Demorei, mas voltei!
Espero que gostem do capítulo.
Boa leitura!
Vários dias depois...
No Japão, Sesshoumaru seguia sua rotina indo para o trabalho e a cada dia recebia mais pacientes em busca de sua perícia profissional.
Quando retornou à capital japonesa após a viagem ao Havaí, Sesshoumaru iniciou quase que imediatamente suas atividades no hospital. Não conseguiria ficar muito tempo parado e estava ansioso para por em prática todo o conhecimento adquirido em suas pesquisas nos EUA. Logo sua agenda estava cheia e a busca por um horário para consultá-lo podia ter uma espera de meses.
O médico costumava receber diversos documentos e os analisava cuidadosamente para identificar pacientes em potencial como aconteceu com o senhor Iwano. Em geral, apenas casos graves e cirúrgicos eram acompanhados de perto por ele.
Sesshoumaru estava no hospital trabalhando como sempre. Havia saído a poucos minutos do centro cirúrgico e seguia para sua sala. Tão logo abriu a porta buscou por seus telefones que estavam sobre a bela mesa de tampo de vidro. Verificou que havia chamadas perdidas, mas nenhuma delas lhe interessava. Devolveu os aparelhos ao local em que estavam anteriormente e suspirou cansado antes de se sentar em sua cadeira.
Havia quase um mês que Rin deixara o Japão para retomar sua vida e carreira em Nova Iorque. Os dois mantiveram contatos freqüentes por telefone, e-mail e mensagens instantâneas via internet. Ele passava longas horas durante a madrugada conversando com ela e vice-versa, mas nos últimos dias esse contato fora diminuindo consideravelmente.
Rin estava de volta a ativa e cheia de trabalhos. Ela aparecia nas capas das mais variadas publicações, em campanhas publicitárias e programas de TV. A requisitada modelo estava sempre ocupadíssima e cada vez mais seus horários livres, que eram raros, não acordavam com os dele. Falaram-se cada vez menos e a última vez fora há quatro dias.
Não era difícil perceber a insatisfação do jovem médico. Ele estava impaciente e mais sério do que o normal. Sentia falta dela e embora soubesse da agitação que sua vida voltara a ser, não conseguia evitar sentir-se daquele jeito.
O médico pegou o telefone mais uma vez e discou a longa seqüência de números que compreendia a chamada internacional. Esperou por alguns segundos e uma voz feminina atendeu.
- Hello! – Ele logo percebeu que não se tratava de Rin e falou em inglês com a mulher.
- Olá! Com quem falo? – Perguntou educadamente.
- Helen Mirrem, senhor. Sou a nova assistente da senhorita Nagasahi. – Ela respondeu de forma também educada.
- Eu sou um amigo dela. Ela pode atender?
- Nesse momento ela está fotografando senhor, mas se puder me dizer seu nome e deixar um telefone de contato eu poderei transmitir um recado para que ela retorne.
- Diga a ela que Taisho ligou. Ela sabe quem é.
- Certo. Ela tem seu número?
- Sim tem.
- Eu direi a ela assim que terminar.
- Obrigado. – Ele disse e logo desfez a chamada mais uma vez frustrado.
Já havia ligado várias vezes nos últimos dias e em cada uma delas ouviu que Rin estava provando modelos, estava em reunião, dando alguma entrevista, gravando programas ou fotografando como agora. Se não soubesse que ela havia tentado falar com ele também, mas por um motivo ou por outro não conseguiu, Sesshoumaru estaria furioso agora.
O homem se levantou da cadeira, decidido a parar de remoer tais pensamentos. Ele retirou o jaleco e reuniu seus pertences. Iria para casa descansar, estava exausto após um plantão de quase trinta horas ininterruptas e não adiantaria ficar ali.
Em alguns minutos, depois de conversar com alguns amigos, ele estava no estacionamento do hospital saindo com seu carro e dirigiu pelas ruas movimentadas da cidade naquela noite de sexta-feira.
O telefone celular acoplado ao painel do carro tocou e pelo visor Sesshoumaru viu que a ligação vinha da casa dos pais.
- Moshi, moshi?
- Oi filho, boa noite!
- Boa noite pai! – Respondeu após ouvir a voz grave e tranqüila de Oyakata.
- Eu preciso que venha até aqui. Nós temos que discutir alguns assuntos.
