1) Tem Finchel nesse capítulo... obaaa!

2) Eu sei que vocês estão loucos pra saber do passado, mas eu não queria que você descobrissem em uma conversa entre amigas, então ainda não será dessa vez. PORÉM não vou enrolar muito mais vocês. No próximo capítulo, vocês vão saber a razão da mágoa de um deles. A do outro, logo, logo, até porque a fic está chegando ao fim.

3) Queria que vocês me falassem de que Estados do Brasil vocês são, porque quero fazer uma surpresa, ok?

Beijos e bom capítulo! Espero que gostem...


"Pronto! Agora você já sabe absolutamente tudo que aconteceu entre mim e a Rachel. Já sabe o porquê da raiva que eu senti, quando a gente se reencontrou... a razão pela qual eu fiz você mudar nossos planos em Paris..."

"Uma história e tanto!" Observou Artie, dando um gole em seu chopp. "Tem certeza que é mesmo a sua vida e não um roteiro desses filmes feitos pra TV?" Brincou, tentando deixar menos pesado o clima daquela conversa.

"A vida às vezes pode ser mais dramática que essas novelas e filmes que a gente produz, cara. Muito mais dramática, aliás, porque eu não to vendo nenhuma possibilidade de nós termos um final feliz nesse caso." Finn fez sinal para o barman trazer mais dois chopps para ele e o melhor amigo, que ocupavam dois lugares no bar da melhor imitação de pub inglês da Califórnia.

Finn não planejara falar sobre Rachel com o melhor amigo, apenas beber e relaxar, e tentar esquecer. No entanto, o assunto tinha começado com Artie falando sobre uma garota com quem tinha saído no final de semana, logo chegando ao tópico sobre como era difícil entender as mulheres e suas atitudes enigmáticas, e, quando Finn percebeu, ele já tinha contado sobre a desagradável surpresa que tinha tido com Rachel no passado, o que o levou a, finalmente, desabafar com o amigo não só sobre os acontecimentos da juventude, como também sobre os mais recentes.

Enquanto os dois amigos recebiam do barman a terceira bebida da noite de cada um, e Artie pensava no que dizer diante das revelações de Finn, Rachel e Mercedes já tinham conversado, analisado o passado e o presente, elogiado Finn e falado mal dele, chorado juntas, esvaziando uma garrafa e meia de Cabernet Sauvignon, e agora incomodavam os vizinhos cantando Celine Dion em um velho karaokê que Rachel tinha guardado, a plenos pulmões, tentando esquecer um assunto que parecia sem solução.

"Cara..." Artie finalmente voltou a falar, no bar, depois de quase meia caneca de uma loira bem gelada. "Eu acho que você precisa passar mais tempo com as meninas... conhecer melhor a Quinn, a Santana e a Britt. Você precisa se dar essa oportunidade, cara... porque esse seu lance com a Rachel... eu queria poder dizer o contrário, mas eu acho mesmo que acabou. Ela tem aquele namorado que tava aí com ela outro dia... e o Ryan uma vez falou alguma coisa sobre ele se mudar pra cá em breve."

"Eu sei, cara... eu sei." Finn disse, com ar cansado. "É o que eu venho dizendo pra mim mesmo há dias! Mas... cara, eu não consigo tirar ela da minha cabeça!"

"Não ajudou muito o fato de você ter passado duas noites com ela, enquanto poderia ter ficado com a Santie, que não tem um namorado e quer se casar com você." Disse, um pouco irritado.

"Eu sabia que não devia conversar com você sobre isso." Finn retorquiu, frustrado, passando a mão pelos cabelos.

"Não, não, cara." Sentiu-se mal o amigo. "Porra! Me desculpa. É que... porra, cara, eu to... eu sou seu amigo e eu quero o melhor pra você, só isso. Me desculpa."

"Tá tudo bem." Bebeu um longo gole, se acalmando. "Você tem razão sobre ser um problema eu ter ficado com ela. Por um lado, foi... foi a melhor noite da minha vida!" Assegurou, sonhador. "Eu ganhei mais uma lembrança nossa... e por isso eu não me arrependo completamente, sabe? Mas por outro... claro que isso tornou ainda mais difícil eu esquecer e... escolher outra garota e me casar com ela."

"Meu ponto."

