– De todos os homens arrogantes… afetados… repugnantes! – Mione puxava livros das estantes da biblioteca da Casa Granger e os jogava na pilha cada vez maior aos seus pés enquanto resmungava em voz alta para si mesma: – "É claro, vamos nos casar"? Eu não… me casaria com ele… nem que fosse o último… homem… em… Londres!

Soprou uma mecha solta de cabelo para longe dos olhos e limpou as mãos empoeiradas no vestido cinza de lã que estava usando antes de avaliar com atenção o estrago que havia causado durante a última hora. A biblioteca tinha sido dilacerada. Havia livros em todos os cantos – em cima das mesas e cadeiras e em pilhas dispersas no chão.

Depois de voltar para casa, poucas horas antes, com Harry no mais completo silêncio, Mione havia entrado escondida em casa e fora para sua cama, dividida entre o anseio de rastejar para debaixo das cobertas e nunca mais sair e o desejo igualmente forte de marchar direto para a Casa Potter, acordar seu dono e lhe dizer exatamente o que achava que ele deveria fazer com sua oferta generosa e cavalheiresca. Durante muitas horas, tentara a primeira alternativa… repassando incessantemente os acontecimentos da noite na cabeça – alternando-se entre as lágrimas e a raiva pela forma como ele arruinara uma noite tão maravilhosa.

Ele havia lhe mostrado com clareza o quanto a paixão podia ser incrível, Mione tivera seu primeiro vislumbre do êxtase, e então ele destruíra tudo. E isso fez com que ela fosse lembrada, apenas alguns instantes depois de sua descoberta, que não estava destinada a nenhum tipo de paixão.

Não.

Entre todas as coisas maravilhosas que poderiam ter sido apropriadas para se dizer na exata situação em que se viam – desde "Você é a mulher mais inigualável que já conheci" e "Como vou viver sem você agora que encontrei o paraíso nos seus braços" a "Eu te amo, Mione, mais do que já imaginei amar" ou até "Vamos fazer de novo?" –, ele fora e emporcalhara tudo pedindo desculpas.

E, pior, falando em casamento. Não que casamento tivesse sido uma coisa completamente errada de se mencionar. Sem dúvida, teria gostado de uma proposta, mas em algum ponto entre "Você é a mulher mais inigualável que já conheci" e "Como vou viver sem você agora que encontrei o paraíso nos seus braços". Teria sido maravilhoso se ele a tivesse olhado nos olhos com absoluta devoção e dito: "Torne-me o homem mais feliz, mais sortudo, mais satisfeito do mundo, Mione. Case-se comigo."

Sem dúvida, se tivesse dito isso – ou qualquer variação do tema, como, muito magnanimante, estaria disposta a aceitar –, Mione teria desabado de êxtase em seus braços e permitido que ele a beijasse avidamente durante todo o caminho para casa. E ainda estaria deitada, sonhando com uma vida longa e feliz como a marquesa Potter.

Em vez disso, eram nove e meia, na manhã seguinte do que deveria ter sido a noite mais maravilhosa de toda a sua vida – incluindo as ainda por vir –, e ela estava reorganizando a biblioteca. Mãos nos quadris, fez um pequeno aceno de cabeça para a cena diante de si.

– Parece um momento tão bom quanto qualquer outro.

Bem, pelo menos não havia chorado. Ela espirrou. Primeiro, teria que espanar. Marchou até a porta e a abriu com um puxão, para mandar um lacaio lhe trazer um espanador, só para descobrir Mariana e Anne, as cabeças baixas, concentradas em uma conversa sussurrada com uma criada do outro lado do corredor.

Todas as três cabeças se ergueram de um estalo ao ouvirem a porta da biblioteca se abrir.

Mione percebeu o queixo da criada cair ao vê-la e pediu, calmamente:

– Preciso de um espanador.

A jovem pareceu inteiramente estupefata, como se não conseguisse entender a declaração.

Mione tentou de novo:

– Para espanar. Os livros. Na biblioteca.

