Sobre o capítulo, eu diminui a hora do voo entre a Rússia e os EUA. A viagem dura aproximadamente entre 15/17 horas ida e volta. Só esclarecendo.
Boa leitura.
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– Maya, acorde, acorde, acoooooorde! – Benjamin a sacudia.
– Ai, Ben, eu quero dormir mais. – resmungou, sonolenta.
– Vai começar o dinossauro roxo.
Maya despertou, coçando os olhinhos.
– Tá bom!
Os dois escovaram os dentes e, seguiram até a sala. Maya ligou a tevê. Ficaram ali os dois, assistindo o programa infantil, atentos. Piper acordou em seguida, chamando por Alex ao telefone, mas ela já havia desligado. Sentiu-se mais sonolenta do que o normal, sem contar a dor em seu estômago, que piorava a cada segundo. Tomou um banho demorado, que a ajudou diminuir o desconforto. Meia hora mais tarde, pisou na sala, espantou-se com os filhos assistindo televisão.
– Oi mamãe, dormiu bem? – Benjamin segurava o dedão do pé por cima do pijama verde, olhando-a, esperando por sua resposta.
– Dormi muito bem, meu querido. E vocês?
– Dormimos, mamãe. – Maya sorriu.
A campainha tocou, Piper foi atender.
– Heeeeey, P! – Nicky deu-lhe um abraço desajeitado, entrando em seguida, atrás de si, estava Lorna.
– Que surpresa boa! Vamos entrando.
– Desculpe vir sem avisar, Piper, mas Nicky insistiu. – Lorna sorria, encabulada.
– Como se fosse preciso, Lorna. – Piper segurou em sua cintura, caminhando até a sala. Nicky estava jogada no chão da sala, com as crianças pulando em cima de suas costas.
– Cuidado, ou vão se machucar. – Advertiu Piper, rindo dos três.
– Oh mãe, estou com fome! – Maya gritou, escondida atrás de Benjamin.
– Eu também! – Nicky e Benjamin disseram em coro.
– Irei preparar o cereal de vocês.
Na cozinha, Piper engatou uma conversa animada com Lorna sobre os preparativos de seu casamento. Nicky gostaria de passar a lua de mel em Tóquio, mas ela tinha preferência por Bora- Bora, Piper sugeriu que fossem aos dois lugares. Por que não?!
– Eu estou tão empolgada, Nicky nem se fala. – Lorna mastigava sua panqueca, de olho em Piper.
– Eu posso imaginar. Quando estava no altar, a minha única vontade era pular aquela parte.. – Virou o cereal colorido das crianças em seus pratinhos, jogando o leite por cima.
– Por quê? – Perguntou, bem interessada no assunto.
– Não quero te assustar, mas, a parte mais difícil é dizer: – ''Eu aceito. '', é louco pra cacete.. Tudo mudará após essas duas palavrinhas de merda.
– Mesmo você estando apaixonada?
– Mesmo assim, Lorna.. No final, valerá a pena, ou não, foi o meu caso.
Lorna sorriu, e voltou a mastigar. Valeria a pena dizer sim à Nicky, ela era a sua melhor amiga, noiva, companheira, era com certeza a sua pessoa preferida no mundo todo.
– Crianças, venham! – Piper chamou-os.
Nicky entrou na cozinha segurando Benjamin no colo, e Maya estava sentada em seus ombros.
– P, o meu cereal, onde está?
– É sério, Nicole? – Lorna parou de comer sua panqueca, retorcendo o nariz.
– Eu amo cereais!
