Capítulo 21 – O Mestre das Marionetes
Naquela noite, uma sombra misteriosa cobriu o solo sagrado do Santuário de Atena. Os Santos de Ouro estavam nas posições que Shion determinou anteriormente. Camus e Miro protegiam as Princesas Asgardianas no Templo Principal junto de Atena e Julian, enquanto Saga e Shaka permaneciam na linha de frente na Casa de Áries. Os outros estavam em suas respectivas Casas.
No cemitério do Santuário, Seika visitava o túmulo de seu irmão Seiya, que morrera após a batalha contra Hades. A jovem tinha o costume de ir até lá durante a noite, costume este que todos achavam estranho, pois geralmente o cemitério é um local evitado neste período. Ela rezava pela alma do irmão e chorava de saudades, pois nem sequer teve tempo para conviver com ele após saber de seu paradeiro e lembrar-se dele. Depois de terminar suas preces, caminhou pelo local em direção à saída, até que durante o trajeto avistou ao longe entre várias cruzes uma espécie de brilho de cor arroxeada. Como se tivesse sido atraída para aquele local, ela foi até onde emanava a tal luz, e ficou chocada ao dar de cara com o corpo de um jovem rapaz. Assim que Seika se aproximou, a aura roxa se dispersou e ela pôde observá-lo melhor. De pele clara e cabelos prateados, trajava um sobretudo preto e botas de igual cor, e por dentro uma camisa branca e uma gravata de babados. Tinha o rosto jovial e uma aparência extremamente bonita. Seika ia correr para buscar ajuda, mas subitamente sentiu algo agarrando sua perna. Tratava-se do desconhecido, que até então ela pensou estar inconsciente, ou mesmo morto.
— Garota... me ajude. – Pediu quase em um suspiro com sua voz rouca, mas extremamente atraente, e ela, como se realmente estivesse sendo hipnotizada por tão penetrante voz, apenas assentiu.
Ajudou o rapaz a se levantar, e subitamente ele levou a boca ao pescoço de Seika e o mordeu, bebendo alguns goles de sangue, deixando a garota horrorizada, mas ela não tinha vontade de fugir dele. Parecia completamente submissa, e não se incomodou com o gesto. Ele então passou o dedo onde havia mordido, e curou a pele de Seika imediatamente.
— Quem é você e o que acabou de fazer? – Perguntou olhando para ele, rendida em seus olhos dourados.
— Eu...? – Tentou se lembrar, até que um certo nome lhe veio em mente. — Você pode me chamar... de Minos.
— Minos... Ah, entendi... Minos-sama. Mas você está bem? Como veio parar aqui?
— Eu não sei... minha cabeça está uma bagunça. Estou um pouco tonto.
— E por que chupou o meu sangue? Você é uma espécie de monstro? Um vampiro?
— Nem uma coisa nem outra. Não se preocupe com isso. Eu sou um humano assim como você. Não sei como vim parar aqui, só sei que estou confuso.
Seika olhou para ele intrigada. Não sabia o que pensar, mas também não podia deixar o homem ali jogado.
— Você pode andar?
— Se me ajudar, acho que posso.
— Certo, então vamos sair daqui.
E assim, Seika levou Minos até sua casa. Caminharam a passos lentos até que chegaram a uma casa pequena, mas bem arrumada. O prateado não queria incomodar, mas por insistência dela, acabou aceitando deitar em sua cama. Não se sentia bem. Era como se toda a sua mente não passasse de um livro em branco, e a única coisa de que ele se lembrava era de seu nome. Seika também não entendia como um jovem e bem vestido rapaz poderia ter ido parar ali, caído no meio do cemitério do Santuário de Atena, local onde o acesso de pessoas comuns não era permitido.
— Como se sente?
— Um pouco tonto. Minha cabeça parece estar vazia.
— Você sofreu algum acidente?
— Não sei. A única coisa de que me lembro é que me chamo Minos.
— Que bom. Pelo menos já é alguma coisa.
— Me desculpe. Acho que devo estar causando problemas para você. – Lamentou.
— Hum... – Negou imediatamente balançando a cabeça.
