Capítulo 20 - Caos

"Qualquer coisa que você construir em grande escala ou com intensa paixão convida ao caos." - Francis Ford Coppola

Tradutora: Beatriz.

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Jake e eu costumávamos jogar um jogo em Seattle chamado 'encontre este filme'. Nós nos revezávamos soltando pistas, e a outra pessoa teria que pegar o filme, adivinhando sobre o que a outra estava falando. Nós devorávamos porcarias e assistíamos ao filme, perdendo horas estúpidas no sofá em frente à TV, juntos.

Uma vez a pista de Jake era "cena de jantar mais estranha de todas". Sem sequer pensar, eu peguei 'Professor Aloprado' com Eddie Murphy e fui direto para onde ele estava.

"Que merda é essa?" Jake perguntou quando eu lhe entreguei o DVD.

"É o filme que você queria" eu disse confusa enquanto me sentava em seu sofá. "Nenhuma cena de jantar é tão estranha como aquela em que eles começam a peidar na mesa."

Ele revirou os olhos. "Eu juro que você é um garoto de doze anos de idade lá no fundo. Você peida tanto quanto um também."

Antes que eu pudesse me sentir confortável, ou até mesmo pensar em dar o troco nisso, Jake me arrastou para o seu carro e nós dois fomos direto para a Blockbuster mais próxima. Ele devolveu o meu filme, declarando que era uma 'merda', e em vez dele pegou uma cópia de 'Entrando Numa Fria' com Ben Stiller.

"Não tem como essa cena de jantar ser pior" eu disse, fazendo beicinho no caminho de volta para casa dele. Bundão. Eu estava tão certa de que eu estava certa. "Quero dizer, qual é... a vovó começa a falar sobre Mike Douglas deixá-la molhada... no jantar! O que é pior do que isso?"

"Três palavras para você: ordenhar um gato" Jake disse, erguendo o DVD como para enfatizar seu ponto. "Confie em mim, Bella. Realmente não existe nada pior do que isso."

Eu, a contragosto, assisti ao filme, e embora estivesse bem perto, eu me recusei a ceder. Um bate boca se seguiu, isso durou algum tempo. Jake não falou comigo pela próxima maldita semana.

Essa foi a nossa primeira briga, por mais ridícula que fosse, e quando me sentei à mesa da sala de jantar dos Cullen ao lado do meu amigo teimoso, tentando me distrair da situação em questão, nossas palavras naquela noite se repetiram em minha mente.

Inclinei-me para mais perto de Jake e sussurrei: "Nós dois estávamos errados, você sabe."

Ele cortou os olhos para mim. "Errados sobre o quê?" ele murmurou, mastigando um pedaço de bife.

"Nós brigamos sobre a cena de jantar mais estranha de todas" eu disse. "Nós dois estávamos errados, porque eu tenho certeza que essa leva o bolo."

Ele sorriu. "Esta não é tão ruim."

"Não é tão ruim?" Eu perguntei, incrédula. "Como isso poderia ficar pior?"

Ele deu de ombros. "Nunca se sabe. Eu poderia começar a cantar no meio da refeição."

Eu ri, mais alto do que eu pretendia. A conversa ao redor da mesa se silenciou enquanto todos olhavam em nossa direção. Jake encolheu os ombros, porém, completamente imperturbável, e continuou a comer.

Eu esfaqueei a comida no meu prato enquanto olhava em volta, a atmosfera era tão tensa que eu podia senti-la em minha pele. Ninguém parecia querer estar ali, mas ninguém teve a coragem de se levantar e admitir isso. Eles desajeitadamente mergulharam na conversa novamente, a noite passando, mas eu estava muito desconfortável para sequer me considerar contribuinte.

Os pais de Tanya se sentaram à minha direita, comendo entusiasticamente como se não tivessem visto comida em semanas. Eles mastigaram ruidosamente, se agarrando e se batendo enquanto eles pegaram mais comida e se atrapalhavam com os talheres. Tanya e Edward sentaram-se à nossa frente, aparentando prazer algum por terem de estar ali. Edward parecia querer fugir, os olhos indo continuamente à porta, enquanto os olhos de Tanya estavam atirando punhais em minha direção. O olhar fez meu sangue ferver e eu queria arremessar minha comida nela para fazê-la parar.

Os outros estavam reunidos ao redor, tentando aliviar o clima. Esme era hospitaleira, mas parecia estar perplexa conforme lançava olhares estupefatos para seu filho, enquanto Carlisle era tão calmo e sereno, como de costume. Jasper, Emmett e Kate estavam de lado, nenhum deles se atrevendo a se envolver em nada disso. Todo mundo ficou tão chocado quanto eu quando os pais de Tanya apareceram, ninguém sabia exatamente o que dizer sobre tudo isso.

Jake parecia orgulhoso do que ele tinha feito, apesar de tudo, já que um sorriso arrogante aparecia continuamente em seus lábios. E eu? Eu estava quase bêbada e começava a não sentir mais nada.

Com exceção dos olhares furiosos de Tanya, claro... aqueles que eu não conseguia escapar.

