Capítulo 21.

Gina no baile.

Gina correu para a sessão de bebidas, precisava beber todas, ficar louca e gritar até a morte. Nem reparou na decoração de morcegos e abóboras no salão.

Draco a vira com o seu par. Isso seria motivo de zuação para o resto do fim do ano. Ela corou de vergonha só de pensar.

- Ei... – sentiu alguém puxá-la pelo vestido.

Gina olhou para os pés e viu o seu par.

- Por que você me atirou da escada? – perguntou inocentemente.

Gina sentiu o remorso subir à cabeça, o garotinho estava com a cabeça toda enfaixada, e conduzia-se uma cadeira de rodas.

"Eu deixe-o paraplégico!" pensou Gina ajoelhando para falar com ele.

- Ah... Lindinho, desculpa, foi sem querer... Na verdade eu quis matar uma mosca que estava na sua testa, e você acabou perdendo o equilíbrio.

- Tudo bem... Desculpa eu ter julgado mal – disse ele meio chateado, com cara de coitado, e por cima estava pedindo desculpa.

Gina se sentiu ainda pior. Era ela que devia estar pedindo desculpa, ela praticamente tinha bicudado o molequinho do primeiro andar.

- Não, tudo bem, eu te perdôo, não vou ficar chateada – disse ela passando a mão no cabelo dele – Vai ficar tudo bem... Eu espero!

Ele concordou meio triste.

- Agora vá dançar – disse ela empurrando o garoto que mancou para a pista de dança.

- Dança comigo? É o meu sonho dançar com você desde quando eu era criança... – perguntou ele com os olhinhos brilhando de esperança.

Só faltou Gina meter um soco em si própria para não se sentir tão culpada, além de parecer idiota dançando com um menininho de 12 anos em uma cadeira de rodas.

- Ah, claro... – e pegou na mão do garotinho.

Não precisa dizer que foi o maior mico da vida dela. Gina ficou rodeando com um menino que era a metade de sua altura, pior do que não saber dançar, era estar sentado na cadeira de rodas por sua culpa. As risadas que seus amigos davam ao ver a cena. E ela só roxa de vergonha.

- Bom, agora já chega, minha perna não agüenta mais! – reclamou Gina saindo de perto dele depois de ter dançado meia música – Com licença!

- Mas...

Gina ia meter a mão na cara do menino para que ele arrebentasse todos os dentes e parasse de falar. Não que Gina estivesse nervosa, nada disso...

- Ai, minha cabeça dói! – berrou ele massageando-a com as mãos – Acho que foi por causa da pancada.

Remorso de novo.

"Que dó" pensou Gina.

- Me dá um beijo? – perguntou o garotinho.

Gina arregalou os olhos pelo atrevimento de seu amiguinho, e deu um beijo no rosto para que não ficasse arrependida.

- Não, eu quero na boca! – disse ele em alto e em bom som.

Gina corou de vergonha.

- Eu não posso... Eu tenho namorado.

- Q-quem? – gritou ele já que o som estava mais alto – Aquele loiro lá em cim...?

Gina enfiou a sua mão inteira na boca do garoto.

- Q-que loiro? – perguntou dando uma risadinha seca – Acho que você está delirando... – Qual era o nome desse pirralhinho mesmo?

- Não! – resmungou ele tirando a mão de Gina de sua boca – O nome dele... É Draco! Draco Malfoy, né? – disse inocentemente.

- O que tem o Draco Malfoy aí? – perguntou Rony chegando junto com Hermione em sua cola.

Gina sentiu o coração sair do lugar.

- É que a Gina está... – disse ele apontando para a ruiva.

- Draco? Que Draco? – perguntou Gina tampando a boca do garotinho – Bom, é que na verdade... O meu amiguinho aqui sofre de problemas sexuais. Sabe, essa idade é fogo... Indecisões, sabe? E ele estava perguntando se o Draco está solteiro... Interessado, entende?... Daí já viu né?

O garoto negou com a cabeça e Gina praticamente imobilizou o garoto com os braços.

- Ah, certo – concordou Rony sorridente – Maninha, obrigado pelos conselhos – Rony piscou para a irmã e saiu para a pista de dança, com Hermione a sua cola, toda sorridente e bem arrumada, parou para cochichar no ouvido de Gina.

- Ei... Eu conheço aquela flor, eu mandei para o Draco naquele dia, para ele entregar a você! – e riu, saindo.

