POV NINA

Lembro-me de ter acordado cedo no dia seguinte, mas não cheguei a levantar da cama. Continuei aconchegada em seus braços, sentia-me tão confortável. Ian dormia um sono profundo, tinha as bochechas até certo ponto coradas e cabelos bagunçados. Tive vontade de mexer nele, porém ainda não queria acordá-lo. Fechei os olhos e sorri relembrando da noite passada. Por incrível que pareça, eu não me sentia arrependida ou coisa do tipo, pelo contrario me sentia "realizada", mas por enquanto ele não precisava saber desse fato. Talvez depois de um tempo...No desejo de nos termos, acabamos esquecendo de usar a camisinha só que isso não era um problema até porque eu tomava injeções mensais para nem correr risco de gravidez. Ainda era muito nova pra isso, tinha uma carreira pela frente. E que eu esteja protegida da próxima vez de alguma DST, às vezes Ian não poderia ter nada, mas e outros?

Outros... Por que eu tinha a sensação de que eu não teria outros por algum tempo? Era melhor eu voltar a dormir e aproveitar o homem que me envolvia com os braços, do que ficar fantasiando coisas. Coloquei meus braços em cima dos seus e logo adormeci novamente

POV IAN

Quando acordei Nina estava apenas enrolada no lençol e eu a envolvia com os braços. Finalmente ela tinha baixado a guarda comigo. Sorri maravilhado. Ela conseguia me encantar cada vez mais. Seus lábios demonstravam um sorriso delicado, estava tendo bons sonhos. Passei os dedos suavemente por seu rosto exercendo a mínima pressão para nem mesmo acordá-la.

Depois de um tempo junto dela, levantei-me e fui para o banheiro enrolado em uma parte do lençol. Soltei-o e deixei cair no chão. Liguei o chuveiro e deixei a água cair pelo meu corpo enquanto passava o sabonete pelo resto. Dei um sorriso involuntário quando olhei para a banheira e lembrei-me de Nina aqui. Tinha planos para continuar o nosso fim de semana, ela precisava comprar algumas roupas pra si. E eu queria dar algo a ela, para que jamais esquecesse esses dias. Eu não precisava de nada, afinal não iria esquecer tão facilmente, mas tinha medo de que num piscar de olhos ela se tornasse "fria" comigo novamente, depois disso que passamos, eu ficaria até certo ponto magoado se fingisse que nada tinha acontecido.

Já tinha tido varias garotas, mas Nina era como se ela tivesse algo diferente um "quê" a mais. Terminei o banho e enrolei-me na toalha. Voltei para o quarto e ela continuava dormindo, vesti uma roupa rapidamente e fui para a cozinha. Talvez pudessem existir pendências lá, devido aos biscoitos que tínhamos esquecido no forno.

...

Depois de um tempo organizando a bagunça na cozinha pude finalmente voltar pro quarto e me deparei com Nina ainda dormindo. Olhei o relógio, ia ter que acordá-la se quisesse seguir meus planos de sairmos. Sentei-me ao seu lado, peguei um pouco de seu cabelo e fiquei mexendo nele.

Nina abriu os olhos lentamente e olhou para mim: - Bom dia – ela disse com uma voz rouca. Espreguiçou-se e ajeitou o lençol nela – Que horas são?

- Bom dia pra você também dorminhoca – dei-lhe um sorriso estonteante e sentei ao seu lado – Que voz é essa? Tá ficando doente? – fitei-a com uma expressão de preocupação.

- O que? Claro que não – ela deu de ombros – É só que... Você sabe – ela ficou corada e desviou o olhar

Dei uma risada e coloquei uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.

- Ei, aconteceu ontem aqui o que nós já sabíamos que ia ocorrer.

Ela afastou minha mão e deu um pequeno sorriso. Suspirei, não ia deixar colocar essa distancia entre nós novamente.

- Você acordou tem tempo não é? – Nina apontou acusadoramente para minhas roupas.

- Tem um tempinho já, você estava dormindo tão profundamente que não quis te incomodar – dei de ombros – Eu sei que minha cama é irresistível – abri um sorriso debochado.

Nina revirou os olhos: - Acho que não é a única coisa irresistível aqui

Pude sentir meu sorriso se estender. Finalmente ela admitia que eu era irresistível.

Ela me encarou: - Não sonhe alto, a queda é muito grande. As duas coisas irresistíveis aqui é sua cama e eu. Nós também sabíamos que você não resistiria a mim por muito tempo – Nina soltou um riso debochado.

Acompanhei sua risada de forma normal. Sorri satisfeito. Ao menos estávamos falando sobre nós de forma como se já fossemos um "casal" talvez ainda de amigos coloridos, mas ainda assim um casal.

- Minha justificativa pra estar com essa roupa já é porque enquanto a madame dormia, eu fui ver a bagunça que fizemos na cozinha e dei uma arrumada lá. Visitas improváveis podem surgir a qualquer momento e mesmo que não surja não me importo em arrumar nada – dei de ombros.

Nina corou e desviou seu olhar, parecia um tomate maduro. Mordi o lábio pra não rir e ela não ficar "ofendida". Queria saber até onde eu poderia ir com ela, com as brincadeiras e tudo. Não poderia ficar nessa duvida de sempre me perguntar "E se eu fizer isso? Será que ela vai gostar ou brigar comigo". Para conquistá-la eu me arrisquei tanto, fiz coisas que jamais me imaginei fazendo e agora eu parecia ter medo de fazer algo, ela não gostar e... E o que? Ela ir embora? Se ela estivesse apaixonada por mim mesmo como ela dizia, poderia muito bem ser madura e me dizer que não havia gostado da minha fala. Respirei fundo. Ela se apaixonou por mim porque fui seu amigo e conquistei-a. Não vou mudar meu jeito, vou continuar sendo o que sempre fui com ela, não arriscaria perdê-la assim facilmente. Lutei demais por ela. Agora era meu momento de curti-la.

