Realmente eu peço perdão pela demora. Esse capitulo estava praticamente pronto e dois fatores atrasaram a postagem.
1- Minha internet e eu resolvemos nos divorciar. Ela me traiu e eu tive que procurar um novo amor e isso demorou um pouco.
2- Eu na minha obsessão pela perfeição dos detalhes me fez procurar entre todas as canções de ninar francesas uma que se encaixasse para esse capitulo. E finalmente depois de muito procurar eu encontrei essa belezinha que está mais adiante no cap.
Nunca um segundo durou tanto tempo na vida de Samantha Michaelis.
Ela delicadamente pressionou o dedo indicador na parte de dentro do pulso de Erik. Ela prendeu a sua respiração com a apreensão. A pele dele estava mais fria do que ela se lembrava e também parecia muito mais frágil. Era uma camada tão fina e delicada que ela podia observar todas as veias azuis pulsando por baixo da fina e pálida camada de pele.
Sim, o pulsar. Ela podia sentir.
Ele ainda estava vivo.
Ela chorou de alivio. Suas lágrimas correram pelo seu rosto e caíram em cima do tecido delicado da máscara que ele usava, ela rapidamente soltou o laço de cetim que a mantinha presa no rosto dele. Ele arfou de horror com a visão do rosto.
Ele estava muito mais magro do que antes. Seus olhos estavam terrivelmente mais afundados e as suas maçãs do rosto estavam tão proeminentes que pareciam prestes a romper a pele a qualquer momento. Seus lábios estavam secos e retraídos. Mas o pior era um grande corte que ia da linha da raiz dos cabelos até a têmpora do lado esquerdo de seu rosto. Ele parecia que tinha perdido uma boa quantidade de sangue por esse ferimento. Ela ficou se perguntando onde ele conseguiu aquilo. Havia sangue seco por todo o lado esquerdo de seu rosto e também no interior da máscara.
Quando ela tocou o ferimento ela o ouviu arfar levemente de dor. Ela chamou o seu nome delicadamente, mas ele não respondeu. Ele parecia estar inconsciente, mas no momento em que ela o tocou ele ficou visivelmente rígido. Uma leve película de suor se formou na testa dele. O rosto dele estava num tom acinzentado doentio. Ele parecia estar em sofrimento.
Ela notou um brilho dourado na mão direita dele. Quando ela foi verificar ela notou que era a corrente dourada que ela deu para ele poder vê-la naquela noite no telhado.
De algum modo, ele ainda esperava por ela.
Ela tentou se segurar, mas uma nova onda de soluços tomou seu corpo. Ela se sentia horrível e culpada por tudo o que aconteceu. Pobre Erik!
Ela sentiu uma mão pousar delicadamente em seu ombro. Ao se virar ela se deparou com o Persa que olhava para Erik, visivelmente preocupado.
"Ele ainda está vivo?" Perguntou ele pressionando os dedos indicador e médio no pescoço de Erik.
Samantha assentiu ainda com lágrimas nos olhos.
"Sim. Ele está vivo." Confirmou o Persa. "Mas não por muito tempo. Ele está fraco e parece ter perdido bastante sangue. Eu não sei se ele irá sobreviver às próximas horas."
Samantha estremeceu visivelmente ao som dessas palavras. Uma nova onda de soluços percorreu o seu corpo.
"Se quisermos que ele sobreviva precisamos agir rápido." Disse o Persa ignorando os soluços da jovem. "Vamos leva-lo para o meu apartamento e lá faremos o que for possível."
Samantha notou que ele não usou nenhuma palavra de esperança. Ele não fez promessas, o estado de Erik era muito grave. Mas Samantha não queria pensar nisso. Ela faria o possível para vê-lo vivo e saudável novamente e eles não podiam perder tempo. Ela assentiu para o Persa em silencio.
