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Memória XIX: Sensação Entorpecente
Dono: Contada em 3ª Pessoa
Música: Whitesnake – Slow an'Easy
Suavemente, os corredores de Hogwarts vão se formando em nossa visão e, pouco a pouco, sentimos uma suave pressão na cabeça. Eis ali, o monitor desregrado e a monitora certinha.
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Andar pelos corredores de Hogwarts pode trazer surpresas para qualquer um. Não importa a hora, sempre haverá algo para se ver, você pode ter certeza. Nem que seja para ouvir histórias sobre os fantasmas ou observar o sonambulismo de alguns quadros. Você pode até mesmo se surpreender em encontrar alguém extremamente certinho descumprindo regras, ou alguém extremamente desregrado cumprindo as mesmas.
Bem, a segunda realmente não aconteceria se não fosse extremamente -extremamente MESMO - necessária.
- James, sem querer ser chata, mas, pra onde estamos indo? – Lily perguntou encarando o namorado. A única dica que ele deu foi que ela não poderia estar vendada, já que se estivesse não poderia cumprir a regra do lugar.
Haviam se passado três meses desde que a ruiva e o moreno haviam começado a sair e dois meses desde que começaram a namorar. James gostava de dizer que havia finalmente sido escravizado pela ruiva, chegando uma vez a se acorrentar a ela durante um dia inteiro, a corrente só abrindo quando o jantar terminou. James, que já havia provado o quão era fácil constrangê-la sem estar a namorando, agora durante quase todos os cafés da manhã, provocava risos histéricos em Sirius, Remus e Peter, que chegava a cair no chão, e tornava a face de Lily Evans o mais puro vermelho... E, agora, depois de alguns
- Bem, ruivinha do meu coração, não importa quantas vezes você pergunte, sete ou setecentas, eu não vou responder ainda. – ele respondeu. Isso apenas atiçou ainda mais a curiosidade e a mente fértil de Lily Evans. Os dois estavam, juntos, fazendo a ronda nas masmorras e, de acordo com a surpresa de James,teriam de subir as escadarias.
Lily deixava sua mente solta, tentando adivinhar aonde James queria ir. Se soubesse o andar, poderia ter alguma noção de para onde ele pretendia ir, certo? Mas o moreno se mantinha em silêncio, sempre agindo como se ela não estivesse ao lado, embora algumas vezes direcionasse o olhar a ela e lançasse um de seus sorrisos galanteadores acompanhados de uma piscadela de seu olho esquerdo.
A jornada era longa. Lily começava a deixar o clima de mistério tornar-se tédio. Era impossível não fazê-lo, já que James insistia em manter-se calado, apenas andando, e andando, e andando...
- Não vai falar mesmo aonde vamos, James? – ela perguntou, começando a ficar entediada. Ele bufou e a olhou nos olhos.
- Se eu falar vai perder a graça, Lil... Mas, ainda assim, eu posso ir dando dicas sempre que quiser.
- Pode começar a falar, Jay. – ela chamou e ele soltou o ar pelo nariz, rindo suavemente. Jay. Fazia tempo que não o chamavam assim.
- Bom, querida Lil, é uma sala.
- De aula? – perguntou prontamente, ligeiramente desconfiada com os dizeres do marauder.
- Não. – ele sorriu e olhou para ela, os olhos cintilando sob a fraca luz de suas varinhas - Não é de aula. –
Ela mordeu o lado esquerdo do lábio inferior, pensando um pouco mais. Sala, mas não de aula... Hum... Salão Comunal, Salão dos Monitores, qualquer sala aonde não se dê aula. Ótimo.
- É... Como é a sala? – ela perguntou com uma cara pensativa, o cérebro trabalhando naquilo.
- Depende.
- Do quê?
- Se eu falar vai perder a graça. – James repetiu com um ar risonho e ela deu de ombros.
- Ótimo, então eu vou dormir, tchau, James! – falou um pouco irritada e deu as costas ao moreno, pisando firme, entrando no corredor do terceiro andar.
- Ótimo, você vai ficar curiosa para o resto da sua vida sobre aonde eu iria te levar e ficará louca quando descobrir, anos mais tarde, que perdeu essa oportunidade! – ela estacou. Ele realmente sabia como convencê-la e, para Lily, isso poderia resultar em sérias conseqüências.