Gina acenou e soltou a mão do garoto.

- Ei... Escuta aqui, eu e o Draco não temos nada!

- Mas... Parecia tão íntimos!

- Que tal tomar uma vodca? – Gina que estava do lado da mesa, socou um copo cheio de líquido na boca do garoto para fazê-lo ficar quieto.

- Er... – disse engasgando e erguendo os braços para o alto – Cof, cof...

- Desculpa!

- Mamãe não deixa eu tomar isso! – disse inocentemente – Mas uau, tem um gosto bom! – o garoto tirou o copo das mãos dela e começou a tomar de novo.

"Ótimo, agora ele vai virar alcoólatra por minha culpa" pensou culpada "Eu sou uma má influência, definitivamente. Céus!".

- Ei... O que você está fazendo com o Derick? – perguntaram duas meninas do primeiro ano cercando Gina, vermelhas de ciúmes (e raiva).

- Ora... O Derick? – apontou para o menino na cadeira de rodas – O nome dele é Derick?

- Sim – e as duas praticamente metralharam Gina com o olhar. Céus, ela não estava competindo com duas segundanistas o amor de Derick. Estava?

Mas Gina acabou se sentindo intimidada. E lutaria pelo garoto, por bem ou por mal. Lembrando que ela não estava afim dele. Não mesmo. Era só uma questão de honra!

- Nada. Ela só me acompanhou, mas fiquem tranqüilas, ela namora o Drac... – ia dizendo o garotinho.

- Er... Bem... Eu e ele estamos namorando! – disse aos berros tentando abafar o som da voz do garoto, acabou beijando-o na boca, e suas veias quase explodiram da testa ao gritar, todos em volta pararam em volta dela, arregalando os olhos, murmurando "Que pedófila!".

- O-que? – perguntaram as duas com as mãos na cintura – Vocês dois? Duvido!

Gina deu uma risadinha amarela.

- Não duvidem, é feio duvidar das pessoas mais velhas!

Elas gargalharam diabolicamente com as mãos nas cinturas. Foi então, que a Gina reparou que as duas, AS DUAS, tinham piercings nos umbigos. Metidinhas, não?

- Então... Vocês fazem o que os namorados fazem?! – disseram as duas com olhar de safadinhas, e ao mesmo tempo, sexys.

- Claro, claro, eu vou fazer... Mas vocês vão ter que ficar de costas!

- Sim, nós ficaremos! – e as duas se viraram dando risadinhas.

Gina soltou um suspiro, mexendo a franja na testa e disse.

- Pronto, já fizemos!

Elas arregalaram os olhos para Gina.

- Você está pensando que nós somos tapadas, ou o que? – e ficou brincando com o chiclete, tirando a boca, esticando até uns 2 metros, e voltando a mastigar tudo de novo – Você ainda está usando roupas!

- Sim... É verdade – concordou a outra como se fosse um mero detalhe.

Gina corou levemente.

- O que vocês querem dizer?

As meninas olharam para os lados para verem se ninguém estava ouvindo e fizeram sinal para Gina se abaixar, e ela o fez.

- Namorados... Fazem... Besteirinha! – disseram as duas assustadas.

- Sexo? – perguntou Gina e elas explodiram na gargalhada feito dementes.

Elas nunca tinham ouvido falar sobre sexo? Sexo. Uma palavra qualquer horas. Sexo. Sexo. Sexo. As pessoas tiram as roupas e fazem sexo. Ouviu? Ssssseeexxxxooooo! Qual é a graça dessa palavra? Levando em conta que eram duas jovenzinhas inocentes e retardadas, Gina achou que pudesse ser engraçado para elas. Afinal, era a palavra SEXO. (HsAHhuasdASdhua).

- Por que vocês não vão comer um pedaço de bolo?

- Sabe quantas calorias tem um pedaço de bolo? – gritaram as duas se entreolhando, ofendidas, em seguida, deram risadinhas – E afinal, nós duas já jantamos, só que acabamos bebendo além da conta, e...

"Meu Deus! Que crianças globalizadas!" pensou Gina torcendo o nariz.

- E... Bom... Eu preciso dar uma volta com o Derick, depois a gente se fala!

Ela virou as costas para sair dali com Derick, mas as duas grudaram em seu vestido, quase rasgando-o.

"Malditas! Eu vou socá-las até a morte!" gritou para si mesma.

