21 O aniversário
Harry apanhou uma longa caixa revertida de veludo preto e abriu-a. No meio havia uma longa pena, nova e elegante, brilhando prateadamente à luz das velas. Havia uma inscrição tão pequena que só era possível ver se você soubesse para onde olhar. Ele a pegou na mão e fitou-a para se certificar de que a palavra "Harry" estava no lugar - apenas na ponta, usada para escrever - e ela se tornava completamente invisível quando mergulhada no tinteiro.
Harry sorriu para si mesmo - ele não podia esperar para ver o rosto de Snape quando descobrisse como a pena foi enfeitiçada. Rapidamente colocou o presente de volta na caixa e passou uma fita prata. Então ele abriu o malão e tirou de lá um conjunto de roupas que comprou em Hogsmeade, especialmente para a ocasião. Tudo o que tinha era usado e desarrumado, ele realmente queria se arrumar de modo especial hoje, passou o dia anterior em uma longa caminhada por lojas tentando escolher uma boa roupa para si. Não tinha muita noção de moda, e não teria comprado algo realmente bom se não fosse a ajuda amável da vendedora, que escolheu esse traje para ele. Ele só escolheu a gravata verde – ele sabia que Snape gostava dessa cor porque era a cor da Sonserina. Até agora, lembrava-se de quando saiu do provador, recebeu um olhar admirado da vendedora que o olhou com olhos arregalados ficando sem palavras por alguns momentos. Harry não entendeu completamente a reação dela, especialmente quando ela disse que se ele não fosse comprar os trajes, ela lhes daria de presente. Corou quando ela disse que sua namorada iria ficar louca de prazer. Ele agradeceu e levou o conjunto inteiro.
Todos estavam no jantar, era o momento ideial para que ele pudesse se trocar. Ele parou diante do espelho e olhou para si sentindo uma agradável sensação de cócegas no estômago por causa da leve excitação e ansiedade. Olhou para o tecido da calça preta que caia suavemente escorregando por seus quadris e pernas – era tão diferente das suas calças jeans velhas, usadas, com as quais sempre andou. Em vez de tênis, ele tinha brilhantes sapatos pretos nos pés. Ergueu os olhos e fitou a camisa de seda preta como asas de um corvo, despreocupadamente desabotoada no pescoço onde estava, em um nó frouxo, a gravata verde esmeralda, o mesmo tom que brilhava em seus olhos por trás de seus óculos. Os cabelos escuros, apesar de todas as tentativas de arrumá-los, ainda estavam em desordem, e Harry tomou isso como uma desvantagem muito grande.
Ele sorriu para seu reflexo no espelho e disse que provavelmente parecia muito bom. E, certamente, muito diferente do que o habitual, e ele esperava que Snape notasse isso.
Ele pegou a caixa com o presente, pôs a capa de invisibilidade debaixo do braço e saiu do dormitório, o tempo todo tentando imaginar a reação de Severus, quando ele lhe desse o presente. Não o que carregava na mão, mas o segundo para o qual andou reunindo coragem nas últimas duas semanas para fazer e mesmo assim ainda não tinha certeza se iria fazer o que estava planejando. Uma vez que Harry descobriu o que Snape gostava, desejou realmente lhe dar algo que ele sabia que realmente apreciaria...
Tão logo este pensamento surgiu, seu estômago se contraiu, e suas pernas dobraram debaixo dele. Harry parou no meio e pegou a capa para jogar em si mesmo. Ele não tinha certeza se a sala comunal estava vazia, ele não queria ser visto por ninguém naquela roupa. Mas antes que ele sumisse, Gina apareceu no corredor que leva para o dormitório das meninas e, vendo Harry, parou abruptamente.
- O que você está fazendo aqui? - Eles perguntaram ao mesmo tempo.
- Eee ... - Harry murmurou, sentindo-se corar e xingou a si mesmo por não ter jogado a capa em si ainda dentro do dormitório. Gina se aproximou e encarou-o com os olhos bem abertos, como se ela o visse pela primeira vez na vida.