"Você tem um amorzinho de lar" disse Irina, tomando um gole de vinho tinto, enquanto olhava a sua volta. "E esta mesa é tão grande! Eu nunca vi uma que pudesse acomodar tanta gente. E tem até guardanapos de pano - é tudo tão chique!"

Jake bufou e tentou se conter, enquanto os olhares de Tanya só ficavam mais hostis.

Eu peguei meu copo de vinho e bebi a última gota antes de pegar, silenciosamente, a garrafa fresca que Carlisle tinha acabado desarrolhar. Minha mão tremia quando eu coloquei um pouco em meu copo antes de colocar a garrafa em cima da mesa bem na minha frente. Eu tinha a sensação de que eu precisaria de um pouco mais disso em breve.

Eu tomei um gole enquanto eles continuaram a conversar, a conversa incessante entrava por um dos meus ouvidos e saia pelo outro. Meu cérebro se recusava a deixar qualquer coisa da conversa deles ser absorvida. Ele já tinha digerido palavras suficientes para um dia.

Blá, blá, blá. Um monte de besteira de casamento.

Blá, blá, blá. Eles estavam todos cheios de si mesmos.

Blá, blá, blá. Ninguém entendia uma palavra do que eles estavam dizendo.

Blá, blá, blá. Eu não poderia aguentar muito mais disso.

Eu fui tomar outro gole, frustrada, e fiquei perplexa ao encontrar o meu copo já vazio. Eu cutuquei Jake com o cotovelo, batendo o garfo de sua mão. "Você roubou a minha bebida?"

Ele parecia divertido. "Não, você bebeu."

"Quando?"

"Um segundo atrás. Bebeu tudo em um gole, comilona."

Eu apertei os olhos para ele. Isso não parecia certo. Ladrão de vinho do caralho. Minha cabeça estava nebulosa e nada parecia se conectar. Depois de um momento eu peguei a garrafa e me servi um copo, desta vez enchendo-o até a borda. Eu derramei um pouco em cima da mesa e dei de ombros, colocando a garrafa de volta no lugar mais uma vez.

Eu bebi. Eu os ignorei. Eu bebi um pouco mais. Eu os ignorei um pouco mais. O ciclo contínuo de novo e de novo. Lave, enxágue, repita. Eu me sentia como se estivesse presa em um ciclo de rotação sem nenhuma chance de parar a maldita máquina. Voltas e voltas, para cima e para baixo... Eu estava começando a ficar tonta com o impacto de tudo isso.

Tanya. Grávida. Ensopando tudo isso certamente não estava me ajudando.

Tomei outro gole depois e engasguei quando alguém disse meu nome. Eu comecei a tossir e Jake bateu nas minhas costas com força, derrubando o copo da minha mão. As poucas gotas de bebida restavam nele se derramaram sobre a toalha da mesa, e eu olhei para a mancha vermelha fresca, em luto pela perda do meu vinho.

Alguém disse meu nome de novo e eu olhei para cima, empalidecendo quando eu vi que os olhos de todos estavam em mim. Merda. "Huh?"

"Nós estávamos falando sobre o seu trabalho, querida" Esme disse. "Eu estava dizendo aos pais de Tanya que você é uma crítica gastronômica famosa."

"Oh. Eu, uh..." Olhei de Esme para os outros, sem saber o que dizer. Irina parecia genuinamente interessada, enquanto Laurent já tinha voltado para sua comida. Ele não tinha dito muito desde que chegou, mas ele transbordava uma espécie de seriedade que me intimidava. Armadura prisional, como Charlie sempre chamava. "Uh, eu não sou realmente famosa."

"Não seja modesta" continuou Esme, forçando um sorriso. "Todo mundo por aqui sabe exatamente quem você é."

"Yeah, uh, eu realmente não acho que eles me conheçam devido a minha coluna, no entanto" eu murmurei. De todos os tópicos em todo o mundo, por que nós temos que falar de mim? "Eles me conhecem mais por-"

"Ser presa aos dezoito anos?" Tanya entrou na conversa, me cortando. "Eu aposto que isso é muito inesquecível, já que o seu pai é o Chefe de Polícia. Escandaloso."

Eu fiquei boquiaberta e esperei que Edward falasse, mas ele permaneceu em silêncio e continuou a estudar a saída mais próxima, como se estivesse esperando que o lugar explodisse em chamas e tivesse que correr para a segurança.

"Eu não acho que o que eu fiz quando eu tinha dezoito anos tem alguma coisa a ver com isso" eu disse defensivamente. "E realmente, eu acho que você não pode julgar de qualquer jeito, desde que você-"

Eu fui interrompida de novo, mas desta vez por Jake. Ele me chutou por debaixo da mesa antes que eu pudesse terminar as minhas palavras. Eu fiz uma careta e olhei para ele, mas eu não tinha nada a dizer. Ele estava com sorte pra caralho e eu já tinha esquecido o que estávamos falando.

Carlisle limpou a garganta. "De qualquer forma, eu só quero dizer que é maravilhoso ter vocês aqui. Tanya disse que vocês estavam muito ocupados para fazer isso, então eu me preocupei que não teria a chance de conhecê-los antes de nossos filhos se casarem."