"Eu... acho que tinha um lado meu que queria fazer uma espécie de teste." Viu a expressão confusa do amigo. "Eu pensei que talvez eu não amasse realmente a Rachel, mas a lembrança que eu tinha dela. Achei que talvez eu só a visse como eu vejo porque na minha memória ela era quase perfeita... a não ser pelo modo como as coisas terminaram. Ela tinha sido a minha primeira em tudo, a única até a gente se separar...podia ser que, agora, depois de outras experiências, se eu ficasse com ela de novo, eu visse que ela não era tudo isso, entende? Que ela não era tão especial assim, só a imagem que eu tinha dela, por causa do passado."

"Mas claramente essa hipótese não se confirmou, não é?"

"Não." Suspirou. "Eu to ainda mais apaixonado por ela do que antes. Eu... amo a Rachel, cara."

Artie bateu no ombro de Finn, tentando passar ao amigo algum conforto que nenhuma palavra sua iria dar a ele. Pediu outras bebidas, mais fortes dessa vez, porque só o tempo amenizaria a tristeza de Hudson e, por hora, deixar o tópico de lado e se anestesiar um pouco parecia ser a única saída. Os dois passaram o resto da noite tentando ficar bêbados, e falando sobre esportes, carros, viagens, e, principalmente, trabalho.

"Amanhã, então, você não vai mesmo filmar nada na mansão?" Perguntou Artie, a uma certa altura.

"Não vai dar, cara. Minha mãe vai chegar lá em casa cedo... e ela quer que eu a ajude em várias coisas relacionadas ao almoço do domingo. Ela não vai me dar um segundo, até a hora em que eu for sair pro jantar. Até com isso ela implicou um pouco, e só concordou que eu fosse porque ele também é beneficente!"

"Você..." Artie respirou fundo, antes de falar, ainda lhe restando consciência, apesar da quantidade de álcool consumida. "Você se deu conta de que ELA vai estar lá, né?" Perguntou, se referindo a Rachel, que certamente compareceria ao jantar promovido pela Associação Americana de Imprensa em benefício de famílias de profissionais do ramo que perderam a vida ou a capacidade para o trabalho, em razão de acidentes durante coberturas jornalísticas.

"Claro." Ele também respirou fundo. "E o pior é que tem um lado meu comemorando isso." Riu de si mesmo, provavelmente graças ao seu organismo não tão forte para bebidas quando o do amigo.

Não é difícil concluir que tanto Finn quando Rachel acordaram de ressaca naquele sábado, e lamentaram não poder se recuperar dela passando o dia todo na cama, sem ver ou falar com ninguém. Finn tomou remédio para dor de cabeça e acompanhou a mãe, como prometera, em seus compromissos, o dia todo. Depois, em menos de meia hora, se arrumou e seguiu para o jantar de gala, já recuperado da bebedeira da noite anterior, e lindíssimo em seu smoking tradicional. Já Rachel realizou algumas tarefas do trabalho, rapidamente, e gastou grande parte do dia se preparando para a festa em um Day-spa.

Toda a preparação, bem como o dinheiro gasto com ela, e com o vestido escolhido com a ajuda de Kurt para a ocasião, valeram a pena. Ela estava radiante quando entrou no salão da festa, e capturou a atenção de grande parte dos presentes. Quase pode sentir na pele o calor de certos olhos cor de âmbar pousados nela, e cumprimentou o dono deles com um gesto educado, recebendo um sorriso simpático de volta.

Finn esperou que Rachel, Ryan, Brad, Ian e seus acompanhantes ocupassem a mesa deles, e foi com Will e Artie cumprimentá-los. Beijou a mão de Rachel um pouco mais demorada e intensamente do que as das demais mulheres da mesa, mas, fora isso, foi somente um cumprimento entre pessoas cujos trabalhos os colocavam em contato vez ou outra, nada mais. Ele seguiu para outra mesa, a fim de cumprimentar outros parceiros de negócios, e ela travou uma conversa longa com a esposa de Brad.

"Tem alguém com ciúmes aí?" Perguntou Artie, um tempo depois, se aproximando de Finn, que estava de pé em uma das pontas do salão, fingindo observar os casais na pista de dança, mas na verdade olhando Rachel, que conversava com um rapaz que ele não conhecia.

"Você sabe quem é ele?" Não se importou em responder o óbvio.

