************************Cap 21 Você é luz, é raio, estrela e ê é fogo, eu sou paixão!"************************
Templo de Virgem, 19:45pm
— Está dormindo feito um anjinho. — murmurou o Santo de Virgem em voz quase inaudível, mas o suficientemente alta para o cavaleiro de Ouro de Áries o escutasse.
Mu fechava as janelas quando ao ouvir o marido deixou escapar um sorriso. Shaka lhe parecia a cada dia mais fascinado e envolvido por aquela criança, e o fato só aumentava sua felicidade. O virginiano parecia ter abraçado com todas suas forças a ideia de ser pai.
— Geisty deu uma canseira e tanto nele. — respondeu o ariano no mesmo tom suave e moderado enquanto agora corria as cortinas de tecido finíssimo encobrindo a janela — Ela é agitada e ele adorou isso! Esse malandrinho. — sorriu virando-se para caminhar em direção ao berço.
O quarto que Áries e Virgem montaram para o pequeno lemuriano era simples, funcional e com uma decoração singela que remetia ao oriente, como tudo naquele Templo. O berço gracioso era de madeira de carvalho, assim como a cômoda que acomodava o trocador e uma confortável poltrona de estofados revestidos em suede indiana bordada, a qual ficava estrategicamente ao lado do berço.
Era nítido que tudo naquele Templo trazia a marca de Shaka, um toque exótico e oriental que se sobressaia até nos detalhes mais simples, mas desde que fora morar ali Mu também deixara sua marca, e esta podia ser vista inclusive na decoração do quarto de Kiki. Se os móveis tinham o toque de Shaka a presença do ariano era sentida através de engraçados e fofos objetos infantis com temática de dinossauros, os quais destoavam de toda aquela seriedade do indiano e dava o ar lúdico que todo quarto de criança necessita. O Santo de Áries adorava os bichões pré-históricos e trouxera vários para entreter e enfeitar o quarto do filho, entre eles abajures, pelúcias, tapetes e até um mobile com vários dinossaurinhos, o qual ficava pendurado em acima do berço.
Havia também um grande armário embutido na parede onde antes Shaka guardava alguns livros e os diários dos antigos moradores daquela casa sagrada, seus antecessores. Agora, todos esses espaços estavam preenchidos por pacotes e mais pacotes de fraldas, mamadeiras, itens de primeiros socorros, higiene e toda a sorte de materiais necessários para o trato do bebê. Os documentos milenares dos antigos guardiões de Virgem foram acomodados em baús, assim como as centenas de livros, e levados para a Primeira Casa Zodiacal.
Prioridades... Foi o que disse Shaka ao tomar a aquela decisão.
— Sim. É a primeira vez que o vejo dormir tão pesadamente. — disse o indiano que debruçado sobre a grade do berço analisava com atenção o movimento respiratório do bebê enquanto lhe acariciava a bochechinha rosada — Acho que agora ele acorda só quando sentir fome... Ou seja, daqui a poucas horas.
— Isso significa que temos algum tempo livre até ele acordar. — sussurrou Mu, depois se debruçou ao lado do companheiro e inclinando-se em sua direção mergulhou o rosto na curva de seu pescoço, aspirando o perfume que tanto adorava — Nossa, há quanto tempo não tomo um banho demorado, sem pressa porque o bebê começou a chorar...
Shaka fechou os olhos e estremeceu. Era um toque singelo, uma carícia modesta, mas o suficiente para mexer com sua libido há muito tempo contida devido à chegada do bebê.
— Então, o que acha de ir tomar o seu banho demorado enquanto eu arrumo nosso quarto para nós? Podemos aproveitar essas horas antes de ele acordar. — o virginiano sussurrou enquanto virava a cabeça para o lado e abria os olhos para olhar para o marido, então ergueu um dos braços e o passou por trás dos ombros do ariano lhe trazendo para mais junto de si num meio abraço apertado.
Mu sorriu malicioso, e em êxtase encarou as íris azuis encantadoras por debaixo dos cílios longos dourados que lhe encaravam com volúpia.
— Hum, essa sim é uma proposta irrecusável! — respondeu o lemuriano distribuindo beijos pelo pescoço, linha do maxilar e queixo de Shaka, que de olhos cerrados erguia a cabeça para receber os toques dos lábios quentes do companheiro.
Não resistindo ao desejo sufocado por dias beijaram-se de forma afoita, ali mesmo, mas o recato de ambos os fez afastarem os lábios famintos um do outro quando a madeira do berço, no qual estavam apoiados, rangeu.
— Mu... espere... — Shaka sufocou um gemido, ainda com o corpo colado ao do ariano que ofegava de olhos fechados.
— Eu sei... Aqui não. — suspirou sorrindo — Eu vou pro banho. Só acho que não vai ser tão demorado quanto eu queria... Prioridades! — abrindo os olhos deu uma piscadela travessa para o marido e recuou alguns poucos passos.
— Isso, vá! — Shaka sorriu mordendo o lábio inferior num gesto provocativo, e quando Mu lhe deu as costas para deixar o quarto do bebê o loiro o surpreendeu com um forte e ruidoso tapa em suas nádegas.
— Ei! — disse Áries surpreso ao virar-se para ver um virginiano todo sorridente.
— Vou deixar o nosso quarto do jeito que você gosta. Com velas e aquele incenso de papoula que ajuda a relaxar. — escorregou a mão pela cintura do outro dando um apertão na carne firme.
— E eu vou passar a colônia de lavanda que você adora. — o ariano sorriu e retesou os músculos da barriga em resposta aquele toque — Não podemos desperdiçar essa chance. Só os deuses sabem quando teremos outra!
— Então vá, e não demore! — disse Shaka apartando-se do amado com um beijo rápido em seus lábios.
Ante aquele pedido urgente, Áries recuou alguns passos em direção à porta de saída e antes de dar as costas a Virgem lhe lançou um beijo no ar. Ansioso rumou para o banheiro apressado com o coração aos pulos e a cabeça cheia de planos.
Desde a lua de mel o casal nunca havia passado tanto tempo em jejum sexual.
Logo nos primeiros meses de casados, como o bom ariano que era, Mu se mostrou um amante voraz e dedicado, sempre disposto a satisfazer os desejos e necessidades do marido, que ao contrário do que muitos poderiam pensar era tão exigente quanto fogoso como amante.
Todo o recato e serenidade inerentes ao nobre cavaleiro de Virgem caiam por terra quando o assunto era sexo!
No auge da juventude, sempre com energia de sobra graças às longas sessões diárias de meditação, Shaka era, literalmente, um caldeirão fervente de luxúria incessantemente a transbordar.
