Olá, meu povo! Tá vendo que eu não demorei muito dessa vez? Aqui está mais um capítulo de Bella Princesa e Dudu da USP para o deleito das minhas leitoras queridas. Espero que vocês curtam, e se curtiram deem um "like" aqui embaixo... Opa, isso não é YouTube! rsrs Se curtiram é só deixar review cheia de amor para encher meu coraçãozinho de felicidade.

E prometo que o próximo capítulo vai sair tão rápido quanto esse, ok?

Show me the love...


- Bella?

Devo ter ficado algum tempo em silêncio e com uma expressão vazia na face, pois Edward me encarava sem entender porque eu ainda não havia me manifestado sobre a nossa ida para Bristol. O que ele queria que eu dissesse? Que estava em choque de medo de conhecer sua mãe? Porque eu realmente estava!

- Por que eu sinto que essa notícia não foi uma das melhores que você já recebeu? - Edward perguntou me fazendo despertar do estupor para lhe dar uma explicação.

- Desculpa, eu fiquei surpresa. - disse colocando minha taça no chão e respirando fundo para organizar minha cabeça. - Como… Quando exatamente essa idéia de ir para Bristol surgiu?

- Eu liguei para minha mãe no dia que recebi o e-mail do curador e ela ficou toda sentimental, dizendo como meu pai ficaria muito feliz com a notícia. Enquanto ela chorava no telefone, porque ela sempre chora quando lembra dele, eu disse que iria passar o final de semana em Bristol e iria aproveitar para te levar.

- Por que você só me disse isso agora, na véspera da viagem?

- Eu esqueci, sei lá.

- Esqueceu? Como é possível esquecer algo tão importante assim?

- É só uma visita a minha mãe. Nem leva duas horas para chegar em Bristol…

- Edward, pra você pode ser algo banal, mas pra mim é muito importante. - tentei explicar sem que o nervosismo me dominasse ao pensar sobre aquela viagem. - Eu vou conhecer sua mãe e nem tive tempo para me preparar.

-Nós só vamos para Bristol no final do dia, você terá bastante tempo para organizar tudo. E serão dois dias, como Glasgow. Não precisa levar uma mala enorme nem nada do tipo.

- Eu vou chegar lá sem nenhum presente pra ela e seu padrasto, será totalmente rude da minha parte já que eles irão me receber em sua casa esses dias…

- Minha querida, pode parar antes de ter uma crise nervosa. - ele pediu deixando o jantar de lado e se aproximando de mim. - Minha mãe irá te adorar sem você precisar se esforçar. Você é adorável por natureza, Bella. Do tipo que basta sorrir pra ter qualquer um em suas mãos. E Esme irá te amar pelo simples fato de você ser a primeira garota em anos a ser apresentada como minha namorada.

- Obrigada por aumentar a pressão, Edward. - bradei levantando nervosa para sentar em sua cama.

- Não estou te pressionando a nada. - Edward disse depositando beijos em meu ombro em uma tentativa de me acalmar. - Se você não se sentir a vontade pra conhecer minha mãe, podemos remarcar a visita…

- Não mesmo! Agora que você já marcou nós temos a obrigação de ir.

- Onde você está indo? - ele perguntou me vendo colocar minha necessaire na bolsa junto com outras coisas espalhadas pela cama.

- Para meu dormitório. - respondi fechando a bolsa rapidamente e a pendurando no ombro. - Preciso arrumar minha mala agora já que amanhã não terei tempo.

- Mas minha querida… E os planos para meu aniversário?

Eu sentia a frustração em sua voz por não ter um aniversário tranquilo como eu havia prometido, e apesar de meu lado ansioso gritar para que eu saísse daquele apartamento e fosse me preparar adequadamente para a viagem, boa parte de mim estava se sentindo péssima vendo aquele olhar de Edward. E daí que eu só teria poucas horas para me arrumar? Meu namorado estava precisando de mim em uma data que lhe trazia tantas lembranças dolorosas e eu prometi que ele teria o melhor aniversário possível.

Deixei minha bolsa sobre a cama e me ajoelhei ao lado dele naquela bagunça que nós estávamos chamando de jantar. Edward não entendia muito minha atitude repentina e olhou desconfiado quando beijei seus lábios delicadamente e comecei a beijar a linha tensa do seu maxilar, descer por seu pescoço levemente suado.

