21. "Você vai ser muito feliz"
Sarah! Foi o primeiro pensamento de Rony, assim que acordou e se lembrou do acidente que sofreram. A luz no quarto estava meio fraca, e aquele teto branco denunciava que ele estava num hospital. Olhou para o lado esquerdo e viu as janelas de persianas. De jeito nenhum aquele lugar era o St, Mungus. Mas não importava, a única coisa que importava agora era Sarah. Sua filha. Desajeitadamente, ele se viu tentando arrancar os fios que estavam presos ao seu corpo e que iam de encontro a um aparelho do lado da cama. Ele não se importava se estava tonto naquele momento, nem ligava para aquela dor aguda em suas costelas e na sua perna direita. O desespero crescente de não saber como sua garotinha estava, se estava bem, se estava viva...
_ Rony!_ a voz de Hermione soou do outro lado do quarto, e ele se virou pra ela. Hermione correu da poltrona até onde ele estava, o segurando e impedindo que ele se levantasse_ O que está fazendo?
_ Hermione, nós sofremos um acidente e... Minha filha, onde ela está? Eu preciso vê-la... Ela está viva, não é?_ ele perguntou desesperado, segurou Hermione pelos braços a olhando nos olhos.
_ Rony, por favor, calma!_ Hermione pediu, seus olhos estavam cheios de lágrimas_ Sarah está bem, ela está bem.
_ É verdade isso? Não está me enganando, não é?_ Rony continuou, se enchendo de esperança.
_ Sim, é claro que é verdade. Ela está bem_ Hermione confirmou, o empurrando, até que ele estivesse encostado no travesseiro da cama_ Se feriu bem pouco, foi quase um milagre.
Ele encostou a cabeça no travesseiro, soltando um suspiro de alívio. Graças a Deus, sua filha estava bem. Ele não conseguia imaginar o que faria se algo de ruim acontecesse a ela. Como poderia viver se ela...? Não gostava nem de pensar nessa possibilidade. Ele podia ficar tranquilo, tudo estava bem.
_ Eu quero vê-la_ falou encarando Hermione.
_ Bom, precisamos ver com o médico isso... Falando nisso, tenho que chamá-lo e avisar que acordou_ Hermione fez menção de se afastar da cama, mas Rony a segurou pelo pulso.
_ Não, espera! Quando o médico vier, vai me encher de perguntas pra ter certeza que estou bem e tenho certeza que daqui a pouco, minha mãe vai entrar correndo por essa porta e só vai me largar quando eu receber alta... Então, fica!_ ele pediu, querendo aproveitar a presença dela.
Hermione o olhou um pouco comovida. Ficar era o que mais queria. Não só naquele quarto com ele, como fez nas últimas oito horas, mas sim, pelo resto da vida. O amava tanto. Ela então se aproximou e sentou na beirada da cama.
_ Como se sente?_ ela finalmente, perguntou.
_ Estou bem, inteiro... Isso é um hospital trouxa?_ ele perguntou, manifestando o estranhamento pelo local.
_ Sim! Depois do acidente, foram trazidos pra cá... Graças a Deus, você ainda leva o número do telefone do Harry na carteira, ligaram pra ele... Foi assim que ficamos sabendo do acidente.
_ E eu que achei que esse número de telefone nunca seria útil... Há quanto tempo está aqui?
_ Desde que Harry me avisou... Há umas oito horas atrás.
Houve uma pausa.
_ Hermione... Você não falou um momento sobre a Susan. Ela está bem?_ Rony perguntou, tomando coragem. Ele se lembrava do acidente. Lembrava que o outro carro bateu bem do lado do motorista, o lado onde Susan estava.
Hermione ficou um tempo em silêncio. Havia se preparado internamente para aquele momento. Ou ao menos, tentado.
_ Rony..._ ela se calou, incapaz de continuar. Um nó se fez em sua garganta e ela pôde perceber pela expressão de Rony, que ele sabia.