Óbvio que jamais alguém um dia viria a saber dessa sua faceta mundana, visto que ela batia de frente com seu tão nobre título de próximo candidato a Buda, mas com Mu era diferente. Desde que decidira entregar-se de corpo e alma ao lemuriano, Shaka a cada dia sentia-se mais confiante e seguro, sem medo de pré-julgamentos ou culpas existenciais, e Áries recebia essa entrega plena com uma alegria e satisfação que não cabiam em si. O único contratempo para Mu era dar conta de toda essa energia em ebulição do indiano, uma vez que a prioridade de Virgem era gastá-la toda nos braços do companheiro sempre que possível, e este não poderia desejar vida melhor. Era um casamento perfeito!
Agora, apesar da imensa felicidade de terem adotado Kiki, o casal sofria com o celibato forçado, justamente por isso é que depositaram naquela chance de ouro a quebra daquele jejum. Vai saber quando teriam outra folga entre uma mamada e outra do bebê, entre uma troca de fraldas e horas de embalo até fazê-lo dormir.
Só de pensar que seu tormento teria fim Mu apressou-se no banho. Nunca havia tirado a roupa tão rápido como naquele instante, depois sem perder tempo abriu o box de blindex e entrou debaixo do jato de água morna da ducha.
Apesar da pressa, quando a água tocou sua cabeça, ombros e rosto fatigado, Mu rendeu-se aos prazeres hedonistas da vida e de olhos fechados decidiu curtir aquele momento tão almejado.
Kiki lhe dava tanto trabalho que até um bom banho relaxante se tornara um luxo do dia para a noite. Por isso, ainda que estivesse louco de desejo e ansioso para tomar nos braços seu amado virginiano, o lemuriano não pode resistir ao prazer singelo daquela água morna e forte que massageava tão deliciosamente sua pele e músculos exaustos.
Ficou alguns minutos ali, em silêncio absoluto, com o rosto erguido sendo banhado pela água, olhos fechados e boca semiaberta a soltar vários suspiros.
— Pelos deuses... Como eu precisava disso. — sussurrou para si mesmo deleitando-se com a massagem que o jato de água imprimia a seu couro cabeludo, então, de repente, sorriu. Um riso sensual, de satisfação e pura felicidade.
Mu pensava que enquanto curtia aquela água morna, no quarto Shaka estaria preparando o leito para se amarem até caírem exaustos. Como conhecia aquele loiro melhor que ninguém, sabia que deixaria tudo minuciosamente organizado para que o ambiente ganhasse uma aura mística e erótica, e que quando saísse do banho e fosse para lá provavelmente o encontraria nu sobre os lençóis, excitado e pronto para tirar-lhe todo o juízo como só Shaka de Virgem sabia fazer.
Foi impossível para Mu conter a própria excitação, pois só de pensar já sentia seu baixo ventre contrair-se involuntariamente. Imaginar a cena e o desfecho posterior a ela fez seu corpo reagir instantaneamente, o deixando duro e quente.
O banho estava ótimo, mas fazer amor com Shaka era infinitamente melhor!
Por isso o lemuriano tratou logo de apressar-se. Pegou o frasco de shampoo com essências de lavanda, despejou uma porção generosa na palma da mão e espalhou pelo couro cabeludo e comprimento massageando ligeiramente os longos e sedosos cabelos lilases.
Era um processo lento, cuidadoso e dedicado, que naquele momento absorvia toda sua concentração, mas esta de súbito foi quebrada quando mãos macias e atrevidas tocaram suas nádegas dando um apertão vigoroso.
— O... que! — dando um salto devido ao susto, Mu balbuciou ensaiando abrir os olhos, mas a espuma do shampoo que escorria abundante por seu rosto logo o forçou a fecha-los novamente.
Foi empurrado contra a parede fria à sua frente pelo corpo quente que agora colava-se ao seu e soltou um gemido ao chocar o peito levemente contra os azulejos. Logo seu pescoço foi atacado por beijos ávidos e mordidas tentadoras.
— Hmm... Sh-Shaka! — sussurrou dobrando os braços e espalmando ambas as mãos na parede em busca de apoio, já que outro encaixava-se em si lhe pressionando cada vez mais.
Sem pudor algum Virgem correu uma das mãos para o tórax forte do ferreiro a deslizando pela barriga até alcançar sua ereção já vivamente rígida, e Mu sentiu sua ânsia crescer ainda mais quando o indiano apertou seu sexo com força antes de iniciar uma massagem lenta e torturante.
— Não aguentei esperar. — murmurou Shaka ao distribuir beijos afoitos pelos ombros molhados do ariano, sentindo o gosto adocicado do sabonete de ervas entrar por seus lábios ofegantes, vibrante com a rigidez intensa daquele membro delicioso que segurava firme em sua mão — Ah, como eu ansiava por senti-lo... assim! — confessou com voz trêmula de desejo.
Excitadíssimo, o Cavaleiro de Virgem ondulava os quadris forçando sua ereção firme e robusta contra as nádegas do Santo de Áries, que num gesto intuitivo retesou todo o corpo, como, aliás, sempre fazia toda vez que o indiano o "atacava" daquela maneira. Já prevendo aquela reação Shaka riu divertido, mas não desistiu de provocar o companheiro. Passou um dos braços por debaixo da axila de Mu, acariciou seu peito viril e então o puxou para mais junto de si, beijando seu rosto molhado enquanto intensificava o contato entre seus corpos projetando mais o quadril para frente.
— Eu quero você, Mu. — o indiano ditou com voz rouca e baixa no ouvido do amado, segurando-o firme para impedi-lo de se afastar.
Aquele pedido sussurrado feito em tom tão sensual fez todo o corpo do ariano se arrepiar.
Nessa hora a vaidade tomava conta de Mu e ele não conseguia esconder a excitação, e também a satisfação, que lhe dava ouvir o poderoso Cavaleiro de Virgem suplicar para que o tomasse.
Desde que se casaram e passaram a dividir uma vida juntos, Mu por diversas vezes se surpreendeu com Shaka, o que só lhe confirmava que tinha feito a escolha certa em seguir seu coração e assumir seu amor pelo virginiano.
O que encantava e excitava Mu, além da beleza exótica e única, do andar felino e naturalmente sedutor, do olhar dardejante, da impetuosidade e poder daquele homem, era sua personalidade tão singular. Shaka sabia como ser dominante e submisso ao mesmo tempo, sabia pedir e mandar.