- Isso significa que você não vai me trocar por uma noite de arrumação de malas? - ele perguntou enquanto eu afastava os pratos e talheres de meu caminho para ficar mais próxima.

- Eu não prometi que você teria o melhor aniversário do mundo? - retruquei dando o recado completo quando pousei a mão no botão de sua calça jeans. - Então você terá o melhor aniversário de sua vida, Edward Cullen.

- Bella Safada… Gosto dessa versão.

Isso foi o que ele conseguiu dizer antes que eu atacasse sua boca com toda vontade do mundo. Enquanto minha mente estivesse focada na maneira que ele agarrava minha coxa em busca de espaço e deixava meu pescoço marcado por suas mordidas, nem lembraria do fato que iria conhecer sua mãe no dia seguinte. Aquela noite era só para Edward, para comemorar mais um ano de vida e tentar fazê-lo não sofrer com a falta do pai.

E por algumas horas eu consegui aquilo, o mantendo distraído com beijos preguiçosos e comentários soltos sobre coisas banais, mas no meio da noite o flagrei sentado na beirada da cama concentrado em algo em suas mãos. Me arrastei sonolenta até abraçar seu pescoço e beijá-lo, vendo por cima de seu ombro uma foto que ele segurava; um garotinho sentado no colo de um homem com bigode espesso e um cigarro nos lábios.

- É seu pai? - perguntei notando algumas semelhanças no traço do homem da foto e de Edward hoje em dia.

- É… - ele murmurou respirando fundo.

- E esse é você? - apontei para o garotinho na foto e Edward riu mesmo que sem vontade.

- Com 6 anos. Não lembro nada dessa foto, mas eu gosto de olhar pra ela às vezes… Sei lá. Me faz sentir um pouco perto dele.

- Queria poder te ajudar de alguma forma nisso… - murmurei apertando com mais vontade meus braços ao seu redor para lhe passar algum tipo de conforto, qualque coisa. - Tirar essa dor de seu peito.

- Eu não quero deixar de sentir essa dor. De sentir falta dele.

- Mas você fica triste, e eu odeio te ver triste assim…

- Eu nunca vou deixar de ficar triste quando me lembro dele, minha querida. - Edward disse virando o rosto para poder me encarar melhor. - Ele é meu pai, sempre será mesmo que passe 10 anos desde sua morte, e uma vez ou outra eu vou ficar triste lembrando de tudo que ele fez para eu realizar meu sonho de virar pintor. Minha primeira exposição vai acontecer daqui a algumas semanas e a única coisa que eu consigo pensar é "ele não vai estar comigo".

- Ele vai estar sim, baby. - disse mesmo sabendo que ele não acreditava em questões religiosas ou espirituais. - Ele sempre vai estar te acompanhando e ficando feliz com suas conquistas. Nós todos iremos. Eu, sua mãe, seu pai e padrasto, seus amigos… Todo mundo.

- Obrigada por ter me dado o melhor aniversário até hoje. - ele murmurou com a voz fraca, sinal claro de que lágrimas estavam vindo por aí.

Antes que ele chorasse em minha frente e me destruísse, o beijei apesar da posição torta que estávamos. Ver quem você ama sentir tamanha triste é a pior dor do mundo, porque muitas vezes você não pode fazer nada para aquilo passar. É preciso ter paciência e deixar que o tempo passe para que a dor diminua e você possa começar a agir aos poucos. Qualquer atitude que mude um pouco o humor da pessoa que você ama, possa alegrar seu dia de alguma forma. Minha tentativa de tirar Edward daquela tristeza que a saudade do pai causava foi quase bem sucedida, mas foi como ele me disse; era uma dor que jamais passaria. Só me restava entender, ficar ao seu lado e lhe dar todo o amor do mundo para que ele jamais esquecer quem nesse mundo cruel se importava e não queria vê-lo assim.

As lágrimas molhando minhas bochechas enquanto nos beijávamos foram suficiente para saber que a dor ainda o machucava e eu teria que fazer meu melhor para amenizar o mínimo que fosse possível. Mesmo de mão atadas eu tentaria ao máximo terminar aquela noite especial com meu Edward um pouco mais consolado.

Na manhã do dia que iríamos para Bristol eu tive que me virar em mil para conseguir dar conta de tudo. Tive aula, corri para renovar uns livros na biblioteca, não consegui terminar um exercício importante antes do almoço e quando vi faltava menos de 3 horas para nosso ônibus sair de Oxford. Várias roupas apresentáveis estavam no certo da lavanderia e eu fiz algo que pensei nunca precisar fazer; usei a mesma calça jeans dois dias seguidos.

