Capítulo 20 – É Um Sonho?

Minerva estava ha meia hora deitada na sua enorme cama de dossel, mas não conseguia dormir. Não conseguia tirar a cena do banheiro da sua cabeça, não conseguia definitivamente deixar de pensar na expressão que Abraxas fizera ao vislumbrar seu corpo nu e isso ainda fazia o seu coração dar saltos desconfortáveis todas as vezes que aquela memória se fazia presente. O que estava acontecendo com ela afinal de contas? Em que mundo paralelo e extraterrestre ela se encontrava para sentir tamanha atração por um sonserino esnobe e frio?

A garota suspirou e virou-se na cama. Decidiu que pelo visto não conseguiria pregar os olhos de qualquer maneira.

Era por volta das duas da manhã quando a garota de cabelos avermelhados saltou de sua cama e saiu do quarto. Provavelmente agora a sua amiga estava feliz nos braços do outro sonserino, entretanto Minerva sabia que nada seria fácil naquela relação e certamente o mais dispendioso seria superar o preconceito alheio, preconceito que em parte ela mesma carregava.

Ela abriu a porta do quarto tão silenciosamente quanto pode e desceu até a sala comunal dos monitores-chefes. Sentou-se no sofá macio e conjurou um fogo que acendeu a lareira. A garota começou a brincar então com sua varinha conjurando pétalas de rosas brancas e fazendo-as flutuar acima de sua cabeça. Começou a contar as pétalas para superar o tédio e a insônia que sentia. Uma... Duas... Dez... Vinte e cinco. Minerva dormiu no sofá.

(...)

Abraxas andava descalço em um jardim e a sensação da grama macia em seus pés era reconfortante. O vento passava por ele fazendo seus cabelos loiros ondularem, mas isso não o incomodava. O gramado onde ele estava agora era tão extenso que se tornava inalcançável aos olhos ver o seu final, mas ele continuou andando sem destino, sem rumo. O dia estava claro, um dia de verão, o sol a pino no céu azul perfeito, levemente enfeitado com nuvens espaçadas, esponjosas e brancas.

Ouviu uma voz e virou-se em direção a ela. Uma linda garota de cabelos avermelhados com bonitos cachos nas pontas corria no gramado com um vestido branco que tinha um laço rosado no meio. Era Minerva. Ela sorria feliz, e ele sorriu para ela estendendo a mão para que ela o alcançasse. Ela continuou correndo em sua direção e continuava a sorrir enquanto o vento faziao seu vestido branco esvoaçar.

Tão linda... Ele pensou contrafeito. Não queria sentir qualquer tipo de atração pela garota que estava indo para os seus braços, mas desde quando era possível controlar o coração?

Um som alto rasgou os céus e um trovão ecoou pelo gramado fazendo a garota se encolher e ela parou antes de alcançar os braços do loiro. Ela olhou para ele, diretamente em seus olhos cinza e deixou o sorriso morrer no rosto perfeito e suave. Ela olhou para cima, para o céu que se transformava e agora tudo escurecia rapidamente. Nuvens cinzas e espessas encobriam a claridade aconchegante de minutos atrás e relâmpagos e raios cortavam o céu com um alto estardalhaço.

O loiro olhou para cima, para o céu quase negro, e viu as nuvens pesadas tomarem uma forma que ele conhecia. Uma caveira. Uma caveira com uma cobra que serpenteava por sua boca. A marca negra. Ele sentiu o ardor pinicar em seu braço e a marca queimou desconfortável.

"Você não vai poder me proteger do perigo..." Ela falou olhando para cima, para a marca que se formava nas nuvens. "Não quando você é o que há de mais perigoso que poderia me acontecer."

O loiro estava paralisado no lugar, impedido de seguir em frente e abraça-la e ela não parecia mais disposta a correr para os seus braços quando alguém indesejado apareceu na cena grotesca. Potter. Ele vinha na direção da garota com um sorriso esnobe no rosto e a abraçou por trás, segurando em sua cintura com uma expressão vitoriosa.

"Se isso fosse uma escolha..." Potter falou para Abraxas enquanto Minerva mantinha uma expressão neutra. "...Ela nunca escolheria você".

Assim que as últimas palavras saíram da boca retorcida em um sorriso presunçoso de Potter outro trovão rascante atravessou o céu agora escuro e o loiro ouviu o som característico da aparatação. Minerva não estava mais ali. Não estava porque ela havia feito a sua escolha. Ela havia escolhido Charlus Adan Potter.

(...)

Abraxas acordou em um pulo piscando os olhos enquanto seu coração tamborilava no peito. Ele praticamente rosnou ao apertar os fios loiros em sua cabeça. Aquele sonho havia sido tão cognitivo, tão absolutamente real para ele. Com um aceno da sua varinha que estava debaixo do travesseiro ele iluminou o ambiente.

Precisava tomar um banho. Precisava mesmo tirar a pequena grifinória de suacabeça.

(...)

O loiro estava agora debaixo do chuveiro, deixando a água morna bater em sua pele alva acalmando-o do sonho – ou pesadelo – que ele havia acabado de ter. Ainda não havia decidido exatamente o que era aquilo. Talvez fosse a sua consciência informando-lhe exatamente o que deveria fazer em relação ao que sentia por Minerva. Manter-se longe. Afastado. E ele estava mais do que disposto a fazê-lo.

Deixou a espuma escorrer por seu corpo másculo e fechou o registro. Pegou uma toalha branca e enrolou em volta da cintura enquanto enxugava os longos cabelos loiros com outra toalha branca. Ele saiu do banheiro e olhou para a direita, para o quarto onde agora provavelmente a garota que povoava os seus sonhos estaria dormindo calma e tranquila.