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Alex acordou cedo, estava maluca para voltar pra casa e reencontrar seus amores, isso incluía Piper, óbvio. Notara que havia encerrado a ligação sem querer ao dormir, não soube ao certo quanto tempo durou a ligação com ela. Ajeitou suas coisas em uma pequena e discreta mala, pretendia chegar aos EUA o mais rápido possível. Encararia um voo de aproximadamente 06 horas, seria muito cansativo. Dentro do táxi, ligava o celular novo que havia comprado minutos atrás. O transito de Moscow estava paradíssimo, Alex sentiu vontade de chorar de frustração. Quando finalmente se livrou daquele engarrafamento, já era quase 12h, o fuso horário a deixava atrapalhada. Optou pela classe econômica, queria sentar perto de alguém, ouvir os dilemas, a faria bem. Por sorte, acomodou-se perto de um casal de idosos, ambos eram americanos, foram visitar a filha que havia dado à luz ha poucos dias. Pegou no sono, usando a almofada de pescoço.
– Finalmente em casa! – Alex desembarcou toda sorridente, ao esperar sua mala passar pela esteira, ela olhava uma mulata, que em momento algum se importou, o que ela fez foi encarar Alex de volta. Fazia tempos que não flertava descaradamente com alguém.. Descansou os óculos escuros no topo da cabeça, exibindo seus olhos propositalmente.
XXX
Piper e Lorna tomavam um chá gelado sentadas na sala, de olho na brincadeira de Nicky com os pequeninos, era incrível como ela era paciente com eles, sendo mais criança do que elas próprias.
– Eu juro que às vezes sinto ciúmes Piper..
Lorna sorria, segurando um dos brinquedos de Maya.
– Ela com certeza será uma boa mãe. – Palpitou.
– Se ela não deixar nossos filhos loucos, né?
– Amor, eu ouvi isso..
Nicky desviava das mãozinhas dos sobrinhos, quando seu celular tocou, era Alex.
– Número errado, de novo. – brincou.
– Ah vai tomar no cu, está transando de novo?
– Não, idiota. Estou brincando com Maya e Benjamin.
Piper estreitou os olhos até Nicky. Levou a mão esquerda ao peito em uma débil tentativa de conter seu coração que galopava disparadamente.
– Estão em Manhattan? – Alex chegou a sua residência, jogou a mala de qualquer jeito no canto da sala.
– Em Queens, mais precisamente no ap de Piper.
Lorna conhecendo Nicky, como conhecia, sabia que ela estava tramando alguma coisa.
– Estão todos aí? – frisou a palavra.
– Ele não está, Vause. – Nicky entendeu sua pergunta indireta, respondendo um pouco mais baixo, apenas Benjamin ouviu.
– Eu tô sim!
Ambas sorriram do menino.
– Em uma hora estarei aí. – Alex avisou, acolhendo Luminor no colo, sentira sua falta. – Tchau!
– Essa vaca desligou na minha cara.
– Linguagem, Nicky! – Lorna deu-lhe uma bronca.
– A tia Alex chegou, tia?
Maya pendurou-se em seu pescoço balançando o corpo.
– Sim, sim, Sunshine. E em uma hora ela estará aqui..
– Ebaaa! – Benjamin gritou.
O estômago de Piper deu uma cambalhota violentamente, notando seu desconforto, Lorna tocou seu joelho.
– Tudo bem?
– Sim, quer dizer, não sei.. Só preciso ir até o banheiro. – Ela fez um gesto, e levantou-se.
No banheiro colocou todo o chá que tomara, pra fora. Suspirou ruidosamente, sentia-se totalmente fragilizada e incomodada. Foi varrida por um mar de emoções, enquanto temia e ansiava pela chegada de Alex.
– Nicky, se você não parar, irei ficar muito zangada!
– O que eu fiz demais, amor?
– Você sabe muito bem, deixe que elas se resolvam, não provoque Alex com seus comentários.
Nicky levantou as mãos como se estivesse diante de um revólver.
– Tudo bem!
– Certo.
Ao retornar do banheiro, Piper foi atender a porta, receiou. Taystee sorria de orelha a orelha, amenizando seus nervos.
– Hei, branquela.. – Ela deu um beijo na testa de Piper, marcando o local com seu batom rosa.
– Entre! – Piper sem muito esforço conseguiu sorrir.
– Olá criançada!
Taystee adentrou, ganhando abraços de Maya e Benjamin. Nicky fechou o cenho, enciumada.