- Tia...

"Tia? Ainda por cima elas estão me chamando de velha?".

- É que...

- É que... – repetia as duas.

- É que...

- É que o que?

"Haja paciência!" disse sua mente.

- O Derick fugiu enquanto a gente conversava!

Gina arregalou os olhos para a cadeira de rodas vazia.

"Céus. O menino estava alcoolizado. Poderia fazer alguma besteira, como contar que viu Draco e Gina conversando civilizadamente no corredor a cima".

- Ei... Garotas, querem ganhar um galeão, cada uma?

Elas negaram.

- Dois galeões?

Elas negaram outra vez.

- Ok, quinze galeões cada uma e não se fala mais nisso? – ela não tinha esse dinheiro todo, mas elas não precisavam saber da verdade.

Elas se entreolharam e aproximaram.

- É simples, procurem o Derick, e não deixem ele escapar, de hipótese alguma. Prendam-no em qualquer lugar, pode ser no banheiro mesmo, ok?

- Ok – concordaram as duas e saíram correndo.

E ao virar as costas, Gina esbarrou de leve em alguém.

- Ahm... Harry? – perguntou arregalando os olhos por tamanha coincidência.

- Gina! – surpreendeu ele parando de rir de uma piada provavelmente muito engraçada. No mesmo instante, Cho fechou a cara de uma maneira violenta para a ruiva.

- E... Então, divertindo muito?

Ele concordou com a cabeça.

- E você?

- Ah... Nem imagina o quanto! É o baile mais divertido da minha vida! – respondeu tentando não ser irônica.

- Legal – disse ele sorrindo em resposta – Vou pegar alguma bebida para a gente, quer Cho?

Ela negou com a cabeça.

- Mas por via das dúvidas, eu vou com você – disse com um olhar mortífero para Gina.

Gina sorriu para ela e acenou como se gostasse, e os dois sumiram pela multidão.

Novamente só. Todos namorando, ou de mãos dadas, ou rindo de alguma piada qualquer. E Gina ali, atrás de um garotinho de onze anos, cujo sabia do seu maior segredo.

- Aonde é que ele se meteu? – perguntou furiosa.

Os garotinhos cochichavam em um canto.

- Então... Você está acompanhado daquela ruiva, peituda do quinto ano? – perguntaram os amiguinhos primeiranistas de Derick aos cochichos.

Ele confirmou.

- Bem... Só falta mais uma pessoa para completar o nosso time. E você poderia chamar ela pra brincar de pega-pega com a gente!

- É verdade – concordou os demais.

- Eu duvido que ele faça isso – disse um deles.

- Ah é? Vejam só... – disse ele arrogantemente jogando seus cabelos loiros para o lado e indo até Gina.

Cutucou-a pela mão, e a garota virou em sua direção.

- Onde é que você esteve esse tempo todo?

- Ah... Er... Estive com meus amigos... E... Bem... Eles querem perguntaram se... – ele deu um tapa na mão dela – Peguei! Ta com você! – e saiu correndo, às gargalhadas.

- Ei... Volta aqui! A gente precisa conversar! – gritou Gina correndo, curvada, no meio da multidão atrás do menino.

Ela correu o máximo que podia e ergueu o menino no ar com as duas mãos.

- O que é que você pensa que está fazendo?

- Brincando de pega-pega! – disse inocentemente.

- Ótimo... Mas agora você vai direto pro seu quarto.

- Você não é a minha mãe...

- Ei Weasley, solta o garoto! – disse Hermione vindo em sua direção – O que pretende fazer com o seu par?

Gina só faltou sair faísca.

- Ele não está com a perna quebrada coisa nenhuma!

- Ham? – Hermione arregalou os olhos sem entender nada.

Ela soltou o garoto no chão e respirou fundo.

- Gina, você está se comportando como uma criança!

- Desculpa – abaixou a cabeça – Mas ele sabe que eu e o Draco andamos conversando...

Hermione gingou a cabeça.

- Gina, ele é apenas um garotinho sem malícia, provavelmente não sabe de nada...

Gina soltou um olhar de censura para a amiga.

- Você que pensa! As crianças de hoje em dia estão globalizadas! Ele... Ele...

- Fica calma, Gina. Ele não vai fazer nada, eu garanto.

- E se cair nos ouvidos do Rony? – perguntou preocupada.

