Oi!!
Voltei! E com um presente para o feriado. Capítulo novo!!
Até eu me empolguei com esse capítulo. Espero que vocês também gostem.
Bem, pequena novidade. Ontem eu estava deitada na cama para dormir, naquele momento que você está quase dormindo, e me ocorreu uma idéia para uma nova fic. Hoje eu fiquei pensando, raciocinando, e acho que já montei a história toda em minha cabeça. Não vou entrar em detalhes ainda, mas vou contar o básico. Vai ser Universo Alternativo, vai envolver nosso casal querido Lily e James, mas não tem magia. E não vai envolver também escola ou nada desse tipo, já que esse tema eu exploro aqui em HHS. Mas vai se passar na adolescência deles, e eles vão estar acompanhados dos amigos de sempre. Assim que eu terminar pelo menos o prólogo e uns dois capítulos, começarei a postar. Mas podem ficar tranqüilos, que HHS vai continuar normalmente, até porque essa outra fic será mais curta.
Então, sem mais demora, fiquem com o capítulo 21.
Um beijo para todos, e principalmente para todos os queridos que me mandam reviews!!
Priscila Black.
Cap. 21 – Best. Night. Ever.
- Eu ainda não consigo acreditar...
Lily estava deitada em sua própria cama. Ela tinha o telefone colado na orelha. Era domingo à noite, e ela não poderia estar fazendo nada além de conversar com Ellie pelo telefone sobre os acontecimentos do dia anterior, e, principalmente, daquele dia. E parecia que a amiga também tivera um dia decisivo em seu namoro, como ela mesma tinha tido.
No momento, Ellie contava como tinha sido seu encontro com Sirius. Ela repetiu aquela frase pelo menos umas 8 vezes durante a conversa. Para a garota, ainda era difícil acreditar que ela finalmente tinha conseguido falar o que sentia para o namorado. E, o melhor de tudo, ele tinha falado o que sentia por ela. E ele tinha falado antes dela.
- Lily, você não tem idéia... o Sirius nunca foi muito sentimental, sabe? Eu nunca o ouvi falar nada do tipo, para ninguém. Ninguém mesmo.
Lily ria do outro lado da linha. Ela estava a mais de 15 minutos ouvindo Ellie repetindo as mesmas coisas. Mas aquilo não a incomodava nem um pouco. Ela estava feliz pela amiga, e sabia que não existiam pessoas que merecessem mais se acertarem de uma vez por todas como Sirius e Ellie. Principalmente depois de tudo que o casal tinha passado para ficar junto.
- Eu o amo. Muito mesmo. Eu achava que iria passar a vida inteira tendo que esconder isso dele, mas ele falou. E ele falou antes de mim. Nem acredito...
- Eu fico tão feliz por vocês dois... – Lily falou, e estava sendo sincera.
- Obrigada, Lily. Mas... chega de falar de mim, eu estou monopolizando toda a conversa! Conta como foi com o James. Você não tem idéia de como eu estou curiosa!
Lily inspirou, e começou a falar.
- Nós conversamos. Sabe, sobre... aquele assunto.
Ellie ficou um instante muda, do outro lado da linha. Mas logo falou.
- Vocês falaram sobre... caramba, Lily. Você é mais corajosa que eu imaginava! Acho que eu morreria de vergonha de falar isso com o Sirius, e eu o conheço desde criança!
Lily deu uma pequena risadinha. Mas logo ela completou.
- Não foi nem um pouco confortável, se você quer saber. Eu quase morri de vergonha... Mas acabamos conseguindo conversar. Ai, Ellie, o que ele falou, no final... foi tão absurdamente maravilhoso, que até agora eu tento me convencer que aquilo foi verdade, e não um sonho...
Lily parou de falar, e Ellie reagiu de imediato.
- Lily. Você quer me matar de curiosidade? Fala logo o que ele disse!
Lily riu novamente, e começou a falar.
- Ele disse... ai, meu Deus... ele falou que não queria que nada acontecesse... até...
Mas Lily não conseguiu terminar a frase. Ela ouviu um barulho estranho vindo do seu banheiro. E ela e Petúnia dividiam o banheiro, que ficava exatamente entre o quarto das duas. E ambos os quartos tinham uma porta de acesso ao banheiro. Lily então logo entendeu a origem do som.
Ela levantou da cama, e foi até o banheiro. Como imaginava, encontrou Petúnia lá, e a irmã tinha a inconfundível expressão de quem foi pego no ato no rosto.
- Petúnia!
A irmã mais velha de Lily, logo se empinou, e resmungou.
- O que foi?
- Você está ouvindo minha conversa?
Petúnia virou o rosto, e fez pouco caso do assunto.
- Eu, ouvir sua conversa? Eu tenho coisas mais importantes para fazer!
Lily viu na cara dela que ela mentia de forma descarada. Ellie estava muda do outro lado da linha, apenas ouvindo a conversa entre as irmãs.
- Então você não vai se incomodar se eu fechar a porta do banheiro!
Lily bateu a porta que ligava seu quarto ao banheiro. E, antes de voltar para a cama, ouviu um resmungo mal humorado de Petúnia, do outro lado da porta.
- Ellie, é melhor nós continuarmos a conversa amanhã, na escola.
Ellie fez um som contrariado, mas aceitou.
- E você vai mesmo me deixar ir dormir morrendo de curiosidade, não é? – ela reclamou.
Lily riu, e falou.
- Você não sabe como é sortuda sendo filha única... Mas pode deixar, eu te conto tudinho amanhã.
- Quer saber? Se eu não consigo nada de você, vou arranjar outra fonte de informação!
Lily franziu a testa.
- Como assim, Ellie?
Ellie riu.
- Eu vou lá no James, aposto que ele vai me contar tudo! E aí, algum recado ao príncipe encantado?
Lily ficou um pouco nervosa de início, mas ponderou que seria uma boa saber, no dia seguinte, a versão de James do ocorrido. Então, controlando sua ansiedade, ela falou.
- Manda... um beijinho para ele.
Ellie caiu na gargalhada, e se despediu.
- Então ta. Beijo e até amanhã.
- Boa noite, Ellie. Um beijo pra você.
Lily desligou o telefone, com um sorriso nos lábios. Mal podia esperar pelo dia seguinte.
--
James estava deitado em sua cama. Tinha uma revista "Rolling Stone" na mão, e estava com os óculos que ele não gostava de usar na escola. Desde criança, ele achava que não combinava com óculos. Então, assim que pode, convenceu os pais a usar lentes de contato, até ter idade suficiente para operar a miopia. Ele lia um artigo muito interessante sobre bandas novas da Europa Oriental quando ouviu uma voz muito conhecida soando da porta de entrada do seu quarto. Ela falou, de forma cantada e lenta.
- Jaaaaamieeee...
James sorriu imediatamente. Nem levantou os olhos para identificar a dona da voz. Apenas respondeu.
- Pode pedir.
Ellie riu, e entrou no quarto do amigo. Pulou na cama, ao lado dele, e falou.
- E quem disse que eu quero pedir alguma coisa?
James abaixou a revista, e falou, olhando para a garota.
- Você usou o "Jamie" que usa quando quer pedir alguma coisa. Eu só estou adiantando as coisas.
Ellie apenas manteve o sorriso, e falou.
- Mas desta vez você se enganou. Só vim conversar mesmo.
James largou a revista na cama, e retirou os óculos. Antes que ele os guardasse, Ellie os pegou, e colocou no rosto.
- Nossa, você é cego mesmo... – ela falou, franzindo a testa. Ela rapidamente retirou os óculos, e os entregou de volta para James.
- E você devia ficar esperta, já que seu avô usa óculos, e seu pai também usava... quem sabe um dia você não precisa usar?
Ellie franziu a testa, e falou.
- Eu penso nisso no dia que precisar. Mas não é sobre isso que eu vim falar.
- Você veio me contar sobre seu encontro com o Sirius? Porque se for, eu já sei de tudo, ele me ligou, ficou uma hora e meia tagarelando sobre o assunto, falando como foi incrível e maravilhoso. Vou te dizer uma coisa, Ellie, o Sirius está cada vez mais parecido com uma garota. Não sei o que você fez com ele, mas eu quero meu melhor amigo de volta! – James reclamou, mas ele estava com um sorriso no rosto.
Ellie ouviu o que James falou, e ficou um pouco corada. Mas ficou totalmente óbvio para James o quanto ela gostou de ouvir aquilo. Ele sorriu, e completou.
- Eu estou muito feliz que vocês se acertaram. Sério mesmo. E ainda me poupa muita saliva de tentar ficar separando as brigas de vocês.
Ellie sorriu ao ouvir o amigo. E ela finalmente falou.
- Obrigada, Jamie.
James olhou para Ellie, e bagunçou os cabelos dela com uma mão. Ele sempre fazia isso com ela, desde criança. Era uma demonstração de carinho entre os dois. Mas Ellie obviamente reclamou.
- Pára, seu chato!
James riu, e se acomodou novamente na cama. Ellie deitou ao lado dele, e começou a falar.
- E o seu dia... como foi?
James olhou desconfiado para Ellie. Ele conviveu com a garota tempo o suficiente para identificar certos comportamentos dela. E aquele significava obviamente uma tentativa de descobrir o que tinha acontecido entre ele e Lily. Mas, mesmo assim, ele respondeu.
- Foi legal. Provavelmente não foi tão emocionante quanto o seu dia com o "Sisi". – ele falou, rindo.
Ellie estava indignada com o fato de James não fornecer nenhuma pista em relação à conversa com Lily.
- James! Ah, qual é, não me deixa me roendo aqui! Fala como foi a conversa de vocês dois! – ela reclamou, e logo completou – E não chama o Sirius de Sisi!
James riu tanto do fato dela estar morrendo de curiosidade, quanto por ela ter defendido Sirius.
- Oh! Um dia para entrar na história! Elladora Dumbledore defendendo a honra de Sirius Black...
Ellie resmungou algo incompreensível, e logo adicionou.
- Seu enjoado.
James riu da cara que a amiga fez, que lembrou nitidamente quando eles eram crianças, e ela ficava emburrada com alguma coisa. Geralmente com alguma peça que Sirius pregava nela.
- Está bem. O que você quer saber? – ele se rendeu.
Ellie imediatamente virou para ele, e falou, animada.
- Tudo, ora!
James inspirou, e falou.
- Já vi que essa vai ser uma longa noite...
--
Segunda-feira. O dia odiado pela esmagadora maioria de estudantes, que são obrigados a acordar cedo depois do fim de semana. Odiado pela maioria, mas não por todos. Um pequeno grupo de alunos ansiava pelo dia.
Esse grupo de alunos estudava em Hogwarts.
Lily Evans acordou cedo, como de costume. Ela tinha ido dormir, na noite anterior, ao som do CD que James lhe deu, logo quando ela entrou em Hogwarts. E tinha sonhado com o namorado durante a noite.
Fora que a conversa do dia anterior, mesmo que muito constrangedora para ela, tinha sido um sucesso. Ela finalmente conseguiu falar sobre suas inseguranças com James. E ele tinha reagido de forma maravilhosa. Fora que ele encerrou a conversa com a frase que a fazia gelar, só de pensar:
Fora que... eu não quero que nada aconteça... até nós dois estejamos... amando um ao outro.
Ela lembrou das exatas palavras que ele disse. Aquilo foi um choque enorme para ela. Não que ela imaginasse que James só estava namorando com ela apenas para levá-la para a cama. Mas o fato dele ter falado palavras tão lindas, e realmente querer esperar até o namoro deles se tornar um compromisso de amor a fazia suspirar. Literalmente.
Então não era surpresa alguma que Lily estivesse doida para a segunda-feira chegar.
- Minha filha, você vai mexer esse café por quanto tempo? Já deve estar frio...
Lily acordou do devaneio, e percebeu que estava na cozinha de sua casa, mexendo uma xícara de café há bons minutos.
- Ãnh? Ah, sim, eu estava distraída...
Lily parou de mexer com a colher, e levou a xícara à boca. A Sra. Evans observou a filha mais nova atentamente, e falou.
- Geralmente, quando uma adolescente fica distraída assim, é porque está pensando em alguém. Mais especificamente, num rapaz.
Lily olhou para a mãe, erguendo as sobrancelhas de espanto. A mãe riu, e falou.
- Eu já fui adolescente também, minha filha...
Lily riu da brincadeira da mãe, e ela prosseguiu.
- As coisas estão indo bem entre você e o James, não é?
Lily concordou com a cabeça, e perguntou.
- Mãe, como a gente sabe que um cara é "o cara"?
A Sra. Evans observou a filha por algum tempo, e respondeu.
- Bem, acho que não tem exatamente como explicar. Você simplesmente sabe. Sabe que é com ele que você quer passar o resto de sua vida.
Lily sorriu, e perguntou.
- Foi assim com o papai?
O sorriso da mãe fazia qualquer resposta desnecessária, mas, mesmo assim, ela respondeu.
- Foi. Eu estava na faculdade. Conheci seu pai numa festa de fraternidade. Nós conversamos por pouco tempo, mas eu senti. Eu tinha um namorado na época. Terminei com ele no dia seguinte...
Lily riu, tentando imaginar os pais no início de namoro. Essa imagem era muito surreal para ela.
- Agora se apresse, senão vamos nos atrasar. – ela ouviu a mãe falar, e, apagando os pensamentos de seu pai usando calça boca de sino, e de sua mãe com o cabelo duas vezes mais volumoso, ela correu para pegar suas coisas, e ir logo para a escola.
--
O segundo membro do grupo de alunos loucos para a segunda-feira chegar acordou num pulo. Apenas aquilo era inédito.
Ellie era conhecida pela sua falta de disposição de deixar sua cama quentinha, e ir para a escola. Mas, naquela segunda-feira, tudo estava diferente. Ela se arrumou tão rápido que Lisa, ao passar no quarto da filha, e vê-la fora da cama tão cedo, imaginou se a garota não estava doente.
- O que foi, Ellie? Deu formiga na cama? – ela falou, ao encontrar a filha tomando seu café da manhã, já completamente pronta para ir para a aula.
- Bom dia para você também, mamãe! – ela falou, sorridente. – Eu fiz panquecas.
Lisa arregalou os olhos. Ellie não era muito fã de cozinhar.
- Você tem certeza que não está doente? – ela falou, vendo a mesa posta, e a pilha de panquecas num prato.
Ellie apenas sorriu, e continuou a comer suas panquecas. Mas logo ela falou.
- Você sabia que o Sirius sabe cozinhar? Ele me falou ontem, e disse que essas panquecas são ótimas. Ele que me deu a receita.
Lisa sentou ao lado da filha, e ficou observando a postura sorridente da garota. Não parecia a mesma garota esquiva da semana anterior. Ela estava visivelmente feliz.
As duas comeram por algum tempo, em silêncio. Lisa agradecia mentalmente a Sirius por estar fazendo tão bem a sua filha.
Ellie bebeu um gole de café, e colocou a xícara na mesa. Ela quebrou o silêncio entre as duas.
- Ele me falou. Ontem.
Lisa observou o rosto da filha. Uma mistura de menina e mulher. Sorriu levemente, e falou.
- Ele falou o que?
Lisa tinha quase certeza da resposta. Mas queria que a filha contasse.
- Ele disse que me ama.
Lisa e Ellie sorriram. Mas não disseram absolutamente nada. Entenderam-se apenas com o olhar.
E Lisa pode ver algo que não via há três anos. O olhar de Ellie. Ela conhecia aquele olhar. Era exatamente o olhar de Edward. O exato olhar que ele dedicava à esposa, apenas. O olhar de alguém apaixonado.
- E você também o ama. – Lisa falou. Não era uma pergunta, era uma afirmação.
Ellie apenas concordou com a cabeça. Lisa sorriu para a filha, e encarou novamente os olhos azuis dela, idênticos ao do pai. E como ela desejou que ele estivesse ali, naquele momento.
--
James abriu os olhos de manhã. Demorou alguns instantes para situar onde estava. Assim que despertou melhor, ele sorriu.
- Segunda-feira!
Se alguém ouvisse aquilo, teria rido. Um aluno comemorando o fato de ser segunda-feira?
Ele correu para o banho, e ligou a ducha no máximo. Sentiu a água bater forte em suas costas. Animado, ele começou a cantar.
Well I don't care
about history
Rock, rock, rock'n'roll high school
'Cause that's
not where I wanna be
Rock, rock, rock'n'roll high school
I just
wanna have some kicks
I just wanna get some chicks
Rock, rock,
rock, rock, rock'n'roll high school
O rapaz continuou cantando durante todo o banho. Saiu enrolado numa toalha, e logo vestiu o uniforme.
Desceu as escadas correndo, e chegou à cozinha como um furacão.
- Nossa, o que é isso? – A Sra. Potter perguntou.
James deu um beijo estalado no rosto da mãe, e isso lhe arrancou um belo sorriso. Ele pegou a primeira coisa que viu na mesa, no caso um bagel, e falou.
- O que foi, não posso estar animado?
Dorea Potter apenas riu do filho. Ele estava com os cabelos muito bagunçados, a camisa para fora da calça, e de meias. Mas parecia querer sair porta afora a qualquer instante.
- Você vai com a Ellie hoje? – ela perguntou.
James riu, e falou.
- Duvido que ela já esteja pronta uma hora dessas. Provavelmente vou ter que acordá-la...
A Sra. Potter olhou para o filho, e falou.
- Então termine logo de se arrumar. Assim você acorda a Ellie logo, e vai conseguir chegar cedo na escola.
James olhou para a mãe, e ela lhe lançou um olhar cúmplice. Sem dizer nada, James correu para o quarto. Mas pode ouvir a risada de sua mãe antes de sair.
--
Sirius Black acordou já falando um palavrão.
- Merda!
Ele xingou o despertador. Não que ele não estivesse disposto a acordar, ou que estivesse com sono. Mas o barulho ininterrupto do aparelho o fez acordar de um sonho particularmente delicioso. E o interrompeu logo numa parte tão interessante...
Ele levantou, e ficou sentado na cama. Olhou para a mesa ao lado de sua cama, e viu lá a foto que toda noite ele retirava da gaveta, e olhava.
Uma foto de Ellie, que eles tiraram no verão. Todas as noites, antes de dormir, ele olhava a foto, e dizia boa noite. Era seu pequeno ritual secreto. Ele nunca isso contara para ninguém, nem mesmo para James.
Ele guardou a foto no lugar, escondida entre livros, e levantou.
Correu para o chuveiro. Ligou a água mais fria que conseguiu. Entrou lá dentro, e sentiu um arrepio. Mas, em poucos segundos, se acostumou. Deixou a água fria descer pelo corpo. A água fria o ajudava a acalmar a mente.
Ele precisava desviar sua mente do que estava pensando. Mas era quase um suplício. Ele não conseguia parar de pensar no sonho. Não conseguia parar de pensar nela.
Ellie.
As imagens em sua mente o torturavam. Ele precisava acabar com aquilo.
Tentou uma nova abordagem. Pensar em outra coisa completamente. Lembrou do treino de basquete. Tentou visualizar um jogo, ele quicando a bola. Isso estava dando certo. Ele correndo para encestar a bola. Uma finta no marcador. Ellie com uniforme de torcedora, balançando seus pompons, usando aquela sainha curta...
