No começo da noite naquele dia, Andreas, Marlene e Petrus comparecem ao encontro com Gold, na floresta da cidade. Estavam no exato ponto onde o portal os havia despejado.
- Eu quero que fique claro que faço isso apenas por minha esposa e minha filha. – Gold surge encostado a uma árvore. Sorri sereno e perigoso.
- Nós a agradecemos por atender ao meu pedido.
- Atendi a sua chantagem, menino. Não pense que não li suas intenções quando pediu que Belle interviesse. Mas mesmo assim, eu quero o feijão. – ele estende a mão e observa Andreas cruzar os braços diante do peito.
- Primeiro, queremos a transformação. Depois entregaremos o feijão. – diz Marlene de maneira desafiadora, despertando ainda mais paixão no velho coração endurecido.
Gold ri, adorando ser desafiado por aquelas crianças. Sentia-se um pai abobalhado com a pirraça de sua prole.
- Estamos somente nós e não temos a proteção de alguém sobre vocês. Não tentem desafiar-me.
- Mas temos o seu amor pela sua esposa e pela sua filha. – Andreas não se mostra alterado, mas o som das batidas agitadas de seu coração, diziam o contrário.
Gold sorri de forma amável e antes que todos percebessem, ele gesticula e Marlene é envolvida por uma nuvem de fumaça escura. Ela grita e toma seus amigos de assalto. Quando a nuvem desaparece, surge no lugar uma mulher de corpo forte e musculoso, deitada no chão e totalmente nua.
Andreas corre na direção dela e a toma nos braços, sem importar-se com sua condição. Petrus aproxima-se e a protege com uma capa trazida especialmente para isso. Somente depois de ver a amiga protegida, Andreas sente o ímpeto de sair correndo ou esconder seu rosto dentro do chão, devido à vergonha e constrangimento.
Horas depois, na loja de Gold, já vestida com roupas masculinas e ainda descalça, Marlene não se cansa de admirar-se num espelho retangular. Podia ver seu corpo todo.
- Espelho, espelho meu, existe neste mundo mulher mais feliz do que eu?
Andreas sorri e logo desfaz o sorriso ao perceber que Gold o observava.
- Você é lindo quando sorri. Deveria fazer mais vezes.
- Dizem que rir é coisa de macaco. O rosto humano fica semelhante ao rosto de um macaco, quando rimos.
O homem acha graça.
- Você ama Marlene?
Os olhos de safira fixam-se no rosto sereno do advogado.
- Ela é minha amiga e eu a amo demais. Agora que Marlene é uma mulher, poderemos lutar para descobrir um meio de retornarmos ao nosso reino.
- Caso Marlene atravesse o portal, voltará a ser uma égua.
- O que? – grita Andreas chamando a atenção dos dois amigos.
Gold dá de ombros.
- O acordo era transformá-la em mulher. Mas não me pediram que mantivesse a transformação fora deste reino.
Andreas avança incrédulo para Gold.
- O senhor recebeu o seu pagamento! Deveria cumprir sua palavra!
- E eu cumpri, queridinho. Devolvi a forma humana à sua amiga. Nenhum de vocês falou que a transformação deveria ser perpétua.
Os três jovens entreolham-se e voltam-se incrédulos para o advogado.
- Mas foi para isso que viemos ao seu reino, Sr. Gold! – Andreas quase implora.
- Uma lição para essa cabecinha linda, Andreas: jamais tente chantagear o Sombrio. – ele sorri sem exibir os dentes. – Ele é um homem mau!
Era madrugada quando Regina desce para a sala de estar e depois segue para sua biblioteca. Encontra Andreas aborto na leitura de um grande livro conhecido, tendo ao seu lado, uma bela mulher negra com roupas masculinas.
- Trouxe uma amiga para aquecer sua cama, Andreas? Deveria ter comunicado.
O jovem casal se entreolha e começa a rir.
- Esta é Marlene!