Ela virou-se e suspirou. "Termine logo com o suspense, então" pensou um pouco cansada. A descrição dependia de quê? Pensou... Pensou mais... Empenhou-se somente em pensar.
Nada lhe veio à mente.
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Há um salto na memória, aonde se misturam as imagens e tudo volta ao foco, instantes depois.
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Estavam no sétimo andar e Lily tinha certeza: já passara duas vezes pelo mesmo lugar. Estaria James perdido? Era pouco provável o marauder se perder. Aliás, era impossível o marauder se perder, já que ele conhecia cada canto daquele castelo de cor.
James andou uma terceira vez na frente da tapeçaria de Barbabás. Quando voltava, pôde ver a porta¹ aparecendo, de acordo com seus pensamentos. Ele sorriu e a ruiva arregalou os olhos.
- Aquela porta estava ali? – ela não conseguia crer que deixara de prestar atenção àquele lugar em especial.
James apenas sorriu e, com esse mesmo sorriso, falou suavemente:
- Quer fazer as honras de abrir a porta? – ela apenas colocou a mão na maçaneta e girou, abrindo-a com certo receio. James ainda era um marauder e, como Lily já sabia há algum tempo, nunca se deve dar 100% de confiança aos planos de um marauder. Principalmente se eles envolvem você.
Assim que a ruiva abriu a porta, ficou paralisada com o que viu. James cortou suavemente o clima de deslumbramento da sua namorada com a sua voz grave ressoando logo atrás dela.
- Sala Precisa. Quando você passa três vezes na frente dela, pensando no que você precisa, a sala se molda ás suas necessidades. – ele sorriu – Você não pensou em nada, eu sim. –
Assim que James viu como estava a sala, percebeu que estava ao seu gosto. E, pelo que conhecia de Lily, estava ao gosto dela também. A ruiva arriscou alguns passos para dentro, e o moreno a seguiu com um sorriso de satisfação no rosto.
A sala era aconchegante, a temperatura não chegava ao calor, tampouco ao frio, ficando em um meio termo, uma amenidade entre as duas sensações. Um perfume peculiar enchia as narinas de ambos, um cheiro que nenhum dos dois conseguia identificar. As paredes eram de um tom escuro de vermelho, beirando o arroxeado do vinho, com alguns quadros na parede, todos eles trouxas, estáticos, abstratos em tons fortes.
O chão era de uma madeira escura, brilhante, ora recoberto por um tapete mais claro aqui, outro acolá. No centro do lugar havia uma grande cama de madeira, os lençóis tinham tons de vermelho que iam ficando cada vez mais claros, um efeito dégradé na diagonal. Tudo tinha certo equilíbrio e, em meio aos tons fortes podiam-se enxergar algumas frases quando estas ficavam na penumbra. Frases desconexas, mas todas elas foram ditas ou por James ou por Lily. E o moreno se lembrava de cada uma delas. O teto da sala era alto... Bem alto. Lá no alto, algumas velas flutuavam no ar, suspensas por magia, e ficavam se movendo fazendo as sombras no chão deslizarem silenciosamente, criando desenhos suaves das silhuetas dos dois.
James, movimentando-se com fluidez, aproximou-se por trás de Lily e, afastando os cabelos ruivos com uma das mãos, beijou o pescoço alvo com algumas sardas. Ela suspirou e se entregou ao toque dele, com um doce arrepio percorrendo seu corpo.
Ela já esperava que, em algum momento daquele relacionamento, isso acontecesse. Era inevitável se enganar e burrice negar. Mergulhou as mãos nos cabelos escuros do marauder. Ambos se livraram dos longos sobretudos de Hogwarts, o calor da sala deixando tudo um pouco nublado para a visão deles. Os olhos dela se fecharam para apreciar o toque dele.
James sorria enquanto a beijava. Ele desabotoava o primeiro botão, de cima para baixo, da camisa dela, soltando a gravata, que só atrapalhava. O segundo botão saiu lentamente. Veio o terceiro, o quarto... James desnudava o ombro da ruiva, beijando as sardas que davam um charme à irritadiça e preocupada Lily Evans.