Hermione fez um gesto sem importância.

- Não se preocupe, ele é mais tapado que uma porta, até porque acabamos de cruzar com o Malfoy e a Pansy, eles pareciam querer projetar um filho ali mesmo! – Gina sentiu o estômago afundar ao imaginar Draco prensando Pansy em cima da mesa com beijos calorosos - E, aliás, é impressão minha, ou o Harry e a Cho estão discutindo? – Hermione tentou mudar de assunto de repente ao ver que Gina tinha ficado um pouco mal.

Gina olhou e viu a garota implicando com ele, gritava sem parar, e ele apenas esfregava os olhos com os dedos, parecia não dar muita atenção.

- É. Provavelmente.

Hermione sorriu em resposta.

- V-você ainda gosta dele? – perguntou Gina.

Hermione revirou os olhos para uma mesa.

- Não... Não gosto! – disse meio com incerteza, andara mais dividida do que nunca nesses últimos dias: Rony. Harry. Harry. Rony. Rony. Rony. Rony. Harry. Rony!

- Er... Se você diz então... Bom, Hermione, eu vou beber alguma coisa e depois a gente se fala!

- Okay, mas se comporta, viu?

Hermione virou as costas e voltou a procurar por Rony.

Gina abaixou a cabeça e girou cento e oitenta graus os calcanhares, quando avistou dois sapatos bem engraxados em sua frente.

- Cadê o seu par, Weasley?

Gina foi subindo os olhos pela roupa preta de Draco, aquilo devia causar inveja aos meninos, ou pelo menos aos afeminados.

- Ele... Er...

- Foi brincar de pega-pega? – zombou Draco.

- Foi.

- Que?

- Sim. Ele foi brincar de pega-pega é verdade – disse ela com o seu tom de voz normal.

Draco sentiu um vazio atravessar o peito, tinha feito uma brincadeirinha e esperava tirar um sorriso, nem que fosse meio amargo, de Gina. O que ela fazia frequentemente com ele.

Gina continuou andando como se a existência de Draco pertencesse à decoração do salão.

- Ei... Weasley! – chamou indo atrás dela, atropelando algumas pessoas.

- Alguém pode nos ver, Draco – disse ela séria por cima do ombro, um pouco cansada da festa – A sua Pansy pode nos ver.

Gina abaixou a cabeça e saiu andando, faltando muito pouco para não sair correndo, ao mesmo tempo queria ficar, conversar sério com Draco sobre tudo o que estava acontecendo, sobre o sentimento sufocante que a dominava cada dia mais, que já não agüentava tudo o que estava acontecendo. Era cruciante.

- Ah... Gina, acho que nós precisamos conversar, é sério – disse Draco parando em frente a ela, pouco se lixando se as pessoas que estavam em volta reparavam naquela incrível conversa entre o casal mais briguento da escola.

- Er... Sobre?

- Posso te encontrar daqui cinco minutos na sala da guerra dos travesseiros?

Gina se arrepiou. Será que ele estava pretendo outra guerrinha como aquela?

"Deixe de ser infantil, Gina, lógico que não!" disse a si mesma.

"Mas e se for verdade?" disse uma outra voz "Será que ainda dá tempo de ir até o meu quarto e vestir aquele fio dental vermelho?"

"Ei, Gina, é só uma conversa, sem sexo".

Gina chacoalhou a cabeça tentando tirar esses pensamentos dela.

- Tudo bem... Eu já estou indo.

Gina subiu para o quarto às pressas, embora as pernas estivessem quase virando gelatina.

Ela abriu a porta, e não ficou surpresa em ver o mesmo quarto daquele dia, parecia um sonho estar de volta nele.

As taças de vinho. As uvas verdes. As pétalas de rosas. As penas espalhadas pelo chão. O lençol branco coberto de almofadas rasgadas. O dossel vermelho de cetim. A mesma lua lá fora, vista através da janela de vidro que dava na sacada de pedra. A mesma face dela. As estrelas todas no lugar. Tudo.

Ela não soube quanto tempo ficou encarando o mesmo cenário de boca aberta. Mas a partir do momento em que estivera ai, a sua vida tinha tomado outro rumo. Ela tinha passado a ver Draco como uma outra pessoa, ali, naquela mesma cama, naquele mesmo lugar.

