A Guerra Contra o Céu

Capítulo 21 – Férias e Preparativos – Dia 2, parte 2


No Santuário de Atena, na Grécia, uma reunião peculiar transcorria na Casa de Aquário, da qual participavam, obviamente, o guardião da penúltima casa, Camus de Aquário. Além dele também estavam presentes três de seus discípulos, Ami, o Anjo da Sabedoria; Marine, Espectro Divino de Ceres e o General Marina Isaac de Kraken, que discutiam sobre a inexistência de uma estratégia por parte dos deuses em sua próxima e decisiva batalha.

-Já disse para não se preocuparem. - insistiu o General Marina - O Imperador nos disse que já tem tudo perfeitamente planejado e que só devemos obedecer cegamente suas ordens.

-Mas como querem que acatemos suas ordens se nem sabemos o que planejam! - exclamou Marine.

-Marine tem razão. - opinou Ami - Não podemos seguir cegamente os deuses se nem sequer temos certeza de que têm algum tipo de plano ou estratégia.

-Um bom general é capaz de guiar suas tropas na escuridão com sua total confiança. - disse Camus intervindo pela primeira vez - Não creio que Atena e o resto dos deuses estejam nos levando para lutar contra o desconhecido, pelo menos ela. Como Cavaleiro de Ouro conheço bem minha deusa e estou mais que seguro que esta pausa de 48 horas deve-se a Atena estar preparando algum tipo de plano ou estratagema que nos dê alguma vantagem na batalha, não esqueçam que falamos da própria deusa da estratégia.

-Mas mesmo assim... – começou Ami – Sua majestade Atena deveria ter mais confiança em todos nós.

-Shura é o único entre todos os Cavaleiros que conhece o plano de nossa deusa em todos os seus detalhes. – interveio Camus novamente – Nem mesmo o Grande Mestre sabe o que ela planeja. Para que Atena só informe seus planos a seu Cavaleiro mais leal só pode ser porque essa informação é de vital importância para nossa futura vitória. - o Cavaleiro de Ouro aguardou alguns instantes para que todos analisassem corretamente suas palavras e ao ver seus rostos duvidosos tornou a falar: - Creio que o melhor que podemos fazer é nos prepararmos para a batalha, descansar ou relaxar como sua amiga que em vez de vir duvidar da capacidade de nossos deuses foi fazer uma visita ao Cavaleiro de Peixes.

Uma vez dito isto os semideuses que não pertenciam ao Santuário se retiraram, mas só Isaac estava satisfeito com os resultados de sua reunião improvisada. Marine, por outro lado, não gostava nada dessa falta de confiança que os deuses tinham neles, mas o que mais lhe desagradou foi a lealdade cega de seu mestre, que ela considerava como a pessoa mais prudente e analítica que já conhecera. Ami também estava decepcionada com seu mestre, mas mais que isso estava preocupada, as palavras de Camus deixavam claro que se Atena estava ocultando informações era evidente que existia um espião dentro de suas tropas, ou pelo menos uma possibilidade muito alta de existir. Infelizmente seu principal suspeito, Alberich de Megrez, estava morto, o que a deixava com muito poucos suspeitos, mas enquanto o Anjo da Sabedoria ponderava quem seria o traidor, Lita Kino, o Anjo da Natureza desfrutava de um agradável momento com seu namorado, o Cavaleiro de Ouro Afrodite de Peixes.

-É realmente incrível. - disse Lita observando o jardim de rosas do Cavaleiro de Peixes - Nunca imaginei ver tantas rosas tão lindas reunidas num só lugar.

-Mas nenhuma é tão bela quanto você, minha rosa divina. - disse Afrodite lhe entregando uma de suas rosas.

Lita se ruborizou ante os galanteios do semideus sueco, mas então viu uma rosa solitária em um canto quase oculto do jardim. Podia-se dizer que esse era o lugar menos bonito de todo o jardim, pelo menos em meio metro a sua volta todas as rosas estavam mortas, embora ainda conservassem sua cor e beleza podia-se ver claramente que estavam mortas, a semideusa se aproximou lentamente disposta a tocá-la, mas antes que pudesse fazê-lo foi detida por Afrodite.