A criada parecia enraizada no chão do corredor.

Mione suspirou.

– Gostaria de espanar a biblioteca hoje… acha que será possível?

A pergunta colocou a outra em ação e ela debandou depressa pelo corredor para cumprir a ordem da patroa. Mione encarou Mariana e Anne com um olhar firme e severo. Pelo menos elas tiveram o bom senso de não comentar.

– Mãe do céu – exclamou Mariana –, parece que foi pior do que pensamos.

Mione franziu os olhos para a irmã, revelando muita coisa, antes de dar meia-volta e retornar à biblioteca para começar o longo processo de catalogar os livros agora totalmente fora de ordem. De seu lugar, Mione percebeu que Mariana e Anne a haviam seguido para dentro do aposento.

A criada ficou resolutamente perto da porta fechada, enquanto Mariana se empoleirava com cautela no braço de uma cadeira. Elas a observaram com cuidado, permanecendo caladas por um bom tempo, enquanto Mione pegava títulos de pilhas próximas.

Mariana por fim quebrou o silêncio, perguntando:

– Em que letra você está?

Mione ergueu os olhos para a irmã em meio às pilhas altas e respondeu:

– A.

Mari inclinou-se para a frente a fim de avaliar uma pilha aos seus pés.

Retirando habilmente um exemplar, deu um sorriso satisfeito e falou:

– Alighieri, Inferno.

Mione voltou para suas pilhas.

– Isso é Dante. Devia estar guardado no D.

– É mesmo? – Mariana franziu o nariz para o livro em sua mão. – Estranho. O sobrenome dele começa com A.

– O sobrenome de Michelangelo começa com B e ainda o arquivamos no M.

– Hum – ponderou Mariana, fingindo interesse na conversa. – Devem ser os italianos. – Ela fez uma breve pausa, enquanto a criada batia na porta e entrava com um espanador para Mione.

Depois que ela saiu, Mari continuou, distraída:

– Será que Juliana seria arquivada no J ou no F?

As costas de Mione enrijeceram brevemente à menção da irmã de Harry, antes de ela voltar a espanar.

– Não faço ideia. Provavelmente J.

Anne se intrometeu:

– É uma pena que não seja oficialmente Potter. Sempre gostei do P.

Mariana assentiu.

– Concordo plenamente.

Mione virou a cabeça abruptamente para fitar a irmã.

– Aonde está querendo chegar?

– O que aconteceu ontem à noite?

Mione voltou a atenção para a prateleira que estava arrumando.

– Nada.

– De verdade?

– De verdade.

– Então por que está reorganizando a biblioteca? – indagou Mariana.

Mione deu de ombros de leve.

– Por que não? Não tenho mais nada para fazer hoje.

– Nada melhor a fazer do que reorganizar a biblioteca?

Mione imaginou se seria muito difícil estrangular a irmã.

– Uma coisa que só faz quando está em busca de distração? – acrescentou Anne.

E sua aia.

Mariana se levantou e apoiou-se na estante em que Mione estava trabalhando.

– Você prometeu que ia me contar tudo.

Mione deu de ombros novamente.

– Não há nada para contar.

As palavras foram pontuadas por uma batida à porta. Todas as três mulheres voltaram a atenção para o mordomo, que fazia uma tentativa valente de ignorar a bagunça que havia tomado a biblioteca, em geral impecavelmente organizada. Ele entrou, fechando a porta com firmeza atrás de si, como se tentasse protegê-las do corredor.

– Milady, lorde Potter está aqui. Está pedindo para vê-la.

Mariana e Anne trocaram um olhar espantado, antes de Mariana se virar e olhar presunçosamente para Mione.

– Está?

Mione revirou os olhos para a irmã e se dirigiu ao mordomo.

– Obrigada, Davis. Pode dizer ao marquês que não estou. Se ele quiser, pode voltar mais tarde, para ver se vou poder recebê-lo.