Por mais que estivesse frio e eu mal tivesse ficado metade de um dia usando a peça, me dava coceira só de lembrar que ela estava usada. Eu era fresca assumida em relação a roupas e sua procedência, tanto que nem cogitei a possibilidade de pedir a Alice algo emprestado. As únicas roupas alheias que eu usava eram de Edward, e quando eu tinha certeza de que estavam lavadas e ele ainda não tinha usado. Preferia usar algo deselegante que era meu do que usar a roupa de alguém, por mais que eu conhecesse muito bem a pessoa. Minha pequena mala para Bristol foi a prova "viva" com tantas roupas que não combinavam entre sim, mas que eram as únicas disponíveis para a viagem.

Depois do episódio da noite anterior, Edward amanheceu um pouco mais calado que o usual e manteve-se mais concentrado enquanto caminhávamos pela High Street, de onde nosso ônibus iria sair. Respeitei seu momento e não questionei nada, nem tentei animá-lo já que ele havia deixado bem claro que aquele era seu momento e teria que ter paciência até que as lembranças parassem de deixá-lo tão triste. Caminhava ao seu lado segurando sua mão e me concentrava em arrastar minha pequena mala pela calçada movimentada.

- Que horas são agora? - ele perguntou após muitos minutos em silêncio.

- Hum... Falta dez minutos para as quatro horas da tarde. - respondi olhando meu relógio de pulso.

- Ainda temos quarenta minutos para o ônibus partir e tem uma cafeteria perto da estação, você não quer comer algo antes?

- Pode ser.

Entramos na cafeteria não muito cheia e Edward pediu dois cafés preto sem açúcar como nós gostávamos. Enquanto esperávamos o barista terminar nosso pedido resolvi puxar um assunto qualquer para que ele se animasse um pouco e saísse daquela triste que estava começando a me deixar mal de verdade.

- Então, como é sua mãe? - perguntei com uma expressão de animação um pouco falsa, mas necessária para mostrar que estava animada com a ida pra Bristol.

- Como assim? Fisicamente? - ele retrucou um pouco confuso com minha pergunta.

- Também, mas quero saber como é a personalidade dela.

- Como é a sua mãe? - a pergunta voltou pra mim.

- A minha? Um pouco rígida e séria demais... Por que?

- Porque a minha é o oposto disso. - Edward disse rindo com um pouco mais de vontade. - Esme é a mãe mais louca e diferente que você pode imaginar, do tipo que tem uma tatuagem enorme no braço direito e fuma mais que meu padrasto e eu juntos.

- Nossa, estava esperando algo diferente…

- Tipo uma mãe que faz biscoitos e chá paras as visitas? Espere mais do tipo que te oferece uma cerveja.

Só conseguia pensar em uma coisa: a mãe de Edward iria me odiar. Ela era exatamente o oposto dela e provavelmente não iria achar nada legal a namorada do filho ser tão certinha. Sabe Deus como eram as garotas que Edward apresentava à mãe, mas eu tinha uma idéia que eram muito diferentes de mim. Já estava nervosa com toda situação de conhecer e fiquei ainda mais com a descrição da mãe de Edward, sem conseguir relaxar durante a viagem de ônibus. Ao contrário de Edward que dormiu e roncou o caminho todo.

Bristol era maior do que eu imaginava e pude pensar em algo que não fosse o encontro com a mãe de Edward quando saímos da rodoviária e fomos pegar outro ônibus para nosso destino final. Não demoramos muitos para chegar na casa pequena de um andar em tons escuros com gramado mal cuidado na frente.

- Bem vinda a nova residência dos Cullen-Manchester. - Edward disse segurando minha mão com firmeza e puxando minha malinha pela calçada.

- Manchester? - retruquei curiosa com o sobrenome diferente.

- Sobrenome do namorado de minha mãe.

Esme pareceu sentir nossa presença na área da casa, pois abriu a porta da frente me pegando de surpresa e veio em nossa direção resmungando alguma coisa impossível de entender, mas com um sorriso no rosto. Edward não tinha muitos traços herdados da mãe e eu observei rapidamente seu visual em busca daquela mulher diferente que ele havia me descrito, porém, encontrei uma mãe como outra qualquer. Exceto pelo cigarro preso entre os dedos da mão direita e do batom super vermelhos nos lábios.

