Capitulo vinte e um: ...quando acaba bem.

Jane acordou inquieta. Os pensamentos confusos sufocavam-na, torturavam-na. Eles se misturavam, se contradiziam, se chocavam, sem nunca deixá-la em paz. Estava tão indisposta que , apesar de ter acordado há tempo considerável, continuava na cama. Não queria ter que encará-lo, não queria ter de encarar sua família, ou qualquer outro ser humano existente. Não queria ter que decidir entre perdoá-lo ou não; queria ser capaz de esquecer. Queria poder dormir e acordar somente quando todas aquelas dúvidas desaparecessem.

A criada já havia batido em sua porta inúmeras vezes, havia chamado-a, tentando acordá-la, sem obter o mínimo sucesso. Jane fechava os olhos, tentando retornar a dormir, revirava-se em sua cama, sem desespero, mas aquela agonia não passava. Acalmou-se, ergueu-se e sentou-se sobre a cama, recostando-se em seu travesseiro.

Ouviu passos no corredor e logo em seguida batidas na porta. Bufou, impaciente, pensando que era a criada, ou até mesmo algum familiar, tentando acordá-la.

-Jane... – uma voz grave sussurrou.

E o dono da voz não deixava de ser um familiar.

Era a voz de Henry. Mortificada, Jane levantou-se de um salto. Vestiu apressada seu robe, mas hesitou no caminho entre a cama e a porta. Comprimiu as costas contra a parede mais próxima, desejando que pudesse desaparecer.

-Eu apenas queria avisá-la que estou partindo – continuou ele, ao ver que ela não se manifestaria – E... Por alguma razão, eu achei que deveria me despedir pessoalmente.

Ela permaneceu em silêncio, escorregando lentamente contra a parede até alcançar o chão, com a respiração entrecortada e o coração batendo acelerado.

-E aproveitar a oportunidade para pedir desculpas, embora saiba que minhas desculpas são insuficientes. Não direi que se pudesse voltar atrás agiria de maneira diferente – não, prefiro ser sincero. Eu a faria sofrer do mesmo jeito. Como já lhe disse, era jovem e imprudente e não tinha respeito com os sentimentos de ninguém senão com os meus próprios. Mas ao menos permita-me demonstrar o quanto me arrependo por ter-lhe causado tamanha dor e sofrimento – ele fez uma pausa de modo a respirar profundamente – Eu... Não posso fazer discursos, Jane. Mesmo que a amasse menos, conseguiria dizer mais do que já disse. Partirei agora com um destino incerto, e uma palavra sua será o suficiente para decidir se falarei com seus pais ou irei embora desta casa para nunca mais voltar. – acrescentou ele, em um tom calmo e controlado.

Ele esperou no corredor, a testa contra a porta, respirando pesadamente e esperando ansiosamente. Ela desmanchou em lágrimas em seu quarto, as costas contra a parede, mal respirando e lamentando profundamente.

-Não... – ela pediu, suplicante. – Não vá embora, por favor... Sr. Potter, Henry... Eu não quero que você vá!

Jane levantou-se agilmente, enxugou as lágrimas com as costas das mães e caminhou apressadamente até a porta, recompôs-se, e abriu-a.

-Eu gostaria que o senhor ficasse. – falou, esforçando-se para aparentar estar calma. – Por favor.

Henry sorriu tristemente.

-Eu ouvi o que mais queria ouvir no momento. – ele disse. – Contudo, não há como eu ficar feliz, pois não poderei satisfazer a sua vontade, tampouco a minha. Mas saiba que não poderia ter me deixado mais feliz. Isso significa que já me perdoou?

Ela hesitou um pouco antes de responder.

-Perdoar ou não perdoar, são essas as minhas únicas alternativas? – e em seguida permitiu que um seus lábios se abrissem em um sorriso tímido. – Não, tenho certeza que não. Ainda poderei jogar todo o acontecido na sua cara... Se ainda quiser me aceitar.

Recomeçaria a falar. Perguntaria a ele por que ele não iria ficar. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, a mão dele já estava em sua face, seu nariz roçava no dele, e os lábios sobrepunham-se.