- Harry ... Você parece tão ... tão ... elegante. – o prazer palpável em sua voz fez Harry de repente se sentir muito agradável. - Eu nunca o vi tão ... - Ficou em silêncio por um momento, como se estivesse procurando um termo adequado - ... tão sexy.
Harry abriu os olhos de espanto. Não esperava algo como isso. De repente, sentiu-se incrivelmente estúpido. Corou e viu e os olhos de Gina vagarem para o pacote que ele estava segurando em sua mão, rapidamente colocou-o atrás de si.
- Eu só ... Eu acabei de entrar ...
- Sem desculpas – a grifinória sorriu. - Aparentemente, ambos temos nossos pequenos segredos.
- Não conte a ninguém sobre isso - Harry deixou escapar de repente. Ele não queria explicar a Ron e Hermione, especialmente porque ele lhes disse que iria passar o final da tarde na Sala Precisa.
- Não se preocupe, não vou dizer. Mas você também não deve dizer a Ron que me viu aqui. Não me daria paz. Às vezes, ele pode ser tão irritante – a Grifinória suspirou. Harry balançou a cabeça. Na verdade, só agora percebeu que Gina estava usando um vestido muito bonito e maquiagem em seu rosto. Aparentemente, ela também decidiu fugir quando ninguém estava por perto. Na verdade, ambos tinham seus "pequenos" segredos ...
- Ok, eu vou primeiro, eu já estou atrasada. Só não me siga. - Ela balançou o dedo e correu alguns passos, mas parou, e se virou olhando para ele novamente. – Vendo-o tão bem vestido assim para alguém ... realmente chego a ter inveja dessa pessoa. - Ela piscou para ele e desapareceu pelo retrado da Mulher Gorda.
Depois que Harry processou o significado desse comentário, sorriu com embaraço, lançou o manto sobre si e saiu da sala comunal.
Quando se aproximava das masmorras, sentiu seu coração começar a bater mais forte e mais rápido, e a boca secar com o entusiasmo. Parou diante da porta, respirou fundo e entrou. Dentro da primeira sala, tirou o manto, alisou as calças, ajeitou a gravata, e tentou, sem sucesso, arrumar o cabelo. Ele suspirou algumas vezes, tentando acalmar o coração batendo loucamente.
Bateu.
A porta se abriu por si só. Harry caminhou cautelosamente pela sala e viu que Snape estava nas prateleiras de bebidas alcoólicas, virou-lhe as costas, derramando um líquido âmbar num copo.
Harry quase ouvia as batidas do seu próprio coração. A porta se fechou atrás dele, mas ele só pôde continuar parado, como se seus pés estivessem enraizados no chão. Vendo aquele vulto alto trajado de vestes negras farfalhantes, de repente, perdeu toda a confiança.
- Você quer ficar aí? - Severus perguntou, colocando a garrafa num canto, pegando o copo de vidro e ao mesmo tempo, voltando-se para Harry. - Você pode, finalmente, sentar-se e... - Severus parou de repente, como se tivesse engolido sua própria língua. Seus olhos se arregalaram tomados por uma estranha centelha que começou a brilhar. Sua boca permaneceu aberta, como se Snape tivesse esquecido de fechá-la.
Passou os olhos lentamente pelo corpo de Harry vestido de preto, chegando a seus pés, e depois se mudou de volta para o alto, envolvendo-o em calor de grande intensidade, deliciando-se com a visão. Uma fome brilhou nos olhos de Severus. Galopante, insaciável. Como se seus olhos pudessem devorar tudo em Harry e não pudesse sobrar absolutamente nada.
Harry sentiu que ele ficava quente. Ele limpou a garganta e balbuciou:
- Boa noite, Severus.
Mas Snape não respondeu. Durante todo o tempo apenas permaneceu de pé e ficou olhando, como se estivesse completamente sem palavras.
Harry começou a se preocupar. Este comportamento não era normal em Snape.
Ele caminhou até a cadeira para pendurar sua capa, ele sentiu que o foco intenso do olhar dos olhos negros seguia-o, como se estivesse preso a ele e nada pudesse afastá-lo.