Ele respirou fundo e desceu as escadas para ir até a sala comunal. Não queria voltar ao quarto naquele momento, mas quando alcançou a sala sentiu-se extremamente surpreso.

Minerva estava dormindo como um anjo no sofá. O fogo crepitava baixo na semiescuridão da sala quase apagado. Ele continuou descendo as escadas, hipnotizado pela cena que assistia. Ela estava linda, rodeada de pétalas brancas e vestindo uma camisola branca, extremamente parecida com a do sonho que acabara de ter.

Ele piscou repetidas vezes enquanto se aproximava da garota deitada no sofá. Ela ressonava baixinho, estava serena como um anjo.

Ele não percebeu quando se aproximou o suficiente a ponto de agachar ao seu lado no sofá e passar as mãos suavemente no rosto angelical. Ele mirava os lábios cheios da garota sem perceber que ela havia aberto os olhos.

(...)

Estava sonhando?! Minerva perguntou a si mesma quando abriu os olhos e viu o rosto do garoto bonito que fazia carinho em seu rosto. Os cabelos molhados deixavam seus cabelos loiro platina num tom mais escurecido, algumas gotas de água caminhavam pelo seu peito descendo pelo tórax forte. E Minerva não conseguiu impedir-se de admirar beleza tão clássica. Ele era como um príncipe, os olhos cinzas e distantes, mas que naquele momento exprimiam uma ternura que ela nunca antes havia visto e naquele momento aqueles mesmos olhos encararam os seus verdes e ela prendeu a respiração.

— Estou sonhando? — ela perguntou num sussurro sem desviar do aprisionamento que os olhos cinza lhe provocava.

— Eu sou um sonho para você? — ele respondeu num sorriso torto.

Ela acompanhou seu sorriso. Já que era um sonho e ela tinha certeza que era, não haveria mal em dizer-lhe a verdade. — Você não é apenas umsonho... Você é o meumelhor sonho.

O sorriso deslumbrante de resposta de Abraxas deixou Minerva temporariamente desligada. O garoto mal podia acreditar naquelas palavras que havia acabado de sair dos lábios tão desejados por ele. Ah... Era doloroso estar tão perto sem avançar sobre ela e ele sabia que não deveria aproveitar-se daquele momento de fragilidade da garota, mas que outra chance ele teria?

Sua cabeça desceu em direção aos lábios de Minerva e os lábios juntaram-se num beijo calmo, terno, doce, lento e suave. As línguas faziam um movimento único, uma dança. E as mãos de Abraxas logo ganharam vida descendo pelos braços da garota, indo repousar em sua cintura fina, passando pelo ventre liso por cima da camisola e logo após repousando-se no quadril apertando a carne macia.

Ali não cabiam mais as palavras. O sonho de ambos estava se realizando mesmo com toda a improbabilidade daquele fato. Os dois se desejavam e não haveria nada que os impedissem de provar, de sentir e de viver aquele momento.

Abraxas subiu no sofá por cima do corpo de Minerva, alojando os dois corpos. Minerva respondia a altura, sorrindo e acariciando todo o corpo cheiroso e ainda úmido do banho do loiro e notou que ele estava apenas de toalha.

(...)

Eles não perceberam quando começaram a moverem-se dentro do corpo do outro, mas sabiam que não poderia haver sensação mais perfeita. Estavam fazendo amor, calmo e suave, lento e perfeito ainda mantendo os lábios unidos com beijos incansáveis. E chegaram ao ápice assim, ambos firmemente unidos, juntos enquanto arquejavam e sorriam.

— Eu sempre desejei isso... — Minerva confessou agora deitada confortavelmente em cima do corpo viril do loiro. Ele apenas sorria enquanto fazia um carinho em seus longos cabelos avermelhados.

— Ainda acha que é um sonho? — ele perguntou abaixando um pouco os olhos para ver o rosto da menina.

— Eu só vou saber isso quando eu acordar... — ela falou olhando pro espaço vazio na sala.

— Porque diz isso? — o loiro perguntou curioso.

— Se eu acordar e você ainda estiver ao meu lado, então eu vou saber que não foi um sonho… Mas se eu acordar sozinha, então eu vou ficar feliz por ter tido a sorte de ter sonhado com você.

— Eu ainda vou estar aqui quando você acordar. — ele prometeu solene.

— Porque...? — ela perguntou sonolenta, quase entregando-se ao sono bem vindo depois do amor que fizeram.

— Porque estou oficialmente deixando de ser seu sonho Minerva McGonnagall... Porque a partir desse momento eu serei a sua realidade. Você querendo ou não.

Ela riu satisfeita.

— Você sabe tudo o que isso implica? — ela perguntou levantando-se um pouco para olhar nos olhos cinzas de Abraxas.

— Mais do que você imagina, mas estou disposto a enfrentar se você estiver.

— Um sonserino e uma grifinória... — ela falou pensativa.

— Isso é mais comum do que você imagina. — ele riu ao lembrar-se do amigo e ela sorriu ao lembrar-se da amiga.

— Dois sonserinos e duas grifinórias. — ela corrigiu-se arrancando um sorriso maior ainda do loiro.

— Esse castelo vai explodir amanhã... — ele falou prevendo o burburinho que surgiria.

— Não tem problema... — ela deu-lhe um selinho e em seguida soltou um sorriso diabólico. — Você não imagina o quanto eu adoro ver o circo pegando fogo.

Ambos riram novamente e voltaram-se a se beijar, mas havia mais urgência e voracidade.

Pelo visto, a noite do novo casal seria tão longa quanto a de um certo moreno e de uma certa castanha que ainda se amavam incansavelmente na sala precisa. Eles só não imaginavam o quanto aquele simples ato de amor e entrega mudaria completamente a história do mundo bruxo... Para sempre.

(...)