"Ocupados?" Irina disse, rindo. "Nada é mais importante do que o casamento da minha filha. Eu sempre sonhei com o dia de hoje, você sabe. O dia em que minha princesinha tirada de seus pés por seu príncipe arrojado."

Derramando mais vinho, eu revirei os olhos. Prendendo ele, pensei. Enganando ele.

"Nada significa mais para nós do que a felicidade de Edward" disse Carlisle.

"Sim, e se Tanya é que o faz feliz, estamos felizes por ter Tanya como parte da família" acrescentou Esme.

Eu me abstive de engasgos e tomei outro gole, mais uma vez encontrando o meu copo vazio. Olhei em volta. Mas que diabos?

Estendi a mão para a garrafa, mas a encontrei com apenas um pouquinho de bebida restante. Eu rapidamente coloquei em meu copo.

"Eu sabia que ela ia encontrar um bom homem" continuou Irina, sorrindo para a filha. O olhar em seu rosto, embora irritante, bateu em alguma coisa dentro de mim que fez o meu estomago se retorcer. Havia amor em seus olhos, devoção por sua filha. Era o olhar de uma mãe que estava realmente orgulhosa.

Era um olhar que eu sempre tinha sonhado, mas nunca recebi, já que minha própria mãe parecia ser capaz de me ver apenas com desprezo.

...

Houve uma batida tímida na porta da frente, e eu desfaleci ao mal ouvi-la de onde eu estava em pé na cozinha. Eu estava com o cotovelo submerso em sabão, água quente, esfregando furiosamente uma travessa de lasanha enquanto tentava me distrair.

"Eu atendo" Charlie murmurou da sala de estar. Isso era o que ele mais falava para mim em dias. Fazia quase uma semana desde a visita do médico, quando Carlisle tinha dado a notícia de que eu não estava grávida. Minha menstruação tinha finalmente chegado, excessivamente tarde e tão terrível quanto sempre.

Eu estava atribuindo a culpa de tudo ao estresse,deprimida demais para pensar sobre o fato de que eu poderia ter estado realmente grávida.Eu também estava atribuindo o comportamento de Edward ao estresse,magoada demais para considerar que ele tinha realmente terminado comigo pra valer.

Eu não tinha ouvido falar dele desde que ele saiu do escritório, deixando-me ali sozinha. Carlisle tinha me levado para casa, sem dizer uma única palavra durante o trajeto. Ele parou na minha garagem e eu estava prestes a sair do carro quando ele estendeu a mão e gentilmente apertou o meu braço."Não vá atrás dele.Deixe ele vir até você."

Olhei para ele por um momento. "Mas e se ele não vier?"

"Ele virá" disse Carlisle."Basta dar algum tempo a ele."

Enquanto eu estava ali, com as mãos enrugadas e nos pratos, essas palavras passaram pela minha mente. Ouvi Charlie abrir a porta,e depois o som dele falando furiosamente em voz baixa, e minhas entranhas paralisaram.

Poderia ser Edward?

No momento em que Charlie gritou meu nome, eu tinha certeza que era. Carlisle tinha razão.Ele veio até mim.

Eu largueia esponja na água,molhando a mim mesma,e limpei as mãos na minha camisa enquanto eu corria para a sala de estar. Meu coração estava batendo rapidamente, sendo rompido para além da excitação e ansiedade, lutando pelo controle. Eu respirei fundo enquanto eu virava a esquina, e estava prestes a chamar o nome dele quando olhei para cima e parei no meio do caminho.

...

Algo dentro de mim estalou.

As pessoas sempre dizem isso - eu mesma tinha dito isso no passado - e eu decidi levar pelo sentido figurado. Eu pensei que eles estivessem apenas cansados e não podiam aguentar mais. Mas não... isso realmente aconteceu. Algo dentro de mim literalmente se soltou.

Eu podia sentir isso, uma sensação tensa em meus músculos antes do último pedaço de fio que me mantinha junta desapareceu. Houve uma corrida intensa de adrenalina, uma onda de enjoo e raiva. Meu estômago embrulhou conforme meu peito se apertou, e a emoção só ia saindo de mim.

Eu não tinha certeza do que causou isso, do que foi a gota d'água. Talvez fosse as palavras de Carlisle e Esme sobre só quererem que Edward fosse feliz. Não era isso que eu queria? Não era sobre isso que eu me preocupava também?

Talvez tenha sido o orgulho de Irina, e a maneira óbvia de que ela amava a sua filha.

Talvez tenha sido a indiferença de Laurent, lembrando-me do fato de que o meu próprio pai estava longe de ser encontrado.

Talvez fosse o sorriso no rosto de Tanya, e o jeito que ela se inclinou e beijou suavemente Edward nos lábios.

Inferno, talvez fosse simplesmente porque ele nem sequer olha para mim.

Ou talvez, apenas talvez, fosse o fato de que agora estávamos completamente sem vinho.