Esse quarto agora não saia de sua cabeça, juntamente com a risada (única e exclusiva) de Draco Malfoy. Uma risada que ela nunca esqueceria. Um sorriso perfeito com todos os dentes brancos que ele sempre privara as pessoas de apreciar, mas Gina não. Ela teve essa oportunidade. Ela conseguiu fazer com que ele sorrisse, e depois disso, sua vida nunca mais foi a mesma. Nunca. E nunca mais seria, ela sabia disso.

Era uma realidade que virou sonho. Ou sonho, que talvez nunca virasse realidade novamente. E isso doía muito.

A porta escancarou e Draco meteu o rosto antes de entrar.

- Gina, é você?

Ela concordou com a cabeça, sem sair do lugar.

Draco fechou a porta em silêncio ao passar, e aproximou da garota com as duas mãos nos bolsos da calça social.

- Os objetos não mudaram de lugar...

- É... – concordou Gina por concordar.

Draco ficou bem próxima a ela, ainda de costas e disse.

- Sei que você tem problemas, eu também tenho, e as coisas estão meio estranhas entre a gente, depois de algum tempo em que entramos aqui... E ficamos amigos... E tudo mais.

Gina pigarreou concordando, e virou em sua direção, tentando encará-lo.

- Eu sei que meu jeito de agir anda difícil de entender, mas o que eu sinto por você não é algo normal.

Gina sentiu perdeu a sensibilidade das pernas, dos braços, e seu coração parecia um tambor ao bater contra o peito. Sua respiração falhava, e sua mente estava bloqueada para qualquer outra informação.

- E eu já não posso continuar fugindo assim – sussurrou ele encostando testa a testa.

Gina piscou firme, e respirou fundo para não morrer sem ar.

- Draco, eu acho que você já sabia o que sentia, mas as pessoas não são o que dizem ser em determinado momento, sabe? Você pode estar falando agora milhares de palavras sobre você mesmo, mas não é esse momento que vai determinar o que você é. E sim, o tempo todo em que estive com você, como quando você foi uma pessoa malvada comigo, me humilhou, e... – ela se afastou repentinamente.

- Você acredita que tudo o que aconteceu com a gente não seja verdade?

- Não, nada disso, pelo amor de Merlin. O que eu quero dizer, é que você nunca foi uma pessoa má, como fazia em determinados momentos, você é o que você sempre foi, de um jeito que as pessoas talvez não conheçam, e não posso julgar a sua personalidade com o pouco que conheço de você, talvez você diga coisas que são daquele momento, mas que dali 10 minutos não seja verdade, e...

- Como quando eu digo que quero você? – cortou ele pegando nas mãos dela.

Gina perdeu o rumo da conversa e tudo mais. Seu coração disparou como um tiro. E suas bochechas coraram levemente. Ela, por um momento, cogitou em sair correndo antes que desmaiasse.

- E é isso que d... Ham? – ela abaixou os olhos e virou as suas mãos sendo acariciadas pelas mãos geladas de Draco – O que? Ham? Isso... Não... Mas é que eu quero o melhor para nós! – Gina se afastou lentamente.

- Quantas vezes já nos vimos assim, conversamos assim tão de perto, evitando o que ambos queremos? – os seus olhos cinzentos pareciam brilhar tanto quanto as estrelas lá fora na escuridão.

Gina ergueu a cabeça, tentando continuar encarando o rapaz.

- É que dói aqui – ela colocou a mão no peito, onde sentiu o coração batendo forte ainda – Cada vez quando vejo seu olhar nos meus, eu sei que você pertence a Pansy, e sei que você tem que ir embora a cada momento que estou com você. Você tem que ir embora porque pertence a ela, porque ela está te esperando para dormirem juntos, para dormir em seus braços, sentir o seu cheiro, o seu corpo, e ficar do seu lado pelo resto de suas vidas.

Gina foi desabando as palavras não sabia como, mas era algo que desejava fazer há séculos.

- E... Seus beijos pertencem a ela, por mais que eu roube um ou outro, ou vice-versa, eu sei que no fim do dia, você vai voltando para ela.

Draco aproximou de Gina, colocando o seu cabelo atrás da orelha, mas ela recuou.

- Você não pode ficar mudando as regras quando quiser.

Draco olhou seriamente os olhos de caramelo da garota.

- Desculpa, Gina. Mas eu nunca quis magoar você, prometo que não vou embora essa noite...

Gina balançou a cabeça.

- Mas talvez eu vá.