_ Ela está morta, não é?_ Rony perguntou, embora seu coração já soubesse a resposta. Hermione apenas começou a chorar.
Alguma coisa dentro de Rony se partiu, um peso gigantesco caiu sobre ele. Susan estava morta. Sarah estava sem mãe. E ele... Bom, ele não sabia como se definir. Como explicar a dor que estava sentindo naquele momento?
_ Hermione, eu sei que te pedi pra ficar... Mas pode me deixar sozinho um instante. E por favor, não chame nenhum médico agora_ ele pediu com a voz embargada. Virou o rosto para que Hermione não pudesse vê-lo.
_ Rony..._ Hermione tentou. Queria que ele soubesse que ela estava ali, que não precisava se envergonhar por chorar a morte de Susan. Precisava que ele soubesse que aquilo não a magoaria. O que a magoava, era vê-lo sofrendo. Mas nada conseguiu dizer e sabia que sua presença ali, não ajudaria Rony. Aquele momento era dele e nada que ela fizesse ou dissesse, o faria se sentir melhor. Então ela apenas, lhe deu um beijo no topo da cabeça e saiu do quarto.
Sozinho, Rony fechou os olhos com força quando as lágrimas começaram a rolar por seu rosto. Ele se encolheu na cama, deitando de lado e pensou em Susan. Pensou em todo o amor que ela e Sarah tinham uma pela outra. Como ele diria a sua filha que sua mãe estava morta? Como no mundo, ele aguentaria ver a dor que aquilo causaria a sua filhinha?
Gina abriu os olhos, assim que ela ouviu passos se aproximando no corredor. Não conseguiu disfarçar sua surpresa ao ver Draco Malfoy caminhando na direção dela um pouco apressado. Com certeza era a última pessoa que ela esperava ver no hospital. Ele caminhava em sua direção no corredor, olhando para os trouxas com um pouco de asco.
_ Oi_ ele disse, assim que emparelhou com ela_ Eu só soube agora. Como ele está?
_ Está bem fisicamente_ ela respondeu, cansada.
Gina lembrou-se das horas anteriores, quando todos começaram a se preocupar por Rony ter ido à casa de Susan e não ter voltado. Ela mesma, tinha ido até a casa da jovem atrás do irmão quando fez exatamente 5h que ele havia saído d'A Toca e não voltou. Lembrou do medo que sentiu quando a mãe de Susan, lhe informou que eles não haviam chegado. Tinha uma boa imaginação, precisava admitir. Começou a achar que Susan havia sequestrado seu irmão, quando alguém de um hospital trouxa ligou para Harry perguntando se ele conhecia um rapaz ruivo, que havia sido levado ao hospital com uma mulher e uma criança, mas que não havia sido identificado. O homem não tinha nenhum tipo de documento de identificação. Nem ele, nem a mulher a criança. Ora, bruxos não usam isso. Gina lembrou o desespero em sua família quando todos souberam do acontecido. Quando soube da morte de Susan, imediatamente se sentiu culpada por pensar tão mal dela.
_ Quem te avisou?_ ela perguntou a Draco.
_ Sua mãe... Ela me mandou uma carta, achou que eu gostaria de saber_ ele caminhou e sentou ao lado dela, mas tomando cuidado em manter certa distância.
_ Susan está morta_ ela disse, sentindo outra vez a onda de culpa. Draco a olhou um instante, surpreso, depois voltou a olhar pra frente como estava antes.
_ Seu irmão já sabe?
_ Sim! Hermione contou... Ele não queria ver ninguém, mas ela teve que chamar os médicos.
_ Será que posso vê-lo?
_ Ele está meio sedado agora, talvez seja melhor você esperar ele estar consciente.
_ Ok!
Houve um momento de silêncio.