-Eu nunca seria capaz de rejeitá-la. – ele sorriu. – Nunca mais. Nunca mais serei capaz de cometer tal besteira. Mesmo assim, por uma questão de... negócios, terei de partir. Mas manteremos contato. Falarei com o seu pai agora mesmo.

Jane tomou as mãos dele nas suas.

-Então eu esperarei. E irei com você até meus pais.

-

-Meu pai havia ouvido falar de um tratamento especial, um remédio novo, essas coisas, para o coração, sabe? Ele tentou, por quase um ano, e minha mãe esperou, até que ele voltasse. – declarou James, com um suspiro. – E essa é a história dos meus pais.

Eu ri, dando uma tragada em minha taça.

-Você realmente se parece com seu pai. – comentei, rindo.

James sorriu, fingindo-se envergonhado.

-Não vou nem perguntar o porquê deste comentário. – disse ele. – Mas vou dizer, se você se parece com sua mãe, tenho que falar que ela tem um sorriso lindo.

Eu sorri e corei ligeiramente.

-Obrigada James. – disse. – São seus olhos.

Ficamos em um silêncio constrangedor por um bom tempo, olhando para o nada, de modo a evitar com que nossos olhares se encontrassem.

-Lily... Você tem certeza que não deveria estar fazendo algo importante agora? – perguntou James.

Respirei fundo, um pouco aborrecida.

-Já que você insiste em se livrar de mim... – respondi. – Pode me deixar em casa?

-Obviamente, milady. – disse James, fazendo uma pequena mesura, fazendo também com que Lily sorrisse.

-

Afastei-me do carro, com um turbilhão de pensamentos confusos em minha mente. Permiti-me olhar para trás apenas por uma vez e viu que James me fitava e sorria. Comprimi os lábios e fechei os olhos por alguns instantes. De certo modo, esperava por mais. Esperava que James tivesse tomado alguma atitude, que fizesse algo. Mas não podia culpá-lo – eu mesma insistira com ele durante meses para que ele me deixasse em paz.

Subi as escadas até o meu apartamento, suspirando. Abri a porta e gritei:

-Elizabeth! Espero que você esteja ai e que não esteja sozinha!

Ouvi a risada de Elizabeth, calma e contínua, mas fiquei satisfeita ao ouvir uma risada escandalosa, rouca – igual a um latido. Infelizmente, as risadas não vinham do quarto de Elizabeth, e sim da cozinha.

Apareci a porta, e encontrei Sirius e Elizabeth tomando o chá da tarde. Que decepção. Tanta juventude desperdiçada daquele jeito.

-Você me decepciona, Sirius Black. Nem parece mais com o Sirius que eu conheci. – disse, desapontada.

Sirius riu, Elizabeth corou, fingindo-se indignada, ultrajada.

-Não é uma boa coisa que eu não me pareça mais com o velho Sirius? – comentou ele, também decepcionado. – Você sempre dizia que eu precisava tomar jeito.

Eu suspirei, juntando-me aos dois a mesa.

-Verdade. O velho Sirius era imaturo, mas não media esforços para impressionar uma garota.

Sirius riu novamente, e Elizabeth resolveu que era melhor permanecer em silêncio, bebendo seu chá.

-Eu resolvi optar por atitudes mais românticas. Sou um romântico agora. – disse Sirius, e piscou. – Já que funcionou com James, por que não funcionaria comigo?

Bufei quando ele mencionou James, um pouco agoniada.

- O que foi? Por acaso não funcionou com ele? – perguntou Elizabeth, finalmente resolvendo sair do silêncio.

Eu suspirei.

-Funcionou, quem sabe. O problema é que ele ainda não percebeu que funcionou. – respondi.

-Bem, eu cuido disso então. – e enfiou a mão no bolso da calça para pegar seu celular.

-Nem pense nisso. – intervim, quase que imediatamente.

Sirius guardou o celular, desapontado.

-Você não pode esperar que ele faça tudo, Lily, por que ele já fez tudo que estava ao alcance dele. – disse Sirius.

Elizabeth concordou, balançando positivamente a cabeça.

-Eu sei. É só que eu precisava... Na falta de uma palavra melhor, me livrar do Jeff logo. – respondi.

Elizabeth e Sirius se entreolharam com cumplicidade. Eu resolvi ignorar aquele olhar e me servir de chá.