Minos se deitou. Encostou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos. A verdade é que ela estava se sentindo bem com a presença daquele desconhecido. Por alguma razão, desde que o viu, a japonesa sentiu uma forte atração que a levava para perto dele. Tal atração era por causa dos poderes do Juiz, que mesmo sem consciência, podia atrair as pessoas. A grande beleza que o rapaz detinha também contava, portanto, era fácil para qualquer mulher se encantar por ele. Minos estava parcialmente sem memória. Não sabia que era um dos três Juízes do Inferno, tão pouco o que fazia ali. Ele não tinha ideia... de nada.
Em Valhalla, Sorento e June andavam pelos corredores de braços dados. Ele, assim como Isaak e Shaina, ainda usavam suas vestes de combate. O casal ia caminhando na frente enquanto Shion carregava o corpo de Mu, ao passo que Isaak e Shaina vinham logo atrás. Todos estavam exaustos da missão, e Sorento e Shaina estavam feridos. Enquanto seguia para os quartos, o grupo deu de cara com Mime e Katherine no maior amasso frente à uma das janelas. Shion, Isaak e Shaina olharam espantados, ao passo que Sorento ficou pasmo e June quase começou a rir. Estavam muito à vontade desfrutando de um beijo quente e carícias ousadas. Katherine estava sentada no colo de Mime com as pernas enlaçadas na cintura do rapaz, que por sua vez mantinha as mãos estrategicamente posicionadas nas nádegas da garota e as apertava, conseguindo em troca gemidos abafados dela, que se segurava como podia na nuca já suada do Guerreiro Deus, até que mais uma vez suas línguas se encontravam ferozmente. Ambos estavam descabelados e descompostos, e o alaranjado já estava excitado o bastante para pegar a ruiva ali mesmo. A médica ficou ainda mais animada com a excitação do jovem, e rapidamente segurou o membro duro sobre as roupas. Mime deu uma risada de canto enquanto era desafiado por ela.
— Me leve até seu quarto. – Disse audaciosa, já com a intimidade doida de desejo para dar.
— Apressada... – Ele respondeu calmo, e ao abrir os olhos de repente, levou um tremendo susto ao ver seu irmão parado de braços cruzados olhando a cena, e quase entrou em desespero ao ver que além dele ainda haviam mais cinco pessoas vendo tudo.
— Ora, ora... – Disse o General, matando o irmão com o olhar.
— Sorento-nii-san?! – Exclamou envergonhado, querendo sumir da Terra.
— Mime...
O músico levantou assustando, e sem querer jogou Katherine no chão, que acabou caindo de qualquer jeito.
— Sorento-nii-san, eu posso explicar.
— Espere um pouco aí! "Nii-san"?
Katherine olhou bem para Sorento naquela hora. Teve um baque tremendo ao ver o rapaz trajando sua Escama Dourada, e perdeu seu olhar naquelas asas que pareciam de Anjo. Jamais em sua vida imaginou que houvesses guerreiros assim, e muito menos o homem por quem ela tinha se apaixonado desde os tempos de faculdade fosse um deles.
— Não me diga que vocês dois são irmãos? – Disse chocada.
— Sim, nós somos irmãos. – Mime respondeu direto.
— Droga... eu pedi pra não dizer isso. Mas é claro agora tudo faz sentido. por isso você me lembrava outra pessoa. Sorento, amor! Eu estava morrendo de saudade de você! – Disse ela, correndo em direção ao músico, o agarrando bem na frente de June, deixando Mime igualmente danado.
A loira bufou de raiva e cerrou os punhos.
— Eu não estou acreditando nisso. Essa mulher definitivamente não tem o menor amor a sua própria vida. Pode ir tirando essas patas imundas de cima do meu namorado! – Gritou nervosa, puxando a ruiva pelos cabelos, dando uma bofetada nela. — A surra que te dei já não foi o bastante?
Katherine foi ao chão e bufou de ódio.
— Sua maldita desgraçada! Vou acabar com a sua raça sua loira nojenta!
Sorento observou o rosto de Katherine e concluiu que as feridas foram causadas por sua namorada.
— Alguém pode explicar o que aconteceu aqui? – Indagou o General.
— Nii-san, você nem vai acreditar. Essa mulher apareceu aqui do nada dizendo ser irmã do Alberich, e começou a brigar com June e Thethis. Elas saíram na porrada, e eu tive que acalmar a fera.