- Você é linda, Lily. – ele falou e voltou os lábios para o rosto dela, beijando a bochecha levemente corada da ruiva. – Tão linda que chega a doer meus olhos. – ele confessou em um murmurar.
Ela virou-se para ele com igual fluidez e beijou-lhe os lábios com calma. Era injusto apenas ela ter de tirar a camisa. Completamente injusto. Enquanto as línguas se encontravam em uma dança aonde a batida era regida por seus corações, a ruiva desabotoava a camisa do moreno com certa facilidade. Lily sequer precisou tirar a gravata, que apenas estava ao redor pescoço, sem nó. Seus beijos úmidos e quentes desciam pelo pescoço do Potter, que, assim como ela, fechou os olhos para sentir melhor o toque daquela que pensou que nunca conquistaria.
- Lil... – ele soltou involuntariamente e ela não pode deixar de sorrir ao ouvi-lo chamá-la. Era intrigante como ambos tinham um incrível poder sobre o outro. Não importava o que eles fizessem, se fosse de um para o outro, sempre parecia melhor, mais intenso...
A camisa dele escorregou por seu corpo e caiu no chão, poucos segundos depois, a dela fazendo o mesmo. Já havia certa urgência em seus toques. Os corações estavam acelerados. Não era como se o moreno nunca tivesse tido uma noite com alguém, mas daquela vez era diferente. James a guiou até a cama, que ficava no centro do cômodo, eles se deitaram, James ficando sobre ela, apoiado ao redor. O moreno sorriu, beijando mais uma vez o pescoço da ruiva, do outro lado dessa vez, descendo os beijos suavemente. Uma de suas mãos subiu do abdômen da ruiva até o seio, a mão dele driblando o sutiã com alguma facilidade.
Lily sentiu o corpo estremecer quando James tocou seu seio. Ela só pensava nos toques do moreno, o corpo pedindo mais daquele toque. Era estranho imaginar-se ali, com James, em outras ocasiões. Simplesmente pensaria que estava louca. Suspirou quando sentiu a mão dele apertar-lhe um pouco mais o seio.
James descia os beijos do pescoço para o ombro, suavemente, sentindo o sabor da ruiva uma vez mais. Queria desbravar o corpo dela, beijar cada centímetro de pele que conseguisse. Sentiu-a soltar um novo suspiro e colocou ambas as mãos nas costas dela, fazendo com que a ruiva se arqueasse um pouco. O sutiã se soltou em seguida.
O moreno ia descendo os beijos. Aproximou-se do seio da Evans e, lentamente, baixou o sutiã com uma de suas mãos. Ele apenas descia os beijos, Lily permitindo que ele o fizesse até então. Os olhos dela se fechavam enquanto ele simplesmente alternava suas carícias e beijos.
A ruiva o puxava para si, soltando suaves gemidos. Agora não lhe parecia tão impossível a idéia de estar com James em uma sala do castelo, infringindo uma regra qualquer. E ela entendeu porque ele sempre fazia: era prazeroso.
Tanto prazer fez a ruiva, não ter sentido em seus movimentos, o que fez com que ela tomasse atitudes inesperadas. Depois que James lhe soltou suavemente o seio com uma mordiscada leve, ela aproveitou e começou a beijá-lo, primeiro no tórax bem definido pelo quadribol, a posição de artilheiro lhe conferindo apenas menos músculos que Sirius. Ela o olhou, ele estava totalmente a mercê dela. Ela desceu pelo abdômen igualmente definido e chegou finalmente às calças dele.
- Você tem certeza, Lily...? – perguntou, entre gemidos, um exasperado James.
- Pode apostar que isso não acarretará em uma detenção, Jay... Para nenhum de nós - disse Lily com um sorriso em que se podiam ler claramente as intenções dela.
Lily estava um pouco insegura, nunca o havia feito. Era estranho estar ali, diante do julgamento de James Potter. Tentava fazer o melhor que podia. Pôs-se a trabalhar de forma que deixou James num frenesi tão grande que quando chegou ao seu ápice soltou um gemido puramente prazeroso.