Agarrei a garrafa vazia com força, segurando-a de cabeça para baixo em cima do meu copo, e sacudi furiosamente enquanto as lágrimas inundavam os meus olhos. Eu não tinha força ou capacidade de impedi-las, e elas escorriam pelo meu rosto, manchando meu rímel.

"Bella" eu ouvi Jake dizer, com a voz distorcida. Avoada, confusa... Eu estava flutuando sob a água. "Calma, querida."

Eu balancei a garrafa com mais força, tentando ignorá-lo e controlar minhas emoções. Gotas perdidas de vinho tinto se espalharam em toda a toalha branca de Esme.

"Swan?" Edward disse, tomando conhecimento. "O que há de errado?"

"O que há de errado?" Eu gritei, jogando a garrafa. Ela bateu contra o meu prato, derrubando o meu copo de vinho vazio e isso só me enfureceu ainda mais. Eu gemi alto, empurrando a cadeira para trás quando me levantei. "O que há de errado é que alguém bebeu todo o maldito vinho! Acabou tudo! Tudo! Não há mais nada para mim!"

A sala ficou estranhamente silenciosa com o meu desabafo, todo mundo parou o que estavam fazendo para virar e olhar para mim.

"Você está bem, querida?" Esme perguntou, parecendo genuinamente preocupada quando ela se levantou. Ela estendeu a mão para mim, prestes a agarrar meu braço, mas eu me afastei antes que ela pudesse.

"Eu pareço bem?" Eu perguntei. "O vinho acabou e eu preciso dele, e ele se foi. E cheguei tarde demais. Eu queria isso - eu sempre quis isso - e agora eu não posso tê-lo. Eu vim até aqui para isso, e eu perdi a minha chance! Não posso ter a porra do vinho! Ele se foi!"

Carlisle se levantou rapidamente, pronto para a ação. "Há mais vinho na cozinha."

"Mais vinho na cozinha? Claro que há! Mais vinho na cozinha, mais peixe no mar, a grama é mais verde, e eu não posso ganhar, porra! Não posso! Não importa o que eu faça! Eu não quero esse vinho de merda, eu só quero um. Nunca houve outro para mim, e ninguém se importa. Ninguém." Fiz uma pausa para tomar fôlego, meu peito queimando quando eu comecei a chorar mais. Meus olhos dispararam para Edward, que finalmente estava olhando para mim de novo. Ver sua expressão deplorável foi demais para aguentar. Eu tive que desviar o olhar. "Ele não se importa."

Eu corri para longe da mesa, quase chegando até a porta quando Edward e Jake pularam de suas cadeiras. Corri pela casa, todo mundo me seguindo conforme eu irrompia pela porta da frente e ia para o quintal. Havia um calafrio no ar, o sol tendo se posto, e isso esfriou imediatamente a minha pele febril. Alguns pingos de chuva caíram em mim quando um trovão ressoou a distância, o aviso ameaçador de uma tempestade iminente.

Eu respirei fundo, o oxigênio queimando meus pulmões apavorados. Eu estava em chamas, caindo aos pedaços bem onde eu estava.

"Swan, espere" Edward chamou, correndo atrás de mim. "Só... espere um maldito minuto."

Virei-me com o som de sua voz, de pé sobre os limites da propriedade entre as nossas casas. "Esperar? Você quer que eu espere? Eu esperei, Edward! Eu sempre esperei! Eu esperei que você me notasse, me amasse. Esperei que você me quisesse como eu te queria. Eu esperei e esperei e esperei, mas eu não posso esperar mais, porra! Eu esperei por você, mas você nunca veio até mim!"

...

Apessoa em pé na minha frente definitivamente não era Edward.

Eu dei um passo para trás instantaneamente, confusão e desespero insistindo em fugir,mas o som da voz dela me manteve ali. "Olá, Isabella."

Eu abri minha boca novamente, sentindo-me enjoada.Eu queria gritar. Eu queria berrar. Eu queria dizer a ela para ir para o inferno. Mas tudo que eu podia fazer era sussurrar uma palavra simples, uma palavra que me beliscou como um pequeno animal feroz.

"Mãe"

Minha mãe deu um passo adiante, o movimento dela me estimulando a dar um passo para trás. Ela hesitou quando me viu me afastando."Eu pensei que pudéssemos conversar."

"Sobre o quê?" Eu perguntei, minha voz severa e firme, apesar do fato de que eu podia sentir meu corpo tremer levemente. Eu fiz o meu melhor para segurar a minha emoção, não querendo que ela percebesse. Ela não merecia isso. Ela não merecia as minhas lágrimas.

"Sobre a vida" disse ela. "Já faz muito tempo,e eu sei que você tem passado por algumas coisas ultimamente, então eu-"

"Você sabe?" Eu perguntei, olhando para ela incrédula quando eu a cortei. "Você não sabe nada sobre a minha vida."

"Bem, seu pai me contou-"

"Ele te contou?" Eu perguntei, esmagada por ele ter me traido desse jeito. Virei-me para Charlie, esperando que ele refutasse a afirmação dela, mas ele permaneceu em silêncio, evitando o meu olhar."Eu não posso acreditar nisso! Você disse a ela? Você falou com ela sobre mim?"