— Entendi... já sei muito bem como você fez isso. Katherine, posso saber o que você está fazendo aqui? Eu já tirei você da minha vida. Qual é a parte do "eu não quero mais te ver na minha frente" você ainda não entendeu?
— Acho que você não entendeu o que seu irmão disse. Eu sou irmã do Alberich, que por sinal está inconsciente em uma cama bem aqui neste Palácio por razões que eu ainda não entendi.
— Certo, você conseguiu me surpreender. Certa vez me disse que tinha um irmão que morava longe, mas eu jamais imaginaria que se tratava de um guerreiro Deus.
— Nem eu mesma sabia da existência de guerreiros. Tudo é novidade para mim.
— A propósito, Nii-san, vejo que vocês resgataram o Santo de Ouro. Vamos para os quartos. Vocês devem estar muito cansados.
Sorento assentiu. Estava mesmo muito cansado e machucado da batalha, e foi para a enfermaria junto com Shaina, que rapidamente deitou em um dos leitos, exausta.
— Shaina-san, já pode relaxar.
— Sorento?
— Isso mesmo. Pode relaxar. Sei que aguentou até aqui usando seu Cosmo, mas agora já pode ficar tranquila.
— O que você está querendo dizer Sorento? – Shion perguntou confuso.
— O poder de Poseidon-sama causou muitos danos nela. Tem fraturas por todo o corpo além de escoriações. É provável que os ossos quebrados tenham atingido algum órgão. – Explicou.
— Mas Sorento, como você sabe disso se apenas olhou para ela? – Questionou o ariano.
— Esqueceu que além de General Marina também sou médico? Você possui as habilidades psíquicas de cura, mas não possui o conhecimento. É fácil diagnosticar quando se tem experiência.
— Puxa, você é incrível.
— Posso deixar a Shaina-san com você? Vi que ela está com dificuldades para respirar. Se alguma costela estiver quebrada, pode ter afetado o seu pulmão.
— Entendi. Eu vou cuidar dela, mas e quanto a você? Também está machucado.
— Não se preocupe comigo. Meus danos são mínimos, mas a verdade é que estou bastante dolorido.
— Se você está dizendo...
Sorento foi para um dos quartos descansar depois que os enfermeiros fizeram curativos por todos os seus ferimentos. June foi com ele. Sentaram-se na cama e o médico olhou seriamente para ela.
— O que foi, querido? Aconteceu alguma coisa?
— Temos que conversar.
— Você vai me contar como foi todo o resgate? Pois estou ouvindo. Tomara que tenha dado um merecido castigo no Kanon.
— Não se trata disso. Por que usou sua força contra uma humana comum? – Perguntou direto.
— Pode parar por aí. Não vai me dizer que agora você vai defender aquela oferecida! – Disse, já levantando a voz.
— Já vai ficar nervosa na primeira Frase? Eu não estou brigando com você, simplesmente fiz uma pergunta.
— Se você vai defender aquela imbecil do cabelo de fogo oferecida é melhor que esta conversa nem continue.
— Não há dúvidas de que você é uma autêntica ariana. Pavio curto, esquentada, e que adora sofrer por antecipação. Eu não vou defender a Katherine. Isso jamais passou pela minha cabeça. Só estou dizendo que uma Santa como você usar sua força contra uma humana comum pode trazer muitos problemas. Se você errar a mão pode até matá-la. Você admitiu que deu uma surra nela na frente do Shion. Tem ideia do que pode acontecer?
— Nossa... Você tem toda a razão. Eu não pensei nisso. Me desculpa... – Falou arrependida.
— Não se chateie, amor. Apenas reze para que Shion não tenha percebido. Sabia que você fica ainda mais linda quando está com ciúme de mim? – Respondeu carinhoso, fazendo uma leve carícia no rosto de sua amada loira, que retribuiu beijando a mão dele.
Sorento deitou da forma mais confortável que conseguiu. Estava com a camisa social aberta, e tinha faixas em volta de todo o seu tronco, consequência das feridas que adquiriu por causa dos ataques de Poseidon. June olhou bem para o seu amado. Podia estar como fosse, mas ainda era belo e sexy aos seus olhos. Deitou-se como pôde ao lado dele e enlaçaram uma de suas mãos.