Imediatamente após o pedido, o Santo de Áries tombou o corpo para trás afastando-se da parede de azulejos, aproveitando para colocar o rosto debaixo do jato de água para enxaguar o shampoo, em seguida, num movimento tão rápido quanto um piscar de olhos, livrou-se dos braços que o imobilizavam para inverter o jogo girando o corpo para frente.
Agora, de frente para Shaka, Mu encarava aquele par de olhos azuis que o devoravam refertos de desejo.
No entanto, aquela troca intensa de olhares não durou muito, pois agora era o ariano quem avançava sobre o virginiano tomando seus lábios com a mesma sede e urgência de um peregrino que avista um oásis no meio do deserto, enquanto avançava o obrigando a caminhar de costas até chocar-se com o vidro do box. Ao pararem Mu correu ambas as mãos pela lateral do corpo esguio do amado até leva-las às nádegas onde, sem dó nem piedade, apertou com força a carne macia a marcando com seus dedos.
Shaka gemeu na boca de Mu, excitado, depois deslizou os dedos longos pelos cabelos lilases ainda meio ensaboados do lemuriano os pousando em sua nuca, arranhando levemente. Os corpos colados permitiam que suas ereções se friccionassem uma a outra estimulando a ambos.
— Repete. — sussurrou Áries de súbito, enquanto beijava avidamente a boca de Virgem.
— Hum? — grunhiu Virgem arfando, sem apartar o beijo. Sentia que podia passar o resto de sua existência saboreando os lábios doces daquele homem.
— Eu quero ouvir. — outro sussurrou em voz rouca de Mu, que agora atacava o lóbulo da orelha de Shaka com lambidas e mordidas sensuais — O que você quer, Luz da minha vida? Me diga.
Virgem estremeceu ao ouvir aquilo, um pedido, ou melhor, uma ordem dada com tanta decisão e autoridade. Hesitou por alguns instantes em responder, apenas devido ao seu recato e postura sempre virtuosa, mas não estava em condições de manter qualquer virtude naquele momento.
Encarando os olhos verdes do amado, ainda mais excitado com a impetuosidade daquela ordem, afastou minimamente os lábios apenas para poder dizer em voz rouca e decidida:
— Eu quero que me faça seu, agora. Sem velas, sem incensos de papoula, sem clima romântico ou prévia sedução. Não suporto mais esperar para senti-lo dentro de mim, Mu. — o loiro ofegou, depois inclinando-se para frente mordeu levemente o queixo do ariano sem deixar de encara-lo nos olhos.
Sabia que punha o ariano louco com seu olhar. E estava certo!
Com os incríveis olhos verdes semicerrados de pupilas dilatadas tal qual um predador à espreita da presa na escuridão da noite, Mu encarou aquele par de olhos magnéticos de um azul único sentindo sua excitação atingir um patamar incontrolável. Desviou por segundos deles apenas para poder olhar para Shaka de corpo inteiro, e como se pudesse devorar o loiro com os olhos delineou sequioso seus lábios arfantes, o pescoço pulsante, os ombros esguios, o peito largo que subia e descia em ritmo acelerado.
— Ótimo! — sorriu malicioso ao tornar a levantar o olhar para mergulhar as íris verdes flamejantes nas azuis voluptuosas — Porque eu também não sou capaz de resistir nem mais um instante para toma-lo. — sussurrou enquanto pressionava com ainda mais força seu quadril contra o do indiano, intensificando o contato entre suas ereções.
— E eu não quero que resista. — Shaka murmurou, e fechando os dedos nos cabelos molhados da nuca de Mu puxou sua cabeça para frente e tomou sua boca com um beijo voraz, faminto, como se estivesse possuído por um gênio da luxúria que ansiava em satisfazer seus desejos.
O lemuriano correspondeu ao beijo com o mesmo ardor e anseio. As peles molhadas e quentes se esfregando, os longos cabelos a se emaranharem entre os corpos molhados, o vidro do box completamente embaçado devido ao vapor da água morna que descia da ducha e os hálitos quentes.
Ali definitivamente não era o melhor lugar para matarem a saudade um do outro, mas ambos clamavam por aquele contato há dias, e o lugar onde se amariam depois de um jejum tão longo era mero detalhe sem importância.
Por isso mesmo que Mu, fazendo uso de sua telecinese, apanhou do suporte de metal que ficava ali dentro do box um tubo de lubrificante, o qual era deixado estrategicamente ali desde que se mudara para o Sexto Templo e passou a ter a companhia do cavaleiro de Virgem em praticamente todos os seus banhos.
Poderia parecer exagero, e até inapropriado, haver uma bisnaga de lubrificante dentro do box do banheiro da sagrada Casa de Virgem, entre os shampoos do Santo guardião daquele sacro reduto, mas a verdade era que desde que passaram a dividir o mesmo teto, lubrificante passou a ser item indispensável na vida dos dois cavaleiros e, por isso mesmo, havia sempre uma bisnaga a disposição, fosse no banheiro, no quarto, na cozinha, ou até mesmo na sala de meditação. Zeloso ao extremo, Mu nunca se esquecia do milagroso produto, nem quando amavam-se rapidamente no intervalo do almoço do ariano ou nos ligeiros banhos matinais antes de começarem seus afazeres diários, e Shaka agradecia aos céus por todo esse cuidado, afinal de contas, a natureza concedera grandes dotes à raça Muviana, e sendo eles um casal homossexual certos cuidados eram sempre necessários, além de muito bem vindos.
Com a perícia de um amante de longa data, Mu despejou uma boa quantidade de lubrificante nos dedos e os escorregou até o meio das nádegas do indiano, que ofegou e gemeu baixinho.
Com um único movimento forte e preciso, Áries dobrou ligeiramente os joelhos, deslizou as mãos fortes e grandes até a parte de trás das coxas firmes de Shaka e o ergueu.
Nessa hora os olhos azuis surpresos se abriram ainda mais e encontraram os verdes cravados em si.
— Abra as pernas. — pediu o ariano com voz rouca de desejo.
O pedido foi prontamente atendido pelo virginiano, que só deixou de beijar a boca ardente do companheiro quando um sorriso safado de satisfação brotou em seus lábios.
Mal Shaka abriu as pernas Mu já o levantava do chão encaixando seu quadril entre elas, que agora enlaçavam sua cintura enquanto as bocas sedentas de paixão voltavam a se encontrar.
— Aaah... Mu... — Shaka gemeu ansioso fechando os olhos quando sentiu o lemuriano conduzir o pênis até sua intimidade.