- Pensei que vocês não iriam chegar nunca! - ela disse aperta o filho entre os braços. - Você é um filho da puta mesmo, garoto. Nem para avisar a sua mãe o horário que iria chegar…

- Essa viagem foi muito em cima da hora, mãe. Até ontem nem era certo que viríamos mesmo.

- Mas vocês vieram. - outro abraço forte em Edward. - E você, Bella… Finalmente!

- Olá, senhora Cullen. - disse com toda educação que vinha de berço.

Ela me deu um daqueles abraços de quebrar todos os ossos do corpo e que ao mesmo tempo passava muito carinho. De repente não me senti mais nervosa, com medo de ser reprovada pela mulher mais importante da vida de meu namorado, mas bem no fundo do meu coração eu sentia uma tristeza que até então não saberia explicar de onde vinha. Não imaginei que mais tarde naquela noite a tal tristeza iria ser tão bem explicada…

- Meu filho finalmente arranjou uma garota linda. - ela disse segurando meu rosto com carinho e e me deixando super sem graça. - Deus sabe como eu rezei pra esse menino parar de sair com aquelas garotas estranhas que não comem nada.

- Obrigada, senhora Cullen. - murmurei cheia de orgulho de mim por não ser como as vadias estranhas que Edward costumava namorar.

- Me chame de Esme, por favor. E você… - ela apontou séria para o filho. - Não vá fazer merda com essa daqui, ouviu bem?

- Sim, senhora. - Edward assentiu rindo e piscou pra mim.

- Vamos entrar, vocês devem estar com fome.

A casa estava cheirando a algo sendo assado e eu lancei um olhar para Edward como dissesse "tá vendo que sua mãe não é tão diferente assim das outras?" porque provavelmente ela estava preparando algo para a gente comer. Só que me enganei: era o padrasto de Edward que cozinhava, pois surgiu na sala enxugando a mão em um pano branco e - sim - com um avental amarrado na cintura um tanto avantajada para o acessório.

Edward e o padrasto se cumprimentaram com um abraço antes de ele estender a mão para me cumprimentar, me dando um sorriso super simpático.

- Olá, Bella. Eu sou Alan.

- Muito prazer, Alan. - disse retribuindo o aperto de mão e sorriso. - Obrigada por me receber esse final de semana. Você e Esme.

- Que nada, querida. - Esme disse me guiando para sentar no sofá cheio de almofadas diferentes. - Estávamos loucos para conhecer essa namorada misteriosa de Edward que nem foto esse ingrato pode mandar para a mãe.

- Mãe, esse ano foi totalmente cheio pra mim e especialmente para Bella com a mudança e tudo mais. - Edward explicou com a clássica falta de paciência que os filhos têm para explicar o óbvios aos pais.

- E não dava para tirar um final de semana para me visitar? Duas horas de ônibus é um sacrifício tão grande assim?

- Nós não estamos aqui? Pois bem, vamos aproveitar então.

- Estou fazendo fish and chips. - Alan disse ignorando a briga entre mãe e filho. - Você gosta de peixe, Bella?

- Sim, eu adoro fish and chips.

- Ótimo, porque Alan faz o melhor do mundo. - Esme me explicou. - Eu não cozinho nem se minha vida dependesse disso.

- Somos duas. - comentei sem pensar e Esme deu uma risada rouca mostrando que gostou de meu comentário. Estávamos nos dando bem, graças a Deus.

- Mais dez minutos e o jantar estará pronto. - Alan informou antes de retorna a cozinha.

- Vocês querem beber alguma coisa? - Esme perguntou se levantando com pressa para seguir Alan, mas continuava falando. Ou melhor, gritando para que a escutássemos. - Tem cerveja, se vocês quiserem.

- Eu aceito. - falei pegando Edward de surpresa.

- Você bebendo cerveja assim do nada?

- Sua mãe ofereceu, seria falta de educação não aceitar.

- Bella, você não precisa beber só para agradar Esme. Ela já gosta de você só pelo fato de você ser diferente da minha ex.

- Sua ex? - retruquei me interessando rapidamente pelo assunto que insistia em voltar. - Então você costumava trazer todas as suas "musas" para sua mãe conhecer?

- A ex a quem me refiro é uma garota que eu namorei aos 15 anos e minha mãe a odiou desde o primeiro segundo.

- Por que?