Ele respirou fundo, reunindo coragem, pegou o presente e foi até o homem parado no mesmo lugar. Quando os olhos de Snape caíram sobre a caixa segurada por Harry, ampliaram-se ainda mais, e depois de um momento observando, sua visão tornou-se ainda mais intensa. Harry parou na frente do Mestre de Poções, esticou o presente e disse calmamente:
- Feliz aniversário, Severus. Espero que aqueles ... - Mas ele não pôde terminar, porque ao mesmo tempo, várias coisas aconteceram simultaneamente. O copo de vidro, que o homem tinha em suas mãos, caiu no chão e quebrou. A caixa de presente que Harry tinha em sua mão despencou e abriu em contato com o solo, e a pena rolou fora dela e pousou a seus pés. E Harry sentiu mãos agarrando-o firmemente em um empurrão violento, aproximando-o para junto de Severus. O homem fixou a boca quente e faminta em seu pescoço exposto com tanta força que suas pernas curvaram-se sob ele. Diante de seus olhos dançaram manchas vermelho-ouro, e os dedos do homem cravaram em suas nádegas segurando-as fimemente, como se quisesse esmagá-lo em um abraço. Sua boca chupava a pele, dentes cravavam-se nele novamente e novamente, criando uma dor agradável. Harry ouviu um som abafado, não sabia se fora ele ou Snape.
De repente ele sentiu um puxão. Sentiu suas nádegas baterem na prateleira de licores, Severus o apertava com força ainda maior, como se quisesse devorá-lo, esmagá-lo. Ele se comportava como um animal selvagem, que, após uma longa perseguição, finalmente, agarrou sua presa. Harry sentiu o homem empurrando o quadril com uma ereção dura como uma rocha. Ele sentiu a dor. Ele sentiu a necessidade e luxúria desenfreada. Ele queria ser tomado, sentir a posse, ser pressurizado em seu êxtase. Submeter-se a ele, ficar privado de sentidos e traço de consciência.
Não! Ele tinha outro plano. Outro presente.
Ele pegou as mãos frias de Severus, que, em algum momento, começaram a puxar sua camisa para cima tentando jogá-la para longe de seu corpo, e com dificuldade em recuperar o fôlego, gemeu:
- Não, espere!
Mas Severus não parou. Enfiou as mãos nas calças de Harry e começou a desabotoar, sem nunca deixar de sugar e morder seu pescoço.
Harry gemeu enquanto ele reunia toda a força de vontade para pedir ofegante:
- Aguarde ... Eu tenho... outro presente para você, que ... com certeza você vai gostar.
As mãos de Snape pararam. O homem afastou o rosto do pescoço de Harry coberto com manchas vermelhas e olhou-o nos olhos, nos quais creptava um incêndio.
Harry queimou, vendo esse olhar. Já estava tão duro que mal conseguia se controlar.
- Não me provoque, Potter. - A voz de Severus era rouca, transformada.
- É algo que você gosta. Mas ... vai custar - ele sussurrou, observando atentamente o Mestre de Poções processando estas palavras. - Não muito - acrescentou, vendo as rugas entre as sobrancelhas. - Só ... um beijo. - Os olhos de Severus se arregalaram, e Harry prendeu a respiração. Na verdade, não tinha planejado esse pedido. A ideia veio de repente, quando percebeu a que estado ele foi capaz de levar o homem.
Valeria a pena o risco.
- Eu garanto que o que eu quero dar-lhe vale o preço ... - Ele sussurrou, sorrindo inocente. Ele viu a curiosidade no rosto de Snape. Snape olhou como se considerasse cuidadosamente a proposta. Harry olhou em seus olhos como a um espelho, viu seu reflexo: óculos tortos, bochechas coradas, com os cabelos em desordem completa, camisa amassada, lábios molhados ...
Ele viu como Severus olhava para ele, com fome, sede, fogo ...
Ele viu Snape finalmente morder o lábio e acenar.
O coração de Harry explodiu em alegria tão grande que somente graças ao enorme esforço de vontade, ele não desabou.
Agora! Deve fazê-lo o mais rapidamente possível, antes Severus mude de ideia.