Ele desviou seu olhar, que até então estava completamente enevoado, para ela, que exibia um sorriso receoso. Ele se permitiu sorrir e ir em direção á ela. Era a vez dele, agora.
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Mas uma seqüência de imagens dispara e nos muda o tempo mais uma vez.
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Ambos já estavam nus, ali, sobre aquela cama. James estava sobre Lily, que o olhava nos olhos. Ele sorria um sorriso gentil geralmente visto nos lábios de Remus. Ela retribuiu o sorriso e o puxou para perto, o beijando uma vez mais. Ele se posicionou e, lentamente, invadiu o corpo da ruiva. Ela arranhou a nuca e mordeu-lhe o lábio com mais força que o normal. Doía.
James se manteve parado, aguardando ela suavizar o aperto em sua nuca. Com uma fluidez de seus movimentos, ele começou a se movimentar. Sabia da condição de sua namorada. Sabia que, por ser a primeira vez dela, ela sentiria mais dor que prazer. Era um fato. Ela fechou os olhos com força, sentindo a dor preencher-lhe por um instante, arqueando um pouco o corpo. Soltou os lábios dele e colocou seus braços so redor do corpo forte do moreno, cravando as unhas dolorosamente em sua pele, sendo anestesiado pela sensação de êxtase. James se movimentava devagar, esperando que ela se acostumasse com ele.
Pouco a pouco, Lily sentia a dor se dissolvendo em prazer. Os gemidos, antes de dor, confundiam-se agora com os de prazer e as frases desconexas que soltava. Os movimentos ritmados a envolviam, entrando também naquela dança aonde quem regia tudo era a necessidade por mais daquela droga, daquele toque mágico. As vozes dos dois se misturavam em um tom único, tom esse que clamava por uma fusão completa dos corpos.
Ela sentia o prazer aumentar e, assim como James, se aproximava do ápice. Os dois pareciam só saber o nome um do outro. Quando veio, enfim, ondas de prazer invadiam o corpo dos dois, James caiu sobre Lily, sentindo-se derreter dentro dela, apoiando-se ao redor do corpo da ruiva, olhando os olhos esverdeados e nublados dela, o suor em sua pele refletindo a luz das velas dançantes.
Era uma sensação de torpor. James escorregou para o lado dela. O calor da sala e dos dois fazia desnecessário o uso de qualquer roupa. O marauder a abraçou e sussurrou em seu ouvido com a voz grave e baixa.
- Eu te amo... Eu... Eu te amo, Lily. – ele falou arfando e sorriu o seu melhor sorriso, ou o melhor que poderia mostrar.
Ela sorriu e o olhou nos olhos. Ela finalmente havia se rendido a ele. Sabia que no garoto em que encontrou refúgio para seus problemas e um alvo para seu amor, encontrava agora uma fonte para seus desejos.
- Eu também... Te amo, James. –
Um beijo terno uniu os lábios dos dois. Ambos notaram, então, que o cheiro desconhecido, era o cheiro um do outro... Mas antes que pudessem comentar alguma coisa, a sensação de entorpecimento, combinada com o cansaço do dia, os fez adormecer ali, lado a lado, abraçados. Como se nunca quisessem se soltar.
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O sorriso singular nos lábios de cada um daqueles amantes é a última coisa que essa memória revela, tudo tornando-se escuro, levando-nos mais uma vez para fora daqueles tempos.
¹ - Nunca vi uma especificação sobre ser uma porta ou portão. Logo, para o uso deles, creio que uma porta caberia melhor, certo?
Notas do Autor: Eis aqui a pior memória que escrevi. Sério, eu juro que poderia ter ficado melhor, mas, como sempre, eu fiz uma merda. Errei em alguns trechos e posso ter deixado mais vago e subjetivo em algumas partes que outras, MÃS... Devo ressaltar que não sou um profissional e não tenho a obrigação de escrever corretamente, okay? Humf. Brincadeira, muito obrigado por terem esperado e eu devo dizer que não postarei com a mesma frequência que antes, tudo bem? Certo... Esse mês, em especial, eu estarei escrevendo o 1,OOO HITS, então posso demorar mais que o comum (e menos do que dessa vez) para escrever.
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MY EYES, MY EYES! X_X