– Claro, milady. O mordomo fez uma pequena reverência e saiu da sala. Mione fechou os olhos e respirou profunda e tremulamente, tentando se acalmar. Quando os abriu de novo, Mariana e Anne estavam de pé lado a lado, observando-a com atenção.

Anne falou:

– Nada para contar, é?

– Nada. –Mione forçou sua voz a permanecer firme.

– Você é uma péssima mentirosa – comentou Mariana, casualmente. – Só podemos esperar que Davis seja ligeiramente melhor do que você.

Enquanto as palavras pairavam no ar entre elas, a porta se abriu mais uma vez, revelando o velho mordomo.

– Miladies. – Ele fez uma reverência.

– Ele já foi? – perguntou Mione.

– Hum. Não, milady. Disse que vai esperá-la voltar.

O queixo de Mariana caiu ligeiramente diante das palavras.

– É mesmo?

Davis assentiu.

– Sem dúvida, milady.

Mari sorriu alegremente para Mione.

– Bem, isso parece estar se transformando em uma espécie de aventura.

– Ah, cale a boca. – Mione virou-se para o mordomo. – Davis, você deve deixar claro que não vou receber visitas. É cedo demais para visitas.

– Já fiz essa observação, milady. Infelizmente, o marquês parece ser um tanto… persistente.

Mione praguejou baixinho, frustrada.

– É. Ele tem essa inclinação. Você vai ter que insistir.

– Milady… – disse o mordomo.

Mione perdeu a paciência:

– Davis. Você é considerado um dos melhores mordomos de Londres.

Davis envaideceu-se. Bem, tanto quanto um mordomo podia fazê-lo e manter um nível adequado de circunspecção.

– Da Inglaterra, milady.

– É. Bem. Acha que poderia… agir como tal… esta manhã?

Anne prendeu o riso diante do desânimo no rosto do colega.

Mariana voltou os olhos gentis para o mordomo e acrescentou:

– Ela não quis insultá-lo, Davis.

Impassível, o homem respondeu com uma fungada:

– Sem dúvida que não.

Ele fez uma reverência, mais profunda do que qualquer uma que já tivesse feito para elas antes, e saiu mais uma vez.

Mione suspirou, voltando-se para sua tarefa, concentrando-se em uma das prateleiras.

– Vou ser punida por isso, não é?

– Sem dúvida. Vai ficar um mês comendo carne bem-passada demais – respondeu Anne, seu divertimento quase descontrolado.

Mari inspecionou uma pilha de livros antes de perguntar casualmente:

– Acha que lorde Potter vai ser dissuadido?

– Não apostaria nisso.

O coração de Mione pulou dentro do peito diante das palavras secas, ditas de dentro do aposento. De um estalo, virou a cabeça na direção do som, mas as prateleiras em volta bloqueavam sua visão. No final do corredor onde estava, Mione podia ver sua aia paralisada no lugar, os olhos estatelados, voltando-se na direção da porta.

No silêncio que se seguiu, Mariana voltou-se para Mione. Ignorando o olhar suplicante da irmã, a mais jovem ofereceu um sorriso digno da Beldade Granger e comentou, docemente:

– Mione, parece que você tem uma visita.

Os olhos de Mione se estreitaram. Realmente não havia nada pior no mundo inteiro do que uma irmã. Ela observou enquanto Mari pulava de seu lugar e alisava as saias, virando-se de frente para a porta – e para o marquês Potter.

– Está um dia lindo – observou.

– Sem dúvida está, lady Mariana – concordou Harry, sem transparecer nenhuma emoção.

Mione bateu o pé de irritação. Ele tinha que ser tão calmo assim?

– Acho que vou passear no jardim – comentou Mariana, descontraída.

– Parece uma ideia excelente.

– É. Também achei. Se me dá licença… Anne?

Mione observou enquanto a irmã fazia uma rápida reverência e deixava o aposento, seguida de perto pela traidora Anne. Mione, por sua vez, permaneceu exatamente onde estava, torcendo simplesmente para que Harry saísse.

