sono, eu só conseguia reviver minha infância e adolescência, meus pensamentos em desordem. James ficou comigo a noite inteira, apenas me abraçando e me balançando como a um bebê.

Quando a última coisa que vi foram seus lábios vindo em minha testa, eu pensei no quão certo seria amá-lo. E em como parecia que eu já o fazia.

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Algumas de vocês já suspeitavam sobre a Tuney, não é? E a mãe da Lily? O que será que rola no próximo capítulo? Fico pensando na reação da Andrea... Contem-me o que mais gostaram e o que menos curtiram nesse cap.

Aos reviews!

Jubs Black: Oh. Eu posso estar com um pouco de medo agora, mas fico feliz por ter me perdoado. Muito feliz mesmo. James vai receber flores, bombons e muitos beijos da Lily só por causa disso. Namorados não entendem nosso amor por personagens! Tsc tsc. Eu te entendo. Ela é mesmo uma vaca kkkkkkk Eu entendi, só pra não perder o costume ;) Caracaaa! A Lene bateria nela mesmo e com muito prazer! Terei que pensar nisso agora! Kkkkkkkk Sério? *-* Eu posso estar pululando de alegria agora! :D Vá lá reler, não, não, veja esse primeiro. ^^ Beeejs, gata*

LuaM: The best of the best! *-* Remus mostrando que não está para brincadeira! Suahsaushaushuahs James e Lily, até que enfim! Sem mais dramas entre esses dois! Finalmente. Então, Andrea deve ter algum problema, porque a Lily é sim filha dela. É duro de acreditar que uma mãe faça algo assim com o filho, mas acontece. Realmente acontece :S Iiih, fica de boa aí, companheira, porque a Lily vai brigar mais ainda! Sim, Tuney e Andrea também vão entrar na parada. Espere e verá! ;) Beeejs*

Karinne S: Sim! Eles estão juntos e agora é pra valer! *-* Sem dramas entre eles, obrigada. ;) Amigas loucas são as melhores! Kkkkkkkk Tonks mereceu essa, fica tratando o Remus como um garoto perdido, ele mostrou a ela... Ui ui... Não, nada justifica o modo como ela trata a Lily. Fico feliz por isso *-* Caalma, ainda tem coisas para acontecer! Beeejs*

Marina: Andrea é mesmo do mal! E o pai da Lily é um PM: Pau Mandado. Tonks e Remus foi uma parte ótima, não a melhor, mas ainda assim... Caalma, vai ter uma parte muito divertida pra dar engate pra relação Sirius/Lene ;) Finalmente, huh? Eles estão juntos agora! *-* Beeejs*

L-P Almofadinhas: Chega da Lily bancando a vítima! Kkkkkkkk Ela e James juntinhos e o que é da Andrea ta chegando, espere e verá! ;) Eu gosto muito desse casal, Tonks e Remus, eles são muito cute! *-* Beeejs*

Stra. Dark Nat: Eu sei o caminho para o seu coração! ;) Nem me fale, parece que voou e olhe que comecei a escrever em setembro! Okaay, depois dessa, eu com certeza voltarei com outra fanfic! Na verdade, já tenho uma ideia... Sim, sim, você acertou em cheio! Não justifica em nada o modo como ela trata a filha, mas tem gente que é assim. Ruim mesmo. Lily quase não se envergonhou nessa hora, huh? Kkkkkkk Coitada. Coitada nada! James brotando lá foi demais! *-* Eu também acho, viu? Lily não vai conseguir ficar longe deles! Não vai! :D Jane finalmente levou uma! Ela tava precisando. Kkkkkkkk Tapa na cara, puxão de cabelo, unha quebrada... Isso seria uma loucura! Rsrsrs Beeeejs*

Monteithp: Heey, olá! *-* Naah, eu entendo. E tem vez que a gente demora pra comentar esperando pra ver se a autora não vai dar a louca e entrar em hiatus, o que, convenhamos, é uma droga. Aaah, obrigada! Isso me deixa muito feliz mesmo! *-* Eu me sinto lisonjeada por isso. Mesmo. Lily e James são demais, é maravilhoso de escrever e ler! Lily já está encaminhada para ser mãe deles, mas ainda não sabe ;) Lene e Sirius não têm um pingo de sensibilidade. Eles combinam demais! Kkkkkkkkkkk Nem se preocupe, o capítulo já está pronto! Estou trabalhando com antecedência aqui ;) Beeejs*

Maga do 4: Eu, heim. FF louco. :S Que bom que gostou! Acabei com os patos pra você, não é? Terrível. Terrível. Eu me lembro daquele filme em que o protagonista é um pato e ele tem relações com uma garota humana. Perturbador. Vou tentar tirar isso da minha mente agora... kkkkkkk Beeejs*

Clara Casali: Eu não queria dizer nada, mas eu sou uma bruxa... :O Okay, eu não sou, mas bem que queria kkkkkkkkk Obrigada! *-* Três capítulos sim, mas ainda tem os extras! :D Isso é que é reconciliação! Dá-lhe, James. Sim, ele indo atrás dela mostra que ele é bom demais pra ser verdade... Uma pena... Sninf, sninf. Todo mundo sabe cantar nessa família, mesmo que Lily ainda não seja da família. Por pouco tempo. Ah, não se preocupe, Andrea ainda vai levar na cara! Há! Kkkkkkkkk Isso seria um escândalo! Adoooro! ;) Beeejs*

Anna Evans-Potter: Eu não iria deixá-la esperando por mais tempo. Agora eles se resolveram pra valer! :D Remus não perde tempo brincando, cara mia, ele é um lobo pronto para o ataque (isso foi terrível). Kkkkkkk Beeejs*

Isinha Weasley Potter: kkkkkkkkkk Lily deveria ser proibida de beber. #Fato. Pra ficar melhor, só se Jane levasse umas na cara, huh? ;) Bom que os dois seguiram em frente, né? Mas, só dizendo, Remus é rápido no gatilho. Eu hein! Hmmmm... O que você achou da revelação do final desse capítulo? Andrea tem muito a explicar, não tem? Ela vai ouvir poucas e boas! O negócio vai ferver aqui! :O Sim! James e Lily estão juntos pra valer! Finalmente! Parece que demorei séculos para chegar nisso. Ufaa! Kkkkkk Beeejs*