- É urgente, precisa ser agora?
- Não. Não é nenhuma emergência. Podemos deixar para depois se estiver ocupado.
- Estou saindo agora do hospital. Estava de plantão desde ontem.
- Então vá para casa descansar, depois nos falamos.
- Sesshoumaru? – Uma voz feminina pôde ser ouvida e Sesshoumaru percebeu que estava no viva-voz.
- O que foi Izayoi?
- Já que está saindo do hospital, por que não vem jantar conosco? Depois você pode ficar e descansar aqui mesmo.
- Inuyasha estará em casa? – Indagou desconfiado.
- Sim. – A mãe respondeu.
- Eu prefiro ir para minha própria casa. Obrigado.
- Sesshoumaru não faça isso. – Ela o repreendeu. - Vocês não são mais crianças, precisam parar com essa implicância.
- Não é implicância. – Respondeu. – Nós não toleramos um ao outro, lembra-se? – Indagou irônico.
- Sesshoumaru faça o que sua mãe está dizendo e venha para cá. – Oyakata interveio. – Do contrário ela não vai sossegar.
- Tudo bem, eu estou indo. – disse vencido. – Eu chego em alguns minutos.
Pouco tempo depois Sesshoumaru chegou à casa dos pais e foi recebido na porta pela mãe com um sorriso nos lábios.
- Boa noite.
- Boa noite meu filho! – A bela mulher disse sorridente ao tomar o braço dele com os seus e guiá-lo pelo hall até a sala. – Eu sei que está cansado, mas eu garanto que irá se sentir muito melhor depois de um banho quente e uma bela refeição.
- Eu poderia ter as duas coisas na minha própria casa. – Ele disse sério e em tom provocador.
- Não seja ingrato Sesshoumaru! – Ela replicou aborrecida soltando-o e ele sorriu.
- Ah! Não seja sentimental senhora Taisho. – O jovem disse cruzando os braços frente ao peito e a fitando. Sesshoumaru sempre se referia à mãe dessa forma quando queria provocá-la sempre utilizando um tom carinhoso e ela sabia disso, então logo voltou a sorrir ao ouvi-lo.
- Você é terrível!
- Tive uma boa professora. – O jovem replicou e se aproximou aplicando um beijo no rosto da mãe.
Os dois sorriram cúmplices e voltaram a caminhar chegando logo depois à sala onde Oyakata estava sentado em uma das poltronas.
- Oi pai!
- Oi! – O homem respondeu sorrindo. Então você veio? – Sesshoumaru arqueou a sobrancelha diante da indagação.
- Conviver com ela está fazendo de você um chantagista também, não é?
- Ora, mas eu não preciso recorrer à chantagem meu filho. Quando quero que vocês façam algo, tudo que tenho que fazer e exigir que façam. Diferente de sua mãe, eu não sou tão bonzinho. – O patriarca disse calmamente e o filho mais velho o fitou vendo o sorriso nos lábios do pai.
- O que o senhor quer comigo? – Sesshoumaru indagou depois de se recuperar da leve demonstração de autoritarismo do pai.
- Eu preciso que você e seu irmão assinem alguns papéis.
- Papéis?
- Sim. São relativos às suas ações do grupo. Já que os dois não se interessam pelo assunto eu tenho que administrá-las.
Sesshoumaru sabia bem a que o pai se referia. De fato nem ele, nem Inuyasha manifestavam interesse no grande império controlado pelo pai deles há anos. Sesshoumaru não tinha a menor afinidade com o mundo coorporativo e Inuyasha parecia não se interessar por nada além de esportes radicais, festas e mulheres. Por essa razão as ações que ambos possuíam desde o nascimento, eram administradas pelo pai.
- Após o jantar nós resolveremos isso. – Oyakata disse.
- Eu vou subir e tomar um banho enquanto isso. – Sesshoumaru avisou já se levantando do sofá onde estava sentado. Ele seguiu para a escada e subiu os degraus até alcançar seu quarto.
Uma hora mais tarde a família estava reunida na sala de jantar e conversava tranqüilamente sobre assuntos diversos. Sesshoumaru permanecia calado como normalmente era enquanto seus pais conversavam. Ele continuava pensando em Rin, no que ela estaria fazendo naquele momento. Levou a taça de água à boca, recusara o vinho naquela noite porque estava com dor de cabeça, quando ouviu a mãe o chamar.