Um cavalheiro não a encurralaria em um espaço estreito entre estantes. E ele certamente havia se esforçado bastante na noite anterior para provar que era um cavalheiro. O silêncio caiu no aposento e Mione continuou arrumando os livros, forçandose a ignorar a presença de Harry.

Adams, Ambrósio. Ela percebeu os passos dele se aproximando, viu-o pelo canto do olho de pé no final da estante, observando-a. Aristóteles, Arnold. Sim, ia simplesmente fingir que ele não estava ali. Como podia permanecer tão calado? Era o suficiente para testar a paciência de um santo. Agostinho.

Não aguentava mais. Sem desviar os olhos da prateleira em que alinhava as lombadas dos livros em uma fileira perfeita, disse, indelicada:

– Não é hora de receber visitas.

– Interessante – falou ele, lentamente. – Porque parece que me recebeu.

– Não. O senhor invadiu a minha biblioteca sem ser convidado.

– Ah, isto é uma biblioteca? – perguntou ele, com ironia. – Não tinha certeza, com todas as prateleiras sem livros.

Mione lhe lançou um olhar exasperado.

– Estou reorganizando.

– Sim, percebi.

– Motivo pelo qual não estou recebendo visitas.

Enfatizou as palavras, na esperança de que ele percebesse sua falta de educação e fosse embora.

– Acho que já passamos desse ponto, não?

Aparentemente, não se importava em ser mal-educado. Muito bem, então. Ela também não ia se importar.

– Quer alguma coisa, lorde Potter? – perguntou, friamente.

Então virou-se para encará-lo. Um erro. O marquês estava perfeitamente arrumado, como sempre – o cabelo macio, a pele dourada, a gravata impecável e as sobrancelhas arqueadas com apenas o suficiente de graça para fazê-la sentir como se tivesse nascido e se criado em um estábulo. Na mesma hora, tornou-se profundamente consciente de que estava usando seu vestido mais cinza, mais sem graça, e agora, sem dúvida, o mais sujo, e que no mínimo parecia estar necessitando com urgência tanto de um cochilo quanto de um banho.

Era um homem irritante. De verdade.

– Gostaria de continuar nossa conversa de ontem à noite.

Ela não respondeu, limitando-se a pegar vários livros do chão. Ele a observou, imóvel, como se estivesse considerando com cuidado as próximas palavras. Mione esperou, colocando os livros lentamente na prateleira, desejando que ele não falasse nada. Torcendo para que apenas desistisse e fosse embora.

Harry se aproximou, encurralando-a no espaço parcamente iluminado.

– Mione, não posso pedir desculpas o suficiente.

As palavras saíram baixas e sinceras. Ela fechou os olhos ao ouvi-las, deixando os dedos percorrerem a lombada de um exemplar. Viu as letras na capa, em folhas de ouro brilhantes, mas não conseguiu ler.

Respirando fundo, fortaleceu-se contra a emoção que martelava seu corpo. Balançou a cabeça com força, recusando-se a encará-lo.

– Por favor, não peça desculpas – murmurou. – Não há necessidade.

– Claro que há. Meu comportamento foi repreensível. – Ele cortou o ar com a mão. – Mais importante, no entanto, é que eu corrija a situação imediatamente.

O objetivo dele era claro. Mione balançou a cabeça de novo.

– Não – disse, baixinho.

– Como disse?

A surpresa dele era óbvia. Ela limpou a garganta, forçando a voz a sair mais forte desta vez.

– Não. Não há situação nenhuma e, portanto, nenhuma necessidade de que a corrija.

Ele deu uma risadinha incrédula.

– Não pode estar falando sério.

Mione aprumou os ombros e passou por ele, caminhando até a área iluminada e central da biblioteca. Limpando as mãos no vestido, fez uma cena para arrumar os livros de uma mesa próxima. Não viu os títulos, nem registrou os autores.

– Estou falando bastante sério, milorde. Qualquer infração que porventura acredite ter cometido, eu lhe asseguro, não fez nada disso.

Ele passou uma das mãos pelos cabelos, a irritação transparecendo em seu rosto.