Erik era tão leve que até Samantha poderia carrega-lo, mas com o seu pulso lesionado e pelo fato de Erik ser muito mais alto que ela a tarefa seria difícil de fazer sozinha. Então o Persa conseguiu ergue-lo facilmente eleva-lo pelo caminho de tuneis até a saída da Rue Scribe. Antes de eles começarem a se movimentar, o Persa deu uma chave de ouro para Samantha. Quando eles avistaram as grades ela se apressou a abrir a passagem. Ela ficaria curiosa em perguntar como ele conseguira tal chave, mas a sua mente estava no modo automático, ela só tinha um pensamento que era salvar Erik.
Quando eles voltaram à superfície, havia um cupê esperando por eles. Provavelmente o Persa havia planejado trazer Erik para a sua residência caso ele ainda estivesse vivo. Samantha só podia ser grata a esse maravilhoso benfeitor.
Felizmente o cocheiro não fez perguntas sobre o terceiro passageiro que parecia visivelmente doente. Samantha muito a contragosto concordou com o Persa em recolocar a máscara de Erik com o argumento de que o próprio Erik odiaria ser exposto dessa maneira. Samantha não gostava da ideia, a máscara parecia dificultar a respiração dele e também não parecia fazer nenhum bem para o ferimento que ele tinha na cabeça.
Quando eles finalmente chegaram à Rue de Rivoli o Persa se adiantou em avisar Darius e juntos eles carregaram Erik até o quarto de hospedes onde Samantha estava.
Quando eles depositaram Erik na cama Samantha rapidamente o livrou da máscara. Ela também o despiu de seu casaco, gravata e colete e tirou os seus sapatos. Ela abriu o colarinho e alguns botões para afrouxar a camisa e facilitar a respiração. Mesmo com a camada de suor que apareceu no rosto dele, Samantha achou melhor cobri-lo e mantê-lo aquecido.
O Persa deixou Samantha trabalhar em cima de Erik deixando-o o mais confortável possível. Ele voltou minutos depois com uma bandeja com uma tigela.
"Acho que precisamos alimenta-lo um pouco por enquanto. Tente faze-lo tomar um pouco dessa sopa." Disse ele depositando a bandeja na cabeceira da cama.
Samantha assentiu e pegou a tigela. Todos os livros de primeiros socorros diziam que nunca se deve administrar substancias via oral em pessoas inconscientes, mas era bem provável que Erik nunca fosse acordar se não recebesse nenhum tratamento, e provavelmente não havia nenhuma maneira de administrar alguma forma de alimentação intravenosa no séc. XIX.
Ela posicionou Erik melhor nos travesseiros. Ele soltou um suspiro entrecortado quando ela tocou seu braço esquerdo. Quando ela ergueu a manga da camisa ela notou alguns hematomas espalhados pelo braço. Depois de um exame melhor ela notou que as mãos e braços de Erik estavam repletos de pequenos cortes e escoriações além dos hematomas. Com uma nova leva de lágrimas ela beijou cada um dos machucados em suas mãos talentosas. Era quase um crime que tais instrumentos criadores de tamanha beleza pudessem ficar nesse estado.
Ela o alimentou com pequenas colheradas de caldo. Ela massageou suavemente a sua garganta para auxiliar na deglutição. Ela não era nem remotamente talentosa como enfermeira. Ela levou cerca de meia hora para fazê-lo beber metade do conteúdo da tigela. Ela parou imediatamente quando ele começou a tossir.
Depois de ela tê-lo aquecido e alimentado, o Persa entrou no quarto e se sentou em uma cadeira ao lado de Samantha. Ele observou Erik dormir por alguns minutos até se virar para Samantha e dizer:
"Eu acho que agora nós podemos ter uma conversa."
Samantha assentiu silenciosamente sem tirar os olhos da forma inconsciente de Erik.
"Você pode começar me dizendo seu nome." Disse o Persa.
Samantha corou levemente. Depois de tudo que Nadir fez ela nem se dignou a dizer o seu nome. Era impressionante que mesmo assim ele confiou nela e trouxe Erik até a sua casa.