"Não fique com raiva do seu pai" ela disse, falando por ele, porque ele claramente não tinha nenhuma intenção de falar por si mesmo."Eu sou sua mãe. Eu tinha o direito de saber, Isabella."

"Não, você não tinha" eu cuspi. "Você perdeu o seu direito! Você nunca estava lá para mim quando eu precisei de você. Onde você estava quando eu precisava saber sobre meninos e sexo, e períodos? Você estava longe de ser encontrada, então você não tem direito nenhum de aparecer quando as coisas dão errado e tentar agir como se você se importasse, porque você não se importa!Se você se importasse,você já estaria aqui antes!"

"Eu estava doente" disse ela com naturalidade.

"Você estava doente?" Eu zombei."O que, você de repente melhorou?"

"Eu parei de beber."

"Há quanto tempo?" Eu perguntei."Há quanto tempo você está sóbria?"

Ela hesitou, e eu soube imediatamente que ela estava cheia de merda."Eu tive um deslize na semana passada,mas não foi ruim..."

Eu ri secamente."Na semana passada? Então você não pegou uma bebida, há o que, sete dias?E de repente você se sente como se você ganhasse o direito de voltar aqui? Ganhasse o direito de recomeçar de onde parou? "

"Não, mas eu pensei que nós poderíamos começar de novo" disse ela. "Podemos construir um relacionamento."

"Você quer construir um relacionamento comigo?" Eu perguntei."Então volte quando você estiver limpa por um ano. Volte quando você puder me provar que você mudou. Porque de outra forma, eu não quero nada com você. Nada."

...

Edward pareceu surpreso com minha explosão e permaneceu em silêncio por um momento, piscando algumas vezes. A falta de resposta foi apenas um combustível para o fogo queimando dentro de mim, provocando e inflamando-o, até que eu não podia conter mais. Ele irrompeu, explodindo para fora de mim.

"Eu não posso fazer isso, Edward" eu disse. "Eu não posso ficar aqui, vendo você assim. Te ver com ela. Estes sapatos de barco e camisas de botão, o casamento na igreja, a esposa troféu... eu não entendo. Quem é você? Onde diabos você sugiu? Você não é o homem que eu conheço."

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo, ansioso. "Acalme-se, ok?"

"Não!" Eu gritei. "Eu não posso me acalmar. Eu não te reconheço assim. Eu não te reconheço com ela. Eu pensei que tudo isso fosse atuação, que essa coisa toda fosse uma farsa, mas estava claramente errada. Acho que ontem à noite foi a atuação. Acho que estar comigo foi a farsa."

Ele deu um passo rápido em minha direção. "Bella, por favor."

Bella. Em vez da usual vibração que o som do meu nome nos lábios dele causava, tudo que eu senti foi raiva. Como ele ousa falar o meu nome naquele tom, parecendo um completo estranho.

"Não tente me manipular, Edward."

"Eu não estou."

"Você está! Você fez isso ontem à noite e você está fazendo isso de novo!"

Edward agarrou o meu braço, parecendo em pânico e tentou me puxar para fora do alcance dos ouvidos de sua família. "Vamos sair da chuva. Podemos ir a algum lugar e conversar."

Eu resisti, me afastando dele. "Por que você simplesmente não volta para a sua noivinha, e vai ter a sua vida perfeita com o seu doutorado, sua esposa, e seu bebê."

Ele se encolheu como se tivesse levado um tapa. "O quê?"

"Sim, eu sei" eu cuspi. "Eu não sou estúpida. Eu sei que ela está grávida. A ouvi falar sobre isso. Ela está esperando o seu bebê!"

A cor sumiu do rosto de Edward. "Bella..."

"Não me chame assim!" eu disse. "Volte para a sua família feliz. É o que você quer, certo? É o que você sempre quis. Você nunca me quis. Você só queria o conto de fadas. Só me ter nunca era suficiente. Eu não sou suficiente."

"Por que você está assim?" ele perguntou, sua voz praticamente um rosnado. "Você é a única que não queria essas coisas. Você é a única que não me queria, e não o contrário!"

"Eu não! Eu queria você, e você me deixou! Você simplesmente foi embora. Eu esperei, e você nunca mais voltou!"

"Eu não queria ir embora" ele disse. "Você me empurrou. Quantas vezes temos que passar por isso? Isso é tudo o que você sempre fez, Swan. Você me puxa para perto, e então me afasta novamente. Como diabos eu deveria saber que você me queria? Como diabos eu deveria saber que você queria isso? Você nunca me disse! Você nunca disse sequer uma vez!"

"Você deveria saber!"

"Como?"

"Porque você deveria me conhecer" eu chorei. "Eu pensei que você me conhecesse. De todas as pessoas, você era a única pessoa que eu podia contar, e você me abandonou, assim como todos os outros fizeram."

Edward olhou para mim como se ele tivesse algo a dizer, mas desviou o olhar depois de um segundo ainda sem falar. Seus olhos passavam por além de mim, sua expressão mudando instantaneamente de raiva para choque.