– Mione, eu a desvirtuei. Completamente. E agora gostaria de consertar isso. Nós vamos nos casar.

Ela engoliu em seco, recusando-se a olhar para ele – sem confiar em si mesma para tal.

– Não, milorde. Não vamos. – Muito possivelmente, as palavras mais difíceis que já dissera. – Não que não aprecie a oferta – acrescentou, educada.

Ele parecia perplexo.

– Por que não?

– Milorde?

– Por que não quer se casar comigo?

– Bem, para começar, o senhor não perguntou. Anunciou.

Ele olhou para o teto como se pedindo por paciência.

– Está bem. Quer se casar comigo?

As palavras fizeram uma tristeza percorrer Mione. Forçado ou não, o marquês Potter pedindo sua mão definitivamente figurava entre os primeiros lugares de sua lista de momentos mais maravilhosos na vida. No topo da lista.

– Não. Mas muito obrigada por perguntar.

– De todas as idiotices… – Ele se controlou. – Quer que eu fique de joelhos, então?

– Não!

Mione achava que não suportaria vê-lo de joelhos, pedindo-a em casamento. Seria um truque cruel do universo.

– Qual é o maldito problema?

"O problema é que não me quer de verdade."

– Simplesmente não vejo nenhuma razão para nos casarmos.

– Nenhuma razão – repetiu ele, testando as palavras por si mesmo. – Aposto que posso citar uma ou duas razões muito boas.

Ela finalmente o encarou, abalada pela convicção em suas profundezas verdes.

– Certamente não tentou se casar com todas as mulheres que desvirtuou. Por que começar comigo?

Os olhos dele se arregalaram de choque diante das palavras ousadas. A emoção logo foi substituída pela irritação.

– Vamos resolver isso de uma vez por todas. A senhorita evidentemente acha que sou muito mais experiente do que sou. Ao contrário do que pode pensar, certamente pedi a mão de cada virgem solteira que deflorei. Todas as… uma.

Mione corou diante das palavras francas e desviou o olhar, mordendo o lábio inferior. O marquês estava obviamente chateado com a situação, e ela sentia muito por isso. Mas, na verdade, não tinha o direito de estar mais chateado do que ela.

Mione havia passado uma noite gloriosa nos braços do único homem que já desejara e ele pedira sua mão prontamente – por causa de um recém-descoberto senso de dever –, com todo o romantismo de um bife. E ela devia desmaiar de gratidão para com o extremamente generoso marquês Potter?

Não, obrigada. Viveria o restante de seus dias com a lembrança maravilhosa da noite anterior e ficaria feliz com isso.

Ela esperava.

– Seus atos honrosos estão devidamente anotados, milorde…

– Pelo amor de Deus, Mione, pare de me chamar de milorde. – A irritação permeava o tom dele, fazendo-a parar. – Percebe que pode estar grávida?

Ao ouvir as palavras, uma das mãos de Mione foi imediatamente para a barriga. Ela reprimiu o anseio intenso que a atravessou diante da ideia de carregar o filho de Harry. Não havia pensado na possibilidade, mas o quão provável podia realmente ser?

– Duvido muito que seja o caso.

– Mesmo assim, há uma possibilidade. Não vou admitir que um filho meu nasça bastardo.

Os olhos de Mione faiscaram.

– Nem eu. Mas esta conversa é um tanto prematura, não acha? Afinal de contas, o risco de algo assim é mínimo.

– Qualquer risco é mais do que devemos correr. Quero que se case comigo. Vou lhe dar tudo o que quiser.

"Nunca vai me amar. Nunca poderia. Sou sem sal demais. Sem graça demais. Totalmente diferente do que merece."

As palavras passaram pela mente dela, mas Mione permaneceu calada, apenas balançando a cabeça. Ele suspirou, frustrado.

– Se não vai ouvir a razão, não tenho escolha a não ser ter esta conversa com Benedick.

Mione arfou.

– O senhor não faria isso.

– Evidentemente me tomou por outro homem. Vamos nos casar e não vou me furtar a fazer seu irmão forçá-la a entrar na igreja.