Aquilo era estranho. Não se viam há meses e era estranho reencontrá-la naquela situação. Estranho porque em outra época, ele a abraçaria forte e ela provavelmente choraria em seus braços. Talvez em outra época, ele nem sequer se preocupasse tanto com Weasley assim. Tudo havia mudado. Pensou em dizer alguma coisa, mas no mesmo instante, Gina soltou um lamento. Ela estava olhando para o corredor na mesma direção em que ele veio. Caminhando apressada, vinha Luna Lovegood. A loira parou há poucos metros de distância deles.
_ Luna_ Gina exclamou. Ela imediatamente se levantou e Draco fez o mesmo_ Não imaginei que fosse vir...
_ Rony é meu amigo_ Luna disse simplesmente_ E como ele está? E a menina e mãe?
_ Rony está bem. Está dormindo agora, Sarah também... Mas Susan... Ela morreu_ Gina respondeu. Ela torceu as mãos uma na outra
_ Sinto muito!_ Luna disse e realmente sentia. Pensou na garotinha que agora ficaria sem mãe.
_ Obrigada... Luna, será que podemos conversar?
Luna a encarou friamente. Draco olhava de uma pra outra.
_ Não, não podemos... Pode me dizer onde está o Harry, por favor?
_ Ele... Ele está no refeitório com meus pais e irmãos_ Gina desviou o olhar para o chão. Havia realmente estragado tudo.
_ Obrigada!_ E ao dizer isso, Luna se foi, virando o corredor a direita, onde ficava o refeitório.
Quando Gina finalmente conseguiu olhar para Draco, ele a encarava como se tivesse descoberto um segredo seu.
_ Eu sabia!_ ele disse, cruzando os braços.
_ Sabia o que?
_ Que você iria fazer alguma coisa bem estúpida que acabaria com a sua amizade com a desparafusada... E o que foi? Ela descobriu que você estava cobiçando o cabeça rachada?
_ Draco, me deixe em paz.
_ É isso não é?
_ Não, não é. Já disse pra me deixar em paz_ ela exigiu outra vez, se virando pra sair dali, mas o loiro a segurou pelo braço. O rosto dela estava vermelho. Estava com vergonha de si mesma. Queria sua amiga de volta, queria voltar no tempo.
_ Foi algo pior?_ Draco continuou tentando_ Você e ele...?_ ele se interrompeu antes de terminar, doía só de pensar. Mas pela expressão de Gina, ele soube que havia imaginado certo. Soltou o braço dela_ Não acredito!
_ Não é o que está pensando.
_ Não? Então não ficou com ele?
_ Foi... Foi apenas um beijo_ ela disse, tentando minimizar. Talvez assim, ela mesma acreditasse que não foi grande coisa.
_ Você é uma hipócrita_ Draco praticamente cuspiu aquelas palavras.
_ Você não é ninguém pra me julgar. Você ficou com a Pansy dias depois de terminarmos.
_ Bom, Pansy não é namorada do meu melhor amigo.
Draco quase sorriu ao ver a expressão ferida dela. Aquilo era o que ele fazia de melhor, usar as palavras pra ferir as pessoas. E naquele momento, tudo que ele queria era magoá-la.
_ Seria estranho se fosse, pois você não tem amigos_ Gina rebateu, depois de respirar fundo. Era um dos pontos fracos de Malfoy, ela sabia. Ele nunca teve sorte com amigos. Na escola, todos que andavam com ele, ou era por interesse ou por medo. E hoje em dia... Bom, era aquilo, ele não tinha amigos.
Houve um silêncio pesado por um curto espaço de tempo.
_ Houve uma época em que eu costumava achar que além de minha namorada, você era minha amiga_ ele disse aquilo com amargura_ Mas estou feliz de poder realmente te conhecer...
_ Eu era sua amiga, Draco. Eu costumava ser tudo pra você... E agora você age como se eu fosse algo nojento, repugnante.
_ Não é o mesmo que você faz?
_ E como espera que seja?_ ela perguntou, exaltada_ Eu passei oito anos da minha vida com você e nem uma porcaria de uma aliança eu mereço.
_ Tudo por causa de um casamento_ ele levantou as mãos para o alto, exasperado_ Acho que nunca sairemos desse tópico, não é?