"Realmente me desculpe por isso." Disse Samantha envergonhada. "Eu me chamo Samantha, Samantha Michaelis."
O Persa lhe lançou um olhar tão estranho que assustou Samantha. Ele ficou encarando por cerca de um minuto antes de falar novamente.
"Conte-me todos os detalhes da sua relação com Erik e Christine Daae." Disse ele autoritariamente.
Samantha congelou quando ele mencionou Christine Daae. Como ele sabia que ela tinha alguma ligação com a soprano sueca? Erik deve ter mencionado algo sobre ela.
Ela se virou e lançou um olhar desafiador para o Persa, uma resposta automática para o tom autoritário dele. Samantha nunca gostou que falassem com ela nesse tom. Mas o momento pedia para que ela segurasse a sua língua. Ela lançou um olhar preocupado para Erik que parecia estar sofrendo.
"Nós podemos conversar em outro lugar?" Perguntou ela.
"Sim, claro." Respondeu o Persa se levantando junto com Samantha.
Ele andou até a porta e quando se virou ele viu Samantha se inclinar em direção a Erik e beija-lo carinhosamente na testa. Um pouco encantado, um pouco chocado, ele saiu do quarto para dar àquela estranha jovem um momento a sós com Erik. Ele se divertiu ao imaginar a expressão do seu velho amigo ao saber que havia uma jovem muito disposta a beija-lo depois de toda a emoção que ele sentiu quando Christine o beijou naquela noite horrível.
Ele sentiu um nó se formando em sua garganta. Erik não merecia morrer, não agora que havia alguém ao lado dele torcendo por sua recuperação. Ele não sabia nada sobre aquela menina estranha que tinha o nome do tal "anjo" que Erik mencionou quando veio ao seu apartamento avisar sobre sua morte iminente.
Quando a porta se abriu ele viu Samantha sair do quarto e caminhar até a sala. Ela parecia bastante calma. Ela apontou um lugar no sofá para ela se sentar e ele, por sua vez, se sentou em uma poltrona de frente para ela.
Samantha estava infernalmente nervosa, mas ela sabia que não havia outro modo de explicar essa estranha situação para o Persa que não fosse revelar toda a verdade. Ela gostou bastante dele, essa generosidade espontânea dele a encantou. Nadir realmente era uma boa pessoa em todos os sentidos. Ela estava feliz por Erik ter ao menos um amigo nesse mundo infeliz.
E ela sabia que ser verdadeira era o melhor jeito que ela tinha de demonstrar a enorme gratidão que ela tinha para esse homem.
Não havia palavras para descrever a expressão de Nadir Khan quando Samantha terminou de contar a sua história. Ele ficou em silencio durante a sua narrativa, mas mesmo após o seu termino ele permaneceu em silencio olhando fixamente para ela com uma expressão indecifrável.
"E isso é tudo." Disse Samantha um pouco nervosa pela falta de reação do Persa.
Nadir se mexeu desconfortavelmente e olhou diretamente nos olhos de Samantha.
"Mademoiselle deve entender que eu não posso acreditar em uma palavra dessa história." Disse ele depois de um bom tempo em silencio.
"Eu entendo." Respondeu Samantha. "Mas não posso fazer nada quanto a isso, tudo o que eu disse é verdade."
Nadir queria continuar a discussão. Ele não conseguia acreditar naquela história maluca, mas depois de tantos anos na companhia de uma pessoa com Erik ele havia aprendido a não duvidar de muitas coisas. No fim ele decidiu não instigar mais a jovem uma vez que ela parecia realmente preocupada com Erik. Ele estava curioso sobre a reação de Erik ao se ver na companhia de tão misteriosa mulher.
Mas infelizmente com o passar do tempo esse dia parecia cada vez mais longe de chegar.
O estado de Erik piorava cada vez mais com o passar das horas. Durante a noite ele desenvolveu uma febre perigosamente alta e nenhum esforço tanto dele quanto de Samantha parecia ser capaz de reverter seu quadro.