Em meio ao caos da discussão, eu não tinha notado o carro parando no quintal de Charlie atrás de mim.

"Bella?" Charlie disse. "Edward? O que está acontecendo?"

Eu me virei, quase perdendo o equilíbrio, e o ar deixou meus pulmões quando vi meu pai de pé ali. Ao lado dele estava uma mulher, a que Edward e eu tínhamos visto de longe no início da semana. Ela estava mais perto de mim dessa vez... perto o suficiente para que eu pudesse ver o seu rosto. Ela parecia significativamente diferente, o tempo cobrando seu preço, mas seus olhos eram exatamente os mesmos de uma década atrás, quando eu a vi pela última vez na sala de estar da casa de Charlie.

"Você tem que estar brincando comigo, caralho" eu murmurei, passando minhas mãos pelo meu rosto. Eu estava sonhando? "Isso é um pesadelo."

"Isabella" minha mãe disse, dando um passo hesitante em minha direção. "Você andou bebendo? Você está balbuciando."

"Se eu andei bebendo?" Deixei escapar uma risada amarga. "É, talvez sim. Porque diabos você se importa?"

"Eu sempre me importei."

Eu dei um passo para trás, meu coração batendo ferozmente. Por que ela estava ali? O que diabos ela queria? Virei-me para o meu pai, minha raiva só crescendo. "Você a trouxe aqui? Você estava vendo ela? Você está falando com ela de novo?"

"Eu queria conversar com você sobre isso" Charlie disse. "Eu tentei falar com você esta manhã."

As lágrimas começaram a inundar os meus olhos de novo, obscurecendo minha visão. Elas escorriam pelo meu rosto, mas estavam camufladas pela chuva que estava caindo progressivamente sobre nós agora. Tudo estava fugindo do controle, o chão se movendo sob meus pés.

"Bella" Jake disse, se aproximando timidamente. "Eu acho que você precisa respirar fundo, querida. Isso tudo está ficando um pouco louco, e você está começando a se parecer com um esquizofrênico na enfermaria. Nenhuma galinha está em sua cama, Daisy. Vamos lidar com os nossos problemas como adultos."

Ele tentou colocar o braço em volta de mim, mas eu o empurrei para longe. "Eu? Você acha que eu estou louca? Isso é culpa sua! Você é a razão pela qual eu estou aqui! Se você não tivesse se intrometido, nada disso estaria acontecendo!"

"Não seja ridícula" ele disse calmamente. "Você não quer dizer isso."

"Eu quero" eu gritei. "Eu não sei por que eu te escutei, em primeiro lugar, por que eu aceitei algum conselho seu. Você não sabe o que diabos você está falando! Se soubesse, você não seria como você é!"

Jake ficou paralizado, sua expressão cautelosa. "Eu não seria como eu sou?"

"Sim" eu disse. "Que direito você tem de dar conselhos amorosos, dizer às pessoas o que fazer, quando você vive a vida mais fodida de todos que eu conheço? Você me chama de esquizofrênica quando há claramente algo errado com a sua cabeça. Verdade seja Dita, a minha bunda. Você é um covarde que não pode lidar com a verdade sobre si mesmo! Você transa por aí como se não houvesse amanhã, um cara diferente a cada noite. Eu deveria ter pensado melhor antes de confiar em você. Eu deveria saber que você não sabia o que diabos você estava falando. Você não sabe nada sobre o amor. Você não ama ninguém, além de a si mesmo! Em vez de me dizer para ser uma adulta, por que você não cresce, inferno? Tenha sua própria vida e pare de brincar com a minha!"

As palavras foram apenas voando para fora da minha boca na névoa, rompendo o filtro que deveria tê-las mantido no lugar. Jake passou de protetor para furioso em questão de segundos, e ele nem sequer se incomodou em responder. Ele passou por mim, alcançando seus bolsos para pegar as suas chaves enquanto se dirigia para o seu carro. A adrenalina cravou em mim, esmagando a minha raiva irracional, e eu tive um breve momento de lucidez quando ele virou as costas para mim.

Oh,merda.O que diaboseu fiz? "Jake..."

Esperei que ele parasse. Esperei que ele se virasse. Em vez disso, ele me mostrou o dedo do meio e continuou caminhando.

"Edward!" Ouvi Tanya gritar atrás de mim. Eu quase esqueci de todos eles ali em pé. Eu me virei, em pânico, e vi quando Edward subiu no banco do motorista de seu Volvo. "Não vá! Espere!"

"Eu preciso pensar" ele disse, ignorando sua noiva quando ela tentou impedi-lo. "Eu vou voltar."

Ele ligou o carro rapidamente e saiu da garagem, saindo pela rua em direção ao oeste. Eu segui o seu carro com os meus olhos enquanto Jake se afastava do meio-fio, ligando o motor e indo para o leste. Meu coração batia rapidamente quando comecei a entrar em pânico... os dois me deixaram. Eu tinha levado os dois para longe.

E foi aí que qualquer pingo de bom senso que me restava desapareceu completamente.