– Opa, opa, opa.. Essas crianças me pertencem!
– O que eu posso fazer se elas não me resistem?
Duelavam, olhando-se.
Piper e Lorna prenderam a respiração.
– Eu terei que chutar seu traseiro, branquela? – Taystee inquiriu, num tom ameaçador.
– Boa sorte! – Nicky disse rangendo os dentes, até que parassem de frente uma para outra.
Silêncio era audível, as crianças calaram-se, olhando a afronta delas.
– Sua vadia, me dê um abraço! – Taystee agarrou Nicky, erguendo-a no ar.
– Você é uma biscate! – Nicky ajeitava a roupa no lugar. – Te liguei, e você não retornou sua puta.
– Que merda é essa? – Piper fazia uma careta engraçada, relaxando os músculos.
– Meu Deus, que festival de palavrões.. – Lorna pigarreou, apertando os ouvidos com a palma da mão.
Maya e Benjamin deram de ombros, voltando a brincar.
– Nós nos conhecemos através de Alex, lorinha. – Taystee se jogou no sofá, com Nicky do seu lado.
– As duas tias malucas de Maya resolveram ser amigas. – comentou Piper, dobrando a perna no braço do sofá, apertando os ombros de Lorna. Nicky e Taystee resmungaram, e entraram em uma conversa animada sobre rappers. Lorna resolveu mostrar a Piper uns vestidos de noiva que provaria na semana seguinte.
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Quase oito horas da noite, as crianças começaram a resmungar de fome. Taystee e Nicky foram comprar pizzas, enquanto isso, Lorna dava banho nos sobrinhos. Sentada no chão da sala, Piper assistia um filme qualquer. A batida na porta chamou sua atenção, qual o problema em usar a campainha?! A porta se abriu, lá estava Alex, sexy e confiante como sempre. Sua determinação em expulsá-la sofreu um terrível abalo.
– Hey.. – Alex sorriu, segurando um vinho entre os braços com um exagerado laço vermelho. – Importado.
Piper estudou seu rosto, para logo dar uma rápida olhada no vinho em seus braços. Ela usava uma calça de algodão, blusa de frio, e havaianas com meias.
– Oi. – ela respondeu, totalmente tomada pela atração física que jamais deixara de sentir por ela. – Entre.
Alex a tomou pela mão, um ato tão comum, mas Piper endureceu, sem saber o que fazer exatamente.
– Casa cheia?
– Pois é. Taystee e Nicky foram buscar pizzas, Lorna está dando banho nas crianças. – Tomou-lhe o vinho de suas mãos. – Irei colocá-lo na cozinha. – Soergueu a garrafa. – Fique a vontade, Alex.
Alex não podia mais ficar longe dela, e então se dispôs a segui-la.
– Dormiu bem, Pipes? – Não queria, mas entraria no assunto da noite passada, foi um jeito fácil de dialogar com ela.
– Como um bebê. Desculpe-me por deixa-la falando sozinha. – deu meio sorriso. – Fez uma boa viagem?
– Foi reconfortante ouvi-la respirar, dormi em seguida. – ela olhou-a de relance. – Não posso reclamar, o ruim foi ter que viajar sozinha, dormir sozinha.
– Oh! Eu até posso sentir sua frustração, deve ser difícil dormir sem ter alguém para esquentar a cama ao seu lado.
Alex sentiu o corpo enrijecer-se. Seus olhos percorreram a cozinha e depois pousaram sobre os de Piper.
– Não tem nem cinco minutos que cheguei, já vamos brigar? – exalou fundo.
– Não estamos brigando.. – Piper fez uma careta, em sinal de dor.
– O que houve?
Com um abano de mão, Piper balançou a cabeça como se dissesse que não era nada.
– Piper, ninguém fica fazendo essas caretas por nada.. Ou você está interpretando o Jim Carrey?
– Pare de ser imbecil, Alex! – Conseguiu exclamar, com um sorriso trêmulo.
Alex passou o braço ao redor do ombro dela.