- Droga!
Ele estava novamente se deixando levar pela imaginação. Começou a pensar onde era o botão que abria a saia do uniforme de torcida, quando...
- SIRIUS!!
Mesmo a porta do quarto do rapaz estando fechada, e ele estando no chuveiro, dentro do banheiro, ele ainda assim conseguiu ouvir a voz da mãe gritando, e batendo na porta do seu quarto.
- ANDA! SAI LOGO DESSE BANHO!
Pela primeira vez na vida, Sirius agradeceu pela mãe ter aquela voz de trovão. E por ela ter gritado na porta do seu quarto.
O rapaz se apressou no banho. Logo tinha terminado, e trocou de roupa. Ele desceu a escada de sua casa muito rápido, para não ter que dar de cara com sua mãe. Quando chegou à porta da casa, pensou que poderia chegar à casa de James bem rápido, e, uma vez lá, poderia ir com ele e Ellie para a escola. Só esse pensamento já o fez abrir um sorriso.
Mas, para sua surpresa, Regulus já estava pronto para a escola, e o esperava para o motorista da família os levar para a escola. Sirius estranhou muito o fato, já que Regulus nunca acordava cedo, ou ficava pronto na hora.
- Você já está pronto? Quer madrugar na escola? – ele falou, passando pelo irmão, em direção ao carro.
- Olha quem fala. – retrucou Regulus. – Algum motivo especial para você querer chegar tão cedo em Hogwarts?
Sim, havia um motivo. Ellie. Mas Sirius não ia admitir isso para o irmão mais novo.
- Claro que tenho, e é sair o mais cedo possível desse hospício. – ele falou, apontando a casa.
Regulus não falou nada, mas ficou visível em seu rosto o desagrado com a frase com irmão. Os dois entraram no carro, e rumaram para a escola.
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Remus Lupin já estava com os olhos abertos antes mesmo de o despertador tocar. Ele olhava para o aparelho, contando os segundos para o horário que ele tradicionalmente era acionado. Quando o aparelho tocou, ele desligou de imediato. Levantou-se da cama, e ficou parado, olhando para sua enorme prateleira de livros. Mas não focalizava absolutamente nada.
Sua mente ainda estava nos acontecimentos do fim de semana. O aniversário de Melissa. Os beijos que eles trocaram. A aparição do loiro misterioso, que tanto perturbou Melissa.
Ele tentava encaixar as peças do quebra-cabeça. Mas não conseguia. Ele achava que estavam faltando informações importantes.
Pelo menos ele entendeu o porquê da implicância de Melissa com Ellie. Mas isso não era, nem de longe, o mais importante em relação à Melissa.
Ele tinha gastado boa parte da noite especulando sobre quem era o loiro. Mas não teve nenhuma idéia satisfatória.
Inicialmente, ele cogitou a idéia dele ser um ex-namorado da garota. Mas essa hipótese era improvável, já que Melissa não guardava foto alguma do rapaz. E ela, mesmo tendo sido traída pelo ex-namorado e pela melhor amiga, ainda guardava fotos de ambos.
A única coisa que ele tinha certeza era que Melissa definitivamente odiava o rapaz. A expressão de medo e ódio que ela tinha no rosto ao olhar para o loiro era evidente.
Remus lentamente caminhou até o banheiro. Entrou no chuveiro com pressa. Ele queria chegar logo em Hogwarts. E queria solucionar logo aquele mistério.
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Lily foi a primeira da turma a chegar à escola. Ela logo colocou seus materiais na sala de aula, e saiu para o pátio em busca dos amigos. Viu Severus Snape chegando, logo após ela. Ele a observou por um instante, e logo sumiu sala adentro.
Lily começou a caminhar pelo pátio da escola. Logo várias pessoas vieram falar com ela. De início, ela não entendeu por que. Mas logo ela percebeu o motivo. Ela tinha ganhado as eleições.
Lily tinha até esquecido desse fato. O fim de semana teve tantos acontecimentos que ela apagou quase completamente esse registro da memória.
- Oi presidente! – cumprimentou Marlene Mckinnon, assim que a viu.
Lily sorriu para a loira, e ela parou para conversar um pouco.
- Oi Marlene.
- Você está melhor? – ela perguntou, só que em tom bem mais baixo. – É que na festa você estava um pouco mal...
Lily sorriu um pouco sem graça, e respondeu.
- Ah, estou sim, obrigada.
- Que bom. – Marlene falou.
Lily estava constantemente olhando para o portão de entrada. E ela logo notou que Marlene fazia exatamente o mesmo.
- Você já sabe quais vão ser suas tarefas como presidente? – ela perguntou, ainda com os olhos no portão.
- Ainda não. – Lily respondeu. – A professora McGonagall disse que me passaria tudo hoje, depois da aula.
Marlene continuava olhando sem parar para o portão. Tanto que Lily falou.
- Marlene, você está esperando alguém?
A loira corou muito de leve, e respondeu, gaguejando um pouquinho.
- Ah... eu... estou sim, a Ellie!
Lily franziu a testa. Por que Marlene ficaria tão ansiosa para falar com Ellie?
- Ah... tá.
As duas ficaram mudas por um instante. Ambas olhando para o portão da escola. Ambas esperando alguém.
Mas logo elas viram algo que as fez retomar a conversa. Ellie estava chegando à escola. E ela estava acompanhada. Acompanhada por James.
Lily inspirou de forma mais profunda e falou.
- Olha a Ellie aí, Marlene.
Mas a loira pareceu ligeiramente decepcionada ao responder.
- É...
As duas esperaram James e Ellie se aproximarem. Eles vinham sorrindo, e conversando entre si. Mas logo notaram as duas garotas que os observavam.
James sorriu para Lily, e imediatamente levou a mão ao cabelo, o bagunçando ligeiramente. Mas ele fez aquilo de forma instintiva. Nem notou o que fez.
Ellie, por sua vez, não deixou de registrar o gesto do amigo, e riu baixinho ao notar que James fazia aquilo, com alguma freqüência, quando via Lily.
Lily ficou olhando para James, e sentiu exatamente o que sentia quando o via se aproximar, logo quando entrou em Hogwarts.
James estava com o uniforme da escola. Mas ele nunca usava o uniforme da forma correta. Naquele dia ele estava com o casaco. Mas o colarinho de sua camisa estava frouxo, e os primeiros botões desabotoados. A gravata nas cores da grifinória estava também frouxa, com o nó feito displicentemente. Ele carregava um livro nas mãos, e a mochila sobre um ombro.
Resumindo, ele estava tão bonito que Lily não conseguiu evitar o suspiro.
O que a fez acordar foi a risada discreta de Marlene, ao seu lado. Ela provavelmente tinha suspirado alto o suficiente para a corvinal ter notado.
Logo o momento constrangedor de Lily acabou, já que Ellie e James as alcançaram.
- Oi! Bom dia, amigas! – Ellie falou, sorridente.
- Oi Marlene. – James cumprimentou. Mas logo ele virou diretamente para Lily e, lançando aquele olhar que só ele era capaz, falou.
- Oi princesa.
Lily achou que ia desabar ali mesmo. Ela sentiu seu coração derretendo dentro de si. Não conseguiu formular uma resposta decente, então se deixou envolver pelo abraço do namorado.
Ela viu Marlene puxando Ellie discretamente para um canto do jardim. A loira cochichou algo no ouvido de Ellie, que sorria abertamente ao ouvir o assunto. Parecia que Marlene tinha muito a contar para a amiga.
James olhou para a dupla, à distância, e falou.
- Acho que as duas tem muito assunto para colocar em dia. Vamos indo para a sala?
Lily concordou com a cabeça, e o casal foi caminhando de forma lenta para a sala. Mas eles não estavam nem na metade do caminho quando uma voz os interrompeu.
- Ei! James, Lily!
Sirius vinha caminhando pelo pátio, acompanhado por seu irmão Regulus. James e Lily pararam de andar, e logo Sirius os alcançou.
- Vocês viram a Ellie? – foi a primeira pergunta do rapaz.
Regulus ia seguindo seu caminho, em direção à sala do primeiro ano, caminhando de forma muito lenta. Mas algo o fez parar. Foi a resposta de Lily.
- Ela está no jardim, conversando com a Marlene.
Sirius virou para trás imediatamente. Mas ele não foi o único. Regulus também virou para trás, e ficou olhando na direção do jardim.
Os quatro viram que Ellie e Marlene agora caminhavam em direção à sala. Elas estavam distraídas, e não repararam que eram observadas.
Sirius deu alguns passos na direção das duas, e isso chamou a atenção das garotas.
Ellie ergueu os olhos, e seus olhos encontraram os de Sirius. Ela diminuiu o passo por um instante.
Ela olhou para o namorado, com seu porte elegante e displicente ao mesmo tempo. Alto, forte e com seus cabelos ligeiramente compridos caindo sobre os olhos. Os lábios dele estavam entreabertos. Ellie não conseguiu evitar o pensamento. "Devia ser contra a lei alguém ser tão lindo assim..."
Sirius logo percorreu o caminho que o separava de Ellie, e sem cerimônia alguma lhe tascou um beijo na boca, sem falar absolutamente nada antes.
O casal ficou se beijando no meio do pátio. Lily e James se entreolharam e riram. James falou.
- Vamos para a sala, deixa os dois se divertirem um pouco...
Lily e James foram caminhando, abraçados, em direção à sala de aula.
No pátio, além de Sirius e Ellie, que se beijavam sem dar bola para ninguém em volta, restaram apenas Marlene e Regulus. Os dois se olharam, e timidamente se aproximaram. Marlene, apesar de demonstrar claramente estar constrangida, tomou a iniciativa da conversa.
- Oi...
Regulus sorriu, e respondeu.
- Oi, bom dia... Marlene.
Ela sorriu ao ouvir o próprio nome. E olhou para o lado, indicando Sirius e Ellie com os olhos.
- Acho melhor dar um pouco de privacidade para os dois.
Sirius e Ellie continuavam no maior beijo, alheios ao que acontecia em volta.
Regulus riu baixo, olhou para o casal e concordou.
- Você tem razão.
Os dois lentamente se afastaram, caminhando pelo pátio. E conversando em tom muito baixo. Mas ambos visivelmente satisfeitos com a situação.
Após um bom tempo se beijando, Sirius e Ellie se afastaram ligeiramente. Continuavam abraçados, e se olhavam nos olhos. Ele finalmente rompeu o silêncio.
- Bom dia, meu amor.
Ellie abriu um sorriso tão enternecido com a frase que Sirius também sorriu. Ela tinha ficado particularmente comovida por ele te-la chamado de meu amor.
Ele se aproximou um pouco mais seu rosto de dela, e falou, baixinho.
- Eu já te disse que te amo hoje?
Ellie novamente sorriu, e negou com a cabeça. Sirius aproximou sua boca do ouvido dela, como se fosse contar um segredo. Ele falou ainda mais baixo.
- Eu te amo.
Ellie não se conteve, e o abraçou ainda mais forte. Encostou sua cabeça no peito de Sirius, e falou, respirando de forma profunda.
- Eu também te amo.
O casal ficou abraçado por alguns minutos. Só se afastaram quando ouviram um assovio alto, e uma voz conhecida falando.
- Me convida para o casamento, heim!
Gideon Prewett estava passando junto com sua turminha de amigos e com seu irmão em direção à sala deles. Ellie e Sirius acenaram para os rapazes, que se afastaram rindo. Foi quando olharam em volta, e notaram a ausência dos amigos.
- Ué, cadê todo mundo? – falou Sirius.
Ellie riu, e falou.
- Acho que eles não quiseram ficar de vela...
--
Ellie e Sirius entraram na sala de mãos dadas. Logo localizaram Lily e James sentados lado a lado, se beijando. O casal se aproximou, e Sirius logo falou.
- Ei, nada de pornografia na sala de aula! – ele disse, rindo.
James e Lily se afastaram, e James falou.
- Olha quem fala, agarrando a Ellie no meio do pátio!
Ellie e Lily riram, mas Sirius não se deu por vencido.
- Exatamente. No pátio, e não na sala de aula. – ele falou, usando um tom de professor de primário ao explicar a diferença.
Ellie largou sua mochila no lugar de sempre, e falou, entre risos.
- Cadê o Remus? Ele sempre chega cedo...
Lily sacudiu os ombros, e falou.
- Ele não chegou ainda. Ou ainda não veio para a sala de aula, pelo menos.
Neste momento, Marlene estava entrando na sala de aula. Ela estava um pouco corada e sorridente.
- Lene! – Ellie falou. – Você viu o Remus lá fora?
Marlene, que olhava para um ponto perdido no nada, virou para o lado da turminha e respondeu ,com uma voz ligeiramente sonhadora.
- Eu? Não... não vi...
E logo ela sentou em sua cadeira, e voltou a encarar o nada, com um leve sorriso nos lábios.
James olhou para Marlene, e falou com os amigos.
- Com essa cara, duvido que ela veja um elefante cor de rosa dançando mambo bem na frente dela...
Os amigos riram da piada de James. Mas Ellie pensou que, se James soubesse o que ela sabia, saberia exatamente o porquê de Marlene não conseguir enxergar absolutamente nada na frente dela...
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Remus chegou a Hogwarts apressado. Seu pai tinha lhe dado uma carona até a escola, mas se atrasou com o trânsito. O rapaz passou um bom tempo nervoso, dentro do carro que não se movimentava. Assim que eles pararam na porta da escola, ele rapidamente se despediu, e correu até o portão.
Quando atravessou o portão de entrada, ele passou a procurar entre os alunos uma figura conhecida.
Olhou por todos os lados, mas nenhum sinal dela.
Foi andando até o jardim. Tinha esperança de encontrar Melissa sentada num dos bancos ou encostada numa árvore, como no primeiro dia dela em Hogwarts. Ele percorreu o jardim inteiro, mas nenhum sinal dela. Já estava desistindo quando viu uma sombra perto de uma das árvores mais afastadas do jardim. O rapaz se aproximou, e viu quem era. E ele estava certo. Lá estava Melissa, sentada sobre as raízes de uma árvore de tronco bem grosso.
Ele caminhou até ela, e viu que a garota estava de cabeça baixa. Ele abaixou-se, e falou com ela.
- Oi.
Melissa ergueu os olhos, e seus olhares se cruzaram. Remus olhou diretamente nos olhos cor de mel da garota, e viu algo que desejava nunca ver. Ela estava profundamente triste.
- Melissa... – ele falou.
Melissa desviou o olhar. Não conseguiria fixar seu olhar nos belos e ternos olhos castanhos de Remus. Ela nunca tinha visto um homem com olhar tão amável quanto Remus. Era como se seus olhos aquecessem tudo em volta. Ele parecia ter a capacidade de afastar todos os problemas. Afastar tudo de ruim.
E era por isso que ela precisava evitá-lo.
- Bom dia. – ela falou com a voz mais indiferente que conseguiu.
Remus olhou para a garota, e falou.
- Posso sentar com você?
Por que ele tinha que ser sempre tão... tão gentil e educado? Ela fechou os olhos por um segundo, inspirou e falou.
- Eu estou indo para a sala.
E ela levantou-se imediatamente. Remus ficou um pouco frustrado, já que queria aproveitar a oportunidade de conversar com ela longe de todos. Mas ela estava decidida a evitar isso a todo custo.
A garota pegou a mochila, jogou sobre o ombro, e olhou para o rapaz.
- Você não vem?
Mais uma vez ela o deixou confuso. Ficava fugindo dele, mas volta e meia dizia algo que demonstrava que o queria por perto. Fora que ela cada vez mais aparentava ser afetada pelo que ele falava. E definitivamente ela demonstrou ter sido muito afetada pelos beijos que eles trocaram na festa de aniversário da garota.
Remus levantou, e a acompanhou pelo jardim. E então ele pode entender pelo menos um dos motivos de Melissa ter se escondido no jardim da escola. Quando o casal chegou ao pátio, literalmente metade dos alunos que se encontravam ali pararam de fazer o que quer que faziam, e olharam fixamente para Melissa. Ela inspirou mais fundo, e seguiu o caminho até a sala de aula.
Remus conseguiu ouvir um ou outro comentário sobre a festa de Melissa. A maioria das pessoas olhava para a garota de forma recriminatória.
- Foi o maior barraco. Eu nunca via nada igual...
- Ela é muito estranha mesmo. Você viu aqueles caras da festa? Eles pareciam se conhecer muito bem!
- Eu ouvi dizer que ela costumava andar com uma turma totalmente barra pesada!
Melissa abaixou um pouco a cabeça. Era óbvio que ela estava ouvindo os comentários. Remus olhou para ela, e agiu totalmente sem pensar. Ela apenas pegou a mão de Melissa, enlaçou seus dedos nos dela, e foi andando ao lado da garota. E ela, surpreendentemente, aceitou. Estava tão chateada com o que estava acontecendo que deixou de lado, temporariamente, seu objetivo de afastar Remus de seus problemas.
Os fofoqueiros que observaram a cena se juntaram ainda mais, e começaram a falar sobre o novo fato. Uma nova fofoca.
O estudioso e responsável Remus de mãos dadas com a rebelde e estranha nova aluna, Melissa.
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Remus e Melissa foram de mãos dadas até a porta da sala de aula. Quando os dois estavam para entrar, ela soltou a mão do rapaz. Perecia que ela tinha acordado para a realidade. Foi andando até sua cadeira, e sentou lá em silêncio. Nem cumprimentou os colegas em volta. Ficou calada, com os olhos fixos na mesa. Ninguém se atreveu a dizer uma palavra sequer com a garota.
Remus, resignado, sentou em sua cadeira. Mas, várias vezes durante a aula, ele olhava de forma não muito discreta na direção de Melissa.
A professora McGonagall logo começou sua aula. Ela estava revisando a matéria, já que na semana seguinte começariam as provas. Os alunos estavam bem mais atentos à aula que nos dias comuns. Todos sabiam que as provas de física eram umas das mais difíceis, e a professora era conhecida por seu rigor ao corrigi-las.
Lily não tirou os olhos do quadro a aula toda. Ela precisava tirar boas notas nas primeiras provas. Primeiro, por ser monitora. Segundo, por ter sido recentemente eleita presidente da turma. E terceiro, porque ela própria nunca se perdoaria se falhasse em seus primeiros exames na escola nova.
Ellie tentava se concentrar ao máximo na aula. Ela nunca gostou realmente de física, então precisava de força de vontade extra para suportar a aula. Mas, durante uma monótona explicação da professora, um pequeno papel aterrissou em sua mesa, vindo de trás. A garota recolheu o papel rapidamente, o abriu e leu. Lily, completamente imersa na explicação da professora, nem notou. Ellie reconheceu a letra do autor do bilhete. E nele só havia uma frase.
Eu te amo.
Ellie sorriu imediatamente. Não podia olhar para trás, senão McGonagall iria ver. Ela então escreveu sua resposta na mesma folha.
Eu também te amo. Mas agora preciso mesmo prestar atenção, senão vou me dar mal na prova de física...
Ela discretamente dobrou o papel, e esticou o braço para trás, sem se virar. Ela sentiu que o bilhete foi retirado de sua mão por uma mão morna. Ela sorriu, e continuou olhando para frente. Mas, alguns segundos depois, o bilhete aterrissou novamente em sua mesa. Ao abrir ela encontrou.