- Querido, você está bem? – Ela perguntou atenciosa.
- Estou cansado e com dor de cabeça, só isso.
- Termine o jantar e vá descansar. Eu vou pedir para que façam um chá e levem para você tomar com o analgésico.
Ele apenas concordou com um aceno e tão logo terminou a refeição pediu licença e se retirou da sala de jantar indo direto para o quarto.
Sesshoumaru estava deitado em sua cama quando ouviu batidas na porta e autorizou que entrassem. Ele fitou o rosto gentil de sua querida Kaede e sorriu apesar da dor de cabeça que havia se intensificado.
- Eu trouxe o chá como sua mãe pediu. – A senhora disse colocando a pequena bandeja contendo a xícara sobre o criado mudo.
- Obrigado Kaede. Isso certamente vai ajudar. – Respondeu levando um comprimido à boca e logo depois sorvendo o líquido quente contido na xícara.
Kaede lhe sorriu docemente e ele correspondeu ao sorriso voltando a se deitar.
- Tente dormir agora, mais tarde mando alguém recolher a bandeja. Boa noite Sesshoumaru.
- Boa noite Kaede.
A governanta deixou o quarto logo depois de apagar as luzes e Sesshoumaru fechou os olhos tentando relaxar para se livrar daquela dor infernal.
...
Em nova Iorque, Rin terminava mais uma exaustiva sessão de fotos feita para um catálogo de moda. Ela recebeu os cumprimentos da equipe pelo excelente trabalho e elogios às fotos que ficaram lindas, enquanto o fotógrafo mostrava a ela através do computador o resultado de mais um dia de trabalho.
Perto dali a apenas alguns metros, estava Helen quase enlouquecida com a quantidade de telefonemas destinados a Rin que tinha que atender e dar conta de todos os recados.
Ayame que acabara de chegar ao local se aproximou da segunda assistente e a cumprimentou.
- Olá Helen! Como estão as coisas?
- Ah, está tudo bem Ayame! – A jovem disse tentando demonstrar segurança. Ela era novata nesse ramo e apesar de ter um excelente currículo, era ainda muito inexperiente.
- Correu tudo bem durante a minha ausência? Conseguiu dar conta de tudo?
- Foi difícil, mas consegui sim. Atendi a todas as chamadas, anotei os recados e fiz os telefonemas que você me pediu.
- Ótimo! – A assistente número um disse e pegou uma das agendas das mãos da outra para verificar seu conteúdo. – Essa sessão já está acabando, não é? – Perguntou.
- Sim. Eles estão apenas vendo como ficaram as fotos.
- Que bom. A Rin deve estar exausta.
- Se está não aparenta. Ela continua linda e fresca exatamente como quando chegamos aqui de manhã cedo. – A mais nova disse realmente impressionada. Ayame sorriu. – Ah! Ayame, uma pessoa ligou para o telefone pessoal da Rin.
- Quem?
- Er... eu anotei aqui. – Ela falou enquanto procurava na agenda. – Aqui. Foi o Senhor Taishuo. – Ela disse meio incerta quanto à pronúncia.
- É Taisho, Helen. – Ayame a corrigiu. – Você avisou a Rin?
- Não. Era para avisar? – Indagou preocupada e viu Ayame suspirar pesadamente. – Ai, Ayame você não me disse sobre isso!
- Eu sei, a culpa foi minha. Não se preocupe, eu converso com ela. – Ayame acalmou a novata. – Da próxima vez que ouvir esse sobrenome Helen, guarde-o bem, dê um jeito de avisar a Rin. Ela vai decidir se irá ou não atender dependendo do que estiver fazendo.
- Tudo bem, eu entendi.
Ayame saiu dali e caminhou até onde Rin e as outras pessoas envolvidas na sessão de fotos estavam.
- Olá! – Ela os cumprimentou.
- Oi Ayame! Como está? – O fotógrafo perguntou beijando-a no rosto. – Senti sua falta aqui hoje normalmente você está sempre com a Rin.
- É. Eu tive alguns assuntos a resolver.
- Correu tudo bem? – Rin perguntou voltando seu olhar para ela.
- Sim. Tudo certo. Posso falar com você um minuto?
- Claro. – Rin falou se levantando da cadeira em que estava vestida com um roupão. – O que foi Ayame? – Perguntou tão logo se viu distante o suficiente do grupo.