– Benedicknunca me forçaria a casar com o senhor – protestou Mione.

– Parece que vamos descobrir a verdade desta declaração. – Eles ficaram parados, de costas um para o outro, os olhos faiscando de frustração por vários momentos, antes de o tom dele se abrandar e Harry perguntar: – Seria tão ruim assim?

Emoções cruas explodiram no peito de Mione e ela não conseguiu responder de imediato. Claro que se casar com Harry não seria ruim. Seria maravilhoso. Fora apaixonada por ele durante anos, observara-o desejosamente dos cantos dos salões de baile, varrera as colunas de fofocas atrás de notícias do marquês e de suas escapadas.

Por uma década, quando as decanas da alta-roda especulavam a respeito da futura marquesa Potter, Mione havia secretamente se imaginado recebendo a corte ao lado do cobiçado nobre. Mas em todos aqueles anos, imaginara um caso de amor. Havia sonhado que um dia ele a veria do outro lado de um salão de baile cheio ou dentro de uma loja na Bond Street ou em um jantar, e se apaixonaria perdidamente.

Imaginara-os vivendo felizes para sempre. Casamentos nascidos de arrependimentos e erros não davam finais felizes adequados. Na idade e posição social dela, Mione sabia que sua melhor chance de se casar e ter uma família era aceitar um casamento sem amor, mas concordar em fazer isso com Harry era mais do que podia suportar. Desejara-o por tempo de mais para aceitar menos que amor.

Recompondo-se, respondeu:

– Claro que não seria ruim. Tenho certeza de que daria um ótimo marido. Só não estou procurando um.

– Desculpe-me se não acredito nisso – escarneceu ele. – Todas as mulheres solteiras de Londres estão procurando um marido. – Ele fez uma pausa, avaliando a situação. – Sou eu?

– Não. – "Na verdade, você é perfeito." Ele ia pressioná-la até que lhe desse um motivo. Deu de ombros de leve. – Só não acredito que combinaríamos.

Ele lhe lançou um olhar inexpressivo.

– Não acha que combinaríamos.

– Não. – Mione o fitou nos olhos. – Não acho.

– Por quê?

– Bem, não sou exatamente seu espécime preferido de feminilidade.

Harry ficou em silêncio diante da resposta, olhando para o teto como se pedisse paciência.

– E qual é o meu espécime preferido de feminilidade?

Mione deixou escapar um suspirozinho frustrado. Ele tinha mesmo que pressioná-la o tempo todo?

– Vai mesmo me obrigar a dizer?

– Vou, Callie. Porque, de verdade, não entendo.

Ela o odiou naquele momento. Odiou quase tanto quanto o adorava. Fez um gesto irritado.

– Linda. Sofisticada. Experiente. Não sou nenhuma dessas coisas. Sou o oposto do senhor e das mulheres de quem se cercou. Prefiro ler um livro do que ir a bailes, desprezo a sociedade e tenho tão pouca experiência no departamento do romance que tive que ir à sua casa no meio da noite para conseguir meu primeiro beijo. A última coisa que quero é um casamento com alguém que vai se arrepender do arranjo assim que fizermos nossos votos. – As palavras saíram rápidas e furiosas. Estava zangada por ele tê-la pressionado a revelar suas inseguranças e pontuou sua diatribe resmungando: – Muito obrigada por me forçar a dizer isso tudo.

Ele piscou diante dela, calado, absorvendo as palavras. Então falou, simplesmente:

– Não vou me arrepender.

As palavras foram a ruína dela. Estava farta. Farta da gentileza e da paixão dele. Farta da maneira como fazia sua mente, seu coração e seu corpo se sentirem. Farta de se castigar com momentos a sós com ele. Farta de se ser convencida pelos acontecimentos das últimas semanas de que podia, afinal de contas, ter uma chance com o marquês Potter.