Ele pegou no tecido preto da roupa do homem e puxou seu rosto para o de Severus. Ele fechou os olhos e tomou seus lábios finos. Faminto, ganancioso. Seu coração parou, a respiração parou, o tempo parou de correr. Lábios quentes presos uns nos outros. Fundindo-se neles, mergulhando em seu sabor. Apesar do fato de que a boca do homem permanecia cerrada, Harry tinha a impressão de que havia se aberto diante dele uma porta nova. E o que estava por trás dela ... Merlin!
Seu pênis já duro contraiu espontaneamente.
Harry gemeu na boca de Severus, continuando a envolvê-los e chupá-los. Carinhosamente beijava avidamente. Deleitava-se com seu calor inimaginável, sua suavidade, seu gosto doce. Ele queria chegar mais longe em Severus. Explodir em sua boca, sentir sua língua escorregadia, explorá-la com a sua ...
Lambeu sua boca cerrada, empurrando-a, querendo cavar mais fundo. Mas então ele ouviu um ar aspirado pelo nariz, um murmúrio de protesto, e depois de um momento sentiu dedos em seus braços empurrando-o violentamente. Harry gemeu baixinho.
- Basta, Potter. - A voz de Severus era um pouco rouca. Demorou um momento antes de Harry conseguir focar novamente no rosto do homem, no qual viu um leve movimento ardente desvanecendo em seus olhos.
Bem, ele conseguiu o que queria. Ele não tinha o direito de pedir mais. Pelo menos por agora ... E parece que terá que manter sua palavra. É a sua vez ...
- Venha comigo - ele disse baixinho, pegando a mão fina de Snape e puxando-o para o quarto. Snape seguiu-o sem uma palavra. A cada passo, crescia em Harry a ansiedade.
Sim, queria dar aquilo a Severus ... mas ele ainda tinha dúvidas sobre o que poderia acontecer. Sentiu a vergonha surgir e crescer nele, como as ondas da maré alta, inundando, fazendo com que respirar e buscar a calma fosse um problema. Quase instintivamente sentia os olhos do Mestre de Poções em si, enquanto eles rumavam para o quarto. Harry precisava de um momento para respirar e controlar o tremor.
No quarto havia ainda mais escuridão do que na sala de estar. Sombras à espreita nos cantos, faziam o quarto parecer mais frio do que realmente era. Harry sentia que sua pele parecia tão branca quanto as penas de um ganso quando olhou para a cama perfeitamente lisa coberta com lençóis pretos.
Ele suspirou profundamente e se virou para Severus de pé atrás dele. Ele deu um passo em sua direção sem contudo ter coragem de levantar os olhos, pôs a mão num trecho de roupa de Snape e o puxou novamente, dizendo em voz baixa e um pouco trêmula :
- Eu gostaria de dar-lhe algo especial, Severus. - Ele levantou a cabeça e olhou diretamente para o rosto do homem que estava olhando-o com muita atenção, havia curiosidade na face do homem. – algo que foi elaborado apenas para seus olhos.
Ele viu que uma das sobrancelhas de Snape se levantou num gesto de interesse. Ali, quando estavam tão juntos, Harry sentiu um cheiro forte de exitação em suas narinas. Ele sabia que Snape estava muito exitado. E ele também. Merlin, como seria mais fácil apenas atraí-lo para si e deixá-lo lhe foder. Ele queria tanto...
Mas não! Ele sabia que seu presente seria ... mais intenso. Ele sabia que Snape iria gostar. Ah, sim, com certeza ele vai gostar ...
Soltou o manto áspero do aperto de suas mãos e recuou.
- Sente-se - ele disse calmamente, apontando para a cadeira de pé, junto à parede. Exatamente no lado oposto da cama. Ele viu o fogo nos olhos de Severus. Ele sabia que o homem estava tão animado que estava prestes a perder o controle e lhe fazer desistir. Mas havia também uma grande curiosidade ali. Snape deu um passo atrás, e sem oposição, sentou na cadeira, olhando para Harry com antecipação.
Harry engoliu em seco. Sentiu-se tão estúpido que por alguns momentos pareceu-lhe que não seria boa ideia seguir com o planejado. Mas ele queria. Queria dar isso a Snape...