Nós podemos estudar física hoje a tarde. Na sua casa, deitados na sua cama... Sabia que exemplos práticos são muito úteis ao processo de aprendizagem?
Ellie engoliu o riso, e guardou o bilhete. Com cuidado. Nada neste mundo a faria jogar aquele papel no lixo...
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Assim que a aula de física acabou, a professora McGonagall chamou Lily para conversar. Ela pediu para a garota procura-la no fim da aula, já que ela deveria colocar Lily a par de suas atividades como presidente de classe. E, como a garota era da Grifinória, a responsabilidade era da diretora da casa.
Logo o intervalo chegou, e os alunos do segundo ano saíram da sala em direção ao pátio. Lily estava ficando cada vez mais preocupada com a quantidade de matéria que teria que revisar até a semana seguinte. Ela falava sobre o assunto com James enquanto eles se dirigiam para o pátio da escola.
- É sério, James! Eu estou preocupada de verdade. Se os professores cobrarem tudo que já foi dado, eu vou me sair pessimamente nas provas...
James, ao contrário de Lily, não estava nem um pouco preocupado. E ele riu do desespero da namorada.
- Ah, Lily, você só pode estar brincando! Você, se dar mal? Você é a melhor aluna da sala!
- Mas essas são as primeiras provas de verdade que eu vou fazer em Hogwarts! Os trabalhos e exercícios valendo pontos não contam. Eu posso me dar muito mal...
James continuou sorrindo, e falou.
- Pois eu duvido!
Ela franziu a testa, e perguntou.
- Por quê?
Ele passou o braço pela cintura da namorada, e falou.
- Porque você, além de ser linda, é extremamente inteligente.
Lily deu um pequeno sorriso, e James completou.
- Fora que você é minha namorada. Isso só já é prova que você é muito inteligente!
Lily riu da brincadeira, e falou.
- E você não é nem um pouco convencido, não é?
James sorriu triunfante.
- Convencido? Ah, que nada. Eu sou tão modesto...
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Remus saiu da sala acompanhado de Ellie e Sirius. Ele viu Melissa desaparecer quase instantaneamente, assim que o sinal tocou. Ele imaginou que ela queria ficar o mais longe possível dos outros alunos. As fofocas da escola, naquele dia, eram em sua maioria relacionadas à garota, e sua festa de aniversário.
Ele pensou em procurá-la. Começou a olhar de um lado para o outro do pátio, tentando identificar os cabelos pretos de Melissa. Mas Ellie, ao seu lado, falou.
- Acho que seria melhor você deixar ela um pouco sozinha.
Remus olhou para a amiga, e franziu a testa. Ele esperava um esclarecimento de Ellie, mas, surpreendentemente, a resposta veio de Sirius.
- É verdade. Dá um espaço para ela. Vai ver é isso que ela precisa agora.
Remus franziu a testa ainda mais. Não esperava esse tipo de conversa mais profunda vinda de Sirius. Ele geralmente era o encarregado da parte divertida das conversas. Vê-lo falar sobre os sentimentos de alguém era um pouco raro, e Remus achou que o namoro dele com Ellie tinha feito o amigo amadurecer um bocado.
Remus apenas inspirou mais profundamente, e falou.
- Vocês acham mesmo? Do jeito que estão falando dela, talvez ela precise de alguém para conversar.
Ellie o respondeu desta vez.
- Bem, não estão falando que ela foi presa, ou que colocou uma bomba na escola. E, se tratando de Hogwarts, isso em si já é lucro...
- É verdade. – concordou Sirius – Eu lembro quando espalharam que eu e o James estávamos planejando explodir a sala comunal da sonserina...
Ellie olhou para o namorado.
- É. Mas eu também lembro que você gostou da idéia e realmente cogitou a possibilidade.
Sirius sorriu, e falou.
- E era mesmo uma boa idéia!
Remus riu, acompanhado de Sirius. E ele resolveu seguir o conselho dos dois, e não procurou Melissa durante aquele intervalo. Por mais que seu coração dissesse para ele ir atrás da garota, sua mente dizia que a sugestão dos dois amigos era equilibrada, e fazia sentido. O que ele não sabia era que, em um canto escondido do jardim, Melissa estava sentada, se sentindo a última das pessoas do mundo.
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As outras aulas do dia passaram tão lentamente quanto as primeiras. Nenhum dos alunos agüentava tantas revisões e exercícios. Só Lily resistia bravamente, fazendo mil anotações e organizando esquemas de estudo. Ela já previa que seu tempo seria limitado naquela semana, e pretendia adiantar ao máximo o estudo, para poder ter o fim de semana mais livre.
Assim que ela saiu da sala, foi direto para o escritório da professora McGonagall. A austera diretora da grifinória atendeu Lily imediatamente, e explicou todas as suas funções como presidente da turma.
Ela ficou feliz em saber que isso contaria muitos pontos em seu histórico escolar, e com certeza ajudaria na hora de ser aceita em uma boa universidade. Assim que a professora terminou a explicação, e entregou para Lily as chaves de um armário reservado exclusivamente para os presidentes de turma, ela foi liberada.
A garota seguiu imediatamente para o centro de monitoria. Ela teria várias aulas de monitoria naquela semana, já que as provas se aproximavam. Os seus alunos regulares tinham marcado aulas, e alguns outros pediram a ajuda de Lily para revisar a matéria antes das provas.
Lily seguiu até seu armário, e pegou a escala de aulas que ministraria. Estava analisando a tabela, quando percebeu alguém se aproximando. Ela ergueu os olhos, e viu um rapaz se aproximando.
O rapaz tinha cabelos cor de mel, e eram lisos e um pouco compridos, cobrindo a nuca dele. Seus olhos eram de um azul muito intenso. Ele era alto, tinha os ombros largos. E era realmente muito bonito. Ele parou ao lado dela, e falou.
- Oi.
Lily olhou para o rapaz, e ele sorriu. Ela respondeu.
- Olá.
Ele estendeu a mão de forma amistosa.
- Kyle Wilshire. Eu sou o chefe dos monitores de Hogwarts.
Lily apertou a mão do rapaz. E falou.
- Lily Evans.
O rapaz sorriu, revelando os dentes perfeitos e um sorriso absolutamente lindo.
- Eu sei. Você é a nova presidente do segundo ano, não é?
Lily confirmou com a cabeça. Ele prosseguiu.
- Me desculpe por não ter me apresentado antes. Eu pedi ao Remus para te explicar tudo, eu estava completamente tomado por aulas extras. Mas agora eu consegui outros monitores para o último ano, então estou mais livre. Você tem alguma dúvida, algo que eu possa te ajudar?
Lily sorriu e agradeceu.
- Ah, está tudo bem. Obrigada.
O rapaz retribuiu o sorriso, e falou.
- Não hesite em me procurar se precisar de ajuda, ok? Eu estou aqui para isso mesmo.
Lily acenou com a cabeça. Ele olhou para as mãos dela, e viu a escala de aulas para aquela semana.
- Ah, foi mesmo bom ter te encontrado aqui. Alguns alunos do seu ano me procuraram perguntando se você tem algum horário disponível essa semana. Dois procuravam aulas extras de química, e outros três queriam aulas de biologia.
Lily olhou para a tabela, e inspirou. Ela quase não tinha horários disponíveis.
- Não sei, não, Wilshire... Já estou cheia de aulas.
O rapaz sorriu, e falou.
- Por favor, me chame de Kyle! Toda vez que alguém me chama de Wilshire eu acho que estão chamando meu pai...
Lily achou o rapaz muito simpático. Ela falou, logo após ele terminar.
- Ok, desde que você me chame de Lily também.
- Fechado. – ele respondeu. – Eu tenho que ir, vou dar uma aula agora. Mas passa na minha sala depois que terminar suas aulas, aí veremos o que vamos fazer a respeito do seu horário.
Lily olhou para o rapaz. Ela estava planejando sair o mais cedo possível, para tentar aproveitar um pouco de tempo com James. Mas, agora, não teria tanto tempo para isso.
Ela apenas concordou com a cabeça, e viu o loiro se afastar, acenando gentilmente para ela.
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Quando Lily terminou as monitorias do dia, ela já estava morta de cansaço. Só queria ir para casa, tomar um bom banho, e deitar em sua cama para relaxar. Mas sabia que ainda tinha algumas coisas a resolver antes de ir embora.
A garota foi até a sala que Kyle tinha indicado. No meio do caminho, encontrou Remus saindo da sala que costumava ocupar no centro de monitoria. Apenas uma olhada no rapaz a fez ver que ele estava tão cansado quanto ela. Fora que ele aparentava um desânimo enorme. E Lily percebeu que isso tinha conexão direta com os acontecimentos do fim de semana.
Eles conversaram brevemente, e Lily se despediu do amigo. Remus saiu andando, de cabeça baixa, em direção ao pátio da escola. Lily sentiu pena do amigo. Sabia que Remus era um cara incrível, e merecia ser feliz. Mas isso era exatamente o contrário do que estava acontecendo.
Lily chegou em frente a porta da sala de Kyle. Nela, ela viu uma pequena plaquinha de metal, escrita.
Kyle Wilshire – Chefe dos monitores.
Ela bateu suavemente na porta, e logo alguém falou, lá dentro.
- Entra.
Lily girou a maçaneta, e entrou na sala. E sua primeira impressão não poderia ser melhor. A sala não era muito grande, mas era muito bem organizada. Uma estante de madeira escura exibia livros de várias matérias, todos organizados alfabeticamente e por assuntos. A mesa de Kyle não tinha absolutamente nada fora do lugar. Tudo era muito limpo e arranjado de forma a facilitar a utilização do ambiente.
Lily viu Kyle sentado atrás da mesa. Ele sorriu ao ver a ruiva.
- Ah, Lily. Entre, por favor. Eu estava te esperando.
Lily entrou na sala, e Kyle levantou imediatamente. Ele foi até a cadeira em frente à mesa, e a puxou para a garota. Lily achou muito gentil da parte dele.
- Sente-se, por favor.
Assim que ela se acomodou, ele voltou para a cadeira atrás da mesa, e começou a falar.
- Bem, acho que estamos com um probleminha, não é?
Lily franziu a testa, e perguntou.
- Como assim?
Kyle sorriu ao ver que ela estava um pouco receosa.
- Estou falando do seu horário. Essa semana vai ser muito complicada, já que vamos ter provas na semana que vem. Os alunos começam a ficar preocupados, em vez de estudarem desde o início do ano, querem recuperar o tempo perdido em uma semana!
Lily acenou com a cabeça. Ela não poderia concordar mais com o rapaz. Realmente, a maioria dos alunos da sala dela, o que incluía seus amigos, nem pensaram em estudar as matérias com antecedência. Ela conseguiu estudar um pouco com Ellie, mas não o suficiente. James e Sirius apenas riram quando ela sugeriu formar um grupo de estudos. Só Remus estava estudando ao longo do ano, mas ele costumava fazer isso sozinho. E ela não tinha nem coragem de chamar Melissa para estudar, desde a confusão que ela arranjou com Remus por conta do trabalho de física que ele fez no nome dela.
- É verdade. – ela concordou. – Agora eles ficam desesperados, querendo ajuda com os estudos...
Kyle passou a mão pelos cabelos sedosos, e bufou.
- Nem me fale. Estou completamente tomado, e isso atrapalha a minha própria revisão. Esquematizei um sistema há algumas semanas, mas estou vendo que não conseguirei cumprir tudo que planejei. Acaba sendo frustrante, porque isso prejudica os monitores e os alunos também. Eles não aprendem da forma que deveriam. Apenas decoram a matéria da prova...
Lily concordou com a cabeça, mas ficou satisfeita em ver que o chefe dos monitores era tão responsável. Assim ela poderia ter certeza que seu trabalho seria o melhor possível.
- Bem. – ele prosseguiu. – Eu estava pensando um pouco a respeito, e vi que, se nós remanejarmos alguns de seus alunos, poderemos colocar os novos alunos no horário restante. E, também pensei que você poderia dar aulas para os novos alunos em dupla, e não aulas individuais. Se eles queriam aulas individuais, deveriam ter procurado no início do ano. Não podemos prejudicar os alunos antigos só porque alguns preguiçosos querem ajuda em cima da hora.
Lily achou o argumento muito justo. E aquilo iria definitivamente desafogar um pouco seu horário. Mesmo que aquela semana fosse infernal, ela poderia ficar um pouco mais livre, depois que as provas terminassem.
- Então, o que você acha? – Kyle perguntou.
Lily sorriu de leve, e falou.
- Acho uma ótima idéia.
O rapaz novamente sorriu, e realmente o sorriso dele era encantador.
- Excelente. E fico feliz em poder ajudar.
- Ajudar? – Lily falou, rindo. – Você salvou minha vida!
O rapaz riu, e concluiu, acenando com a cabeça.
- Sempre que precisar, Lily.
Lily agradeceu novamente ao chefe dos monitores, e levantou da cadeira. Kyle, sempre cavalheiro, levantou imediatamente, e abriu a porta para a garota. Lily agradeceu, e eles se despediram.
Assim que Lily ouviu o rapaz encostando a porta educadamente, ela olhou para o relógio. E viu que estava mais atrasada do que imaginava.
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- Será que dá para vocês dois pararem com isso por um minuto?
Era a milésima vez que James repetia aquela frase. Mas Sirius e Ellie continuaram ignorando os apelos do amigo. Mas, ao contrário do que eles costumavam fazer, o casal não estava brigando. Eles estavam se beijando.
- Ah, James, vai dar uma voltinha, você está muito estressado. – respondeu Sirius.
James olhou para Sirius, e viu que ele não tinha a menor intenção de largar a namorada. Ellie estava sentada no colo de Sirius, e também não estava nem um pouco disposta a deixar de lado a sessão de amassos.
O trio estava sentado na mureta que tradicionalmente ocupavam, perto do portão da escola. Eles estavam esperando por Lily há pelo menos 20 minutos, e James já estava perdendo a paciência. Principalmente porque, desde que eles sentaram naquela mureta, Ellie e Sirius não pararam de se agarrar.
- Vocês dois são o que, dois coelhos? – perguntou James, mal humorado.
Sirius começou a rir, e foi prontamente acompanhado por Ellie. E ele não deixou barato.
- Você não sabe nem da metade, meu amigo...
James fez uma careta de nojo, tentando com todas as forças não visualizar nenhuma cena comprometedora protagonizada pelos melhores amigos.
Sirius novamente deu um beijo muito agarrado em Ellie, e James revirou os olhos. Onde diabos estava Lily? Ela já deveria ter saído da monitoria há quase meia hora.
Mas, aparentemente, as preces de James foram ouvidas. Lily vinha caminhando apressada , vinda do prédio da monitoria. James levantou imediatamente, satisfeito em deixar o casal sozinho. Os dois se encontraram na metade do caminho.
Lily deu um abraço rápido em James, e eles seguiram até Sirius e Ellie. O casal ainda estava completamente agarrado, então eles nem notaram a presença dos dois ali. Só largaram o beijo quando ouviram Lily e James conversando.
- Você demorou hoje. – James falou. – Teve algum aluno até mais tarde?
- Não. Tive que reajustar meu horário, alguns alunos querem aulas agora, já em cima das provas... Ou seja, adeus semana tranqüila. Não vou ter tempo nem de respirar!
James deu um sorriso desanimado para a namorada. Ele queria aproveitar algum tempo com Lily durante a semana, mas estava óbvio que não conseguiria. Resignado, ele falou.
- Então, vamos para casa? – e, olhando para Sirius e Ellie, e falou. – Vocês vêm, ou vamos ter que jogar água fria para separá-los?
Ellie levantou do colo de Sirius, ajeitou a saia do uniforme, e falou, olhando para James.
- Muito engraçado...
James abraçou Lily, e os dois seguiram para o portão da escola, rindo.
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Os dias da semana foram passando, e as tarefas de Lily só fizeram aumentar. Ela quase não tinha tempo para nada, dividida entre as aulas de monitoria, as funções novas como presidente da turma e suas próprias revisões para as provas. Ellie ficou com tanta pena de Lily, ao vê-la cansada, que desmarcou os treinos da torcida naquela semana. E todas as garotas, atarefadas com os próprios estudos, concordaram imediatamente. Alice, que sempre tinha medo de tirar notas baixas, até comemorou.
Na quinta feira, Lily estava quase exausta. Ela tinha decidido dormir duas horas a menos por dia, para ter tempo suficiente de revisar todas as matérias até o sábado. Ela tinha prometido a si mesma que tiraria o sábado para descansar, e que não deixaria nenhuma matéria para estudar na semana das provas. Assim, ela poderia usar as tardes da semana seguinte para apenas fazer uma revisão leve, de acordo com as provas do dia seguinte.
Ela finalmente terminou as aulas de monitoria daquele dia, e encontrou os amigos sentados na mureta perto do portão. Ela viu que Remus estava junto de James, Ellie e Sirius, além de Frank e Alice. Ellie contava algo para o rapaz, muito animada. Mas Lily viu, mesmo de longe, que Remus não demonstrava nem de longe o mesmo entusiasmo.
Ela chegou perto dos amigos, e os cumprimentou.
- Oi, gente. Estavam me esperando há muito tempo?
James levantou da mureta, sorriu para a namorada, e falou.
- Não. – ele disse, depois deu um beijo rápido em seus lábios. – Vamos para casa?
Lily concordou com a cabeça. Mas logo uma voz a chamou, vinda de trás.
- Lily!
Ela se virou, e viu Kyle se aproximando. O rapaz tinha uma folha de papel nas mãos.
Assim que ele chegou perto dela, ele falou.
- Lily, ainda bem que você ainda não foi embora. Um dos seus alunos de amanhã desistiu da aula.
Lily não pode evitar sentir um enorme alívio. Uma aula a menos!
Kyle estendeu para ela a folha, que trazia o horário novo. Ela olhou, e franziu a testa.
- Esse horário está errado. A Sarah, da corvinal, ocupa o segundo horário, e não o primeiro.
Kyle deu um pequeno sorriso, e respondeu.
- Ah, está tudo certo. Eu procurei todos os seus alunos de amanhã, e remanejei os horários. Assim você pode sair mais cedo.
Lily ergueu as sobrancelhas, e deu um sorriso. Ele tinha se dado a todo esse trabalho mesmo?
- Poxa, Kyle... obrigada.
O rapaz sorriu, e respondeu.
- De nada, disponha.
Ela olhou para o horário, ainda incrédula. Kyle se afastou um pouco, e se despediu.
- Bem, eu já vou indo. Tchau para vocês, até amanhã.
Os amigos, que observaram a conversa em silêncio, acenaram e se despediram do rapaz. Frank, que era da mesma sala que Kyle, trocou algumas palavras com o colega, e logo o loiro se afastou, sumindo pelo portão da escola.
Lily ainda olhava para o horário, incrédula.
- Nossa, ainda não acredito que ele teve todo esse trabalho...
James observou a namorada em silêncio. Frank foi o primeiro a falar.
- Ah, ele é legal. Não somos tão amigos assim, ele é mais quieto e estudioso. Mas é muito gente boa.