– Senti saudade, pequena.
– Perto de você, sou quase anã mesmo. – a sensação que teve do braço dela em seu ombro foi intensa, forte, e estranhamente agradável.
Olharam-se.
– Me perdoe pelo o que houve naquele dia, Piper, eu estou tão..
– Oh, esqueça. Já deu, já foi. – cortou-a.
Lorna vinha da sala com as crianças.
– Benj, a tia Alex! – Maya disparou na frente do irmão, agarrando as pernas dela. Piper timidamente se afastou.
– Oi meus pimpolhos! – Ela distribuía beijos em seus rostos cheirosos.
– Mamãe, se ''tava no vião''? – Benjamin afastou o rosto, formando um papinho abaixo do pescoço.
– Avião, Ben. – corrigiu-o. – Sim, estava.
– Tia Alex, não é verdade que existe um método de apanhar as nuvens pela janelinha do avião?
Lorna deu uma risada audível, seguida por Piper.
– Método, palavra difícil para uma garotinha de cinco anos. – riu. – Não existe esse método ainda, Maya. – Alex ergueu os olhos encontrando os de Piper.
– Aprendi essa palavra com o Barney! – Maya cutucou Benjamin, correndo em seguida. O menino logo entendeu o recado, e correu atrás da irmã.
– Oi guerreira. – Alex abraçou Lorna com carinho, numa tentativa fracassada de irritá-la.
– Não, nem vem.. O problema é com você e Nicky! – avisou-a, com um sorriso vencedor. – É bom tê-la de volta! Bom, irei ver aqueles pestinhas. – disfarçou, marchando até a sala.
Com toda a leveza que ainda restava dentro de si, Alex encostou na ilha da cozinha, acompanhando Piper, que tomava um comprimido.
– Não vou deixa-la sair desta cozinha se não me contar o que há de errado com você.
– O que?
– Piper, o há de errado com você?
– Estou com cólica..
– Tem certeza? – Por algum motivo, aquela resposta não convenceu Alex.
– Absoluta.
– Vá se deitar, irei esquentar um pouco de água quente.
– Bobagem, não está tão forte assim, e além do mais, estou faminta.
– Bem.. – Alex deu a volta, parando poucos centímetros dela. – Estou aqui, não?
– Uma pena eu não ser canibal, porque eu começaria comendo seu cérebro para saber o que se passa nele. – respondeu ela, em diversão.
– Ei, não lésbicas...
Nicky entrou na cozinha com um sorrisinho sarcástico, empilhando as caixas de pizzas.
– Nicole, cada vez maior.. – Alex recorreu até a irmã, abraçando-a.
– Te fode, Vause! – desvinculou-se, colocando as pizzas em cima do balcão.
– Loirinha, trouxemos sua pizza doce, e por Deus, coma longe de mim.
Taystee fez uma cara de nojo.
– Hei, hei, veja quem resolveu aparecer também.. – comentou Alex, ganhando um empurrão de Taystee.
– Alex, você é tão last week, né? Ainda insiste em colocar laços nos vinhos. – Nicky arrancou o enfeite da garrafa bruscamente.
– Era provocativo, Ninics. – ela zombou.
– Uma pena Piper não poder toma-lo.
– Por quê? – Inquiriu Alex e Taystee ao mesmo tempo.
– Ela está ruim do estômago. – Nicky serviu-se, e ao experimentar o vinho, gemeu satisfeita.
– Não é cólica, Piper?
A voz aguda de Alex, fez com que seu corpo tremesse.
– É claro que é.
– Enfim, vamos comer? Estou com fome.
Taystee foi à procura de um prato.
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Quarenta minutos depois, Nicky, Taystee e Alex, estavam jogadas no chão da sala, ambas reclamavam de barriga cheia. O cheiro forte de brócolis, fez o estomago de Piper embrulhar, mas ela aguentou sem levantar suspeitas. Comeu sua deliciosa pizza de banana com canela. Lorna foi a única que a ajudou comer, pois havia agradado o seu paladar, em todo, a pizza não era tão ruim assim.