- Sesshoumaru-sama ligou há algumas horas...
- E por que não me chamaram?
- Helen não sabia que devia avisar você. Eu me esqueci de dizer isso a ela.
- Ah Ayame! Eu não consigo falar com ele há dias. – Rin se mostrou chateada e a amiga/assistente se desculpou.
- Eu sei Rin-chan me desculpe. Eu posso ligar para ele agora se você quiser.
- Não. Deixe que eu mesma ligo quando sairmos daqui.
- Me desculpe. – Pediu novamente. - Eu esqueci mesmo.
- Tudo bem. – Rin falou com voz suave. – Vamos embora. – Disse caminhando de volta ao local onde os outros estavam. – Pessoal, foi ótimo trabalhar com vocês de novo, mas eu estou super cansada e já vou indo.
- Não quer mesmo sair com a gente? Nós vamos àquele clube novo que inauguraram.
- Não, eu só quero ir para casa descansar. Depois vocês me dizem como foi. Beijos!
- Beijos querida! – Várias vozes disseram como em um coro e Rin sorriu.
...
- Ayame, ela ficou chateada? – Helen indagou enquanto arrumavam as coisas para irem.
- Ficou, mas não se preocupe a Rin nunca fica zangada por muito tempo e ela não vai culpar você pelo meu erro.
- Vamos? – A modelo disse ao se aproximar das duas, já vestida com as próprias roupas.
- Vamos. – Ayame respondeu.
As três caminharam para fora do edifício e logo alcançaram o carro preto de luxo que transportava Rin de um lado a outro daquela cidade. Outro carro ocupado por seguranças ia atrás a escoltando.
Dentro do veículo, Rin sacou seu telefone pessoal e tentou falar com Sesshoumaru. Ligou primeiro para a casa dele, vários toques depois a chamada foi transferida para a secretária eletrônica. Ela preferiu não deixar recado e discou para um dos celulares, depois outro e a resposta foi a mesma.
Cerca de meia hora mais tarde, Rin chegava a seu apartamento em companhia das duas assistentes. Ela foi direto para o quarto querendo se livrar das roupas e tomar um banho.
- O que nós fazemos agora, Ayame?
- Temos que organizar a agenda. Saber quais são os compromissos dela para amanhã e cuidar dos bastidores, ou seja, separar as roupas que ela usará em cada ocasião, fazer contato com os locais para providenciar tudo que for necessário para que ela fique confortável durante sua estadia lá e etc.
- Certo. Então começamos pela agenda?
- Isso.
As duas ficaram ali entretidas com suas tarefas e mal viram o tempo passar. Quando se deram conta Rin voltava à sala já de banho tomado e vestindo calças e blusa branca caída no ombro de um tecido absolutamente confortável. Os cabelos foram lavados para livrar os fios de todos os produtos utilizados durante a sessão de fotos. Ela se sentou em uma das poltronas e pegou uma das várias revistas ali. Em todas elas havia alguma foto de Rin.
- Rin, eu vou pedir alguma coisa para comer. O que você quer?
- Häägen Dazs. – A mulher respondeu. Helen fitou a agora colega de trabalho Ayame confusa.
- Eu estou falando de comida Rin. Você precisa se alimentar. – Ayame disse.
- Eu não quero comida, quero sorvete. De morango.
- Rin? – Ayame a chamou como uma mãe chamando uma criança. – Você precisa comer alguma coisa nutritiva.
- Sorvete é nutritivo, tem leite. – Respondeu fitando a amiga como se estivesse falando a coisa mais trivial do mundo.
- Você é inacreditável! Da próxima vez em que eu atender a algum telefonema de um certo médico, vou contar a ele sobre essa sua nova teoria nutricional. Aposto que ele vai adorar.
- O que é isso Ayame? Você trabalha pra mim, é minha amiga e não dele.
- Por isso mesmo. Já que você não me dá ouvidos, vou apelar para alguém que possa colocar um pouco de juízo nessa sua cabecinha. Você é muito teimosa Rin.
- Tá bom, eu sou teimosa. Agora arruma o Häägen Dazs pra mim e uma cobertura de chantilly.
Ayame se levantou da mesa e bufou exasperada. Helen fitou aquela discussão sem entender o que estava acontecendo. Rin viu a confusão da garota e tratou de esclarecer.