- Além de ser um gato... – Alice completou.
Frank olhou para Alice, indignado.
- Alice!
A morena sacudiu os ombros, e respondeu.
- Ah, o que tem eu falar isso, é verdade mesmo! Além do mais, você faz a mesma coisa. Não pense que eu esqueci aquele comentário que você fez sobre aquela torcedora da corvinal!
Frank não respondeu nada. Lily pensou que, provavelmente, o comentário que o rapaz fez sobre a torcedora da corvinal tivesse sido um pouco mais exagerado do que o comentário de Alice...
Ellie e Sirius riram do casal de amigos, e Ellie falou.
- O Kyle é legal mesmo. Mas, como o Frank disse, ele não é muito de sair mesmo. Mas é excelente aluno. E as garotas da escola vivem atrás dele. Mesmo sendo quieto, ele é bem popular.
Sirius completou, rindo.
- É verdade. Nunca vou esquecer o fora que ele deu na Bellatrix, dois anos atrás. Só com isso eu já o consideraria legal.
Lily virou para James, e falou.
- E você, James?
James olhou para Lily, e franziu a testa.
- Eu o que?
- O que você acha do Kyle?
James demorou alguns segundos para responder.
- Eu... eu não conheço ele direito. – foi a resposta do rapaz. – E então, nós vamos embora, ou não? – ele perguntou, mudando de assunto.
Lily acenou com a cabeça, e eles foram caminhando para o portão, em direção de casa.
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Lily tinha combinado revisar química e história junto com Ellie, naquele dia. Então as duas estavam, no fim da tarde, sentadas na biblioteca da casa de Ellie, com mil livros e cadernos espalhados na grande mesa de madeira que ficava no meio do cômodo.
Ellie já estava completamente entediada. Ela não agüentava mais estudar, ela e Lily tinham passado algumas horas apenas falando sobre balanceamento de equações e a queda do Império Romano. Ela precisava de uma pausa urgentemente.
- Lily, eu juro que se ver mais um elemento químico eu vou ter um treco! – ela protestou.
Lily também estava cansada. Ela fechou o caderno, bebeu o resto de um copo d'água que estava ao seu lado, e se esticou toda.
- É, eu acho que podemos fazer uma pausa.
- Graças a Deus! – falou Ellie, levantando da cadeira imediatamente.
As duas deixaram a biblioteca, e foram para o quarto de Ellie. Não demorou nem cinco minutos, Mary apareceu lá, com uma bandeja com suco e sanduíches. Ambas tiveram certeza que a governanta estava apenas esperando que elas fizessem uma pausa, para poder trazer o lanche. Elas comeram, e Ellie se largou em cima de sua cama.
- Estou exausta.
Lily acompanhou a amiga, e também deitou na cama. Elas ficaram em silêncio, por algum tempo, até que Ellie falou, olhando para o teto.
- O que será que os dois estão aprontando?
Lily sabia que Ellie estava falando sobre James e Sirius. Os dois estavam na casa de James, e ela tinha certeza absoluta que eles não estavam estudando lá.
- Quem sabe eles estão planejando alguma nova idéia de brincadeira com o Snape...
Ellie levantou, sorrindo. Ela alcançou o telefone, e discou.
- Só existe uma forma de descobrir!
--
Ellie ficou bem pouco tempo no telefone. Ela desligou o aparelho com um sorriso no rosto.
- O James falou que tem uma surpresa para nós!
- O que? – perguntou Lily, curiosa.
- Não tenho idéia, mas, pelo tom de voz que ele usou, parece muito bom.
Os rapazes não demoraram nada a chegar à casa de Ellie. Logo elas ouviram a campainha, e passos apressados subindo as escadas.
Mas, quando eles entraram no quarto de Ellie, Lily pode ver que eles estavam realmente muito animados.
Rapidamente, os dois se juntaram às garotas, e sentaram na cama. James sorria de orelha a orelha. Mas Sirius foi o primeiro a falar.
- E aí, estudaram muito?
Ellie revirou os olhos.
- Não quero ver um caderno tão cedo...
James, que continuava sorrindo, falou.
- Então acho que tenho algo que vai te animar.
Lily e Ellie se entreolharam. James continuava fazendo suspense. Ele olhou para Sirius, e este falou.
- Ellie, o que nós vamos fazer no sábado?
A garota nem pestanejou. A resposta estava na ponta da língua.
- Vamos ao show, lógico!
Ellie tinha ingressos para um show do Oasis. Era uma das bandas favoritas da garota, e ela tinha comprados os ingressos há um bom tempo. Ela estava tão animada com o show que tinha falado sobre o assunto a semana inteira.
- E onde estão os ingressos? – perguntou James.
A garota esticou a mão, e apanhou 4 ingressos na gaveta da mesinha ao lado da cama. Exibiu os ingressos para o amigo.
- Aqui.
James riu, e falou.
- Pois eu acho que não vamos usar esses ingressos.
Lily franziu a testa, e Ellie reagiu imediatamente.
- Não, nem vem, James! Eu não vou desistir de ir ao show de forma alguma. Não importa qual é o outro programa que você arranjou.
James sorriu de lado, e Sirius completou.
- Tem certeza?
A garota foi categórica.
- Lógico!
Os dois amigos se entreolharam, e riram. James falou.
- Então você não vai querer um desses, né?
Ellie e Lily observaram James tirar do bolso da jaqueta um bolinho de crachás. Lily olhou mais atentamente, quando James os exibiu para as garotas.
- AHHHHH!!
Ellie tinha dado um grito. Lily então percebeu o que era.
Eram crachás para entrada na área VIP do show. O mesmo show do Oasis que Ellie estava doida para ir. Fora que ele dava acesso ao backstage também.
Lily só viu a nuvem de cabelos castanhos voando na direção de James. Ellie deu um abraço no amigo, e ficou falando.
- Eu não acredito, James! Não acredito!
James e Sirius riam. Lily sorriu, e falou.
- Como vocês conseguiram?
James, ainda com Ellie meio pendurada no pescoço dele, falou.
- Eu já trabalhei como roadie de uma banda, durante as férias de verão. Eles vão tocar no sábado, vão abrir o show para o Oasis. Então eu liguei para o pessoal, e pedi os VIPs. Eles arranjaram na hora.
Ellie afrouxou o aperto no pescoço de James, e falou.
- E você nem me falou! Poxa, eu perturbei minha mãe por semanas, e ela não conseguiu nada!
- O James queria fazer uma surpresa. – Sirius falou.
Ellie se recostou ao lado de Sirius, mas olhou para James, e falou.
- Eu já te falei que você é o melhor amigo do mundo?
James deu uma gargalhada, e respondeu.
- Agora você puxa meu saco, não é?
Lily riu, e perguntou.
- E quantos ingressos você conseguiu?
James mostrou os crachás, e Ellie os observou como se fossem jóias preciosas.
- Oito. Estava pensando em nós quatro, o Remus, Frank e Alice e... e o outro eu não sei. Quando eu pedi, pensei na Melissa, mas não sei como ela e o Remus estão...
Lily concordou com a cabeça. Mas logo acrescentou.
- Fala com ele amanhã, na escola. Pergunta a opinião dele.
James concordou, e logo arranjou um lugar para sentar perto de Lily.
Ellie, ainda sorrindo como criança na noite de natal, repetiu.
- James, eu já falei que você é o melhor amigo do mundo?
James, Lily e Sirius riram, e James respondeu.
- Já, mas pode repetir que eu não me incomodo!
--
Por volta das oito da noite, Lily foi embora da casa de Ellie. Ela não podia chegar tarde em casa, já que no dia seguinte teria aula. Fora que, mesmo que ela não confessasse, ela queria estudar mais um pouco. James prontamente se ofereceu para acompanhar a namorada. Ele queria aproveitar um pouco de tempo ao lado da garota, já que eles quase não tinham ficado juntos durante aquela semana.
Então, no quarto de Ellie, sobraram apenas a garota e Sirius. O rapaz não fez menção nenhuma de ir embora quando James e Lily saíram. Logicamente ele queria aproveitar a presença da namorada sem ninguém por perto.
Os dois estavam deitados na cama dela. Dividiam o tempo entre assistir um programa que passava na TV e se beijar. Como Lisa já tinha chegado em casa do trabalho, eles mantiveram porta do quarto aberta, e Sirius não fazia nenhuma tentativa de tirar a blusa da namorada.
Após algum tempo intercalando os beijos e a TV, o telefone do quarto de Ellie tocou. A garota se afastou um pouco do namorado, e estendeu a mão para alcançar o objeto.
- Alô. – ela falou.
Sirius resolveu brincar um pouco com ela, e começou a beijar o pescoço da garota. Ellie riu um pouco, e tentou afastar o namorado. Ela repetiu mesma palavra, a ligação não estava muito boa.
- Alô?
Sirius riu, e continuou a beijar o pescoço dela. Mas a garota falou algo que o fez parar no mesmo instante. A pessoa do outro lado da linha falou, e ela respondeu.
- Paolo?
Sirius congelou no mesmo instante. Ellie levantou da cama, e ficou em pé. Com um enorme sorriso no rosto.
- Paolo! Ciao, mio amico!
Sirius ficou imediatamente sério. Ele sabia muito bem com quem Ellie estava conversando. Paolo, o italiano que ela conhecera numa viagem para a Itália. No verão que eles dois brigaram, e que Ellie nem queria olhar para a cara dele.
Ellie continuava conversando animadamente com o rapaz. Ela falava num italiano rápido, que Sirius não entendia. Ele não sabia absolutamente nada de italiano, então Ellie poderia estar falando qualquer coisa que quisesse com o maldito cara que ele não entenderia.
Ele ficou observando a garota andando de um lado para o outro do quarto. E ela sorria o tempo todo. Algumas vezes ela ouvia o rapaz do outro lado da linha, e depois dava uma enorme gargalhada. Isso só fazia Sirius ficar com mais raiva ainda.
Ele lembrava de como Ellie voltou da Itália falando o tempo todo nesse tal de Paolo. Ficava repetindo como ele era maravilhoso. Como ele era divertido e inteligente. E como todos os momentos que ela passou ao lado dele foram ótimos. Sirius simplesmente odiava aquele maldito italiano.
Nova gargalhada de Ellie. Sirius respirou fundo.
Ela ficou no telefone com o italiano por pelo menos meia hora. Sirius estava a ponto de quebrar alguma coisa. Lembrou de Ellie contando para James, mas alto o suficiente para ele ouvir, como Paolo beijava bem.
Depois de uma eternidade, ou assim pareceu para Sirius, a garota desligou o telefone. E voltou a sentar na cama, sorridente. Só que Sirius estava com uma carranca de dar medo. Ela olhou para ele, e falou.
- O que foi?
Sirius fechou a cara ainda mais. E não respondeu.
- Sirius, o que foi? – ela falou, preocupada.
Ele fez um som contrariado, e respondeu.
- Nada.
Ellie riu, e falou.
- Se não fosse nada, você não estaria com essa cara. Não foi o telefonema, foi?
Sirius olhou para ela fixamente, e falou.
- O que esse idiota queria?
Ellie franziu a testa.
- O Paolo?
Sirius revirou os olhos quando Ellie disse o nome do italiano.
- Lógico! Então, o que ele queria?
Ellie olhou para o namorado de forma mais firme.
- Ele queria conversar, ora!
Sirius fez uma cara de deboche, e falou.
- E ele não tem ninguém naquele maldito país para conversar, não? Precisa ligar para uma garota na Inglaterra?
Ellie definitivamente fechou a cara.
- É lógico que ele tem. Ele ligou para conversar comigo porque é meu amigo!
Sirius deu uma gargalhada debochada.
- Ah, claro! Ele é seu amigo! Conheço o tipo de amizade que ele quer com você!
- Qual é o seu problema, heim? – Ellie já estava ficando nervosa. – O que tem de tão horrível em um cara a quilômetros de distância me ligar para conversar?
Sirius ficou mudo por alguns segundos, e voltou com uma nova pergunta. A pergunta que queimava dentro dele desde que ela voltou das férias na Itália. A pergunta que ele sempre quisera fazer, mas nunca tivera coragem.
- E como foi essa amizade de vocês lá na Itália, heim?
Ellie franziu a testa, mas não recuou.
- Como assim?
Sirius precisava da resposta. Então ele insistiu.
- Ah, Ellie, você sempre dizia aos quatro ventos como ele era maravilhoso. Então? Como foi esse... namorico de vocês?
Ellie entendeu o que ele queria saber. E pode ver a expectativa nos olhos dele, esperando a resposta. Mas ela ficou tão indignada com o tom que ele estava usando para tratar o assunto que ela respondeu, morrendo de raiva.
- Isso não é da sua conta!
Pronto. Ali estava. Sirius achou que a recusa em responder a pergunta só podia significar uma coisa: o namoro dela com o italiano tinha sido muito mais sério do que ela disse, quando voltou de viagem.
E ele ficou muito decepcionado com isso. Ele realmente achava que ela nunca tinha ido para a cama com ninguém.
Sirius levantou imediatamente da cama de Ellie, e começou a calçar o tênis. Ela levantou também, e falou.
- Aonde você vai?
Sirius terminou de se calçar, e falou, recolhendo suas coisas.
- Vou embora. Assim você pode falar com seu maldito italiano o quanto quiser!
Ele saiu porta afora, sem olhar para trás. Ele ainda ouviu Ellie chamar, inutilmente.
- Sirius!
Mas ele não voltou.
--
Sexta-feira. Último dia de aula da semana. E nenhum dos alunos agüentava mais revisões para as provas.
Remus tinha passado uma semana horrível. Fora a enorme quantidade de matéria para estudar, as aulas de monitoria, as revisões e as pequenas tarefas como vice-presidente da classe, Remus ainda estava chateado com os acontecimentos do fim de semana anterior. Ele não entendia Melissa.
A garota passou a semana inteira fugindo dele. Dele e de todos os outros alunos da escola. Ellie e Lily tentaram uma aproximação, mas ela não deu bola para as duas.
Fora que James tinha chegado na escola, e chamado Remus para conversar. Ele falou sobre as credenciais para o show, e disse que tinha um convite para Melissa. E também falou que era escolha dele chamar a garota ou não. Então, James entregou dois crachás para Remus, e disse que ele poderia chamar quem quisesse.
Depois das aulas normais, Remus se encaminhou para o centro de monitoria. Caminhando pelos corredores, ele cruzou com Lily, que vinha conversando com Kyle animadamente. Ela sorriu para o amigo, e entrou em sua sala. Remus prosseguiu até a sala dele, entrou, e arrumou seus materiais. Preparando-se para a maratona de aulas que teria pela frente.
Um a um, os alunos de Remus foram chegando. Ele repetiu diversas vezes as matérias, corrigiu exercícios. Já estava cansado quando o penúltimo aluno terminou os exercícios, e foi embora.
Ele levantou da cadeira por algum tempo. Esticou as costas, e caminhou um pouco pela sala de aula.
Voltou para a mesa, e foi observar o horário, para ver quem seria seu último aluno do dia. Pegou a folha de papel, e o nome que estava escrito fez um arrepio percorrer sua coluna.
Melissa Kensington.
Ele tinha esquecido completamente que ela teria sua aula semanal de biologia com ele, na sexta-feira.
Um nervosismo inexplicável tomou conta dele. Mesmo tendo quase certeza que a garota faltaria a monitoria, ele não conseguiu evitar. A sensação era estranha. Ele sentiu as palmas das mãos suarem.
Olhou para o relógio diversas vezes. Quando ele viu que ela estava atrasada 10 minutos, chegou a conclusão que Melissa não iria aparecer mesmo.
Ele começou a guardar seu material. Juntou os livros, cadernos e apostilas. Já tinha guardado quase tudo na mochila quando ouviu uma batida na porta. Novamente sentiu um arrepio.
A pessoa do outro lado da porta não esperou que ele a convidasse para entrar. Foi logo entrando.
Remus estava com a mochila na mão, e olhava com os olhos arregalados para a pessoa que entrou.
- Estava planejando fugir? – ela falou.
Remus não respondeu, apenas falou.
- Melissa...
A garota sorriu de lado, e disse.
- Eu sei que essas aulas extras são um saco, mas não imaginava que você também as detestava...
Ele recolocou a mochila na mesa, e falou, desta vez mais seguro.
- Eu não acho um saco. Gosto de ajudar os alunos que precisam.
Ela manteve o sorriso irônico.
- Isso porque você é um bom samaritano, mesmo.
Remus não conteve o sorriso. Melissa ficou um pouco embaraçada com a situação, então jogou a mochila na mesa, e sentou numa cadeira.
- Pronto, pode começar. – ela falou, com simplicidade.
Remus novamente sorriu para ela. Mas ela desviou o olhar. Ele sentou em sua cadeira, e começou a aula.
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A aula de monitoria de biologia foi uma tortura tanto para Remus quanto para Melissa. Mas, obviamente, por motivos muito diferentes para os dois jovens.
Remus não conseguiu evitar os olhares constantes em direção ao belo rosto de Melissa. Ele verificava constantemente as expressões da garota, tentando a todo custo entender o que se passava com ela. Queria entender o significado dos acontecimentos da festa de aniversário da garota. Queria entender quem era o loiro misterioso que invadiu a festa. E, principalmente, queria entender porque ele mexia tanto com ela.
Melissa, por sua vez, se esforçava ao máximo para manter a cabeça fria. Queria, mais do que tudo, não sentir tudo aquilo. Aquilo que sentia todas as vezes que Remus estava por perto. Aquela sensação de tensão constante. Aquele maldito frio no estômago. Aquela sensação de antecipação. A vontade de se perder naqueles olhos castanhos.
Então ela evitava, a todo custo, olhar diretamente para o rapaz. E abusava de suas armas conhecidas, a ironia e o descaso. Mas, por algum motivo que ela nunca conseguiu compreender, aquilo parecia não funcionar com ele. Ele parecia ser a única pessoa que ela conhecia que era imune aos seus ataques.
No fim da aula, logo após guardar todo o material na mochila, Remus olhou para a garota. Mesmo depois de mil respostas irônicas e atravessadas que ela lhe deu, ele falou com delicadeza.
- Melissa... eu queria falar com você.
Melissa sentiu uma corrente fria percorrer seu corpo, da cabeça aos pés. Ela sabia muito bem que poderia simplesmente ignorar o pedido do rapaz, e ir embora. Mas, por mais que soubesse disso, ela simplesmente não conseguiu. Algo mais forte que ela a impediu.
Então, a jovem simplesmente ficou parada, em pé, esperando a frase escapar dos lábios do rapaz À sua frente. Olhos vidrados uns nos outros.
Remus se sentiu encorajado pela falta de resposta dela. Geralmente isso queria dizer "sim" no vocabulário não verbal de Melissa.
Ele deu um passo na direção dela, e jurou ver os ombros dela encolherem um pouco.
- É que... o James...
James? Era sobre James que ele queria falar? Melissa franziu a testa, e Remus abriu um pequeno sorriso ao notar aquilo.
- Bem, o James arranjou, sabe-se lá de que forma, entradas VIPs para o show do Oasis, sábado, em Wembley. E ele me deu duas entradas, dizendo que eu podia chamar quem eu quisesse.