_ Nunca! Pois queremos coisas diferentes...
_ Bom, já que é assim, talvez seja melhor mesmo correr atrás do Potter... Ele é melhor que eu, sempre foi, não é?
Gina ia dizer não. Ia dizer que pra ela, nunca fez diferença o quanto todos idolatravam Harry. Sim, ela recentemente cogitou reviver algo com ele. Mesmo que tivesse sido apenas um devaneio, ela tinha que admitir que isso passou por sua cabeça inúmeras e inúmeras vezes. Mas no fundo, ela sabia por quem seu coração disparava, ela sabia quem fazia suas mãos suarem, quem era capaz de levá-la a extremos em que ela não imaginava ser capaz de ir. E ele estava bem ali a sua frente, bufando de raiva e com seu rosto pálido quase corado. Era ele, sempre seria ele. E Gina se odiou por isso. Eles não queriam as mesmas coisas... Ele não a queria. E foi esse pensamento que freou a vontade de dizer a Draco, que ela ainda o amava.
Estava tudo arruinado pra ela. Harry e Luna... Draco.
_ Eu... Você não devia ter vindo_ ela disse, depois de muito tempo. Seus olhos castanhos estavam cheios de lágrimas.
_ Não vim por sua causa... Mas eu já vou. Volto pra ver o Weasley outra hora_ ele passou por Gina, mas parou no meio do caminho_ E sabe, você está errada.
_ Em que?
_ Seu irmão é meu amigo.
E sem dizer mais nada, ele girou nos calcanhares e se foi. Gina ficou ali parada, olhando pro lugar, onde instantes antes ele havia estado, sentindo dor e ao mesmo tempo não sentindo nada. Apenas aquele vazio, que só poderia ser preenchido por aquele rapaz que havia acabado de ir embora.
Rony passou a mão na testa de Sarah, enquanto ela dormia calmamente na cama em seu quarto de hospital. Sua pele estava quentinha, e ela parecia estar num sonho bom, pois sorria de vez em quando. Ele abaixou a cabeça e escondeu o rosto em uma das mãos. Já haviam se passado alguns dias desde o acidente e ele e Sarah só estavam no hospital pra observação. O médico lhe disse que provavelmente receberiam alta no dia seguinte e ele nem sequer, havia contado à filha que sua mãe estava morta. Não podia mais inventar histórias cada vez que a menina perguntava pela mãe. Não podia mais inventar histórias para si mesmo. Susan estava morta e por mais que ele fingisse que tudo ficaria bem, nada mais seria como antes, pelo menos, não pra sua filha.
_ Não vai descansar?_ uma voz disse repentinamente à suas costas, ele se virou um pouco. Era Rebecca Roberts.
Rony se sentia mal só de olhar pra ela. Sua ex-sogra tinha olheiras profundas e parecia ter envelhecido 30 anos em quatro dias.
_ Eu me sinto bem_ ele respondeu, sentindo aquela agonia tão comum nos últimos tempos.
_ Devia descansar até o último momento, e não ficar perambulando pelo hospital_ ela falou se aproximando. Sentou na poltrona aos pés da cama da neta. Olhou para a menina com tristeza.
_ Só queria vê-la... Senhora Roberts, me desculpe mais uma vez por não ter ido ao enterro...
_ Não seja bobo_ Rebecca disse, sem emoção_ O que iria fazer? Se arrastar até lá? Além do mais, sua perna nem está boa ainda.
_ Eu poderia ter tentado. Aliás, eu tentei, mas os médicos não permitiram_ Rony se justificou pela milésima vez. Pensou no enterro de Susan há dois dias atrás. Ele ficou atordoado quando foi informado pelos médicos que não estava em condição de sair do hospital. Seu desespero foi tanto, que mais uma vez tiveram que sedá-lo. Passou às 12 horas depois disso, dormindo, em meio a sonhos desconexos e coloridos.
_ Rony, está tudo bem_ A Sra Roberts disse_ Não se culpe, eu sei o quanto sente...