-Não toque nessa rosa! - gritou o Cavaleiro de Peixes que quase jogou Lita no chão, ela ficou assustada com o olhar severo de Afrodite, mas se acalmou depois de ver como sua expressão se suavizava – Desculpe Lita, mas só eu posso tocar nessa rosa. - o Anjo da Natureza apenas o olhou confusa – Deixe-me explicar. – tornou a falar o Cavaleiro enquanto a ajudava a se levantar. - Essa rosa é uma de minhas mais recentes criações, na verdade é minha criação mais poderosa. Ela possui um veneno tão poderoso que é capaz de afetar até os deuses, este veneno é feito a partir do meu sangue, o que me dá total imunidade a ele, mas infelizmente isso faz com que só eu possa usá-lo, se alguém mais tocar ou sentir o aroma desta rosa, não terá salvação.

-Entendi. - disse Lita após pensar nas palavras do Cavaleiro de Peixes. Enquanto isso Setsuna e Hotaru voltavam a Tóquio de Cristal, a pequena semideusa foi quem insistiu em vir para poder ver novamente sua amiga Rini. Setsuna a acompanhava, pois sabia que Haruka e Michiru queriam um pouco de privacidade em seu último dia de férias, mas mesmo assim se sentia inquieta nesse mundo. Apesar das gentis boas-vindas recebidas do Rei Endymion e da Nova Rainha Serenity, o problema era como sempre Sailor Urano, que igual a sua contraparte dentro dos Anjos de Ártemis era bastante desconfiada e muito hostil com aqueles estrangeiros que vinham perturbar a paz nos domínios ou na vida de seus soberanos. Diferente de Setsuna, Hotaru se sentia à vontade em Tóquio de Cristal, principalmente por causa da companhia da Pequena Dama com quem agora tinha uma agradável conversa sobre os assuntos mais variados, mas principalmente sobre seu treinamento em Zefir e como se tornara uma semideusa.

-É verdade que ele nunca abria os olhos? - perguntava espantada a menina de cabelo rosa – Tem certeza de que ele não era cego?

-Tenho. - respondeu Hotaru com um sorriso divertido no rosto – Acontece que o mestre Shaka não abria seus olhos por causa do grande poder que liberava quando fazia isso.

-Mas ainda não acredito nisso de que vocês podem se mover mais rápido que a luz. - disse Rini muito segura do que dizia – Mercúrio me disse que nada é capaz de se mover mais rápido que a luz.

-Sim, mas como nós dominamos o poder dos deuses podemos quebrar algumas regras. - respondeu Hotaru não querendo dar uma explicação tão longa como a que recebeu de seu mestre no dia em que fez esta mesma pergunta.

-Ainda não acredito. - declarou Rini, mas antes que terminasse de dizer isso Hotaru jogou uma pequena bola de neve em sua cabeça - Ei! - reclamou a Pequena Dama enquanto tirava a neve do cabelo - Como conseguiu neve se estamos no verão?

-Trouxe-a direto da Sibéria. - explicou uma sorridente Hotaru.

-Isso não é verdade. - disse Rini ainda incrédula – Você deve saber criar neve e não me contou.

-Não. - respondeu a pequena semideusa - Os únicos que podem fazer isso são os Guerreiros de Gelo e eu não sou uma deles.

-Então está bem, acredito em você. - disse Rini - Mas só se me trouxer mais neve. – Não é preciso dizer que Hotaru atendeu ao capricho da pequena princesa, tudo isto acontecia sob os olhares atentos de Setsuna e Sailor Urano.

-Suponho que veio para acompanhá-la. - disse Urano.

-Sim. - respondeu Setsuna - As Haruka e Michiru de meu mundo queriam um momento de privacidade e ela queria vir aqui, então me ofereci para trazê-la.

-Pelo que me disse imagino que nossas contrapartes são muito parecidas conosco. - comentou a Sailor Senshi.

-Mais do que imagina. - disse Setsuna divertida imaginando um encontro entre as Sailors de Tóquio de Cristal e os Anjos de Ártemis.

-Mas também suponho que sua visita não seja algo casual. - disse Urano encarando seriamente Setsuna.

-Tem razão. – admitiu o Anjo da Mudança recuperando sua atitude séria – Amanhã teremos uma batalha decisiva, por isso aproveitamos para passar o tempo junto a nossos seres queridos.

-Entendo. - disse Urano tornando a ficar em silêncio enquanto vigiava para que nada de ruim acontecesse à Pequena Dama.

...

Neste momento, na morada de Hades e Perséfone no Submundo, os dois deuses se encontravam sentados tranquilamente no salão de jantar de seu palácio esperando a refeição ser servida. Junto a eles estavam Tanatos, Hypnos e os Juízes do Submundo, todos convidados pela própria Perséfone.