Melissa ficou estática. Ele estava convidando-a para um encontro?
- Oasis, no estádio de Wembley? – ela falou, repetindo. Não conseguia pensar em mais nada para falar.
- É. E eu queria saber se você gostaria de ir...
Novo silêncio da parte da garota. Ela estava completamente dividida. Queria muito aceitar o convite, mas não podia. Não podia ficar estimulando aquele relacionamento estranho entre os dois. E isso era para o bem de Remus.
- Eu...
Remus jogou a mochila de lado, e a abriu. Retirou de lá a credencial VIP para o show, e a estendeu para Melissa.
- Olha, você não precisa decidir agora. Eu vou deixar isso com você, e, se você quiser, é só me ligar, ou aparecer lá na hora. Não deve ser muito difícil nos encontrar na área VIP, vamos num grupo grande.
- Quem vai? – ela perguntou, aliviada por poder perguntar algo não relacionado ao convite dele.
- James, Lily, Ellie, Sirius, Frank, Alice e eu. E você, se decidir aceitar.
A garota apenas acenou com a cabeça, e viu o convite sendo colocado em suas mãos por Remus. Como ela não falou nada, nem teve reação alguma, Remus foi caminhando lentamente até a porta. Girou a maçaneta, abriu a porta. Mas, antes que ele fosse embora, ele ouviu Melissa falando, dentro da sala.
- Mas e se eu não for? Você deveria ficar com o convite, caso queira chamar outra pessoa para ir.
Remus não virou para ela para responder. Permaneceu de costas, mas a resposta dele fez Melissa sentir um arrepio involuntário.
- Não existe mais ninguém que eu gostaria de convidar.
--
Melissa ficou parada por alguns minutos, dentro da sala de aula vazia. Remus saiu sem olhar para trás, depois de dizer a frase. E ela ficou ecoando na cabeça da garota por mais tempo que ela gostaria.
Não existe mais ninguém que eu gostaria de convidar.
Porque aquele cara mexia tanto com ela? Ela não conseguia explicar, muito menos prever as reações dele. Era completamente ilógico. Quanto mais ela tentava afasta-lo, mais ele se aproximava. Mesmo ele tendo ficado longe a semana quase inteira, ainda era capaz de desarmá-la completamente com um ato e uma frase.
Ela tentava, mais do que tudo, deixa-lo fora de sua vida complicada. Mas parecia que isso não o assustava. Ele não recuava. Mas ela tinha certeza que ele recuaria se ele soubesse tudo que tinha acontecido.
Com suas lembranças de um passado amargo, mas não distante o suficiente, ela pegou suas coisas, guardou o ingresso na mochila, e saiu da sala.
Caminhou pelos corredores do centro de monitoria. Alunos andavam de um lado para o outro, saindo de suas aulas extras. Ela viu Lily de longe, caminhando com muitos livros nos braços. A ruiva nem notou sua presença no corredor. Ela então caminhou até a porta, e saiu para o pátio.
O pátio estava mais cheio que o habitual. Alunos transitavam de um lado para o outro. A maioria deles preocupada com as provas da semana seguinte.
Mas Melissa não deu atenção a nenhum deles. Ela estava mais preocupada em ir embora o quanto antes. Ela não queria correr o risco de dar de cara com Remus na saída da escola.
Caminhou de forma apressada até o portão. Mas, ao passar pelo mesmo, viu o quanto pode ser inútil tentar fugir do destino.
Remus Lupin estava encostado no muro externo de Hogwarts. A cabeça ligeiramente baixa, e fones de ouvido na orelha.
Mas, como um imã, seu olhar foi atraído na direção de Melissa. Ele imediatamente puxou os fones, e guardou o Ipod de volta na mochila.
- Ei. – ele falou, dando um pequeno sorriso após o cumprimento.
Melissa não conseguia pensar direito, então só devolveu o cumprimento.
- Ei.
Os dois se olharam por alguns segundos, e Remus pareceu sentir uma vontade quase incontrolável de justificar sua presença ali.
- Estou esperando meu pai. Ele disse que estava por perto, e vai me dar uma carona para casa.
- Ah... Tá.
Novo silêncio. O rapaz parecia se conter para não falar nada, e Melissa queria desesperadamente encontrar algo para dizer.
Mas nenhum dos dois falou nada. Porque foram interrompidos por uma terceira pessoa.
- Ora, ora, ora! Mas não é tão romântica essa cena?
Melissa sentiu um arrepio de asco percorrer seu corpo. Conhecia aquela voz. Aquela voz fria e irônica. Aquela voz que ela odiava.
Remus e Melissa olharam para a direção da voz. Caminhando com toda a calma do mundo, vinha uma figura.
Loiro de cabelos curtos. Bronzeado. Forte. Olhar frio e vazio.
Melissa queria apenas desaparecer do planeta naquele instante.
O loiro se aproximou do casal, e deu um sorriso carregado de ironia.
- O que foi, não cumprimenta mais um velho amigo?
Melissa reagiu imediatamente.
- Some daqui.
O rapaz não se intimidou.
- É assim que você me trata, Mel? Depois de tudo que nós passamos? Achei que éramos amigos...
Remus pode perceber imediatamente que o loiro estava sendo irônico, e que Melissa nem de longe o considerava amigo.
- Acho melhor você ir embora. – Remus falou, de forma educada, mas firme.
O loiro então se voltou para ele. E falou.
- Ah, mas eu ainda nem tive o prazer de conhecer o novo namoradinho! Não vai nos apresentar, Mel?
Remus viu os lábios de Melissa tremerem ligeiramente. Mas ela só conseguiu cuspir um insulto na direção do rapaz.
- Vai pro inferno!
O loiro riu, e voltou a olhar para Remus. Ele esticou a mão, se apresentando.
- Meu nome é Daniel. Mas a Mel sempre me chamou de Dan, não é, Mel?
A frase dele era carregada de ironia. Melissa olhou para a mão estendida do rapaz, e reagiu imediatamente. Ela se colocou entre Remus e Daniel, como se o intruso fosse macular de alguma forma Remus se o tocasse.
- Vai embora, seu imbecil! – ela gritou.
Mas o rapaz não gostou muito da reação da garota. Ele imediatamente agarrou o braço de Melissa, e falou, agora com a voz dura e séria, e não mais irônica.
- Olha aqui, garota, você já testou demais minha paciência. Você está em débito comigo, pela confusão que armou. Eu vim cobrar pela sua burrada.
Antes que Remus pudesse reagir, Melissa deu um empurrão violento no rapaz. Ela estava completamente enfurecida. Seu rosto estava vermelho de raiva, e ela estava a ponto de partir para cima de Daniel.
- JÁ DISSE PARA DESAPARECER!!
Aquele grito chamou a atenção de alunos que deixavam a escola. Alguns cochicharam entre si, muito baixo. E também chamou a atenção do segurança que guardava o portão.
O homem veio na direção dos três, com o olhar muito sério. Aproximou-se de Remus, aluno que ele conhecia há muito tempo, e perguntou.
- Está tudo bem por aqui?
Remus imediatamente olhou para Melissa. A garota não olhou para o segurança, estava tentando se acalmar. Então Remus respondeu.
- Está sim. Nosso... amigo... já estava de saída.
Ele olhou para o rapaz loiro de forma muito séria, e ele retrucou.
- É... eu já estava indo mesmo.
O segurança olhou com firmeza para o rapaz.
- Então acho melhor ir de uma vez.
Daniel fez uma cara de desagrado, mas a mascarou com um sorriso muito falso.
- Até a próxima, Mel...
Melissa não reagiu à frase. Ficou olhando para o chão. Remus apenas acompanhou o loiro indo embora. Mas, quando estava bem longe, Daniel virou novamente em direção ao portão da escola, viu que Remus olhava para ele, e, com uma carranca sarcástica, simplesmente apontou o dedo indicador para ele.
Depois disso, ele sumiu de vista.
Remus voltou sua atenção para Melissa. A garota olhava para o chão, e parecia desconcertada. Ele delicadamente tocou o braço dela, e falou.
- Melissa, você está bem?
Ela ergueu a cabeça imediatamente, após sentir o toque. O olhar dos dois se encontrou. Ele pode ver todo o desespero nos olhos dela.
Ele sentiu vontade de abraçá-la, e conforta-la. Mas ela logo desviou os olhos, e começou a se afastar, falando palavras quase desconexas.
- Eu... eu tenho... eu vou... tchau.
- Melissa! – ele falou, tentando fazer um apelo certamente inútil.
Mas ele a viu se afastar, e se perder na multidão de alunos que agora deixava a escola.
O rapaz ficou parado, encostado no muro, como estava antes de encontrar a garota. Uma palavra escapou de seus lábios, um sussurro quase inaudível.
- Melissa...
--
O sábado finalmente chegou. Lily demorou um pouco a acordar. Ela tinha ficado até tarde no telefone com Ellie. A amiga ligou para ela, e contou a discussão que teve com Sirius na noite anterior. Apesar de não ser novidade para ninguém Sirius e Ellie discutirem, Lily ficou com pena da amiga. Ela e Sirius estavam se dando tão bem, desde a festa de Melissa que ela realmente achou que eles deixariam de lado as brigas.
Lily agora estava tentando recuperar um pouco do tempo perdido. Ela queria estudar tudo que pudesse até a hora marcada com os amigos para irem ao show. Ela tinha sido um pouco relapsa no dia anterior, e queria colocar tudo em dia no sábado.
Lily estava deitada em sua cama, lendo a apostila de geografia. Mas, pela terceira vez, ela teve que ler o mesmo parágrafo. Isso porque Ellie não conseguia se concentrar no estudo, e o tempo todo interrompia a leitura da amiga.
- Droga. Alguma vez eu dei motivo dele desconfiar de mim, ou algo parecido?
Lily revirou os olhos. Ellie estava reclamando de Sirius a cada cinco minutos. Ela estava sentada na cadeira da escrivaninha de Lily, mas não conseguia se concentrar no livro que tinha nas mãos.
- Não, Ellie. Você nunca deu motivos para isso. Mas isso não é garantia que ele não esteja inseguro.
- Inseguro? – Ellie franziu a testa.
Lily baixou a apostila. Era inútil tentar lutar contra o inevitável. Ellie iria ficar interrompendo o estudo das duas o tempo todo. Ou melhor, o estudo de Lily, já que estava mais que óbvio que a garota não estava nem um pouco interessada no livro que deveria ler.
- É. Ele está com ciúmes.
Ellie bufou, e respondeu.
- Mas ele não tem motivo nenhum para isso!
Lily olhou para a amiga, e falou.
- Mas isso não o impede de sentir ciúmes, né?
Ellie levantou da cadeira, e se largou na cama de Lily, ao lado da amiga.
- Isso é mesmo uma droga. – ela falou. E, voltando o rosto para Lily, ela falou. – Você é que tem sorte. Você e o James têm o namoro perfeito.
Lily sorriu meio envergonhada. Ela tinha que concordar parcialmente com Ellie. O namoro dela com James ia muito bem. Principalmente depois de uma certa conversa que eles tiveram no domingo anterior.
- Eu tenho que admitir, as coisas estão indo bem entre nós.
Ellie riu.
- Bem? Acho que estão um pouco melhores que isso! Ou pelo menos é isso que eu tenho impressão, depois do que o James falou...
Lily olhou imediatamente para Ellie. Ela franziu a testa, e perguntou.
- Como assim? O que ele falou?
Ellie ficou um pouco sem jeito. Ela falou aquilo sem pensar. Era estranho para ela ficar entre os dois namorados. Lily era uma grande amiga, a melhor amiga mulher que ela já tivera na vida. Mas James era seu melhor amigo, o mais antigo...
- Ah... é...
- Ellie, você não pode falar algo assim e esperar que eu não morra de curiosidade!
Ellie inspirou fundo, e resolveu falar. Não era nada de mais, mas ela tinha a impressão que aquilo a fazia meio que um pombo-correio entre o casal.
- Ah, Lily, não é nada sério. Ele só falou que está muito feliz com você, e contou... ah, você sabe, sobre a frase.
Lily continuou observando Ellie atentamente. A garota riu, e completou.
- Ah, Lily, a frase ultra-mega-totalmente romântica que ele falou. Sobre esperar que vocês estivessem amando um ao outro.
Lily sentiu um frio completamente repentino. Ellie percebeu a expressão da amiga, e continuou a rir.
- Vai dizer que não foi a coisa mais romântica que você já ouviu na vida?
Lily riu, completamente constrangida. Ela sacudiu a cabeça, concordando. Ellie aproveitou para perguntar.
- E então?
Lily franziu a testa, e perguntou.
- Então o que?
Ellie apoiou a cabeça na mão, deitando de lado.
- Quanto tempo isso vai demorar?
Lily não esperava aquela pergunta. Ela não tinha pensado sobre o assunto ainda. Na verdade, ela não estava certa sobre o que sentia por James. Será que era amor? Ela não saberia dizer, nunca tinha amado ninguém. O único sentimento de amor que ela conhecia era o amor por sua família, e por seus amigos. E aquilo era muito diferente de amor romântico.
- Ah... eu... não tenho idéia.
Mas Ellie riu da resposta dela, e falou.
- Lily, você não precisa se apressar. Tenho certeza que o James não espera que você declare seu amor infinito, e no instante seguinte pule na cama com ele!
Lily riu da brincadeira da amiga. E Ellie completou.
- É um grande passo. Tanto dizer "eu te amo", quanto ir para a cama com alguém. Você tem que ter certeza absoluta.
Lily sabia daquilo. Mas era exatamente a falta da certeza que a estava deixando insegura.
--
No fim da tarde, Ellie foi embora da casa de Lily. As duas tinham que se arrumar para o show daquela noite. Quando Ellie convidou Lily para dormir na casa dela, a ruiva riu, e respondeu.
- Mas de jeito nenhum! Você não me deixou estudar hoje, então tenho que compensar amanhã. Só vou ao show porque sei que você vai me matar se eu não for, e também quero passar um tempinho com o James...
Ellie caiu na gargalhada, e fez uma mímica de Lily e James se beijando. Lily levantou a sobrancelha, e se despediu da amiga.
- Vai logo, senão vamos nos atrasar para hoje à noite.
Ellie pegou um táxi, e foi para casa. Chegou rapidamente em casa, e subiu as escadas correndo, e cantarolando uma música do Oasis. Ela ouviu um barulho vindo do quarto da sua mãe, e estranhou. Lisa disse que trabalharia até o início da noite.
Ela foi até o quarto da mãe, e viu Lisa saindo de seu enorme closet carregando algumas peças de roupa.
- Planejando uma fuga no meio da tarde? – Ellie perguntou, se jogando na cama da mãe. Ela também viu outras peças de roupa formais que a mãe estendeu na cama.
- Oi querida. – disse Lisa, sorrindo. – Não exatamente uma fuga. Tenho que ir para Manchester hoje à noite.
- Hoje?! – Ellie franziu a testa. – Fazer o que?
Lisa sentou na cama, ao lado da filha. E começou a explicar.
- Tenho um compromisso oficial lá. O primeiro ministro me pediu para ir ao velório de um político famoso da região. Ele faleceu ontem à noite.
Ellie franziu a testa, e falou.
- Que chato.
Lisa sorriu de leve.
- Não se preocupe, ele já era bem velho. – ela respondeu. E, colocando a mão levemente no queixo, ela completou. – Na verdade ele era realmente muito velho. Sabe-se lá como ele viveu tanto tempo...
Ellie continuou olhando para a mãe, e falou.
- Você tem trabalhado demais. E ficado muito tempo fora.
Lisa sentiu-se culpada pela frase da filha. Mas a respondeu imediatamente.
- Eu sei, querida. Desculpe-me...
Ellie deu um pequeno sorriso, e falou.
- Eu estou começando a achar que você arranjou um namorado, e está com vergonha de me apresentar.
Lisa riu da filha, e respondeu.
- Não, não arranjei namorado nenhum. Mas, se um dia arranjar, pode ter certeza que você vai ser a primeira pessoa a ficar sabendo.
Ellie sorriu, satisfeita. E começou a ajudar a mãe a dobrar as roupas.
- Ellie, eu devo voltar amanhã na parte da tarde. Ou, no mais tardar, à noite. Mas te prometo que vamos passar algum tempo juntas quando eu chegar.
Ellie olhou para a mãe, e concordou.
- Ok, então.
- Ah, e eu quero que você se divirta muito nesse show hoje à noite. Mas não fique até muito tarde na rua, está bem?
Ellie concordou com a cabeça, e falou.
- Mãe, você vai mesmo levar essa blusa? – ela disse, pegando uma blusa de mangas compridas preta. – Eu sei que é um velório, mas você precisa mesmo se vestir de forma tão careta?
Lisa sorriu, e balançou a cabeça.
- Você não tem jeito mesmo, menina...
--
- Cara, eu não acredito! Qual é, Sirius...
James estava frustrado com o melhor amigo. Sirius tinha ligado para James, avisando que não ia mais ao show do Oasis.
- Deixa pra lá, James.
- Deixa pra lá? Pô, mais cedo o Remus ligou falando que acha que a Melissa não vai, mas que ele entregou o ingresso assim mesmo. Agora você diz que não vai mais!
Sirius respirou profundamente do outro lado da linha. Já era início de noite, e ele estava largado na cama do seu quarto.
- Se você quer o ingresso, eu passo aí e te entrego.
James perdeu a paciência.
- Eu não quero o ingresso de volta, eu quero que todos os meus amigos se reúnam e curtam o show junto comigo! Cara, a Ellie vai ficar extremamente desapontada se você não for.
Sirius ficou mudo do outro lado da linha. James bufou, e falou.
- E então, você vai me contar o que aconteceu?
Sirius não estava com vontade nenhuma de explicar para James qual era a origem de sua briga com Ellie, e, principalmente, não queria ter que contar para o amigo sobre o assunto específico que lhe tirou boas horas de sono naquela noite.
- Ah... deixa isso para lá. Deixa quieto.
- Meu Deus do céu, vocês dois parecem duas crianças birrentas!
Sirius suspirou, e falou.
- Não é birra, cara. Eu só não quero... ah, eu não quero falar sobre isso.
James passou a toalha pelos cabelos molhados, e prosseguiu.
- Então você vai ficar em casa, olhando para o teto e sentindo pena de si mesmo?
- Não. – respondeu Sirius, desanimado. – Vou com o Gideon e o Fabian num pub. Eles vão jogar sinuca com a turma deles, e me chamaram.
- Programão. – falou James, irônico.
- Ah, James, eu não estou a fim de encontrar a Ellie, ok? Depois você me conta como foi o show.
James bufou, e retrucou.
- Ok, então depois eu te conto como foi o show. O show que você deixou sua namorada ir sozinha na área VIP, que é sempre cheia de caras mais velhos e músicos de outras bandas. – ele falou, alfinetando o amigo.
Sirius imaginou imediatamente Ellie cercada de caras dando em cima dela. A visão não era nem um pouco agradável. Mas, mesmo assim ele falou.
- Ah... então tchau.
- Tchau.
James desligou o telefone. Estava mal humorado. Largou a toalha em cima da cama, e seguiu até seu closet. Ficou procurando uma roupa para vestir, mas não gostava de nada.