— Você fica tão linda quando está com ciúme de mim. – Comentou fechando os olhos.
— É por que te amo. Não vou deixar ninguém encostar em você. Eu não suporto te ver machucado. Se alguma coisa tivesse acontecido com você, eu acho que eu teria ficado louca.
— Eu estou bem. Apesar do erro do Isaak, conseguimos executar o plano como programado. Logo logo eu vou estar novo em folha. Mas ver o meu irmão envolvido com aquela mulher realmente me incomoda.
— Por acaso você está com ciúme dela?
— Mas é claro que não. Isso está totalmente fora de cogitação. Mas Katherine não é uma pessoa confiável. Por pouco não a expulsei do hospital na Áustria, e acho que cometi um erro por ter sido bom com ela.
— Com certeza você errou, mas esqueça isso. Vou deixar você sozinho para que descanse. Quero que fique bom logo.
Como fez da última vez, Sorento segurou o braço de sua amada, a impedindo de sair.
— Dorme comigo.
O coração de June disparou com o audacioso convite de seu namorado. Olhou seu belo homem com desejo, e uma incrível vontade de que ele a possuísse naquele exato momento, e se ela decidiu o deixar descansar era por compreender que ele está machucado. Mas quem consegue resistir a uma oferta tão tentadora? Olhou novamente. Definitivamente não teria coragem de deixá-lo sozinho. Sentou-se com cuidado e acarinhou o rosto dele, que fechou os olhos apreciando a carícia. Desceu sua mão enlaçando os dedos por uma mecha de cabelo.
— Seus olhos... E seus cabelos são tão lindos. É uma delícia sentir a maciez desses fios roxos em minhas mãos.
Ele sorriu.
— O que vou falar de você? Você inteira é linda... é perfeita. Eu te amo. – Falou ao sentar.
Olhou profundamente nos olhos azuis de sua loirinha antes de tomar-lhe a boca em um beijo desejoso e calmo. Se abraçaram devagar à medida em que se beijavam, e logo o beijo foi ficando mais profundo e audacioso. June passava as mãos pela nuca, bagunçando os longos cabelos dele, ao passo que ele aventurava suas mãos pelas coxas grossas, aproveitando que ela estava sentada em seu colo.
— Gostosa... – Murmurou, enquanto suas bocas se separaram momentaneamente em busca de um pouco de ar.
— Não... você... você sim é delicioso. Seu cheiro, seu corpo... tudo em você é perfeito. – Respondeu baixo, chupando os lábios dele.
June o conduziu para que deitassem, mas não sem antes tirar a camisa dele. Ambos já estavam excitados, e quando June abraçou seu amado com força, ouviu um grande gemido de dor.
— Ai! – Gritou dolorido, levando as mãos sobre o abdome.
— Tudo bem, amor?
— Já estive bem melhor antes de ser atacado por Poseidon-sama. Desculpe, meu amor, mas acho que hoje não vai dar...
— Não se preocupe, meu amor. Eu me conformo em dormir do seu ladinho. Hoje sou eu que vou cuidar do meu médico e músico favorito. – Falou carinhosa, dando outro selinho em seu namorado.
O casal adormeceu, e momentos depois uma das Sirenes surgiu de pé ao lado da cama observando os dois.
— Descanse, mestre, e também a dona do coração do meu mestre. Espero que fique bom logo. – Disse a fada, acarinhando delicadamente a cabeça do jovem.
— Obrigado, Sirene... – Agradeceu mentalmente ao sentir o carinho.
Enquanto todos procuravam descansar, Katherine foi até o quarto de seu irmão, onde deu de cara com Thethis, que cuidava dele incansavelmente. Olhou para a loira com indignação, pois achava que, como irmã, cuidar de Alberich era obrigação dela.
— O que está fazendo aqui? – Indagou nervosa.
Thethis nada respondeu. Apenas ignorou a presença da irritante ruiva, deixando a jovem com ainda mais raiva.
— Já falei que não quero você perto do meu irmão. Se manda daí! – Exclamou autoritária, puxando Thethis pelo braço, fazendo-a levantar.