Eu corri para a casa de Charlie, tocando os meus bolsos em busca das chaves do carro e comecei a gritar para o meu pai tirar o seu carro do caminho. Ele se recusou, dizendo que eu não estava em condições de dirigir, mas suas palavras se perderam em mim. Em vez de me acalmar, em vez de me fazer pensar, tudo o que isso fez foi me deixar ainda pior.

Antes que ele percebesse o que eu estava fazendo, eu peguei as chaves de sua mão e entrei no banco do motorista do carro da polícia de Forks. Momentos de desespero apelavam para medidas desesperadas, e eu era uma vadia desesperada.

"Isabella Swan, não se atreva!" Charlie gritou. "Saia do carro!"

Enfiei a chave na ignição e girei, dando vida a viatura. Eu virei para o sentido contrário antes que ele pudesse me parar, e comecei a recuar. Eu pretendia apenas movê-lo, para tirá-lo do meu caminho, mas assim que eu estava na rua eu não pensei mais. Eu tinha que ir até ele. Eu tinha que falar com ele. Eu tinha que me explicar e dizer porque eu disse o que eu disse. Ele precisava entender. Eu precisava que ele entendesse.

Eu não podia deixá-lo me deixar assim.

As consequências que se danem, eu segui meu coração e dirigi para o leste.

...

"Você foi muito dura, Bells" Charlie disse,de pé na portada cozinha atrás de mim. Ele estava ali por alguns minutos, em silêncio, observando enquanto eu começava a esfregar a travessa de lasanha mais uma vez.Ela estava impecavelmente limpa, mas eu ainda não estava pronta para parar. Parar significava que eu teria terminado, e então eu teria que encontrar outra coisa para fazer...alguma coisa para afastar os meus pensamentos de tudo.

"Ela merecia isso" eu disse baixinho, não querendo falar sobre ela. Eu não queria pensar sobre ela. Essa foi a deixa para esfregar —Eu não preciso pensar em nada.

"Merecia?" perguntou ele.

"Sim. Ela me abandonou. Que tipo de mãe faz isso?"

Ele suspirou exasperadamente, se aproximando de mim."Olha, eu sei que você está chateada. Eu deveria ter lhe contado primeiro, mas eu pensei que fosse uma boa ideia trazê-la para conversar com você. Sei que ela cometeu erros, mas ela ainda é sua mãe. Ela não te deixou porque ela queria, Bella. Ela foi embora porque ela tinha que ir. Ela foi embora porque... Eu disse pra ela ir."

Aquelas palavras me pegaram desprevenida. Parei de esfregar e olhei para ele."Você disse para ela ir?"

Ele acenou com a cabeça. "Ela não estava bem. Eu não queria que você crescesse em volta daquilo. Ela era incrível às vezes, especialmente com você, mas ela estava ficando piora cada dia.Isso é uma doença, Bella. Ela estava doente... não, ela ainda está doente. Mas ela está tentando."

"Não forte o suficiente" eu respondi, voltando para a travessa."Já faz anos."

"Talvez sim, mas ela quero melhor para você.Ela sempre quis, e é por isso que ela não brigou comigo quando eu arrumei as coisas dela naquele dia, quando você estava na escola. Ela chorou o tempo todo em que eu estava fazendo isso, mas ela entrou no carro e não discutiu comigo quando eu a levei para Port Angeles."

"Talvez ela não tenha brigado porque ela não se importava" eu disse.

"Não, ela se importava."

"Se isso for verdade, por que ela não melhorou? Por que ela não parou de beber e voltou mais cedo?"

"Ela não estava pronta, eu acho" ele disse. "Talvez ela ainda não esteja, mas ela está tentando. Às vezes as pessoas tem que chegar ao fundo do poço antes que as coisas possam melhorar.Eles têm de escavar um buraco e encontrar uma maneira de sair dele sozinhas."

"Perdera família dela não era o fundo do poço?" Eu perguntei."Eu não era um incentivo suficiente?"

"Eu não posso falar por sua mãe," Charlie disse"mas eu sei que não há prazos definidos em coisas como esta. Não há nenhum estatuto de limitações no amor, Bella. Quando você ama alguém, você espera por ela. Você dá a ela todo o tempo de que precisa. Ou, bem... pelo menos eu dou. Eu acho que isso é justo."

...

A chuva caía com mais força, obscurecendo minha visão da estrada na escuridão. Eu ainda estava chorando, desesperada e confusa enquanto eu dirigia em Forks em círculos, procurando pelo meu melhor amigo. Eu não sabia onde eu estava indo - Eu não tinha ideia de onde Jake iria.

Não demorou muito para que eu visse as luzes vermelhas e azuis brilhantes se aproximando pelo espelho retrovisor. As cores piscando fizeram meu ritmo cardíaco aumentar ao ponto de eu começar a sentir tonturas. Minha visão estava turva, e eu pisei no acelerador, desesperada para fugir.

Eu cheguei a um cruzamento e tentei virar a esquina, na esperança de escapar, mas eu estava indo rápido demais quando virei o volante. O carro derrapou na estrada molhada, e eu gritei, segurando o volante com força enquanto a viatura saia da beira da estrada para a grama. O carro parou com segurança, sem atingir coisa alguma, e eu soltei um profundo suspiro de alívio.