"Brody Weston. Um ator novo de uma dessas séries pra adolescentes. Faz um papelzinho bem pequeno, mas, pelo que eu fiquei sabendo, se acha a nova sensação! Uma amiga minha do elenco disse que a maioria dos colegas tem tido problemas com o tamanho do ego dele."

Finn observou um pouco mais e em poucos minutos já não sentia ciúmes, e sim vontade de salvar Rachel do rapaz. Ele a conhecia o suficiente para saber que ela estava entediada e conversando apenas por educação. Na verdade, sequer poderia ser chamada de conversa a interação dela com o tal Brody, uma vez que era o garoto quem falava o tempo todo e só ele mesmo ria daquilo que dizia, enquanto ela dava um sorrisinho bem "amarelo" de vez em quando e olhava para as próprias unhas, como se elas sim fossem interessantes.

"Aonde você vai?" Questionou Artie, que ficou sem resposta, vendo Finn se aproximar de Rachel.

"Com licença." Ele se dirigiu educadamente ao ator estreante, mas logo se virou exclusivamente para Rachel. "Você me daria a honra, Srta. Berry?" Esticou a mão para ela, indicando que a estava convidando para dançar.

"É claro, Sr. Hudson." Ela tentou se conter e não sorrir tanto, mas falhou. "Com licença, Sr. Weston."

Os dois foram de mãos dadas até perto do centro da pista de dança e ele colocou as mãos na cintura dela, enquanto ela colocou as suas em seus ombros. Começaram a se movimentar no ritmo lento da música, evitando o olhar um do outro e começando uma conversa amigável.

"Conversa chata, hum?" Ele perguntou a ela, brincalhão, se referindo claramente a Brody.

"Você não tem ideia!" Riu. "Algumas pessoas acham que são famosas, depois de uma semana... e íntimas da gente, em quinze minutos."

"A fama dele não é nada boa mesmo."

"Acredite em mim... esse merece cada coisa que falam dele."

"E por que você tava conversando com ele, então?" Implicou.

"Como se a editora-chefe de uma revista sobre televisão tivesse o direito de ignorar completamente um ator!"

"É... você tem razão." Sorriu.

Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos, sem saber exatamente como manter uma conversa, depois de tudo que tinha acontecido da última vez em que os dois haviam se encontrado. Deveriam ignorar tudo? Tocar no assunto?

"Finn." Ela quebrou o silêncio e olhou pra ele. "Muito obrigada pelo presente que você me mandou."

"Presente?" Ele se fez de bobo, franzindo a testa, e recebeu um olhar dela, que assegurava que ela nunca ficaria em dúvida sobre a caixinha de músicas ter sido enviada por ele, então ele riu. "Você não precisa me agradecer, Rach."

"É claro que sim! Inclusive eu deveria ter te ligado... ou pelo menos te mandado uma mensagem. Não foi educado da minha parte..."

"Rach! Tá tudo bem." Sorriu aquele sorriso de lado que a deixava de pernas bambas sempre.

"Foi um presente maravilhoso... tão cheio de significado! Você... poderia ter entrado numa loja... comprado brincos ou um colar. Mas, não... você pensou em todos os detalhes... o que eu poderia dizer?"

"Tinha que ser lindo como você... e especial como aquela noite. Tinha que ser algo marcante, uma lembrança de cada detalhe..."

"Você sabe que isso não era necessário."

"Eu sei." Sorriu. "Nós sempre teremos Paris." Repetiu a frase deixada no bilhete por ela, sorrindo. Ela assentiu apenas, sorrindo também, timidamente. "Então, Casablanca, hum? Nós conversamos tanto naquela noite e você não me falou sobre ser uma amante de clássicos em preto e branco. Você viu o filme?"

"Eu vi, sim. Mas realmente eu não me considero amante dos clássicos, não. Eu vi só uma vez, porque eu tinha um namorado que estudava cinema e me fazia assistir de tudo com ele!" Riu.

"Bom... pelo menos você tinha visto. Eu tive que recorrer ao Google pra saber de onde você tinha tirado a frase, porque eu não tinha visto ainda. Mas até que eu gostei quando descobri, porque eu conhecia a música e achei que ela ficaria perfeita no violino."

"Ficou mesmo perfeita! Mas vem cá... não tinha visto AINDA? Você assistiu?" Perguntou, surpresa.