Thethis a fulminou com o olhar. Em um instante emanou seu Cosmo, fazendo com que a temperatura de seu corpo aumentasse, e a ruiva rapidamente a soltasse.
— Nunca mais se atreva a encostar essas suas mãos sujas em cima de mim. Se tem um pouquinho só de amor a essa merda dessa sua vida, é melhor ouvir o que eu digo. Sou eu que estou cuidando do Alberich, e você não vai me afastar do lado dele, entendeu bem?
— Acha que eu tenho medo dessa luzinha rosinha que apareceu em volta de você agora? Vou dizer mais uma vez. Não quero nenhuma desconhecida perto do meu irmão, aliás, nada me tira da cabeça que você também tem alguma coisa a ver com o estado de saúde dele.
— Pirou de vez! Não há dúvida de que você está completamente louca. O que eu teria a ver com o estado de saúde dele?
As duas moças seguiam discutindo, e Alberich mantinha seus olhos fechados pesadamente, como se nunca mais fosse acordar, até que em dado momento, começou a mexer vagarosamente os dedos das mãos, e um Cosmo branco de brilhante passou a envolver seu corpo, mas as mulheres estavam tão concentradas em sua briga que não perceberam tal fato. Katherine já ia partir para cima de Thethis para agredi-la, mas levou um enorme susto ao ver alguém se colocar no meio das duas e a pegar pelos pulsos.
— Pare com isso, Katherine.
As duas levaram um grande susto. A que horas Alberich havia acordado? E como ele chegou tão rápido no meio das duas?
— Arrumando confusão com desconhecidos como sempre não é, minha querida irmã? Nunca irá perder essa mania? O que você está fazendo aqui? Melhor ainda, como você chegou até aqui? – Indagou visivelmente alterado.
— Eu venho aqui te fazer uma visita e é assim que você me recebe? Mas quanta ingratidão. – Rebateu, tentando virar a situação a seu favor.
— Que seja. De toda a forma, eu não quero que você arrume confusão com ninguém aqui.
— Você pode até estar nervoso, mas quem deveria estar com raiva era eu. Por que escondeu de mim que é um dos Guerreiros Deuses, a existência do Cosmo, Deuses e todas essas coisas? Você nunca me disse nada! – Gritou nervosa.
— Sempre vivemos separados. Nossos pais se divorciaram quando éramos muito pequenos, e não faz muito tempo que me tornei um Guerreiro Deus. Como não nos vemos todos os anos, acabei não tendo oportunidade de contar tudo a você, mas pretendia fazer isso quando fosse de novo a Áustria.
— Ah... claro. O problema é que você nunca vai. Quando pretendia me contar? Quando as vacas aprendessem a voar?
— Já chega, Katherine. Não vamos discutir aqui. Peça desculpas a Thethis.
— O quê? Você está achando que eu vou pedir desculpas a essa imbecil? – Perguntou incrédula.
— Eu não estou achando eu estou mandando você se desculpar com ela. – Confirmou sério.
— Albe-nii-sama, você não vai me fazer passar por essa humilhação. Eu não vou me desculpar com ela!
— Ah... você vai sim. Eu te conheço, minha irmã. Você estava brigando com ela simplesmente porque ela estava ao meu lado. Foi você quem a humilhou primeiro, portanto você vai se desculpar com ela sim!
— NEM MORTA! – Berrou descontrolada batendo a porta e saindo do quarto, deixando a Sereia e o Guerreiro Deus a sós.
— Olha... eu sinto muito. Conheço perfeitamente o gênio da minha irmã, e já imagino as barbaridades que ela deve ter dito a você. Me desculpe por isso. Você não merecia ouvir nenhuma grosseria da parte dela. Eu apenas...
Tentou terminar a frase, mas ao virar-se para o outro lado, foi surpreendido por um caloroso beijo que a Sereia depositou em seus lábios. Ela o abraçou rapidamente, estreitando a distância entre eles. Tomou a boca dele com tremenda necessidade, como se a anos ansiasse por aquilo. Alberich estava confuso e atordoado, pois havia acabado de acordar e não conseguia analisar direito o que acontecia ao seu redor. Ele apenas tinha a impressão de ter dormido tempo demais... o ruivo correspondeu ao gesto abraçando-a, apertando o corpo dela com força contra o seu, arrancando dela um gemido abafado, que cessou quando se separaram.