Mu sentiu as pernas tremerem levemente ao começar a penetrar o indiano devagar, centímetro a centímetro, sem encontrar muita resistência, já que Shaka estava demasiadamente excitado, gemendo e movendo-se de maneira a facilitar seu trabalho. A boca arfante e o hálito quente do loiro rente ao seu rosto o levavam à loucura, e mal esperou o corpo do outro se acostumar com todo aquele volume dentro para começar a estoca-lo de modo febril e alucinado.
— Uhmm Shaka! — grunhiu, deliciando-se com a sensação de estar dentro daquele corpo quente e apertado, embriagado pelo odor natural da pele de Virgem, um misto de perfume de lótus e sândalo com tons de especiarias.
Em contrapartida, o perfume de lavanda que exalava dos exóticos cabelos lilases do ariano, seus doces e intensos olhos verdes e sua inefável virilidade eram o que punham o virginiano louco. O corpo másculo, forte e potente do ferreiro coexistia em perfeita harmonia com uma alma pura e gentil, e tudo isso exercia em Shaka uma espécie de magnetismo que o mantinha preso aquele homem. Uma prisão perene da qual ele desejava ser cada vez mais cativo.
De olhos fechados, esfregando seu rosto ao de Mu, Shaka o provava com pequenas lambidas, beijos ávidos e mordidas, enquanto gemia alto em deliciosa agonia.
Logo encontraram uma cadência perfeita. Os corpos de ambos movendo-se em sincronia, encaixados como se tivessem sido moldados para isso, arrebatados por um prazer sublime.
Contudo Mu queria mais! Sempre mais!
— Abra os olhos... Quero olhar para você. — rogou o ariano com voz entrecortada e rouca, e quando o companheiro o obedeceu sentiu como se tivesse sido lançado para um mundo à parte.
O magnetismo daqueles olhos azuis que transbordavam de luxúria proporcionava a Mu um prazer excruciante, uma vez que sabia que somente ele os conhecia assim, escuros, dilatados de desejo. Somente a si as letais e poderosas safiras azuis se revelavam daquela maneira.
— Pelos deuses, Shaka, como eu senti falta do seu corpo, da sua pele... Aaaah... do seu cheiro... — Mu praticamente gemia as palavras enquanto segurava o indiano com mais força, alucinado com a expressão de puro prazer que Shaka tinha impressa em seu rosto corado.
— Hmm... eu também... senti muito... Aaaah Mu! — o loiro tentou exprimir em palavras o suplício que foram aqueles dias de jejum, mas tudo que conseguia fazer era gemer, beijar o rosto febril do lemuriano e se concentrar nas estocadas incessantes que lhe deixavam em êxtase.
Quando Mu acelerou o ritmo da penetração, Shaka levou um dos braços para trás e apoiou a mão no vidro do box. A outra ele mantinha no pescoço de Áries para se equilibrar minimamente, enquanto este pressionava seu corpo ainda mais contra o vidro embaçado.
Os dois cavaleiros bem que tentavam prolongar o ato para aproveitar o máximo de prazer que podiam, mas a necessidade visceral que os arrebatava desde dias atrás agora tirava o juízo de ambos, e tudo que queriam era entregar-se de vez ao prazer máximo daquela união.
— Aaaah Shaka!
Mu gemeu em alto e bom tom o nome do companheiro quando o sentiu levar a mão que apoiava no vidro até o próprio pênis, iniciando uma masturbação em ritmo acelerado. Do modo como estavam, com os corpos unidos um ao outro, o abdômen de Mu a estimular o sexo de Shaka enquanto o penetrava com força e fervor, logo o virginiano atingiria o clímax.
Dito e feito.
Quando sentiu o corpo do companheiro se contrair e comprimir ainda mais seu sexo, Mu lhe deu algumas últimas estocadas firmes e fortes, atento à expressão sublime de Shaka, que revirando os olhos gemeu entregue aos espasmos deliciosos de um orgasmo magnífico.
— Aaaaaaaaaaah Mu...
Era somente por aquele corpo trêmulo e o gemido lânguido que o ariano esperava para entregar-se ao orgasmo e se derramar em abundância dentro do corpo do amado.
— Hmm... Sh-Shaka... Shaka... — em delírio Mu recitava o nome do marido, o apertando contra si enquanto sentia ambos os corpos tremerem embalados pelas descargas elétricas do orgasmo.
Antes de cessar definitivamente os movimentos, Áries ainda deu algumas estocadas lentas e profundas no corpo de Virgem se deleitando com a facilidade que agora seu sexo escorregava para dentro devido à lubrificação proporcionada pelo seu sêmen, prolongando o prazer de ambos.
Ofegantes, quentes e suados agora eles trocavam um olhar apaixonado sentindo-se nas nuvens. As bocas se provaram mais uma vez antes de Mu, sentindo as pernas bambas, abraçar Shaka pela cintura para não deixa-lo cair e descansar a testa na curva de seu pescoço.
— Minha nossa, eu não acredito que ficamos tanto tempo sem fazer amor... — disse baixinho o lemuriano.
Ainda meio trêmulo Virgem beijou o topo da cabeça do ariano, mais um roçar de lábios arfantes que um beijo propriamente dito, depois esticou a mão até o jato de água que descia da ducha para limpar seu próprio sêmen, e usando ambas as mãos segurou no rosto de Mu o fazendo olhar para si mais uma vez.
— Eu te amo tanto! — sussurrou o indiano antes de beijar os lábios finos do amado suavemente.
— Ah, deuses... Não fala isso assim... — Áries sussurrou encarando os olhos azuis febris, enquanto apertando ainda mais o marido contra seu corpo distribuía beijos por onde seus lábios alcançavam — Não quando está me olhando desse jeito... Não quando está nos meus braços após fazermos amor.
— Eu preciso falar. — Shaka sorriu feliz recebendo os beijos carinhosos do marido que tanto lhe apraziam — Eu te amo, Mu de Áries! Não tem ideia do quanto eu ansiei por estar nos teus braços de novo.
Enquanto se beijavam novamente, com cuidado Mu se retirou de dentro do indiano, mas não o colocou no chão. Com as pernas de Shaka ainda a entrelaçar sua cintura, o Santo de Áries recuou alguns passos até se colocar debaixo da cascata de água, deixando que o jato morno e aconchegante agora molhasse a ambos.
Agora sim Shaka descia as pernas apoiando os pés no piso enquanto, devoto e apaixonado, Mu lhe acariciava as coxas firmes, as nádegas macias e a cintura delgada ao mesmo tempo em que sua boca deslizava junto com a água corrente pela pele deliciosa do indiano.
— Ah, eu também te amo, Luz da minha vida. Amo muito!... E se não terminarmos logo esse banho eu vou prendê-lo nesse banheiro para sempre.