Depois de um tempo ele levantou a mão e tocou os botões brilhantes de sua camisa. Ele começou a desabotoá-los. Lentamente, com relutância. Sem tirar os olhos do rosto do homem que o olhava com avidez. Sua pele clara começou a surgir por debaixo do tecido preto, ela parecia refletir a luz das velas nos castiçais. Ele viu que Severus estreitou os olhos para cima. Ele viu a fome nele. Seu estômago se apertou violentamente, mas não interrompeu a operação que estava realizando. A camisa escorregou de seus braços. Suavemente caiu no chão, e seu ruído parecia anormalmente alto no silêncio em torno do quarto, que era preenchido apenas por suas respirações rápidas. Ele levantou as mãos para remover a gravata, mas hesitou. Snape gosta da cor verde ... Além disso, ele preferiu manter alguma coisa em seu corpo para não se sentir tão... nu. Ele baixou as mãos e inclinou-se para remover os sapatos. Quando os sacou de lado, os som deles rasgou o silêncio de modo violentamente alto. Rapidamente se livrou das meias e levantou-se, novamente olhando para o rosto de Severus.
Ele queria ver sua reação. Ele queria ver a fome em seus olhos. Fome, que fez Harry ficar ainda mais exitado, sentindo seu corpo ser perfurado por calafrios quentes, queimando todo o caminho que percorria. Quando chegou ao cinto das calças, os olhos escuros brilharam, e Harry sentiu suas pernas se dobraram sob ele. Com as mãos trêmulas, desfez o seu botão, puxou levemente suas calças para baixo, deixando-as cair até os tornozelos. Os olhos do homem ganharam um brilho mais intenso. Harry não precisou se preocupar com a cueca. Ele não estava usando uma. Ele jogou de lado as calças e se endireitou. Nu, claro, liso. Ele sabia que seu membro estava levantado. A vergonha que ele sentia não podia superar o desejo ardente nele. Mas depois de um tempo deixou de prestar atenção ao ardor nos olhos de Severus, e na fome estampada ao longo de todo o rosto, dando-lhe um aspecto selvagem de bestas vorazes. Ele observou as mãos trêmulas, apertando os braços da cadeira, e o fogo que consumiu os olhos negros. O homem parecia lutar contra um inimigo invisível – parecia estar sendo incinerado pelo desejo de se jogar em Harry e penetrar nele, punido-o por torturá-lo, por provocá-lo. Mas parecia que a curiosidade era mais forte. Snape não se moveu. Apenas os olhos deslizavam avidamente pelo corpo nu de Harry, e a sua intensidade quase queimava o caminho em sua pele.
Harry ouviu o bater do seu coração. O medo parecia evaporar completamente dele, o olhar ardente do Mestre de Poções o queimava. Tudo desapareceu, deixou de ser relevante. Ele se importava apenas com Severus, a devorá-lo com os olhos, como se fosse uma refeição muito saborosa, e esperando para a sobremesa, que Harry tinha preparado para ele. O mundo inteiro desapareceu, havia apenas eles dois, suspensos no tempo, em um local remoto e seguro, sem guerra, Voldemort, ou Dumbledore. Eles eram os únicos e sua sede.
Harry deu um passo para trás e se sentou na beirada da cama. Suavemente recostou-se e descansou uma mão. O material sob sua mão e nas nádegas estava frio e suave. Sem tirar os olhos do olhar do homem, ele começou bem devagar, quase sedutoramente, estendeu as pernas. Então ele viu, os olhos de Severus ampliarem-se e seu rosto estampar a compreensão do que iria acontecer. Os lábios finos se separaram, liberando um som abafado que engolfou algo violento e incontrolável que pareceu encher o ar de faíscas, fazendo com que todos os pelos do corpo de Harry se erguessem.
Vendo a reação que provocou no homem, separou ainda mais as pernas, o mais amplamente possível e observou os olhos de Severus, que agora brilhavam mais intensamente.