Dei uma risada: - Talvez eu vire seu fã, só pelo jeito que você cora.

Nina me encarou de forma cética. Na verdade, eu já era seu fã. Como eles se autodenominam? Ah sim, claro. Dobrevic

- O que? – continuei rindo – Você já viu a gracinha que fica com essa carinha corada e invocada?

- Gracinha? – Nina arqueou perfeitamente uma de suas sobrancelhas.

- Sim, uma gracinha muito brava – contive uma risada.

Nina revirou os olhos e respirou fundo.

- Acho melhor eu vestir uma roupa – ela disse

Não era a melhor ideia que Nina já havia tido, mas eu tinha que concordar essa cama não iria aturar tanto se ela continuasse enrolada no lençol...

POV NINA

Indiretas. Era isso que definia Ian no momento. E talvez "bom dia Nina, acordei, vesti uma roupa. Você acordou e eu não te dei privacidade, apenas fiquei te secando com o olhar. E disparando uma indireta atrás da outra". Sorri internamente, não podia dizer que não gostava de seu olhar sobre mim, era como se contribuísse para elevação da minha autoestima.

- Sabe que eu também acho? – ele me lançou um olhar sugestivo – Acho que você deveria vestir uma roupa, não sei o que posso fazer contigo a qualquer momento se ficar assim só protegida por um simples e fino lençol de seda – seus dedos percorreram o lençol e algumas partes do meu corpo.

Senti um arrepio subir pela minha coluna.

- Será que pode parar de pensar em transar comigo ao menos por um momento? – ergui uma sobrancelha. Homens eram assim comigo ou era Ian em especial que ficava assim?

- Com você nua enrolada com meu lençol e na minha cama? Deixe-me pensar um pouco – sua expressão tornou-se pensativa – claro que não

Mordi o lábio para não rir e revirei os olhos: - Você é impossível – olhei para ele. Ele usava uma calça azul listrada e uma camisa branca – Você vai sair?

- Nós vamos – ele disse com a maior naturalidade

- O que? Ian achei que seria escondido... Ao menos esperar por um tempo

A verdade é que eu nem sabia que estávamos em um relacionamento, mas não podia negar que parecia muito com um. E do jeito que estávamos envolvidos... Mas eu não poderia sair com ele, não agora. Quando soube que vínhamos para Los Angeles, tratei de marcar uma aula de ginástica (na preferência ioga) para manter a forma. Podíamos sair depois da minha aula, se desse para tomar um banho.

- Mas vai ser escondido, nós vamos sair como amigos – ele deu de ombros

- Amigos não fazem sexo – encarei-o. Achei que era um inicio de relacionamento

- Amigos não são apaixonados – abri a boca para falar, mas ele foi mais rápido e me impediu – E também, amigos não fazem sexo. Nisso eu concordo, só digo que eles fazem amor por estarem mais profundamente conectados – Ian me olhou de forma intensa.

Respirei fundo. E aí estava o olhar que me deixava de pernas bambas. Não era justo ele me olhar dessa forma, baixava minha defesa.

- O que você acabou de dizer? – tive medo de a minha voz sair falha, mas pelo contrario... Saiu bastante firme.

POV IAN

Ela era teimosa até certo ponto, mas já tinha ultrapassado muitas barreiras com ela. Não iria desistir agora. Não agora que estava conseguindo fazê-la ceder aos seus sentimentos.

- Achei que já tivéssemos admitido essa parte de sentimentos – olhei-a

Nina revirou os olhos: - Não vou discutir com você, estando nua me dê licença.

- Qual o problema? Nos conhecemos bem ontem a noite – muito bem, acrescentei mentalmente. Não pude deixar de sorrir com esse pensamento.

Em troca acabei por receber um tapa no braço, não tão forte, mas me pegou desprevenido. Segurei sua mão que tinha me atingido.

- Meu banheiro está a sua disposição. – acariciei sua mão – Vou deixar você à vontade

- Será que poderia ao menos sair do quarto? Ao menos ate eu entrar no banheiro? Aliás, onde estão as minhas coisas?

- Nina – olhei bem em seus olhos – Não haja como se fossemos desconhecidos ou que nada aconteceu ontem à noite ok?

- Vou tomar banho e depois disso conversamos sobre o que houve ontem. Mas onde estão minhas coisas?

Espero que possamos conversar sem tanto tapa seja físico ou verbal. Era um fora atrás do outro. A garota era afiada. E isso só me atraia mais. Tinha atitude, eu gostava disso.

- Suas coisas estão junto com as minhas – sorri.

- Tudo bem, obrigada.

Nina se enrolou no lençol, sem sequer deixar uma brecha para ver algo. Contive um beicinho. Ela entrou no banheiro e fechou a porta. Levantei-me e bati na porta.

- Você não sabe nem me deixar tomar banho? Não vou abrir a porta – ela disse.

- Não precisa abrir – falei – Só quero fazer uma pergunta. Posso?

- Isso já é uma pergunta.

Revirei os olhos. Não era uma mentira, mas resolvi ignorar.

- Se mudar de ideia, eu tomo banho com você. É só me chamar que eu venho. Dê um grito.

Saí do quarto, mas antes pude ouvir Nina dando uma gargalhada e dizendo "nunca".

Ela iria mudar de ideia, poderia não ser hoje, mas eu sei que ela iria...