– Alex, você quer ganhar uma grana? – Nicky olhava-a de soslaio.
– Quem eu terei de matar?
– A si mesma..
Piper riu altamente, ganhando a atenção das três mulheres deitadas no chão. – Oh! Desculpem-me.
– E então?
Ignoraram o pedido de desculpa dela.
– Se eu fosse concordar o que realmente eu teria que fazer?
– Chupar o meu dedão do pé.. E aí? – Nicky fez uma cara seria, como se a propôs-se um grande negócio.
– Vai dar meia hora de bunda, Nicky.
– Eu chupo no lugar dela, Nicky. – Taystee comentou, olhando-as. – Se a grana for boa.
As três riram.
– Mamãe, a mamãe Alex falou bunda. – Benjamin a delatou.
– Benjamin, continue rabiscando quietinho, igual Maya. – Piper ordenou.
– Quando Alex era mais nova..
– Nicky, pode parar, não tem graça! – Alex sentou-se, com um olhar ameaçador direcionado a irmã.
– Começou, termina..
– Taystee, fique caladinha.
– Qual é Alex, todo mundo tem um segredinho, Piper por exemplo..
Piper estava calada, apenas escutando aquela conversinha infame que elas mantinham, até que seu nome fosse mencionado.
– Epa! Eu não quero participar dessa conversinha de vocês. – deixou claro.
– Como eu ia dizendo.. – Nicky continuou, Lorna fez um sinal positivo com o polegar, discretamente, para que ela continuasse. – Alex gostava de dormir comigo, eu dormia pra cima e ela pra baixo.. Teve uma vez que acordei com ela chupando o meu dedão do pé, e quando eu o tirei da boca dela, ela começou a chorar.
A risada foi geral, Alex escondeu o rosto, totalmente envergonhada.
– Eu era pequena, sua cretina. – defendeu sua reputação, mesmo não obtendo sucesso.
– Uma porra, você tinha uns 14 anos.. Ah! E sem contar, que depois ela passou a chupar o próprio dedo, tempos depois, teve que usar aparelho.
– Ok, agora chega Nicky. – pediu, ruborizada.
Nicky recebeu um soco no braço.
– Amor, ela está agredindo a sua noiva..
– Aguente, Nicky. – Lorna encorajou-a.
– Piper também teve suas pérolas.
– Taystee, eu prefiro que fique quieta. – sorriu, nervosa.
– Uma ova. – Taystee deitou no sofá, ficando de lado, olhando cada um ali presente. – Piper morria de medo quando mamãe dizia: – Se não dormirem, a Bloody Mary (Maria Sangrenta) pegará vocês.
– Taystee!
Piper abraçou uma almofada.
– Piper se borrava de medo, uma vez chegou a urinar na cama com medo da Mary pegá-la caso fosse ao banheiro. Mamãe ficou furiosa, e a apelidou de..
– EU TE PROIBO! – Piper levantou, nervosa, surtindo a atenção de todos.
– Maria mijona!
Maya deteve seu rabisco, ao escutar o apelido da mãe.
– Maria mijona? Nossa! Mamãe urinava na cama! – tapou a boca com a palma da mão.
– Chupa dedo e Maria mijona, cara, que dupla! – Nicky explodiu em uma gargalhada.
Piper desfez sua pose de raiva, e acabou rindo por fim.
– Maria mijona é pior, Pipes.
– Não vire essa porra contra mim, Alex. – olhou bem fundo nos olhos dela.
Alex assentiu, soltando uma piscadela.
– Eu desconfio que ela ainda chupe o dedo, pois Benjamin não aprendeu sozinho. – Nicky cutucou Alex com o dedão do pé.
– Bem, hoje em dia eu chupo outra coisa, Nicky, tenho certeza que Benjamin irá aprender quando estiver mais velho. – Finalizou, rindo.
Piper fechou a cara de repente, notando seu desconforto, Alex se levantou, caminhando até o sofá que estava ocupado por Lorna. – Eu posso?