Ambos sabiam que chamar um médico estava totalmente fora de questão. Por isso Samantha se restringiu ao quarto de Erik. Ela nunca saia de lá e quando a exaustão a vencia ela tirava um cochilo rápido na poltrona ao lado da cama de Erik.
Em uma noite particularmente ruim Samantha foi acordada pelos gritos de Erik.
"Por favor, não me deixe sozinho no escuro!"
Ela se levantou de um salto, completamente acordada. Erik estava se debatendo e a sua camisa estava colada no seu corpo pelo suor. Ela pôs a mão na testa dele e imediatamente ela arfou em pânico, ele estava queimando.
"Não! Não, Erik. Por favor..." Chorou ela pressionando uma compressa fria em sua testa.
Ele estremeceu com o frio repentino contra a sua pele ardente. Erik sempre foi frio, o fato de sua pele estar queimando desse jeito aterrorizou Samantha.
"Samantha? O que está acontecendo?"
Era o Persa. Ele pôs a mão no peito ao ver Samantha completamente desgrenhada chorando ao lado de Erik.
"O que aconteceu?" Disse ele se pondo de joelhos ao lado dela.
"Ele está ardendo em febre." Chorou Samantha substituindo a compressa que rapidamente evaporou contra o calor do corpo de Erik.
O Persa afastou Samantha e começou a examinar Erik. Depois de um tempo ele se afastou e olhou para Samantha com olhos tristes.
"Não há nada que possamos fazer por ele. Creio que ele não passará dessa noite, eu sinto muito." Disse ele se afastando da cama.
Samantha não respondeu. Ela se recusava a acreditar nas palavras do Persa. Ela se ajoelhou ao lado da cama de Erik e segurou a sua mão. Ela não notou quando o Persa deixou o quarto. Tudo que ela sabia é que ela não podia deixar Erik ir embora.
"Por favor, Erik me ouça." Sussurrou ela no ouvido dele. "Eu sei que dói, mas, por favor, não desista. Não agora. Eu estou aqui. Eu estou aqui por você. Ela não significa nada na sua vida. Não se entregue por causa dela."
Ela estava destruída. A cada minuto a respiração de Erik ficava mais ofegante e difícil. A sua febre não cedia. Samantha chorou todas as lagrimas que podia. Ela inconscientemente começou a cantarolar a sua canção de ninar favorita. A mesma que ela tocou no piano de Erik quando ela era Christine. A sua voz não era boa e soava ainda pior pontuada por soluços desesperados.
Au clair de la lune, mon ami Pierrot,
Prête-moi ta plume, pour écrire un mot.
Ma chandelle est morte, je n'ai plus de feu.
Ouvre-moi ta porte, pour l'amour de Dieu.
Au clair de la lune, Pierrot répondit :
« Je n'ai pas de plume, je suis dans mon lit.
Va chez la voisine, je crois qu'elle y est,
Car dans sa cuisine, on bat le briquet. »
Au clair de la lune, s'en fut Arlequin
Frapper chez la brune. Elle répond soudain :
« Qui frappe de la sorte ? Il dit à son tour :
— Ouvrez votre porte, pour le Dieu d'Amour ! »
Au clair de la lune, on n'y voit qu'un peu.
On chercha la plume, on chercha du feu.
En cherchant d'la sorte, je n'sais c'qu'on trouva.
Mais je sais qu'la porte sur eux se ferma.
Samantha em sua exaustão adormeceu no chão com a cabeça contra o peito de Erik. Ela queria se manter alerta durante todo o tempo. Ela nunca iria se perdoar se Erik morrer enquanto ela dormia. Ao menos na morte ela queria que alguém estivesse ao seu lado.
Mas todos esses pensamentos de culpa se desfizeram quando ela abriu os olhos durante o amanhecer e notou algo.
Havia um par de olhos dourados a observando atentamente.
wow! Aposto que vcs gostaram desse final. Quero agradecer aos varios reviews e as novas leitoras. E eu quero mais reviews para postar o próximo cap o mais rápido possível.