-Espero que apreciem a comida. - disse a Rainha do Submundo com um grande sorriso em seu rosto – Eu mesma preparei.

As últimas palavras da Deusa da Primavera deixaram seus convidados preocupados, uma vez que todos eles já conheciam as péssimas habilidades culinárias de sua Rainha. Da última vez nem mesmo Cérbero quis provar a comida da deusa. Algumas vezes inclusive, eles usavam esses alimentos para torturar as almas condenadas do Cocytos. Seus temores se confirmaram quando viram um monte de biscoitos num molho verde acompanhados por estranhos frutos vermelhos que boiavam numa espécie de sopa arroxeada.

-Auuuuu!- latiu o cão infernal que parecia estar muito perto do palácio dos soberanos do Mundo dos Mortos.

-Queiram me perdoar Senhor Hades, Senhora Perséfone, mas parece que Cérbero fugiu novamente e meu dever como Juiz me obriga a sair para capturá-lo. - foi o pretexto de Minos que agradecia mentalmente a incompetência de Faraó, mas ele não era o único que pensava num plano de fuga, como Hypnos que fingiu estar dormindo.

-Desculpem meus senhores, mas creio que meu irmão caiu no sono. – disse Tanatos – Acho melhor levá-lo até seus aposentos para que descanse.

-Eu o ajudarei, senhor Tanatos. – ofereceu-se Aiacos aproveitando a oportunidade para escapar também. E assim restaram apenas Radamanthys e os soberanos do Mundo dos Mortos.

-Parece que só ficamos Radamanthys e nós dois. - disse decepcionada a deusa - E pensar que tinha preparado tudo com tanto carinho.

Mas Hades não respondeu, apenas se limitou a encarar fixamente o Juiz de Wyvern que já se sentia incômodo com o frio olhar que recebia de seu senhor.

-Hã, eu... – balbuciou Radamanthys procurando uma boa desculpa para justificar sua súbita partida – Adeus. – disse finalmente o Juiz correndo o mais rápido que podia, provavelmente indo pedir asilo no Santuário de Atena. A confusa deusa então voltou-se a seu marido em busca de alguma explicação para a estranha atitude de seus convidados, mas ao se virar encontrou uma cena que ninguém exceto ela e os irmãos de seu esposo já presenciaram: Hades o temível soberano de todos os mundos da morte estava se entupindo de comida. Isso mesmo, inclusive sua mãe já dissera: "Hades come como um porco".

-Imphto efsta dwelicshoso... - foram as palavras (palavras?) que saíram da lotada boca de Hades, que acrescentou após engolir – Já faz tempo que não provava sua deliciosa comida.

-Fico muito feliz que você goste. - disse Perséfone já acostumada aos elogios de seu marido sobre sua comida, desde a primeira vez que a provou e disse "Isto é muito mais saboroso que a própria ambrosia." - Mas nem Hypnos, Tanatos ou nossos Juízes poderão provar.

-Então sobra mais para mim! - exclamou o deus com um amplo sorriso, tão contente quanto sua esposa. Já no Olimpo, outro casal desfrutava a companhia um do outro, estes eram Ártemis e Ícaro que se abraçavam carinhosamente num dos amplos jardins de seu templo, embalados pelas belas notas tocadas por Abel.

-Enfim sós. – disse Ártemis com uma expressão travessa no rosto.

-Não estamos sozinhos. – lembrou-a o semideus – O senhor Abel está conosco.

-Ah, é, he, he, he, tinha esquecido. – declarou a Deusa da Lua enquanto seu Anjo se perguntava como ela podia ter esquecido se a harpa do Deus do Sol não parava de tocar, então notou como o semblante de sua amada ficava mais sério – Ícaro? – perguntou Ártemis – Você está com medo?

-Não. E você, minha querida deusa? – indagou Ícaro.

-Não, eu também não. - respondeu Ártemis - Confio plenamente em minha irmã, ela nos disse que já tinha tudo planejado, também me disse que depois da guerra nos encarregaremos de nosso dever como deuses e começaremos a forjar um novo mundo.

-Um novo mundo. – repetiu Ícaro – Soa muito bem.

Abel, que embora não parecesse escutava atentamente a conversa, sorriu e repetiu depois do Anjo.

-Sim, um novo mundo.

...

