Disclaimer: Inuyasha não me pertence

Myouga prendia a respiração com a visão inusitada. Inu Yasha fitava com raiva a figura que surgira, podia-se ouvir um rosnado sair de sua garganta. O ser caminhou calmamente para fora da penumbra da floresta, apesar de não precisar tê-lo feito para ser reconhecido. Um youkai imponente em sua armadura surgiu solene.

- Sesshoumaru!!– rosnou o hanyou.

- Ora, se não é o pirralho de sangue sujo. – disse irônico – Vejo que ainda lembra o nome de seu meio-irmão.

Ao lado do daiyoukai surge um pequeno youkai verde com um bastão em mãos, a pequena criatura estranha as palavras de seu mestre:

-"Meio-irmão? Então esse hanyou é meio-irmão de Sesshoumaru-sama?!" – se perguntava em pensamento.

- O que quer aqui, desgraçado?! – pergunta o hanyou entre dentes, ignorando o youkai verde.

- Vejo que não é mais aquele pirralho que tremia de medo só em me ver a alguns anos atrás. – disse ignorando a pergunta do irmão e sem alterar o tom de voz. – Agora será mais divertido matá-lo. – completa estalando as garras.

Inu Yasha prontamente imitou o gesto, estalando as próprias garras a frente do rosto. Myouga parecia preocupado a princípio imaginando se o daiyoukai não havia descoberto sobre a pérola negra e veio exigi-la, mas como ele não mencionou nada a respeito, alivia-se um pouco. Mas agora outra coisa o preocupava: sabia que o hanyou não poderia derrotar o irmão apenas com o poder que tinha agora, porém convencê-lo disso seria uma tarefa extremamente difícil, uma vez que este tinha um orgulho tão grande.

- Vou acabar com você, maldito! – provoca o hanyou.

- Como ousa falar assim com Sesshoumaru-sama?! – replica o pequeno youkai, raivoso.

- Jaken! – o mesmo se encolhe a menção do nome – Não interfira! – de pronto o youkai obedeceu pondo-se atrás de seu mestre, para que este não acabasse matando-o junto na luta.

Inu Yasha foi o primeiro a correr de encontro ao inimigo com as garras prontas para atacar. Os passos rápidos o levaram até a figura inerte do oponente, seria fácil, ele não se movia do lugar, afinal. Levantou o braço na direção do irmão, e assim que o abaixou com força, com as garras preparadas, se surpreendeu golpeando apenas o ar.

- "Mas... ele estava aqui a um segundo. Onde ele foi?" – se perguntava o hanyou confuso.

- Você é muito lento. – falou uma voz fria atrás dele.

- "Como ele foi parar aí tão rápido?" – apesar das dúvidas, afastou esses pensamentos e virou-se rapidamente na direção da voz.

Deparou-se com a face sempre fria do meio-irmão, que o olhava de cima, medindo-o. Aquilo o deixou nervoso, Sesshoumaru sempre lhe lançava olhares de desprezo e se achava superior, coisa que o hanyou odiava.

- Cala a boca, maldito! – respondeu por fim, atacando novamente.

Assim como da outra vez, o daiyoukai desviou facilmente do golpe do hanyou, sem parecer fazer esforço nenhum para isso. Inu Yasha então o atacou de novo, e de novo. Seus sucessivos golpes porém, apenas cortavam o ar, sem sequer chegar perto do outro youkai.

- "Maldição!" – praguejou.

- Sua velocidade é lamentável. – pronunciou o outro. – Seus golpes são imprecisos e imaturos. – segurou o próximo soco com uma das mãos – E muito fracos também. – finalizou.

- Cale essa maldita boca! – gritou entre dentes, ainda sem conseguir livrar o punho da mão do irmão. Seu rosto tomou uma expressão de dor, quando sentiu a pele da mão que era segurada, derreter enquanto uma fumaça verde saía das mãos do daiyoukai.

- "Mas... o que é isso?!" – sentia que se não se livrasse logo, teria logo todo o braço derretido. Não precisou porém tentar se soltar pois o próprio oponente o fez, somente para depois lhe desferir um soco que o lançou a léguas de distância, fazendo-o chocar-se com algumas árvores no caminho.

Sesshoumaru observava o hanyou com a mesma expressão fria, que quase demonstrava tédio com aquela luta – se é que se pode chamar isso de luta – enquanto o oponente se levantava atordoado do meio das árvores caídas. Este por sua vez, aturdido com o forte golpe que levara, levantou a mão com que havia dado seu último golpe e observou uma queimadura que se formava em sua pele. O que teria acontecido ali? Parecia uma espécie de veneno corrosivo. Mas ele não tinha tempo de pensar nessas coisas agora, no momento precisava apenas pensar em como vencer o irmão.