— Não é preciso me prender... — o loiro alisou o tórax largo do lemuriano com a mão delgada, a água escorrendo entre seus dedos e a pele pálida do amante lavando o suor contido neles —... Em lugar nenhum... Shaka sempre estará, de livre e espontânea vontade, exatamente onde o Mu estiver... para sempre. — sorriu antes de abraçar o ariano com ternura.
Emocionado o lemuriano nada respondeu, apenas apertou ainda mais o abraço, pleno de felicidade.
— Vire-se. — disse o virginiano esticando o braço para apanhar o frasco de shampoo. — Eu vou lavar seu cabelo e suas costas. O shampoo secou e seu cabelo vai ficar pesado.
— Hum... está se redimindo por ter invadido o banheiro e interrompido meu tão sonhado banho demorado? — falou Mu com um sorriso no rosto ao se virar de costas para o marido.
— Vai me dizer que não gostou? — provocou o indiano enquanto despejava shampoo na palma de uma das mãos para em seguida começar a massagear as longas madeixas lilases do lemuriano desde o couro cabeludo — Que preferia ter tomado o seu tão sonhado banho demorado sozinho. — súbito, fechou os dedos nas mechas e trouxe a cabeça de Mu para trás até poder encostar a boca em sua orelha, onde deu uma leve mordida — Teria perdido essa preliminar deliciosa.
— E quem aqui está reclamando? — Áries deixou escapar uma risada pelo canto dos lábios — Mas vamos acabar logo com isso. Preliminares são ótimas, mas antes de você chegar eu fazia planos para nós dois na nossa cama, e se você ficar me provocando desse jeito não vou conseguir por minhas ideias em prática.
— Humm, já estou louco para saber que planos eram esses e que ideias são essas que você quer colocar em prática. — murmurou o indiano dando um beijo na lateral do rosto do cavaleiro.
Cheios de vontade e disposição de continuar na cama o que já haviam começado no box, o casal tratou logo de terminar o banho em conjunto o mais rápido possível. Não demorou muito a porta do banheiro foi aberta com um solavanco e por ela passaram os dois cavaleiros apaixonados, que entre beijos afoitos, afagos e carícias ousadas caminharam aos tropeços até a cama.
No curto percurso, ao sentir um doce perfume exótico no ar, Mu abriu ligeiramente os olhos e notou que Shaka havia feito exatamente o que lhe prometera. O quarto estava iluminado apenas por velas aromáticas que junto dos incensos de papoula que queimavam no parapeito das janelas impregnava o ar com um perfume floral aprazível. Uma melodia ecoava em tom bem baixo, uma batida oriental sensual que se somava ao clima erótico e místico do ambiente.
Um calor súbito brotou em seu peito fazendo seu coração acelerar ainda mais. Como adorava amar Shaka naquele cenário exótico que tinha tudo a ver com ele. Talvez justamente por isso que desacelerou seus passos, apertou o amado ainda mais contra seu corpo, fechou os olhos e o beijou com toda a calma do mundo.
Queria aproveitar o momento, sem pressa. Queria experimentar todas as sensações incríveis que só o sexo com o homem que amava podia lhe proporcionar.
Para o Santo de Áries o casamento era sagrado, uma união eterna e indelével, e o leito do casal era um local de devoção e celebração ao amor.
E era isso que queria fazer ali, no leito abençoado pelos deuses, fazer amor com Shaka, unir-se a ele de corpo e alma.
Com os cabelos ainda molhados a se aderirem displicentes sobre as peles úmidas, e completamente nus, Mu interrompeu o beijo apenas para se abaixar ligeiramente para pegar Shaka nos braços e conduzi-lo até a enorme cama de lençóis de seda em cores quentes, repleta de almofadas decoradas com motivos indianos.
Virgem sorriu passando os braços pelo pescoço de Mu e lhe dando um beijo no pescoço. Diferente do sorriso pleno de malícia de momentos antes no banho, agora este refletia uma alma apaixonada, vívida e que exalava felicidade.
— Gostou? — sussurrou o loiro roçando seu nariz no do amado.
— Adorei. — Mu respondeu antes de tomar a boca do outro com um beijo ligeiro — Se o que fizemos no banheiro foi uma preliminar, então agora eu vou ama-lo por completo, com toda a devoção e desejo que há dentro de mim. — disse quase num sussurro, depois apoiou um dos joelhos na beirada da cama e inclinando-se para frente deitou Shaka no centro com todo o cuidado.
Shaka suspirou mordendo os lábios enquanto mirava o rosto do ariano que olhando para ele lentamente engatinhou sobre a cama até deitar-se sobre seu corpo e tomar-lhe a boca num beijo lento e profundo.
O corpo forte, pesado e já totalmente desperto de Mu sobre o seu causava em Virgem um frisson tão delirante que lhe fazia experimentar uma leve vertigem. Levando as mãos às costas de Mu apertou, arranhou, marcou o que era seu, depois as deslizou para as nádegas onde apertou com mais força a carne firme, puxando mais o quadril dele de encontro ao seu para que o sexo túrgido do ferreiro se esfregasse ao seu, já vivamente rijo novamente.
— Faça isso, Mu... Me ame... Me enlouqueça. — o loiro sussurrou entre um gemido e outro, entre beijos e leves mordidas nos lábios quentes e pescoço do lemuriano.
Shaka abriu mais as pernas para facilitar o encaixe do corpo de Áries junto ao seu e em resposta o ariano remexeu-se projetando para frente o quadril, friccionando suas vigorosas ereções, enquanto distribuía beijos pelo pescoço, ombros e peito alvo do virginiano.
Com a língua quente e ávida Mu sorvia cada pequena gota de água que ainda pudesse restar sobre a pele aveludada do marido, sentindo a textura arrepiada instigar ainda mais seus sentidos.
Os sentidos...
Mu sentia-se queimar por dentro, arder de desejo, inebriado pelo odor natural de Shaka, pelo corpo longilíneo a contorcer-se ante seus toques e estímulos. Desceu a língua até o peito arfante e sugou sedento os mamilos rijos, depois com leves mordidas percorreu todo o tronco do indiano marcando a pele branca com vergões vermelhos, então desceu para a cintura até chegar ao umbigo.
— Hummm. — Mu gemeu em êxtase antes de mergulhar o rosto entre as pernas de Shaka.
Desde que viu marido nu pela primeira vez um detalhe simples chamou a atenção do lemuriano mais do que ele pudesse imaginar, principalmente porque se surpreendeu demasiadamente excitado com aquilo. Era ele, o famigerado caminho estreito de pelinhos tão dourados quanto os primeiros raios do Sol a tingir as copas das montanhas pela manhã, os quais desciam do umbigo até a base do pênis de Shaka, onde se acumulavam um pouco mais abundantes.