No dia seguinte na cidade de Karakura o Sol raiava anunciando um novo dia, mas diferente dos anteriores este dia não começava brilhante e esplendoroso, nuvens negras haviam se acumulado antes da saída do astro rei e escureciam este dia de verão. Isso, porém, não incomodava os adultos de Karakura, que saíam para trabalhar enquanto seus filhos que estavam em férias de verão permaneciam em casa para evitar o tempo ruim. A residência dos Kurosaki não era exceção, onde o filho mais velho da família era despertado bruscamente por suaves e fracos golpes no rosto que embora não o machucassem o incomodavam o suficiente para acordá-lo.

-Acorda, Ichigo! - gritou mais uma vez Kon, a alma modificada dentro do corpo de um bicho de pelúcia, mas o jovem semideus o ignorava e apenas mudava de posição tentando dormir mais um pouco.

-Ichigo, o café está servido! - foi o chamado de seu pai que fez com que o Espectro se levantasse da cama.

-Já vou! - respondeu o cansado semideus, que se dirigiu como fazia todas as manhãs até a mesa onde sua família o esperava, mas assim que abriu a porta, seu pai Isshin apareceu como sempre tentando surpreendê-lo com um chute, mas Ichigo não estava com paciência para isso hoje então apenas desviou continuando com seu caminho como se nada tivesse acontecido. Assim que chegou, Yuzu, sua irmã caçula, o cumprimentou com um sorriso, enquanto Karin simplesmente dizia oi como de costume, e atrás dele vinha seu pai gritando sobre como as refeições em família eram sagradas.

Tudo parecia normal nessa manhã nublada, mas exceto por Yuzu, os demais membros da família Kurosaki sabiam muito bem que algo estranho se passava com o filho mais velho de Isshin. Até o momento ele não havia pronunciado uma palavra sequer, nem mesmo reclamou com seu pai sobre a estranha maneira que tinha de lhe mostrar seu carinho, isso era bastante óbvio. Embora já tivesse acontecido algo parecido quando ele foi à Soul Society para salvar Rukia, mas naquela vez ele simplesmente sumiu na escuridão da noite, se bem que ainda fora apanhado por seu pai, mas mesmo assim não houve tempo para despedidas. Porém agora sim havia tempo, assim que terminou seu café olhou para o relógio, eram nove e quinze. Perfeito, apesar de ter se levantado tarde ainda tinha 45 minutos antes da hora da batalha, agradeceu pela comida e foi tomar um banho, logo voltou a seu quarto onde se pôs a esperar o tempo passar.

Após mais ou menos 10 minutos ele se cansou de esperar em sua cama, claro com as constantes queixas de Kon que exigia a presença de Rukia, foi então que agarrou o pobre bicho de pelúcia, o enfiou numa gaveta e abriu seu armário. Escondida atrás de suas roupas estava uma caixa metálica com gravuras de Zangetsu em baixo-relevo, passados alguns segundos a caixa se abriu deixando sair a armadura de Ichigo, a qual imediatamente vestiu seu dono. Ao consultar as horas novamente eram nove e vinte e sete, embora fosse muito cedo ele decidiu ir para o ponto de encontro, mas antes de utilizar sua velocidade superior à da luz para sair despercebido notou uma presença muito familiar dentro de seu quarto.

-Ichigo, temos que conversar. - disse seu pai com uma seriedade pouco comum nele, o Espectro podia facilmente fugir ou derrubar seu pai, mas sabia que isso não seria correto, pensou então em utilizar uma ilusão, mas descartou essa ideia de imediato sabendo que assim que deixasse este universo a ilusão desapareceria. Sem mais opções ficou para falar com seu pai.

-O que quer, velho?

-Filho. – começou Isshin – Não sei exatamente o que está acontecendo, mas acho que devo lhe dizer uma coisa antes que vá.

-Já sei o que vai dizer, mas não precisa. – interrompeu o Espectro – Sei tudo sobre você e seu passado como Shinigami.

-Entendo. - disse o ex-capitão que em seguida tirou algo de seu bolso e deu a Ichigo que o segurou.

-Desculpe, mas não preciso mais. - declarou o jovem semideus ao reconhecer o objeto como o amuleto que seu pai lhe dera antes de sua primeira viagem à Soul Society.

-Não importa, leve-o. – insistiu Isshin – Mas lembre de que tem que me devolver.

-Obrigado. - sussurrou Ichigo antes de desaparecer da vista de Isshin, que puxou um cigarro do bolso e começou a falar sozinho.

-Estaria muito orgulhosa dele, não é Masaki?