- Não se espante Helen. Nós duas discutimos muito, principalmente quando um complexo de mãe toma conta dela.
Ayame retornou alguns segundos depois com um pote do famigerado sorvete e o chantilly.
- Satisfeita? – Perguntou ao entregar o pote à amiga.
- Sim. Obrigada Ayame! – Respondeu com um sorriso maroto. Helen continuava abismada. Não imaginava que Rin tivesse esse tipo de relação tão próxima com sua assistente pessoal.
A modelo sentada confortavelmente no sofá abriu lentamente a embalagem e umedeceu os lábios antes de pegar uma pequena porção daquela maravilha gelada com a colher e levá-la a boca.
- Hummm... ai que delícia! – Falou num tom alto apenas para provocar a amiga que bufou mais uma vez enquanto voltava a se dedicar ao trabalho.
Depois de rir um bocado com a reação de Ayame, Rin voltou a pegar o aparelho telefônico e fez nova ligação na tentativa de localizar Sesshoumaru, mas não obteve sucesso. Ela suspirou frustrada e pensou por um instante.
- Que horas são? – Perguntou em voz alta.
- Quase meio dia. – Helen respondeu e Rin franziu o cenho pensativa.
"Onde será que ele está a essa hora?" Pensou consigo mesma enquanto saboreava o sorvete. Uma idéia lhe passou pela cabeça e ela voltou a discar. Esperou por alguns segundos até que a chamada fosse atendida.
- Moshi, moshi?
- Inu? Sou eu Rin.
- Oi linda! Ora, ora, lembrou-se do velho amigo!
- Ah Inu, as coisas andam muito agitadas para mim...
- Eu sei. Tenho acompanhado as notícias, mas essa exposição é boa para você.
- Profissionalmente sim, com certeza. Estou trabalhando como nunca. E você como está?
- Eu estou bem. Tranqüilo. – O jovem respondeu.
- Hummm.. não sei por que, mas essa resposta não me convenceu. – Ela pôde ouvir Inuyasha rir pela frase dita por ela.
- Não, é sério. Eu estou tranqüilo sim.
- Certo. Eu fico feliz em saber que está bem. Inu? – Ela o chamou depois de algum tempo de pausa.
- O que é Rin? Eu conheço esse tom de voz... – Dessa vez ela sorriu.
- Eu estou tentando falar com seu irmão e não consigo. Já liguei para a casa dele e para o celular e ninguém atende.
- Tentou o hospital? Eu diria que aquela é a casa dele e não o apartamento em que ele mora.
- Eu liguei pra lá mais cedo e me disseram que ele havia deixado o plantão no início da noite. Desde então estou tentando localizá-lo e não consigo. Acha que ele pode estar na casa dos seus pais?
- É possível. Eu estou a caminho de lá, mas alguns minutos e eu alcanço o portão. Daí poderei te dizer.
- Você tem visto ele? – Rin resolveu continuar a conversa enquanto esperava que o amigos chegasse em casa. Àquela hora da noite, não havia muitos outros lugares onde Sesshoumaru pudesse estar. Ela pensara em ligar para lá, mas ainda não se sentia a vontade para fazê-lo. Rin soube por Sesshoumaru que os pais dele já sabiam sobre seu relacionamento, mas ela ainda não havia sido apresentada formalmente como sua namorada e isso a deixava um tanto desconfortável para ligar procurando por ele.
- Eu o vi há três dias eu acho. – Inuyasha respondeu não dando muita importância ao fato.
- Como ele está?
- Vivo e saudável aparentemente, mas eu não sou médico, então se ele estiver doente não saberei lhe dizer...
- Inuyasha, eu estou falando sério!
- Rin, você sabe nós não nos falamos...
- Eu sei, eu sei, mas a idéia de dois irmãos se detestarem me é tão absurda que eu tinha esperanças de que fosse algo momentâneo ou tivesse sido ilusão minha... – Inuyasha gargalhou no outro lado da linha.
- Aposto que meus pais queriam isso também. – Disse ainda rindo. – Mas não é ilusão Rin.
- Eu acho isso uma pena Inu. – Ela falou seriamente dessa vez.
- É melhor você não se preocupar com isso Rin e não se envolver. Seu relacionamento com ele não tem nada a ver com o meu relacionamento com ele e é melhor assim. Nosso histórico é complicado. – Ele disse também sério. – Bom, eu já estou chegando.