Senti-los com o rosto e principalmente com a boca tornou-se uma prática hedonista para Mu.
O lemuriano talvez não fosse capaz de explicar nem para si mesmo porque sentir o marido com a boca lhe dava tanto prazer. Talvez fosse a perfeita junção de todos os sentidos que o punha louco, o cheiro masculino de Shaka, a textura macia da pele, os pelinhos pubianos que eram sua perdição, o gosto único de seu sexo... Além de poder ver com seus olhos apaixonados o recatado Santo de Virgem perder completamente sua postura virtuosa quando o estimulava.
Quando deu por si Mu já estava esfregando o nariz fino nos pelos loiríssimos, aspirando em êxtase o aroma delicioso que vinha deles, que vinha do sexo de Shaka. Passou a mão pela parte de trás das coxas do indiano as erguendo e abrindo ainda mais suas pernas para que ficasse bem exposto, então abriu a boca e passou a língua por toda aquela região cobiçada, desde o períneo, virilhas até a base do pênis duro e úmido do virginiano. Com as mãos apertava, arranhava, apalpava e marcava as coxas de Shaka.
Shaka arqueou as costas se contorcendo de prazer, gemendo e respirando pesadamente.
— Aaaah Mu... humm... Mu
Ouvir Virgem gemer daquele jeito instigava ainda mais o ariano que parecia estar possuído por uma luxúria insana, a qual o fazia querer devorar cada centímetro da pele exposta ao alcance de sua boca voraz, por isso lambia, esfregava-se, mordiscava toda aquela região como se estivesse alucinado.
Shaka já sentia seu pênis doer tamanha sua excitação, e todo aquele jogo de Mu o estava enlouquecendo. Não que não estivesse gostando, pelo contrário, Áries sempre o levava ao delírio com aquelas provocações deliciosas, mas não estava em condições de esperar mais.
Clamando por alívio, com a respiração frenética e as pupilas dilatadas, correu as mãos até a própria virilha, então levantando ligeiramente o tronco do colchão, com uma das mãos segurou na base do próprio pênis e com a outra segurou firme no queixo de Mu o fazendo erguer a cabeça e olhar para si.
— Está me torturando... — sussurrou deslizando o dedo sobre os lábios úmidos do companheiro enquanto masturbava-se lentamente encarando os olhos verdes febris —... Coloca na boca... Quero sentir inteiro na sua boca macia e quente... Faça olhando para mim.
Mu deixou escapar um sorriso sensual ao ouvir aquele novo pedido, e sedento não pensou nem duas vezes.
Com os olhos verdes cravados nos azuis afogueados, abaixou o rosto lentamente e abriu a boca, mas parou a poucos centímetros de tocar o sexo do indiano.
— Assim? — sussurrou o ariano, e antes que Shaka pudesse reclamar abocanhou a glande já úmida, sugando bem de leve numa provocação torturante para logo em seguida afastar-se novamente e fazer outra pergunta — Ou assim?
Com aquela segunda indagação lúdica, Mu retirou a mão de Shaka que segurava o próprio pênis para ele mesmo o segurar pela base, com força e firmeza. Sem tirar os olhos do rosto do companheiro, que ansiava por vê-lo em ação, colocou o pênis todo na boca, relaxando a garganta para que pudesse desliza-lo até o fundo, parando apenas quando seus lábios tocaram os pelinhos pubianos de Shaka.
Estreitando os olhos, Virgem abriu a boca arquejante e suspirou ruidosamente, agonizante de prazer, ao passo que Mu, deleitando-se com a rigidez incrível daquele sexo túrgido que preenchia toda sua cavidade oral, piscou os olhos verdes lentamente insinuando-se ao companheiro, abafando gemidos roucos em sua garganta na medida em que massageava a ereção de Shaka com a língua e fortes sucções.
Anos de prática fizeram do lemuriano um exímio praticante de sexo oral, um amante completo, mas nada lhe dava mais prazer na vida que poder olhar para a face do cavaleiro de Virgem enquanto lhe dava prazer, quando o abocanhava com gula.
Sem delongas Mu começou a chupar com força, alternando entre movimentos rápidos e outros mais dedicados, acariciando com a língua morna os vasos que pulsavam forte por debaixo da pele fina e deliciando-se com o gosto salgado dos fluidos que já se acumulavam ali. Levando a mão até sua própria ereção iniciou uma masturbação no mesmo ritmo em que chupava o virginiano.
Com um dos cotovelos apoiado no colchão e a outra mão a segurar firme nos cabelos lavanda de Mu, Shaka projetava o quadril para cima para intensificar o contato, louco, arrebatado de prazer, principalmente porque além do estímulo oral tinha uma visão privilegiada do lemuriano sugando seu sexo enquanto se masturbava. Adorava o sexo oral que o marido lhe proporcionava.
O lemuriano por sua vez, não poupava esforços em dar prazer ao marido, dedicando-se a levar todo o sexo de Shaka ao fundo da garganta. Nesse ponto sugava com ainda mais força, e tentava manter-se assim pelo máximo de tempo que era capaz, o que o levava a alguns engasgos ocasionais. E era justamente quando Mu engasgava que Shaka sentia que podia perder todos os sentidos de uma só vez, tamanho o tesão que o dominava, por isso sempre que achava pertinente, quando sentia que o companheiro estava tão excitado quanto si mesmo, empurrava sua cabeça para baixo ainda mais, soltando apenas quando Mu implorava por recuperar o folego, como agora.
— Hummmm... Aaah... — o lemuriano suspirou extasiado ao puxar a cabeça para trás e soltar o sexo do indiano apenas para tomar ar, e logo abocanha-lo de novo.
— Aaaaah Mu... — Shaka gemeu a ponto de perder os sentidos de prazer.
Quando Áries acelerou e passou a chupar com mais rapidez, sentindo a própria mandíbula já começar a ficar dormente, Shaka se rendeu ao frenesi que lhe tomava por completo e se deixou cair de costas na cama, gemendo alto e despudoradamente. Convulso ele se contorcia todo sobre os lençóis, e não demorou para que logo gozasse novamente derramando-se na boca de Mu, experimentando um orgasmo tão intenso que quase o fez gritar, para delírio do ariano, que manteve o pênis do marido no fundo da garganta mesmo quando este chegou ao clímax, sorvendo cada gota do sêmen quente e abundante de Virgem.