Será que todo mundo ia desistir de ir ao show?
Bem, ele sabia que Ellie não desistiria de ir ao show. Ela era completamente fã do Oasis, e iria ao show mesmo se tivesse que ir a pé até Wembley. E Lily, mesmo não sendo tão fanática, gostava bastante da banda. E certamente iria mesmo que fosse só para acompanhar os amigos. Remus já tinha ligado para confirmar. Agora só faltavam Alice e Frank, que não tinham dado sinal de vida ainda.
James escolheu uma calça jeans para vestir. Estava terminando de puxar a calça, e abotoar quando seu celular tocou. Ele olhou o visor, e sorriu.
Lily.
- Oi princesa. – ele atendeu, visivelmente mais animado.
- Oi. E aí, já está se arrumando?
James esqueceu quase completamente a pequena discussão com Sirius. Sentou na cama, e continuou a conversa com Lily.
- Estou. Falta escolher uma blusa e um casaco. E você?
- Eu já estou pronta. Se vocês quiserem, eu vou indo para a casa de vocês. A Ellie já me ligou, dizendo que não consegue escolher uma roupa...
James riu, e falou.
- Então pode vir sim. E ajuda a Ellie a se decidir. Daqui a pouco eu passo lá, e encontro com vocês.
Lily sorriu, e falou.
- Certo, então.
James então lembrou de Sirius. Não sabia se Ellie sabia que o namorado não ia mais ao show. E ele resolveu contar para Lily, e perguntar a opinião dela.
- Lily, o Sirius me ligou mais cedo... ele disse que não vai mais ao show.
- Não vai? – Lily se admirou. – Nossa, a Ellie vai ficar tão chateada...
James inspirou profundamente.
- É, eu também acho...
- Então é melhor eu ir lá de uma vez. Conversar um pouco com ela.
James sorriu, e falou.
- Está certo. Eu encontro vocês lá na casa dela, então.
- Um beijo. – Lily, se despediu.
- Eu vou cobrar, viu?
Sorrindo, James desligou o telefone.
--
Em poucos minutos Lily estava saltando em frente à casa de Ellie. Viu as luzes acesas, indicando que a amiga estava em casa. Lily percorreu rapidamente o jardim de entrada, e olhou para o céu. Durante a tarde, o tempo tinha virado, e nuvens carregadas cobriram o céu. Ainda não estava chovendo, mas parecia que a qualquer momento a chuva viria.
Lily tocou a campainha, e esperou um bom tempo. Ellie devia estar no segundo andar, e demorou um pouco a descer. Isso deu tempo para a garota se observar no vidro da janela ao lado da porta.
Lily passou os dedos levemente pelos cabelos ruivos escuros. Ela estava vestindo uma calça jeans escura, não muito justa, mas também não larga. Usava uma blusa azul marinho, com letras levemente brilhantes, escrito "London Rocks!". Um casaco três quartos preto completava a roupa. Lily tinha certeza que iria chover, então tratou de colocar um casaco grosso e resistente.
Ellie logo apareceu para atender a porta. E ela não estava nem perto de estar pronta. A garota ainda estava de roupão.
- Ellie! Você nem se vestiu ainda! – reclamou Lily, ao ver o estado da amiga.
Ellie trancou a porta assim que Lily entrou, e foi seguindo até seu quarto, acompanhada da amiga.
- Ah, Lily, eu não consigo escolher!
Ao entrar no quarto, Lily percebeu que era verdade. Várias roupas espalhadas comprovavam que a garota experimentara mil combinações.
Ellie começou a separar blusas, mas não escolhia nenhuma. Lily tentava ajudar a amiga, mas não estava obtendo muito sucesso. Então, absolutamente do nada, Ellie olhou para Lily, e falou.
- Você falou com o James mais cedo? Ele ligou pouco antes de você chegar.
- Falei. – confirmou Lily. – Ele disse que nos encontraria aqui.
Ellie sacudiu a cabeça, mas logo falou.
- E ele disse se o Sirius deu sinal de vida?
Lily ficou um pouco sem graça, mas tinha que falar.
- Ellie... o James falou... que o Sirius não vai ao show.
Ellie novamente balançou a cabeça, e falou, de forma simples, mas visivelmente ressentida.
- Eu imaginei que ele não fosse mesmo.
- Eu sinto muito, Ellie...
Ellie levantou da cama, e sacudiu os cabelos.
- Ah, quer saber? Ele que vai perder um show incrível! Azar o dele.
A garota abriu o roupão, e o jogou longe, um tanto raivosa. Mas Lily riu, e falou.
- Uau, Ellie. Acho que o show que o Sirius vai perder é outro... Mas que lingerie é essa?
Ellie olhou para si mesma. Ela estava usando um conjunto de calcinha e sutiã preto, todo rendado e cheio de detalhes. Lily continuou rindo, e Ellie lançou uma almofada em cima da amiga, que ainda brincou.
- Muito sexy!
Ellie riu da brincadeira de Lily, e falou.
- Pode até ser, mas hoje a única pessoa a me ver assim vai ser você, Lily. A não ser que eu beba todas e resolva tirar a blusa no show!
Lily riu, e completou.
- Pode deixar que eu ajudo a preservar sua privacidade hoje a noite. E nada de encher a cara, acho que bebemos a semana passada o suficiente para um mês!
--
Com a ajuda de Lily, Ellie decidiu sua roupa. Ela colocou uma blusa preta escrita "Oasis", Calça jeans azul justa, botas pretas de cano longo sem salto e um sobretudo cinza chumbo. Lily continuava receando a chuva, mas nenhuma gota tinha caído até então.
Logo James apareceu, e junto com ele veio Remus. O rapaz tinha marcado de encontrar James na casa dele, e os dois foram juntos atrás das garotas.
O quarteto se encontrou na porta da casa de Ellie, e logo o táxi que chamaram estava parando na porta.
- E o Frank e a Alice? – perguntou Lily.
- Eles vão nos encontrar lá. – respondeu James, dando a mão à Lily.
O casal seguiu em direção ao táxi, e Ellie e Remus se entreolharam.
- É. – disse a garota. – Acho que fomos abandonados hoje...
Remus deu um sorriso, tentando encorajar a amiga.
- Pelo menos fazemos companhia um ao outro.
Ele estendeu a mão para Ellie. Ela aceitou, e os dois se juntaram a James e Lily no carro.
--
Após algum tempo, o quarteto chegou às imediações do estádio. Logicamente, as ruas próximas estavam congestionadas, cheias de carros e fãs espalhados por todos os lados. Pessoas saíam das estações de metrô próximas, outras vinham de ônibus, e vários de carro ou táxi. Eles saltaram, pagaram o taxista e logo seguiram a multidão que caminhava até o estádio.
James, sem demora, localizou a entrada da área VIP. Lily percebeu que muitos dos fãs na fila normal do estádio olharam para o grupo de amigos com uma bela pontada de inveja.
A área VIP era bem em frente ao palco. Uma grade separava o público normal dos convidados VIPs. A área tinha banheiros exclusivos, vários seguranças, e localização realmente privilegiada. Eles ficavam colados ao palco.
Ao entrarem, os seguranças prenderam pulseiras vermelhas nos pulsos dos amigos. Aquilo ajudava a identificar, e dava trânsito livre para os VIPs em qualquer área do estádio.
O quarteto logo identificou Alice e Frank entre as pessoas da área VIP. Eles se reuniram, e logo começaram a conversar. Eles notaram a ausência de Melissa, e, principalmente de Sirius. Mas, ao verem as expressões um pouco desanimadas de Remus e Ellie, logo deixaram o assunto de lado.
Pouco a pouco, eles puderam ver o estádio ficando lotado. Mas permaneciam confortavelmente bem instalados na área VIP, que não estava muito cheia.
James logo começou a explicar para Lily sobre os últimos detalhes do show, a passagem de som, a arrumação dos instrumentos no palco, e mil outras curiosidades sobre concertos ao vivo. A garota ouvia atentamente, ela sabia que James conhecia tudo aquilo de perto. Além de ter trabalhado para uma banda num verão anterior, ele era completamente apaixonado por música.
Frank e Alice gastaram o tempo de espera pela banda se beijando num canto mais afastado. Eles avisaram que iam comprar algo para beber, e só voltaram quando ouviram os primeiros acordes da banda de abertura.
Remus e Ellie, ambos solitários naquela noite, passaram o tempo conversando. Fazia um bom tempo que eles não conversavam sozinhos, e acabaram lembrando como se divertiam juntos. Ellie ria, lembrando de quando os dois se conheceram, já em Hogwarts. E Remus, também rindo, contou para a garota como ele tinha uma enorme queda por ela desde os 12 anos de idade.
- Sabe, nós poderíamos ter dado muito certo como um casal. – disse Ellie.
- Também acho. – concordou Remus, sorrindo. – O único problema é que nós nos interessamos por pessoas complicadas demais.
- Eu achei mesmo que a Melissa vinha hoje. – disse Ellie. – É uma pena...
Remus inspirou profundamente, e falou, bem mais baixo, somente para a garota ouvir.
- Eu a beijei.
- Você o que?? – falou Ellie, com a voz bem mais alta.
Remus ficou levemente corado, mas prosseguiu, no mesmo tom baixo.
- Eu a beijei. No dia do aniversário dela.
Ellie estava boquiaberta.
- E você não me contou! Não acredito. Pode falar tudinho agora mesmo! – ela falou, agora com um sorriso nos lábios.
Remus sorriu bem de leve, e falou, ainda em tom de confidência.
- Eu... bem, de forma resumida, eu fui ao quarto dela, dar os parabéns...
Ellie começou a rir, e falou.
- No quarto dela? Eu sabia que você ainda ia se revelar o maior pegador da escola!
- Ellie! – ele falou, constrangido.
Ellie apenas riu, e ele prosseguiu.
- Quando eu vi que era meia noite, entreguei o presente que comprei para ela. E, logo depois, nós acabamos nos beijando.
- Nossa, parabéns à meia noite, presente e um beijo... muito romântico.
Remus sorriu de lado, ainda um pouco embaraçado. Mas acabou confessando.
- Eu não disse que foi só um beijo...
Ellie abriu a boca, e arregalou os olhos. Remus riu da expressão dela, e falou.
- Nossa, mas você só pensa besteira, é? Eu quis dizer que não foi só um beijo, porque foram vários beijos...
Mesmo assim Ellie riu, e falou.
- De uma forma ou de outra, daqui a pouco você vai ter todas as garotas solteiras da escola se arrastando aos seus pés. Eu ouvi dizer que a Emmeline Vance está caidinha por você...
Remus apenas sorriu, e pensou que trocaria todas as garotas se arrastando por ele pela atenção de uma certa garota de longos cabelos pretos.
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Não demorou muito, a banda de abertura estava tocando no palco. Era a banda que James conhecia, e eles tocavam rock levemente puxado para o punk. Eles eram realmente muito bons, como Lily pode constatar. James, por ter trabalhado para a banda, conhecia várias das músicas, e cantava junto com a banda.
O show não foi muito longo, e serviu apenas para aumentar a expectativa dos fãs em relação ao show do Oasis.
Por volta das nove horas o Oasis finalmente apareceu no palco. Nos primeiros acordes de "Turn up the sun", todos no estádio foram ao delírio. A maioria conhecia a música de cor, e cantou junto com a banda.
Eles estavam bem em frente ao palco, e viam tudo de perto. Ellie arranjou um pedaço de grade para pisar, e conseguia ver o show de forma ainda mais privilegiada. Todos cantavam, acompanhando o vocal de Liam Gallagher.
Come on, turn up the
sun
Turn it up for everyone
Love one another
Love one
another
O show ia passando cada vez mais empolgante. Ellie gritava e cantava junto com a banda todas as músicas. James reparava atentamente os músicos, olhando os acordes e o desempenho dos músicos.
Lily estava adorando, ela nunca tinha ido a um show de uma banda famosa antes. E, se ela já gostava do Oasis, estava virando fã. Remus curtia as músicas de forma mais contida. Ele gostava da banda, mas não conhecia todas as músicas. E Frank e Alice, muito animados, dançavam e cantavam o tempo todo.
Mas, longe dali, duas pessoas não conseguiam parar de pensar no show que tinham desistido de ir. E desejavam ter feito uma escolha diferente.
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Sirius estava, naquele momento, enfiado em um pub enfumaçado. Ele jogava sinuca com Gideon e Fabian Prewett, e mais os amigos deles. Tentava, de todas as formas, não pensar no show que tinha perdido. Mas parecia que o assunto o estava perseguindo.
- Está tendo um show do Oasis hoje em Wembley. – falou, casualmente, um dos amigos de Gideon.
- É. – disse Fabian. – Deve estar maneiro. Pena que não tem mais ingressos desde a semana passada.
- Ei, Sirius. – falou Gideon, depois de dar sua tacada, e tomar um gole de cerveja. – Você não ia ao show? Você disse que a Ellie tinha comprado as entradas faz um tempão.
Sirius não podia ter desejado assunto pior. Ele deu sua tacada, bebeu um gole da sua cerveja, e respondeu.
- Ia. Mas desisti. O James foi com as meninas, eles tinham credenciais VIPs.
Fabian parou de beber sua cerveja, e olhou para Sirius, franzindo a testa.
- E ele não arranjou para você?
- Arranjou. Mas eu desisti de ir.
Todos os rapazes do último ano pararam imediatamente de fazer o que faziam. Gideon falou, com expressão de espanto no rosto.
- Você tinha uma entrada VIP para o show do Oasis, e desistiu de ir para jogar sinuca com a gente?
Sirius não respondeu nada, apenas sacudiu os ombros.
- Cara, você é burro por acaso? – perguntou Fabian.
Sirius franziu a testa, e Gideon completou.
- Vamos colocar desta forma: você deixou sua namorada, que, com todo o respeito, é uma das garotas mais bonitas de Hogwarts, ir sozinha para um show do Oasis, na área VIP?
Sirius continuou calado, e Fabian concluiu.
- Cara, você praticamente a jogou para os lobos. Se você ainda tiver uma namorada amanhã, você é o cara mais sortudo do mundo!
Sirius parou um instante para pensar. Realmente ele percebeu que estava sendo idiota em deixar Ellie sozinha num lugar cheio de caras que invariavelmente iriam tentar ficar com ela.
Gideon colocou a mão no ombro de Sirius, e falou.
- Cara, se fosse eu no seu lugar, saia correndo daqui, e tentava entrar naquele show a qualquer custo.
Sirius olhou em volta, e viu que todos os rapazes concordavam com Gideon. Ele enfiou a mão no bolso, e achou a credencial de entrada no show. Inspirou fundo, e falou.
- Me desejem sorte!
--
Melissa estava deitada em sua cama. Olhava para o teto, tentando esvaziar sua mente. Ela estava de castigo, algo que não quis contar para Remus. A mãe dela obviamente descobriu, através dos vizinhos, que Melissa tinha dado uma festa na sua ausência. E, após uma enorme briga, e muitos gritos, ela tinha proibido a garota de sair no fim de semana.
Então ela estava ali, deitada, contra a sua vontade. Não que estivesse fazendo aquilo por respeito ou medo da mãe. Ela estava ali, deitada, contra a sua vontade, por determinação dela mesma.
Ela tinha decidido que não envolveria Remus na confusão que sua vida se tornou. E, principalmente, não ia deixar Dan se aproximar de Remus.
Mas, naquela noite, cada minuto que passava parecia uma hora. Ela estava deitada na cama a cerca de 20 minutos, mas parecia uma noite inteira.
A garota não conseguia parar de pensar em Remus, e na forma que ele a convidou para ir ao show com ele. E na forma como ele parecia tranqüilo ao confrontar Dan.
Era visível que Dan não conseguia intimidar Remus. E Melissa achou que aquilo, por si só, já dizia o quanto o rapaz era especial.
Agora Melissa estava batendo os dedos uns nos outros. Os minutos não passavam no relógio. E ela se arrependia de ter desistido de encontrar Remus cada vez mais.
Melissa ouviu então a porta do quarto da mãe se fechando. Ela ia dormir. Como as duas não estavam se falando, ela não veio dar boa noite para a garota. E Melissa agradecia aos céus por isso.
Melissa passou então a balançar as pernas. O nervosismo tomando conta dela. Ela não conseguia evitar. E não conseguiu resistir.
Sorrateira e rapidamente, ela levantou da cama, e abriu seu armário. Tirou o pijama, e colocou uma calça jeans, blusa e casaco. Calçou um tênis tipo All Star preto, e abriu silenciosamente a janela de seu quarto. Ela se esgueirou pelo parapeito, e conseguiu descer até o primeiro andar. Nada que ela não tivesse feito antes.
Então verificou o bolso do casaco. Ali estava a credencial para o show. Saiu correndo pela rua, até chegar numa rua mais movimentada, e encontrar um táxi. Assim que o motorista parou, e ela entrou, ele perguntou.
- Para onde, senhorita?
Melissa inspirou, e respondeu.
- Para Wembley.
Mas, para si mesma, ela falou.
- Eu devo estar completamente maluca.
--
O show estava alcançando sua metade. A banda tinha tocado várias músicas de seu cd mais recente, misturada com alguns clássicos. Lily agora estava abraçada com Ellie, cantando os versos de Acquiesce.
Because we need each
other
We believe in one another
I know we're going to
uncover
What's sleepin' in our soul
What's sleepin' in our soul
O estádio inteiro acompanhava a banda. Lily imaginou porque nunca tinha feito aquilo antes. Estava se divertindo como nunca, e jamais tinha imaginado como um show de rock pudesse ser tão bom.
Então ela sentiu um pingo em sua testa. Achou, por um momento, que alguém tinha derramado água nela. Mas, ao olhar para o céu, percebeu que era a chuva, que tinha sido anunciada durante quase o dia todo, finalmente caindo do céu.
Os pingos foram ficando cada vez mais constantes. Mas ninguém parecia se importar com aquilo. Todos gritavam, cantavam, e pulavam junto com a banda.
--
- Cara, eu te dou 20 pratas extras se você acelerar mais esse carro!
- Calma, rapaz. Já estamos quase chegando!
Sirius estava desesperado para chegar logo. Olhava o tempo todo para o relógio, imaginado se chegaria a tempo. Mas, antes mesmo que ele imaginava, o táxi estava parando quase na porta do estádio.
Ele retirou o dinheiro da carteira de forma desajeitada, e entregou para o taxista, saltando do carro enquanto gritava.
- Fica com o troco!
Ele percorreu a distância até o estádio num piscar de olhos. Chegou completamente sem fôlego na frente do segurança. O homem, alto e muito forte o olhou de forma séria.
- Está atrasado.
Sirius respirava fundo enquanto retirava a credencial do bolso interno do casaco. Entregou para o homem, que olhou para o cartão de forma incrédula. Sirius não tinha tempo para perder com aquele cara, e logo falou.
- Minha namorada está aí dentro, eu preciso entrar!
O homem terminou de examinar credencial, e liberou a passagem. Sirius entrou correndo. Brigando contra o tempo. Precisava chegar o quanto antes.
--
O show continuava a toda. A banda tocava de forma perfeita, e a platéia nem se importava com a chuva, que ficava mais intensa a cada minuto que passava. Ellie e Lily, de braços erguidos, balançavam de um lado para o outro, acompanhando a música. Até que uma voz, atrás delas, falou.