Draco pareceu estupefato com o fato de estar tomando um fora. Como se atrevia? Isso nunca tinha acontecido em toda sua vida.

Como uma garota ousava dar um fora em Draco Malfoy?

Mal sabia ele que Gina estava lutando contra todas as suas forças internas, o máximo possível.

- Sabe, quando você olha para a vida e vê que tem alguma coisa fora do lugar, ou que te falta alguma coisa? Eu penso tanto em você... Penso que a gente podia ficar juntos e lutar por todos, mas talvez eu esteja perdendo oportunidades.

- Perder oportunidades como o Harry, né? – jogou Draco indiretamente – Eu não acredito que você ainda pensa nele... Eu estou aqui, me arriscando contra o Lord das Trevas, e você...

- Não, Draco! – cortou ela - Não estou falando do Harry, estou falando de tudo, em geral. E enquanto você não descobrir o que realmente quer, eu não posso continuara assim, esperando por você. Não é justo fazer isso comigo, não é justo fazer isso com você. Nem para nós dois.

Gina vira as costas e sai andando, deixando Draco parado, sem palavras. Definitivamente, sem palavras.

Ela desceu para o salão, e Hermione estava na porta, conversando com Rony que segurava uma taça de vinho entre as mãos, e os dois riam de uma piada que Gina não estava nem um pouco interessada em saber.

No começo, achou que deveria ir para o Salão Comunal, mas seria muito deprimente ficar por lá enquanto a festa ainda rolava alguns andares abaixo.

- Ei, maninha, o que houve? – perguntou Rony abraçando Gina.

- V-você está bêbado! – reclamou Gina empurrando Rony para longe de seus braços.

Rony riu ainda mais alto.

- Hm... Maninho, será que você poderia buscar um pouquinho de cachaça pra mim?

Rony concordou e sumiu na multidão.

- Hermione, você não sabe o que aconteceu!

- Me conta... Você parece preocupada.

- TIAAAA! – era Derick abraçando a sua cintura, suado que nem um porquinho de tanto correr – Você sumiu! Precisamos de alguém para completar o outro time de polícia e ladrão!

- Era só o que me faltava! – falou Gina em voz alta – Já sei! Derick, vamos brincar de uma brincadeira bem legal...

- Qual? – perguntou esperançoso.

- Esconde-esconde, mas só vale dentro do lago, pode ser?

- Claro! Tá com você! – gritou ele e saiu correndo em direção ao jardim.

Gina sacudiu a cabeça.

- Enfim, Hermione, o Draco se declarou pra mim.

Hermione arreganhou a boca.

- Mas... Mas... O Draco?

Ela concordou.

- Ele disse que me ama, e tudo mais.

- Eu não acredito!

- Em todas as palavras, Mione!

Hermione estava chocada e isso era visível.

- E... E o que você fez?

- Eu dei o maior fora da minha vida – disse ela balançando a cabeça, parecendo um pouco arrependida.

- Mas... Mas... Gi! Se ele confessou que te ama... É porque ele realmente te ama.

Foi a vez de Gina ficar estupefata.

- C-como assim? V-você não acha que ele só quer me usar?

- Com certeza não, Gina! Ele é um Malfoy. Sangue frio. Pode pegar qualquer outra garota no lugar, mas ele está fazendo isso com você! Ele gosta mesmo de você!

Gina balançou a cabeça. E Rony aproximou com o copo vazio.

- Desculpa... Tomei no meio do caminho. Há há há há! – e caiu na gargalhada, seguida de um arroto bem grotesco, fazendo ventinho nos cabelos de Hermione.

- Er... Hermione, você vai precisar dar um banho no Rony!

Hermione corou levemente.

- E por que você acha que eu embebedei ele?

Gina balançou a cabeça em sinônimo de negação.

- Vai Gina! Vai atrás do amor da sua vida!

- S-será?

- Que amor da sua vida? – perguntou Rony – Porque o Harry e a Cho já estão no décimo sétimo sono, há há há. Entenderam a piada?

- Ah... O Dumbledore é o amor da vida da Gina! – disse Hermione estralando os dedos no ar, pensando no primeiro nome que veio à cabeça, e sabia que na situação que encontrava não ia duvidar.

- Q-quer dizer que... Eu serei... Herdeiro de Hogwarts?

- Ou quase isso! – disse Hermione rindo da atitude do ruivo.