- Sei lá. Acho que porque a menina vivia fazendo dieta e só bebia refrigerante diet… Não importa.

- Importa sim! Preciso saber o que desagradou sua mãe para não fazer a mesma coisa.

- Seja você, minha querida. É mais que suficiente para você ganhar o coração de sua sogra.

Antes que eu continuasse argumentando, Esme retornou a sala com as 3 garrafas de cerveja Fuller nas mãos e nos entregou. Um novo cigarro estava apagado entre seus lábios e Edward acendeu para mãe antes de pegar um pra ele fumar também. Aquilo era totalmente estranho pra mim, eu nunca me imaginaria fumando com minha mãe e bebendo cerveja na maior naturalidade. Renée morreria só de imaginar que eu bebia além do aceitável para uma princesa - uma taça de espumante e só - então não queria nem imaginar o que ela iria achar daquela cerveja gelada em minha mão e da fumaça de cigarro me fazendo coçar o nariz discretamente.

- Então, Bella… Como vocês se conheceram? - Esme começou o interrogatório básico de sogra.

- Edward me deu um banho de tinta no meu primeiro dia de aula. - respondi dando um olhar de cumplicidade para ele, quer acariciou minha mão discretamente.

- Meu filho sabe como conquistar uma garota, não é? - ela brincou nos fazendo rir.

- Não foi a tinta que me conquistou, foi ele todo. - confessei sem entender de onde vinha aquela coragem de expressar meus sentimentos, mas era sua mãe e ela merecia saber o filho que tinha. - A senhora tem um filho maravilhoso.

- Senhora… Por favor, Bella. Me chame de Esme antes que essas rugas que tenho na cara queiram se multiplicar.

- Ok… Esme.

- Edward não me disse muito sobre você quando mencionou que estava, finalmente, namorando.

- Pare de encher Bella de perguntas, mãe. - Edward pediu meio impaciente.

- Não tem problema. - disse, apesar de não querer ser vítima dos questionamentos de Esme. Mas ao mesmo tempo eu queria agradá-la.

- Você é daqui do Reino Unido mesmo?

- Não, eu sou da Itália.

- Itália? Que interessante! O que te fez largar a Itália e vir para cá?

- Eu queria estudar e viver um pouquinho longe dos meus pais para me tornar mais independente.

- Seus pais são tão chatos assim para você querer viver em outro país, longe deles? - Esme brincou e eu dei uma risada sem vontade por não querer falar tão profundamente sobre meus pais.

- Eles são... Protetores. - expliquei procurando as palavras certas. - Eu sou filha única então todo o cuidado e atenção é pra mim, e isso sufoca um pouco às vezes...

- Você sabe como é, mãe. - Edward interrompeu para me tirar daquela situação. - Os pais de Bella são como qualquer pais e ela queria ter um pouco de liberdade. E estudar, também.

- Você já conheceu os pais de Bella, Edward? Quer dizer que você tem tempo para viajar e conhecer os pais de Bella, mas não tem para me visitar?

- Não, mãe! Deus... Eu não conheço os pais de Bella. Ainda não deu tempo de conhecê-los.

Edward estava contando aquilo para acalmar a mãe, querendo que ela entendesse que aquele era o primeiro contato "pais-namorado" em nosso relacionamento, mas ao invés de me fazer relaxar com a situação toda eu deixei que aquela sensação estranha que estava em meu estômago me corroesse ainda mais. Ali estava meu namorado dizendo que ainda não havia dado tempo de conhecer meus pais quando nunca nem tínhamos tocado no assunto. Claro, era absurdo demais pensar que um dia Edward e o rei e rainha de San Marino poderiam trocar duas palavras, era algo impossível de acontecer. E tudo porque eu era covarde demais.

Qualquer garota no meu lugar pararia de se importar com toda história de herdeira e trono quando se apaixonasse daquela forma que eu era apaixonada por Edward. Meu legado, minhas obrigações como princesa, tudo isso seria insignificante diante da experiência que estava tendo ao lado daquele homem, e eu realmente esqueci de minha vida quando estava apenas com ele. Era nosso mundo particular, era minha nova vida... Até meu celular italiano tocar e eu voltar a realidade; eu era da realeza. Eu não poderia estar fazendo metade das loucuras que fazia, sendo a principal dela estar namorado um plebeu que aos olhos dos meus súditos nada tinha a acrescentar a futura rainha de seu país.