Ela sabia. Podia ver nos olhos dele o quanto ele estava arrasado por tudo. Sempre soube que Rony era um bom rapaz, mas nunca entendeu a paixão avassaladora que sua filha sentiu por ele. Até aquele momento. Agora, vendo aquele rapaz devastado a sua frente, inseguro e preocupado com a filha, ela entendia. Gostaria de ter dado mais força a Susan, de tê-la apoiado. Se perguntava a todo momento em que sua filha estava pensando antes de morrer, se estava feliz...
_ Papai?_ a vozinha sonolenta de Sarah, chamou a atenção dos dois. Rony imediatamente se voltou para ela.
_ Estou aqui, meu amor_ ele disse, dando um beijinho na mão dela.
_ Onde está a mamãe?_ Sarah perguntou o pegando de surpresa. Não que ele não achasse que ela perguntaria isso outra vez, mas ele só não esperava que fosse ser a primeira coisa que a menina fosse querer saber, assim que acordasse_ Eu estava sonhando com ela.
_ E como foi o sonho?_ Rony perguntou, comovido. A Sra Roberts se aproximou da cama, sentando na beirada do outro lado. Ela deu um sorriso triste pra neta.
_ Estávamos brincando no meu quarto e ela me mandou arrumar os brinquedos_ a menina riu, se sentando na cama. Sua mãe sempre fazia isso. Então ela voltou sua atenção para Rony_ Onde ela está? Por que não veio cuidar de mim se eu estou dodói? Ela também está doente?
Rony respirou fundo. Estava na hora, não é? Não podia mais mentir pra ela, não podia mais dizer que Susan havia estado ali, enquanto ela dormia, e no momento em que sua mãe saiu, ela acordou. Ele segurou as mãozinhas dela. Ouviu quando Rebecca emitiu um soluço baixo, mas não a olhou.
_ Por que está chorando, vovó?
_ Sarah, me escute_ Rony começou com firmeza. A menina, antes distraída pelo choro da avó, se voltou para ele_ Você lembra o que aconteceu conosco? Lembra que um carro bateu no nosso?
Sarah fez que sim com a cabeça.
_ Sabe que é por isso que estamos aqui, não é? Você e eu.
Mais uma vez, ela acenou positivamente. Rony respirou fundo outra vez.
_ Lembra o que você me disse uma vez sobre o seu avô? Pra onde ele foi mesmo?
_ Pro céu_ a menina respondeu, o olhando fixamente.
Houve uma pausa, na qual Rony teve que se segurar pra não começar a chorar ali. Ele se conteve e se manteve firme.
_ Isso! E agora a sua mamãe também foi ficar com ele_ sua voz vacilou por um instante, mas ele tinha que ser forte, por Sarah_ Você entende o que eu estou dizendo?
Sarah ficou um tempo apenas o olhando, imóvel. Ela sabia o que o céu significava. Sua mãe lhe explicou, assim que seu avô foi pra lá. O céu significava morte. Seu avô morreu, ele foi pro céu, ele não vai mais voltar. Foi isso que sua mãe lhe disse, enquanto acariciava seus cabelos.
Finalmente, ela fez que sim com a cabeça.
_ Sua mamãe está no céu, seu avô está cuidando dela lá.
O céu era um lugar muito longe, Sarah sabia. Pois realmente, seu avô jamais voltou. Ele jamais voltou. Sua mãe jamais voltaria.
Ela jamais voltaria.
_ Mas eu estou com você, ok?_ Rony voltou a beijar as mãozinhas dela_ E sua vó também. Nós
sempre vamos estar. Vamos cuidar de você... Você vai ser muito feliz.
Rony ia dizendo, pois aquilo o confortava. Pensar que sua garotinha seria feliz, apesar de tudo. Não era o fim do mundo, não podia ser. Mas ela continuou imóvel, não mais o olhando, mas olhando pro vazio. Como se estivesse perdida. E ele sabia que alguma parte dela estava.