Inuyasha parou o carro em frente ao portão da mansão e logo este foi aberto pelos seguranças que o identificaram. O jovem guiou o carro pelo caminho rodeado pelo belo jardim até alcançar a entrada da casa.
- Acho que você deu sorte Rin. O carro dele está aqui.
- Ai que bom! Eu já estava ficando preocupada.
- Preocupada por quê?
- Não sei Inuyasha. Poderia ter acontecido alguma coisa, algum acidente. Já é tarde aí.
- É. Talvez ele estivesse por aí se divertindo em algum lugar nessa sexta-feira à noite enquanto você estava aí toda preocupada.
- Deixa de ser implicante Inuyasha.
- Não é implicância. – Ele respondeu enquanto entrava na casa. – Espere um instante.
- Mãe! Kaede! – Ele chamou e logo a mãe apareceu vinda do escritório.
- O que foi Inuyasha?
- Onde está o chato do seu filho? – Ele indagou com o telefone na mão e viu olhar de desaprovação da mãe.
- Está lá em cima. O que você quer com ele?
- Eu nada. É a Rin que está tentando falar com ele e não consegue. – Respondeu indicando o telefone.
- Deixe-me falar com ela. – Izayoi pediu e Inuyasha entregou o celular à mãe. – Rin?
- Sim?
- É Izayoi querida. Como está?
- Oh! Estou muito bem Izayoi e você?
- Também querida. Você esteve tentando falar com Sesshoumaru?
- Sim. Ele me ligou, mas eu não pude atender e passei a manhã tentando falar com ele, mas não consegui. Os telefones chamam e ninguém atende.
- Ele veio para cá depois que saiu do plantão porque o pai queria falar com ele. Estava muito cansado e com dor de cabeça, então depois de comer alguma coisa, tomou um analgésico e foi descansar.
- Ah sim. Eu disse ao Inuyasha que estava ficando preocupada, por não conseguir falar com ele já que é tarde da noite aí e eu não o encontrava em casa, nem no hospital.
- Eu imagino, mas está tudo bem. Eu vou chamá-lo para falar com você.
- Não Izayoi. Não faça isso, deixe-o descansar.
- Tem certeza? Vocês têm tão poucas oportunidades de se falar.
- É verdade, mas eu tenho certeza sim. Hoje eu não terei nenhum compromisso então eu ligo mais tarde. Se ele está dormindo agora é provável que acorde durante a madrugada.
- É verdade. De qualquer forma se ele acordar antes eu digo que você ligou.
- Obrigada Izayoi. Mais tarde eu volto a ligar. Boa noite. – Despediu-se lembrando que em Tóquio era noite.
- Boa noite querida.
A chamada foi desfeita e Izayoi devolveu o aparelho ao filho que estava sentado no sofá.
- Ele não vai gostar de saber que ela ligou e ninguém o chamou. – O caçula disse.
- Ela não quis que o chamasse. Rin se preocupa com o bem estar dele. Sabe que ele está cansado e precisa dessas horas de sono.
Inuyasha deu de ombros e se levantou anunciando que iria para o quarto. A mãe estranhou que ele estivesse em casa numa sexta-feira à noite, mas nada disse e o viu subir os degraus da escada após beijá-la no rosto.
...
Era madrugada no Japão, duas da manhã quando Rin voltou a ligar para o telefone de Sesshoumaru. Izayoi tivera o cuidado de antes de ir dormir ir até o quarto do filho e colocar o aparelho no criado mudo bem próximo dele e onde sabia mesmo no vibra call ele acordaria quando ela ligasse.
O homem se moveu na cama e abriu os olhos fitando o objeto prateado cujas luzes piscavam sobre o criado mudo. Ele estendeu a mão e pegou o aparelho levando-o ao ouvido.
- Rin? – Indagou sem nem verificar pelo visor quem o chamava.
- Oi meu amor!
- Meu anjo, você estava se escondendo de mim? – Indagou com a voz suave e ainda sonolenta. - Há dias eu não ouço a sua voz.
- Ai amor, eu tive tantos compromissos nos últimos dias e no meu tempo livre, quando eu tentei retornar as suas ligações, não consegui. Todas as vezes em que liguei você também estava ocupado.