Lorna levou um segundo para entender.
– Oh, claro... – Levantou-se, cedendo o seu lugar a ela.
– Amor, vem aqui chupar o meu dedão do pé. – Nicky ergueu a mão no ar, para que Lorna segurasse.
– Alex com certeza faz melhor do que eu, Nicky. – segurou a mão dela, sentando após.
– Lorna, até tu? – Alex tirou os óculos, colocando ao lado em uma mesinha.
– Perco o amigo, mas não perco a piada. – riu.
– Ela é minha alma gêmea, Alex, fala a verdade.. – Beijou-a nos lábios.
– Com certeza Nicky.
– Loirinha, onde está seu namorado? – Taystee perguntou inocentemente.
– Bem.. Nós somos amigos, de agora em diante, e ele voltou a Coney. – Tratou de explicar.
Alex soltou a respiração, aquela foi a melhor notícia do dia, Brad fora de campo.
– Ele é tão bonito.. – Taystee lamentou.
– Aí, P.. Eu o achei meio gay. – Nicky moveu a sobrancelha.
– Vamos mudar de assunto, por favor?
– Por que, Piper? Brad é um assunto proibido? – Alex não se conteve.
– Ele é uma ótima pessoa, e não tenho do que reclamar dele, então, por favor, deixe-o fora disso.
– Quem falou já não está mais aqui. – Nicky disse.
– Podemos jogar poker? – Lorna sugeriu, a fim de quebrar o clima.
– Tô dentro. – Alex vibrou, amava jogar poker.
– Fechou! – Taystee fez uma dancinha.
– Legal.. Tô dentro também. – Nicky então olhou Piper. – Vai ficar de fora, Piper?
– Na verdade eu vou, mas podem jogar.
Alex cutucou-a.
– Hm? – ela inquiriu.
– Nada.. – Olharam-se mais uma vez.
– Oh mamãe, meu dente está mole.
Maya parou em sua frente, balançando o dente com a ponta da língua.
– Hei, Sun, deixe a tia arrancar?
– Vai doer? – Maya virou o corpo, olhando Nicky.
– Nahh.. P, arrume um pedaço de fio dental?
– Tem no banheiro. – respondeu Piper, deitando a cabeça sob o braço.
– Eu sei onde tá, pera aí tia.. – Maya correu em disparada.
Piper esticou as pernas, e Alex lhe sorriu, colocando-as em cima de suas coxas.
– Aqui, ó.. – Maya jogou a embalagem em cima de Nicky.
Nicky puxou o fio dental sem parar, obtendo uma quantidade absurda.
– Vem aqui.. – chamou-a.
Maya abriu a boca, fitando seu rosto. Nicky com cuidado encaixou o fio entre a gengiva, e o dente amolecido dela.
– Vause, puxa dai.. – Levantou num pulo, entregando o fio a ela.
– Eu quero puxar, tia Nicky.
Benjamin se jogou no colo de Alex, sentando em cima das pernas de Piper, que as encolheu na hora. Alex teve vontade de dar uns tapinhas na bunda do menino.
– Já sei.. – Nicky recuperou a linha branca das mãos de Alex. – Vem todo mundo deste lado.
– Nicky, você não tem o que fazer? – Piper coçou os olhos, estava com sono.
– Shhhhhh!
Com todos atrás da parte vaga do sofá, olhavam em direção a Maya, parada com a boca aberta no meio da sala.
– No 3, hein? – Começou Nicky. – 1..2..3!
Puxaram todos de uma vez, arrancando o dente de Maya, que morreu de rir.
– Eu estou sem dente, como a vovó Red!
– Maya, meu amor. – Piper a repreendeu de imediato. – Quem lhe disse isso?
– Tia Nicky. – Maya disse com a boca aberta, colocando a língua no lugar do dente recém-arrancado.
– Nicky, você me paga. – Piper ameaçou.
– O dente da vó Red é de mentira, não é Maya? – ela disse dando corda.
– Nicole, estou falando sério!