Jaken observava a luta de seu 'esconderijo' seguro, atrás de uma moita. Estava mais do que orgulhoso da força de seu amo:

- "É claro que um mero hanyou jamais venceria Sesshoumaru-sama!" – se gabava para si mesmo – "Aliás, ninguém é capaz de vencer meu poderoso amo"

Myouga também encontrava-se seguro no alto de uma árvore. Com certeza ouviria de Inu Yasha mais tarde por novamente ter fugido do combate. Mas o que poderia fazer se era apenas uma pulga indefesa, não é? Sua atenção se voltava porém aos dois irmãos lutando entre si. Não deveria ser assim, ambos filhos de Inutaishou, não deveriam estar se matando desse jeito. Mas ele mesmo sabia como era Sesshoumaru e o quanto ele desprezava humanos, e jamais perdoaria a parcela de sangue humano presente no irmão.

- "Se Okayata-sama estivesse vivo nada disso estaria acontecendo..." - mas não era hora de pensar no passado e sim no presente, e no momento ele não parecia nada promissor...

Inu Yasha novamente correu até o oponente, atacando-o com suas garras. Novamente a mesma cena se repetiu, o hanyou não conseguia sequer encostar no irmão. Este, após se desviar facilmente de mais alguns golpes, golpeia o hanyou com as próprias garras, fazendo-lhe um corte no braço, que só não se estendeu mais pelo fato do outro ter desviado um pouco no momento que via o ataque iminente.

- É só isso que pode fazer!? – pronuncia o daiyoukai – Que decepcionante. Bem, não poderia esperar mais de um hanyou. – diz com sarcasmo na voz.

O híbrido mais uma vez rosnava para o inimigo, segurando o braço ferido, de onde escorria o líquido vermelho e quente. Preparou as garras para desferir outro ataque:

- Sankon Tessou! – gritou.

O outro youkai num pulo para o alto, desviou de mais esse ataque. Em seguida, de suas garras formou-se um brilho verde, que se estendeu num chicote brilhante que estalou no ar e a um movimento da suas mãos açoitou o hanyou impiedosamente, este nada podia fazer além de se encolher e colocar o braço em frente ao rosto no intuito de se proteger. Depois de mais alguns golpes desses o haori vermelho começava a não mais proteger seu dono como deveria, e os ferimentos começavam a surgir na pele do hanyou. Se ele não encontrasse um meio de revidar ou se defender, logo estaria aos trapos, assim como o tecido que mal cobria seu braço. Molhou as garras no sangue que escorria e o lançou ao oponente:

- Hijin Kessou! – gritou enquanto seu sangue voava em forma de navalhas, em grande velocidade.

- O que? – se perguntou o daiyoukai, um pouco confuso com o golpe incomum.

Cessou o próprio ataque e habilmente se moveu entre as lâminas, desviando da maioria, mas como eram muitas e velozes, algumas lhe atingiram e fizeram um trinco em sua lustrosa armadura. Uma das lâminas vermelhas fez um pequeno corte na face do daiyoukai, da qual escorria um fino filete de sangue.

O pequeno youkai verde, Jaken, fitava de olhos arregalados e desesperados:

- "Não pode ser! Sesshoumaru-sama foi ferido! Não é possível!" – a voz em sua mente gritava em desespero.

Inu Yasha encarava o irmão com um olhar confiante, vendo que conseguira infringir-lhe algum dano. Sesshoumaru por sua vez, parecia um pouco mais nervoso, embora sua expressão não demonstrasse muito. Num momento de desatenção havia sido ferido por um hanyou, isso era imperdoável para ele.

- Hanyou insolente! Como ousa fazer ferir Sesshoumaru-sama!! – gritava Jaken de seu esconderijo.

Inu Yasha lançou um olhar mortal ao ser verde que se encolheu novamente no meio dos arbustos. O daiyoukai ainda com seus olhos profundos e frios o fitava com repudio:

- Chega de brincadeira! Vou acabar de vez com você, hanyou! – pronuncia sem alterar o tom.

- "Brincadeira?! Ele quer dizer que estava só brincando comigo!?" – o hanyou pensa com raiva – Seu perdedor! Não agüenta receber um golpe meu e fica inventando essas besteiras é?! – grita ao irmão.

Sem dizer nada em resposta, o outro apenas se move em direção ao oponente a tal velocidade que o hanyou mal pôde vê-lo. Em questão de segundos, o daiyoukai estava segurando o meio-irmão pelo pescoço, com apenas uma das mãos, a qual apertava a cada vez mais intentando sufocar seu oponente. Inu Yasha tenta inutilmente se livrar das mãos do inimigo, porém este tinha uma força incrível, ele podia sentir suas garras penetrarem sua pele e o ar lhe faltar.