Eles estavam enganados, todos. De todas as pessoas que passaram em minha vida Edward foi sem dúvida a que mais acrescentou, a que me fez crescer de verdade e acreditou em mim. Nenhum outro homem tinha que estar ao meu lado a não ser ele, porém, olhando o jeito que ele interagia com a mãe e Esme me tratou desde o primeiro segundo que nos conhecemos eu tive a certeza de que algo estava errado.

Eu que não era digna daquilo tudo. Do carinho que Esme automaticamente teve por mim, da dedicação de Alan em preparar nosso jantar e saber se eu gostava de peixe. Algo tão bobo e simples, comum em um relacionamento que os pais se envolviam, mas que eu jamais poderia dar a Edward em troca. Renée perguntar se ele preferia cerveja a vinho em um jantar que prepararia para conhece-lo? Era mais fácil o inferno congelar.

A partir do segundo que meus pais ficassem sabendo que eu estava envolvida com alguém - e pior ainda; alguém que não era de alguma realeza – minha vida com Edward estava acabada. Não importava se ele me fazia feliz, se era um homem com projetos e um futuro traçado ao meu lado. Nada disso seria levado em consideração pelo simples fato de ele não ser o próximo rei de algum país ou herdeiro de alguma multinacional, por ser apenas "um cara que quer ser pintor". Por isso não falávamos sobre minha vida em San Marino, não programávamos uma visita a minha cidade para ele ser apresentado a toda a família, pois Edward e Bella era algo apenas para Oxford.

Eu me sentia péssima em pensar daquela forma, mas eu tinha que ser realista. A pressão só iria aumentar se ficassem sabendo sobre nós dois, eu já podia imaginar todos os sermões e frases que seriam ditas:

"Você não pensou no futuro do seu reino, Isabella"

"Isso é apenas um passatempo de faculdade."

"Esse relacionamento não tem futuro algum."

Será que não havia futuro para Edward e eu? Aquilo que estava vivendo seria apenas um capítulo em minha história que me faria olhar para trás e pensar naquele homem que conheci na faculdade e me diverti por alguns meses? Quando eu estivesse velhinha, na idade de vovó Isabella quem sabe, me pegaria pensando em como ele estaria, se havia se tornado um artista conhecido no mundo todo enquanto ao meu lado dormisse um homem que talvez eu não amasse tanto, que não me fizesse sentir metade do que Edward era capaz de me causar?

Eu queria de verdade não ter que pensar naquele assunto e poder ser uma garota normal que deixa a vida seguir e o relacionamento tomar o curso desejado pelo destino. Mas não podia quando tanta coisa estava em jogo, e eu não tinha pedido para nascer com aquela responsabilidade.

Meus olhos encheram de lágrimas ao ver Esme levantar e beijar o topo da cabeça de Edward após eles discutirem sobre algo que não prestei muita atenção. Ela sorriu para mim antes de nos deixar na sala e eu despertei do estupor que estava a alguns minutos em que passei pensando sobre aquele assunto delicado e chato. Decidi que, pelo menos durante o final de semana, não iria me pressionar e queimar neurônios sobre meu futuro com Edward. Iria aproveitar nossa estadia em Bristol e o conforto de sua casa e de seus pais.

- Alan quer saber se vocês podem ir ao mercado comprar mais cerveja. - Esme perguntou retornando a sala com uma garrafa de Fuller na mão. - Essa é a última e eu não sabia que Bella bebia, então não me preparei.

- Não se preocupe comigo, Esme. - falei rapidamente para despreocupá-la sobre a cerveja. - Eu não bebo tanto assim.

- Mas eu bebo, querida. - ela disse rindo entregando um cartão a ele. - Peguem o carro de Alan e vão ao Costco comprar alguns packs para o final de semana.

- Sim, senhora. - Edward falou esticando a mão para mim. - Vamos?

O segui até o exterior da casa e encontramos o carro de Alan estacionado na entrada da garagem; um pequeno carro preto com aspecto de antigo. Edward foi em direção a porta do esquerdo e eu ri lembrando como os carros no Reino Unido eram diferentes dos carros do resto do mundo, sendo um pouco estranho estar sentada no lado que geralmente era do motorista. O automóvel fez bastante barulho quando Edward ligou e deu umas sacudidas antes de sairmos da casa e irmos em direção a rua.

- Não imaginei que você soubesse dirigir. - comentei vendo Edward mexer no rádio atrás de alguma estação interessante.