Era de madrugada na Grécia quando Ichigo chegou ao Santuário de Atena. Nunca visitara este lugar, mas pelas histórias e instruções de seu mestre Shura conhecia muito bem o caminho até a Sala do Grande Mestre. Pelas concentrações de Cosmo soube imediatamente que os Cavaleiros de Ouro já estavam lá e que não havia ninguém que guardasse suas casas. Aproveitando isto o Espectro chegou rapidamente na Sala do Grande Mestre, como era bastante óbvio ali já se encontravam Atena e seus fiéis Cavaleiros, mas algo que o surpreendeu era ver ali também seus amigos Espectros de Perséfone, Poseidon e a Deusa da Lua junto a seus Anjos que pelo visto já estavam há bastante tempo esperando o resto dos guerreiros.

-Mas vejam só quem é o primeiro a chegar. - comentou Renji.

-Do que está falando? – perguntou Ichigo – Vocês chegaram aqui antes de mim.

-Correção. – interveio Anne – Você é o primeiro a chegar hoje.

-Todos nós decidimos dormir no Santuário. – esclareceu Renji ao ver a expressão confusa de seu companheiro para logo acrescentar – Nenhum de nós queria perder tempo em despedidas inúteis pela manhã.

O Espectro de Zangetsu entendeu que era uma forma de dizer que não tiveram coragem de se despedir de suas famílias e entes queridos. Em outra ocasião talvez tivesse feito um comentário sobre a covardia de Renji, mas não era a hora nem o lugar para isso, então se dirigiu em silêncio até Rukia e a cumprimentou com um leve beijo na boca para se colocar a seu lado. O silêncio reinou até que o tempo limite chegou ao fim e todos os deuses e semideuses que faltavam chegaram pontualmente. Uma vez que todos se reuniram Atena deu as últimas instruções revelando parte de seu plano.

-Meus fiéis guerreiros. – começou a Rainha dos Deuses. – Sei que muitos de vocês têm colocado em dúvida minha capacidade como estrategista, e com toda razão, pois não falei sobre meus planos, por isso revelarei uma parte deles. Talvez vocês tenham se perguntado o porquê desta pausa de 48 horas. Como disse antes foi para que me permitisse realizar os preparativos para esta batalha, isso era verdade. - a deusa fez uma pausa - Durante esse tempo estive criando uma série de dimensões ao redor do "universo base" de Caelum, essas dimensões serão seu campo de batalha. Para enviar os deuses inimigos a essas dimensões apenas Abel, Poseidon e eu iremos pessoalmente enfrentar Caelum, o mais provável é que seus aliados tentarão nos atacar assim que chegarmos, mas será então que usaremos portais para mandá-los a essas dimensões que criei, dimensões nas quais vocês deverão esperar seus inimigos, derrotá-los e depois nos seguir e ajudar a vencer Caelum, está tudo claro?

-Sim, sua Majestade! – gritaram em uníssono todos os presentes, imediatamente Atena criou dez portais, cada qual recebeu um número diferente de semideuses, exceto Seiya e o Grande Mestre que entraram sozinhos em dois deles por ordem de Atena, que também decidiu quem e quantos entrariam em cada portal. Tão logo todos ingressaram neles a Rainha dos Deuses criou outros sete nos quais entraram ela e o resto dos deuses. Tal como ela previu assim que chegou ao universo de Caelum ela foi atacada por todos os deuses inimigos, os quais estavam reunidos na sala do trono do Deus do Céu, lugar no qual apareceram Atena e seus acompanhantes. Mas antes que pudessem sequer tocá-la foram transportados às diferentes dimensões que ela havia criado ficando apenas ela, Poseidon e Abel frente ao terrível Caelum.

-Estava esperando você. - disse Caelum com aborrecimento - Mas como sou um deus muito bondoso te darei outra oportunidade. - o deus se levantou tranquilamente de seu trono – Una-se a mim e prometo não destruí-la.

-É engraçado, Caelum. - respondeu Atena que parecia tão calma quanto seu bisavô - Eu também ia te pedir algo, renda-se e perdoarei sua vida.

Um sorriso arrogante se formou na face do Deus do Céu, que sacou sua espada para bloquear a investida de Atena começando com a batalha entre os dois deuses, tudo diante dos olhos de Poseidon e Abel que apenas observavam o que prometia ser a maior batalha da história de toda a Criação.


Finalmente começou a grande batalha, assim como a reta final da primeira parte da história, nos próximos capítulos veremos como os semideuses separados em grupos enfrentarão os terríveis deuses de várias mitologias.