— Hmm... delicioso! — disse Mu ao erguer a cabeça após longos segundos, enquanto limpava com um dos dedos a saliva que escorria de sua boca e descia espessa pelo queixo. Então se esgueirou sobre o corpo languido abaixo de si até alcançar a orelha do loiro e sussurrar: — Mas eu quero mais! Muito mais!... Eu quero ouvi-lo gemer, Shaka, gemer meu nome, em delírio, enquanto o possuo mais uma vez.
O indiano sentiu o coração bater mais forte, o peito se aquecer e uma extasiante sensação de bem estar lhe tomar por completo.
Ouvir aquilo lhe deu um tesão absurdo, mas quando pensou em dizer ao lemuriano que era justamente o que desejava, este, com um movimento único, preciso e ligeiro, o segurou forte pela cintura e o virou de bruços.
— Uhunn... Mu. — arfou espalmando as mãos no colchão e agarrando com força os lençóis, e da mesma maneira que Áries tinha mergulhado o rosto entre suas pernas momentos antes, agora o fazia entre suas nádegas, usando as mãos para afastá-las e poder lamber com cobiça sua intimidade o preparando mais uma vez — Aaaah... por... Buda... Mu... — grunhiu enlouquecido esfregando o rosto contra o lençol, sentindo que a qualquer momento poderia desmaiar ante aquele torpor luxurioso.
Ainda letárgico pelo orgasmo recém-alcançado, o cavaleiro de Virgem quase não se movia, deixando, só dessa vez, todo o trabalho a encargo do marido, que excitado como estava e ansiando por alívio imediato não se demorou naquela rápida preparação.
Logo Mu se posicionou em cima do virginiano e deu início à penetração, entrando em Shaka com surpreendente facilidade devido ao sexo de momentos antes no banheiro e ao estado de relaxamento do loiro, porém o sentindo deliciosamente apertado como de costume.
— Aaaaah... p-pelos deuses! — o ariano gemeu alto de olhos fechados enquanto empurrava-se cada vez mais para dentro do corpo do loiro, extasiado pela sensação única de ter seu pênis abrigado por aquele corpo tão quente —... Encaixe perfeito!
— Hmmmm... Mu... Aaaaaah... Mu... — o virginiano gemia sem pudor, dando ao amado exatamente o que ele queria.
— Isso geme... geme pra mim, Shaka... — Áries pedia ensandecido dando início a um vai e vem lento, dedicado, provocante.
Erguendo ligeiramente o tronco Mu espalmou ambas as mãos grandes e fortes nas nádegas estreitas de Shaka as afastando para com uma arremetida mais forte enterrar-se por inteiro dentro dele.
— Aaaaaaaaah... — Shaka abafou o grito metendo o rosto nos lençóis, os quais segurava com tanta força quase a ponto de rasga-los. Experimentava uma sensação de ardência em sua intimidade, visto que o pênis de Mu não era nem um pouco pequeno, não usavam lubrificante e mais cedo no banheiro tinham sido bem afoitos, mas espantosamente isso só fez aumentar sua vontade de ser tomado pelo lemuriano, por isso empinou ligeiramente o quadril intensificando o contato, abrindo-se e oferecendo-se para o homem que amava — Mu... Hummm... Vem...
Em delírio o Santo de Áries ondulou os quadris, abrindo espaço dentro naquele corpo que se oferecia, se contorcia e pedia para pertencer a ele. Iniciou um vai e vem lento, acelerando após alguns minutos, e retirando as mãos das nádegas pequenas, porém absurdamente arredondadas e empinadas de Shaka, pôde ver a marca de seus dedos impressa com perfeição na pele clara. Vergões avermelhados que só fizeram aumentar seu arroubo libidinoso.
Segurando com força na cintura esguia de Virgem, Mu o ergueu o fazendo empinar ainda mais a bunda, assim podia penetra-lo tão fundo quanto conseguisse ou Shaka aguentasse.
— Aaaaah, é... tão apertado!... Hmmm... Tão gostoso!... Shaka... você me enlouquece! — o lemuriano deixava escapar aquelas palavras de êxtase entre arquejos e gemidos, completamente arrebatado.
Fazer amor com Shaka era para Mu como ascender ao Nirvana e ganhar os Elísios. Podia sentir a aura quente, erótica e mística do indiano a abraçar a sua, e à medida que se entregava ainda mais ao ato sentia seu corpo e sua alma fremir de enleio.
Aumentando a velocidade das estocadas incessantes, Mu sentia um prazer excruciante ao perceber o corpo do outro envolver seu sexo inteiro com deliciosa pressão, ao passo que ia à loucura com a voz melodiosa e rouca de lascívia de Shaka a gemer seu nome. Além dos corpos sabia que unidas também estavam suas almas, seus Cosmos, e era justamente isso, essa união plena, que os arrebatava daquela forma tão intensa toda vez que faziam sexo.
Sem nenhuma noção de quanto tempo permaneceram ali, se minutos ou horas, logo se viram mais uma vez às margens do ápice do prazer. Virgem já sentindo sua nova ereção úmida e dolorida a rogar por alívio.
Unido a Shaka em comunhão de corpo, mente e alma, Mu inclinou-se para baixo e deitou-se sobre o corpo fremente, colando seu peito suado e quente às costas do virginiano, depois passando os braços por debaixo dele o prendeu num abraço forte e possessivo.
Agora Áries estocava Virgem de maneira frenética, fazendo com que o som dos corpos a se chocarem com violência ecoasse ruidoso pelo quarto. A cama só não chacoalhava mais que o corpo do cavaleiro de Virgem, que debaixo de um ariano tomado por um furor sexual digno daqueles nascidos sob os signos regidos pelo fogo, mordia os lençóis para conter os gritos de prazer que sufocavam sua garganta.
— Aaaaah... Venha... Hmm... Junto comigo... Venha... — Mu sussurrou rente ao ouvido de Shaka num torpor delirante, esfregando o rosto nas mexas loiras úmidas espalhadas por suas costas — Eu quero gozar dentro de você mais uma vez sentindo seu corpo tremer de prazer nos meus braços. — confessou, e logo em seguida abriu a boca e mordeu sem piedade a pele suada da nuca do indiano ao mesmo tempo em que impunha mais força às estocadas.
Aquelas palavras, somadas à sensação da mordida e ao sexo forte e alucinado foram o suficiente para que Shaka sentisse as primeiras descargas elétricas que precedem o orgasmo tomar seu corpo. Apertou com força os olhos sentindo seu sexo latejar espremido entre a barriga e o colchão da cama. Ondas de calor tomaram seu peito, a ardência em sua intimidade que antes o incomodava, agora, apesar de bem mais intensa, lhe provocava um prazer tão excruciante que o fez gozar no ato.