- Ellie!
A garota virou para trás, e encontrou um rosto conhecido.
Um rapaz alto e forte, de cabelo loiro dourado, pele branca e olhos azul-esverdeados. Ele exibia um sorriso encantador, e falou.
- Ellie? É você mesma?
Ellie abriu um enorme sorriso.
- Mike?
Ele sorriu, e concordou. Ellie repetiu, incrédula.
- Mike Mckinnon? O que você está fazendo aqui?
Ele riu, e perguntou.
- Eu é que pergunto isso! O que você está fazendo aqui?
- Assistindo ao show!
Os dois se aproximaram, e ele puxou a garota para um abraço.
- Nossa, acho que não te vejo faz uns dois anos. Desde que você foi para Oxford.
- E eu te digo que você cresceu quase um palmo desde a última vez que eu te vi, garota!
Os dois soltaram o abraço. Lily olhou para trás com cara de interrogação, e Ellie logo apresentou os dois.
- Mike, essa é minha amiga, Lily Evans. Lily, esse é Mike Mckinnon. Ele é o irmão mais velho da Lene.
Os dois se cumprimentaram, e Ellie completou.
- Falando nela, a Lene veio com você?
Mike riu. O sorriso dele era sincero e muito simpático.
- Não. A Lene anda muito estranha, completamente avoada. Disse que preferia ficar em casa. Vai entender.
Ellie riu, e pode imaginar alguns motivos para a garota não querer ir ao show com o irmão mais velho. E ele prosseguiu.
- Bem, mas pelo menos eu vou poder te ver com mais freqüência. Eu pedi transferência de Oxford para a Universidade de Londres.
- Sério? – perguntou Ellie, incrédula. – Por quê?
- Queria ficar mais perto de casa. Mais perto da minha família, dos meus amigos.
Ellie sorriu, e falou.
- Que bom!
- Bem – ele falou – me deixa voltar para perto da galera, senão eles somem e eu fico para trás... Mas foi um prazer te rever, Ellie.
- Tchau, Mike!
O belo rapaz foi se afastando, e ainda acenou para ela antes de sumir na multidão. Ela ainda tinha um sorriso no rosto quando sentiu que alguém, na direção contrária que Mike tinha ido, a observava.
Ela estreitou os olhos, e viu.
Debaixo da chuva que estava bem intensa agora estava Sirius Black.
--
Melissa saltou do táxi num pulo. Nem deu bola para o taxista, um senhor de idade que falava que era muito perigoso uma garota nova como ela andar sozinha pelas ruas à noite.
Ela chegou perto do estádio, e ouviu que o show estava fervendo. Ela rapidamente se aproximou da entrada VIP, e o segurança grandalhão resmungou ao ver a garota com uma credencial nas mãos.
- É a noite dos atrasados, por acaso?
Melissa ignorou o comentário, e esperou o homem verificar sua credencial. Logo ele liberou a entrada da garota, mas não sem resmungar. Estava chovendo bastante, e ele só queria que o show acabasse logo para poder ir para casa.
Melissa entrou no estádio. Ouviu os primeiros acordes de Live Forever. E deu um pequeno sorriso.
O primeiro objetivo estava cumprido. Ela foi ao show. Agora era só encontrar a pessoa que a fez fugir do castigo em casa no meio de um temporal. Remus Lupin.
--
Ellie olhava para Sirius completamente imóvel. E ele também não se movia. Parados, os dois.
Maybe I don't really
want to know
How your garden grows
'Cause I just want to
fly
Lately, did you ever feel the pain?
In the morning rain
As
it soaks it to the bone?
- Sirius… – ela sussurrou, mas ninguém foi capaz de ouvir.
Incrivelmente, ele pareceu ter ouvido. Possivelmente ele viu os lábios dela se movimentando, e entendeu seu nome. Ele veio andando na direção dela, e parou bem na sua frente.
Maybe I just want to
fly
I want to live, I don't want to die
Maybe I just want to
breathe
Maybe I just don't believe
Maybe you're the same as
me
We see things they'll never see
You and I are gonna live
forever
- Sirius…
Ele olhou de forma tão intensa para ela, que a garota sentiu seus joelhos falhando. E ele abriu a boca para falar.
- Desculpe.
Ellie olhou para o namorado, e abriu um sorriso.
Apenas aquilo tinha valido toda a corrida para chegar ao estádio.
Ele se aproximou dela, deslizou a mão no rosto já molhado da garota, e delicadamente a puxou para um beijo.
Um beijo que durou todo o resto da música.
--
Lily viu o momento em que Sirius se aproximou de Ellie. Ela sorriu, e cutucou James, mostrando que o amigo tinha resolvido aparecer no show. Eles se abraçaram, sorridentes, e James se aproximou para conversar com ela.
- Eu sabia que ele ia abrir os olhos eventualmente.
Lily riu, e falou.
- Sabia, é?
James deu um sorrisinho maroto, e respondeu.
- Bem... eu tinha um bom palpite.
Lily riu, e abraçou o namorado. Ele pegou delicadamente o queixo dela, e a beijou. Eles ficaram abraçados, e ouviram uma nova música começando.
--
Remus assistiu a cena entre Ellie e Sirius. E, por mais que ficasse feliz em ver seus amigos se a certando, ele percebeu que estava completamente sozinho agora.
Ele tinha certeza que Melissa não faria uma aparição romântica como Sirius acabara de fazer.
Seu destino era terminar aquele show sozinho.
E ele estava ficando cada vez mais cansado de terminar todas as noites sozinho.
Melissa costumava sair com ele, ficar próxima a ele, até beijá-lo, mas, no final, algo a fazia sair correndo.
Bem, esse risco ele não corria aquela noite. Ou era assim que ele pensava.
Sem Melissa por perto, ele pelo menos não seria abandonado no último momento.
Mas esse pensamento não era nem um pouco animador.
O rapaz resolveu prestar mais atenção ao show, em vez de ficar pensando na própria solidão.
O Oasis estava iniciando uma nova música. E ele conhecia e gostava muito dela.
How
many special people change?
How many lives are living
strange?
Where were you while we were getting high?
Ele olhava para a banda de forma desinteressada, apenas ouvindo a canção.
Slowly walking down
the hall
Faster than a cannonball
Where were you while we were
getting high?
- Remus.
Ele conhecia aquela voz. Por um instante, imaginou que ele estava ouvindo coisas. Mas não estava.
Ele virou-se lentamente, e viu.
Melissa ali, parada. Seus cabelos molhados pela chuva. E sua expressão de desespero contido no rosto. Ele inspirou profundamente.
Someday you will
find me
Caught beneath the landslide
In a champagne supernova
in the sky
Someday you will find me
Caught beneath the
landslide
In a champagne supernova
A champagne supernova in the
sky
- Melissa…
Ela começou a se aproximar ainda mais. Ele pode ver as gotas de chuva descendo por seu rosto. Por um instante ele não conseguiu dizer se eram gotas de chuva ou lágrimas percorrendo a face dela.
Ela mordeu o lábio inferior no momento que eles pararam, frente a frente.
- Melissa, o que...
Ela levou o dedo delicadamente aos lábios dele, o calando. Ele pode sentir a mão fria dela, mas, por algum motivo, aquilo o fez sentir um calor interno intenso.
- Por favor, não fale nada. Só me abraça.
E como ele poderia negar aquele pedido?
Os corpos se uniram lenta e delicadamente. Ele envolveu a garota em seus braços, e assim eles ficaram, até o fim da noite.
--
James e Lily nem viram Melissa chegando. Eles estavam abraçados, olhando para o palco. Lily estava de costas para James, e ele a envolvia por trás. Ele carinhosamente apoiava a cabeça dela em seu ombro. E eles balançavam lentamente ao som da música.
Wake up the dawn and
ask her why
A dreamer dreams, she never dies
Wipe that tear
away now from your eye
James soltou um das mãos do abraço, e fez um carinho nos cabelos de Lily. A garota fechou os olhos, e ele percorreu a face dela com a ponta dos dedos.
Slowly walking down
the hall
Faster than a cannonball
Where were you while we were
getting high?
Someday you will
find me
Caught beneath the landslide
In a champagne supernova
in the sky
Someday you will find me
Caught beneath the land
slide
In a champagne supernova
A champagne supernova
O momento era perfeito. James também fechou os olhos suavemente, e fez sua mão encontrar a de Lily. Ele inspirou profundamente, e as palavras escaparam de seus lábios antes que ele pudesse conter.
- Eu te amo.
Ele falou baixo. Baixo o suficiente para ser abafado pelo som da música. Mas Lily, estando colada a ele, ouviu.
Ela arregalou os olhos imediatamente. Por sorte, ela estava de costas para o namorado, e ele nada notou.
'Cause people
believe
That they're gonna get away for the summer
But you and
I, we live and die
The world's still spinning around
We don't
know why
Why, why, why, why
James só percebeu o que tinha feito alguns segundos depois. Ele mesmo arregalou os olhos, estático.
O casal ficou parado, sem se mover. Nenhum dos dois sabendo o que esperar.
James não sabia se Lily tinha ouvido o que ele disse. E Lily não sabia se James percebeu que ela ouviu a frase.
Agora a mente de Lily trabalhava fervorosamente. Ela não sabia o que fazer. Não sabia o que dizer. Não podia simplesmente dizer que amava James também, se ela mesma estava questionando os seus sentimentos um dia antes.
Ela queria dizer quando tivesse certeza. Certeza absoluta. Não podia ser algo de momento. E não poderia dizer apenas para agradar James. Ele merecia mais do que isso. Ele merecia sinceridade.
Mas ela notou que James não esboçou reação nenhuma. E isso a fez pensar que ele talvez tivesse dito aquilo meio sem querer. Que talvez tivesse apenas escapado.
Então, sem coragem de confrontar James naquele momento, Lily resolveu ficar quieta. Poderia conversar com o namorado quando eles saíssem do show.
How
many special people change?
How many lives are living
strange?
Where were you while we were getting high?
James ficou alguns segundos esperando alguma reação de Lily. Mas a garota ficou quieta, como se tivesse prestando atenção no show. James ficou aliviado por um lado, mas uma pontinha de decepção surgiu. Ele queria revelar seus sentimentos para Lily. Mas não saber o que ela diria de volta também era mortificante.
Então, quando ele teve certeza que Lily não tinha ouvido a frase dele, ele simplesmente se aproximou da namorada, e lhe deu um beijo no rosto. E pode sentir o frio do rosto molhado de Lily.
--
O show finalmente chegou ao fim. Rapidamente, os fãs se dispersaram, e seguiram para suas casas. Mas, para um grupo de amigos, o show trouxe grandes mudanças de planos.
James tinha combinado com os amigos de sair depois do show, e ir a um Pub ou lanchonete. Mas, depois do furo que ele deu, falando que amava Lily, ele perdeu a vontade. Principalmente por ter falado o que sentia, e ela não ter ouvido. Ou era isso que ele achava.
Lily concordou imediatamente quando James propôs de irem logo para casa. Ela estava envergonhada com o ocorrido, e queria logo deitar em sua cama, e pensar no que aconteceu. Então assim que arranjou um táxi, o casal partiu em direção à casa de Lily.
Frank e Alice, mesmo ensopados, disseram que iam encontrar Gideon, Fabian e os amigos. Eles chamaram os remanescentes do grupo, no caso, Ellie, Sirius, Remus e Melissa. Mas todos recusaram.
Ellie já estava encolhida de frio, e completamente molhada. Sirius também não estava em melhor estado. Remus só queria ter a oportunidade de conversar um pouco com Melissa antes de ir embora, e Melissa só pensava em uma maneira de entrar em casa sem acordar a mãe.
Então eles se dividiram. Ellie e Sirius foram em direção à casa da garota, e Remus e Melissa pegaram um táxi em direção da casa dos dois, que era bem próxima.
Sirius e Ellie logo chegaram na casa dela. Durante a viagem eles não conversaram muito. Ellie estava encolhida, e tremia um pouco. Ela errou na escolha do casaco, que acabou se revelando pouco eficaz na chuva. E, com o frio da noite, a situação estava um pouco pior. Mesmo o táxi sendo aquecido, ela ainda sentia frio.
Quando eles saltaram do táxi Sirius pediu ao taxista para esperar por ele, que ele só iria acompanhar Ellie até a entrada da casa, e depois voltaria para seguir até a própria casa. O cara fez cara feia e resmungou, então Ellie abriu a carteira, e deu o valor da corrida até sua casa para o motorista. Sirius protestou, mas ela falou.
- Você paga o resto. É só para ele não reclamar de ficar esperando.
O casal seguiu até a porta da casa de Ellie. Ela destrancou a porta, e ele se aproximou para dar um beijo de despedida na namorada. Mas algo o fez parar.
O motorista simplesmente arrancou, e foi embora. Sirius ainda gritou para o cara voltar, e tentou correr atrás dele, mas ele sumiu rapidamente no fim da rua.
- Idiota! Como é que eu vou voltar para casa agora?
Ellie, ainda com muito frio, simplesmente falou.
- Entra e liga para uma empresa de táxi. Eles mandam um táxi aqui para você.
Sirius apenas concordou com a cabeça. E ele seguiu Ellie para o interior da casa.
- Ellie, nós vamos molhar o chão todo. – ele falou, sussurrando bem baixo.
Ela franziu a testa, e falou, em tom normal.
- Por que você está sussurrando?
Sirius também estranhou a pergunta, e falou, no mesmo tom sussurrado.
- Não quero acordar sua mãe.
Ellie trancou a porta e falou.
- Minha mãe viajou. Só volta amanhã à tarde.
Sirius sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ellie ia andando em direção à escada, e virou para trás, olhando para ele.
- Você não vem? È melhor você se secar antes de chamar o táxi. Pode ficar doente.
Mas Sirius não estava pensando em absolutamente nada do que ela falava. Só pensava que estava sozinho com Ellie.
--
A viagem de táxi foi completamente constrangedora para Lily e James. Os dois não sabiam o que dizer um para o outro. Lily queria muito conseguir conversar sobre o ocorrido com James, mas simplesmente não encontrava as palavras.
Quando o táxi parou em frente à casa da garota, ela simplesmente não sabia o que fazer. Ficou olhando para James, e as palavras não vinham. Por sorte, ela foi resgatada por ele.
- Então, gostou do show?
Lily sorriu, e conseguiu falar.
- Ah, sim. Adorei!
James sorriu, satisfeito. Pelo menos ela tinha gostado do show.
- Acho que é melhor você entrar, e tirar essa roupa molhada. Pode ficar gripada ou algo do tipo.
Lily concordou com a cabeça.
James deu um beijo delicado nos lábios de Lily, e falou.
- Amanhã eu te ligo.
Ela apenas sorriu, e saltou do carro. Foi correndo até a entrada da casa, e logo destrancou a porta. Viu o táxi levando James se afastar, e sumir de vista.
Ela inspirou profundamente, e trancou a porta. Ia caminhando de forma silenciosa para a escada, quando notou que alguém estava vendo TV na sala. Ela se aproximou, e viu que era Petúnia, de pijama, com um roupão por cima e enormes rolos nos cabelos.
A irmã viu a presença de Lily, e falou.
- Ah, você chegou. Papai e mamãe já foram dormir.
Quando Lily se aproximou, Petúnia viu como a irmã estava ensopada.
- Credo, Lily, você está parecendo um pinto molhado de chuva! Também, foi nesse show de gente doida. Se eu fosse a mamãe não tinha deixado você ir, imagina só...
Petúnia começou um de seus chatíssimos discursos. Mas Lily nem deu atenção. Ela estava com o olhar vidrado na televisão. Petúnia estava vendo um filme antigo. Lily não sabia qual era, mas a cena que passava mostrava um casal muito apaixonado se beijando. Assim que eles interromperam o beijo, eles se declararam.
- Eu te amo!
- Eu também te amo!
Então a verdade atingiu Lily como um raio. Ela ficou estática por alguns segundos. Petúnia continuou falando, mas ela continuou não ouvindo.
Ela sabia exatamente o que fazer.
Lily imediatamente correu até a mesa na qual jogou sua chave de casa e sua carteira. Recolheu ambos, e saiu correndo em direção à porta. Petúnia, indignada por ter sido deixada falando sozinha, protestou.
- Ei, Lily, você ficou louca? O que você está fazendo?
Lily apenas colocou a cabeça para dentro da sala, antes de desaparecer pela porta da rua.
- Uma loucura.
--
Remus e Melissa chegaram à porta da casa da garota. Mas ela insistiu em saltar apenas na esquina.
Remus não queria ir embora sem conversar com ela. Então ele dispensou o táxi, e disse que voltaria para casa a pé.
Os dois caminharam em silêncio até as proximidades da casa da garota. Ela observou discretamente as janelas. Tudo estava escuro. Ela sentiu um pequeno alívio.
- Melissa.
Ela olhou para o rapaz, e respondeu suavemente.
- Sim.
Ele não conteve o sorriso. Ela respondeu de forma tão simples, mas delicada, de uma forma que ele nunca tinha visto.
Remus imediatamente deu um passo na direção dela. E Melissa não recuou.
Ele conseguiu tocar o rosto dela com sua mão. Ela sentiu que a mão dele estava fria. Mas o toque foi tão agradável que ela não recuou.
- Me deixa entrar.
Ela franziu a testa. Não compreendeu o que ele queria dizer.
Então ele desceu delicadamente a mão, alcançando o peito dela. Não tocou seus seios, mas o local logo acima deles, bem no meio. O coração dela.
- Aqui.
Ela imediatamente entreabriu os lábios. Não conseguiu reagir. Não esperava nada parecido com aquilo.
Remus encostou a testa dele na dela, e falou, num sussurro.
- Eu entendo que você tem problemas. Eu sei que algo ruim aconteceu. Mas você não percebeu que eu não vou desistir? Que eu não vou te abandonar?
Melissa não encontrava palavras. A chuva ainda caía sobre os dois, forte e constante.
- Me dá uma chance.
Melissa inspirou profundamente, e falou, num fio de voz.
- Não quero te envolver nisso.
Remus olhou nos olhos dela, e falou.
- Você devia me deixar decidir se quero ou não me envolver.
Melissa ia responder ao rapaz, mas ele imediatamente a calou. Calou com um beijo delicado.
Ela sentiu as mãos dele percorrerem suas costas. Ele a envolveu num abraço apertado.
Mais chuva caía em cima do casal. Mas eles não se soltaram do beijo.
Após muitos minutos, ele delicadamente se afastou. Sentiu que a garota tremia ligeiramente. Mas ele não conseguia dizer se era de frio ou por causa daquele momento.
- Eu...
Ele apenas sorriu, e falou.
- É melhor você entrar. Está frio.
Melissa concordou com a cabeça. Foi se afastando dele, e caminhou até a parte mais lateral de sua casa. Começou a escalar a parede, e ele franziu a testa. Mas ela simplesmente falou.
- Estou de castigo.
Remus não conteve o sorriso, e ela ainda virou para falar com ele.
- Eu... eu vou pensar.