_ Filha?_ ele a chamou, mas não obteve resposta.
Sarah puxou as mãos da dele, voltou a se deitar na cama, ficando de lado e de costas pra ele e para Rebecca.
_ Sarah?_ Mais uma vez ele chamou, mas Rebecca fez um gesto pra que ele parasse.
_ Deixe ela quieta_ a senhora disse, enquanto enxugava as lágrimas. Ela deu alguns tapinhas nas costas dele e se levantou, caminhou até a porta_ Quando estiver pronta, ela dirá o que tiver que dizer e perguntará o que tiver que perguntar... Bom, preciso ir em casa buscar roupas pra ela usar amanhã quando receber alta. Vão ficar bem?_ ele fez que sim com a cabeça. Rebecca lançou um último olhar triste na direção dos dois, e saiu.
Rony olhou para a filha. Seus olhos azuis, tão parecidos com os dele, estavam vidrados em um ponto qualquer da parede. Ele se perguntou o que estaria se passando pela cabeça dela. Se inclinou e deu um demorado beijo nos cabelos dela e Sarah não demonstrou qualquer reação. Tudo bem, Rony pensou. Como a Sra Roberts disse, ela só precisava de tempo e mais nada. E não importava, pois ele estaria com ela. Então ficou ali, firme, afagando as costas frágeis de Sarah, sem que ela dissesse uma palavra, sem que sequer chorasse. Muito tempo parecia ter se passado, até que ela finalmente pegasse no sono e só nesse instante, quando Rony teve certeza de que ela estava dormindo, ele se permitiu chorar.
N/A: Pra não perder o costume, demorei horrores, mas já estão até acostumados, né? Porém, mais uma vez peço desculpas. Como sempre, ando atolada, sem contar que minhas últimas semanas não foram fáceis. Mas enfim, tá aí o capítulo 21, o penúltimo. Isso mesmo, só falta mais um. E o desejo de 10 entre 10 leitores da fic se concretizou. Susan dead. Só quero esclarecer que não fui influenciada pela vontade da maioria. Só achei mesmo que a morte era o que mais cabia para ela. Ou isso, ou ela iria embora e aí creio que ficaria muito forçado. Esse negócio de "Vou embora, mas vou deixar minha filha com você" é meio batido. Morte também, mas pelo menos dá mais emoção. Então espero que gostem desse capítulo e que comentem. Boa leitura.
Thatibass: Parece que seu desejo foi atendido. Obrigada por comentar, Thati!
JuliBWeasley: Pois é, Juli, tá acabando e até que demorou bastante, hein. Bom, como já era de se prever, não consegui atualizar antes. Mas espero que você não tenha infartado. kkk Muito obrigada por comentar!
Anny: Esse povo sofre, né Anny? E sim, o fim está próximo. Só mais um e pá. Obrigada pela review!
Nicky Evans: Pra sua felicidade, a Sarah tá viva, Nicky. Espero que curta esse novo capítulo. Obrigada pela review!
The Girl Who Imaginated: Tá aí, matei a Susan. Infelizmente, eu não consigo atualizar com mais rapidez. A fic acaba ficando em segundo plano =/. Mas eu nunca abandonaria uma fic minha, só se algo muito sério acontecesse. E muito obrigada pelo comentário!
Lilo: Eu adoro finais de capítulos tensos, Lilo. E fique tranquila, pois Sarah está viva. E obrigada por ainda está aí, e por comentar!
JLia S: Eu acho que respondi seu e-mail. Respondi? É que sou meio esquecida, e aí complica. Acha mesmo que o Rony não merece mais a Hermione? Bom, vamos ver né? Que bom que continua curtindo a fic, e muito obrigada pela review!
N/A 2: Não vou me estender muito aqui, gente, pois estou morta de cansaço. Só quero mais uma vez agradecer as meninas que sempre comentam e não abandonaram essa escritora inconstante. Aguentem só mais um pouquinho, só falta mais um.
Bjks!
Reviews?