Uma de suas mãos avançou e tocou gentilmente seus dedos no seu membro. Sua ereção se contraíu ao toque de seus dedos trêmulos. Como se implorando por socorro. Sem tirar os olhos do olhar penetrante de Snape, pôs sua mão quente em volta do pênis. Ele podia sentir o sangue pulsando sob seus dedos, como um suco que dá vida e flui nos caules das plantas. A pele era lisa e aquecida. Ele sentiu uma ligeira sensação de cócegas na parte inferior do abdômen, como se milhões de faíscas percorressem sua pele. Ele suspeitava que teria grandes dificuldades para não chegar muito rapidamente. Não com Severus olhando para ele daquela forma quase tangível, envolvendo-o com seu olhar brilhante. Causticante. Estava tão quente que quase abria feridas em sua pele. E agora deslizava para baixo de seu corpo prendendo-se lá, na parte inferior, como se quisesse forçar a mão de Harry, a finalmente começar a se mover.
Harry não esperou mais. Lentamente, moveu a mão ao longo do eixo pulsante, puxando o prepúcio sobre a cabeça avermelhada.
As sobrancelhas de Severus ergueram-se violentamente, e seus dedos cravaram no braço do assento.
Harry moveu a mão em direção à cabeça, sentindo as vibrações agradáveis. Ganhou velocidade lentamente, tremendo o tempo todo, começou a ouvir gemidos escaparem de sua boca a medida que a velocidade dos movimentos crescia, começou a ganhar impulso. A mão de Harry era como um arco, e cada golpe tocava-o como a um violino, fazendo fluir uma melodia de felicidade maravilhosa. Ele tentou olhar nos olhos de Severus, mas isso era cada vez mais difícil. As pálpebras queimavam e pesavam-lhe, explodindo em faíscas, incinerando-o. Empurrava os quadris para frente, dobrando-se para trás em curva, sua mão se transformou em um túnel quente e apertado, que lhe envolvia em intenso prazer, extraindo lágrimas dos seus olhos. Ele lutou para impedí-los de fechar, mas incapaz de segurá-los, acelerou ainda mais, querendo acabar com a explosão de sensações que o pressurizavam de prazer e atormentavam seus lombos.
O olhar ardente de Severus, que o tempo todo fitava sua virilha, se moveu para a sua face.
- Mais devagar. - A voz do homem estava rouca, abafada. Harry obedeceu, embora tivesse grande dificuldade para se dominar. Os olhos do Mestre de Poções desceram novamente. Passou a língua pelos lábios finos, lubrificando-os. Harry gemeu, sentindo como seu membro se contorcia espasmodicamente na sua mão, e seu sangue fluia como lava em suas veias derretendo sua mente, ao imaginar aquela língua deslizando lentamente ao longo de seu pênis. Já não era mais a sua mão apertando a sua ereção dolorosamente latejante. Era a língua quente e molhada de Severus, deslizando de cima para baixo. De cima. Para baixo.
Os olhos de Harry se apertaram contra sua vontade. Ele sentiu uma enorme onda quente se avolumar em seus lombos. Ele queria se entregar ao naufrágio. Ele queria estar em suas profundezas. Não ver, não ouvir, apenas sentir. Mas, então, uma voz nítida o puxou para a superfície.
- Olhe para mim, Potter.
Harry abriu os olhos de repente, deparou-se com olhos brilhantes, que pareciam penetrar sua pele, e chegar diretamente em suas chamas creptando em suas profundezas, a poucos passos da bomba ser detonada nele. Ele viu os olhos de Severus se expandirem de prazer. O homem olhou para ele com tal encantamento, como se nunca tivesse visto nada tão bonito. Como se Harry houvesse se transformado em uma espécie sobrenatural, ofuscando-o com sua beleza, seduizindo e embargando quem olhasse para tal maravilha.
Ninguém nunca olhou para ele dessa forma.
Ele sentiu sua cabeça girar. O olhar de Severus parecia reduzir seus sentidos a um pó fino. Somente quando o olhar voltou para baixo, ele pôde respirar, puxando o ar dolorosamente para os pulmões. Sua mão estava se movendo em um ritmo constante.
Não, não era sua mão. Era o Mestre de Poções. Era sua língua que estava deslizando pela cabeça, úmida e vermelha, cambaleando ao seu redor lentamente, levando-o à insanidade.