- Eu sei. – Ele disse simplesmente. – Eu estou sentindo muito a sua falta.
- É tão difícil, não é?
- Muito. Eu enlouqueceria se ficasse mais um dia sem ouvir sua voz.
- Ah Sesshy, eu estou morrendo de saudades.
- Eu também. Eu daria tudo pra ter você nessa cama agora, pra sentir seu cheiro, seu gosto, a textura da sua pele... Não sei por quanto tempo mais vou agüentar isso.
- Para mim também está sendo muito difícil e ouvir você falar desse jeito não está facilitando nada. – Ela reclamou manhosa. – Você está em casa?
- Não. Estou na casa dos meus pais.
- Eu te acordei, não foi?
- Não tem problema. E você o que está fazendo, não havia nada na sua agenda pra hoje?
- Não. Hoje eu pude ficar em casa. Eu estou no meu quarto, deitada.
- Está sozinha?
- Estou. Ayame e Helen já foram para casa.
- É verdade, agora você tem uma segunda assistente.
- Tenho. Eu resolvi contratar outra pessoa para ajudar a Ayame. O volume de trabalho dela tem aumentado muito.
- Por conseqüência do seu certamente.
- É. – Rin confirmou. - Você tem saído? – Indagou despreocupada mudando totalmente de assunto.
- Não. Tenho saído tão cansado do hospital que não tenho vontade de fazer nada depois. Mas você tem saído e muito, não é? – Ele frisou e Rin sorriu do outro lado da linha pelo tom utilizado por ele.
- É. Eu tenho ido a muitos eventos e festas.
- Eu sei. Li as matérias nos jornais e revistas. Vi as fotos, eles não se cansam de elogiar você, a sua beleza. – O tom de voz dele fez o corpo de Rin se arrepiar.
- Haverá muitos outros eventos ainda.
- Eu espero não ver fotos suas em companhia de algum ator, cantor de rap ou algo assim. – Rin gargalhou ao ouvi-lo demonstrar mais uma vez sua possessividade.
- Amor, eu fui sozinha a todos o eventos. – Ela respondeu ainda rindo. – Se eu estivesse com alguém isso seria alardeado por toda a imprensa.
- Eu sei disso meu anjo e sei que vou continuar vendo você sozinha nesses eventos.
- Ah claro! A menos que você resolva me acompanhar.
- É isso que você quer que eu acompanhe você?
- É o que eu gostaria, mas eu sei o quanto você detesta toda essa exposição e eu não o culpo por isso.
- Você está certa. – Sesshoumaru respondeu calmamente, mas no fundo ele sabia que cedo ou tarde estaria exposto. Os dois não conseguiriam manter esse relacionamento em sigilo por muito tempo, principalmente quando estivessem juntos. - Honestamente não sei como você agüenta isso minha Rin.
- Eu lido com isso muito facilmente, diferente dessa distância atual entre nós dois. Eu agradeço o fato de ter tantos compromissos porque isso evita que eu sofra demais com essa saudade. – A mulher fala de forma manhosa.
- Tente pensar que eu estou aí com você, porque eu estou com você sempre. Mesmo com todas essas milhas de distância, meu pensamento não se afasta de você meu anjo, nunca.
A mulher sorriu docemente com a declaração dele. Rin mal podia descrever a sensação maravilhosa que era se sentir amada daquela forma e por aquele homem que tanto desejou para si.
- Eu também estou sempre pensando em você e quando sinto muita saudade, quando está quase insuportável segurar, eu toco no colar que você me deu, eu o observo através do espelho e isso me acalma.
- Nós vamos matar essa saudade em breve, eu prometo. – Ele disse.
- Eu espero mesmo.
O casal conversou por mais algum tempo e Rin informou que estaria embarcando para Londres na semana seguinte para participar de um evento de moda. De lá seguiria para Paris e depois Milão. Acertou com Sesshoumaru que daria retorno às ligações dele o mais rápido possível e que Helen assim como Ayame estavam ciente de que deveriam avisá-la imediatamente sempre que ele ligasse. Dessa forma os dois se despediram de forma carinhosa reafirmando o amor que sentiam um pelo outro e Rin ficou pensativa quanto à promessa de Sesshoumaru de que iriam matar a saudade um do outro em breve.
Deixem seu reviews caras leitoras. Estou esperando.
Beijos!