— Por que me beijou?
— Porque estou feliz. Tive tanto medo de que você não acordasse nunca mais.
— Obrigado pela consideração, mas ainda não entendo sua preocupação comigo. Ainda não me disse por que me beijou. – Voltou a perguntar.
— Gosto de você. Além do mais... você é tão beijável. – Respondeu sexy, contornando os lábios dele com seu indicador. — Sua pegada é inesquecível. Nenhum homem me beijou com você.
— Posso entender... mas deixe isso de lado. Ainda estou envergonhado pelo que Katherine fez. Minha irmã sempre teve muito ciúme de mim. Embora vivêssemos longe, ela nunca quis que ninguém se aproximasse.
— Não posso culpar essa louca por isso. Se eu tivesse um irmão gostoso como você, agiria da mesma forma.
— Só que nós não somos irmãos. – Falou sedutor, colocando sua boca no ouvido dela.
Sentiu um arrepio avassalador percorrer toda a extensão de seu corpo. Aquela voz grave junto a seu ouvido causava tonturas, e os pensamentos mais sujos que poderiam passar por sua mente. Segurou com força o cinto que prendia suas vestes, e praticamente ordenou:
— Me faça tua.
Alberich estendeu a mão em direção a porta, e selou o quarto com seu Cosmo. Olhou para ela com uma doçura que a fascinou, quase perdendo as forças com aquele par de olhos verdes dado a ele certamente pelo mais generoso dos Deuses. Caminharam lentamente em direção a cama do rapaz enquanto suas roupas iam caindo pelo chão. Pelo resto daquela noite ninguém naquele palácio veria mais a cara daqueles dois.
No Santuário, Miro e Camus continuavam de guarda na sala do mestre até que de repente deram de cara com Hilda, que passou pelo local após sair do quarto por alguns momentos. A Prateada olhou para ele com pesar, e tentava ao máximo segurar as lágrimas. Camus, por sua vez, nem sequer se deu ao trabalho de olhar no rosto dela, e dando-lhe as costas, virou para o lado oposto, deixando Hilda completamente arrasada. Sem mais conseguir conter o choro, a Sacerdotisa saiu correndo com as mãos no rosto, seguindo destroçada de volta ao seu quarto.
— Camus... será que pode me explicar o que acabou de acontecer aqui? As coisas não estavam indo bem entre você e a Sacerdotisa? Que comportamento foi esse? Você nem olhou para a cara da pobre.
— Não tem nada resolvido entre nós, muito pelo contrário.
— Percebi pela forma como a tratou. Camus sendo Camus. Não acredito que você seja tão gelado a ponto de tratar a moça daquele jeito. Aposto que ela não conhecia esse seu lado.
— Miro...
— Hum? Diga.
— Pode fazer o favor de calar essa sua boca? – Falou ameaçador, enquanto matava mesmo o amigo com os olhos.
— Ok, já entendi. Só que preciso realmente dizer uma coisa. Eu vi o olhar que ela direcionou a você. O sofrimento dela era verdadeiro. Aquela mulher te ama de verdade, e se você continuar agindo dessa maneira, poderá se arrepender para sempre por tê-la perdido.
Camus nada respondeu, apenas baixou o olhar e virou a cabeça, processando cada palavra dita por seu melhor amigo.
Enquanto isso, Freya foi até Saori para ver como ela estava e também para perguntar sobre o estado de saúde de Julian. Encontrou a Deusa cansada fisicamente e arrasada emocionalmente, pois ele ainda estava da mesma maneira.
— Atena... – Falou tranquila, depositando a mão sobre o ombro da jovem Deusa. — Como ele está?
— Do mesmo jeito. Eu não sei mais o que fazer. Se ele nunca mais acordar...
Levantou de onde estava, e abraçou a Princesa mais nova de forma desesperada.
— Eu o amo tanto. Já não consigo imaginar minha vida sem ele.
— Fique calma. Eu sei bem como se sente. É sobre isso que quero falar com você. Acontece que eu estou apaixonada pelo mestre Shion. – Revelou direta.