- Meu pai me ensinou apesar de eu nunca poder pegar o carro dele. Até porque andar de metrô e ônibus em Londres é melhor que pegar aquele trânsito.

- Eu não sei nem por onde começa...

- Você não aprendeu a dirigir? - ele retrucou surpreso, o que era estranho porque vindo de mim não era absurdo nenhum eu não saber dirigir. Eu tive motorista a vida toda!

- Desde que eu me entendo por gente tem alguém me levando aos lugares de carro e papai não tinha tempo, então eu nunca aprendi. - expliquei dando de ombros, pois nem era algo que eu me importava tanto. - Depois eu parei de me interessar em aprender.

- Pois nesse final de semana você vai aprender. - Edward falou decidido. - É essencial saber dirigir para um caso de emergência.

- Ok, eu aprendo a dirigir.

Chegamos a uma loja do Costco não muito longe da casa de Esme, grande suficiente para tomar conta de um quarteirão. Seguimos diretamente para a seção de bebidas e eu olhava ao redor impressionada com a magnitude daquele lugar, quantas coisas diferentes e em grande quantidade haviam ao nosso redor. Estava acostumada a mercearia perto do campus onde Alice e eu fazíamos nossas compras, mas Costco era outra realidade. E Edward parecia conhecer bem o lugar, pois cruzava os corredores com nosso carrinho cheio de packs de cerveja e sabia exatamente onde estava indo.

Perto do caixa eu avistei algo que sempre tive vontade de experimentar; Marmite. Era uma "iguaria" britânica que parecia graxa, mas muita gente amava. Larguei a mão de Edward e fui em direção ao potão na prateleira, começando a ler o rótulo.

- Você gosta de Marmite? - ele perguntou parando ao meu lado. - Isso é muito ruim! Esme diz que tem gosto de cerveja fora da validade...

- Sério? Eu nunca experimentei. - murmurei botando o pote de volta ao seu lugar.

- Um minutinho.

Ele pegou o celular e colocou no viva-voz aguardou alguns segundos antes de Esme nos atender.

- Mãe. Você por acaso não teria Marmite em casa, teria?

- Deus, não! Eu nunca teria uma porcaria dessas em casa.

- Eu vou levar um pote para Bella experimentar então.

- Ela nunca comeu? Querida, boa sorte. Mas pode trazer sem problema, o que ela quiser experimentar de nossa culinária estranha.

Antes que eu dissesse que não precisava se preocupar comigo, Edward desligou e pegou o pote de Marmite para colocar no carrinho.

- Obrigada. - agradeci beijando seu rosto barbudo.

- Agradeça a sua sogra que faz tudo para te agradar. - ele brincou jogando o braço ao redor de meus ombros.

Everything Is Not Lost - Coldplay

Estava de volta. Aquela sensação estranha no meu estômago que me sufocava sem eu saber porquê. Só que dessa vez eu não consegui controlar e parei no meio do corredor antes de começar a chorar. Edward parou confuso me vendo derramar lágrimas uma atrás da outra e eu escondi o rosto entre as mãos, virando de costas pra ele. Senti sua mão tocando meu ombro e aquilo só piorou tudo, me fazendo correr para fora da loja. Parei no meio do estacionamento quando um carro freou com tudo quase me atropelando, o condutor me xingando, mas eu só queria sair dali e me livrar daquela culpa me comendo viva.

- Bella! - escutei Edward gritando enquanto corria atrás de mim. Mas eu não parei.

Só fui contida quando cheguei ao limite do estacionamento e a rua movimentada não me permitiu atravessá-la sem morrer esmagada por um carro. Do jeito que eu estava descontrolada era bem capaz de atravessar a pista sem medo algum, mas Edward me puxou para longe da calçada e me fez encostar em um carro parado no estacionamento do Costco.

- O que foi isso? - ele perguntou me vendo soluçar e tentar parar de chorar mesmo que fosse impossível. - Por que você está chorando assim dessa forma?

- Sua mãe... - gaguejei limpando meus olhos molhados. - Sua mãe comigo...

- Eu sei que minha mãe é intrometida demais, mas não precisa se sentir tão pressionada assim. Vou pedir para ela parar de encher seu saco.

- Não é isso. Ela tem sido incrível comigo, está fazendo tudo para me agradar... Ela deixou você comprar Marmite pra mim mesmo não gostando!

- Eu não estou entendendo, Bella...

- Eu nunca vou poder te dar isso de volta!