Regina sofre um sobressalto e não consegue esconder o espanto e a admiração pela beleza daquela mulher. Aproxima-se e começa a tocar os longos cabelos escuros da jovem.
- Mas você está ainda mais linda! Você era espetacular, mas como mulher está deslumbrante! – a Rainha senta-se diante deles. Olha a jovem por alguns instantes e depois volta seus olhos escuros para descobrir o sorriso lindo estampado na boca pequena de Andreas. Como amaria beijar aqueles lábios! – O que estão procurando em especial?
Andreas desfaz o sorriso e mostra-se tímido.
- Apenas tentando encontrar alguma informação sobre uma nova forma de abrir um portal.
- Como encontrou este livro?
- Olhei as prateleiras e este estremeceu quando passei por perto dele. Queria que eu o lesse e apresentou-se a mim. Mas até agora não encontrei informações para nossa pesquisa.
Regina estende a mão e segura o braço do rapaz.
- Abertura de portais são complicados, Andreas. Mesmo que você descobrisse alguma indicação, não teria como conseguir os ingredientes ou o objeto central.
Andreas e Marlene se entreolham. Regina levanta-se e experimenta a sensação maravilhosa de ter aquele homem entre seus braços e acariciar aquela crina escura.
- Vamos encontrar juntos, uma maneira de devolvê-los ao seu reino.
.Ele se desvencilha do abraço e encara a prefeita.
- Ainda tenho de conseguir um mapa que minha mãe pediu ao Capitão. Ela quer ir à Terra do Nunca. Afirmou que há um tesouro e ela o quer para garantir o futuro de nossas aldeias e de nossa família.
A prefeita senta-se diante dos dois jovens. Folheia o livro displicentemente.
- Não há mais nada na Terra do Nunca. Ela desapareceu pela falta de crença das crianças. Não há mais Peter Pan ou Meninos Perdidos. Peter Pan está morto, os Menino Perdidos foram adotados por famílias desta cidade e Sininho está no convento com as outras fadas. A Terra do Nunca é apenas uma ilha sem vida racional.
- Mas há o tesouro! Minha mãe afirma ter o mapa, mas não tem as coordenadas para chegar até a ilha!
- Meus companheiros e eu estivemos na Terra do Nunca. O Sr. Gold é o filho do Peter Pan e é também um parricida. Gold matou o próprio pai. Não há nada na ilha, mais. Sua mãe equivocou-se.
Andreas e Marlene entreolham-se incrédulos. Ele insiste e nega com a cabeça.
- Minha mãe estava convicta quando me mandou atrás do meu pai.
Com um gesto apaixonado, Regina toca o rosto do jovem. Ela iria tê-lo.
- A sua história é a mesma da Srta. Swan: os pais dela a enviaram para fora do reino, antes de serem atingidos por uma maldição. Sua mãe afastou você para evitar que presenciasse alguma desgraça. Sua mãe o protegeu de um hecatombe, querido.
Cobrindo os lábios com a ponta dos dedos, Andreas sente seu corpo esquentar e seu coração tamborilar violentamente em seu peito. Sentindo-se sozinho e desamparado, começa a chorar ruidosamente como a uma criança. Chora copiosamente e sem pudores. Estava sensível demais nos últimos dias.
A prefeita segura seu rosto e beija-lhe os cílios molhados.
- Vamos ver como está sua mãe? Eu posso estar enganada.
- Você consegue fazer isso?
Um sorriso amável emoldura os lábios pintados da mulher. Ela asserta.
A imagem do pequeno monte de terra encoberta por pedras, ainda latejava na cabeça de Andreas por mais que tentasse buscar algo que a dissolvesse. Ao seu lado, caminhando pelas ruas escuras e vazias da cidade, Marlene apenas segurava seu braço, mantendo-o firme e mantendo-se firme também. Ela simplesmente havia perdido todo o seu fértil vocabulário e não conseguia encontrar palavra alguma para criar uma frase consoladora.