— Eu já tinha percebido, mas não tive oportunidade de conversar com vocês adequadamente. Ia dizer que você iria ter problemas, porque o senso de obrigação do Shion é muito elevado. Às vezes ele esquece que também é humano.
— Não se preocupe. Acho que já consegui fazer com que nos entendêssemos.
— Isso significa que vocês estão...?
— Eu ainda não sei, mas acho que pelo menos já demos um bom avanço. Na verdade, eu queria te perguntar uma coisa sobre ele que está me intrigando.
— Pode dizer. Estou ouvindo.
— Quantos anos ele tem?
— Algum motivo especial para você querer saber a idade dele?
— É que... tenho a impressão de que ele não parece ter a idade que aparenta ter. Quando o vi pela primeira vez fiquei bastante impressionada. Não esperava que o mestre do Santuário fosse um rapaz tão jovem e tão bonito.
— Vou ser sincera com você. De fato, você está diante de um "jovem" de 264 anos de idade. – Disse direta, assustando a jovem loira.
— 264 anos? Mas como isso é possível? É alguma brincadeira?
— Não é brincadeira. Shion é um lendário Santo de Ouro que sobreviveu a última Guerra Santa contra Hades há mais de 200 anos atrás. O Santo de Áries anterior tem mais de 260 anos. Ele mantém sua aparência jovem de 18 anos de idade graças ao sangue de Atena que recebeu em seu corpo.
Freya ficou calada e pensativa por alguns instantes ainda não consegui a crer no que tinha ouvido sobre o homem por quem se apaixonou.
— Isso te afeta em alguma coisa? Algo mudou em relação ao que você sente pelo Shion agora que soube disso?
— Não. Em absoluto. Eu apenas fiquei bastante surpresa com essa revelação. Era algo que eu jamais imaginaria.
— De coração, eu estou torcendo para que a relação de vocês dê super certo e não termine como eu e Julian estamos agora.
— Não fique assim, Atena. Tenho certeza de que Shion-sama e os outros darão um jeito de trazer o Julian-san de volta.
— Deus te ouça. Tomara mesmo que esteja certa. Já aconteceram tantas coisas ruins que eu já não tenho mais ânimo para pensar em nada.
Em outro local do Santuário, na casa de Seika, Minos permanecia dormindo. A japonesa tirou as botas e a gravata do rapaz para que ele pudesse descansar mais à vontade. Apesar de ser bastante tarde a garota não conseguia dormir, pois estava muito inquieta com o mistério do aparecimento daquele homem. Colocou uma cadeira ao lado da cama e passou a velar o sono do rapaz. Por mais que tentasse, não conseguia deixar de olhar para ele. A expressão em seu rosto era tranquila e parecia estar desfrutando muito bem do descanso. A pele e os cabelos claros, o queixo fino, a face serena... Era belo e não podia deixar de admitir isso. Poderia ficar a noite inteira, dias, meses admirando tal beleza masculina diante dela. Ele se mexer um pouco durante o sono, e seus lábios ficaram um pouco entreabertos. Ele virou a cabeça na direção de Seika sem saber que ela estava lá, pois ainda estava profundamente adormecido. Olhar para os convidativos lábios entreabertos provocou em Seika uma reação instantânea. Rapidamente aproximou o rosto do rosto dele e ficou a milímetros de beijá-lo. Sentiu sua respiração se misturar com a dele, e com um último lapso de sanidade, afastou novamente o rosto, e olhando bem para ele novamente, resolveu se levantar.
— Por Atena... o que eu estou fazendo? Acho melhor sair daqui ou vou acabar cometendo uma loucura. – Disse para si mesma.
Foi até a cozinha e resolveu fazer um chá. Caminhou em direção à sala e percebeu uma movimentação estranha vindo de seu quarto. O tempo começou a mudar e estava ventando bastante. Resolveu voltar ao quarto para fechar a janela quando deu de cara com Minos sentado na beirada da mesma. Ainda estava com a badeja de chá em mãos, pois havia esquecido de deixa-la na cozinha. Seu coração deu um salto com a imagem que teve. O rapaz estava sentado na janela com uma das pernas dobradas onde apoiava o cotovelo direito. O vento soprava, e os cabelos prateados de encontro com a igual luz da lua esvoaçavam, cobrindo e descobrindo seu rosto. Seu olhar estava fixo para a lua até que ele finalmente percebeu a presença da garota.