-Achei que você fosse fazer isso hoje. – disse Elizabeth.

Fiz uma careta e logo em seguida me senti mortalmente culpada.

-Eu sei. Mas não tive coragem e dei o bolo nele.

Sirius riu.

-Bem, se não foi hoje, não vai ser nunca mais. – comentou ele, malicioso.

Eu franzi a testa, e olhei-o com um olhar indagador.

-O que você quer dizer com isso?

Sirius olhou-me intensamente, na sua melhor demonstração de cara de cachorro sem dono, mas eu não cedi.

-O que você quer dizer com isso, exatamente? – perguntei, em uma demonstração de 'olhar de megera'.

Sirius quase se encolheu com meu olhar de censura.

-Bem, a PotterCorp tem ótimas vagas para pessoas como ele...

-... em sua sede na França. – completou Elizabeth.

Eu arregalei os olhos, estupefata.

-Não acredito que vocês foram capazes disso para se livrarem dele! – exclamei.

- "Capazes disso"? – perguntou Sirius. – Ele nunca em toda a vida dele conseguiria um emprego tão bom! – acrescentou, com desprezo.

Eu suspirei, tentando me acalmar.

-Bem, vocês têm razão. Ele vai ser mais feliz lá do que jamais seria aqui.

-Você não está brava? – perguntou Elizabeth, surpresa.

Eu sorri.

-Tem como ficar brava com vocês?

-

-Bem, gente, eu vou descansar um pouco – disse Lily, levantando-se com a xícara de chá em mãos. Beijou minha bochecha e a de Sirius e saiu da cozinha.

Eu examinei atentamente minha xícara de chá enquanto o clima voltava a ficar pesado, como estivera antes de Lily chegar. Sirius fitava-me intensamente, o queixo apoiado em uma das mãos, que estava apoiada na mesa.

Eu levantei meu olhar para encontrar com o dele. Ele se levantou, sem quebrar o contato visual, e puxou uma cadeira de modo a se sentar do meu lado. Senti arrepios ao longo de todo o meu corpo, quando ele colocou as mãos em meu rosto.

-Suponho que você não vá se importar se eu seguir o conselho da Lily. – disse ele, simplesmente, e me beijou.

E, bem, pra falar a verdade, eu não me importei mesmo. Tudo aconteceu rápido demais, e a próxima coisa que eu percebi foi que estávamos na minha cama.

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N/A: Tirando a poeira e as teias de aranha

Bem, e cá estou eu. Finalmente livre das provas e da escola e de tudo! E DE FÉRIAS! E atualizando minha fic! Pra alcançar a auto-atualização só arranjar um namorado mesmo. Ai ai. Parece que vai demorar. HAHA.

Bem, eu coloquei uns asteriscos em umas falas do Henry, mas acho que o vai engolir eles, então vou copiar aqui:

1-Eu... Não posso fazer discursos. Mesmo que a amasse menos, conseguiria dizer mais do que já disse

2- Partirei agora com um destino incerto, e uma palavra sua será o suficiente para decidir se falarei com seus pais ou irei embora desta casa para nunca mais voltar

E por que eu destaquei essas falas? Por que elas não são, originalmente, minhas. Eu copiei de dois livros de romance. (PERFEITOS)

Bem, quem adivinhar quais livros primeiro ganha tudo (ou quase tudo pelo menos) que eu já escrevi da minha nova fic. (ela ta meio empacada ainda, mas eu espero poder postar ela até o fim do ano pelo menos). E ela não é a única, eu to com um bando de idéia pra fic, só que ainda não sei direito como por no papel, sabem?

Que nem o final de MM. Venho pensando ele há muuuito tempo, e ainda não ta escrito, como vcs devem ter percebido. Mas agora, de férias eu tenho tempo pra escrever. Êe.. Ta, to falando um bando de inutilidade aqui. Mas é isso, quem adivinhar ganha um capitulo da fic que eu to escrevendo D. Acho que é bem diferente de tudo que eu já escrevi. (Espero). Vai ter um ar mais sombrio e tudo o mais. Mas acho que por hoje é só pessoal. Saudades de vocês, então mandem reviews ;D

Beijos.