Da boca de Harry só escapavam altos gemidos entrecortados agora, era incapaz de parar.
- Isso mesmo. - A voz de Snape parecia ainda mais rouca. Como se o fogo também queimasse sua garganta. - Gema. Gema para mim.
Ante estas palavras, Harry não conseguiu se controlar mais. Ele sentiu um longo e barulhento gemido romper em sua boca, irrefreável, exprimindo toda a onda de prazer que o desintegrava. Ele viu os olhos de Severus brilharem, seus dentes moderam os lábios como que querendo devorar algo. A mão de Harry já estava molhada. Com suor e as primeiras gotas de esperma. Novamente, suas mãos se transformaram em um túnel quente, estreito, que insistia em imprimir mais velocidade, mais e mais.
Severus deixou de olhar para sua virilha. Agora, só via seu rosto avermelhado. Como se soubesse que Harry estava perto, e pagaria qualquer preço para ver o momento em que ele gozaria. Ele queria ver a explosão incrível de mil emoções em seu rosto.
Uma grande onda começou a fever dentro de Harry, conzinhando-o. Ele sentiu as primeiras picadas dolorosas do prazer perfurando seu abdômen. Apenas alguns movimentos da mão... vários movimentos da língua ... algumas respirações ofegantes... observado, encarado pelos...olhos negros
... Harry sentiu a explosão. Tão intensa, tão avassaladora, como se tudo fosse explodir em pedaços, despedaçando-o. Uma onda destrutiva inundava seus lombos, devastando-o e começando a fluir quente, em um córrego branco que inundou sua mão. Harry gritou com a dor e o calor muito forte. Ele gemeu e choramingou, sentindo todos os músculos como cordas de um violino na fronteira do rompimento. Dobrou-se para trás, com sua mão apertando a ereção vibrando, como que querendo buscar controle antes de um surto. Ele não sabia quando ele fechou os olhos, mas viu lampejos na escuridão que parecia ressoar em seu corpo, balançando o seus quadris.
- Droga!
Harry não sabia se era um gemido ou grito. Mas ouviu a externação no quarto. Ele levantou os olhos brilhantes e viu Severus, com a cabeça inclinada para trás, boca aberta, respirando com dificuldade.
O eco do orgasmo ainda refletia em seu corpo suado e inerte. Mas, vendo a reação do homem, a consciência voltou a ele em um golpe único e afiado, arregalou os olhos, olhando incrédulo o inesperado orgasmo de Severus. Suas mãos tremiam cerradas nos braços da cadeira, seus quadris que haviam se afastado do assento agora caiam para trás. Snape levantou os olhos e olhou para os olhos de Harry, nos quais ainda haviam vestígios do momento fumegante e avassalador que o queimou a pouco . Ele estava respirando pesadamente.
- Porra... – exclamou novamente. Sua voz era rouca. O olhar de surpresa estava estampado nele. E raiva.
Harry o encarou por um tempo com lábios entreabertos e expressão de descrença. Snape parecia tão surpreso quanto ele.
Harry, que após o primeiro choque havia finalmente encontrado a sua voz, limpou a garganta e disse, sorrindo:
- Feliz aniversário, Severus.
O homem deu-lhe um olhar longo e inescrutável.
Harry sentiu suas coxas tremerem. As gotas de suor escorriam para baixo em sua pele. Os músculos exaustos se recusavam a obedecer. Mas sentia uma emoção tão grande como nunca antes. Nem quando pegou seu primeiro pomo de ouro. Essa emoção empurrava para um canto todas as outras memórias. Na sua cabeça fluia apenas um pensamento: Levou Severus ao orgasmo. Sem nem mesmo tocá-lo! Isso era uma grande façanha!