— Quando notei que você havia me deixado sozinho acabei acordando. Eu sinto muito por estar causando problemas a você. – Disse ele, ainda sem desviar o olhar da lua.
— Não queria te deixar sozinho. Eu apenas fui até a cozinha fazer um pouco de chá. Não conseguia dormir, então acabei indo até lá. Quer um pouco? Com certeza vai te fazer bem. – Disse ela. Aproximando-se dele com a bandeja.
— Tudo bem. Acho que vai ser bom, afinal.
Ao levantar de onde estava, Minos acabou batendo na bandeja e derrubando todo seu conteúdo no chão, dando um grande susto em Seika, que imediatamente abaixou para pegar os cacos.
— Ahh! Eu sou mesmo muito desastrado! Mil perdões! Eu realmente sinto muito por isso. Não se preocupe eu mesmo vou pegar tudo. – Falou envergonhado, vendo o estrago que causou.
— Não se preocupe. Deixa que eu arrumo tudo. Não foi nada demais, é sério.
— Imagina. Eu mesmo vou limpar esse estrago. Não foi minha intenção.
Enquanto os dois se abaixaram e competiam para ver quem cantava os cacos da xícara que se quebrou, um deles atingiu a mão de Seika, que instantaneamente começou a sangrar.
— Ai! – Deu um pequeno gemido de dor, levantando, seguida de Minos.
— Está machucada. Tudo por culpa minha. – Disse preocupado ao levar a mão no bolso, de onde tirou um lenço.
Pegou a mão dela com delicadeza, cobrindo os pequenos cortes. A jovem o observava atenta, vendo a preocupação em seu rosto. Ao terminar de enfaixar, fechou os olhos, e beijou o dorso da mão de Seika, que sentiu uma pontada em seu coração.
— Eu sinto muito por isso. Deveria ter sido mais cuidadoso. – Disse, ainda com o rosto abaixado e a boca próxima as mãos dela.
Ao levantar o rosto, seus olhares se encontraram fixamente. Olhou doce para os grandes olhos castanhos de Seika, e pegando seu queixo com os dedos, depositou um suave beijo no rosto da japonesa, que sentiu sua face esquentar e ficar violentamente vermelha, tamanha a vergonha. Ela foi rápida, e antes que ele se afastasse, ela colocou a mão sobre o rosto dele, e virando a cabeça para o lado, o beijou. Minos ficou surpreso por alguns instantes, mas no momento seguinte fechou os olhos e apenas se deixou levar pelo momento. Sentiu a língua da garota se encontrar com a sua, e retribuiu devagar para não a assustar. Envolveu seus braços no corpo dela, e Seika sentiu um estranho calor tomar conta de si. Ainda passava a mão pelo rosto dele, levando os dedos para trás até chegar em seus cabelos. Aquele beijo doce causou em Minos uma forte sensação de paz, mas alguns momentos depois, o Juiz separou-se dela ao sentir uma forte dor em sua cabeça. Levou uma das mãos a cabeça enquanto a outra usou para se apoiar na parede.
— Minos-sama, você está bem? – Seika perguntou assustada, ao notar a reação dele.
— Estou... mais ou menos. Acho que lembrei de algo...
— Você lembrou?
— Sim... já sei o que preciso fazer aqui. Seika... preciso que me leve até Atena.
Seika o olhou surpresa, sem poder imaginar o que aquele homem poderia ter para tratar com Atena.
つづくcontinua...
Então amores, gostaram do capítulo? Foi um capítulo cheio de romance do jeito que W-chan gosta kkkkk pelo jeito as confusões nunca vão parar no Palácio de Asgard enquanto a Katherine estiver por lá.
Alberich acordou em grande estilo, e a Thethis só aproveitando... ah, filha da mãe sortuda... Pelo menos ele deu uma bela lição na irmãzinha encrenqueira dele, e tomara que ela sossegue um pouco, embora eu ache que não kkkkk
O que Minos-sama estaria fazendo no Santuário? Ele caiu de para quedas na vida da Seika. O que será dos dois? Espero que tenham gostado da aparição deste personagem do submundo que eu simplesmente amo ^^