Sesshoumaru nada expressava enquanto lentamente tirava a vida de seu meio-irmão, só o fitava com os olhos estreitos, o máximo de raiva que sua expressão neutra permitia demonstrar. Sem se dar por vencido porém, o hanyou usou todas as forças e cravou as garras das duas mãos no braço do irmão, apertou com força até o sangue escorrer por entre seus dedos e pingar em quantidade ao solo.

- Tolo! Aceite logo sua morte! Você nem deveria estar vivo, hanyou. – pronuncia o daiyoukai sem afrouxar seu braço.

O líquido carmim que escorria do braço do youkai era do mesmo tom do que agora escorria em um filete da boca do hanyou... estava morrendo, certamente seria esse seu fim nas mãos daquele youkai. Mas ele não se daria pro vencido tão rápido, não se deixaria vencer sem luta. Uma resolução se formou em sua mente, um plano incrivelmente simples, tão simples que era bem provável que desse certo. Um sorriso sarcástico tomou a face do hanyou, outrora sôfrega.

- Do que está rindo? – a pergunta saiu dos lábios do daiyoukai antes que pudesse contê-las. Curiosidade e espanto eram coisas que se proibia de sentir.

- Agora que você está... tão perto... não vai conseguir fugir... – responde com dificuldade.

Em seguida o híbrido usa umas das mãos que outrora estivera enterrada no braço do irmão e executa o principal ataque com suas garras:

- Sankon... Tessou!

Sesshoumaru rapidamente pula para trás para se livrar do golpe, este fora executado de tão perto que por milímetros não acertara o daiyoukai, apesar de que talvez ele não fosse fazer-lhe tanto estrago, fora instintivo que se afastasse para se proteger. Mas para isso, teve também que soltar o meio-irmão.

Inu Yasha por sua vez, ajoelhado ao chão segurava o próprio pescoço no local outrora quase esmagado pelo inimigo, tentava parar o fluxo de sangue que saía das feridas, mas principalmente tentava recuperar o fôlego absorvendo o máximo de ar ao redor. Cuspiu o sangue que havia juntado em sua boca e voltou a encarar o irmão, sua face expressando o esgotamento com toda aquela luta. Sentiu uma profunda raiva e uma ponta de inveja ao ver que o meio-irmão continuava impassivo e aparentemente intocável, como se nada tivesse lhe acontecido, exceto pelo filete de sangue que escorria de seu braço, ao qual parecia não dar nenhuma importância.

Sesshoumaru observava a sôfrega figura que mal se agüentava em pé, lhe era uma visão patética ao grande youkai do oeste que parecia perder toda sua motivação de lutar. Sua intenção era matar a seu irmão, sim, mas desejava que fosse de uma forma mais honrada, por assim dizer, e não de tal forma tão fácil e rápida. Queria que ele sofresse por um bom tempo antes de morrer por suas mãos, isso de algum jeito, imaginava, o faria sentir mais prazer em acabar com aquela afronta a sua linhagem nobre. Mas ao ver, depois de ter apenas avaliado seus poderes ao invés de lutar a sério, que poderia derrotá-lo em apenas alguns segundos se quisesse, parecia extremamente chato fazê-lo.

- Você é patético, InuYasha! – profere com um certo desprezo na voz – Voltarei quando você chegar aos meus pés. – termina virando-se para partir.

- Espere! – grita o hanyou – Ainda não acabei com você, seu maldito!

- Não vê que não pode sequer tocar em mim? – responde sem alterar o tom – O matarei outra hora, no momento não estou a fim de esmagar insetos. – e após proferir essas palavras, anda a passos lentos até a floresta de onde saiu.

O pequeno youkai verde, que até então apenas observava, sai rapidamente de seu esconderijo e corre a seguir seu amo antes que este o deixe para trás:

- Matte, Sesshoumaru-sama!! – grita, indo até ele.

Os dois youkais somem de vez na floresta, deixando um frustrado e cansado hanyou para trás. Este, soca o chão com raiva:

- "Esse desgraçado do Sesshoumaru! Ele ainda me paga por isso!"

- O senhor está bem, Inu Yasha-sama? – pergunta Myouga surgindo sabe-se lá de onde.

- Vou sobreviver. –responde com desgosto.

Seria sempre assim, para sempre irmãos, porém eternos inimigos. Talvez futuramente o laço de sangue entre eles os fizessem ver o quão vã é sua rivalidade. Mas não no momento... Não agora... Neste instante só o que parecia importar era o ódio que sentiam um do outro, embora por motivos distintos. Inu Yasha nunca desejara odiar o próprio irmão, se fosse de sua escolha seria diferente, pois ele era seu único parente vivo. Mas Sesshoumaru fez dessa familiaridade motivo para repulsa, e agora eram inimigos mortais. Só o que Myouga desejava é que um dia isso mudasse e que os filhos de Inutaishou seguissem seu exemplo benevolente e pudessem encontrar algo em comum... Mas talvez isso levasse mais tempo do que ele imaginara...