Harry viu as sobrancelhas de Snape silenciosamente se erguerem quando ele não pôde conter um sorriso cheio de satisfação, que corria em seus lábios. Mas também viu que os olhos escuros amoleciam. Viu Snape levantar lentamente da cadeira e ir até ele. Harry levantou a cabeça e olhou para ele que o olhava de modo estranho, em seus olhos brilhavam um brilho minúsculo, morno. Ele viu que Snape estendia a mão em sua direção. Sentiu um toque suave em seu rosto. Ele fechou os olhos, cedendo à uma carícia suave, que, apesar dos dedos frios, enviavam uma calor agradável e incomum, diretamente para seu coração. Não abriu seus olhos, mesmo quando ouviu os passos de Severus se afastando e o barulho da porta do banheiro se fechando.
Ele tocou seu rosto, ainda sentiu o toque quente dos dedos frios. Sorriu para si mesmo.
Nenhum deles falou. Mas Harry sabia que esse gesto de Severus, expressava muito mais do que muitas palavras poderiam transmitir.
CDN
Alma Frenz:
Miriette, fico muito feliz de poder lhe oferecer a tradução do Desiderium Intimum em português. Eu encontrei essa fic através de um trailer visto na internet, fiquei curiosa e fui atrás. Eu iniciei a leitura pela tradução em inglês também, mas como as atualizações eram muito demoradas, resolvi ir atrás do original em polonês (com mais de 60 capítulos). Depois de ler avidamente tudo o que já tinha disponível, achei tão bem escrito que resolvi compartilhar com os demais leitores de língua portuguesa e me dediquei a traduzir do polonês para o português. Fico até tarde da noite (depois de um dia inteiro de trabalho e uma parte da noite na faculdade), traduzindo e fazendo estudo de palavras mais omplicadas, para poder postar nem que seja um capítulo a cada dois dias. Minha meta inicial foi um capítulo por dia, mas há alguns capítulos que são maiores e possuem termos mais complicados de traduzir, exigindo um pouco mais de tempo, mas tenho me esforçado para não passar mais do que 48 horas sem atualização, tenha certeza que sempre haverá novos capítulos todas as comentários que vocês deixam para mim após a leitura de cada capítulo é o prêmio que recebo pelo meu esforço. Muito obrigada por comentar.
Sobre e sonho de Harry, sim, Snape sabe o que significa o sonho. E aos poucos nós saberemos o que ele sabe. Concordo com você no que diz respeito ao caráter imprevisibilidade de romances escritos com base em personagens como os do Desiderium Intimum, realmente é bem mais imprevisível e estimula muita coisa, passa a ser uma trama que segura mesmo, imagino que o aparente antagonismo comportamental dos personagens faz com que se encaixem perfeitamente. São fogo e gelo tentando se consumir, terra e água tentando se envolver, luz e escuridão se entrelaçando.
Gehenna, eu também amei muito o Sev dando carinho para o Harry, foi muito fofo! E de fato essa pedra é maravilhosa (eu também gosto muito dela), tem servido muito para Harry mostrar um pouquinho de autovalor – Toma Severus, tá pensando o quê? – e Seamus foi realmente um idiota, grande amigo é ele, na primeira dificuldade, joga a pedra ao invés de apoiar Harry. É nessas horas que o rapaz sabe quem de fato é amigo dele.
Ah! É o que você achou da surpresa do Harry? Chegou a desconfiar do que seria antes dele começar? Juro que eu só me dei conta depois que ele mandou Severus se sentar numa cadeira oposta à cama, foi aí que compreendi o que ele tava querendo oferecer para o professor. Foi de tirar o fôlego, não?
Ana Scully Rickman, fico muito feliz por você ter conseguido um tempinho para me presentear com seu comentário, eles me fazem muito contente! O cap. 20 aqueceu o coração da gente, nossa, o Snape foi tão fofinho, deu força para o Harry, realmente Severus parece entender melhor o garoto. Realmente a fic faz a gente ficar ultra ansiosa para presenciar o momento em que finalmente Severus vai beijar Harry por vontade própria. Mas Harry já conseguiu muitos avanços: Snape já o abraça por livre espontânea vontade, já deseja e toca a pele do pescoço dele com a boca, já chama por ele... é, a coisa está avançando, não acha?
E aí? O que você achou da surpresa do Harry? O Snape adorou! E ficou surpreso com ele mesmo, ele nunca iria imaginar que o garoto fosse ser capaz de provocar um efeito desses nele, não?