— Aaaaaaaaaaah... Hmmmmmmm... Mu... — dessa vez não conseguiu abafar os gritos, e apertando os dedos dos pés e das mãos sentiu o corpo todo atingido pelos espasmos impetuosos e violentos do orgasmo.
Quando sentiu o corpo do indiano tremer violentamente, e seus músculos internos se contraírem estrangulando seu pênis, Mu ficou tão alucinado de tesão que não pôde mais controlar seu ímpeto. O corpo de Shaka ainda tremia intensamente quando o apertou com mais força contra si e com uma última estocada forte e profunda entregou-se ao orgasmo.
— Aaaaaaaaah... Sh-Shakaaa... — gemeu em alto e bom tom, enquanto chacoalhado pelas contrações convulsas que irradiavam de seu baixo ventre por toda a extensão de seus músculos derramou-se dentro do amado mais uma vez, sentindo-se, quase que imediatamente, ser tomado por uma sensação de plenitude.
Exausto, pleno, leve, em estado de graça, Mu deixou-se cair sobre as costas encharcadas de suor de Shaka, ofegante e ainda trêmulo, sonolento. As respirações aceleradas de ambos em perfeito compasso.
— Deuses... como é bom... amar você... — murmurou num fio de voz o ariano.
Shaka sorriu macilento, feliz em ouvir aquilo.
— Como senti... falta disso... Buda! — sussurrou o Santo de Virgem de olhos fechados e ânimo esgotado.
Mu sorriu, e sentindo um líquido quente escorrer para fora do corpo do loiro apoiou-se na cama e com cuidado rolou para o lado saindo de dentro dele. Ajeitou-se a seu lado e esticou o braço o chamando para deitar-se consigo.
— Vem cá. — chamou, aninhando Shaka em seu peito quando este arrastou-se até ele — Acho que vamos ter de voltar para o banheiro. — riu dando um beijo nos lábios entreabertos que lhe acolheram no ato.
— Sim. — Shaka riu de volta — E também trocar a roupa de cama... Já estava sentindo falta de ter de trocar a roupa de cama todos os dias pelo menos umas quatro vezes.
Mu riu, apertando mais o virginiano contra si.
— Eu te amo, Luz da minha vida.
— Eu também te amo, Mu.
Era pouco mais de duas da manhã quando a porta do quarto de Kiki foi aberta vagarosamente para que não fizesse barulho.
Descalço, enrolado em um lençol branco, cabelos úmidos e bagunçados, Shaka caminhou até o berço com passos tão leves que parecia caminhar sobre nuvens. Inclinando-se para o lado esticou o braço e acendeu um dos graciosos abajures que tinham o formato de um Brontossauro. Uma luz fraca em tom azulado iluminou o cômodo somente o suficiente para que o pai zeloso pudesse curvar-se sobre a grade do berço para checar seu bebê.
Kiki dormia deitadinho de lado, a respiração leve e compassada indicava que tinha um sono tranquilo, mas mesmo assim o pai coruja tinha uma ruga de preocupação na testa.
Esticando a mão, Shaka tocou a fronte do bebê para sentir sua temperatura.
Tudo normal.
Não satisfeito agora pousava a mesma mão sobre o peito do pequeno lemuriano para sentir sua frequência cardíaca e respiratória.
Aparentemente tudo normal.
Foi quando pensou em checar a fralda do bebê para ver se estava ainda sequinha que foi surpreendido por uma mão forte a lhe dar um apertão na cintura. Deu um pulinho de susto.
— Mu! — falou num sussurro ao olhar para o lado e encontrar o rosto doce e gentil do ariano a sorrir para si usando apenas uma cueca samba canção de seda.
— Trouxe o seu chai. — disse Áries em voz bem baixa estendendo um pequeno copo de cerâmica ao marido — O que está fazendo?
Shaka apanhou o chai das mãos de Mu, mas não bebeu. Ao em vez disso olhou novamente para Kiki sem disfarçar sua preocupação.
— Não acha estranho ele não ter acordado ainda? — sussurrou o virginiano.
— Não. — respondeu Mu com um sorriso, depois enlaçou a cintura do indiano num abraço lateral — Eu acharia estranho se não pudesse senti-lo através do nosso elo muviano.
— Mas... ele nunca dormiu assim, tantas horas seguidas... E se estiver com algum problema?
— Sha, ele está ótimo! — Mu olhou para o filho e não pode evitar o sorriso que se formou em seu rosto — Ele só está repondo as energias gastas esta tarde com a Geisty. Não se preocupe, ele ainda vai dormir por algumas horas e então vai acordar pronto para tocar o terror, com a frauda suja, faminto e agitado... Hum... por falar em faminto... — virou-se de frente para Virgem e o trouxe para junto de si o puxando pela cintura —... Eu ainda estou com fome.
— Está brincando, não é? — disse Shaka arregalando os olhos — Você acabou de comer três sanduiches!
Com um sorriso faceiro no rosto, Mu desceu as mãos até as nádegas de Shaka e as apalpou com força.
— Não me refiro ao meu estômago... — disse com voz baixa o lemuriano, depois mordeu o queixo do loiro e roçou a ponta do nariz na pele branca de seu rosto —... Minha fome é de outra coisa, e careço de algo um tanto mais... exótico! — lambeu demoradamente a pele sensível atrás da orelha do marido —... Algo vindo das misteriosas e místicas terras do Oriente!
— Hum... Shaka acha que tem o que o Mu quer... comer. — o virginiano sorriu malicioso, e avançando sobre o ariano o fez andar de costas em direção à porta de saída enquanto atacava seus lábios com mordidas provocativas.
No caminho o copo com o chai foi abandonado sobre o trocador do bebê.
O casal sabia que tão logo o filho pequeno acordasse todo seu sossego iria embora, e só os deuses poderiam dizer quando eles teriam a chance de se amar intensamente de novo. Por isso, aproveitariam cada instante e se amariam ainda de diversas formas até quando o pequeno filhote de lemuriano permitisse.
Para Mu e Shaka uma coisa ficou certa a partir daquele dia. No que dependesse deles as visitas de Geisty, além de muito bem vindas, passariam a ser frequentes, assim todos seriam beneficiados. Kiki teria uma amiga e tutora dedicada com quem pudesse gastar suas energias, Geisty ganharia toda a experiência que precisaria para cuidar de seus bebês gêmeos e Áries e Virgem teriam a chance de continuar sendo os amantes fogosos e apaixonados que sempre foram.