"Eu vi, quando voltei de Paris. Fiquei curioso. Mas sei lá... não gostei muito, não. Eu prefiro finais felizes." Não era a intenção dele, mas sua afirmação deixou os dois um pouco desconfortáveis. "Dá uma volta comigo?" Ele pediu, sem pensar duas vezes. Havia mais coisas que ele queria perguntar a ela e gostaria de maior privacidade para isso.

"Uma volta?"

"É. Tem um jardim lindo lá fora."

Os dois caminharam lado a lado para fora do salão e por entre as flores do jardim, se afastando cada vez mais dos outros convidados. Quando não havia realmente mais ninguém por perto, ele segurou a mão dela com uma das mãos, ficou de frente para ela e, com a outra, levantou o queixo da morena, fazendo com que ela o encarasse. Deslizou a mão pela maçã do rosto dela devagar, e viu que ela fechou os olhos, se entregando ao toque dele, sem qualquer protesto. Ele, então, fez o que pedia seu coração e a beijou, apaixonadamente, sendo correspondido.

"Por que você não me contou que não estava mais namorando, Rach? Você e o Sam já tinham terminado, quando fomos pra Paris, não tinham?" Ele perguntou, depois do beijo, ainda segurando a mão dela.

"Eu... é... como você sabe?"

"Kurt Hummel. Eu estive com a minha mãe, hoje, no estúdio dele, pra ele fazer uns ajustes num vestido dela. Ela viu uma foto sua com ele... e quis saber de você." Deu com os ombros.

"Finn." Ela suspirou. "Eu não falei, porque não faria diferença. Eu posso estar sozinha, agora, mas isso não muda o fato de que você vai se casar em breve... isso não muda o nosso passado... não faz com que a gente possa realmente se acertar e..."

"Finn. Rachel." Artie interrompeu Rachel, de repente. "Me desculpem aparecer assim, do nada, mas vocês precisam entrar. O leilão vai começar."

Finn tinha que apresentar as peças de cenário e figurino que sua emissora tinha doado para o certame beneficente, então, sem mais palavras, os dois voltaram ao salão. Ele guiou Rachel, com a mão nas costas dela, até a mesa da emissora, e ela não questionou, sentando-se ali mesmo e permanecendo na companhia de Artie.

Depois disso, os dois não conseguiram mais ter nenhum momento a sós. Ficaram o resto da festa conversando com os chefes dela e os subordinados dele, sobre os assuntos mais variados. De vez em quando, ele tocava a mão dela, que estava repousada no colo, sem que ninguém visse, e todo o tempo os dois trocavam olhares e sorrisos, discretamente.

Todos se despediram na porta do clube e Rachel já caminhava na direção do carro da empresa que a deixaria em casa, quando Finn aproveitou algo que ela tinha comentado, sem intenção alguma, para lhe fazer um convite cheio de intenções.

"Rach."

"Oi." Ela virou e ele se aproximou.

"Por que você não vai jantar na minha casa, essa semana, e ver o Uno? Você disse que sente saudades do cachorro que você teve quando era nova e eu sei muito bem que você não teve outro cachorro! Ele ia adorar ver você."

"Eu não sei, Finn..."

"Por favor, Rach. O Uno não morde." Brincou e ela sorriu, se deixando vencer.

"Tudo bem... terça-feira tá bom pra você?"

"Perfeito!" Ele não conseguiu conter um sorriso enorme. "Eu mando um carro te buscar às... oito?"

"Não precisa."

"Eu faço questão." Disse e ela olhou para trás, vendo que Ian, Brad e a mulher dele a aguardavam, por isso resolveu não discutir.

"Às oito está ótimo."

Ele esperou a garota entrar no carro para se dirigir ao dele também, chamando Artie, Will e Emma, que iriam embora com ele. Não conseguiu, no entanto, prestar nenhuma atenção a nada que seus três amigos disseram durante o caminho até suas casas. Por mais que Rachel tivesse dito que ela não ter mais um namorado não mudava nada, ele tinha esperanças renovadas. Queria parar de evitar o passado e conversar com ela, como fazem as pessoas adultas.

Quem sabe ele não conseguisse finalmente entender os motivos dela, perdoar o que ela tinha feito de uma vez por todas, e começar de novo? Quem sabe não fosse necessário que Finn Hudson desistisse realmente de ter o seu final feliz?