Eu estava na merda.

Pisei no acelerador assim que eu me senti sob controle, mas o carro não se moveu. Os pneus cavaram buracos no chão macio, prendendo-o firmemente no lugar. Eu saí da viatura, sabendo que não havia nenhum jeito de eu movê-lo, quando o carro piscante da polícia me alcançou.

Riley saltou do banco do motorista. "Não se mova, Isabella" disse ele, apontando uma arma para mim.

Eu parei meus passos. Minhas pernas tremiam, meus joelhos quase sedendo. Ohmerda,merdaoh, oh merda...

"Eu não quero ter que incapacitar você" disse ele.

Eletrochoque... isso é só um eletrochoque. Por um breve momento, eu considerei irracionalmente tentar fugir. Mas não fazia sentido. 50.000 volts certamente atingiriam a minha bunda.

Antes que eu tivesse tempo de reagir, Riley me empurrou contra o carro. Ele forçou minhas mãos para trás das minhas costas e eu tentei me afastar, entrei em pânico quando ele colocou algemas em mim. "Você não pode fazer isso, Riley. Por favor! Por favor, não faça isso!"

"Eu preciso" ele disse. "Jesus, pare de se debater antes que se machuque."

Ele conseguiu me prender, mas não firme o suficiente, porque a minha mão esquerda deslizou para fora da restrição. Eu me afastei dele, desesperada, mas ele voltou para cima de mim antes que eu pudesse fugir. Ele me prendeu de novo, apertando as algemas com tanta força que elas apertaram os meus pulsos e quase romperam a minha circulação.

"Por favor!" Eu implorei. "Por favor, me solte. Eu prometo que não vou fazer isso de novo!"

Ele suspirou exasperado. "Você sabe que eu não posso fazer isso. Vou levá-la até a delegacia e chamar alguém para te buscar."

Riley me empurrou para a parte traseira da sua viatura, deixando-me lá enquanto ele trancava o carro de Charlie. O cheiro de couro novo, combinado com a minha ansiedade, foi demais para mim. Eu fiquei enjoada e me deitei no banco, tremendo violentamente, encharcada da chuva. Minha cabeça latejava ferozmente e eu fechei os olhos, desejando que isso tudo fosse embora. Desejando que tudo fosse apenas um pesadelo.

Eu não ouvi Riley entrar no carro. Eu estava desmaiada antes mesmo de estar na estrada.

...

"Então o que você vai fazer?"

Eu ainda estava de pé na pia, há quase duas horas esfregando a mesma travessa esquecida por Deus. "Não tenho nada para dizer a ela."

Charlie suspirou."Eu não estava falando da sua mãe."

"Edward não está falando comigo. Não há realmente nada que eu possa fazer sobre isso.Tenho quedar um tempo pra ele, eu acho."

"Eu não estava falando de Edward também."

"Então o quê?"Eu perguntei impaciente, irritada com as perguntas dele. "O que eu vou fazer como quê?"

"Com a sua vida, Bella" ele disse. "O que você vai fazer com a sua vida?"

Suas palavras me surpreenderam. Minha vida. Eu realmente não tinha prestado muita atenção. Toda vez que eu parecia ter um plano, algo surgia para destruí-lo em pedaços. Eu tinha dezoito anos, eu tinha toda a minha vida pela frente...e eu não tinha a menor ideia do que fazer com isso."Eu realmente não sei."

"Bem, está provavelmente na hora de começar a pensar sobre isso" ele disse."Eu adoro ter você aqui, Bells, mas eu tenho certeza que você não quer viver com o seu pai para sempre."

Ele se afastou, me deixando sozinha com meus pensamentos. Puxei a travessa e a sequei, guardando-a antes de finalmente deixar a água escorrer da pia. Encostei-me no balcão, observando enquanto a espuma era sugada pelo ralo.

Minha vida...parecia que tudo estava acabado, que tudo estava terminado, quando na realidade era apenas o começo para mim.


N/T:

E enfim descobrimos a tal mulher misteriosa que o Charlie ia visitar... Algumas de vocês acertaram que era a Renee desde os primeiros capítulos! A Swan passou a vida afastando o Edward, será que a Bella fará o mesmo agora? Vamos descobrir no próximo capítulo que, inclusive, é o último *buá buá*. Muito obrigado pelos comentários que vocês deixaram no capítulo passado, espero "ver" todas neste capítulo também! Beijos e até a próxima semana *-*

N/B:

Tenho que me pronunciar porque enquanto eu lia esse capítulo, eu comentava apenas em maiúsculas com a Bia haha Até agora, é o meu preferido, pq eu sou dessas que gosta de dor, e nesse capítulo tem MUITA dor. E também, lógico, pq eu descobri que era a Renee e a Bia me escondeu isso a fic toda u.u

Queria também agradecer a todas que foram conferir minha fic Unwritten, vcs são umas fofas! Quem ainda não foi, dê uma olhadinha no favoritos da Bia, amanhã tem capítulo novo!

Beijos a todas s2