Gina sorriu em resposta, e parou tentando colocar o cérebro em ordem.

Draco gostava dela. Hermione, a própria, achava isso, ainda mais porque sempre odiara o loiro. O que Gina ainda estava fazendo no salão?

Nem em véspera de prova Gina teria corrido tão rápido para chegar à sala precisa, entrou com tudo na esperança de reencontrar com o loiro, mas o seu coração parou ao constatar que o lugar estava vazio. Draco tinha ido embora.

Ido embora para os braços de Pansy.

Mas a porta que levava até a sacada, onde o luar ainda pairava sobre o céu, estava aberta. E isso só podia significar uma coisa... E ela desejou que fosse isso!

Gina correu para a sacada, e lá estava ele. Não ele. E sim ELE. O Draco. O mesmo em pessoa. De costas.

- Draco... – chamou ela tentando recuperar o ar.

- Que foi, Weasley? – a sua voz estava trêmula – Veio me dar outro fora? – era impressão sua, ou ele estava chorando?

- Draco... Olha pra mim!

Draco virou o rosto, estava de fato com o rosto molhado em lágrimas. Seus olhos estavam vermelhos, e tinha tomado toda a garrafa de vinho que estava vazia na beira da sacada de pedra.

- Draco, eu te amo!

Gina entrelaçou os seus braços no pescoço de Draco, deu um impulso com os pés e já não sentia mais o chão, o loiro passou os braços em volta do vestido, na medida da cintura, e a abraçou com toda a força que podia, o seu corpo estava quente, muito quente, e o vento que brincava com o casal estava muito gelado dando uma sensação de estarem nas nuvens. Gina empurrou os seus lábios na direção de Draco como se o mundo fosse acabar.

N/A: Definitivamente eu não levo jeito para escrever fanfic DG! Me desculpem, todos vocês! Se alguém quiser continuar essa minha fanfic, eu dou ela, juroooooo, e ainda grátis um beijo na boca.

N/A 2: Não entendam isso como um FINAL. Nossa, ótima hipótese! Acabei de pensar nisso agora! Mas... Acho melhor não, seria um final tosco! De qualquer forma, quem quiser acabar essa fanfic, está a disposição. E sinceramenteeeeeeeee, vocês já devem ter percebido que não levo jeito pra comédia também! E muito menos pra escrever RH, que é o casal que eu mais odeio em todo o mundo potteriano! Se eu continuar escrevendo mais cenas do Rony e Hermione, eu juro que prefiro não continuar mais. Pra mim um casal onde não tem respeito por ambas as partes, não é casal! Beijos, e até a próxima.

Eudy: Ebaaaaaaa, duahsuhdsuds, fico feliz em saber que você gosta da fanfic, pelo menos alguém, né? Hehehe, que bommm, volte sempre, to com saudades das reviews. Beijos.

Luah: HAUhuahua, tadinho do par da Gina, ela praticamente matou o moleque, né? Hausuhuhsa. Beijos, te breve.

Gisele: Amoreeeeeeeeee, você sumiuuuuuuu, cadê você? To morrendo de saudades!

Luana: Entãooooooo, gosto do beijinho Draco e Gina?? Fiz assim como você pediu, espero. Hehehe. Beijão!

Paola: Não leve a mal, mas eu queria fazer um capítulo engraçado. Beijos, te mais!

Mary: Lindaaaaaa, tesudaaaa, que ainda não mudou pra Ribeirãooooo, você me paga por me fazer passar vontade, viu? Beijos.

Próximo capítulo (se tiver)...

"Gina preferiu particularmente uma conversa menos fútil na turma de Luna, e a garota estava sentada ao lado de uma quintanista falando sobre o Profeta Diário.

- É... Tudo indica que o Dumbledore mais uma vez falhou!

- O que andou acontecendo? – perguntou Gina chegando ao lado da amiga.

- Um aluno foi encontrado morto em Hogwarts à noite passada! – disse Luna naturalmente, piscando várias vezes – Tudo indica que morreu afogado.

- Quem? – perguntou Gina pegando um prato.

- Derick! Do segundo ano!

- Ahhhhhh... MUDANDO DE ASSUNTOOOOOOOO... – gritou Hermione disfarçadamente - Parece que Belatriz andou mostrando os peitos no meio da rua!

- Definitivamente um assunto de muita cultura! – disse Luna seriamente"