- Isso o quê?

- Essa relação com meus pais. Você indo conhece-los em San Marino, minha mãe interessada em te agradar... Isso nunca irá acontecer e eu me sinto péssima.

- Bella, não pense nisso... - Edward pediu me soltando e cruzando os braços demonstrando como aquilo o incomodava mesmo que ele tentasse disfarçar.

- Como eu não preciso pensar nisso? - gritei e algumas pessoas olharam confusas com nós dois. - Toda vez que sua mãe for gentil comigo eu vou ficar pensando nisso, Edward. Em como eu sou covarde por não ter coragem de enfrentar meus pais e falar que nós estamos juntos.

- Por que você precisa tanto que eles saibam, hein? Por que nos não podemos simplesmente seguir nossas vidas sem pensar nos outros?

- Porque não é tão simples assim. Eu sou a herdeira de um trono, não posso simplesmente estar em um relacionamento sem pensar no futuro, em como isso irá influenciar em minha vida e em tudo que a envolve.

- Você quer terminar comigo, é isso? - ele perguntou tão sério como eu nunca o vi.

- Não, não, não... Não, Edward. Eu te amo. - respondi apertando seus braços cruzados enquanto sentia minha garganta torcer de nervosismo só em pensar em não ficar com Edward. - A questão não é essa.

- Então qual é, Bella?

- Eu... Eu me sinto horrível por sua família ser tão normal e gentil comigo enquanto a minha está longe de ser assim. Eu não posso te apresentar a eles como uma namorada normal faria...

- Eu não me importo com isso, de verdade. Se você não pode me apresentar aos seus pais ou ser vista em público comigo, sei lá... Foda-se, eu não ligo. O que importa é se você quer ficar comigo independentes dessas coisas todas.

- Claro que eu quero ficar com você!

- Então esqueça seus pais, minha mãe, essa pressão que você se coloca e aproveite o que nós temos.

O abracei tão forte que não sei de onde tirei aquela força. Eu só queria ter certeza de que Edward estava ali comigo e que não me deixaria por nada, mesmo eu sendo essa garota insegura fazendo tempestade num copo d'água. Para muitos aquela crise repentina era apenas birra de pobre menina rica, mas ninguém estava na minha pele para saber o que eu estava sentindo. Pensar na possibilidade de não tê-lo mais em um futuro próximo me tirava realmente o ar e eu não queria ficar sufocada e sozinha nesse mundo. Queria Edward o máximo de tempo que fosse possível em minha vida e o apertava contra meu corpo para começar desde aquele segundo a aproveitar de verdade o que nós ainda tínhamos.

- Vamos pra casa. - ele murmurou beijando minha testa e dando um sorriso sem vontade. - Compramos a cerveja e seu Marmite e vamos comer o fish and chips que Alan preparou, ok?

- Ok. - concordei fungando e limpando meus olhos que estavam manchados de rímel. - Eu te amo tanto, Edward.

- Eu também, minha querida.

Até voltarmos casa eu estava mais calma e preparada para continuar o final de semana com a mãe de Edward e seu padrasto. Esme pareceu não perceber que eu estive chorando mais cedo e nós nos divertimos tomando cerveja, comendo fish and chips e mais tarde com minha primeira experiência com Marmite (horrível, diga-se de passagem). Uma noite com a mãe de meu namorado como qualquer garota de minha idade tinha o direito de passar, sem se preocupar com o amanhã e as consequências disso em minha vida. As pessoas não se envolviam sem se pressionar sobre o futuro, apenas aproveitando o presente? Eu também seria capaz de tirar esse peso de meus ombros e viver ao lado de Edward sem pressa para saber o que estava nos aguardando.

Eu dormi envolvida em seus braços no sofá-cama da sala naquela noite e me acalmei o suficiente para não pensar mais sobre o assunto. Não iria mais perder meu precioso tempo pensando demais em algo que não dependia só de mim. Seria fácil se meus problemas pudessem ser solucionados num estalar de dedos, e se eu pudesse não teria um trono me esperando se para isso precisasse abrir mão daquele relacionamento.

Mas por enquanto eu não precisava me preocupar com aquilo. Não durante o final de semana em Bristol ou os próximos meses em Oxford.


PS: a fic está entrando na reta final. Pelos meus cálculos faltam 4 capítulos mais ou menos até o grand finalede nossa princesinha com nosso plebeu. Ansiosas?

Beijos :)