– É mesmo? Do mesmo jeito que não se arrependeu de seus atos em seu gabinete? Do mesmo jeito que não se arrepende dos acontecimentos de ontem à noite? – Ela balançou a cabeça, triste. – O senhor foi tão rápido em pedir desculpas após cada um desses momentos, lorde Potter, que é bastante óbvio que um casamento comigo seria a última coisa que escolheria livremente.

– Não é verdade.

Ela o encarou, os olhos cheios de emoção.

– Claro que é verdade. E, francamente, não vou fazê-lo passar a vida se arrependendo por estar amarrado a alguém tão… sem graça e sentimental… quanto eu.

Ela ignorou o ligeiro retraimento dele diante da descrição – as mesmas palavras que havia usado naquela tarde em seu gabinete.

– Eu não poderia suportar. Então, muito obrigada, mas não vou me casar com o senhor.

"Eu o amei por muito tempo. E demais."

– Callie, eu nunca deveria ter dito…

Ela ergueu as duas mãos para interromper seu discurso.

– Pare. Por favor.

Harry a fitou por um longo momento, e Mione podia ouvir a frustração em suas palavras.

Por fim, ele declarou, a voz firme e inflexível:

– Isto não acabou.

Ela sustentou seu olhar verdes resoluto e afirmou:

– Acabou, sim.

Ele deu meia-volta e saiu como um furacão da biblioteca. Ela o observou partir, ouvindo a porta principal da Casa Granger bater, antes de permitir que as lágrimas viessem.


Depois de séculos... aqui estou eu de novo, finalmente minhas provas acabou mas nem vou mais prometer nada, só por favor tenham fé em mim kkkkkk principalmente agora que a fanfic já esta na reta final.

Espero que tenham gostado da atualização - apesar que esse último capítulo não foi lá muito bom para nosso casal HH. Muito muito obrigada para quem está lendo e principalmente para quem está comentando - adorei todas as reviews nos capítulos anteriores, vocês são os melhores!

Nicklley: kkkkkkk fiquei muito feliz em saber que você gostou! É muito importante para mim ler esses comentário maravilhoso! Essa atitude de Harry... ele ainda me mata do coração rsrsrs Espero que tenha gostado da atualização :D - me deixe saber o que você achou! Até a próxima, bjoos!

Mel itaik: kkkk e olhe que nem foi intencional aonde parei o último capítulo! Muito obrigada pelos elógios, é muito bom saber que estas gostando 3 E espero sinceramente que continue assim, bjoos flor e até a próxima!

Midnight: Juro que não foi proposital! kkkkkkkk Se eu tivesse planejado, não teria conseguido parar as duas fanfics numa parte tão semelhante, juro. E sinceramente, você é algum tipo de vidente ou algo assim? (segundo comentário, se eu explicar mais vai ser um big spoiler). A atualização demorou ma,s pelo menos, chegou, certo? Espero sinceramente que tenha gostado e to louca para saber o que você achou! Bjoos, flor e até a próxima!

Milord Guest: HHr deixa todos nós loucos, pode ter certeza, para mim um dos momentos mais frustantes do livro é justamente quando Mione nega o pedido de Harry mas... essa espera vai fazer valer a pena, eu garanto - espero que continue lendo para saber do que eu estou falando! E como esta sua relação com sua irma? Espero que tenha deixado de ser o chato da família kkkkkk Sim! E as provas? Não tive como desejar boa sorte antes, mas espero que tenham sido boas! Espero que tenha gostado da atualização, bjos 3

LuanaMalfoyLivros: Hei querida! Acho que todo mundo que comentou, reclamou do final kkkkk sorry mas agora voltei com dois capítulos! - Tudo bem, que não teve muita cena HHr mas isso vai mudar, garanto! Espero que tenha gostado das atualizações - me deixe saber o que você achou! - Bjos, flor e até a próxima! :D

Kelymoraes790: Juro que eu tentei atualizar logo mas trabalhos, provas, a vida rsrsrs me impede! Mas estou de volta e espero que tenha gostado dessa atualização, florzinha! Muito muito obrigada por comentar! Bjoos e até a próxima :D