Remus apenas concordou com a cabeça, e viu a garota habilmente escalando para o segundo andar de sua casa. Ele a viu entrar pela janela aberta de seu quarto, e desaparecer lá dentro.
Ele então sorriu abertamente. Na verdade ele quase gargalhou.
Naquela noite, diferentemente das outras, ele não tinha sido abandonado.
--
Sirius seguiu Ellie até o quarto da garota. Ao entrar lá, ele imediatamente ficou nervoso. Lembrou da última vez que ele esteve completamente sozinho com a namorada naquele cômodo. Ellie, no final da noite, estava só de calcinha e sutiã. Uma visão que se repetia constantemente em sua mente.
Ele viu a garota tirar o casaco, e joga-lo num canto do banheiro. E ela voltou de lá com várias toalhas.
- Toma. – ela disse, estendendo uma para Sirius. – E tira esse casaco e essa blusa, estão muito molhados.
Sirius tirou os tênis e as meias, e lentamente começou a tirar o casaco. Ficou lembrando da noite anterior, em que ele finalmente entendeu como foi o relacionamento entre Ellie e o italiano maldito. Ele tinha certeza que ela ido para a cama com ele. E ele estava completamente decepcionado com essa informação.
Ficou tentando apagar imagens mentais de Ellie e Paolo se agarrando de sua mente. Mas Ellie agora estava tirando suas botas, e voltou para o banheiro. Ele ouviu o barulho dela tirando a blusa molhada, e voltando para o quarto. Sirius por um instante achou que ela voltaria só de sutiã, mas ela voltou com uma toalha comprida em seus ombros, cobrindo o tronco.
- Sirius, você ainda não tirou a camisa? Quer ficar doente? Tira logo isso!
Agora ele estava imaginando se Ellie era tão mandona na cama com era na vida real. E esse era um pensamento inspirador, sem dúvida nenhuma.
Ela então foi até o aquecedor, e o regulou, aumentando o calor. Como se o rapaz precisasse disso...
Ela então pegou o controle do som, e ligou o aparelho. Escolheu rapidamente alguns cds, e os colocou para tocar. Uma música suave começou a tocar.
Ellie voltou para frente de Sirius. Viu o namorado sem camisa, e desviou os olhos rapidamente. Ela alcançou uma toalha em cima da cama, e começou a ajudá-lo a secar os cabelos.
Sirius não pode lidar com aquela proximidade. Ele segurou Ellie pela cintura, e falou.
- Ellie, nós precisamos conversar.
Ela riu, e falou.
- Achei que essa frase era exclusividade feminina.
Mas a brincadeira dela não o afetou. Ele permaneceu sério. Tinha que se concentrar na conversa, e não em tentar espiar dentro da toalha da namorada.
- É sério. E... é sobre ontem.
Ellie concordou com a cabeça. E deixou-o prosseguir.
- Eu... bem, desculpe o ataque de ciúmes.
Ellie deu um pequeno sorriso, e falou.
- Foi uma besteira mesmo.
Ele concordou com a cabeça, e prosseguiu.
- Eu sei. Não posso ficar com ciúmes de coisas que aconteceram antes de nós ficarmos juntos. Eu sei que não deveria, mas eu fiquei.
Ellie concordou com a cabeça. Ele continuou.
- Mas você também tem que concordar que eu tenho pelo menos alguns motivos para ter ciúme desse cara, Ellie. Não é como se ele fosse só mais um, né? Ele foi diferente para você.
Ela franziu um pouco a testa. Por que Sirius achava que Paolo era especial? Será que ela exagerou na hora de falar sobre o italiano?
- É que eu fiquei decepcionado, sabe. Eu meio que esperava... ah, pode até ser meio machismo da minha parte, mas eu achava mesmo que ia acontecer... entre nós dois...
Agora Ellie estava boiando completamente. E ela o interrompeu.
- Do que você está falando, Sirius?
- Ah, Ellie... eu meio que tive essa esperança a vida toda. De que fosse entre nós dois... nossa primeira vez. Mas você já teve a sua. Não que eu esteja chateado por você não ser mais. Não importa, eu amo você, e só quero estar com você...
Ellie arregalou ligeiramente os olhos.
- Como assim eu já tive a minha?
Agora Sirius que não entendeu.
- Com o italiano. Você falou ontem. Mas tudo bem, já que para mim vai ser... você sabe, minha primeira vai ser com você, e isso me deixa feliz.
- O QUE??
Ellie estava com a boca tão escancarada que parecia que ia cair. Sirius se assustou tanto que perguntou.
- O que foi que eu falei de errado?
Ellie estava estática. Não podia acreditar no que estava ouvindo. Era sério mesmo?
- Você nunca... nunca...
Ele franziu a testa. Achava que ela já tinha entendido isso.
- Não.
Novamente a boca aberta.
- Como assim?
Ele agora estava achando que ela estava tirando sarro da cara dele.
- Você sabe muito bem como! Qual é, você quer tirar com minha cara só porque já transou com o babaca italiano?
- E quem te disse que eu transei com ele?
Agora Sirius que estava com dúvidas.
- Não? Então... como assim...
Ellie ficou nervosa, reagiu de acordo. Deu um grito, não muito alto.
- Eu sou virgem!
Agora o queixo de Sirius que caiu.
- Então... nós dois... nós dois somos...
- Aparentemente! – retrucou Ellie.
Novo silêncio. Nenhum dos dois falou nada um com o outro. Até Ellie, já calma, falar.
- Por quê? Com tantas garotas se jogando em cima de você...
Sirius inspirou, e falou.
- Nenhuma delas era você.
--
Lily saltou do táxi correndo. Não estava raciocinando direito. Só sabia que tinha que fazer aquilo. Ela tinha certeza.
Ficou parada na porta da casa. A casa de James.
Sem hesitar, sem pensar direito, ela tocou a campainha. Nem um minuto se passou até que alguém abrisse a porta.
James.
E não apenas isso.
James, sem camisa, secando os cabelos com uma toalha.
Lily inspirou fundo.
O rapaz franziu a testa, e falou.
- Lily? O que houve?
Ela olhou dentro dos olhos castanho-acinzentados de James, e falou, com toda a convicção do mundo.
- Eu também te amo.
James deixou a toalha cair no chão.
Lily, parada na porta da sua casa, completamente ensopada de chuva. Lily dizendo que o amava.
Os dois ficaram se olhando por alguns segundos.
Então James reagiu. A puxou para um beijo. O melhor beijo da vida dele.
Os lábios se encontraram delicadamente no início. James sentiu os lábios molhados de Lily, respingados pela chuva. Sentiu o contato com o corpo gelado da garota. E Lily sentiu o calor da pele nua de James. Ela percorreu os dedos pelas costas dele, fazendo um carinho suave. Ele a puxou para mais perto ainda.
Então, no instante seguinte, ele levou sua mão até a nuca de Lily, e a puxou de encontro a ele. Os dois ficaram um bom tempo se beijando, colados, sentindo um ao outro de forma delicada, mas intensa.
Quando eles se afastaram, James olhou para os olhos verdes e brilhantes de Lily, e falou, com um belo e delicado sorriso.
- Eu te amo.
Lily sorriu, e falou.
- Eu sei. Eu ouvi.
James, que não costumava ficar constrangido com nada, sentiu uma pontinha de vergonha. Lily notou, e riu. Ele perguntou.
- E por que você não falou nada?
Lily sacudiu os ombros, e respondeu.
- Ah, James, você não me conhece?
James apenas concordou com a cabeça, e sorriu. Mas logo ele prosseguiu.
- E você veio até aqui só para me falar isso? Simplesmente saiu correndo de casa, no meio desse temporal, para dizer que me ama? Você está se mostrando mais doida do que eu esperava...
Lily riu, e, mantendo o sorriso no rosto, falou.
- Você está certo. Mas, se eu estou ficando doida, meu querido, a culpa disso é totalmente sua!
--
Silêncio. Silêncio total.
Os dois apenas encaravam um ao outro.
Ellie sentiu as mãos tremendo. Mas ela não estava com frio mais. Estava nervosa.
- Você... fez isso por mim?
Sirius baixou a cabeça, olhando para o chão. E concordou com a cabeça lentamente. Alguns segundos depois, ele falou, muito baixo.
- Como eu poderia ir para cama com outra se eu só queria você?
Ellie deu um passo na direção dele. O rapaz ergueu a cabeça, e completou.
- Sempre.
Sempre. A palavra ecoou na mente de Ellie. Ela tocou delicadamente com uma das mãos o peito dele. Sentiu como os batimentos cardíacos dele estavam acelerados. Parecia que ele tinha corrido uma maratona.
Ela sabia que era verdade. Assim como aquela era a exata verdade para ela também. Ela sempre esperou por ele. Mas o que ela não imaginava era que ele tinha feito a mesma coisa.
- Eu... eu também, Sirius. Eu sempre esperei por você.
Ela sentiu o chão ruir sob seus pés. Ela como se seu apoio tivesse sido arrancado, e ela estivesse ali, completamente sem barreiras, sem proteção, sem nada. Estava exposta.
A mão morna e suave dele tocou seu rosto. Ela fechou os olhos e pensou.
Eu estou entregue. Eu sou sua.
Sentiu os lábios dele tocando os seus. Um beijo tão delicado e suave que ela se comoveu.
Percebeu que seus olhos estavam cheios de lágrimas. Quando os abriu, logo após o beijo, sentiu que ele secou delicadamente a lágrima única que desceu por sua face.
- Por que você está chorando?
Ela sorriu, e respondeu.
- Porque esse é o momento.
Sirius apenas olhou para ela. Depois de alguns segundos, ele falou.
- Momento?
Ela concordou lentamente com a cabeça, e completou.
- O momento que eu sempre esperei. E que eu sempre quis.
- Ellie...
Ela fechou os olhos, e falou, com seu rosto muito próximo ao dele.
- O que nós estamos esperando?
Sirius fez ela se afastar um pouco, e ela abriu os olhos. Viu que ele estava muito sério. O mais sério que ela o viu na vida. Parecia uns 10 anos mais velho.
- Você tem certeza? Nós podemos esperar.
Ela sorriu de leve, e falou.
- Sirius, se eu esperar mais vou ficar completamente louca.
Ele sorriu para ela. Os dois se olharam. As mãos se uniram lentamente. Os dedos se entrelaçaram.
O beijo veio logo em seguida. Delicado. Terno. Apaixonado.
- Eu te amo. – ele falou, sussurrando.
- Eu também te amo. – ela respondeu, no mesmo tom.
Agora os olhos se encontraram. Fixos um no outros. Perdidos no momento que partilhavam.
Ele a puxou para um novo beijo. Desta vez, bem mais intenso. Mas firme. Mais urgente.
Ellie enlaçou o pescoço dele com os braços. E sentiu que Sirius começou a puxar a toalha de seus ombros. Sentiu o tecido grosso percorrendo seus ombros, e indo parar no chão.
O beijo prosseguia. Agora ela estava só de sutiã e calça jeans.
Os braços dele a envolveram, fortes. Ela entendeu o que ele pretendia.
Ela se apoiou nos ombros dele, e o evolveu com as duas pernas. Ele desceu as mãos para os quadris dela, para dar apoio. E ela o sentiu a carregando para a cama.
Ele em momento nenhum interrompeu o beijo. Delicadamente ele a colocou deitada. E se ajeitou, deitando por cima dela.
Com os cotovelos apoiados na cama, ele retirou alguns fios de cabelo do rosto de Ellie. Ela sorriu levemente. Ele retribuiu o sorriso. Mas logo uma ruga de dúvida se formou em sua testa.
- O que foi? – Ellie perguntou.
Sirius olhou para ela, com uma expressão que misturava frustração com vergonha.
- Eu... não tenho nenhuma... não trouxe.
Mas Ellie não ficou chateada. Apenas riu, e falou.
- Ali. – ela indicou com a cabeça a mesinha de cabeceira. – Primeira gaveta, dentro de uma caixinha de madeira.
Sirius se esticou, e alcançou a gaveta. Abriu, e retirou a caixinha de madeira. Dentro ele encontrou o que procurava. Mas imediatamente ele fez uma expressão de surpresa enorme.
- Ellie! Sete camisinhas?
Ellie gargalhava, e ele continuava com sua expressão de espanto.
- Ah, eu só queria ser prevenida...
- Mas... sete? E desde quando você guarda isso aqui?
Ela deu uma risadinha sapeca.
- Lembra do dia que você me imprensou contra a parede, no closet, enquanto a Lily e o James se agarravam na varanda? Pois bem, depois daquele dia eu vi que precisava urgentemente estar sempre preparada!
Ele riu da frase dela, mas logo falou.
- Mas... naquela época você estava ficando com o Scott!
Ellie olhou para Sirius, e seu olhar disse absolutamente tudo. Mesmo assim, ela falou.
- Eu você acha que eu em algum momento pensei em ir para a cama com aquele idiota? Eu só queria te irritar. E continuava só querendo você.
Alguns segundos depois, após uma intensa troca de olhares entre os dois, ela completou.
- Exatamente como eu quero agora.
Sirius voltou a deitar junto dela. Eles ouviram o cd trocando no aparelho, e uma música começou a tocar.
Find
me here,
And speak to me
I want to feel you
I need to hear
you
You are the light
That's leading me to the place
Where I
find peace.. again
Os dois se olharam nos olhos. Sirius se aproximou para um beijo. Os lábios se tocavam. As línguas exploravam. Logo ele começou a percorrer o cabelo dela com uma das mãos, e ela envolveu as costas dele num abraço delicado.
You are the
strength
That keeps me walking
You are the hope
That keeps
me trusting
You are the life
To my soul
You are my
purpose
You're everything
Logo ele começou a beijar o pescoço de Ellie. Ela sentiu todo seu corpo ficar arrepiado. E ele percebeu, e aumentou a intensidade dos beijos.
Um som muito baixo escapou dos lábios da garota.
Sirius passou a beijar a base do pescoço dela, e percebeu que ela arqueou ligeiramente as costas.
And how can I stand
here with you
And not be moved by you
Would you tell me how
could it be any better than this
Ele começou a descer. Traçava uma linha vertical, beijando o colo dela. Foi descendo. Ele percebeu que ela fechou os olhos.
Sirius sabia que aquele era o melhor momento da vida dele. O que ele sempre esperou. O que ele sempre desejou.
Ele se apoiou mais de lado, e usou a mão livro para percorrer o caminho desde a base do pescoço dela, descendo pelo colo, até os seios. Sentiu a renda delicada do sutiã. Como ele queria aquilo. Como ele a desejava.
Continuou descendo delicadamente com a mão. Passou pela barriga lisa, pelo umbigo, até chegar. Finalmente. Naquele dia ele iria, finalmente, tirar a calça jeans dela.
You calm the
storms
And you give me rest
You hold me in your hands
You
won't let me fall
You steal my heart
And you take my breath
away
Would you take me in
Take me deeper, now
Ele alcançou o botão. Com mais facilidade do que imaginava, conseguiu abri-lo. Puxou o zíper, e viu de relance parte da calcinha dela. Preta como o sutiã. E de renda.
Um sorriso se formou nos lábios do rapaz. Ele achou que tinha ganhado o dia.
Delicadamente, ele ajudou Ellie a retirar a calça molhada. E pode vê-la, finalmente.
Ela estava linda. Realmente linda.
Os cabelos úmidos. O rosto suave. O conjunto de renda preta enlouquecedor.
Era impossível tirar os olhos dela.
And how can I stand
here with you
And not be moved by you
Would you tell me how
could it be any better than this
Num piscar de olhos, ele se livrou da própria calça. Ellie mordeu de leve os lábios. Ela também esperava por aquele momento há muito tempo. Muito mais tempo do que gostaria. Muito mais tempo do que achava que agüentaria.
And how can I stand
here with you
And not be moved by you
Would you tell me how
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- Você tem certeza mesmo? – ele perguntou, logo após voltar para sua posição original, deitado por cima dela.
- Eu nunca tive tanta certeza de algo na minha vida. – foi a resposta que ela lhe deu.
Ele sorriu, e voltou a beijá-la. Mas agora, os beijos mudaram completamente. Eram intensos. Possessivos. Agarrados.
Cause you're all I
want
You're all I need
You're everything, everything
You're
all I want
You're all I need
You're everything,
everything
You're all I want
You're all I need
You're
everything, everything
You're all I want
You're all I
need
Everything, everything
Ellie sentia sua cabeça rodando. Sua respiração cada vez mais falhada. Ela sentia as mãos de Sirius percorrendo todo seu corpo. A melhor sensação que ela já tinha sentido.
Toda vez que ele parava de beijar alguma parte do corpo dela, e voltava a beijar seus lábios, ela sentia falta do beijo no corpo. E todas as vezes que abandonava os lábios para explorar sua pele, ela sentia falta do beijo nos lábios.
Era uma tortura.
Mas era a melhor tortura que ela jamais tinha imaginado.
Ela nem percebeu quando ele retirou seu sutiã. Ele ficou uns bons segundos apenas encarando seus seios. E com a boca ligeiramente aberta.
- Completamente... perfeita...
Ele, imediatamente após falar aquelas palavras, jogou a peça longe, e começou a beijar enlouquecidamente seu colo.
- Oh... meu... Deus...
Aquela era a melhor sensação do mundo.
And how can I stand
here with you
And not be moved by you
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As peças de roupa restantes sumiram com mágica. Ela nem notou direito quando ele tirou sua calcinha. Só percebeu que ele, quando fez isso, falou algumas palavras sem sentido, e parecia completamente maravilhado.
E novamente eles estavam deitados. Ele se ajeitou delicadamente por cima dela. Ela abriu as pernas ligeiramente, para encaixá-lo de forma mais fácil.
Por algum motivo que Ellie não entendeu naquele momento exato, Sirius estava muito vermelho. Ele então olhou para a namorada, e falou.
- Está pronta?
Ela sorriu. E percebeu que não estava nem um pouco nervosa. Ela estava muito mais do que pronta.
- Completamente.
Ele franziu a testa ligeiramente.
- Eu não quero te machucar.
Ellie olhou para Sirius, e falou, num sussurro.
- Eu confio em você.
And how can I stand
here with you
And not be moved by you
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Ele sorriu de leve, e a beijou. Um beijo suave. Um beijo delicado. Um beijo de amor.
Então ele começou a se mover. Lentamente. Delicadamente.
E Ellie viu que estava completamente enganada anteriormente. Não poderia estar mais errada.
Aquela, sim, é que era a melhor sensação do mundo. Definitivamente.
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here with you
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Músicas do capítulo:
Rock n' roll high school – Ramones (trecho da música que James canta no banho)
Live forever – Oasis
Champagne Supernova – Oasis
Everything – Lifehouse
Agora eu posso dizer: finalmente! Finalmente eu terminei esse capítulo! E aí, o que você acharam? Eu realmente preciso de reviews nesse capítulo. Não tenho certeza se acertei o tom, principalmente do final. Tentei fazer a cena de uma forma mais leve e não tão explícita.
O que vocês acharam?
Ah, e aí estão algumas das novidades que eu prometi. Alguns personagens novos, algumas revelações.
Bem, então, até a próxima. E eu realmente espero que não vá demorar tanto. Vou tentar ao máximo adiantar o próximo capítulo.
Beijos!!
Pri.