– Nicky, não faz isso.. – Alex entrou no meio da conversa.
– Ok!
– Que dente grande, Maya. – Taystee analisava o dentinho dela na palma de sua mão.
– Agora é o meu. – Benjamin pulava, todo sorridente.
– Vai demorar, querido.
– Por que mamãe? – Entristeceu-se.
– Talvez daqui um ano e meio, certo?
Ele olhou Piper, com lágrimas nos olhinhos.
– Quero agora.
– Baby, outro dia arrancaremos o seu dentinho. – Alex o pegou no colo.
– Tá bem. – engoliu a vontade de chorar.
– Muito bem, hora de escovar os dentinhos e cama. – Piper remexeu-se no sofá.
– Tia Taystee, devolva meu dente, a fada vem busca-lo mais tarde.
Taystee colocou o dentinho em sua pequena mão.
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Na cozinha, Alex ajudava Nicky a se desfazer das caixas de pizzas. Lorna estava na sala com Taystee. Piper depois de colocar as crianças na cama, resolveu deitar, estava novamente indisposta. Sentindo um calor momentâneo, Alex tirou a blusa de frio, jogando em um canto na cozinha.
– Que merda é essa no seu pescoço? – Nicky parou os movimentos, franzindo a testa.
– Porra! – ela rapidamente vestiu a blusa.
– Tô esperando, Vause.
– Ok, eu acabei esbarrando com uma mulher no banheiro do aeroporto. Agora esqueça isso, porra.
– Cara, você é doente. – Nicky lhe empurrou. – Na boa, não deixe ela saber.
– Foi impensado, Nicky. – advertiu. – Esqueça isso, ok?
Nicky fez uma cara feia.
– Ok? – reforçou.
– Vai se danar, Alex. – Disse, e saiu da cozinha. Se permanecesse ali, iria zangar-se mais.
– Merda!
– Falando sozinha?
A voz de Piper fez seu corpo entrar em alerta.
– Oh não! – conseguiu responder.
Piper nada disse, abriu a geladeira agarrando um galão de leite, virou na boca até acabar. Alex olhava-a pensativa.
– Que sede, não?
– Muita. – arrotou, dando de ombros.
– Saúde! – desejou, incrédula.
– Amém!
– Você tem certeza de que não jogará? Será divertido. – Alex queria a presença dela, diante o jogo.
– Não estou disposta, quem sabe uma próxima vez.
– Qual é, Pipes..
Piper parou, e a olhou, por instantes, que parecia uma eternidade.
– Pode tirar sua blusa, ninguém se importará com o chupão em seu pescoço.
– Perdão? – Ela parecia, de fato, muito surpresa. Precisava ganhar tempo. Piper sorriu, aumentando sua preocupação.
– Você sabe onde está o jogo, podem jogar até o amanhecer. – Disse com a voz calma, não iria se zangar com Alex, não tinha estruturas para tanto.
– Piperrrrrrrr.. – Nicky veio por trás, pendurando um braço em seu ombro. – Decidiu jogar? Porra, tô doida pra dar uma surra em você.
– Hm, hoje eu passo. – beijou o rosto dela, para logo se afastar. – Estarei na sala, prefiro que joguem na cozinha, as crianças tem o sono leve.
– Tudo bem. – Nicky notou seu olhar vago.
– Alex cuidará disso pra vocês, qualquer coisa, é só me chamar.. – ia saindo, mas parou. – tem cerveja na geladeira e alguns petiscos no armário. – acenou, saindo.
– Ela sabe, puta merda! Preferia que ela gritasse comigo, como da última vez.. – Alex, passou a mão pelos cabelos.
– Talvez isso não a surpreenda mais, Alex. – Nicky não guardava rancor dela por muito tempo. – Vamos jogar?
– Demorou! – Taystee entrou na conversa, carregando Lorna nas costas.
– Ei você, solte meu bebê! – Nicky fez cara feia.
CONTINUA...
FELIZ PÁSCOA PRA VOCÊS. :-)
